Blog do André Rocha http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte. Fri, 15 Feb 2019 13:25:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Por que Romário é o maior jogador brasileiro pós-Pelé http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/por-que-romario-e-o-maior-jogador-brasileiro-pos-pele/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/15/por-que-romario-e-o-maior-jogador-brasileiro-pos-pele/#respond Fri, 15 Feb 2019 13:21:16 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5936

Respondendo à pergunta que fizeram a este blogueiro nas redes sociais depois do post sobre Neymar ser o melhor jogador brasileiro pós-Pelé: então quem seria o maior? Confira no vídeo acima.

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Fluminense vence Flamengo honrando estilo de Diniz e suas tradições http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/fluminense-vence-flamengo-honrando-estilo-de-diniz-e-suas-tradicoes/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/fluminense-vence-flamengo-honrando-estilo-de-diniz-e-suas-tradicoes/#respond Fri, 15 Feb 2019 01:17:37 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5929

André Rocha comenta vitória do Flu sobre o Fla: “Honrou tradição tricolor”

A dúvida antes do clássico era que time ficaria com a bola e teria protagonismo no Maracanã: o Flamengo do elenco milionário ou o Fluminense dos princípios de jogo inegociáveis de Fernando Diniz?

A resposta veio em poucos minutos. Não só pela necessidade de vitória do tricolor para chegar à final da Taça Guanabara, mas especialmente pela coragem. De marcar no campo adversário e de buscar o ataque durante todo o tempo. Mesmo cometendo muitas faltas em uma disputa intensa e nervosa – 23 a 18.

Fazendo saída de bola em três com os zagueiros Matheus Ferraz e Digão abertos e Aírton recuando para ajudar, aproximando Luciano de Yoni González no ataque e abrindo o corredor direito para Ezequiel, que não aproveitou e saiu para a entrada de Calazans. Depois Caio Henrique substituiu Marlon e, sem lateral pela esquerda, criou superioridade numérica no meio-campo, deixando Everaldo fazendo todo o corredor pela esquerda. Sempre voltado para o ataque.

O Flamengo nitidamente ficou incomodado pela pressão do rival e sofreu para construir volume de jogo. Talvez um pouco de abatimento pela tragédia no CT. Com o tempo, como única opção, passou a jogar em transição para aproveitar os espaços cedidos. Mas faltou efetividade, de Bruno Henrique e Gabriel, titular pela primeira vez no time “principal”. Everton Ribeiro prendeu demais a bola e prejudicou alguns contragolpes. Deu lugar a De Arrascaeta.

Faltava ao Flu o toque diferente para infiltrar. Não teve de Daniel, nem de Dodi, que definiu o desenho do Flu em um 4-4-2. Pode entregar com Ganso. Ainda assim, construiu a jogada mais plástica da partida: toques bonitos de Everaldo e Yoni para a finalização de Luciano e boa defesa de Diego Alves.

Quando Yoni serviu de novo Luciano no último ataque depois da falha de Arrascaeta no passe, a justiça se fez. De 62% de posse, dez finalizações a oito e obrigando o Flamengo a sair do conforto, apelar para ligações diretas e deixar claro mais uma vez que o elenco é desequilibrado. Errou muito e recuou, admitindo a superioridade coletiva do oponente. Uma dura lição para os rubro-negros, incluindo o treinador. Mais uma.

Vaga na final contra o Vasco e a certeza de que o Fluminense vai evoluindo, honrou o estilo de Diniz e, principalmente, suas tradições. Mesmo sem elenco estelar, a vitória nos últimos minutos. Como no gol de Assis em 1983 e no lendário de barriga de Renato Gaúcho em 1995. Desta vez Luciano foi o heroi de mais um triunfo como os tricolores gostam.

(Estatísticas: Footstats)

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Afinal, o que o São Paulo quer da vida? http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/afinal-o-que-o-sao-paulo-quer-da-vida/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/14/afinal-o-que-o-sao-paulo-quer-da-vida/#respond Thu, 14 Feb 2019 08:58:32 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5926

Foto: Amanda Perobelli/Estadão

O São Paulo contratou Diego Aguirre, que fazia o time funcionar melhor nos momentos em que os jogos seguidos inviabilizam os treinamentos durante a semana. Quando teve tempo a equipe estagnou ou até regrediu no desempenho. O uruguaio precisava dos desafios seguidos para manter o grupo mobilizado e inflamado.

Depois efetivou André Jardine, jovem treinador que precisava de tempo para trabalhar, já que o que tinha para oferecer eram conceitos e ideias. Cinco jogos no Brasileiro (quatro em duas semanas), depois férias. Reapresentação, Flórida Cup, início do Paulista sem muita margem para experiências, primeira fase da Libertadores. Restava a gestão de grupo, o que significava na prática ser refém dos medalhões. Não podia mesmo dar certo.

O tricolor do Morumbi, gigante multicampeão, precisa decidir o que quer para a sua vida antes de qualquer passo depois da eliminação para o Talleres no maior fiasco continental do clube.

Vai na onda do torcedor histérico que quer um título para ontem depois de seis anos sem levantar taças e aposta em um treinador medalhão, boleiro e que simplifique processos para formar rapidamente um time competitivo e vencer o Paulista? Mesmo que signifique um trabalho capenga mais à frente no Brasileiro e nenhum legado para o sucessor?

Ou é melhor usar o ano com menos competições para enfim construir e depois afirmar uma maneira de jogar, como o Grêmio fez a partir de 2013, mesmo vivendo um incômodo jejum de conquistas? Como o próprio São Paulo esperou por Telê Santana na virada dos anos 1990. Ou ainda quando priorizou a conclusão das obras do Morumbi e ficou de 1957 a 1970 sem títulos oficiais. Vale a paciência para pavimentar um caminho seguro?

O que não pode é dar a impressão de seguir à deriva, ao sabor dos ventos. Ou do saudosismo, com a torcida clamando por Muricy Ramalho, depois de acreditar cegamente em Raí, Ricardo Rocha, Lugano…Sem renovação nos quadros políticos, acreditando em antigas fórmulas de sucesso. De quando Corinthians e Palmeiras enriqueciam os cofres são-paulinos alugando o estádio para grandes jogos. Passado, não volta mais. Como uma foto amarelada na parede, um armário cheirando a mofo.

É preciso escolher a direção e iniciar a viagem. Porque os rivais estão saindo do raio de visão. Ou é o São Paulo que fica cada vez menor no retrovisor?

Quem pode responder? Não é Jardine, isolado e emparedado pelos jornalistas em busca de explicações. Onde está o presidente Leco? A falta de comando é que torna o futuro tão duvidoso. Difícil achar a luz quando ninguém percebe a escuridão. Triste cenário de quem já foi modelo de gestão e hoje não sabe responder a pergunta mais básica: afinal, o que você quer da vida?

O São Paulo tem que se entender para começar a agir. Ou reagir. Porque já perdeu tempo demais.

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Vasco na final da Taça Guanabara para se redimir do susto na Copa do Brasil http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/vasco-na-final-da-taca-guanabara-para-se-redimir-do-susto-na-copa-do-brasil/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/vasco-na-final-da-taca-guanabara-para-se-redimir-do-susto-na-copa-do-brasil/#respond Thu, 14 Feb 2019 01:38:28 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5920 O Resende somou quatro pontos contra Botafogo e o time “alternativo” do Flamengo na fase de grupos e poderia ter dado trabalho ao Vasco no Maracanã vazio pela ameaça de tempestades no Rio de Janeiro que não se concretizou. O time comandado por Edson Souza tem até um toque de bola interessante, no ritmo do meio-campista Vitinho e acelera no ataque com Maxwell, artilheiro do Carioca com seis gols.

Mas a equipe comandada por Alberto Valentim se redimiu da fraca atuação nos 2 a 2 contra o Juazeirense pela Copa do Brasil, com Maxi López garantindo a classificação no final em cobrança de pênalti. Os 3 a 0 na noite da nobre homenagem às jovens vítimas no CT do rival Flamengo foram construídos com autoridade e o desempenho mais consistente na temporada.

O treinador cruzmaltino insistiu com o 4-2-3-1, mas aprimorando alguns movimentos, como Yago Pikachu se aproximando de Thiago Galhardo e Maxi López por dentro e abrindo o corredor para Raúl Cáceres. Assim saiu o segundo gol, com cruzamento do lateral paraguaio e a cabeçada de Pikachu que o goleiro Ranule espalmou e o zagueiro Lucão marcou contra.

Antes descomplicou o jogo na bola parada com Lucas Mineiro, também de cabeça. Depois os espaços cedidos pelo adversário que precisava da vitória e se propõe a atacar facilitaram a tarefa e o segundo tempo foi disputado em ritmo de treino. Na falha grotesca do goleiro Ranule, Marrony aproveitou e marcou o terceiro.

Depois foi dar minutos a Bruno César e ao jovem Lucas Santos e esperar o tempo passar. A eficiência se refletiu nos números. Mesmo praticamente dividindo a posse de bola com o adversário (51% para o Resende), finalizou 11 vezes e acertou oito no alvo. Cedeu oito conclusões, mas não sofreu gols e continua como a defesa menos vazada – apenas dois sofridos.

Agora é aguardar o Fla-Flu para no domingo buscar a conquista do turno com 100% de aproveitamento. Final sem vantagem, nem favorito. Mais do que a vaga na decisão, valeu a sensação de que o susto em Juazeiro foi uma oscilação natural no início do ano e o Vasco segue evoluindo em desempenho para a sequência da temporada.

(Estatísticas: Footstats)

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Neymar é o melhor jogador brasileiro pós-Pelé, mas não o maior http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/neymar-e-o-melhor-jogador-brasileiro-pos-pele-mas-nao-o-maior/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/neymar-e-o-melhor-jogador-brasileiro-pos-pele-mas-nao-o-maior/#respond Wed, 13 Feb 2019 13:31:00 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5915

Imagem: Reprodução Placar

A edição especial de fevereiro da revista Placar rende homenagem aos 10 anos de carreira de Neymar no futebol profissional celebrando o craque do PSG como “o maior jogador brasileiro pós-Pelé”. Será?

Quem lê este blog sabe que aqui não há perseguição ao camisa dez da seleção brasileira e do Paris Saint-Germain. Pelo contrário, os textos procuram situar bem no contexto do futebol nacional e mundial a estrela solitária do país cinco vezes campeão do mundo.

Aliás, este é um fator a ser considerado na análise. Todos os nossos protagonistas sempre tiveram alguém para dividir responsabilidades e holofotes: o jovem Pelé teve Didi e Garrincha, em 1970 o veterano camisa dez dividiu com Gerson, Tostão, Rivelino e Jairzinho os méritos pelo tricampeonato mundial. Depois Rivelino viu Zico surgindo, mais tarde o Galinho seria a estrela junto com Sócrates e Falcão na equipe de Telê Santana.

No México, Careca surgiu como protagonista e logo ganhou a companhia de Romário e Bebeto, destaques do tetra em 1994. Depois Ronaldo Nazário com Rivaldo e em seguida Ronaldinho Gaúcho, que teria Kaká como parceiro.

Neymar segura a bronca desde 2010. No “vácuo” de Ronaldinho, Kaká, Robinho e Adriano que caíram de produção no mais alto nível, cada um por seus motivos, e não lideraram uma renovação na seleção brasileira. De lá para cá, desde Paulo Henrique Ganso a Philippe Coutinho e Gabriel Jesus, ninguém conseguiu de fato e por um bom período tirar este peso misturado com privilégio do nosso craque maior.

Mas respondendo objetivamente a pergunta do final do primeiro parágrafo, este blogueiro diria que Neymar é, sim, o melhor desde Pelé. Não o maior.

A análise sobre quem é melhor é absolutamente pessoal e subjetiva, envolve preferências pessoais, estilo, estética. Obviamente considerando jogadores dentro de uma mesma “prateleira” ou ao menos próxima. Neste contexto, Neymar pode ser colocado acima de Zico, Careca, Romário, Rivaldo, os Ronaldos e Kaká.

Porque é arco e flecha, arma e finaliza. Tem tudo para se tornar o segundo maior artilheiro da seleção, só atrás de Pelé. Provavelmente com média inferior a Ronaldo, Zico e Romário, mas um feito considerável dentro de um cenário muito mais parelho. Sem, por exemplo, as goleadas sobre seleções semiamadoras de outros tempos.

Neymar tem um repertório de jogadas superior aos “concorrentes”. E jogando com muito menos tempo e espaço para pensar e executar. 60 gols e 36 assistências em 96 partidas com a camisa verde e amarela. Em clubes(Santos, Barcelona e PSG), 291 bolas nas redes e 148 passes para gols em 469 jogos. Muita regularidade e interferência nos jogos e no desempenho de suas equipes.

Contestado? Obviamente, como todos os outros, fora Pelé, antes de vencer a primeira Copa do Mundo. Talvez a memória afetiva de muitos não permita recordar, mas Romário, Rivaldo e os Ronaldos, para ficar apenas nos destaques dos últimos dois títulos, tiveram sua capacidade colocada em xeque.

O Baixinho depois da expulsão tola contra o Chile em 1989 e a irresponsabilidade de jogar peladas com gesso na perna que prejudicaram a recuperação de uma fratura a tempo de disputar a Copa de 1990 em bom nível. Rivaldo foi execrado na Olimpíada de 1996 e, mesmo jogando bem no Mundial de 1998, conviveu com críticas por não render na seleção o mesmo que nos clubes até brilhar em 2002.

O Fenômeno aturou vaias em 1996, ganhou fama de “amarelão” em 1998 e só se redimiu com a conquista na Ásia. Ronaldinho também era cobrado para mostrar o mesmo rendimento do Barcelona e, depois de ser demonizado pela derrota em 2006 nunca mais recuperou prestígio na seleção.

Mas, ainda assim, são maiores que Neymar. Porque venceram a Copa do Mundo. Um feito que separa meninos de homens. E aumentam a distância porque o craque de hoje insiste em não amadurecer, principalmente fora de campo. Comportamento, posturas e palavras que impedem que se torne um ídolo nacional. E neste aspecto fica atrás de outros que também não levantaram taças, como Sócrates e Zico.

O posicionamento como figura pública também engrandece e Neymar vive numa espécie de bolha, no próprio mundinho. Eterno adolescente, mais produto que homem. Uma escolha que traz seus prazeres, mas também prejuízos. Ele parece não se importar, só quer se divertir jogando e com os “parças”. A vida, porém, não é só isso.

Neymar é o único com títulos de Libertadores, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes. Não conquistou a Bola de Ouro porque compete com Messi e Cristiano Ronaldo, que provavelmente roubariam prêmios individuais dos brasileiros contemplados no passado. É craque com momentos geniais. O mais talentoso a surgir em nossos campos desde que Pelé parou de jogar, gostem os saudosistas ou não desta opinião.

Mas para ser o maior é preciso crescer. Eis o ponto que Neymar não parece entender. Ou não quer enxergar. Será que dá tempo depois dos 27 anos?

 

 

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Revolução de Tuchel no PSG passa por estratégia, mas também pelo espírito http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/revolucao-de-tuchel-no-psg-passa-por-estrategia-mas-tambem-pelo-espirito/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/13/revolucao-de-tuchel-no-psg-passa-por-estrategia-mas-tambem-pelo-espirito/#respond Wed, 13 Feb 2019 06:04:32 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5907

É injusto afirmar que as ausências dos lesionados Cavani e Neymar facilitaram o trabalho de Thomas Tuchel para armar um PSG mais disciplinado taticamente para enfrentar o redivivo Manchester United de Ole Gunnar Solksjaer no Old Trafford pela ida das oitavas de final da Liga dos Campeões.

No triunfo sobre o Liverpool por 2 a 1 em Paris pela fase de grupos, que praticamente sacramentou a vaga para o mata-mata, o time francês mostrou organização e entrega na execução do plano de jogo. Com Neymar voltando para formar a segunda linha de quatro pela esquerda e, muitas vezes, Cavani recuando para ajudar no combate e liberar Mbappé para acelerar nos contragolpes.

A revolução de Thomas Tuchel no Paris Saint-Germain, porém, não apresenta seus efeitos em todas as partidas. Até porque há um abismo de vantagem na Ligue 1, a ponto do time se desconcentrar e acabar eliminado na Copa da Liga para o Guingamp. No confronto seguinte pela competição por pontos corridos, 9 a 0 no mesmo adversário, com o pé no acelerador durante praticamente todo o jogo. Para não deixar dúvidas de quem é o melhor time.

Eis o segredo: espírito. Se ao longo da temporada o PSG não se depara com grandes desafios, o grupo precisa estar preparado para quando chegar a partida importante, ou com algo em jogo além dos três pontos. A falta de hábito não pode ser um “álibi” a cada eliminação, senão o sonho europeu ficará sempre comprometido diante de clubes que participam de ligas mais fortes.

Na vitória por 2 a 0 em Manchester, o time de Tuchel foi vibrante, intenso, concentrado. Também valente, como Di María que enfrentou as provocações da torcida do seu ex-time sem se deixar intimidar e foi o destaque da partida com assistências para os gols de Kimpembe e Mbappé. Quando Ashley Young jogou o argentino em uma grade de proteção fora do campo, Marquinhos e seus companheiros chegaram junto para mostrar que na força e no grito o time da casa não venceria.

Pode parecer conversa fiada de quem diz no Brasil que “Libertadores é guerra”, mas no caso do PSG é bastante emblemático. Porque nas últimas eliminações, os gigantes Barcelona e Real Madrid passaram por cima. O primeiro com ajuda da arbitragem, sim, mas ambos na capacidade de se impor, fazer o oponente sentir medo. E o time francês dobrou os joelhos.

Agora não. Ou não tem sido assim nos jogos grandes. É claro que lendas como Buffon e Daniel Alves dão “casca” a qualquer time do mundo. O adversário respeita. Mas não é só isso. O PSG com Tuchel está diferente.

No duelo entre os treinadores, Solksjaer parece ter atingido seu teto. Depois do efeito do “fato novo”, de reintegrar Pogba e repaginar o time, a impressão é de que faltou repertório ao United quando se viu diante de uma equipe que conhecia suas virtudes e defeitos e tinha qualidade para responder em alto nível. Perdeu a invencibilidade logo no duelo mais importante.

Também  perdeu com Lingard, o atacante que mais trabalha sem bola e que muitas vezes recua para compensar a “desconcentração” de Pogba na fase defensiva, aberto pela direita. Provavelmente para acompanhar Bernat e não permitir a formação de uma dupla com Di María para cima de Young. Rashford acabou sacrificado entre os zagueiros.

Depois de um primeiro tempo equilibrado, o gol de Kimpembe deixou a disputa à feição do PSG. Os Red Devils adiantaram a marcação, mas muitas vezes deixando de pressionar o homem da bola e dividindo o time em dois setores e deixando um grande buraco na intermediária. Era sair da pressão e chegar com vantagem numérica do ataque. Na descida mais bem coordenada, passe longo para Di María e assistência para Mbappé.

Não importa muito se o desenho tático era o 3-4-3 ou o 4-1-4-1. O mais relevante foi a estratégia de posicionar Marquinhos esperando Pogba e Kehrer, Thiago Silva e Kimpembe atentos aos movimentos de Rashford e Martial, depois Alexis Sánchez. Porque Lingard, depois Mata, estava preocupado com Bernat, que abria o campo pela esquerda e Daniel Alves à direita. Verratti organizava e Draxler participava da construção e tentava se juntar a Mbappé. A joia  francesa foi o terror dos zagueiros Bailly e Lindelof na velocidade e podia ter definido o confronto num contra-ataque que De Gea parou com grande defesa.

PSG se impôs com organização e estratégia, negando espaços a Pogba com Marquinhos atento às brechas entre as linhas defensivas e Bernat atacando o setor de Lingard. Daniel Alves abria o campo do lado oposto e Mbappé acelerava contra Bailly e Lindelof (TacticalPad).

Vitória com autoridade pelo segundo tempo impecável e vaga nas quartas encaminhada, ainda mais com a expulsão de Pogba no final do jogo. Para confirmar a guinada do PSG. Se falta camisa e tradição na Champions, cabe ao time construir sua fortaleza e impor respeito aos adversários jogo a jogo, disputa a disputa. Com ou sem Neymar, Cavani ou qualquer outro.

Thomas Tuchel vem mostrando que sabe como fazer. Na tática e no olhar faminto de seu time. Convém respeitar.

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Carille depende de Romero para buscar a profundidade perdida no Corinthians http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/12/carille-depende-de-romero-para-buscar-a-profundidade-perdida-no-corinthians/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/12/carille-depende-de-romero-para-buscar-a-profundidade-perdida-no-corinthians/#respond Tue, 12 Feb 2019 08:38:53 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5897

A campanha do Corinthians neste início de 2019 decepciona, mesmo considerando as mudanças no elenco e o curto período de pré-temporada. Duas vitórias, um empate e três derrotas no Paulistão. Números que não diriam muita coisa se houvesse a percepção de que o desempenho está em evolução.

Não é o caso. Fabio Carille voltou ao clube com a missão de resgatar a identidade que tem como marca a solidez defensiva, mas também fazer a equipe trabalhar a bola com mais qualidade até a infiltração. A volta de Vágner Love jogando um pouco atrás do centroavante, Gustavo ou Boselli, não melhorou o poder de fogo da equipe.

Porque falta profundidade às ações ofensivas do Corinthians. A busca do espaço às costas da defesa adversária para finalizar ou chegar ao fundo e servir o companheiro. O objetivo final da posse de bola e da movimentação. Ou do contragolpe letal. Algo que faltou inclusive no triunfo sobre o rival Palmeiras, depois do gol de Danilo Avelar. Ajuda a explicar o sufoco que exigiu muita concentração defensiva.

O Corinthians campeão paulista e brasileiro de 2017 contava com duas peças fundamentais no ataque com essa característica: Jô e Ángel Romero. O centroavante era forte no jogo aéreo, mas não lento. Chegava muitas vezes na frente dos zagueiros em bolas longas ou no passe de um meia por dentro.

Já o ponteiro paraguaio não é exatamente um velocista, mas tem o timing para buscar as diagonais no limite da linha de defesa para não entrar impedido. O primeiro gol sobre o São Paulo na vitória por 3 a 2 na campanha do título nacional é um exemplo clássico desta virtude do atacante.

Momento em que Romero parte da esquerda para infiltrar em diagonal e marcar o primeiro gol do Corinthians sobre o São Paulo em 2017 (Reprodução Premiere).

Clayson também foi peça importante na reta final do campeonato, partindo da ponta e acelerando às costas da retaguarda adversária. Nenhum primor de técnica, mas neste caso vale mais a agilidade e o instinto de atacar a brecha deixada, além do “sprint” para chegar antes. Apesar da mesma dificuldade para penetrar em sistemas defensivos bem postados, as opções eram mais eficientes que as atuais.

Dois anos depois, Clayson ainda faz parte do elenco. Carille, porém, tenta armar o time de outras formas. Já rodou os contratados André Luís e Gustavo Silva, deu minutos aos jovens Pedrinho e Mateus Vital. Apelou até para um losango no meio-campo, com Jadson atrás de Love e Gustavo no empate em 2 a 2 com o Ferroviário na estreia pela Copa do Brasil.

No empate com o Ferroviário pela Copa do Brasil, ataque corintiano afunila a jogada com Ramiro, Sornoza e Jadson apoiando Vagner Love e Gustavo, isolado e impedido no lance (Reprodução TV Globo).

Sem sucesso. Júnior Urso, a contratação mais recente, pode entregar infiltração por dentro de quem chega de trás, o que Ramiro e Sornoza não vêm fazendo. Mas não resolve o problema. Não por acaso, a direção de futebol retoma as negociações com Romero para a renovação de contrato. No atual cenário, o artilheiro da Arena Corinthians com 27 gols (38 no total pelo clube) virou peça fundamental para ajudar “Gustagol” no ataque.

A esperança de momento para resgatar algo que ficou pelo caminho. Carille busca a profundidade perdida para fazer o Corinthians se recuperar na temporada.

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Pior que não cumprimentar é Sarri deixar de aprender com Guardiola http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/11/pior-que-nao-cumprimentar-e-sarri-deixar-de-aprender-com-guardiola/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/11/pior-que-nao-cumprimentar-e-sarri-deixar-de-aprender-com-guardiola/#respond Mon, 11 Feb 2019 08:27:11 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5889

Imagem: Reprodução Premier League/Sky Sports

O impacto da goleada histórica do Manchester City sobre o Chelsea por 6 a 0 dividiu os holofotes no Brasil com os memes zombando de David Luiz e no mundo todo com a cena do italiano Maurizio Sarri se negando a cumprimentar Pep Guardiola na saída para os vestiários ao final do jogo, deixando o catalão no “vácuo”.

Causou estranhamento pelo tratamento cordial que um treinador sempre dispensou ao outro, com elogios mútuos. A justificativa de que não viu o colega de profissão soa como desculpa esfarrapada, já que é um protocolo, algo quase mecânico, automático. Nem o abalo por ver seu time atropelado no Etihad Stadium pode explicar tamanha bola fora.

Mas pior que a falta de educação com Guardiola é a demonstração de que em sua primeira temporada na Inglaterra, Sarri parece não ter aprendido nada com o comandante do atual campeão inglês.

Na primeira temporada de Premier League, Guardiola teve um bom começo, mas sabia que o trabalho não seria simples. Tentou ser competitivo, mas se dedicou mais a aprender. Rodada a rodada, observando o ritmo alucinante, as transições constantes das equipes ao longo da partida. A mistura insana de técnica, jogo físico, intensidade, rapidez.

Perdeu para o Chelsea de Antonio Conte, também em seu “debut” no Campeonato Inglês. Conviveu com as críticas, lutou para garantir vaga na Champions seguinte e não atrapalhar o planejamento do clube. Levou outra pancada no torneio continental do surpreendente Monaco de Mbappé. Ao longo das partidas, porém, foi testando e adaptando a sua maneira de armar as equipes às particularidades dos jogos da liga.

Ainda a posse de bola, porém com trocas de passes e triangulações mais rápidas. O “perde-pressiona” com intensidade, mas guardando mais a última linha para não ser varrido em contragolpes letais. Bola roubada, a aposta em definição mais rápida das jogadas quando os atacantes percebessem os espaços para infiltrar. Atenção também com as jogadas aéreas em bola parada, ofensiva e defensiva, para ganhar os jogos mais complicados.

Com elenco mais jovem e equilibrado e a base do elenco mais habituada ao estilo personalíssimo do comandante, o City voou na temporada seguinte dominando a liga como nenhum outro time e empilhando recordes. Guardiola viu, se adequou com humildade, “temporizou” seu estilo de acordo com o timing da Premier League e se impôs com autoridade.

Domínio que se repetiu na goleada sobre o Chelsea que protegeu mal a entrada da própria área. Se surpreendeu no início do campeonato, incluindo a vitória por 2 a 0 encerrando a invencibilidade do City, a tentativa de criar uma versão atualizada do Milan de Ancelotti – Jorginho emulando o “regista” Andrea Pirlo e Kanté e Barkley ou Kovacic como Gattuso e Ambrosini, marcando e entregando dinâmica ao meio-campo – foi mapeada, neutralizada e tratada como “elo fraco” dos Blues. Mas Sarri insiste, sem tentar se adequar ao contexto.

Os citizens dominaram na execução do 4-3-3 que tem Fernandinho armando de trás e os meias, desta vez Gundogan e Kevin De Bruyne, explorando os espaços entre defesa e meio-campo do adversário. Justamente às costas de Kanté e Barkley que Jorginho não é o encarregado de cobrir, mesmo em um 4-1-4-1. Bernardo Silva circulava por todo ataque, Sterling atropelava Azpilicueta pela esquerda e abria a defesa para Kun Aguero, destaque do duelo com três gols.

Resultado: com 25 minutos o placar apontava 4 a 0. Fechou seis, com dois de Sterling e um de Gundogan, porque o time azul de Manchester, talvez por ordem de Guardiola, equilibrou o respeito ao público e ao adversário triturado moralmente. Trocou passes com calma até o apito final.

Sem um currículo que ao menos explique o comportamento mais “bélico”, Sarri tem batido de frente e reclamado publicamente de alguns jogadores e a gestão do grupo dá sinais de desgaste. Ajuda a explicar a campanha que pode levar o Chelsea de novo à Liga Europa e coloca em risco o emprego do treinador. Se ficar, a chance de salvar a temporada é o próprio torneio europeu e a final da Copa da Liga Inglesa. Logo contra o City…

Até lá, o que se espera do italiano é consciência, bom senso e habilidade para lidar com os problemas. Talvez um papo com Guardiola regado a bom vinho, mas não sem antes um pedido de desculpas.

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Cruzeiro é a força “silenciosa” que agora pode usar dois times na temporada http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/10/cruzeiro-e-a-forca-silenciosa-que-agora-pode-usar-dois-times-na-temporada/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/10/cruzeiro-e-a-forca-silenciosa-que-agora-pode-usar-dois-times-na-temporada/#respond Sun, 10 Feb 2019 22:37:39 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5886 Flamengo e Palmeiras contam com orçamentos milionários e a cobertura midiática mais ampla dedicada aos times de São Paulo e Rio de Janeiro. Grêmio sempre é lembrado por ter sido o último brasileiro campeão da Libertadores, praticar o melhor futebol do país desde 2017 e manter o carismático Renato Gaúcho no comando técnico.

O Cruzeiro é bicampeão da Copa do Brasil e até reconhecido como um time capaz de disputar os principais títulos, mas sem tanto alarde. Uma força “silenciosa”. Entre aspas porque não há como fazer silêncio com torcida tão numerosa e imensa visibilidade local dividindo as atenções com o rival Atlético.

Não deixa de merecer muito respeito, porém. O trabalho de Mano Menezes vem de julho de 2016, é mais longevo que o de Renato Gaúcho e o time celeste apresenta a identidade que o treinador começou a construir no Corinthians que venceria tudo com Tite. Equipe competitiva, pragmática. Muitas vezes dando a impressão de que subaproveita a qualidade que conta no elenco. O que também contribui para receber menos elogios, mesmo da mídia mais “festiva”.

Mas é impossível negar sua força. Com a sequência e as mudanças pontuais no elenco, normalmente com mais chegadas que saídas, Mano pode dar o polimento, ajustando mecanismos, criando opções e variações. Usufruir da vantagem de ter processos consolidados e modelo de jogo assimilado.

A volta de Fred depois de longo período afastado por séria lesão é acréscimo no ataque. Experiência, liderança e presença de área. Raniel espera no banco para acelerar e dar profundidade às ações ofensivas. Se perdeu De Arrascaeta para o Flamengo, repôs com duas peças: Rodriguinho para jogar por dentro na linha de meias do 4-2-3-1 praticamente imutável revezando com Thiago Neves e Marquinhos Gabriel faz o lado esquerdo, podendo alternar com Rafinha. David seria mais um para colocar velocidade pelo flanco, mas se lesionou.

Jadson veio do Fluminense para ser a reposição a Robinho sem mudar as características de “ponta volante” pela direita, atuando mais próximos dos volantes que podem ser Henrique, Lucas Silva, Lucas Romero ou Ariel Cabral. Sempre em duplas para a proteção da defesa, prioridade do treinador que preza muito a segurança e o equilíbrio entre os setores. Linhas compactas, pressão no homem da bola, intensidade,concentração no posicionamento.

Retaguarda que só tem Dedé como titular absoluto, além de Fábio na meta. Edilson e Orejuela pela direita, Murillo como opção para Leo e Fabrício Bruno e Cacá completando o setor que perdeu Manoel para o Corinthians. Na esquerda, Egídio é titular, mas agora com a sombra de Dodô. Ou seja, a utilização de dois times na temporada é mais que viável.

Importante para quem não conseguiu ser competitivo de fato no Brasileiro nos últimos dois anos por conta da disputa da Copa do Brasil até a final. A liderança do Mineiro ao lado do América é menos importante que o potencial de crescimento, de aprimoramento ao longo do ano.

Até por cultura, o clube deve seguir priorizando o mata-mata quando a temporada afunilar. Mas desta vez há elenco para lutar em todas as frentes. Quieto, pelas beiradas. Com o perdão do clichê que pode se fazer verdade novamente em 2019.

 

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O maior prejuízo de um fim de semana sem futebol no Rio de Janeiro http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/10/o-maior-prejuizo-de-um-fim-de-semana-sem-futebol-no-rio-de-janeiro/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2019/02/10/o-maior-prejuizo-de-um-fim-de-semana-sem-futebol-no-rio-de-janeiro/#respond Sun, 10 Feb 2019 03:22:43 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=5880 Não havia mesmo clima para que as semifinais da Taça Guanabara fossem disputadas neste fim de semana. Vidas de jovens esportistas foram ceifadas. Por negligência ou fatalidade importa mais para o jornalismo, aos responsáveis pela investigação do caso e, principalmente, para quem quer justiça e punição aos responsáveis pela morte de seus entes queridos.

O prejuízo financeiro para Flamengo, Fluminense, Vasco, Resende e Federação não deve ser relevante com o adiamento das partidas. O grande déficit, porém, é do Rio de Janeiro. Muito mais grave e com consequências a longo prazo.

A começar pelos dez jovens que se foram no incêndio no CT do Flamengo levando sonhos e deixando lágrimas. Um futuro sem preço perdido. Cada história é motivo para sentar no chão e chorar. Ou abraçar forte cada pai, mãe, irmão, responsável. Nenhuma indenização é capaz de ressarcir a perda de um sorriso juvenil, saturado de planos.

Vidas que deviam ser prioridade máxima. Como a dos milhares de crianças e jovens vítimas da violência. Do tráfico, da milícia, da própria polícia. De uma cultura que já encapsulou e naturalizou o crime e a barbárie.

Mas as tragédias também alimentam uma imagem da cidade associada a algo que não tem nome, mas este blogueiro – nascido, criado e apaixonado que só deixou a capital carioca por seis longos meses, louco para voltar – costuma chamar de “culto ao mal feito”.

Os últimos governadores estão presos. A cada verão qualquer tempestade pára a cidade. Desliza, soterra, destroi. Mata. Obras inacabadas, propinas para todos os lados. Um jeitinho de fingir que fez. Prevenção? Planejamento? Organização? Que nada! O carioca é “malandro”, resolve tudo no carisma e na simpatia. Fala “vamos marcar” e não aparece. De repente se encontra na praia e finge que nunca combinou nada com um sorriso no rosto.

Mas carioca também fecha a cara. Inclusive o flamenguista que associa a falta de títulos importantes desde que se organizou financeiramente aos jogadores “mimados” por salários em dia e estrutura para trabalhar. Não é raro ouvir nas ruas que o profissional de futebol só se esforça se souber que vai receber os atrasados apenas se vencer, com o prêmio do título. Só a desordem e o amadorismo geram o esforço.

“O Maraca é nosso!” mesmo com jogos no estádio dando prejuízo ou receitas limpas irrisórias. O Estadual é o mais “charmoso”, já que não há cara de pau para dizer que é melhor que o Paulista. O carioca é o rei dos eufemismos.

Não basta sofrer com tantas tragédias, ano após ano. Segue pensando errado, agindo errado, votando errado. Os mais velhos com saudades da época da capital federal, os jovens torcedores acusando a “mídia” de bairrista. Muitas vezes com razão pelos excessos de quem devia fazer cobertura nacional. Mas como dar a atenção de outros tempos a clubes que não vêm honrando sua história? Nas finanças ou nas taças que escapam pelos dedos.

Que o domingo sem “praia e sol, Maracanã e futebol” sirva de reflexão. Não dá mais para ser no jeitinho, no puxadinho. Nas coxas. A Natureza já foi generosa demais, o Cristo não vai nos redimir sempre. Do nosso prejuízo real, diário. Passou da hora de entregar um pouco mais de suor, não só pelo calor. Para que a gente não se desidrate de tanto chorar.

 

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