Blog do André Rocha

Real Madrid 3×1 PSG – Tamanho é documento! A virada de Zidane em Madri

André Rocha

Zinedine Zidane começou acertando na escalação quando fez voltar Isco no lugar de Bale para buscar a supremacia no meio campo e tornar o Real Madrid mais móvel, menos engessado. Ainda que o meia espanhol tenha passado boa parte do jogo aberto pela direita.

Unai Emery mandou a campo Kimpembe na zaga e Thiago Silva ficou no banco. No meio, o trio Verratti, Lo Celso e Rabiot sem definir o jogador mais fixo à frente da defesa que tinha Berchiche na lateral esquerda.

Foi o pecado do PSG, deixando muitos espaços entre as linhas. Quase pagou caro na virada espetacular de Marcelo para Cristiano Ronaldo chutar no rosto do goleiro Areola. Sem contar que o duelo que atraiu os olhos do mundo ficou grande demais para alguns jogadores, especialmente Lo Celso. Verratti parecia inseguro também.

Rabiot compensava com onipresença, inclusive na área para aproveitar a sobra de um contragolpe puxado por Mbappé que Nacho evitou a finalização de Neymar, mas permitiu o rebote para o francês, que não foi acompanhado por ninguém do meio do Real.

Jogo igual, com o time merengue muito preocupado com Neymar cortando da esquerda para dentro, mas fechando espaços para a finalização, embora os passes também tenham criado perigo. A equipe de Unai Emery compensava os espaços no meio com boa atuação da última linha de defesa, inclusive Daniel Alves, concentradíssimo no posicionamento.

Mas Lo Celso fez pênalti tolo sobre Kroos e Cristiano Ronaldo empatou no fim do primeiro tempo. Fundamental mentalmente para um time buscando recuperação na temporada. Ainda mais pelo que viria na segunda etapa.

Emery deveria ter tirado Lo Celso no intervalo. Preferiu trocar Cavani por Meunier para liberar Daniel Alves como ponta e Mbappé no centro do ataque.  A troca fez Neymar sumir aos poucos do jogo. Outro equívoco do treinador foi manter sua equipe com linhas adiantadas e sem proteção, mesmo ganhando velocidade na frente, mas perdido Cavani como pivô.

Já Zidane foi certeiro: Bale na vaga de Benzema e o resgate da formação dos 5 a 2 sobre a Real Sociedad no fim de semana – Lucas Vázquez e Asensio pelos lados formando a linha de quatro no meio com Modric e Kroos. Marcelo ganhou com Asensio a companhia que faltava para voar pelo seu setor. Novamente o bicampeão europeu atropelou no segundo tempo de uma decisão.

Em duas ações pela esquerda, o gol de joelho de Cristiano Ronaldo, o 11º em sete jogos no torneio, e Marcelo para abrir uma vantagem bem mais complicada de ser revertida. Só com 2 a 1 contra, Unai tirou Lo Celso. Mas não colocou o veterano Lassana Diarra, mais habituado a jogos deste tamanho e a atuar mais fixo. Colocou Draxler e seguiu sem consistência.

Facilitou a virada com a marca de Zidane. No Bernabéu, mais uma vez o tamanho foi documento no jogo grande que sempre é mais mental que tático ou técnico. O PSG terá que ser gigante em Paris. Será que consegue?