Blog do André Rocha

Thiago Neves desequilibra. Corinthians de Jair não acerta alvo fora de casa

André Rocha

Mais uma decisão tensa e de briga por espaços no futebol brasileiro. O contexto, jogo de ida em casa, empurrando o Cruzeiro para o campo adversário e o Corinthians repetindo a estratégia da semifinal contra o Flamengo: radicalizando o trabalho defensivo com o objetivo único de minimizar danos e levar a decisão para a Arena em São Paulo.

Sem De Arrascaeta, a serviço da seleção uruguaia no absurdo de uma disputa de final nacional durante as datas FIFA, Mano Menezes abriu Rafinha pela esquerda. Surpreendeu com Ariel Cabral titular no meio-campo em busca de um passe mais vertical, deixando Lucas Silva no banco. No 4-2-3-1 habitual adiantando Thiago Neves para jogar mais próximo de Hernán Barcos.

Time de Jair Ventura concentrado sem a bola, num 4-1-4-1 com Ralf entre linhas de quatro, Mateus Vital alinhado a Gabriel por dentro e Jadson mais adiantado, circulando às costas dos volantes cruzeirenses. Mas quase sempre sem companhia na frente, até porque os ponteiros Romero e Clayson recuavam demais e se movimentavam pouco para garantir o posicionamento correto em caso de perda da bola para não deixar os laterais Fagner e Danilo Avelar desprotegidos.

A grande virtude do Cruzeiro foi a paciência para rodar a bola e esperar a chance de fazer uma transição ofensiva rápida nas poucas vezes em que o adversário adiantou as linhas. Conseguiu em um chute de fora de Thiago Neves. O grande destaque do jogo que impressiona pela personalidade em jogos grandes.

Quatro finalizações no primeiro tempo. Três no alvo, uma na trave de Cássio. Também a cabeçada de Henrique para incrível defesa do goleiro corintiano. Até Thiago Neves inverter para Egídio, que levou vantagem sobre Romero e cruzou. A bola passou por Barcos, mas não pelo camisa 30 que desequilibra.

Segunda etapa com times cuidadosos. O fim do gol ''qualificado'' não alterou tanto as propostas das equipes quando é hora de decidir. O Cruzeiro esperando o Corinthians em seu campo para administrar vantagem e encontrar menos obstáculos à frente da área adversária. O time visitante claramente temendo sofrer o segundo gol e se desmanchar. Logo contra o atual campeão da Copa do Brasil que costuma ser forte como visitante.

Jogou para achar um gol. Com Pedrinho, Araos e Emerson Sheik nas vagas de Clayson, Vital e Jadson. Sem mexer na estrutura. Mas também não conseguiu reagir, criar um fato novo. Agora são 180 minutos na Copa do Brasil fora de casa com Jair Ventura sem uma mísera finalização no alvo. Mesmo subindo a posse de bola para 54% de posse. A ideia deu certo contra o Flamengo ''arame liso''. Agora quem sabe?

O Cruzeiro poderia ter ampliado a vantagem e encaminhado o sexto título, segundo consecutivo. Foram nove finalizações, quatro no alvo. Teve chances com Dedé e Barcos no jogo aéreo. Tentou acelerar com Raniel na vaga do centroavante argentino e David no lugar do exausto Thiago Neves, centralizando Robinho e invertendo o lado de Rafinha, com o substituto pela esquerda.

No final, Rafael Sóbis no lugar de Rafinha muito mais para ganhar tempo e tentar prender adversários no campo de defesa. Para tranquilizar, a expulsão de Araos nos acréscimos. Primeira vitória como mandante na competição. Fim da invencibilidade do time paulista.

Em Itaquera, a inversão de papeis. Cenário complexo, mesmo para o Corinthians da cultura da vitória e com o apoio da massa. O Cruzeiro está cômodo. Experiente e forte mentalmente, terá o duelo final à sua feição. Thiago Neves pode ser a diferença mais uma vez. O favoritismo ficou ainda maior.

(Estatísticas: Footstats)