Blog do André Rocha

Com goleada sobre o Betis, Valverde rasga de vez o “Manual Barcelona”
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André Rocha

O Barcelona já venceu ou construiu goleadas utilizando os contra-ataques. Segundo o site Whoscored.com, o time catalão terminou o jogo em Sevilla com 51% de posse. Ou seja, ainda que com vantagem mínima teve o controle da bola.

Mas nenhuma vitória foi tão emblemática como os 5 a 0 no Estádio Benito Villamarín para mostrar que o time de Ernesto Valverde, mesmo com a base de Luis Enrique e alguns remanescentes da Era Guardiola, pensa e executa futebol diferente do que ficou conhecido como a ''Escola Barça''.

Um primeiro tempo sofrendo com a marcação adiantada e com muita pressão do time da casa e dificuldade para chegar ao ataque. Segunda etapa matadora com quatro gols de contragolpes. O primeiro de Rakitic, aproveitando passe em profundidade de Luis Suárez.

Depois o croata retribuiria a assistência no terceiro, com um belo cruzamento da direita para finalização ainda mais bela do camisa nove uruguaio, que fecharia a goleada aproveitando arrancada e passe de Messi.

O gênio argentino mais uma vez cresceu com os espaços cedidos pelo adversário. Dois gols, além da assistência que fechou a goleada – a nona na liga espanhola. O primeiro gol foi o maior símbolo desta mudança de mentalidade: bola roubada por Sergio Busquets e o camisa cinco, que costuma ser um jogador de controle de jogo com o passe mais horizontal, de lado, acionou diretamente Messi. Vertical, simples e objetivo, como a conclusão do artilheiro da competição com 19 gols.

Messi faria o terceiro em outro contragolpe, do jeito que gosta: recebendo na meia direita com espaço para limpar os marcadores até encontrar o melhor ângulo para o chute. Se o craque da equipe é ainda mais desequilibrante com espaços, por que forçar sempre um jogo de posição que instala o adversário no seu próprio campo para justamente negar essas brechas?

Um Barcelona do 4-4-2 mais ''duro'', com uma segunda linha que teve Sergi Roberto mais adiantado aberto à direita, com Semedo ocupando a lateral, Rakitic e Busquets no centro e André Gomes pela esquerda. Pragmático para superar um rival complicado da maneira que era mais viável. Sem imposição de filosofia. O comportamento foi de acordo com a demanda.

Assim abre 11 pontos sobre o vice-líder Atlético de Madri. Desta forma pode dar um nó na cabeça de Antonio Conte para o duelo com o Chelsea pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Porque o confronto ataque x defesa que parecia previsível e puniu o Barça de Guardiola contra os mesmos Blues em 2012 deve ganhar outras nuances.

Ernesto Valverde rasga de vez o ''Manual Barcelona'' e cria um problema para os adversários: ninguém mais sabe o que esperar do time de Messi e Suárez.


Atlético Mineiro 2018 com pé fundo no acelerador
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André Rocha

A estreia dos titulares do Atlético Mineiro em 2018, na segunda rodada do Campeonato Mineiro, confirmou a impressão da montagem do elenco para a temporada. Aliás, desde a saída de Rafael Carioca para o Tigres do México, ainda em agosto. Com Robinho e Fred fora do elenco, além de Marcos Rocha, que foi para o Palmeiras.

O Galo de Oswaldo de Oliveira será aceleração pura. Seja pelas laterais com Samuel Xavier e Fabio Santos, pelo meio com Arouca e Elias. Principalmente com o trio Roger Guedes, Cazares e Otero atrás de Ricardo Oliveira no 4-2-3-1 habitual do treinador.

Até o novo camisa nove – mesmo com 37 anos, três a mais que o antecessor Fred – é mais rápido e chama lançamentos. Com os três velocistas trocando o posicionamento a todo o momento e Elias aparecendo na área adversária para marcar dois gols. O primeiro logo aos oito minutos, facilitando o jogo em transições rápidas. Mais um do estreante Roger Guedes. 3 a 0 em 18 minutos alucinantes.

Era até esperado que, principalmente na segunda etapa, o time diminuísse a intensidade. São apenas 17 dias de preparação, com Oswaldo comandando uma pré-temporada ''à moda antiga'', com fortes treinos físicos e coletivos. Natural a queda. A boa atuação da dupla Leonardo Silva e Gabriel na zaga  garantiu a meta de Victor.

Mas a primeira impressão foi boa. A dúvida é quando precisar alternar ritmos e ter paciência para furar bloqueios mais sólidos e organizados. Porque esse novo Galo joga com o pé fundo no acelerador.


Perdão, corintianos. Hoje o “clube mais brasileiro” é o Vasco
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André Rocha

Desde já o blogueiro pede desculpas aos corintianos e ao seu belo hino.

Mas hoje, depois de uma noite para esquecer, ou lembrar para nunca mais repetir, quem pode dizer que ''do Brasil é o clube mais brasileiro'' é o Vasco.

Vasco do golpe. Vasco da traição.
Vasco que desrespeita voto.
Vasco que venera um fascista.

Vasco que dissemina o ódio. Ao maior rival e aos opositores. A não ser que eles sejam úteis para manter o status quo.

Logo o clube da força popular, contra o racismo. De história das mais belas no futebol cinco vezes campeão do mundo.

Mais um capítulo lamentável desses tristes tempos.

O Vasco se apequenou tanto que virou um microcosmo do país.


Tempo será maior aliado do Internacional. Primeira impressão não é boa
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André Rocha

Volta da Série B sem título, treinador sem ''grife'' e, portanto, estofo para manter alguma estabilidade num revés de maior impacto. O elenco não contou com grande reformulação por conta de dificuldades financeiras. Para aumentar a irritação da torcida, 2017 foi de tricampeonato da Libertadores para o rival Grêmio.

Se em outros anos, especialmente, 2016, o campeonato gaúcho mais iludiu que trouxe soluções para o Internacional, desta vez pode funcionar como um aliado. Para ganhar tempo.

Tempo para assimilar a proposta de Odair Hellmann que foi interino após a saída de Guto Ferreira e acabou efetivado com as recusas de Roger Machado e Abel Braga. Jogos para vencer e ganhar confiança, mesmo sem um desempenho consistente, como no triunfo por 1 a 0 sobre o Veranópolis na estreia oficial da temporada no Beira-Rio. Uma sequência de trabalho para reavaliar o elenco, podendo ir ao mercado ou buscar nas divisões de base – o Inter é semifinalista da Copa São Paulo depois de golear o Santos por 4 a 0.

A primeira impressão não é boa, mesmo considerando o pouco tempo de preparação. A equipe ainda encontra dificuldades para criar espaços no campo adversário, como quer o treinador numa proposta valorizando a posse de bola. O 4-2-3-1 tem D'Alessandro, ídolo mas já na reta final de carreira aos 36 anos, como articulador central. Eventualmente procurando o lado direito para fugir da pressão mais intensa na marcação. Camilo atua como um meia aberto à esquerda procurando o centro para articular ou finalizar. Vem faltando o passe diferente, que encontra o companheiro em condições de finalizar.

O Internacional sempre vai melhor quando acelera. Pelos flancos com William Pottker, autor do gol único em contragolpe veloz. Ou com Edenílson, que leva a equipe ao ataque conduzindo a bola. Rodrigo Dourado até tem bom passe, mas não é exatamente o volante organizador que faz o time jogar. Na dificuldade, saída pelas laterais com Cláudio Winck e Uendel, o que não garante qualidade na transição ofensiva. Ou ligação direta procurando Leandro Damião, que é finalizador e contribuiu pouco no trabalho de pivô.

Ou seja, é um time vivendo um paradoxo: quer a bola para controlar o jogo, mas funciona melhor explorando os espaços deixados pelos adversários. Para mudar é preciso trabalho e tentar combinar as características dos atletas com o modelo de jogo escolhido.

Roger, contratado ao Botafogo, deve funcionar melhor a médio prazo. Assim como a habilidade de Wellington Silva, que veio do Fluminense, pode abrir defesas fechadas com dribles. Nico López é a opção para quando D'Alessandro cansa, mas também pode funcionar como ''falso nove''.

Não é de todo ruim, mas também não parece o suficiente para o Inter voltar forte à Série A do Brasileiro. O tempo será o maior aliado até abril para ganhar equilíbrio e resgatar em campo o respeito por um gigante do futebol brasileiro.

 

 

 

 


Cruzeiro, o estreante mais consistente da quarta-feira de futebol precoce
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André Rocha

Foram 14 dias de preparação do Cruzeiro para a estreia oficial no estadual contra o Tupi no Mineirão. Não se faz futebol com qualidade em duas semanas.

Mas pela base já montada e a essência do modelo de jogo já assimilada, o time de Mano Menezes conseguiu apresentar um rascunho de futebol mais interessante. Mesmo com o encaixe de Fred que já mudou toda a dinâmica do ataque em sua reestreia que atraiu mais de 40 mil cruzeirenses.

Com o camisa nove no centro de ataque, alguns movimentos mudaram. Como Rafinha jogando aberto pela direita e contando com o apoio por dentro de Lucas Romero, improvisado na lateral direita enquanto Edilson não estreia. Mais o suporte de Robinho no 4-3-3/4-1-4-1 como o desenho tático.

Do lado oposto, o inverso: De Arrascaeta buscando as diagonais se juntando a Fred e Egídio descendo quase colado à linha da lateral para espaçar a marcação adversária. Ariel Cabral dando opção de passes. Sempre em triangulações pelos lados e o centroavante fazendo o trabalho de pivô. Ocupação inteligente do campo de ataque e volume de jogo sem dar muitas chances aos contragolpes do adversário.

Fred desperdiçou algumas chances, mas teve movimentação até interessante para uma estreia. Atraiu marcação e foi um facilitador. Tabelou com Rafinha, que serviu Robinho no primeiro gol em bela jogada coletiva. Depois o próprio Rafinha completou de letra assistência de Henrique. Dois a zero, jogo resolvido.

A chance de Mano mandar a campo Thiago Neves e Rafael Sóbis, além de estrear Bruno Silva, que apoiou bem aberto pela direita e descansou um pouco Lucas Romero. Rodar o elenco será fundamental para dar minutos e descanso a todos em um calendário inchado.

Se a garotada do Flamengo fez bonito nos 2 a 0 em Volta Redonda e o Santos teve o placar mais dilatado nos 3 a 0 fora de casa sobre o Linense, o desempenho do Cruzeiro foi o mais consistente entre os grandes clubes na quarta-feira de futebol precoce no Brasil.

 


Ronaldinho: cabeça de artista esmagada pelo pragmatismo do futebol
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André Rocha

Ronaldinho, então apenas Ronaldo, chamou atenção deste blogueiro no Mundial Sub-17 em 1997. Talento, habilidade, aquela fagulha dos gênios. Confirmada mais nos dribles sobre Dunga no Grenal do que no golaço sobre uma Venezuela já entregue na Copa América em 1999. Aos 19 anos.

Saída polêmica e explosão do talento que ganhou força no Paris Saint-Germain. Coadjuvante de luxo no título mundial em 2002 e a fase de ouro no Barcelona. Sempre com sorriso no rosto, samba no pé além da magia quando uma bola se aproximava. Parecia viver num mundo de sonho, proporcionado por sua genialidade e viabilizada pelo irmão Assis, que cuidava das coisas práticas enquanto ele vivia o sonho.

Esta história tem seu momento chave em 2006. A questão no primeiro semestre deste ano era: até onde Ronaldinho Gaúcho pode chegar? Se vencesse a Copa do Mundo na Alemanha como protagonista de um Brasil estelar e favorito como nunca ao título seria bicampeão. Aos 26 anos. Para muitos, subiria ao topo do Olimpo com Pelé, Maradona e outros poucos.

Todos os olhos voltados para ele. Bicampeão espanhol e dando ao Barcelona a sua segunda Liga dos Campeões. O auge em um clube. Mas mal pôde comemorar. Sua alma de artista não teve como respirar de uma enorme pressão. Ele precisava de férias. Mais para a mente do que para o corpo. Como um cantor depois de gravar um disco genial ou cumprir uma turnê consagradora.

Ronaldinho partiu para Weggis. E para seu azar – talvez achasse sorte na época – o clima não era de concentração, mas de permissividade. O diagnóstico errado de que com tantos talentos reunidos e depois de vencer tanto bastava entrar em campo e cumprir o protocolo para levar o hexa.

Não foi. E ao notar as dificuldades, perceber que não tinha corpo nem mente para o tamanho do desafio ele viveu uma depressão. No campo. Sem reação. Com alguns espasmos, porque o futebol transbordava pelos pés. Parou na França. De um Zidane focado, adiando jogo a jogo o fim de sua carreira. Depois de uma temporada sem títulos e grande desgaste. O oposto.

Ali algo se quebrou. O gênio que havia chegado tão longe ao ver Cannavaro receber a Bola de Ouro percebeu que teria que escalar a montanha de novo. E aí faltou a disciplina, o foco na carreira para seguir adiante. Deixou de ser atleta, virou jogador.

Ainda com talento para ter momentos brilhantes em Milan, Flamengo e Atlético Mineiro, este em especial com o último título relevante: a Libertadores 2013. Nem tanto no Fluminense e no Querétaro. Porque o Pep Guardiola que o descartou no Barcelona em 2008 levou o futebol para um caminho de intensidade e espírito competitivo que empurrou Ronaldinho para fora do cenário no mais alto nível. Ele era de outro tempo.

Bons tempos, muitos dirão. Mas tudo passa. O Gaúcho passou e agora se despede oficialmente. Deixando mágica por onde caminhou. A cabeça de artista foi esmagada pelo pragmatismo do futebol. Mas paradoxalmente o esporte ficou marcado por ele. Dois prêmios de melhor do mundo e inspiração para Lionel Messi, um dos grandes da história.

Maior que Ronaldinho por encarar o esporte como trabalho, com a disciplina exigida. O mundo disse que o R10 tinha que ser o maior. Ele só queria ser feliz. Que seja agora, mais longe do nosso imediatismo e de nossas exigências muitas vezes descabidas. Só um superhomem para suportar o moedor de carne, cérebro e alma.

Ronaldinho desistiu em 2006. Uma pena. Ou sorte dele. Vai saber…


A análise possível e o protesto necessário na estreia do Botafogo em 2018
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André Rocha

Não existe um time entrar em campo para um jogo oficial com 12 dias de preparação. Doze. Não pode no futebol que se diz profissional. É impossível abrir o post sem este protesto. É necessário.

Por mais que o Botafogo, por todas as diferenças possíveis, carregue a obrigação de se impor contra a Portuguesa da Ilha do Governador em qualquer cenário, mesmo com o adversário treinando há 75 dias, a análise precisa ser relativizada.

É óbvio que o time comandado por Felipe Conceição é um grande incógnita, desde o elenco até o novo treinador em sua primeira experiência no profissional. Parece mais fraco sem Victor Luís na lateral esquerda, Bruno Silva no meio-campo e Roger no ataque. A busca por contratações é complexa pelas sérias limitações no orçamento.

Mas não dá para cobrar muita coisa além de fibra e a indignação com a derrota. A vontade para tentar no abafa se impor pela camisa. Para compensar a falha coletiva na jogada parada que terminou no primeiro gol de Sassá e o erro grosseiro de Jefferson no segundo do camisa 11.

Diminuiu no pênalti no toque (bizarro!) no braço de Romarinho e cobrado por Brenner e insistiu na variação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com as cinco substituições até empatar na assistência do centroavante para o gol de Marcos Vinicius no lance final.

Apresentou um rascunho de novas ideias, com mais aproximações e triangulações, tentando valorizar a posse de bola para ocupar o campo de ataque e criar espaços. Mas o hábito de definir rapidamente a jogada dos tempos de Jair Ventura persiste e atrapalha quando surge a obrigação de atacar. Por isso a insistência com os cruzamentos procurando Brenner. Algo que é absolutamente natural.

Porque não existe futebol sério e profissional com 12 dias de preparação. Só na ''lógica'' da estrutura federativa do futebol brasileiro que incha o calendário e enche a programação dos detentores dos direitos de transmissão. Com a conivência da direção do Botafogo, alinhada à FFERJ. Que devia ser alvo dos protestos da torcida, mais do que os jogadores. Atletas que não podem ser tratados como vítimas porque deviam se organizar como um foco importante de resistência ao status quo.

Mas a bola rolou. E para o alvinegro já tem clássico contra o Fluminense no sábado. Algo tão aleatório e sem sentido quanto a estreia do Bota em 2018.

 

 


Gustavo Scarpa é a peça que faltava ao quarteto ofensivo do Palmeiras
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André Rocha

Gustavo Scarpa é do Palmeiras por cinco anos. Se o imbróglio com o Fluminense podia ter sido conduzido de uma forma mais transparente, cobrando seus direitos mas dando uma satisfação ao clube que o projetou, a escolha do destino não podia ter sido melhor.

O meia é a peça que faltava ao 4-2-3-1 que Roger Machado vai ensaiando na curta pré-temporada. Vai formar o quarteto ofensivo com Lucas Lima, Dudu e Borja. Partindo da direita para ajudar na articulação e abrindo o corredor para o apoio de Marcos Rocha. Do lado oposto, Dudu será o ponta mais agudo, chamando lançamentos para os contragolpes e buscando as infiltrações em diagonal para se juntar ao centroavante, que terá três ótimos passadores a servi-lo.

No último Brasileiro, segundo o site Whoscored.com, o trio ficou entre os seis jogadores que mais criaram ocasiões de gol: Lucas Lima em primeiro com 82, Scarpa em segundo com 79 e Dudu em sexto com 57.

Fica a dúvida quanto à intensidade dentro da proposta de pressionar logo após a perda da bola, ainda mais se a dupla de volantes for Felipe Melo e Moisés. Todos terão que participar mais na transição defensiva. Talvez Tche Tche acabe virando titular, também pela velocidade na saída para o ataque.

Mas em termos de combinação de características o encaixe de Scarpa deve ser imediato. Dois ponteiros com pés ''trocados'', um meia central que pensa correndo como Lucas Lima e um centroavante móvel e rápido abrindo espaços, inclusive para si mesmo, e mais focado na finalização. Sem contar as várias opções no banco, especialmente Keno e Willian Bigode.

Vejamos no campo se dá liga. Mas é impossível negar que a contratação foi certeira. O Palmeiras foi bem mais uma vez ao mercado. Sem tanta fome, porém fazendo as escolhas certas no cardápio.


Fim da invencibilidade do City no jogo “maluco” com assinatura de Klopp
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André Rocha

A melhor definição que este que escreve já leu sobre Jurgen Klopp é de ''técnico rock and roll''. Tudo a ver com o estilo apaixonado do alemão. Intensidade, comunhão com a torcida, carisma, alegria. Um ''maluco beleza''.

Por isso seus times costumam ser fortes em seus domínios pela atmosfera criada. Não é por acaso que Pep Guardiola quase sempre encontre dificuldades quando sua equipe enfrenta os times de Klopp, desde os duelos entre Bayern de Munique x Borussia Dortmund. Porque a motivação de enfrentar ''o melhor treinador do mundo'', nas palavras do próprio comandante dos Reds, cria essa ''loucura''. Sem controle.

Foi o que se viu nos 4 a 3 impostos pelo Liverpool no Anfield Road encerrando a invencibilidade do Manchester City em 23 rodadas. Início com intensidade máxima e gol logo aos oito minutos, no chute cruzado de Oxlade-Chamberlain, o meia pela direita no 4-3-3 do time da casa. Em tese, o substituto de Philippe Coutinho. Um dos destaques da partida.

Mas o líder absoluto da Premier League não é um time qualquer e, mesmo incomodado na saída de bola e com Fernandinho errando mais que o habitual, respondeu ocupando mais o campo de ataque e girando a bola. Na falha de Joe Gomez, a inversão de Walker encontrou Sané. Bela jogada do ponteiro alemão e chute forte entre a trave e o goleiro Karius. Uma das duas finalizações no alvo num total de quatro nos primeiros 45 minutos em que os citizens recuperaram o controle da bola e chegaram a 57% de posse.

O Liverpool finalizou oito, mas também um par na direção da meta de Ederson. Eficiência que deu um salto dos 15 aos 23 minutos com belos gols de Roberto Firmino, Mané e Salah. O mais bonito do brasileiro em lindo toque de cobertura. Incrível como é subestimado no Brasil por não ter história em um grande clube daqui. Pelo desempenho já pode questionar até titularidade no centro do ataque.

Pressão, bola roubada e contragolpe mortal. Futebol no volume máximo do time de Klopp. Gols na sequência que sempre baqueiam os times de Guardiola pela perda do domínio.

Mas mesmo com o desgaste físico por rodar menos o elenco nos jogos seguidos na virada do ano, já que conta com elenco curto e desfalcado, o City se entregou à ''viagem'' do jogo e assumiu o risco do bate-volta típico do Inglês que o time de Guardiola vem administrando melhor na temporada. O treinador catalão tirou Delph por lesão e colocou Danilo e depois trocou Sterling, novamente mal contra seu ex-time, por Bernardo Silva, autor do segundo gol.

Gundogan foi mais volante ao lado de Fernandinho do que meia alinhado a Kevin De Bruyne no meio-campo, alterando o desenho do time de Manchester para 4-2-3-1. Mas estava na área para marcar o terceiro e criar uma tensão em Anfield até a testada com perigo de Aguero, impedido, no lance final.

Foram 16 finalizações do anfitrião contra 11 dos visitantes, que tiveram 64% de posse. Cenário de equilíbrio relativo, definido pela maior eficiência nos momentos de superioridade e menos erros quando dominado.

O que parecia trágico se transformou numa reação digna para não abalar tanto o City. Apesar das 17 partidas sem vencer os Reds fora de casa e as seis derrotas de Guardiola contra Klopp. O triunfo do Liverpool teve a assinatura do alemão num jogo ''maluco''.

(Estatísticas: BBC)


Corinthians volta ao 4-1-4-1 equilibrando melhor passe e velocidade
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André Rocha

O resultadismo é algo tão sério no Brasil que o Corinthians sofreu críticas por ter sofrido a virada de 4 a 2 para os Rangers com um time reserva e repleto de improvisações que, pelo desentrosamento, sofre mais a falta de ritmo de competição que o adversário no meio da temporada. Tantas vezes a análise se restringe ao placar e não mais que isto.

Valem os dois primeiros períodos de 45 minutos para observar o que pretende Fabio Carille neste início de temporada. E tanto no empate contra o PSV por 1 a 1 com vitórias nos pênaltis e na derrota para o time escocês, a resposta do atual campeão brasileiro foi positiva. Não por ter ''vencido'' os dois períodos, mas pelo desempenho.

A equipe volta ao 4-1-4-1 consagrado por Tite em 2015 e rascunhado no início do ano passado até Rodriguinho passar a atuar mais adiantado. Mas desta vez com uma alteração que mudou alguns jogos decisivos na reta final do Brasileiro: Jadson no meio-campo e Clayson na ponta esquerda, com Romero sendo transferido para o lado direito. Na frente, Kazim ocupando a vaga de Jô.

A primeira impressão é de um jogo mais fluido e que equilibra melhor o passe e a velocidade nas ações ofensivas. Com Jadson pela direita e Maycon ou Camacho fazendo dupla com Gabriel à frente da defesa num 4-2-3-1, o meio-campo era mais preenchido, porém faltava uma infiltração mais rápida pela direita além das descidas de Fagner.

Lembrando 2015, quando Jadson cortava para dentro, Elias ou Vagner Love apareciam naquele espaço para surpreender a defesa com uma rapidez de deslocamento que não havia em Rodriguinho ou Jô no ano passado. O time ficou menos ágil, especialmente no momento da queda de produção de Maycon.

Agora a equipe tem o passe no meio com Rodriguinho e Jadson, que se movimentam ora recuando para qualificar o toque na intermediária, ora buscando os espaços entre a defesa e o meio-campo do adversário. Os pontas Romero e Clayson aceleram buscando o fundo ou as infiltrações em diagonais e Kazim vem surpreendendo com mobilidade e um trabalho de pivô  eficiente, ainda que longe do nível alcançado por Jô.

Nos três gols marcados, duas assistências de Jadson para Rodriguinho, na estreia com bola parada e na segunda partida em jogada bem trabalhada. Mais um chute cruzado de Kazim após se desmarcar pelo lado direito. O centroavante saiu da área em vários momentos e os companheiros tentaram aproveitar o espaço deixado. Em alguns momentos faltou sincronia, o que absolutamente natural.

Sem a bola, compactação dos setores, responsabilidade dos ponteiros fechando os flancos no auxílio aos laterais Fagner e Juninho Capixaba ou Guilherme Romão. O do setor atacado recua mais e o do lado oposto fica pronto para o contragolpe. Gabriel ajuda os zagueiros Balbuena e Pedro Henrique a bloquear as penetrações pelo centro. Nos 90 minutos com os titulares a meta de Cássio não foi vazada.

Corinthians de volta ao 4-1-4-1 com Gabriel entre as linhas de quatro e o ponteiro do lado atacado – na imagem, Clayson fechando o setor esquerdo – fica mais recuado que o do lado oposto (Reprodução Sportv).

Pouco importa o placar final. A informação preciosa para os corintianos é que o equipe manteve a base, tem modelo de jogo assimilado, mesmo com a mudança no desenho tático. Também entrosamento e apresentou um repertório até interessante no ataque para um início de trabalho. O resultado é o que menos importa no Torneio da Flórida.