Blog do André Rocha

Algumas coisas que precisam ser ditas sobre Corinthians e arbitragem
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André Rocha

As declarações de Mano Menezes, treinador que comandou o Corinthians de 2008 a 2010 até assumir a seleção brasileira e depois em 2014, insinuando um favorecimento sistemático da arbitragem ao clube paulista nos jogos em sua arena, depois da vitória sobre o Cruzeiro comandado pelo técnico pela Copa do Brasil seriam algo para ser levado muito a sério.

Afinal, um profissional que esteve no comando técnico há tão pouco tempo, ainda que com outra diretoria, conhece ou deveria conhecer bem os mecanismos nas entranhas do clube.

Só que Mano tem uma verdadeira obsessão por arbitragem. Reclama desproporcionalmente até de um lateral invertido. Quase sempre transferindo a responsabilidade de suas derrotas, inclusive no próprio Corinthians.

Colocado numa saia justa óbvia ao ser questionado se também via esse favorecimento quando trabalhava lá afirmou que o problema é “recente”. Resposta mais que previsível, já que o treinador saiu magoado por ter sido descartado duas vezes pela atual direção: no final de 2014 e agora na sucessão de Tite.

De fato, o histórico de erros que favoreceram ou não prejudicaram o Corinthians, especialmente em Itaquera, é grande. Só neste Brasileiro é possível citar os pênaltis claros de Cássio em Ábila, também contra o Cruzeiro de Mano (no Pacaembu), e de Marquinhos Gabriel sobre Marcos Júnior no duelo contra o Fluminense, além das não expulsões de Fagner na entrada criminosa sobre Éderson do Flamengo e de Cássio no pontapé sobre Dodô do Figueirense.

Tudo armado? Não é tão simples assim. Primeiro porque o tema arbitragem é sempre muito espinhoso. O lado supostamente favorecido exige provas irrefutáveis. É seu direito, inclusive. E os prejudicados, especialmente os torcedores, cobram da imprensa acusações apenas com indícios. Nenhuma surpresa no país do “não há provas, mas temos convicções”.

A questão é que há um mecanismo implícito que acaba sempre pesando a favor do time mais popular e, por isto, poderoso que este nem precisa provocar. Porque é ele que faz a roda girar. O famoso “trem pagador”.

Acontece de forma escancarada na Espanha com Barcelona e Real Madrid. Marcas globais, poderosíssimas. Na dúvida, o árbitro vai marcar a favor dos gigantes. Especialmente se for no Camp Nou ou no Santiago Bernabéu.

Esquema? Não, nem é preciso. A arbitragem já entra naturalmente pressionada. Se não tiver convicção e errar contra o mais forte a chance de pegar uma “geladeira” é grande. Se não apita os grandes jogos a carreira não decola. E muitas vezes a família já conta com aquela grana extra no orçamento de quem tem seu salário em outra atividade. O velho problema de não profissionalizar o árbitro.

Os lances descritos acima são claros na TV, com close e imagem congelada. No campo o juiz pode estar longe, o auxiliar não ter convicção porque um jogador dificultou sua visão. E se não tem certeza…

O caso da Máfia do Apito em 2005 – outro questionamento eterno de quem não é corintiano – deixou algumas lições esquecidas. O próprio Edílson Pereira de Carvalho, pivô do escândalo, na época explicou como funciona uma arbitragem “encomendada”: as decisões para prejudicar um time são sutis. Um lateral invertido, uma falta não marcada para irritar os jogadores e, consequentemente, aplicar cartões e deixar vários pendurados. Uma reação em cadeia para se construir o resultado desejado sem deixar rastros.

Este que escreve não é jornalista investigativo. Nunca quis ser, até por falta de talento (e estômago). Mas temos alguns excelentes no Brasil. O melhor de todos, sem desmerecer os demais, chama-se Lucio de Castro. Premiado tantas vezes pelos serviços prestados e injustamente afastado do mercado, hoje tem tempo e independência para vasculhar o que quiser.

Além disso, basta observar o quanto decolou a carreira, com toda justiça, do colega André Rizek depois da repercussão de seu trabalho para a Revista Placar sobre o “Caso Edílson” há onze anos para ver o quanto pesa este tipo de reportagem. Não é absurdo pensar que se houvesse uma pequena fumaça o incêndio já teria sido revelado há tempos.

No mundo ideal haveria isonomia no tratamento dos clubes. A vida real é bem diferente. Somos humanos, frágeis, inseguros. O instinto de proteção manda não se indispor com quem tem mais força. Ainda mais no Brasil.

E o Corinthians é gigante. A torcida é imensa e joga junto. Consome qualquer produto, seja a camisa do clube ou informação. Se está disputando o topo da tabela é melhor para toda a cadeia produtiva. Inclusive a jornalística. Só para citar um exemplo, talvez o canal Fox Sports não tivesse crescido tanto no país nestes quatro anos se o Corinthians não vencesse a Libertadores na estreia da emissora em 2012.

Colocar as conquistas recentes do time paulista na conta da arbitragem é aceitável no papo de boteco, nas provocações dos torcedores. Objetivamente não cabe, até por desmerecer o trabalho de grandes profissionais. Inclusive Tite, que mostra sua competência já neste início no comando da seleção brasileira.

Não é justo. Assim como o mundo tem suas injustiças. Na falta de certezas, a balança quase sempre vai pesar para o lado mais forte. O Corinthians construiu sua grandeza com suor, carisma, uma bela história de clube popular e conquistas. Não pode levar a culpa.

Ao menos até que se prove o contrário.


Até quando o acaso vai proteger o Atlético Mineiro?
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André Rocha

“O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”. A canção “Epitáfio”, dos Titãs, foi escolhida por Carlos Alberto Parreira para ser o tema da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2006.

O prenúncio do que viria como punição pela bagunça da preparação midiática em Weggis: o favorito absoluto antes do torneio que acreditou que só o talento bastava foi subjugado pelo futebol coletivo da equipe do gênio maior daquele Mundial: Zinedine Zidane.

Corte para 2016. Dez anos depois, o Atlético Mineiro de Marcelo Oliveira certamente trabalha bem mais sério na Cidade do Galo. É terceiro colocado no Brasileiro com chances de título por ainda enfrentar Palmeiras e Flamengo, em casa.

Mas se tem qualidade individual na frente acima da média brasileira, defensivamente parece sempre jogar de forma aleatória, entregue à própria sorte.

Sem controle seria a melhor definição. Mesmo com Rafael Carioca, um volante de passe certo e que sabe ditar o ritmo, Marcelo Oliveira segue padecendo dos mesmos problemas dos tempos de Palmeiras: seu time não retém a bola em momentos importantes do jogo.

A intensidade dos tempos de Cuca e que seguiram como herança para Levir Culpi continuam como marca do Galo. Importante no futebol atual. Mas a solução das jogadas não precisa ser tão rápida. Muitas vezes apressada.

O time mineiro até tem bons números no Brasileiro em passes. É o quinto que mais acerta entre os 20 da Série A. Na posse de bola também só fica atrás de quatro equipes. Mas é muito mais em função do volume de jogo e da proposta ofensiva dentro ou fora de casa que acuam o rival do que por uma estratégia mais equilibrada e uma equipe com linhas mais próximas.

A torcida se habituou com as conquistas recentes e tem fé na força do ataque, que já foi às redes 44 vezes e só fica atrás do Palmeiras, ataque mais positivo, e do Santos na relação finalizações/gols. Precisa de não mais que sete conclusões para ir às redes.

É time que “fede” a gol e compensa os 36 sofridos – só sete times foram mais vazados no Brasileiro. Não por acaso Robinho é o artilheiro do país com 23 em 42 jogos. Onze na principal competição nacional. Um a mais que Fred.

Na vitória sobre o Juventude no Mineirão pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, Pratto foi quem decidiu, ainda no primeiro tempo. Não sem sofrimento. Porque o time relaxou e perdeu intensidade na volta do intervalo. Sem volume ofensivo, viu a bola bater e voltar e ser ameaçado pelo organizado time gaúcho comandado por Antonio Carlos Zago.

Ainda mais depois da tola expulsão de Carlos César aos 23 do segundo tempo. Já havia perdido Erazo por lesão na primeira etapa. Mesmo terminando com 59% de posse, permitiu nove finalizações do adversário e só não cedeu o empate que seria trágico para a volta em Caxias do Sul por mais sorte que juízo.

Curiosamente em uma noite de gols marcados fora de casa de Palmeiras, Internacional e Cruzeiro que mantiveram tudo aberto nos confrontos com Grêmio, Santos e Corinthians, respectivamente, foi justamente o Atlético o único a não ser vazado.

Apesar dos muitos problemas coletivos diante de um adversário valente e bem treinado, mas com as limitações técnicas naturais de um time que disputa a Série C nacional. Foi no sufoco, de novo.

Até quando o acaso vai proteger o Galo?

(Estatísticas: Footstats)


O Bayern e Ancelotti não aprendem: para o Atlético de Simeone, menos é mais
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André Rocha

As cinco temporadas de Diego Simeone no Atlético de Madrid construíram o melhor sistema defensivo da Europa e do mundo.

Uma organização impressionante, com linhas compactas, movimentos precisos e muita concentração na execução de um plano de jogo assimilado por uma base que ajuda os atletas que chegam e se adaptam de forma mais rápida e segura.

Mas o mais importante é que saber o que fazer em campo transfere confiança para jogar. O título espanhol em 2014, a Liga Europa em 2012 e as duas finais de Liga dos Campeões contra o Real Madrid, com reveses nos detalhes, fazem com que em 2016 a equipe tenha personalidade para enfrentar qualquer adversário.

Inclusive o poderoso Bayern de Munique, batido na semifinal da última edição do torneio continental. Com Guardiola buscando todo tipo de variação tática e mudanças de posicionamento para quebrar as linhas de marcação. Agora Carlo Ancelotti tentou superar com uma ideia mais simples, menos móvel.

Só que é o Atlético o especialista em transformar o menos em mais. Os bávaros fizeram um jogo engessado, com Muller subaproveitado na ponta direita, Ribéry com Alaba pela esquerda em jogada mapeada desde os tempos de Jupp Heynckes. Posse de bola de 63% durante todo o tempo, mas quase sempre inócua.

Para piorar, o Atlético continua prático e pragmático, mas adicionou qualidade, especialmente no meio-campo. Se perdeu Arda Turan para o Barcelona, ganhou o ótimo Saúl Níguez e encaixou Yannick Carrasco como ''winger'' numa linha de quatro que marca e joga pelo centro com Gabi e Koke. Muita técnica.

A definição das jogadas continua rápida, sem maior cuidado com a posse. Só que é mais refinada e inteligente. Como no gol de Carrasco. A mais feliz das sete finalizações dos colchoneros no primeiro tempo. Sem recorrer tanto às jogadas aéreas procurando Godín. O Bayern concluiu apenas quatro, metade na direção da meta de Oblak. Pouco ou quase nada serviu os 87% de efetividade nos passes.

Na segunda etapa, Ancelotti tentou mudar as características na frente com Robben na vaga de Muller, Kimmich no lugar de Thiago Alcântara, que podia ter sido expulso por faltas seguidas já com amarelo. Ainda Mats Hummels substituindo Boateng. Avançou as linhas, buscou a pressão. Mas ainda previsível.

Simeone confia tanto em seus jogadores que arriscou Gameiro no lugar de Carrasco. Griezmann recuou para fazer a função pela esquerda e o compatriota ficou na frente com Torres. Ou marcando no próprio campo, com os dez jogadores ocupando não mais que trinta metros para negar espaços ao oponente.

Depois ''Cholo'' trocou Torres por Nico Gaitán, retornando o francês para o ataque. Griezmann teve a chance de definir o jogo, mas, assim como na última final continental, cobrou o pênalti tosco cometido por Vidal em Filipe Luís no travessão.

Nem foi preciso. O Bayern não teve ideias ou alguma surpresa para descoordenar o que é tão bem treinado. Carlo Ancelotti segue sem vencer no Vicente Calderón, sina desde os tempos de Real Madrid. Porque o técnico e sua equipe ainda não aprenderam a fazer mais e melhor para superar um Atlético que não precisa de muito para se impor e vencer.

Para Simeone, menos é sempre mais.

(Estatísticas: UEFA)

 


Flamengo de Zico, o único brasileiro campeão da Libertadores em novembro
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André Rocha

Zico_Fla_campeao_Libertadores_1981

O último brasileiro campeão da Libertadores e Mundial foi o Corinthians em 2012. Por isso o grande time do país e do continente naquele ano, mesmo com a fantástica campanha do Fluminense que venceu o Brasileiro.

Neste campeonato o Corinthians foi sexto. Campanha até digna, mas que poderia ter sido melhor se o clube não tivesse priorizado, especialmente na parte final, o torneio interclubes da FIFA. E no início a própria competição continental em sua reta final. No ano seguinte, foi o Atlético-MG, apenas o oitavo. O último a chegar na decisão sul-americana – e vencer.

Como as mudanças divulgadas pela Conmebol, já para 2017, acabou a desculpa. Agora, com a competição durando de fevereiro a novembro e com duas fases preliminares, além de dez equipes eliminadas disputarem a Sul-Americana, a boa notícia é que nada estará garantido. O planejamento terá que ser obrigatoriamente competir durante todo o ano. Qualificar e rodar o elenco, sem irresponsabilidades, e dosar energias.

Outra boa nova é o campeão da Libertadores chegar no Mundial com alto nível de competitividade e não tentando resgatar em dezembro algo perdido ou descartado desde julho.

A história apresenta nove campeões entre a segunda quinzena de outubro e o final de novembro: Independiente em 1974, Boca Juniors em 1978, Peñarol em 1982 e 1987, Argentinos Juniors em 1985, River Plate em 1986, Nacional em 1988 e Olimpia em 1990.

O Flamengo de Zico é o exemplo único entre os brasileiros. A edição de 1981 começou em março, mas os rubro-negros só estrearam no dia três de julho, empatando com o Atlético Mineiro em 2 a 2 no Mineirão. Venceriam o Cobreloa por 2 a 0 em Montevidéu com gols de Zico no dia 23 de novembro. Em campo neutro como será a partir de agora, mas em jogo único e não na terceira partida, como há 35 anos.

Daria o chocolate histórico no Liverpool em Tóquio no dia 13 de dezembro – 3 a 0, dois gols de Nunes, um de Adílio. Vinte dias depois, ainda voando. No ápice da temporada. Uma das quatro vitórias dos campeões sul-americanos no final das temporadas sobre os europeus, que também venceram quatro – em 1978 não houve disputa.

Uma ótima referência para trabalhar certo a partir de agora. Pensando em dezembro e executando por todo o ano. Ainda com a incógnita da janela de transferência e do assédio de mercados emergentes, a missão é fechar o elenco o quanto antes e tentar mudar o mínimo possível nos doze meses. Com os estaduais tratados definitivamente como devem ser: pré-temporada.

Apesar do amadorismo que ainda vigora na maioria de nossos dirigentes, o novo calendário empurra os clubes para o profissionalismo, na prática. Fim do ciclo que poupa no início do Brasileiro para vencer a Libertadores e abandona a principal competição nacional ainda no primeiro turno por conta da obsessão pelo Mundial. Um ano quebrado no meio. Acabou.

Feliz 2017!

 


Jogaço e empate entre a tradição e o futebol do futuro em Dortmund
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André Rocha

O técnico Thomas Tuchel é um produto do segundo desdobramento da revolução de ideias do futebol nos últimos oito anos.

A primeira consequência do impacto de Guardiola no Barcelona foram as respostas de treinadores experientes e já consolidados no mercado, como Mourinho, Ancelotti e Heynckes, além de Klopp.

Tuchel cresceu já dentro deste cenário e sua busca é de combinar conceitos para evoluir e surpreender. Seu Borussia Dortmund mantém a intensidade na frente dos tempos de Kloop, mas insere o jogo de posição de Guardiola.

Como? Trocando passes com paciência e organização desde a defesa até se instalar no campo de ataque. Com os jogadores mais próximos, essa bola gira até encontrar uma zona de superioridade numérica ou de fragilidade do adversário para acelerar com tabelas e triangulações rápidas e envolventes até a finalização.

Não por acaso a boa temporada passada que trouxe a equipe de volta à Liga dos Campeões. Nem os 20 gols nos últimos quatro jogos e a disputa ponto a ponto pela liderança da Bundesliga com o gigante Bayern de Munique.

Porque cria um volume de jogo sufocante, já que inicia a pressão assim que perde a bola e as linhas estão adiantadas com jogadores próximos. É roubar a bola e seguir atacando. Vanguarda que pode ser uma das portas para o que será jogado daqui para frente.

Diante do Real Madrid sem Casemiro na proteção da retaguarda e com Danilo improvisado na lateral-esquerda por conta da ausência de Marcelo, imaginava-se um arrastão amarelo no Signal Iduna Park. Só que o atual campeão continental não é uma equipe qualquer. Tem talento, experiência e o peso da camisa que também conta em momentos chave do confronto para evitar o massacre.

Não que o Dortmund tenha se intimidado. Impossível na proposta de jogo de Tuchel. No primeiro tempo foram 63% de posse, oito finalizações contra duas do time merengue. Mas a de Cristiano Ronaldo foi às redes abrindo o placar em bela combinação do ataque. Mesmo longe da melhor condição física e após uma semana tensa, a eficiência nas finalizações do português segue absurda.

Zidane plantou James Rodríguez, Modric e Kroos quase em linha para proteger a defesa e compensar a ausência do volante brasileiro que dá equilíbrio ao time. Nem sempre conseguiu, porque a equipe alemã avançava com os laterais Piszczek e Schmelzer, mais os meias Castro e Gotze por dentro, Dembélé e Guerreiro nas pontas e Aubameyang na frente.

Artilheiro gabonês que achou o empate na falha de Keylor Navas, depois de duas boas defesas do goleiro vindo de inatividade. Logo em um momento de mais controle do jogo do Real e menos intensidade do adversário.

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Senha para um atropelamento dos donos da casa na segunda etapa? Não contra o Real que sabe se defender e sempre deixa claro para os adversários que se deixar espaços os contragolpes com o trio BBC podem ser letais. Ou ir às redes na jogada aérea, normalmente com Sergio Ramos. Desta vez com Varane.

Tuchel fez sua equipe recuperar ritmo e jogo vertical com Pulisic e Schurrle nas pontas e Emre Mor atrás de Aubameyang. Zidane trocou apenas James Rodríguez por Kovacic, reagrupando o meio com Kroos centralizado e plantado, Modric se adiantando. Só no final tirou Benzema e mandou a campo Morata.

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Até a jogada de Pulisic e o empate com Schurrle. Resultado mais adequado ao que aconteceu na partida. Saldo final: 59% de posse do Dortmund, 19 finalizações contra 11 – onze a quatro no alvo. Quatro pontos para cada um dos favoritos às vagas no Grupo F, apesar do bom futebol do Sporting.

Empate entre a tradição e o futebol do futuro num jogaço.

(Estatísticas: UEFA)


Gol da incrível virada deixa claro que Flamengo também pode fazer melhor
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André Rocha

O Flamengo cruzou 35 bolas na área do Cruzeiro, segundo o Footstats. Vinte no primeiro tempo, quinze na segunda etapa. Muito para 57% de posse de bola. Mesmo buscando o fundo através de tabelas e triangulações, o repertório foi bem mais pobre desta vez em Caricacica.

Queda de produção e falta de ideias na segunda etapa até Zé Ricardo trocar Márcio Araújo por Mancuello, a ousadia dos momentos de necessidade, e Everton por Alan Patrick. Também tirou Gabriel e colocou Fernandinho.

Perdeu solidez defensiva e, além do golaço de Rafinha, o Flamengo cedeu espaços que poderiam ter sido fatais se Ábila aproveitasse suas duas oportunidades. Mas ganhou qualidade técnica para colocar a bola no chão e trabalhar na busca de espaços.

Foi feliz no chute de Guerrero que desviou em Bruno Rodrigo e saiu do alcance do goleiro Rafael. A origem, porém, não foi no cruzamento, mas no passe de Alan Patrick pelo centro. O mesmo que recebeu de Diego e serviu Mancuello para a finalização precisa do argentino.

Trabalho com calma, passando pelos três meias do time. Apesar da pressão pela necessidade do resultado em casa para não permitir que o líder Palmeiras abrisse vantagem. Sem a solução mais fácil e menos criativa da bola levantada na área. Será que os pontas são necessários sempre, desde o início?

O Flamengo segue acertando mais passes e com maior posse de bola que o rival na briga pelo topo da tabela. Mas também pode fazer melhor. Cruzar menos, tocar mais.

Assim como a bela jogada ensaiada do time de Cuca que terminou nas redes com o zagueiro Mina na vitória sobre o Coritiba por 2 a 1, o gol da incrível virada rubro-negra em cinco minutos deixa isso bem claro.

(Estatísticas: Footstats)


O passeio do Arsenal no Chelsea com David Luiz. Coincidência?
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André Rocha

Os Gunners foram objetivos e aproveitaram erros coletivos e individuais do rival Chelsea no primeiro tempo do Emirates Stadium. Contaram também com belíssimas atuações de Ozil e Alexis Sánchez, que sempre crescem com espaços para acelerar as transições ofensivas.

Três gols no primeiro tempo. Da dupla e outro de Walcott. Sobrando também no meio com Coquelin correndo e Cazorla distribuindo o jogo com passe certo. Na retaguarda, concentração absoluta no bloqueio a Diego Costa.

Com posse de bola praticamente dividida, os comandados de Arséne Wenger – que completa 20 anos como manager do clube – finalizaram dez vezes contra três. Quatro na direção da meta de Courtois, enquanto Cech não precisou fazer nenhuma intervenção.

Antonio Conte tentou dar um mínimo de consistência à sua defesa na segunda etapa ao trocar Fábregas por Alonso, que foi jogar na lateral esquerda. Azpilicueta mudou de lado e Ivanovic centralizou para formar trio de zagueiros.

Seguiu sofrendo com os contragolpes do rival. Porque não trocou duas peças que cumpriram atuações pluripatéticas: Cahill e Kanté. O zagueiro falhou feio na saída de bola no gol de Alexis e depois permitiu que Ozil finalizasse livre no terceiro.

E David Luiz? Bem, continua afobado e errando nas tomadas de decisão. Principalmente os botes que desguarnecem a última linha de defesa. Depois da sua volta, os Blues sofreram sete gols em três partidas. Antes levaram quatro no mesmo número de jogos.

Culpa do brasileiro? Por enquanto afirmar isto soa injusto. Porque o time enfrentou o atual campeão Leicester na Copa da Liga Inglesa e na Premier League encarou Liverpool e Arsenal. Três grandes adversários, ainda que o líder seja o Manchester City 100% com Guardiola.

E mesmo que Cahill e David Luiz já tenham atuado juntos e vencido como a dupla de zaga titular a Liga dos Campeões em 2012, é uma mudança na defesa que afeta o entrosamento.

Sem contar que o brasileiro, mais protegido, rendeu mais na segunda etapa e acertou belo passe longo para Batshuayi, que perdeu à frente de Cech. O sistema com três zagueiros parece mesmo o mais recomendável para aproveitar David Luiz.

O passeio do Arsenal que encerrou uma sequência de seis jogos sem vencer o rival tem muitos méritos do time da casa. Já os péssimos números defensivos nos confrontos recentes são apenas coincidência. Ou ao menos não tem relação direta com o controverso defensor. Por enquanto.

(Estatísticas: Premier League)


O melhor técnico do Rio Grande do Sul não está na dupla Gre-Nal
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André Rocha

O Rio Grande do Sul sempre foi vanguarda tática no futebol brasileiro. Desde o Internacional poderoso dos anos 1970 com Rubens Minelli utilizando Marinho Peres como libero até o Grêmio de Tite jogando futebol desta década em 2001 e amassando o Corinthians no Morumbi com marcação pressão na final da Copa do Brasil.

Tite que é o quarto treinador seguido da seleção brasileira com a história ligada à região. Mesmo descontando a invenção de Dunga como técnico, é um número significativo.

Mas hoje Grêmio e Internacional vão na contramão. Até seguem vivos na Copa do Brasil e o tricolor pode reagir no Brasileiro com a chacoalhada na motivação que Renato Gaúcho, ídolo máximo do clube, sempre promove em seus times.

Ainda assim, é impressionante que por conta do ano eleitoral tantas decisões políticas tenham levado os maiores clubes gaúchos a esta situação. Roger Machado pagou por seu ótimo e surpreendente trabalho em 2015. Argel Fucks foi demitido pela relação tensa com dirigentes e elenco – mas não foi contratado pelo perfil ''sanguíneo'' e a personalidade forte?

Nem entraremos aqui na alternância de perfis de treinadores, pois é uma discussão que o futebol brasileiro ainda não está preparado para lidar. A questão na dupla Gre-Nal é o imediatismo e a volta ao passado. Com poucos meses para terminar os mandatos dos presidentes, o ideal seria buscar um nome de consenso entre os candidatos à sucessão e firmar o compromisso de mantê-lo independentemente do resultado nas urnas. Uma utopia.

A solução: buscar técnicos com história, mas sem mercado na Série A. O Inter de Celso Roth afunda no Brasileiro. De que vale em 2016 a conquista da Libertadores em 2010? O Grêmio ainda voltou mais no tempo atrás de Renato e mais Valdir Espinosa, técnico campeão mundial em 1983. O carisma pode até fazer o time se recuperar, mas em termos de conteúdo de futebol atual, que sobrava em Roger, o caminho é muito incerto.

Por isso o melhor treinador gaúcho da atualidade está no Juventude. Antonio Carlos Zago, que buscou conhecimento na Europa depois de um início prematuro como treinador. Deu um passo atrás na carreira como auxiliar na Roma e no Shakhtar Donetsk, mas fez os cursos da UEFA e voltou mais preparado.

O Juventude que comanda há mais de um ano é organizado e intenso. Sofreu em casa para garantir a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil depois da surpresa nos 2 a 1 sobre o São Paulo no Morumbi, mas o campeão de 1999 vai enfrentar o Atlético Mineiro decidindo em casa. Na Série C vai definir o acesso contra o Fortaleza. Contando com o vice-campeonato gaúcho, a temporada é produtiva e promissora.

Inclusive para o técnico que não é novato no ofício, mas vai se reinventando, atualizando. Como deve ser. Assim como é obrigatório dar tempo ao profissional para desenvolver seu trabalho se há lastro de evolução. Como o Brasil de Pelotas faz com Rogério Zimmermann, há quatro anos no cargo e disputando o acesso à Série A. Um outro ótimo exemplo que vem do Rio Grande do Sul.

Pena que Inter e Grêmio, tão próximos geograficamente, mantenham distância olhando para trás. Ou mirando uma foto amarelada na parede.


Arbitragem não pode ser “bengala”! Faltou competência ao Fluminense
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André Rocha

No ano passado o protesto foi legítimo. Na semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras, o pênalti marcado sobre Zé Roberto no Maracanã foi absurdo. O Fluminense teve boa atuação, a chance da classificação nos pés do sacrificado Fred no Allianz Parque e ficou a frustração por um erro grosseiro da arbitragem de Leandro Vuaden ter negado a vaga na decisão.

Já na Arena Corinthians o trabalho de Rodolpho Toski Marques foi complicado, pela quantidade de lances que poderiam provocar discussões. Mas não houve nenhum erro claro. Pelo contrário. Os três gols foram anulados corretamente por impedimentos de Cícero e Richarlison, este de visualização um pouco mais complicada pelo toque de Henrique com outros jogadores na disputa.

Nos pênaltis reclamados é óbvio que sempre haverá polêmica porque são lances interpretativos. No primeiro tempo, Giovanni Augusto e Cícero disputam o espaço na área e o corintiano leva vantagem no corpo. Para este que escreve contato normal. Na segunda etapa, Marquinhos Gabriel e Cícero se agarram e o tricolor se joga claramente, dobrando os joelhos. Nada.

A expulsão de Marquinhos talvez tenha sido rigorosa, mas não há como saber o que o jogador disse depois de receber o cartão amarelo. Após tantos protestos, a tensão entre os tricolores e o juiz era clara. Já o pênalti que Richarlison tentou cavar no final em disputa com Fagner é típico do time desesperado que sabe que a arbitragem está pressionada e tenta se aproveitar duma possível indecisão ou  instinto de tentar compensar e equilibrar as forças.

É óbvio que sempre haverá o questionamento: se o jogo fosse no Rio de Janeiro as decisões seriam as mesmas? Nunca saberemos.

A única certeza é de que o Flu teve uma enorme chance de conseguir a classificação para as quartas-de-final diante de um Corinthians abalado e limitado tecnicamente, embora mais organizado por Fabio Carille, efetivado como substituto de Cristóvão Borges. Uma clara demonstração que o diretoria corintiana não espera muito da temporada e já pensa em 2017.

Mais uma vez faltou ao tricolor qualidade nas finalizações e mais atenção defensiva em um jogo definido nos detalhes. Não pela arbitragem, que serviu de ''bengala'' para o presidente Peter Siemsen. Afinal, é mais fácil transferir a responsabilidade do que justificar as decisões infelizes no gabinete que respingaram no campo.

O Fluminense não teve competência para avançar no torneio mata-mata e agora só resta o sonho de G-4 no Brasileiro – está a cinco pontos do Santos, quarto colocado. Hoje improvável exatamente pela inconstância do time de Levir Culpi. Retrato do clube em 2016.