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Com Douglas Costa, Tite projeta uma seleção mais ofensiva
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André Rocha

O gol aos 11 segundos de Diego Souza em bola roubada no campo de ataque condicionou toda a sequência do amistoso em Melbourne. Não virou goleada ainda no primeiro tempo pelo natural desentrosamento de uma seleção brasileira muito modificada e também pelo trabalho de pressão no campo de ataque e compactação defensiva da Austrália.

De positivo, a paciência e a vontade de qualificar a saída de bola, mesmo com a pressão adversária. Por isso a opção por David Luiz à frente da defesa. Este e mais Thiago Silva e Rodrigo Caio tiveram desempenho correto e ainda apareceram na jogada aérea que terminou no segundo gol, de Thiago. Interessante para transferir ainda mais confiança para o zagueiro em seu processo de retorno à seleção.

Mas, pensando no futuro, valeu a observação da movimentação do trio de meias atrás de Diego Souza. Variação natural do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 quando Philippe Coutinho avançava, Paulinho ficava mais próximo a David Luiz. Giuliano e Douglas Costa pelos flancos, alternando o posicionamento em alguns momentos para atuar com os pés trocados – o canhoto à direita, o destro pela esquerda.

Infelizmente Coutinho e Douglas não renderam o esperado, nitidamente sentindo na parte física o fim de temporada europeia. Porque Tite pensa mais à frente em uma proposta ofensiva reunindo Coutinho, Douglas Costa, Neymar e Gabriel Jesus. Com trocas de posição, tabelas e triangulações. O primeiro ensaio com Douglas, disponível depois de cortes por lesões, teve alguns bons momentos. Merece uma experiência mais à frente.

Assim como Diego Souza novamente correspondeu e fica como uma alternativa para quando faltar Jesus ou Roberto Firmino. Tem personalidade e rende na função de pivô, ainda que não jogue assim no Sport. Ainda marcou o quarto gol, de cabeça. Willian e Taison entraram e foram os protagonistas da jogada do terceiro gol, marcado pelo ponteiro do Shakhtar Donetsk.

Com auxílio luxuoso de Paulinho, titular nas duas partidas por sua consistência. Em técnica e fisicamente. Com leitura de jogo para ser volante e meia. Meio-campista. Aposta de Tite que pode seguir como titular até mesmo nesta variação mais ofensiva no futuro. Hoje está à frente de Renato Augusto.

Apesar da vibração do treinador nos gols, os 4 a 0 têm o mesmo peso da derrota para a Argentina. Nenhum. Importante foi fazer observações e notar que o modelo de jogo está bem assimilado, mantendo a competitividade mesmo com tantas alterações. O trabalho caminha bem. Basta seguir como está: atento e inquieto.


Nova Argentina de Sampaoli, um ótimo teste. Resultado é o que menos importa
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Tite tinha dois problemas para o clássico sul-americano em Melbourne: a formação sem muito entrosamento em função da busca por novos testes e observações. Principalmente, a falta de parâmetros consistentes de observação para imaginar como viria a Argentina, agora comandada por Jorge Sampaoli.

E a albiceleste chegou bem diferente. Não só no sistema tático – um 3-4-3 com Di María bem espetado à esquerda e Messi e Dybala mais próximos de Higuaín – mas também na dinâmica, nos comportamentos, nas ideias de jogo.

O resultado foi uma disputa com altíssima intensidade: pressão sobre quem estava com a bola e muitos deslocamentos. Menos Messi, mantendo seu estilo de trotar em campo e só acelerar com a bola ou na possibilidade de recebê-la. Prejudica coletivamente, mas tem a peça capaz de desequilibrar.

O 3-4-3 de Sampaoli com intensidade e velocidade pela esquerda com Di María, mas ainda precisando aproveitar o melhor de Messi e Dybala e ajustar o posicionamento defensivo. Brasil com muitas mudanças, mas mantendo o 4-1-4-1 que se manteve competitivo, apesar do desempenho abaixo da média de Philippe Coutinho no primeiro tempo aberto à direita (Tactical Pad).

Até as muitas substituições – necessárias para fazer experiências, mas que descaracterizam o jogo em si – a partida foi equilibrada. A Argentina tinha Di María levando vantagem seguidamente sobre Fagner, que destoou e ainda tentou cavar pênalti de forma grotesca. O Brasil sempre rendia mais ofensivamente quando acelerava o passe e aproveitava um “ponto cego” das equipes de Sampaoli: os espaços entre os zagueiros abertos e os alas.

Philippe Coutinho teve duas boas oportunidades, mas novamente não se sentiu confortável pelo lado direito na execução do 4-1-4-1. Por isso a inversão com Willian na segunda etapa. Tite manteve a ideia de manter Renato Augusto mais recuado, defendendo e organizando, e Paulinho chegando mais à frente. A melhor chance, porém, foi no passe longo de Fernandinho e os chutes nas traves de Gabriel Jesus e Willian.

O amistoso foi decidido na bola parada, com Mercado. Mais uma arma dessa Argentina de Sampaoli que tende a crescer. Basta encaixar melhor Messi e Dybala na proposta de jogo. Questão de tempo.

Tempo também ótimo para Tite. Sem foco em resultados, até porque em um passado recente alimentou-se uma ilusão pelas vitórias em partidas sem valer três pontos. Importante foi observar a seleção se mantendo competitiva em alto nível, mesmo sem toda a defesa titular, Casemiro e Neymar. Thiago Silva teve boa atuação e Gabriel Jesus, mesmo apanhando bastante, retornou mantendo o nível de desempenho.

A perda da invencibilidade e dos 100% de aproveitamento é uma questão menor. O teste foi ótimo! Que contra a Austrália o treinador fique mais à vontade, sem a rivalidade continental para exigir um cuidado mínimo. Se a Argentina não tem margem de erro, o Brasil construiu um cenário para já pensar na Rússia.


Novo Palmeiras sofre com a bola parada: o jogo dentro do jogo
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André Rocha

O propósito maior do jogo na Arena Condá estava fora das quatro linhas e o simbolismo da partida tirou até o espírito de competição que surge naturalmente, mesmo em um amistoso. Felipe Melo ilustrou bem ao afirmar que perdeu a concentração ao ver uma criança chorando. Ainda mais ele, que esteve tão distante geograficamente da tragédia e todos os seus desdobramentos.

Mas de tudo que foi possível observar nos 2 a 2 entre Chapecoense e Palmeiras, além do novo time do clube catarinense jogando com fibra e entrega impressionantes e o potencial de Raphael Veiga e Vitinho, sem contar a afirmação da qualidade de Tchê Tchê no novo 4-1-4-1 palmeirense, chamou atenção o desempenho dos times na bola parada.

Mesmo descontando o fato do campeão brasileiro estar sem Mina e Vitor Hugo, sua zaga titular, e Eduardo Baptista ter pouquíssimo tempo de trabalho, saltou aos olhos as falhas defensivas. Não só nos gols de Douglas Grolli e Amaral, mas em praticamente todas as disputas pelo alto.

Compreensível também a ênfase da Chape nesta jogada. Afinal, com um time novo e, consequentemente desentrosado, este tipo de recurso seria uma arma interessante para Vágner Mancini.

Porque a bola parada é um jogo dentro do jogo de futebol. Tem outro posicionamento, outra dinâmica. A ponto dos treinadores tratarem como um quinto momento, além do defensivo, do ofensivo, da transição defensiva – o que você faz assim que perde a bola – e da transição ofensiva – a ação imediata assim que a recupera.

Jogada decisiva, cheia de detalhes. Capaz de igualar forças das equipes, até compensar desvantagem numérica. Depende mais de movimentos coordenados do que do talento do cobrador e dos companheiros na área para concluir.

Quantas finais ou disputas cercadas de expectativas entre times e seleções já foram dissecadas previamente com sistemas táticos, modelos de jogo, estatísticas dos jogadores e, no final, se resolveram numa bola parada? O Real Madrid de Sergio Ramos que o diga.

Eduardo Baptista é treinador detalhista, minucioso. Inclusive neste tipo de jogada. Certamente percebeu a deficiência e vai trabalhar para corrigi-la. Porque ela ajuda a derrubar treinador.

O problema crônico no Flamengo minou os trabalhos de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira em 2015. No ano passado, Roger Machado no Grêmio foi o caso mais marcante. Houve problema de gestão de vestiário, mas, no campo, os muitos gols sofridos em jogadas aéreas nas faltas laterais e escanteios empurraram o bom treinador para fora do comando técnico do time gaúcho.

Renato Gaúcho chegou, fez o simples e, com marcações individuais bem definidas, resolveu o problema. Como Cuca adotava a mesma prática no Palmeiras, com bola rolando ou parada, cabe a Eduardo Baptista perceber se os jogadores se adaptam melhor ao bloqueio por zona ou ao tradicional “cada um pega o seu”.

Há tempo para isso. O foco absoluto é na Libertadores, que começa em março. Até lá, com time completo, trabalho e conversa é possível acertar o Palmeiras em todos os detalhes para começar a competir em alto nível, fazendo jus ao poder de investimento do clube.


Mancuello alinha roteiro e personagens no Flamengo de Muricy
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Nos 45 minutos iniciais do primeiro amistoso do Flamengo na temporada, Muricy Ramalho já pôde perceber que para o modelo de jogo que pretende implantar e ensaiou nos treinamentos, algumas peças podem até atuar, mas não juntas.

Na formação inicial, reunir o estreante Willian Arão, Everton, Gabriel e Emerson no setor de criação é proibitivo. Porque falta o passe qualificado que mantém a posse de bola e as linhas adiantadas sem expor a defesa, além de acelerar nos últimos vinte metros e colocar Guerrero no jogo.

O primeiro Fla de Muricy só tinha pressa, desentrosamento…e erros técnicos. Muitos. O Ceará do técnico Lisca fechava duas linhas de quatro e acelerava com Guilherme Biteco acionando Siloé, o autor do primeiro gol em jogada pela direita.

Ceará de Lisca organizado em duas linhas de quatro com BIteco acionando Siloé e aproveitando a pressa e a desorganização do 4-3-3 do Flamengo.

Ceará de Lisca organizado em duas linhas de quatro com Biteco acionando Siloé e aproveitando a pressa e a desorganização do 4-3-3 do Flamengo (Tactical Pad).

Na segunda etapa, as muitas substituições que costumam descaracterizar as equipes e comprometer qualquer análise. Mas desta vez serviram para Muricy corrigir a rota. Principalmente alinhar roteiro e personagens no Castelão.

Com um protagonista: Mancuello é o jogador do meio-campo para circular a bola e acionar os atacantes no 4-3-3 planejado. Assessorado por Canteros e Jonas, depois Alan Patrick. Jogadores que passam mais e conduzem menos.

Demorou a acertar e Bill aproveitou para, impedido, ampliar num Ceará com onze trocas. Mas depois Mancuello entrou em ação. Lindo passe para Emerson no primeiro gol e acionando Chiquinho, que substituiu Jorge e serviu Cirino, que entrara na vaga de Gabriel e é o titular na cabeça de Muricy. O terceiro, depois do gol contra de Salazar em nova jogada de Sheik, acionado por Alan Patrick.

A virada não durou um minuto. Desatenção na comemoração do gol, empate do Ceará com Serginho em bela finalização, aproveitando Paulo Victor adiantado. A senha para os pênaltis que definiram a Taça Asa Branca para o campeão da Copa do Nordeste com a cobrança de Wallace que Douglas Dias defendeu e Guerrero acertando o travessão.

Bela festa no Ceará, lições para Muricy levar para domingo contra o Santa Cruz e, principalmente, para trabalhar no Ninho do Urubu. Se a ideia é ter a posse e jogar com linhas adiantadas, obrigatório tratar a bola com qualidade no meio-campo.

Por isso a contratação do colombiano Cuéllar, o volante para qualificar a saída da defesa. Por isso Mancuello, mesmo longe do melhor na condição física, já se mostrou fundamental. O plano para 2016 precisa passar pelo argentino.

Com qualidade no passe do meio-campo, especialmente de Mancuello, e Cirino se juntando a Guerrero e Emerson na frente, o Flamengo melhorou a produção e chegou a virar o jogo no Castelão.  (Tactical Pad).

Com qualidade no passe a partir do meio-campo, especialmente de Mancuello, e Cirino se juntando a Guerrero e Emerson na frente, o Flamengo melhorou a produção e chegou a virar o jogo no Castelão. (Tactical Pad).


Primeiro Cruzeiro de Deivid tenta ser mais móvel e rápido que o de Mano
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André Rocha

Foi o teste inicial, amistoso de pré-temporada. Cedo. Mas já deu para perceber algumas mudanças conceituais no Cruzeiro de Deivid em relação ao de Mano Menezes. Especialmente nos primeiros 60 minutos com a maioria dos titulares na vitória por 2 a 0 sobre o Rio Branco-ES em Cariacica.

A começar pelo retorno de Mayke. Apoiando bem aberto, muitas vezes colado à linha lateral dando amplitude e procurando o corredor para buscar profundidade. Também porque Alisson cortava para dentro, procurando De Arrascaeta e Willian para as tabelas, trocando com Marcos Vinícius. Com mobilidade. Todos girando e dando opção. Ou tentando no início do trabalho.

Sem a bola, duas linhas de quatro compactas fazendo pressão no campo de ataque em alguns momentos da partida, para dosar as energias. Deu algum trabalho a Fábio, mesmo com as limitações do oponente. Natural pelas pernas pesadas por conta do desgaste dos fortes treinamentos físicos.

No meio, Henrique e Ariel Cabral construindo o jogo. Passes curtos e longos, controlando ou acelerando. Apoio alternado, sem a figura definida de “primeiro” ou “segundo” volante. Coisa do passado. Assim como a definição clara do desenho tático – 4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O que importa é o modelo de jogo, a participação coletiva.

Apesar da manutenção da base, é preciso acertar a coordenação. Mas valeu a jogada pela direita com Mayke e Arrascaeta, Alisson servindo Willian e Marcos Vinicius conferindo. Deslocamento, criação do espaço, profundidade, rapidez nos últimos vinte metros. Precisão no primeiro gol.

No segundo tempo, Dedé retornou na vaga de Manoel e Sánchez Miño estreou no lugar de Marcos Vinicius. Por 15 minutos. O time ficou mais seguro, porém menos rápido. Serviu para testar antes das muitas substituições que dificultam a avaliação em qualquer amistoso, de clube ou seleção.

Neste modo “aleatório”, Gabriel Xavier criou pela direita com o pé canhoto, Matías Pisano quase acertou belo chute rasteiro e Rafael Silva, ex-Vasco, mostrou que pode ser útil entrando em diagonal da esquerda para fechar a conta.

Placar que importa pouco. Valeram mais as ideias que Deivid pretende colocar em prática. Com todos os descontos, o primeiro ensaio de 2016 foi positivo.

4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O desenho pouco importa. No Cruzeiro de Deivid valem as ideias e a proposta de trabalho coletivo no primeiro teste da temporada (Tactical Pad).

4-2-3-1, 4-4-1-1, 4-4-2. O desenho pouco importa. No Cruzeiro de Deivid valem as ideias e a proposta de trabalho coletivo no primeiro teste da temporada (Tactical Pad).


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