Blog do André Rocha

Arquivo : aguero

City vence, mas ideias confusas de Guardiola sacrificam Gabriel Jesus
Comentários Comente

André Rocha

Gabriel Jesus apareceu mais no primeiro tempo da estreia do Manchester City no Campeonato Inglês, fora de casa contra o Brighton, de volta à primeira divisão inglesa depois de 34 anos. Deu lençol, tocou a mão na bola em gol bem anulado que lhe rendeu um amarelo injusto. Depois não testou firme e permitiu bela defesa do goleiro Ryan completando cruzamento de Kun Aguero.

Na segunda etapa, só foi notado ao disputar com o zagueiro Dunk, que acabou marcando gol contra em um golpe de cabeça mais que estranho. O segundo gol, já que o primeiro foi de Aguero no primeiro contragolpe cedido pelo time da casa enquanto a partida estava empatada.

Assim como o Barcelona de Guayaquil na quarta feira contra o Palmeiras no Allianz Parque, o Brighton pagou por se empolgar com a atuação medíocre do adversário favorito, avançar suas linhas e ceder espaços entre as linhas.

Porque diante do 4-4-2 compacto armado pelo treinador Chris Hughton, que recuava os “wingers” como laterais e formava uma última linha defensiva com seis homens foi difícil entender a proposta de Pep Guardiola. Mandou a campo um 3-3-2-2, com Danilo improvisado na ala esquerda e Gabriel Jesus fazendo dupla de ataque com Aguero.

O resultado prática na maior parte do tempo foi uma posse de bola acima de 70%, porém estéril. Walker e Danilo bem abertos, David Silva e Kevin De Bruyne sacrificados na articulação, precisando de muita movimentação para dar opções de passe aos zagueiros Kompany, Stones e Otamendi e a Fernandinho, o único volante. Os que mais tocavam na bola.

O goleiro brasileiro Ederson assistiu ao jogo no primeiro tempo e teve um pouco mais trabalho depois do intervalo. Acabou falhando na saída da meta e foi apenas correto no trabalho com os pés. Vale observar a evolução na sequência da temporada.

Aguero e Jesus tentavam alternar na mobilidade e no trabalho de referência na frente, mas participavam pouco na zona de decisão porque os citizens tocavam, tocavam…até Danilo, isolado pela esquerda, cortar para o pé direito e jogar na área ou Walker buscar a linha de fundo. Ou as bolas frontais levantadas por De Bruyne, a maioria inócuas.

Contraproducente. Ainda que todos os princípios de jogo do treinador catalão estivessem lá. Difícil entender, ainda mais com Bernardo e Sané no banco de reservas. Aguero acabou se saindo melhor. Já Gabriel Jesus, mesmo finalizando quatro vezes, taticamente foi sacrificado, subaproveitado. Atuação apenas razoável. Não por sua culpa.

Guardiola segue indecifrável. Ao menos o seu City, na loucura que está sendo a primeira rodada da Premier League, conseguiu a vitória. Mas é preciso clarear as ideias na intenção de adaptar seu estilo ao futebol jogado na Inglaterra. O primeiro ato, apesar dos 2 a 0, pareceu bem confuso.


De Conte para Guardiola, mais uma aula de Premier League
Comentários Comente

André Rocha

Primeiro tempo de eficiência do Chelsea na frente com Hazard, mas problemas pela direita com Sané ganhando na velocidade de Zouma às costas de Azpilicueta, de volta à lateral direita (Tactical Pad).

O Stamford Bridge não viu uma grande atuação técnica ou arrasadora nos contragolpes como as que o Chelsea protagonizou para construir sua liderança absoluta no Campeonato Inglês.

Mas foi mais uma aula de Premier League que Antonio Conte, em sua primeira temporada, concede ao colega, também “debutante”, Pep Guardiola.

A palavra é eficiência. Mesma virtude dos 3 a 1 no Etihad Stadium, o triunfo que consolidou o time londrino como favorito ao título. Os Blues tiveram 40% de posse, finalizaram 10 vezes. Quatro no alvo. Três terminaram em gols. O primeiro de Hazard, em chute que desviou em Kompany e Caballero aceitou. No segundo do craque belga, a cobrança do pênalti – tolo, de Fernandinho em Pedro – que o goleiro argentino deu rebote e o próprio camisa dez aproveitou.

Outra lição é a de leitura de jogo para mexer no time, mesmo vencendo e não sendo a prática habitual do técnico que menos faz substituições na liga. Como Zouma sofria para conter a velocidade de Sané, Conte voltou Azpilicueta para sua função de zagueiro e recuou Pedro como ala. O zagueiro francês deu lugar a Matic, que foi preencher o meio com Kanté e Fábregas, que abria à direita apenas para conter os avanços esporádicos de Clichy.

Enquanto isso, Guardiola apostou na sua ideia de controlar a bola, trocar passes, buscar superioridade numérica no meio. Sem o passe vertical, porém. Finalizou 17 vezes, sete na direção da meta de Courtois. Mas, a rigor, chances reais foram apenas quatro: o gol de Kun Aguero no rebote do chute de David Silva em falha de Courtois na saída de bola; a infiltração de Sané às costas de Zouma que certamente influenciou a mexida de Conte na volta do intervalo.

Na segunda etapa, toques e mais toques dos citizens rondando a área. Mesmo sem criatividade e perspectivas de reação, só fez a primeira substituição aos 34 minutos da segunda etapa – Sterling na vaga do decepcionante De Bruyne. E oportunidades claras só nos acréscimos, com Aguero e o incrível gol perdido de Stones.

Muito pouco para quem ocupou o campo de ataque. Porque o controle do jogo foi do Chelsea, mesmo sem a bola. A última linha bem posicionada com um David Luiz mais uma vez chamando a atenção, paradoxalmente, pela discrição. Pouco aparece, para o bem e para o mal. Joga simples, como nunca.

A troca de Zouma por Matic devolveu Azpilicueta à zaga para cobrir Pedro contra Sané e preencher mais o meio com Fabregas fechando o centro e abrir eventualmente para cobrir os avanços esporádicos de Clichy. O s Blues controlaram o jogo sem a bola e Guardiola só mexeu no time no final (Tactical Pad).

O Chelsea não dá espetáculo e desta vez pouco acionou o pivô e artilheiro Diego Costa. Deixou o domínio, ainda que inócuo, para o adversário e foi pragmático para vencer, não permitir a aproximação do Tottenham depois da derrota na última rodada para o Crystal Palace em casa. A vantagem no topo da tabela segue nos sete pontos.

Pep Guardiola volta para Manchester com muito para pensar. Parece claro que não confia no elenco do City – a ponto de improvisar Jesús Navas na ala direita e deixar Zabaleta mofando no banco. Na próxima temporada, além da reformulação no grupo de jogadores, valem as lições de Conte: na “loucura” da Premier League, quando ataca é preciso ir às redes e no trabalho defensivo precisa controlar e negar espaços na zona de decisão.

O italiano aprendeu bem rápido. Ou já chegou pronto para dominar a liga.

(Estatísticas: BBC)

 

 


City 5×3 Monaco – O melhor da Premier League na Liga dos Campeões
Comentários Comente

André Rocha

Intensidade máxima, perde e pressiona, ritmo alucinante, transições ultrarápidas, reviravoltas na disputa e no placar. Jogaço imprevisível. O que se viu no Etihad Stadium foi o melhor que há na liga nacional mais competitiva do mundo dentro do maior torneio de clubes do planeta.

Méritos do Monaco de Leonardo Jardim. Time corajoso, organizado num 4-4-2 e que nunca abdicou do ataque. Nem quando o placar era favorável e a classificação mais próxima. Quando Falcao García compensou o pênalti perdido com golaço de cobertura. O segundo do colombiano na partida.

Monaco também do ótimo português Bernardo Silva, meia organizador canhoto aberto à direita e do incrível Kylian Mbappé, atacante rápido, vertical e técnico. O brasileiro Fabinho, lateral direito atuando no meio, colaborando na organização e também chegando na frente.

Só não resistiu ao volume de jogo do Manchester City, especialmente na segunda etapa. Com Sané imparável, seja buscando o fundo ou infiltrando em diagonal. O meio com Yaya Touré, De Bruyne e Silva com muita técnica e entrega e Aguero lembrando a todos por que é o maior artilheiro da história dos citizens e não o reserva de Gabriel Jesus.

Sim, o primeiro em um frango de Subasic. Mas o que empatou em 3 a 3 e pavimentou o caminho para a virada foi uma finalização espetacular de primeira completando escanteio. Ainda serviu Sané no quinto e último, depois do gol de Stones aproveitando o grande pecado francês na partida: o jogo aéreo defensivo deixou muito a desejar.

Simbólica a atuação do City combinando a posse de 62% com uma verticalidade que Guardiola não reproduziu sequer no Bayern de Munique, de cultura semelhante à inglesa. Repete a pressão no campo de ataque dos tempos de Barcelona, gosta da bola, mas ataca em ritmo alucinante, ainda que perca a posse defensiva e controle do jogo. E não se importa em jogar a bola na área quando necessário.

Deu certo na ida nas oitavas e os dois gols de vantagem são fundamentais. Só não garantem nada porque o Monaco é o ataque mais efetivo da Europa e também sabe ser forte, intenso e sufocante. Devemos ter mais um jogaço na França.

(Estatísticas: UEFA)


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>