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Campeonato inglês com cheiro de volta para Manchester. Pep ou Mou?
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André Rocha

Fica claro a cada partida do campeão Chelsea, inclusive no empate sem gols contra o Arsenal no Stamford Bridge, que Antonio Conte não encontrou em Morata uma reposição para Diego Costa no que o brasileiro naturalizado espanhol fazia de melhor, além dos gols: a capacidade de reter na frente as ligações diretas e passes longos.

O 5-4-1 esvazia o meio-campo e não sustenta construção de jogo com posse de bola. Sem Hazard, que volta para ajudar na articulação, fica ainda mais complicado. Por isso a superioridade do Arsenal de Arsene Wenger, que emulou o desenho tático do rival londrino e teve em Xhaka e Ramsey meio-campistas que combinaram qualidade técnica e dinâmica melhor que Kanté e Fábregas – apesar do passe precioso do espanhol para o compatriota Pedro perder à frente de Cech na melhor chance do jogo, ainda no primeiro tempo.

Com Liverpool e Tottenham oscilando mais que o esperado e o Newcastle não mostrando força até aqui para repetir a surpresa do Leicester em 2016, a Premier League começa a ganhar um aroma bem conhecido da Premier League nos últimos dez anos. Mesmo com apenas cinco rodadas.

Desde 2007, quando o Chelsea não foi campeão a taça rumou para Manchester. O United de Alex Ferguson faturou cinco, o City conquistou dois. Agora, não é exatamente a tradição que parece pesar a favor das equipes da cidade, mas a força de seus elencos e, principalmente, a capacidade de seus treinadores.

Pep Guardiola já sinaliza que o “curso” de um ano de campeonato inglês foi útil para o aprendizado. Entender o ritmo, o jogo físico, o “bate-volta” e tentar se adaptar. Jogo a jogo, demanda a demanda. Por isso a variação no desenho tático com linha de quatro ou cinco defensores, porém mantendo a ideia de jogo.

Abrir o campo com os novos laterais/alas Walker e Mendy, controlar o jogo no meio-campo alternando posse e aceleração com De Bruyne e David Silva e garantindo presença de área e poder de finalização mantendo Aguero e Gabriel Jesus no ataque, ainda que o brasileiro parta da ponta para dentro.

Como nos 6 a 0 sobre o Watford fora de casa, mas protagonista em campo atacando com volume, mas sabendo usar as jogadas aéreas com bola parada ou rolando e também explorar os espaços às costas da retaguarda adversária. Um City híbrido e inteligente. Um Guardiola mais conectado à lógica da liga mais forte do mundo.

Algo que o tricampeão Mourinho conhece tão bem. Por isso os Red Devils sob seu comando iguala a campanha do rival local: quatro vitórias e um empate, dezesseis gols marcados e dois sofridos. Mas trajetória construída de maneira bem diferente.

Um estilo baseado na força física e nas jogadas aéreas, ao menos até abrir vantagem. Depois muita velocidade nas transições e fôlego nos minutos finais, como nos 3 a 0 sobre o Everton no reencontro com Wayne Rooney dentro do Old Trafford, matando o jogo com os gols de Mkhitaryan e Lukaku depois do golaço de Valencia logo no início da partida.

Sem grande preocupação com a posse de bola, apostando sempre nos ataques verticais. Na ausência de Pogba, lesionado, Fellaini é mais um para cortar ou completar cruzamentos. Juan Mata é o ponta articulador que garante mobilidade e criação de espaços diante de adversários fechados. Um 4-2-3-1 compacto, rápido, intenso.

A retaguarda ainda não inspira confiança, mas foi vazada apenas no empate contra o Southampton. Graças às intervenções do goleiro De Gea. A do City também precisa de ajustes e sofre menos porque consegue manter a bola mais longe da meta de Ederson.

É muito cedo para qualquer prognóstico, ainda mais com tanto equilíbrio de forças e as equipes mais poderosas envolvidas em torneios continentais, fora as copas nacionais sempre desgastantes. Mas já é possível sentir um cheiro de Manchester voltando ao domínio na Inglaterra.

Ou um novo duelo Pep x Mou para atrair os olhos do mundo.


Premier League já começa insana, mas não pode virar um fim em si mesma
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André Rocha

A liga mais forte do mundo começou com a incrível virada em Londres do Arsenal do inesgotável Arsene Wenger por 4 a 3 sobre o Leicester City. Gol da vitória marcado por Giroud, vindo do banco, aos 39 minutos do segundo tempo. Dois minutos antes, o empate com Ramsey, que também iniciou na reserva. Já no primeiro ato, um jogo típico da Premier League: intenso, maluco, imprevisível.

Com a grana farta da TV dividida de uma maneira mais equânime, os times médios e até os pequenos têm condições de investir em contratações e isso vem tornando o campeonato inglês cada vez mais equilibrado.

Se não conseguiu até aqui seduzir Messi e Cristiano Ronaldo, os gênios desta era, ao menos os treinadores com mais hype estão por lá: Guardiola, Mourinho, Klopp, Conte, Pochettino…Com exceção do fenômeno Zidane, bicampeão da Liga dos Campeões, apenas Carlo Ancelotti entre os mais vencedores dos últimos tempos não esteja por lá.

Por tudo isso se tornou uma competição de difícil prognóstico em relação a favoritismo ao título e às vagas nas competições europeias. Ótimo para a liga em si. Mas nem tanto para os clubes.

Porque enquanto Barcelona, Real Madrid, Juventus, Bayern de Munique, PSG e outros conseguem administrar seu calendário com respiros e uso de reservas, os ingleses precisam jogar no volume máximo durante toda a temporada. Muitas vezes não é possível dosar energias nem durante as partidas. Se baixar a guarda diante de uma equipe na zona de rebaixamento pode ser surpreendido.

Se juntar isso às copas nacionais com sua tradição e seus “replays” em caso de empate, aliviados pela federação com o cancelamento da prática nas quartas-de-final da Copa da Inglaterra, o cenário é ainda mais complexo. Ajudam a exaurir as forças, mesmo em elencos robustos. Sem contar os jogos em sequência no final de um ano e o início do seguinte, enquanto a grande maioria faz uma pausa para as festas de Natal e reveillón.

O resultado prático é que desde 2012, com o Chelsea, a Inglaterra não tem um vencedor da Champions. Mesmo considerando o domínio de Real Madrid e Barcelona, que contam com grandes times de sua história, é preocupante. Ainda que os próprios Blues e o Manchester United, neste período de seca, tenham conquistado a Liga Europa.

Fica a impressão de que faltam pernas e força mental para se concentrar na disputa do maior torneio de clubes do planeta porque o campeonato nacional exige demais semanalmente. Quem tenta dividir atenções vem sofrendo nas duas frentes. Não por acaso, Leicester e Chelsea venceram as duas últimas edições da Premier League por não estarem envolvidos em competições europeias. Tiveram semanas para repouso e treinamentos.

Mourinho preferiu arriscar tudo na Liga Europa na temporada passada ao perceber que os Red Devils não conseguiriam sequer a vaga de qualificação para a Champions. É uma disputa tão insana que não há garantias, uma margem mínima para planejar a temporada seguinte. Não há como fugir do clichê “pensar jogo a jogo” até que as pretensões possíveis fiquem mais claras. Hoje, imaginar um clube ganhando inglês e Liga dos Campeões é utopia.

Em campo, a consequência da loucura da Premier League é a dificuldade para controlar jogos, desacelerar. Como o City de Guardiola que não conseguiu conter a reação do Monaco no jogo da volta das oitavas de final da UCL depois dos 5 a 3 em Manchester. No jogo bate-volta, só há ataque e defesa, sem longos períodos entre as intermediárias. Sem pausas.

Os clubes mais poderosos vivem um dilema. Ostentam orçamentos de gigantes europeus, mas não conseguem ser tão competitivos além de suas fronteiras como gostariam porque se esfolam na luta doméstica.

É óbvio que o titulo inglês é sinônimo de prestígio, visibilidade e uma fatia maior do bolo das receitas de TV. Mas o asiático hoje prefere Barça e Real. Com Neymar no PSG isso talvez piore. Para manter ou ampliar o alcance global é preciso voltar a ser protagonista na Liga dos Campeões. Para isso é urgente repensar o calendário. Ou transferir o risco para a própria liga priorizando a Champions.

Qualquer coisa para não tornar a Premier League um fim em si mesmo.

 


Caiu o “sobrevivente” Dorival Júnior. Afinal, tem hora certa para terminar?
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André Rocha

Assistindo ao clássico paulista em Itaquera, em determinado momento, ainda com o jogo empatado sem gols, veio à mente a seguinte conclusão: “Dorival Júnior não consegue tirar mais nada desse Santos”.

Impressionava como a proposta de jogo baseada em posse de bola tinha se tornado previsível, enfadonha. Sem Lucas Lima também perdia lucidez e rapidez de execução, mesmo considerando a queda de rendimento do meia. Algo precisava ser feito.

A troca no comando técnico foi a primeira opção no meu raciocínio solto, no livre pensar. Logo recriminado pela razão. Afinal, era o trabalho mais longo entre as equipes da Série A. Um “sobrevivente”. E tudo que cobramos é tempo para o treinador implementar seu modelo de jogo e fazer sua equipe jogar “de memória”.

Mas logo em seguida, já com a partida encerrada em dois a zero para o então líder Corinthians, que perderia novamente esta condição no saldo de gols para a impressionante Chapecoense que alcançou o mesmo placar no Mineirão sobre o mesmo Cruzeiro que a eliminara da Copa do Brasil na quinta-feira, veio a reflexão:

Afinal, qual é o momento de se dar por encerrado o ciclo de um treinador? Costumamos dizer que é, no mínimo, uma temporada. Dorival já estava chegando a dois anos. Qual era a margem de evolução? Apesar da campanha invicta na Libertadores, em um grupo fraquíssimo, parecia claro que a equipe não alcançava e dificilmente alcançaria um bom rendimento.

Também por causa do equívoco do comandante santista ao se deixar seduzir pela ideia da formação do time “cascudo” para o torneio continental. A contratação de Leandro Donizete sempre pareceu um ato contrário aos princípios de Dorival e até à história vitoriosa do Santos. Virando as costas para as divisões de base, ainda que a safra atual não seja das mais talentosas. Contratando um volante obsoleto, mas com liderança e “pegada”.

Na realidade do futebol brasileiro, a queda no desempenho em 2017 só se sustentaria com um passado recente de conquistas relevantes. Não foi o caso. Apenas um estadual e a frustração em 2015 com a perda da vaga que parecia certa na Libertadores, via Copa do Brasil ou Brasileiro. Recuperada com a campanha sólida no ano seguinte e a segunda colocação. Impressionante pelas muitas perdas por lesões, negociações, convocações. Faltou, porém, a taça importante para respaldar a paciência.

Porque em qualquer ramo é preciso apresentar resultados que são consequência do bom desempenho. Ou ao menos um rendimento que sugira momentos melhores no futuro. Se não for assim, o que cobrar? Como avaliar? Onde estará o mérito?

É a pergunta que se faz ao observar o Arsenal mantendo Arsene Wenger por mais dois anos. Vai chegar a 23 no comando do time londrino. Mudou o estilo e a história do clube, merece todas as homenagens. Mas a realidade é que entrega menos desempenho e resultados a cada temporada. Cada vez mais irregular e sem conquistas relevantes além das copas nacionais.

A consequência é que os Gunners saíram da rota de grandes contratações, mesmo as promessas, do futebol mundial. Um Vinicius Júnior, por exemplo, não se empolgaria com uma proposta de Wenger. Porque ele tem 16 e há 13 o Arsenal não vence uma Premier League e desta vez nem a classificação para a Liga dos Campeões veio como consolo. E quando os concorrentes fraquejaram na temporada passada, quem aproveitou foi o Leicester City.

Ou seja, a insistência vem sendo nociva ao clube. Qual a margem de crescimento? Imaginar o Arsenal campeão com Wenger é tão improvável quando o Leicester ganhar com Claudio Ranieri. Só uma incrível conjunção dos astros. Muito pouco para a história do clube. Já passou da hora de trocar e o Arsenal parece perdido. Como quem empurra um casamento esfacelado por comodismo e pelo medo do desconhecido.

Por aqui exageram no imediatismo, nas contratações e demissões sem convicção. Mas às vezes funcionam. Como no Grêmio de Renato Gaúcho, que recebeu um time de Roger Machado com muitas virtudes e alguns problemas. O maior ídolo do clube chegou com seu carisma e inteligência para acertar o vestiário, ajustar o que estava errado e hoje o clube celebra o título da Copa do Brasil, a volta à Libertadores e o futebol mais interessante do país no último mês.  Conseguiria com a manutenção de Roger? Nunca saberemos.

O que a experiência de vida diz é que a mudança pode ser muito saudável. Para o casal que se permite tentar ser mais feliz com novos parceiros. Para um livro que necessita de um segundo olhar, como as editoras costumam fazer nas revisões de textos – porque às vezes os olhos estão “viciados” e deixam passar alguns erros. Natural, humano.

Dorival e Santos descruzam seus caminhos. O profissional não deve ficar muito tempo desempregado por sua notória competência. Triste por resultar em um cenário no qual apenas Flamengo e Atlético-GO tenham seus treinadores há mais de um ano. Talvez toda a cadeia produtiva do nosso futebol esteja acostumada com isso – dirigente, jogadores, imprensa e os próprios técnicos. Por isso o pensamento automático do blogueiro. É provável que estejamos todos errados.

Mas se entender com o tempo nunca é fácil. Sempre haverá o “se” em forma de incerteza. Porque a convicção que não vira teimosia é virtude rara, dos sábios e maduros. Quem sabe um dia chegaremos lá?


Futebol inglês: ou muda calendário e tradições, ou vira piada na Europa
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André Rocha

Entre os oito classificados para as quartas-de-final da Liga dos Campeões, apenas um representado a Inglaterra: o Leicester City, atual campeão. Clube que teve como trunfo na temporada anterior estar totalmente focado na Premier League.

Agora, acusado de economizar suor na competição nacional por conta dos problemas de relacionamento com o ex-treinador, Claudio Ranieri, teve gás sobrando para a disputa do torneio continental e despachou o Sevilla no King Power Stadium.

O Chelsea, líder e virtual campeão inglês desta temporada, também leva vantagem na disputa da liga por não dividir atenções com nenhuma competição europeia. Segue vivo na Copa da Inglaterra depois de eliminar o Manchester United.

Time de José Mourinho que não deve ter reclamado muito. Campeão da Copa da Liga e o único do país ainda envolvido com a Liga Europa, luta para alcançar a zona de classificação para a próxima Champions League.

O campeonato inglês da primeira divisão é considerado o mais importante do planeta. Pelo equilíbrio de forças que passa fundamentalmente por uma divisão da receita mais justa e um aumento substancial das cotas de TV. Disputado em intensidade altíssima, num jogo físico que dura os noventa minutos e atrai os olhos do mundo pela imprevisibilidade.

O grande gargalo, porém, é o calendário, ainda fincado em tradições que fogem do contexto atual. Enquanto o mundo pára no final do ano, a bola rola no Boxing Day e em jogos encavalados. Tudo isso com o intuito de atrair os olhos do mundo, mas também garantir datas para as duas copas nacionais, enquanto a grande maioria dos países disputa uma só.

E ainda preservam o “replay”, jogo extra disputado em caso de empate na Copa da Inglaterra. O Manchester City perdeu tempo de preparação para a sequência da Premier League e da Liga dos Campeões para enfrentar o Huddersfield Town, da segunda divisão, pelas oitavas de final. Ao menos para esta temporada acabaram com os jogos extras nas quartas de final.

Mas é preciso rever ainda mais o calendário. Porque mais tradicional que as copas e os jogos na virada do ano é ver os times ingleses fortes na Liga dos Campeões. De 12 títulos, mas o último em 2012 com o Chelsea. Conquista improvável e baseada exatamente na prioridade dada ao torneio.

Desde 2008/09, quando colocou United, Chelsea e Arsenal nas semifinais, mas o título ficou com o Barcelona, só conseguiu emplacar um time entre os quatro primeiros: título com os Blues, vice dos Red Devils em 2011, o Chelsea de Mourinho entre os quatro em 2014 e o Manchester City na semifinal inédita na última edição contra o Real Madrid.

Para piorar, o Arsenal de Arsene Wenger leva um 10 a 2 no agregado do Bayern de Munique e é eliminado nas oitavas de final pela sétima vez consecutiva. Mesmo com alguns erros gritantes da arbitragem em Londres, não deixa de ser um vexame.

É muito pouco. Suscita dúvidas da real força da Premier League ver os espanhois dominando o continente há três temporadas com Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, mais o Sevilla tricampeão da Liga Europa. A Alemanha colocando Bayern de Munique e Borussia Dortmund novamente entre os oitos melhores.

E a Inglaterra apenas com o Leicester City, maior azarão do sorteio das quartas. Inusitado, mas tragicômico. O perigo é o futebol jogado no país virar piada na Europa.


As cinco chaves da liderança absoluta do Chelsea de Conte no Inglês
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André Rocha

Crédito: Reuters

Crédito: Reuters

A derrota por 3 a 0 para o Arsenal no turno fez Antonio Conte mudar o desenho tático do Chelsea para o 5-4-1/3-4-3 que revolucionou o futebol jogado na Inglaterra e já faz eco em várias partes do mundo.

Os 3 a 1 no Stamford Bridge, ainda que o gol de Giroud no final tenha atrapalhado a devolução do placar clássico, é muito simbólico para a afirmação do melhor time da Premier League com sobras. Ainda mais com o golaço de Cesc Fábregas, ex-Arsenal, encobrindo Petr Cech, ex-Chelsea. Abrindo doze pontos na liderança, ao menos temporariamente.

É a equipe de Courtois, David Luiz, Diego Costa. Do forte trabalho coletivo. Mas a combinação de resultado e desempenho tão consistente tem cinco chaves:

Time adaptável – Em uma liga tão equilibrada como a inglesa é impossível disputar os 90 minutos de todas as partidas com uma mesma proposta de jogo. Em casa contra um time de menor investimento será preciso atacar em massa. Fora de casa diante de um rival direto na disputa do título, o trabalho defensivo é fundamental.

O Chelsea de Conte se comporta bem das duas formas. Defende num 5-4-1, desmembra-se num 3-4-3 quando faz a transição ofensiva. Sabe se instalar no campo de ataque, fazer pressão alta e rodar a bola se necessário, mas também joga de forma rápida, vertical e prática como ninguém hoje na Europa. Um “camaleão” muito duro de ser batido, também por seus personagens e virtudes.

Marcos Alonso – O espanhol tem rara leitura de jogo. Sabe se comportar como lateral e ala e, melhor do que Moses, o atacante adaptado do lado oposto, consegue se infiltrar na área adversária como elemento surpresa. Foi assim no primeiro gol sobre o Arsenal, em lance que derrubou o Bellerín com cotovelada – involuntária para este que escreve.

Defende como lateral fazendo diagonal de cobertura, abre o jogo como ala e aparece na área quando a jogada é criada do lado oposto. Fundamental.

N’Golo Kanté – O campeão Leicester luta para não cair nesta temporada, o Chelsea praticamente com a mesma equipe da temporada passada que não pontuou sequer para jogar a Liga Europa é líder com folga. Não pode ser acaso.

O volante francês é um fenômeno de condição física e leitura de jogo. Corre, desarma, antecipa, intercepta. Enche o meio-campo. Com a bola joga bem simples, o básico sem comprometer. Conduz a bola e entrega para os alas ou para o trio de ataque. Faz a diferença, mesmo sem talento.

Eden Hazard – A chave do sucesso ofensivo. Conte recuperou o craque da Premier League 2014/15 e hoje o belga é o ponta que volta para compor a linha de quatro no meio e quando recupera a bola é a reserva de talento da equipe.

Circula por todo ataque, procura Pedro ou Willian e Diego Costa. Consegue ser organizador, velocista e finalizador quando necessário. Com espaços é capaz de explodir como no golaço que praticamente decidiu o clássico londrino pulverizando o sistema defensivo dos Gunners. Desequilibra.

Sequência sem lesões e com menos jogos- A chave mais importante. Desde a mudança de sistema e afirmação de um time base, a formação se alterou muito pouco. Especialmente na última linha defensiva. No meio, Fábregas no lugar de Matic e Willian na vaga de Pedro e na ausência de Diego Costa.

A ausência nas competições europeias é algo que não se deseja para a imagem e o investimento dos Blues. Mas ajuda a não desgastar nem desviar o foco. Ainda mais em um calendário com duas copas nacionais e o futebol mais intenso do planeta. A proposta de jogo de Conte exige fisicamente e o elenco está voando.Uma grande vantagem em relação aos rivais.


Os extremismos no Brasil do Fla-Flu quando o assunto é Guardiola
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André Rocha

Guardiola_City_2016

No país em que quase sempre se avalia unicamente o resultado final, onde o segundo colocado é o “primeiro dos últimos”, fica bastante complicado elogiar algum profissional por ter colaborado com a evolução do futebol nos últimos anos. Ainda mais quando ele também conseguiu grandes resultados, o que “contamina” a análise.

Pep Guardiola já está na história. Não por ter reinventado o esporte, mas pela coragem de atualizar e combinar ideias de Cruyff, Van Gaal, Sacchi, Bielsa, La Volpe, Lillo e tantos outros logo em seu primeiro trabalho num grande clube. Com o sucesso imediato do Barcelona com modelo de jogo posicional, baseado na posse de bola e na marcação por pressão no campo de ataque, provocou os demais a encontrarem antídotos ou novas combinações que levaram o jogo a outro nível.

Mas por aqui a discussão costuma terminar em “ganhar ou perder”. E a valorização do treinador catalão mexe com alguns preconceitos. O raciocínio básico: como no esporte dos craques, em que o técnico só precisa distribuir as camisas e não atrapalhar, o treinador pode ter tanta visibilidade? E logo vindo da Espanha, que até outro dia não tinha nenhum título relevante.

Para piorar, a lenda urbana que Pep roubou as ideias da essência do nosso jogo. Porque na cabeça de muita gente ninguém pode se propor a praticar um futebol de troca de passes e ofensivo sem copiar o brasileiro. A velha arrogância que tanto trava o nosso progresso.

A ponto de distorcerem uma declaração diplomática depois da surra sobre o Santos no Mundial de 2011 –  um breve comentário sobre o Brasil a que seus pais e avós se referiam – e dizer que o Brasil é sua referência. Não é, nunca foi. Leia mais AQUI.

E aí quando Renato Gaúcho aparece dizendo que não precisa estudar e que treinar os times milionários da Europa é fácil há uma vibração incontida, inclusive de colegas jornalistas. Com todo respeito que todos merecem, é como se pensassem que eles também nada precisam aprender e podem seguir vendo e analisando o futebol com a lógica de 20 ou 30 anos atrás.

Não podem, ou ao menos não deveriam. E Guardiola é o “culpado”. Por isso o êxtase coletivo nas redes sociais a cada derrota ou má fase dos times do treinador.

Em resposta, os admiradores dos conceitos do técnico, diante de tanta perseguição de quem normalmente não entende o mínimo da evolução do jogo, construíram uma espécie de trincheira de defesa incondicional. Guardiola não erra, não fracassa. Criam uma aura de infalibilidade e transferem a responsabilidade para time, clube, imprensa. Menos quem toma as decisões em relação ao que se faz dentro de campo.

Para este que escreve, Guardiola é genial, o melhor treinador do mundo desde sua primeira temporada e tem enorme mérito por permanecer inquieto, aprendendo, se adaptando. Mas ele também se equivoca.

No Bayern, fracassou ao não vencer a Champions em três temporadas. É importante lembrar o contexto de sua contratação pelo time bávaro, em janeiro de 2013: derrotas doídas no torneio continental, inclusive uma final em casa para o Chelsea e perda da hegemonia na Alemanha para o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp.

Depois venceram tudo com Jupp Heynckes e o plano original, de mudar a ideia de futebol do clube para voltar a ser vencedor, teve que ser repensada. E aí vem outra crítica injusta: a de que é um “engenheiro de obra pronta”.

Como se o Barcelona que recebeu de Rijkaard em 2008 fosse uma máquina. Como se ele não tivesse defenestrado Ronaldinho e Deco do clube para proteger Messi. Como se o argentino não tivesse evoluído brutalmente sob seu comando, assim como Xavi, Iniesta, Daniel Alves e outros. O mesmo no Bayern com Robben, Douglas Costa, Xabi Alonso, Lahm…

A meta em Munique, porém, era conquistar o continente. Chegou às semifinais nas três edições e não caiu para times ordinários: o Real do trio BBC, o Barça de Messi, Suárez e Neymar, o Atlético de Madrid de Simeone. Venceu e sobrou na Bundesliga, influenciou e foi afetado pelo jeito alemão de pensar futebol. Cresceu, amadureceu. Mas saiu sem cumprir integralmente o projeto.

Agora no Manchester City pena para ajustar suas ideias ao ritmo e à intensidade da Premier League. Testa, experimenta, acerta e erra. Como foi infeliz no primeiro tempo da vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal no Etihad Stadium. Optou de início por abrir Sané pela direita, fazer David Silva circular a partir da esquerda e enfiar Sterling como o atacante mais avançado.

O velocista inglês perdeu gol feito que podia ter empatado logo depois do tento de Walcott que abriu o placar. Os citizens ocuparam o campo de ataque e tiveram mais posse de bola. Faltou efetividade na frente e mais volume de jogo.

Depois de 45 minutos praticamente perdidos em termos de produção ofensiva, as mudanças óbvias: Sterling foi enviado à ponta direita, Sané trocou de lado e o centro da articulação ficou para De Bruyne, David Silva e a aproximação de Yaya Touré. O mais lógico.

O meio ganhou qualidade e os ponteiros espaços para explorar as diagonais. Uma de Sané, outra de Sterling após passe primoroso de Kevin De Bruyne. Dois gols e a virada. Todos cresceram com a nova distribuição em campo, três pontos fundamentais para não permitir que o Chelsea dispare tanto na ponta da tabela.

Guardiola experimentou sem sucesso e teve o mérito de corrigir a tempo. Assim como reconsiderou a utilização de um Yaya Touré recondicionado fisicamente e disposto a mostrar que ainda pode ser útil. Errou, corrigiu a rota. Simples assim.

Nem “puro marketing”, nem gênio da raça, uma santidade. Apenas um treinador. Humano, cheio de dúvidas como o próprio afirmou em entrevista recente. Que não tem seu valor condicionado apenas aos títulos.

Sem extremismos no Fla-Flu nosso de cada dia, até quando o assunto é o catalão Pep Guardiola.


O passeio do Arsenal no Chelsea com David Luiz. Coincidência?
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André Rocha

Os Gunners foram objetivos e aproveitaram erros coletivos e individuais do rival Chelsea no primeiro tempo do Emirates Stadium. Contaram também com belíssimas atuações de Ozil e Alexis Sánchez, que sempre crescem com espaços para acelerar as transições ofensivas.

Três gols no primeiro tempo. Da dupla e outro de Walcott. Sobrando também no meio com Coquelin correndo e Cazorla distribuindo o jogo com passe certo. Na retaguarda, concentração absoluta no bloqueio a Diego Costa.

Com posse de bola praticamente dividida, os comandados de Arséne Wenger – que completa 20 anos como manager do clube – finalizaram dez vezes contra três. Quatro na direção da meta de Courtois, enquanto Cech não precisou fazer nenhuma intervenção.

Antonio Conte tentou dar um mínimo de consistência à sua defesa na segunda etapa ao trocar Fábregas por Alonso, que foi jogar na lateral esquerda. Azpilicueta mudou de lado e Ivanovic centralizou para formar trio de zagueiros.

Seguiu sofrendo com os contragolpes do rival. Porque não trocou duas peças que cumpriram atuações pluripatéticas: Cahill e Kanté. O zagueiro falhou feio na saída de bola no gol de Alexis e depois permitiu que Ozil finalizasse livre no terceiro.

E David Luiz? Bem, continua afobado e errando nas tomadas de decisão. Principalmente os botes que desguarnecem a última linha de defesa. Depois da sua volta, os Blues sofreram sete gols em três partidas. Antes levaram quatro no mesmo número de jogos.

Culpa do brasileiro? Por enquanto afirmar isto soa injusto. Porque o time enfrentou o atual campeão Leicester na Copa da Liga Inglesa e na Premier League encarou Liverpool e Arsenal. Três grandes adversários, ainda que o líder seja o Manchester City 100% com Guardiola.

E mesmo que Cahill e David Luiz já tenham atuado juntos e vencido como a dupla de zaga titular a Liga dos Campeões em 2012, é uma mudança na defesa que afeta o entrosamento.

Sem contar que o brasileiro, mais protegido, rendeu mais na segunda etapa e acertou belo passe longo para Batshuayi, que perdeu à frente de Cech. O sistema com três zagueiros parece mesmo o mais recomendável para aproveitar David Luiz.

O passeio do Arsenal que encerrou uma sequência de seis jogos sem vencer o rival tem muitos méritos do time da casa. Já os péssimos números defensivos nos confrontos recentes são apenas coincidência. Ou ao menos não tem relação direta com o controverso defensor. Por enquanto.

(Estatísticas: Premier League)


A noite inusitada de Cavani em Paris
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André Rocha

Paris Saint-Germain's Uruguayan forward Edinson Cavani celebrates after scoring during the UEFA Champions League Group A football match between Paris-Saint-Germain vs Arsenal FC, on September 13, 2016 at the Parc des Princes stadium in Paris.  AFP PHOTO / FRANCK FIFE / AFP / FRANCK FIFE        (Photo credit should read FRANCK FIFE/AFP/Getty Images)

Foto: AFP/Getty Images

A transição do Paris Saint-Germain nesta temporada não é tão simples. Perdeu Ibrahimovic, sua referência, imagem e seu maior talento. A contratação do técnico Unai Emery, tricampeão da Liga Europa com o Sevilla, muda a filosofia, agora mais pragmática e competitiva. Mais Simeone que Guardiola.

Mas a estreia na Liga dos Campeões podia ter sido bem diferente do empate em 1 a 1 com o Arsenal no Parc des Princes se não fosse a noite inusitada de Cavani. Agora titular absoluto no centro do ataque com a saída da estrela máxima. Sem a desculpa de queda de desempenho pelo posicionamento mais aberto, longe da meta adversária.

O início foi promissor, com gol aos 44 segundos, o mais rápido do clube no torneio continental, escorando cruzamento de Aurier pela direita. A movimentação e a entrega na execução do 4-1-4-1 de Emery também merecem o reconhecimento. Como quase sempre.

Mas o uruguaio não podia ter desperdiçado quatro oportunidades cristalinas à frente do goleiro Ospina. Principalmente porque deu tempo de Arsene Wenger corrigir seu erro na formação inicial: Alexis Sánchez desconfortável e encaixotado entre Marquinhos e Thiago Silva no centro do ataque do 4-2-3-1 dos Gunners.

Trocou no segundo tempo ao tirar Chamberlain e colocar Giroud na referência. A pressão do Arsenal em busca do empate ganhou uma presença física mais pesada, preocupando a retaguarda do adversário e liberando Alexis para se movimentar e ir às redes, na primeira finalização dos visitantes na direção da meta de Aréola.

O PSG teve 55% de posse, finalizou 14 vezes contra 11 do time inglês – cinco a três no alvo. 84% de efetividade nos passes e 50 bolas recuperadas. É time competitivo, com Krychowiak à frente da defesa com ótimo posicionamento e bom passe auxiliando Verratti na criação de trás.

Di Maria e Matuidi bem pelos flancos. Só Rabiot destoou, abrindo a possibilidade de Emery efetivar Pastore ou deslocar Matuidi para o meio, inverter o lado de Di Maria e posicionar Lucas Moura pela direita. Algo para amadurecer.

Na prática, faltou precisão nas conclusões do centroavante para uma estreia sólida em desempenho e resultado e o PSG já se posicionar como um candidato a desafiar os favoritos: Real Madrid e os “filhos” de Guardiola – Barcelona, Bayern de Munique e agora o Manchester City.

O caminho da afirmação é longo. No campeonato francês e, principalmente na Liga dos Campeões. Mas há lastro de evolução para crescer na reta final do campeonato. Quando mais importa. Na estreia, a estranha noite de Cavani atrapalhou.

(Estatísticas: UEFA)

 


Messi e Guardiola: os gênios que fazem quase tudo parecer pouco
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André Rocha

Se há um marco de mudança do futebol deste século, ele veio em 2009 quando Pep Guardiola convocou Messi para mostrar em vídeo o espaço que havia entre a defesa e o meio-campo do Real Madrid e pediu a ele que circulasse por ali. 6 a 2 no Santiago Bernabéu.

Nascia o Messi “falso nove”, um gênio tático a empilhar títulos, prêmios e Bolas de Ouro. A obra prima do treinador igualmente brilhante que amadureceu suas ideias naquela noite e consolidou seu igualmente complexo e vistoso estilo de jogo.

Os personagens desta terça-feira histórica da Liga dos Campeões, com jogos espetaculares.

No Emirates Stadium, faltou ao Barcelona um pouco de Guardiola. Leia-se controle de jogo, especialmente no primeiro tempo. Apesar da posse que chegou aos 71%. O time de Luis Enrique preza a bola, porém é mais vertical. Não tem um plano de circulação da bola que mine as forças do rival. Troca passes, mas procura logo o tridente espetacular.

Não conseguiu, por mérito da concentração e da entrega do Arsenal na proposta reativa que se impôs pela marcação adiantada. Só faltou contundência na frente. O lance que podia ter mudado a rota do confronto no pé direito de Oxlade-Chamberlain. Escalado por Arsene Wenger pelo maior vigor em pressão e recomposição no setor de Alba e Neymar, falhou na conclusão que permitiu a grande defesa de Ter Stegen, que depois salvaria cabeçada de Giroud.

A senha para um Barcelona mais aceso e coordenado para sair da pressão na saída de bola que os Gunners tentaram repetir. E espaços, mesmo que não tão genersosos, para Messi, Suárez e Neymar costumam terminar nas redes. Até de Petr Cech, que no Chelsea não fora superado pelo argentino.

Até Suárez acionar Neymar, que serviu o gênio para começar a decidir o jogo. Depois Messi encaminhou a classificação no pênalti sofrido e convertido. 65% de posse, 16 finalizações a sete. Dois a zero para administrar no Camp Nou. Vitória espetacular, mas pareceu faltar alguma coisa. Não basta o pragmatismo. É preciso o brilho, o fulgor que faz do Barcelona de Messi um time histórico.

Arsenal no 4-2-3-1 alternando pressão e compactação no próprio campo para conter o Barcelona no 4-3-3 habitual, com posse, porém pouco efetivo no primeiro tempo. Até Messi resolver.

Arsenal no 4-2-3-1 alternando pressão e compactação no próprio campo para conter o Barcelona no 4-3-3 habitual, com posse, porém pouco efetivo no primeiro tempo. Até Messi resolver (Tactical Pad).

Porque a exigência aumenta por quem pode entregar muito. Como o outro grande construtor deste novo futebol. Pep Guardiola, mesmo em meio a questionamentos e críticas em Munique por já estar com a cabeça em Manchester, armou um Bayern sem zagueiros de ofício e ultraofensivo em Turim.

Se defendendo da vice-campeã da última edição do torneio continental, invicta há 14 partidas antes do jogo, ficando com a bola. Intensidade,volume, controle entre as intermediárias com Lahm, Alaba, Thiago Alcântara e Vidal, esgarçando a marcação com Robben e Douglas Costa pelas pontas e procurando Muller e Lewandowski.

Posse que chegou a 77%, gols de Muller e Robben, este na sua jogada característica cortando da direita para dentro. Mas natural queda de intensidade na segunda etapa, quando ter a bola funciona como pausa, administração do vigor físico. Calma para anestesiar o rival. Costuma funcionar na liga alemã.

Bayern de Guardiola manteve postura ofensiva em Turim, com praticamente quatro atacantes e muito volume de jogo, oprimindo a Juve frágil e com as linhas de quatro sufocadas, que só encontraram alívio e força com a queda dos bávaros na segunda etapa (Tactical Pad).

Bayern de Guardiola manteve postura ofensiva em Turim, com praticamente quatro atacantes e muito volume de jogo, oprimindo a Juve frágil e com as linhas de quatro sufocadas, que só encontraram alívio e força com a queda dos bávaros na segunda etapa (Tactical Pad).

Não diante da Juventus que ganhou consistência no meio com Hernanes e Sturaro, mais força na frente com Dybala, depois Morata. Reação, empate e sensação de ter ganhado uma sobrevida nas oitavas de final.

Na prática, um resultado difícil de reverter na Allianz Arena. Até improvável. Mas pelo nível de exigência quando se trata de Guardiola, um ótimo empate com gols parece derrota, uma ameaça.

Porque se espera muito do melhor técnico de uma era. Também do craque maior, Messi. Ainda assim eles seguem como se competissem apenas com os próprios feitos. O muito, ou quase tudo para os meros mortais parece pouco. O preço da genialidade.


Não deu pro Leicester! Arsenal vira e faz valer a história e o equilíbrio
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André Rocha

O Leicester City não vencia o Arsenal desde 1994. Em Londres, o último triunfo foi em 1973. No turno, 5 a 2 para os Gunners. Junto com o Liverpool, os únicos a vencer o “líder-zebra” que teria que lutar contra a história e o melhor dos grandes na temporada.

Fez o que pôde até a expulsão do lateral Simpson. No primeiro tempo, mostrou a sua essência: duas linhas de quatro compactas, Okazaki e Vardy colaborando na marcação e o impressionante Kanté onipresente no meio-campo. Apenas duas faltas cometidas e nenhuma finalização na direção da meta de Schmeichel, fruto do posicionamento defensivo quase perfeito.

Bola roubada, saída rápida também em bloco. A equipe de Cláudio Ranieri fez Petr Cech trabalhar em cabeçada de Vardy e chute de Kanté. Finalizou cinco vezes contra quatro do Arsenal que teve 67% de posse. Na última, o pênalti discutível sofrido e convertido por Vardy – o 19º gol do artilheiro da Premier League.

Primeira etapa com Leicester compacto e eficiente na execução do plano de jogo de Ranieri; Arsenal teve a bola, mas criou pouco e não finalizou na direção da meta de Schmeichel (Tactical Pad).

Primeira etapa com Leicester compacto e eficiente na execução do plano de jogo de Ranieri; Arsenal teve a bola, mas criou pouco e não finalizou na direção da meta de Schmeichel (Tactical Pad).

E Mahrez? O franco-argelino foi marcado como o melhor jogador do campeonato e rendeu pouco. Só apareceu ao tentar cavar um pênalti. Pior: muitas vezes vacilava na recomposição deixava Simpson no mano a mano contra Monreal e Alexis Sánchez.

O árbitro Martin Atkinson, pressionado pelos jogadores do Arsenal também pelo toque no braço de Kanté dentro da área do Leicester na etapa inicial, forçou a barra na expulsão. Não era falta para o segundo amarelo.

Ranieri fez o óbvio: duas linhas de quatro e Vardy solitário na frente. É possível questionar a ordem nas substituições de Okazaki e Mahrez, mas os dois teriam mesmo que sair, até pela exaustão do japonês. Depois Albrighton também sentiu o desgaste. Wasilewski, King e Gray não mantiveram o nível dos titulares.

Impossível resistir ao Arsenal intenso e com ímpeto inesgotável para fazer valer em casa o peso da camisa e da história. Depois de trocar Koscienly por Chambers na volta do intervalo para evitar expulsão do titular no duelo com Vardy, Arsene Wenger aumentou a presença física na área do oponente com Walcott e Welbeck nas vagas de Coquelin e Chamberlain.

Leicester não resistiu com um homem a menos e Walcott e Welbeck a mais no ataque do Arsenal. Abafa e virada (Tactical Pad).

Leicester não resistiu com um homem a menos e Walcott e Welbeck a mais no ataque do Arsenal. Abafa e virada (Tactical Pad).

Cirúrgico. Abafa, 73% de posse, 23 finalizações – cinco no alvo. Gols dos substitutos em jogadas aéreas. A virada com Welbeck no último lance. Festa de final no estádio. Uma prova do respeito ao ainda líder Leicester, agora só dois pontos à frente.

Mais ainda, de fé no Arsenal que soube se comportar como grande e candidato ao título da liga que segue com o equilíbrio como tônica. Deve durar até o ato final.