Blog do André Rocha

Robinho e o país dos bagaços que se acham suco puro

André Rocha

Tem presidente que não aceita salvar as laranjas podres e é colocada para fora do saco. Por outro lado, o senador que chupa até o caroço tem sempre alguém para lhe garantir no bolo.

Tem bajulador e aspone na carona dos que detém o poder e, por isso, se julgam importantes. Tem também os que já fizeram algo um dia e tratam como título de nobreza, vitalícia e hereditária. Tem os que se encostam atrás da aposentadoria depois de oito anos de mandato.

Tem os boleiros que por terem ''estado lá'' acham que podem ciscar por toda parte, em todas as funções. Mesmo que com o microfone ou com a prancheta na mão não consigam sair do óbvio e do lugar comum. Sem conhecimento para agregar à vivência.

Mas estes sempre têm vez no país do ''sabe com quem está falando?'' Da autoridade adquirida e nunca questionada. Do ''chupou laranja com quem?'' para se perpetuar no poder, ou na prateleira de cima. Mesmo que já esteja caindo pelas tabelas.

Robinho é só mais um exemplo. Do ex-futuro melhor do mundo na década passada a uma reta final de carreira num Atlético Mineiro que pensou ter respirado, mas tem de volta a agonia da luta para se manter na Série A. Ao final da rodada pode estar apenas a três pontos do Z-4. Camisa sete que era reserva com Rogerio Micale, agora titular com Oswaldo de Oliveira, outro que roda pelos clubes mais pelos serviços prestados em um tempo que não volta mais.

Provocou Moisés Ribeiro com a velha ''carteirada'': ''jogou aonde?'' Atitude comum na crueldade boleira, naquilo que eles dizem que fica no campo. Mas que, na prática, circula por todos os setores da sociedade. A elite querendo manter o status quo, a classe média que não quer o pobre junto com seu filho na universidade. Nas castas informais que não podem se misturar.

Mas no campo vale o que se joga e a Chapecoense saiu do Independência com vitória de virada por 3 a 2. Moisés sobe com sua equipe para longe do inferno e estaciona o outrora favorito ao título na escalada que busca o ''G-7''. Porque chupar laranja com Ronaldo Fenômeno, Zidane, Beckham e Roberto Carlos no Real Madrid em 2005 não garante ninguém doze anos depois.

Nem no país dos bagaços que se acham suco puro.