Blog do André Rocha

A vitória da filosofia que se adapta e reinventa sobre o time previsível

André Rocha

A Juventus começou sua trajetória vencedora com a nova arena, o Juventus Stadium. Em 2011, uma casa para chamar de sua, faturar e se impor no futebol italiano. Pentacampeã com o hexa encaminhado.

Passaram por lá Antonio Conte, Andrea Pirlo, Arturo Vidal, Carlos Tevez, Paul Pogba…Filosofia fora e dentro do campo, apostando na excelência. Antenada com o melhor do futebol mundial, sabendo jogar com ou sem a posse de bola de acordo com o contexto.

Capacidade de adaptação, aprendendo a se reinventar sob o comando de Massimiliano Allegri. Aos poucos aprendendo a ser forte também no cenário europeu, como um contraponto à decadência do futebol italiano, a ponto de perder uma vaga na Liga dos Campeões.

Final em 2015, eliminação sofrida e precoce para o Bayern de Guardiola na temporada passada. Mas o trabalho seguiu, sem sobressaltos. Aprimorando conceitos e processos. Mantendo o ideal de protagonismo, especialmente atuando em seu estádio.

Agora volta à semifinal da Champions. Com Buffon, Bonucci e Chiellini da base vencedora lá atrás. Mas agora a gestão permite ir ao mercado com força. E inteligência para montar um grupo forte, mesmo com perdas importantes.

Equipe que varia o sistema com três ou quatro atrás. Em Turim, postura ofensiva que sufocou o Barcelona. No Camp Nou, chegou a se fechar com sete na última linha. Empate sem gols, mas com a vaga.

Para o Barcelona, a decepção de sequer ter vazado Buffon em 180 minutos. Mas nenhuma surpresa, mesmo depois dos 6 a 1 sobre o PSG. Por tudo que representa, o time catalão era o favorito no confronto. Mas desde o início da temporada era nítido que a proposta de jogo ficou previsível.

Na despedida do torneio continental, nove campeões de 2015. Apenas Sergi Roberto no lugar de Daniel Alves, que estava do outro lado. Mais Umtiti na zaga, com Mascherano no banco. Só que nesta caso, a manutenção da equipe e também do técnico desgastaram a fórmula outrora vencedora.

A Juventus tinha todas as ações ofensivas do Barça mapeadas. No primeiro tempo, bloqueava a entrada da área e induzia o adversário a terminar a jogada com seus laterais: o improvisado Sergi Roberto e o decadente Jordi Alba.

Restava o improviso do trio MSN. Mas com Suárez irreconhecível, Neymar nervoso e Messi com uma imprecisão anormal. Talvez pela preocupação exagerada de tirar a bola do alcance do melhor goleiro do mundo. Muito provavelmente pela pressão de resolver apenas no talento. Sem um plano.

O resultado prático do desespero do time da casa e da marcação bem pensada e executada pelos visitantes foram 17 finalizações do Barça, mas apenas uma no alvo. Precisando de três bolas na rede, no minimo. Com 61% de posse de bola. Inócua.

O Barcelona é previsível até no desespero. Desde os tempos de Pep Guardiola, a única saída no sufoco é mandar Piqué para o centro do ataque e levantar bolas a esmo. Pobreza de ideias e também consequência de elencos mal formados, nada homogêneos. Por isso a dependência dos titulares. Ou melhor, do seu trio de ataque.

Não podia dar certo. E com uma derrota no Bernabéu para o rival e líder do Espanhol no domingo só restará a Copa do Rei na temporada. Um duro fim de festa para Luis Enrique. O novo técnico terá trabalho para reconstruir o time.

Especialidade da Juventus de Allegri. Que já foi de Conte. Que será forte contra qualquer um na semifinal. E seguirá vencedora. Porque vale mais a manutenção da filosofia do clube que valorizar apenas nomes. Ou velhas ideias que não entregam mais o jogo que encantou o mundo.

(Estatísticas: UEFA)