Blog do André Rocha

Real Madrid tricampeão faz história. Mas não apaga sujeira de Sergio Ramos

André Rocha

Quem lê este blog sabe que o espaço não corrobora desta onda contra o Real Madrid, atribuindo todo o sucesso da equipe aos erros de arbitragem a favor. E nesta final, assim como as demais desta sequência de conquistas da Liga dos Campeões do time merengue desde 2014, não houve nenhuma polêmica.

Na falha do goleiro Karius, o gol de Benzema abrindo o placar. Empate do Liverpool na bola parada com Mané, o décimo dele se igualando a Firmino e Salah no ataque dos 30 gols. Depois a pintura de Gareth Bale, que substituiu Isco desmembrando o 4-3-1-2 para o 4-3-3. Meio bicicleta, meio voleio. De pé direito, no ângulo e sem chances para o goleiro. No final, chute de longe de Bale e um frangaço de Karius. Quando o Liverpool já estava entregue mentalmente.

O toque final para coroar com os 3 a 1 o esquadrão de Zinedine Zidane e esta geração vencedora de quatro títulos do maior torneio de clubes do mundo em cinco edições. Definitivamente na história. O que será lembrado daqui a 20, 30 anos.

Mas quem assistiu à disputa em Kiev com olhos de ver nunca vai esquecer do golpe sujo de Sergio Ramos sobre Mohamed Salah. Entrelaçou os braços na corrida e jogou o peso sobre o corpo do adversário para que ele se desequilibrasse e caísse sem proteção em uma parte do corpo suscetível a lesão. Claramente intencional para tirar do campo o jogador mais perigoso dos Reds, que dominavam a partida até o lance crucial da decisão no primeiro tempo.

E o mais cruel: pode tirar Salah também da Copa do Mundo pela lesão no ombro. Craque e símbolo de um país, com gol da classificação para o Mundial. Uma injustiça. Revoltante.

Sem o egípcio, Jurgen Klopp colocou Lallana e o time saiu do habitual 4-3-3 para duas linhas de quatro dando liberdade a Mané e Firmino. Mas a ausência impactou na equipe, na torcida antes inflamada. Logo no jogo mental que este Real Madrid domina tanto. Condicionou tudo depois.

A final não merecia, muito menos Salah. E Sergio Ramos ainda cavaria um cartão amarelo para Mané no segundo tempo simulando uma entrada dura. E terminou a partida sem punição… Uma mancha muito maior que qualquer equívoco da arbitragem, suscetível ao, na dúvida, temer o erro contra um time poderoso. Algo humano.

Bem diferente da maldade de Sergio Ramos. Uma mancha nesta terceira conquista de um time já lendário.