Blog do André Rocha http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte. Wed, 22 Nov 2017 16:04:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Falta um pouco de Tite em Klopp no Liverpool de Coutinho e Firmino http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/22/falta-um-pouco-de-tite-em-klopp-no-liverpool-de-coutinho-e-firmino/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/22/falta-um-pouco-de-tite-em-klopp-no-liverpool-de-coutinho-e-firmino/#comments Wed, 22 Nov 2017 09:45:58 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3710

Philippe Coutinho tem cinco gols e quatro assistências na temporada 2017/2018. Roberto Firmino foi às redes oito vezes e também serviu passes para gols de companheiros por quatro vezes. Só não são os grandes destaques individuais do Liverpool porque o egípcio Mohamed Salah vive momento mágico, já marcando 13 vezes e somando três assistências. É o artilheiro do Campeonato Inglês com nove.

Os brasileiros contribuem efetivamente para que os Reds só sejam superados pelo Paris Saint-Germain de Neymar, Mbappé e Cavani na Liga dos Campeões como ataque mais efetivo – 17 a 16, em cinco partidas – e fiquem atrás apenas dos times de Manchester na Premier League: marcou 24, enquanto o City de Pep Guardiola foi às redes 40 vezes e o United de José Mourinho 27.  Em 12 rodadas. É também a equipe que mais finaliza na competição nacional.

O quarteto ofensivo ainda conta com o senegalês Sadio Mané – quatro gols e três assistências em dez jogos, depois de cumprir suspensão de três jogos na PL e sofrer lesão que o deixou de fora por cinco partidas. Dos 40 gols marcados nas duas competições, eles são responsáveis por 30. Ou 75%.

Só não garantiram matematicamente a classificação antecipada para as oitavas de final do torneio continental e uma posição acima da quinta colocação atual no Inglês – ocupando a zona de classificação para a Liga Europa porque supera Arsenal e Burnley com os mesmos 22 pontos por conta do saldo de gols – pelo fraco desempenho do sistema defensivo.

Na Premier League, são 17 sofridos. A mais vazada entre os sete primeiros. Na Liga dos Campeões, apenas seis. Mas um mau sinal: o Sevilla, rival mais competitivo do Grupo E, fez cinco. Nos dois empates entre as equipes.

O último em 3 a 3 no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Resultado que poderia ser considerado satisfatório como visitante. Mas não depois de abrir 3 a 0 em trinta minutos e ceder o empate na segunda etapa. Firmino marcou dois e serviu Mané. Jogo de 20 finalizações, dez para cada equipe. Sete no alvo dos visitantes, cinco dos anfitriões que ainda carimbaram a trave do goleiro Loris Karius uma vez.

Por que o Liverpool sofre tanto sem a bola? Uma das explicações seria as limitações dos jogadores da última linha de defesa – em Sevilla formada por Joe Gomez, Lovren, Klavan e Moreno, apesar do lateral espanhol ser um dos líderes em assistências da Champions com três passes para gols. Ou a proteção insuficiente da dupla Henderson-Wijnaldum. Mas vai um pouco além.

Passa pela visão de futebol do treinador alemão Jurgen Klopp. Figura carismática, instigante. Com eletricidade e paixão à beira do campo. Comandante que popularizou o “gegenpressing”, que nada mais é que um trabalho de pressão intensa e obsessiva sobre o adversário logo após a perda da bola, ainda no campo de ataque. Acredita em futebol no volume máximo.

Mas sem o minimo controle. Mesmo considerando o contexto de jogo ultraveloz não só da liga inglesa, mas também da alemã que conquistou duas vezes com o Borussia Dortmund. Um jogo de bate e volta, no estilo “briga de rua”. Sem adaptações, mesmo completando dois anos na Inglaterra em outubro. Na prática vem exaurindo sos atletas, física e mentalmente, além de expor demais o time.

Coutinho e Firmino devem sentir a falta de um pouco de Tite no clube. Não só pelos cinco gols sofridos pela seleção brasileira sob comando do treinador em 17 partidas, apenas três em 12 jogos oficiais pelas Eliminatórias. Mas principalmente pela busca do equilíbrio entre as ações de ataque e defesa, além, é claro, dos os companheiros mais qualificados na retaguarda verde e amarela.

Também a ideia de controlar o jogo, ora com a posse da bola, ora fechando os espaços e esperando o momento certo de atacar e definir as partidas. O Liverpool troca golpes o tempo todo. É capaz de surrar o Arsenal por 4 a 0 em Anfield Road na terceira rodada da Premier League e, no jogo seguinte pelo Inglês, ser atropelado pelo City no Etihad Stadium por 5 a 0.

Tem a terceira melhor média de posse da liga, empatado com o Arsenal e atrás de City e Tottenham, mas é muito mais pelo volume e por pressionar e recuperar rapidamente, em especial contra equipes de menor investimento, do que pela capacidade de dominar o oponente.

Aleatório demais. Aqui não há a intenção de comparar os treinadores em qualidade, mas realçando as diferenças de características e personalidades. Fica claro, porém, que falta uma pitada, ou uma mão cheia, de Tite em Jurgen Klopp. Por isso o time de Coutinho e Firmino não decola, na Inglaterra e na Europa.

(Estatísticas: UEFA e WhoScored)

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Quebrar a saída “Lavolpiana” do Lanús pode ser atalho para o Grêmio http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/quebrar-a-saida-lavolpiana-do-lanus-pode-ser-atalho-para-o-gremio/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/20/quebrar-a-saida-lavolpiana-do-lanus-pode-ser-atalho-para-o-gremio/#comments Mon, 20 Nov 2017 14:01:05 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3704 Jorge Almirón, treinador do Lanús, foi jogador do Atlas comandado pelo compatriota Ricardo La Volpe, campeão mundial como jogador em 1978,  de 1997 a 2000.  Os argentinos fizeram história no México com um time que não ganhou títulos, mas ficou na lembrança por ser uma equipe jovem e de futebol vistoso.

La Volpe chamou mesmo atenção do mundo em 2006, comandando a seleção mexicana na Copa realizada na Alemanha. Bola no chão e uma maneira de sair da defesa com dois zagueiros bem abertos e Rafa Márquez centralizado iniciando a construção do jogo. Rafa que jogou com Almirón no Atlas de La Volpe.

A intenção é ter um jogador de passe qualificado para fazer a equipe jogar desde a defesa e se instalar no campo adversário através de trocas de passes. Normalmente com os laterais adiantados e abrindo o campo, os meios-campistas voltando para auxiliar na articulação e os atacantes mais próximos para se movimentar e abrir espaços.

Movimento que chamou atenção de Guardiola, encerrando a carreira no mesmo país, atuando sob o comando de Juan Manuel Lillo no modesto Dorados de Sinaloa e, lesionado, fazendo uma espécie de estágio com o treinador que até hoje trata como mestre. Também aprendeu, ou aprimorou, e levou para seu Barcelona lendário a saída de bola que ficou conhecida como “Lavolpiana”.

Almirón também tem esse trabalho coletivo como base para o modelo de jogo do time que começa a decidir a Libertadores contra o Grêmio em Porto Alegre. É a equipe que mais troca passes na Libertadores, com cerca de 91% de aproveitamento no fundamento.

Na execução do 4-3-3 básico, que se converte naturalmente em 4-1-4-1 sem a bola, a saída é feita com os zagueiros Guerreño e Braghieri abrindo para o volante Marcone, melhor passador do torneio e um dos grandes destaques individuais do “Granate”, retornar entre eles para iniciar o jogo.

O trio do Lanús na saída de bola, com o volante Marcone recuando e os zagueiros Guerreño e Braghieri abrindo e dando opções de passe (Reprodução Fox Sports)

Inspirado no que Guardiola fez no Bayern de Munique com Lahm e Alaba e agora realiza no Manchester City com Walker e Delph, os laterais Gómez e Velázquez podem atacar bem abertos para esgarçar a marcação adversária ou por dentro, criando superioridade numérica no meio, e os pontas Silva e Acosta abrindo o campo.

Toda essa dinâmica complexa, desenvolvida desde 2015 por Almirón, constroi um volume de jogo sufocante para o oponente. Uma vez ocupado o campo de ataque é difícil sair, pois é uma equipe entrosada, que joga “de memória” e inicia a pressão assim que perde a bola. Dentro ou fora de casa.

Por isso um dos atalhos possíveis para o Grêmio em sua Arena é exatamente evitar que esse passe saia “limpo” de trás. Quebrar essa saída. Com Luan, Barrios e até Fernandinho pressionando o trio da saída de bola. Especialmente sobre Marcone, que é o elemento facilitador.

Além de dificultar a construção do jogo, o contragolpe costuma ser letal porque pega o adversário um tanto descoordenado, com os zagueiros espaçados e sem defender a própria área, laterais e meio-campistas mais adiantados. A transição defensiva é o grande complicador deste processo se há um erro, desarme ou interceptação do rival. No caso do Lanús pode ser ainda mais danoso, já que em boa parte das ações o goleiro Andrada se adianta para participar como uma espécie de “desafogo”.

Com Luan, Barrios e Fernandinho o Grêmio pode pressionar e complicar a saída “Lavolpiana” do Lanús e iniciar um contragolpe letal, com o adversário desarrumado (Tactical Pad).

Assim o Chile perdeu a Copa das Confederações para a Alemanha este ano. Pressão no volante Marcelo Díaz, que estava no meio dos dois zagueiros, bola roubada por Werner e gol de Stindl. O único da decisão. O Lanús enfrentou problemas com pressão do adversário no próprio campo contra a Chapecoense na fase de grupos. Bola roubada, saída rápida pela esquerda e o gol de cabeça de Wellington Paulista na vitória da equipe catarinense por 2 a 1, em Lanús. Contra o San Lorenzo na derrota por 2 a 0 no jogo de ida, o lateral Gómez quis sair jogando numa situação de pressão, perdeu a bola e cometeu pênalti convertido por Blandi no segundo gol.

Por mais personalidade e poder de recuperação que tenha demonstrado o Lanús até aqui, é uma final continental. Inédita para o clube de bairro da zona sul de Buenos Aires. O componente emocional deve ter forte influência e o Grêmio pode se aproveitar com intensidade e pressão, desde a saída de bola. “Lavolpiana” com Almirón, mas não perfeita. Uma bola roubada pode decidir a Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)

 

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Flamengo: a lenta agonia do time que não dá liga http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/17/flamengo-a-lenta-agonia-do-time-que-nao-da-liga/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/17/flamengo-a-lenta-agonia-do-time-que-nao-da-liga/#comments Fri, 17 Nov 2017 11:57:44 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3701

A derrota para o Coritiba no Couto Pereira foi mais uma típica do Flamengo no Brasileiro 2017: domina a posse de bola (65%), finaliza mais que o adversário – 11 a 5, 4 a 1 no alvo – mas não consegue traduzir em gols o controle do jogo.

As críticas sobre jogadores e o treinador Reinaldo Rueda giram em torno do comodismo, de aceitar a derrota com um discurso conformado, de uma apatia que se mistura à indiferença. Protestos com alguma razão, mas os problemas vão um pouco além disso.

O fato é que o time não dá liga. Ou seja, as características dos jogadores não combinam entre si, por mais que Zé Ricardo e depois Rueda tentassem e ainda tentem um encaixe.

É um efeito dominó. Everton Ribeiro foi contratado para ser o ponta articulador. O meia que sai do lado do campo para se movimentar às costas do volante, criar superioridade no meio e criar as jogadas. Mas para isso o ideal é que, como Ricardo Goulart fazia no Cruzeiro bicampeão brasileiro com o próprio Everton, o meia central no 4-2-3-1 que não se alterou com a mudança no comando técnico se aproxime mais do centroavante e se comporte como uma espécie de segundo atacante.

Diego Ribas não faz isso. Por costume, recua para ajudar na armação ou procura os lados do campo. Quando pisa na área sempre é mais útil, mas prefere voltar à intermediária. Pior: prende demais a bola, dá sempre um ou dois toques a mais e quase sempre atrasa a transição ofensiva. Tenta compensar com vontade, liderança positiva e qualidade nas cobranças de faltas e escanteios, mas coletivamente o saldo quase sempre é negativo.

Para aproveitar o espaço que o camisa sete deixa à direita, um lateral de velocidade daria uma opção interessante para buscar a linha de fundo. Não é Pará. Seria Rodinei, mas este tem sérios problemas de leitura de jogo e, principalmente, no posicionamento defensivo.

Porque os zagueiros, embora experientes e de bom nível técnico, são lentos. Para evitar os muitos gols sofridos nas costas da última linha no final do trabalho de Zé Ricardo, Rueda prefere os laterais com um posicionamento mais conservador.

Também para encaixar Cuéllar no meio-campo, à frente da retaguarda. Mas o colombiano, embora tenha bom passe, não é o organizador que o setor precisa nesta ideia de ser protagonista, jogar no campo adversário e controlar as partidas com posse de bola. Nem ele, nem Willian Arão, que eventualmente até acerta alguns passes em profundidade, mas tem como principal virtude a infiltração. O camisa cinco, porém, é um atleta que nitidamente se permite afetar pelas instabilidades do time e sente as cobranças. Sem contar a dispersão no trabalho defensivo.

Por isso Márcio Araújo acaba jogando mais do que deveria. Com Zé Ricardo e agora ganhando chances com Rueda em algumas partidas. No Couto Pereira, o gol de Cléber logo aos sete minutos fez com que a presença do volante se tornasse ainda mais desnecessária por sua nulidade na construção das jogadas. Só deixou o campo aos 13 minutos da segunda etapa. Joga porque defende melhor que Arão e protege a zaga sem velocidade. Romulo não justificou a contratação e o jovem Ronaldo, sem oportunidades, foi ganhar rodagem no Atlético-GO.

Na frente, outro problema: Guerrero não é o típico centroavante, que fica na área e finaliza com bom aproveitamento. O peruano sempre foi muito mais de circular e trabalhar coletivamente. No Fla se destaca pelo trabalho de pivô, por conta de todos os problemas do meio-campo na criação. Recua, faz a parede e procura os ponteiros. Muitas vezes não dá tempo de chegar na área. E dificilmente recebe a bola com chance clara de concluir com liberdade porque as jogadas não fluem, há poucas infiltrações em diagonal.

Porque os ponteiros não têm essa característica. Nem Berrío, agora lesionado, nem Everton. O ponta pela esquerda até vem aparecendo na área e já fez dez gols na temporada. Mas poderia ter feito bem mais se nas muitas vezes em que Guerrero recuou ele penetrasse no espaço certo. Não tem o hábito.

Assim como Filipe Vizeu, o substituto de Guerrero, parece não ter aprendido nas divisões de base a fazer a proteção da bola para a aproximação dos companheiros. Nem fazer a leitura do espaço que precisa atacar para chegar em melhores condições para finalizar. Não é o centroavante para a proposta rubro-negra. Por isso a improvisação de Lucas Paquetá, que não é exatamente um goleador e, apesar da luta, desperdiça oportunidades cristalinas como a que o goleiro Wilson salvou no primeiro tempo em Curitiba.

O encaixe mais promissor foi quando Rueda utilizou Orlando Berrío pela direita com Pará e Everton Ribeiro à esquerda. Se Trauco e Renê também não são laterais rápidos na chegada ao fundo, ao menos a movimentação do meia abria espaços para o deslocamento de Guerrero, que prefere buscar aquele setor e não faz o mesmo movimento à direita. Mas o colombiano teve grave lesão e só volta em 2018 e o peruano está suspenso por doping e também só deve retornar no ano que vem.

Todo esse cenário desfavorável, sem que os treinadores encontrem soluções, é que parece ser o responsável por esse desânimo que se vê em campo. Os jogadores percebem que não combinam entre si e se acomodam. Começa a se espalhar a ideia de “fazer o seu e, se não dá certo, a culpa não é sua”. A desclassificação na fase de grupos na Libertadores foi um golpe na confiança que vinha em alta com a boa campanha no Brasileiro do ano passado e o título estadual.

As críticas e protestos de torcida e parte da mídia, porém, são justas porque nos clássicos cariocas, por conta de uma mentalidade provinciana que impera no clube há algum tempo, aparece a indignação com a derrota. Algo fundamental quando as coisas não vão bem. Um nível mais alto de concentração, fibra e entrega para compensar os problemas. Em jogos “comuns”, ainda mais numa competição por pontos corridos e que nunca foi tratada como prioridade ao longo da temporada, volta a apatia.

Quem deve ser responsabilizado? Todos no clube, mas principalmente a direção. Por erros de planejamento, como ter apenas Alex Muralha e Thiago como goleiros em boa parte da temporada, escolha que acabou prejudicando demais o time na final da Copa do Brasil. Diego Alves chegou tarde.

Também por não perceber as necessidades reais da equipe e contratar Berrío, sendo que o pedido de Zé Ricardo tinha sido um ponteiro driblador e com bom poder de finalização para deixar o ataque menos “arame liso” – cerca, mas não fura – em jogos grandes ou confrontos mais parelhos.  Vinícius Júnior pode até vir a ser este atacante rápido, criativo e com boa finalização, mas é injusto cobrar de um menino de 17 anos, já negociado com o Real Madrid, que seja o pilar ofensivo de um time grande recheado de jogadores experientes e rodados.

O ambiente acaba se tornando um tanto permissivo e morno. Uma falsa sensação de estabilidade, sem grandes cobranças. Talvez por não ter entregado o seu melhor, a direção não se sinta confortável para exigir. Mesmo com salários em dia e melhor estrutura no CT. Vez ou outra ecoa uma voz dissonante, como Juan ou Everton Ribeiro, que na saída de campo no Couto Pereira reclamou que “todo jogo é assim”.

Rueda tem perfil mais administrador, não de ruptura, criativo, ousado para encontrar saídas. A impressão é de que vai tentar o título da Sul-Americana, mas já pensa em reestruturar o elenco para 2018 dentro do que pensa sobre futebol. A dúvida é se será suficiente. Nas coletivas diz não conseguir encontrar explicações para o mau momento. Será que enxerga?

Por tudo isso o Flamengo vive essa lenta agonia em 2017. Ainda com chances de conseguir pelo Brasileiro a vaga nas fases preliminares na Libertadores – insatisfatório diante de tanto investimento. Vivo na semifinal do torneio continental contra o Junior Barranquilla.

Mas que não desperta confiança. Porque os jogadores não combinam e parecem cansados fisicamente e sem força mental para buscar algo que não veio durante toda a temporada. Restam a frustração e a revolta da maior torcida do país. Um desperdício.

(Estatísticas: Footstats)

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Corinthians, hepta de 1990 a 2017. Um título a cada quatro anos não é acaso http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/15/corinthians-hepta-de-1990-a-2017-um-titulo-a-cada-quatro-anos-nao-e-acaso/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/15/corinthians-hepta-de-1990-a-2017-um-titulo-a-cada-quatro-anos-nao-e-acaso/#comments Thu, 16 Nov 2017 01:32:22 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3698 Heptacampeão brasileiro. Maior vencedor de 1971 para cá. Ou desde 1990, na conquista do time de Nelsinho Baptista e Neto. Passando pelo bi de 1998/1999 com a equipe de Vanderlei Luxemburgo herdada por Oswaldo de Oliveira. O tetra com Tevez, Mascherano, Nilmar, Roger e Antonio Lopes recebendo o time de Marcio Bittencourt em 2005. Depois a “Era Tite”, começando em 2011 mais pragmático, quatro anos depois com criatividade e um futebol mais envolvente.

A conquista do time de Fabio Carille pode ser incluída neste período, já que o ex-auxiliar seguiu princípios de jogo e de gestão de elenco do atual treinador da seleção brasileira. Mais ou menos como Oswaldo de Oliveira e Luxemburgo há 19 anos.

A primeira vez que a CBF foi buscar no clube o melhor treinador do país. Depois de Luxa, Parreira em 2003 pela relação sempre próxima do campeão mundial de 1994 com a entidade, mas também pela temporada vencedora no ano anterior – campeão do Rio-São Paulo, Copa do Brasil e vice brasileiro. Mano Menezes em 2010 pelas conquistas de Paulista e Copa do Brasil. Por último, Adenor Leonardo Bacchi. Com dois anos de atraso, perdidos com Dunga.

Não é por acaso. Se fora de campo a gestão nunca foi exemplar, mesmo com sonhos realizados como o CT Joaquim Grava e o estádio próprio em Itaquera, dentro de campo o Corinthians teve excelência. Em técnica e tática.

Desde 2008, com Mano a partir do inferno na Série B, construiu uma identidade. Coisa rara no país. Baseada em organização defensiva, intensidade, concentração e mentalidade vencedora. O ápice em 2012 com Tite e o sonhado título da Libertadores e o último Mundial Interclubes conquistado por um sul-americano. Os dois comandantes se revezaram até Tite deixar o clube para investir no sonho de dirigir a seleção.

Um hiato com Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira, retomada da linha de trabalho e de conduta com Carille. Do turno invicto e quase perfeito com 82% de aproveitamento, a queda brusca a partir da vigésima rodada e a confirmação da conquista na reta final. Com três rodadas de antecedência, desde a quinta no topo da tabela. Líder por 30 rodadas, ilustrando a superioridade durante todo o campeonato. Se os concorrentes priorizaram outras competições, que aplaudam o vencedor.

Nos últimos quatro triunfos para o título, a vantagem mínima em três partidas para agradar o “maloqueiro sofredor”. Sem brilho, mas com fibra. E a confiança de quem venceu tanto recentemente e confia em sua ideia de jogo. Mesmo recheada com muito pragmatismo na reta final.

Contra o Fluminense, a primeira virada, a mais importante. Em casa, para celebrar com sua gente.

Susto com Henrique abrindo o placar no primeiro ataque tricolor, gols de Jô para consagrar o artilheiro do campeonato com 18 gols e o grande protagonista na campanha inteira. Sustentando o ataque e o time quando a defesa vacilou, Rodriguinho oscilou, Romero cansou, Jadson e Maycon despencaram em desempenho e perderam espaços para Clayson e Camacho. Mas o camisa dez ressurgiu para marcar o gol dos 3 a 1.

Apesar da campanha de extremos, foi o melhor pelos gramados do país na principal competição nacional. Mais uma vez. Com uma maneira de jogar e levar a taça para casa. O sétimo título em 28 edições, um a cada quatro anos. Que sirva de exemplo para os demais. Até porque se continuarem dormindo, o domínio vira dinastia.

 

 

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Primeiro teste na Europa foi útil, mas não bom. Brasil titular foi lento http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/primeiro-teste-na-europa-foi-util-mas-nao-bom-brasil-titular-foi-lento/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/primeiro-teste-na-europa-foi-util-mas-nao-bom-brasil-titular-foi-lento/#comments Tue, 14 Nov 2017 22:24:26 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3696 Apesar da Inglaterra desfigurada com sete desfalques, o teste para a seleção de Tite foi útil pelo enfrentamento com uma seleção europeia. Mais ainda por encarar uma linha de cinco defensores, negando espaços para infiltrações pelo meio ou nas diagonais.

Mas não foi bom. O time considerado ideal e titular esbarrou na própria lentidão em Wembley. Não por falta de velocidade dos jogadores, mas da circulação da bola. Muito pelo comportamento dos jogadores, especialmente Neymar.

Quando Tite montou o trio ofensivo, pensou em Philippe Coutinho como articulador partindo do lado direito para circular às costas dos volantes e Neymar saindo da esquerda e infiltrando em diagonal para servir os companheiros ou finalizar. Como um atacante letal e vertical. Como era no Barcelona.

Mas agora, no PSG, Neymar é muito mais este ponta armador, conduzindo a bola para acionar Cavani e Mbappé. O problema de levar este comportamento para a seleção é que Coutinho, Neymar e Renato Augusto procuram a bola para o toque curto ou conduzir. Apenas Paulinho tenta infiltrar.

Para complicar, Daniel Alves e Marcelo, bloqueados pelos alas Walker e Bertrand, não buscavam o fundo. E Gabriel Jesus, atuando mais como pivô no Manchester City, também recuava para fazer a parede e não se deslocava para receber em velocidade. Até porque o trio de zagueiros Gomes, Stones e Maguire não deixava espaços às costas.

Por isso um primeiro tempo insosso. Também porque Marquinhos e Miranda, com o auxílio de Casemiro, controlou bem as investidas rápidas de Vardy e Rashford, o único a finalizar para a defesa de Alisson.

Melhorou na segunda etapa porque Neymar passou a guardar um pouco mais a posição pela esquerda. Mas ainda mais armador que atacante. De seus pés saíram os passes para Jesus que Coutinho, na sequência, concluiu sobre Hart, e Paulinho. As únicas jogadas em profundidade para finalização. Pouco.

Melhorou um pouco com Willian, Fernandinho e Roberto Firmino nas vagas de Coutinho, Renato Augusto – ainda o mais inteligente meio-campista, mas jogando uma rotação abaixo dos demais – e Jesus. Porque com Willian aberto à direita, Neymar ganhou espaço para articular por dentro. Firmino, inteligente, foi buscar a brecha deixada à esquerda. Faltou a jogada precisa, assistência e finalização para sair do empate sem gols.

Amistoso é para isso: observar e testar. O resultado é secundário. Tite viu o que não funcionou no teste tão esperado e vai levar as reflexões para as férias. Talvez mexa no time base para a volta em março. O certo é que vai precisar mudar a dinâmica. Porque a ideia inicial de trabalhar com seus jogadores como eles atuam em seus clubes não está mais casando as características.

A seleção ficou mais lenta, ou menos rápida. No futebol de mais alto nível entre as seleções vai sofrer.

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Ventura? Itália brinca com a sorte e pune geração nem tão fraca assim http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/ventura-italia-brinca-com-a-sorte-e-pune-geracao-nem-tao-fraca-assim/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/14/ventura-italia-brinca-com-a-sorte-e-pune-geracao-nem-tao-fraca-assim/#comments Tue, 14 Nov 2017 11:44:35 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3693

Foto: Divulgação/FIGC

A Itália não tem uma geração talentosa para duelar com a renovada Espanha por uma vaga na Copa do Mundo. Mas não precisava de tanto assim para superar uma Suécia sem Ibrahimovic na repescagem das eliminatórias.

Buffon na meta, uma defesa experiente, Jorginho e Verratti no meio-campo e bons nomes como Bernardeschi, Belotti e Insigne na frente. Mais que suficiente para colocar a Azzurra em mais uma Copa do Mundo. O que aconteceria na sequência dependeria do sorteio e de como a seleção chegaria à Rússia.

Em 2010 chegou na África do Sul em crise. No Brasil em 2014, o calor e o grupo complicado, com a surpreendente Costa Rica terminando na liderança, frustraram os planos.

Mas há uma referência mais recente que mostra que a crise não deveria ser tão feia: a Eurocopa 2016. Da grande atuação contra a então envelhecida Espanha e do belo duelo tático contra a Alemanha nas quartas-de-final. Perdendo apenas nos pênaltis para a atual campeã mundial. Há pouco mais de um ano, com praticamente os mesmos jogadores. E Antonio Conte no comando técnico.

Eis o ponto de desequilíbrio. Ainda que a saída do treinador para o Chelsea tenha sido traumática, a escolha do sucessor não podia ter sido tão aleatória. Giampiero Ventura, aos 69 anos, assumiu a seleção quatro vezes campeã mundial com a seguinte sequências de times no currículo nos últimos dez anos: Verona, Pisa, Bari e Torino.

Com todo respeito que essas equipes merecem, principalmente a história do clube de Turim, é muito pouco para o peso do cargo. Ainda que se compreenda a lógica diferente na Europa, na qual os melhores treinadores trabalham em clubes e não nas seleções, a federação italiana foi, no mínimo, infeliz. Com um Maurizio Sarri ali tão perto…

O resultado prático foi uma seleção armada num 4-4-2 com jeito de 4-2-4, com o meio-campo esvaziado logo diante da Espanha de Busquets, Isco, Iniesta, David Silva.. Se não há tantas opções de qualidade é obrigatório fazer o simples: organização e eficiência nas transições, defensivas e ofensivas. O que a Itália ensinou para o mundo e virou sua marca, até um clichê para falar do futebol praticado no país. Difícil entender.

Na decisão contra a Suécia no San Siro, a escolha de Immobile, um atacante de velocidade que precisa de espaço para receber às costas da retaguarda, para enfrentar uma equipe com sistema defensivo posicionado na maior parte do tempo para administrar a vantagem mínima construída no jogo de ida. Nos minutos finais, a imagem patética do volante De Rossi apontando para Insigne, talvez o mais talentoso atacante, como o jogador que deveria entrar e não ele. Apenas mostrando o óbvio.

É claro que, ainda assim, era possível fazer dois gols nos suecos em Milão e ao menos garantir o básico. Mas a Itália brincou com a sorte ao escolher Ventura. Agora paga com as lágrimas de Buffon, que não merecia se aposentar com tamanha decepção, e um dos grandes vexames de sua história. Repetindo o insucesso de 1957 ao perder a vaga para o Mundial da Suécia para a Irlanda do Norte e superando o papelão da constrangedora eliminação para a Coréia do Norte na Copa de 1966.

Vão falar em “geração fraca”, crise no Calcio e outras teses apocalípticas. Mas a liga, apesar do domínio da Juventus, tem mostrado evolução no futebol jogado, não só por causa dos estrangeiros. Basta ver o Napoli para notar que os conceitos mais atuais do jogo estão presentes. O erro maior foi a falta de cuidado e respeito com a própria história na hora de definir quem lideraria um dos maiores patrimônios do futebol mundial à beira do campo. Pecado mortal.

 

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A desonestidade de tirar os méritos de Dorival na recuperação do São Paulo http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/13/a-desonestidade-de-tirar-os-meritos-de-dorival-na-recuperacao-do-sao-paulo/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/13/a-desonestidade-de-tirar-os-meritos-de-dorival-na-recuperacao-do-sao-paulo/#comments Mon, 13 Nov 2017 07:57:13 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3689

No Brasil é muito comum dar méritos na vitória e atribuir a culpa em um revés a apenas um personagem, sem considerar o todo. No futebol, o esporte dos elos fracos e fortes, das falhas e lampejos que podem decidir jogos e campeonatos, mais ainda.

Na seleção brasileira atual, todos os méritos são de Tite. Ainda mais para aqueles que rotularam a geração de jogadores como fraca sem perceber que ela era apenas mal treinada. Assim como transferiram para o treinador até os louros do ouro olímpico no Rio de Janeiro por uma suposta interferência no trabalho de Rogério Micale. Uma falácia já rechaçada pelo próprio Tite, simplesmente por ser absurda. Ninguém arma ou arruma uma equipe numa conversa. Sem contar que Micale usou Neymar por dentro no ataque canarinho e o treinador da principal prefere utilizá-lo partindo do lado esquerdo.

Impossível não lembrar do Flamengo campeão brasileiro de 2009. O “time de Petkovic e Adriano”. Imagem reforçada pelo fracasso de Andrade na carreira de técnico de futebol. Mas é inegável que ali havia um sistema tático e uma maneira de jogar que privilegiava o talento da dupla que desequilibrou na reta final daquela competição. Se fosse apenas pelas individualidades, o Fla que teve a dupla e mais Edilson, Alex, Denilson e Gamarra em 2000 teria obrigatoriamente que conquistar todos os títulos possíveis naquele ano. Não foi o caso.

Agora é o São Paulo. De Hernanes e do apoio da torcida apaixonada. No grito e no talento. Para os mais radicais, apesar de Dorival Júnior.

Uma desonestidade, pois se o tricolor do Morumbi acumula cinco jogos sem derrota – três vitórias e dois empates – e, com nove pontos de vantagem sobre o 17º colocado Sport faltando quatro rodadas, pode dizer que está livre da ameaça de rebaixamento, há muito do trabalho do comando técnico.

Porque apoio da torcida existia com Rogério Ceni. Talvez até maior do que agora no que se refere à paixão, pois ela era multiplicada por ter o maior ídolo do clube à beira do campo. Várias vezes o Morumbi esteve lotado. No Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana e no início do Brasileiro.

Mas o time não se acertou, também pela inexperiência de Ceni, que deixou o clube eliminado em todas as competições de mata-mata e em 17º no Brasileiro, no Z-4. E aí entra o orgulho de boa parte de torcedores e da mídia ligada ao São Paulo em não admitir o fracasso. Muitos bancaram o sucesso do treinador pelo pensamento mágico de achar que um profissional que é bom em uma função pode ser competente em todas.

Não aconteceu e então agora é mais fácil creditar o desempenho em campo na conta das contratações de última hora, especialmente Hernanes. Não há a mínima dúvida de que os nove gols e as três assistências, além dos 24 passes para finalizações em 18 partidas contribuíram, e muito, para o crescimento da equipe.

Mas olhar para o desempenho individual desconsiderando o coletivo é um dos grandes equívocos do jeito brasileiro de ver futebol. Porque Hernanes é um meio-campista, não um Neymar que no Santos era acionado toda hora, ou precisava vir na intemediária para criar toda a jogada no talento para definir. Aliás, o time que precisou menos de seu poder de decisão foi exatamente o comandado por Dorival.

Talvez a resistência ao treinador seja pelo jeito sério, sem o carisma de outros personagens do nosso futebol. Ou pelo passado mais ligado ao Santos e ao Pakmeiras; por não ter o currículo recheado de conquistas de peso apesar dos bons trabalhos na maioria das equipes que comandou. Quem sabe por algumas escolhas infelizes ao longo da carreira que culminaram no rebaixamento ou em um enorme risco?

A recuperação nas últimas rodadas salvou São Paulo e Dorival do sofrimento. A rigor, o 4-1-4-1 tricolor que deu liga depende muito mais de Cueva do que de Hernanes. O time sentiu muito a falta do peruano, à serviço de sua seleção na repescagem das eliminatórias, nos empates com Chapecoense e Vasco. Pela movimentação às costas dos volantes adversários como ponta articulador que sai da direita para criar as jogadas. Gera também espaços para os companheiros, inclusive o camisa 15.

Dos nove gols marcados, cinco foram na bola parada – três de pênalti e dois de falta. Ou seja, o São Paulo não vive dos lampejos de Hernanes, da jogada iniciada e finalizada pelo meio-campista. É uma equipe que ganhou mais segurança defensiva e trabalha a bola a ponto de proporcionar momentos de espetáculo, com ações ofensivas bem coordenadas. E aí o meia de 32 anos se destaca.

A equipe evoluiu às duras penas dentro de um ambiente político conturbado, de um elenco desigual e muito mexido ao longo da temporada, com a confiança abalada pela temporada ruim. Não é justo atribuir o insucesso de Ceni a este cenário e não reconhecer o valor do trabalho do atual treinador no mesmo contexto. Houve uma melhora de desempenho com a troca de técnico. Na experiência e nas ideias mais claras com métodos para aplicá-las no campo. Só não vê quem não quer.

Fica a dica para as “viúvas” de Rogério, que vai seguir sua vida no novo ofício em Fortaleza: aceitar sempre dói menos.

(Estatísticas: Footstats)

 

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Palmeiras sobra contra o Flamengo da cultura da derrota em São Paulo http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/12/palmeiras-sobra-contra-o-flamengo-da-cultura-da-derrota-em-sao-paulo/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/12/palmeiras-sobra-contra-o-flamengo-da-cultura-da-derrota-em-sao-paulo/#comments Sun, 12 Nov 2017 20:56:08 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3684 Os gols de Deyverson no Allianz Parque redimem o Palmeiras das duas derrotas e dois empates que transformaram a chance de ser líder do Brasileiro na volta à luta por uma vaga no G-4. Placar de 2 a 0 construído no primeiro tempo com imposição natural do time mandante. Mesmo com protestos da torcida e utilizando Felipe Melo e Michel Bastos voltando à equipe, sem o ritmo de competição ideal.

Mais uma visita frustrada do Flamengo a São Paulo. Capital, Santos e Campinas. Quatro derrotas e um empate. Contra o lider Corinthians, que teve um gol absurdamente anulado de Jô, mas abdicou do jogo no segundo tempo. E mesmo dominando, os rubro-negros não conseguiram sair com a vitória. Ao menos encerrando uma sequência de derrotas na casa do adversário que poderia ter chegado a meia dúzia.

Incluindo os 4 a 0 em 2016, o único revés na casa dos paulistas. Mas triunfo apenas sobre a Ponte Preta na estreia de Zé Ricardo por 2 a 1. Mais empates contra São Paulo, Santos e Palmeiras. Este último num confronto direto pela liderança que escapou das mãos do Fla no gol de Gabriel Jesus.

Porque sempre parece faltar algo a este time em jogos grandes, importantes. Com exceção, claro, dos clássicos cariocas. Aí sim vemos o inconformismo, a indignação com a derrota. Mesmo considerando o ambiente favorável no Maracanã é muito pouco.

Reinaldo Rueda chegou falando em desenvolver uma mentalidade vencedora. Já reparou que o time “guerreia pouco” nos jogos. Ainda que a Copa Sul-Americana tenha se tornado uma prioridade, a campanha no Brasileiro é decepcionante. Pelos resultados, mas, principalmente, pelo comportamento. A torcida, por mais que se esforce, não consegue se identificar com a equipe. Fica esperançosa contra Flu, Bota e Vasco e depois volta à decepção. Um marasmo.

A rodada começou positiva para o Fla com a derrota do Botafogo para o Atlético Paranaense. O time carioca, porém, não se ajudou. Mais uma vez.

Muito pelos méritos palmeirenses. Com mais cuidados defensivos e o volume de jogo que ganhou com a chegada de Alberto Valentim. Foram 11 finalizações, mesmo número do oponente. Mas sete no alvo, contra apenas uma do ataque “arame liso” do Fla. A posse só igualada no final pelo domínio estéril do adversário. 22 desarmes certos contra 13. Pelo menos mais quatro oportunidades além das finalizações que venceram Diego Alves.

É mais um que sobra se aproveitando da cultura da derrota do Flamengo quando vai a São Paulo.

(Estatísticas: Footstats)

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O “jogo para ganhar” do Corinthians. Falta pouco para o grito de alívio http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/11/o-jogo-para-ganhar-do-corinthians-falta-pouco-para-o-grito-de-alivio/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/11/o-jogo-para-ganhar-do-corinthians-falta-pouco-para-o-grito-de-alivio/#comments Sat, 11 Nov 2017 23:19:30 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3681 De novo o Corinthians sofreu com a posse de bola, que rondou quase sempre os 60%, e a responsabilidade de criar espaços jogando como favorito. Depois de duas vitórias sendo atacado, sem obrigação de protagonismo.

Terminou com 33 cruzamentos, 25 no primeiro tempo. Só não chegou aos 50 porque o de Guilherme Arana aos cinco minutos da segunda etapa encontrou as redes de Douglas depois de esbarrar no peito de Kazim. Substituto de Jô, suspenso pelo STJD. Na meta, o terceiro goleiro Caíque para suprir a ausência do titular Cássio, na seleção, e do lesionado Walter, heroi na Arena da Baixada contra o Atlético Paranaense.

Pelo contexto e por conta do cenário desconfortável é aceitável que o time de Fabio Carille assuma o pragmatismo e a praga do “jogo para ganhar”. Ou seja, o foco no resultado maior que no desempenho. Porque depois de um turno de sonho e um returno pífio com duas vitórias redentoras o foco precisa ser a confirmação do título.

Mesmo que a equipe com Romero e Clayson nas pontas não consiga ser criativa e precise de um Jadson vindo do banco e em má fase para acrescentar uma chama criativa no lugar de Camacho. Embora nem tenha tido tempo de acrescentar algo até o gol salvador.

Com o terceiro goleiro, ao menos a concentração defensiva, especialmente dos homens da última linha, foi alta e a equipe sofreu poucos sustos de um Avaí vivendo de contragolpes esporádicos e tentando algo na bola parada do veterano Marquinhos.

No final, os gritos de “É campeão!” para o hepta que se aproxima e nada parece ser capaz de detê-lo. Mesmo com o anticlímax de atuações fracas na reta final. Porque pela vantagem construída e o misto de desinteresse e incompetência dos concorrentes o título virou obrigação.

Agora é contagem regressiva para a matemática concretizar o que parecia tão certo há tempos, despertou dúvidas e na base do futebol de resultados se aproxima. Não precisava ser assim, mas dá para entender.

Falta pouco para o grito de alegria. Ou de alívio.

(Estatísticas: Footstats)

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Com Willian, Brasil ganha cara de Real Madrid de Ancelotti. Neymar é CR7 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/10/com-willian-brasil-ganha-cara-de-real-madrid-de-ancelotti-neymar-e-cr7/ http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/2017/11/10/com-willian-brasil-ganha-cara-de-real-madrid-de-ancelotti-neymar-e-cr7/#comments Fri, 10 Nov 2017 14:00:00 +0000 http://andrerocha.blogosfera.uol.com.br/?p=3676 O gol de Neymar na cobrança de pênalti sobre Fernandinho com ajuda do árbitro de vídeo (VAR) logo aos oito minutos descomplicou um início com Japão pressionando e tirando espaços de uma seleção com natural desentrosamento pelas seis mudanças em relação à base titular.

Mas o amistoso em Lille – sem estádio lotado por conta dos ingressos caros – teve sua utilidade exatamente porque a falta de tempo até o Mundial da Rússia faz com que Tite não trate como mais um compromisso e aproveite cada oportunidade de reunir os jogadores para fazer observações e experiências.

No primeiro tempo ficou bem claro que a equipe com Willian, que tem mais perfil de ponteiro que Philippe Coutinho, ganha uma cara mais de 4-3-3 do que 4-1-4-1. Em vários momentos foi possível notar os três atacantes bem adiantados em relação aos meio-campistas. Com uma variação: exatamente o recuo de Willian pela direita formando uma segunda linha de quatro.

Fernandinho, escalado na vaga e na função de Renato Augusto, trabalhou sem bola como uma espécie de “guardião” de Marcelo, abrindo pela esquerda para fechar os espaços e liberar Neymar, cada vez mais atacante em dupla com Gabriel Jesus. Ainda assim nervoso, perdendo a segunda cobrança de pênalti e levando um amarelo desnecessário em nova intevenção do VAR.

Em 2014, o ano “sabático” de estudos, Tite foi a Madri acompanhar o Real do amigo Carlo Ancelotti. Campeão da Liga dos Campeões daquela temporada. Time montado num 4-3-3 que variava para o 4-4-2 com Bale voltando pela direita, Di María no meio abrindo pela esquerda para ajudar Marcelo e dar liberdade a Cristiano Ronaldo.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Na cabeça de Tite, Neymar é Cristiano Ronaldo. O talento desequilibrante. Sem comparações, obviamente. Apenas o posicionamento mais solto e a importância para o time.

Os 3 a 1 valeram para rodar o time, ver que a disputa pela última vaga na defesa está aberta com a atuação hesitante de Jemerson, que falhou no gol de Makino. Também que a equipe muito mexida, com Diego Souza, Alex Sandro, Renato Augusto, Taison e Douglas Costa, sofreu na segunda metade do segundo tempo para conter os ataques japoneses.

Principalmente pelo terceiro gol, de Gabriel Jesus em bela trama coletiva. Desde a pressão na perda da bola no lado esquerdo até a inversão, a ultrapassagem de Danilo e a assistência do lateral do Manchester City que vai ganhando de Fagner a vaga na reserva de Daniel Alves.

O golaço de Marcelo usando o pé direito num petardo também foi válido para o lateral do Real Madrid, tão criticado, recuperar confiança e mostrar que os problemas do clube não o abalam com a camisa verde e amarela. Melhor assim.

Contra a Inglaterra, Tite deve escalar todos os titulares para um teste de peso. Mesmo com as muitas baixas do adversário é a primeira chance de enfrentar a escola europeia. Com o retorno de Coutinho a dinâmica ofensiva muda. Vejamos se Tite revela alguma surpresa. Quem sabe com o meia do Liverpool mais por dentro, como Isco no time atual do Real Madrid, comandado por Zidane?

Se assim for, Neymar continuará sendo o CR7 da seleção.

 

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