Blog do André Rocha

Tite e a metódica troca de peças no Corinthians versão 2016

André Rocha

Vencer no início da temporada pelo Estadual é interessante por conta da nossa cultura imediatista de cobrança por resultados. Pelo menos mantém a paz para trabalhar.

Tudo que Tite precisa no Corinthians que, na prática, não se reconstroi. Porque agora, com os reforços, parece cada vez mais claro que o treinador vai manter a estrutura da equipe campeã brasileira: 4-1-4-1, organização defensiva, alternância de marcação adiantada e mais plantada, porém sempre compacta.

Saída bem coordenada, com zagueiros e o volante mais plantado investindo mais no passe. Ainda a força pelas laterais. Os meias que voltam para participar do início da construção e dar rapidez e criatividade no último terço do campo com muitas triangulações.

A tarefa, dura, é trocar peças. Para isso precisa de método. Apenas na intuição, de forma aleatória não funciona. Ainda mais com uma Libertadores que começa depois de pouco mais de um mês de trabalho. Para algumas contratações bem menos que isso.

Por isso Tite investiu na base reserva. Jogadores já habituados à maneira de treinar com intensidade e concentração para jogar da mesma forma. Muitos que assumiram a responsabilidade com o respaldo dos históricos 6 a 1 sobre o São Paulo.

Em vez do ponta articulador, Jadson, o “falso nove” – ou atacante de movimentação, como prefere Tite. Danilo. Love, o finalizador que se movimenta intrépido na frente, foi substituído por Romero, que infiltra em diagonal a partir da direita. O mesmo que Lucca à esquerda no lugar de Malcom, outra baixa por negociação.

Técnico e elenco seguiram trabalhando enquanto a diretoria foi ao mercado. Com Giovanni Augusto e André, a possibilidade de voltar à dinâmica na frente de 2015. O primeiro cumpre a função de Jadson e o outro a de Love.

Testados no clássico com o São Paulo em Itaquera. Porque não é possível esperar tanto. A ideia de priorizar os atletas que ficaram no clube é essencial para a gestão de grupo, manter o vestiário na mão. Só não pode sacrificar a qualidade do time.

Aí entra o método. Se entendeu o modelo de jogo e tem condições físicas de atuar com a intensidade dos demais já entra em campo. Mas não todos ao mesmo tempo, sempre com a maioria tendo a proposta já assimilada. Primeiro Marlone, depois Guilherme e Willians. Agora Giovanni e André. Depois será Balbuena. Se Yago permitir.

No meio, Tite pinça da base o mais que promissor Maycon. Segundo o comandante, “um Elias com 18 anos”. Outro experimentado com calma, mesmo na pressão de um clássico. Ainda que sem tanto peso, por conta do título brasileiro e da goleada no último confronto.

Os 2 a 0 pavimentados pela falha grotesca de Lucão no gol de Lucca valem para manter a freguesia são-paulina e garantir serenidade para a estreia na Libertadores contra o Cobresal no Chile. Não diminui, porém, o desafio de competir em alto nível no campeonato que é prioridade na temporada. Sem tempo.

Para minimizar os erros, Tite trabalha com cuidado e uma linha de raciocínio com critérios e coerência. Trocando nomes, ajustando a versão 2016 do time campeão para seguir vencendo.

Na vitória sobre o São Paulo na Arena, Maycon, Giovanni Augusto e André foram as inserções na base com o 4-1-4-1 de Tite mais que assimilado: compactação, intensidade, coordenação, trabalho coletivo (Tactical Pad).

Na vitória sobre o São Paulo na Arena, Maycon, Giovanni Augusto e André foram as inserções na base com o 4-1-4-1 de Tite mais que assimilado: compactação, intensidade, coordenação, trabalho coletivo (Tactical Pad).