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Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Hala Madrid! Mas futebol não é, nunca foi e jamais será apenas dinheiro
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André Rocha

O futebol não é só dinheiro.

O Real Madrid confundiu jogar naturalmente, controlar e dosar o ritmo com a perda da competitividade depois do gol de Benzema logo aos nove minutos da final do Mundial Interclubes.

Veio então o bom e organizado Kashima Antlers e seu grande talento Shibasaki para lembrar que abismo técnico, financeiro e midiático só se concretiza no campo se atrelado à competência. Empate no final do primeiro tempo, virada no início da segunda etapa com gols de seu camisa dez – meio-campista de área a área que jogaria em pelo menos metade da Série A brasileira – e alimentou o sonho.

Às vezes a camisa pesa mais que o poder financeiro e o árbitro Janny Sizakwe pipocou quando deveria ter punido Sergio Ramos com o segundo cartão amarelo e, consequentemente, a expulsão do zagueiro. Poderia ter mudado a história da decisão.

Então Cristiano Ronaldo apareceu, embora nunca tenha se escondido. Tropeçou na bola em um contragolpe, perdeu gol à frente do bom goleiro Sogahata. No momento em que o time merengue mais precisava, porém, converteu o pênalti sobre Lucas Vázquez que garantiu a prorrogação, se Endo não tivesse perdido uma grande chance no lance final do tempo normal.

Em 15 minutos, o português resolveu a final com mais dois gols, desta vez com bola rolando. Para fechar um ano espetacular nas conquistas. Talvez nem tanto no desempenho. Minimalista, Cristiano não participa tanto na construção das jogadas, mas está inteiro durante os noventa minutos e mais uma prorrogação, se for necessário, para estar preparado para a finalização.

Desta vez protagonista na decisão. Três gols em finais de Mundial, só ele e Pelé, no duelo do Santos contra o Benfica em 1962.

Real cinco vezes campeão mundial.  Gigante, máquina de fazer dinheiro. Mas existe também a competência no uso dos recursos. Os três últimos campeões são Barcelona, Real Madrid duas vezes e Bayern de Munique. Times da primeira prateleira do futebol mundial, incluindo o universo das seleções.

Equipes entre as maiores, mais vencedoras e melhores da história. Sintonizadas e artífices da evolução recente do esporte. Com a qualidade que o dinheiro compra, mas também intensidade e setores bem coordenados. O mais alto nível.

Porque futebol nunca foi só dinheiro.

Se fosse, o Manchester United, das marcas mais valiosas do planeta, não estaria fora da Liga dos Campeões e, mesmo com Mourinho no comando, não sentiria tanta falta de Sir Alex Ferguson.

Se fosse, o Atlético de Madrid não teria surpreendido o mundo em 2014 com título espanhol e final de Champions e o Leicester City não viveria o conto de fadas na última temporada. Orçamentos bem mais modestos, mas rara excelência.

No mesmo Mundial com chancela da FIFA, quando o Barcelona já vivia a queda de Ronaldinho Gaúcho pós Copa de 2006, o Internacional de Gabiru não perdoou. Quando Liverpool e Chelsea ganharam a Europa sem a condição de melhores times do continente de fato, São Paulo e Corinthians conseguiram surpreender.

O próprio Real já viveu na pele o revés pela força do dinheiro. Em 2003 dispensou o operário Makelele que fazia o time funcionar e contratou a superestrela David Beckham para se juntar a Figo, Zidane, Ronaldo e Raúl. Contratação que disparou a venda de camisas, mas não rendeu títulos com todos os astros reunidos.

Hala Madrid! Mas o futebol jamais será apenas dinheiro. Porque sempre haverá um Kashima Antlers, a melhor história do Mundial de Clubes de 2016, para nos lembrar por que amamos tanto este jogo.

 

 

 

 

 


A diferença entre jogar bem e jogar bonito
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André Rocha

antonio-conte-chelsea

Este que escreve sempre deu preferência ao bom futebol que a seu time de coração. A ponto de fazer algo que muitos condenariam eternamente: assistir a um clássico na torcida do rival e desejando a vitória deste por ter um time fantástico e muito superior ao que representava suas cores.

Mas também sempre soube respeitar e admirar quem tinha uma proposta de jogo mais pragmática, porém bem executada. Impossível esquecer a doce rotina no final de 1984: acompanhar o histórico Hellas Verona de Briegel, Pietro Fanna e Elkjaer, campeão italiano naquela temporada transmitida pela Rede Globo e depois ir ao Maracanã ver o Fluminense de Romerito, Branco, Ricardo Gomes, Deley e o “Casal 20” Washington & Assis. Campeão brasileiro e carioca naquele ano.

Tempos em que o futebol era a única preocupação e a paixão maior. O amor pelo esporte está intacto. E o respeito por quem joga bem.

Jogar bem não é necessariamente apresentar um futebol vistoso, ofensivo, com jogadas técnicas exuberantes. É ter uma proposta, ainda que reativa e baseada mais na solidez defensiva, e colocar em prática de modo que seu time sempre pareça mais próximo da vitória.

Ameaçando o adversário constantemente e correndo poucos riscos. Sem apelar para faltas sem a bola e um jogo aleatório demais, com seguidos cruzamentos quando o oponente está postado na defesa porque faltam ideias.

Na Europa hoje há dois exemplos, longe dos óbvios Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique e agora o Manchester City, por ter Pepe Guardiola no comando.

O Atlético de Madrid de Simeone vai aprimorando seu modelo de jogo. Mantém a solidez defensiva, a forte compactação dos setores no trabalho defensivo. Porém investe mais em qualidade na frente. Nos 4 a 2 sobre o Málaga, Griezmann e Gameiro na frente, Nico Gaitán e Carrasco nas pontas e ainda Saúl Ñiguez na linha do meio-campo.

Um pouco mais de posse e criatividade, ao menos diante de equipes de menor investimento. Antes o recurso único nos momentos difíceis era a bola alta para Godín. Uma ressalva ao enorme mérito de encarar os gigantes espanhois e continentais. Agora foi às redes 25 vezes em dez partidas no Espanhol, só atrás dos ataques BBC e MSN.

O outro é o Chelsea, em reconstrução com Antonio Conte. Fora das competições europeias, o técnico italiano tem mais tempo para implantar sua filosofia que se baseia em três defensores, mas não é tão reativa. Gosta da bola, quando possível.

Quatro vitórias seguidas que fizeram os Blues colarem nos líderes. Num 3-4-3 funcional e “mutante”. Porque conta com Azpilicueta como um zagueiro pela direita que forma muitas vezes uma linha de quatro com David Luiz, Cahill e Alonso, que é mais lateral que ala.

Ao contrário de Moses, que tem como função abrir bem o jogo à direita para esgarçar a marcação adversária e abrir espaços para as diagonais de Pedro, que procura Diego Costa e Hazard, que é o articulador de fato da equipe que conta com Matic e Kanté na proteção.

Equipe de transição rápida, mas que valoriza a precisão nos passes. Bem ao estilo de Conte, que com a Itália deu espetáculo na última Eurocopa quando eliminou a então bicampeã Espanha e só parou nos pênaltis após disputa equilibrada com a Alemanha campeã mundial.

Nos 4 a 0 sobre o Manchester United, uma grande atuação dentro do seu plano. Jogou muito bem. Sem a posse do Barcelona de Guardiola nem a beleza estética dos contragolpes do Arsenal campeão inglês invicto em 2003/2004.

No Brasil há uma visão simplista de que se venceu é porque jogou bem. Um foco desmedido no resultado sem perceber que se a produção cai uma hora a derrota vem. E torna qualquer conquista esquecível a longo prazo. Só serve para calar o rival de qualquer provocação se encerra um período sem conquistas relevantes.

É pouco. Por isso a exigência de jogar bem. Por isso o imenso respeito às cores e às tradições do Palmeiras que não pode se contentar apenas com a taça. Até porque já venceu a Copa do Brasil entregando um futebol ruim. Todo o investimento e toda a paixão da torcida que lota o Allianz Parque não merecem só isso.

Talvez haja até um ou outro exagero neste blog, mas é por conta da noite não dormida depois dos 7 a 1 e a promessa de que, onde estivesse, seria uma trincheira de defesa do bom futebol. Não necessariamente belo, mas bem jogado.

Nunca mais o culto à mediocridade! Nunca mais “o importante são os três pontos”! Nunca mais o “quer espetáculo? Vá ao teatro!” Nunca mais as frases que levaram todos nós ao maior vexame da história do futebol brasileiro. Minha paixão desde a infância e que não morre.


O Bayern e Ancelotti não aprendem: para o Atlético de Simeone, menos é mais
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André Rocha

As cinco temporadas de Diego Simeone no Atlético de Madrid construíram o melhor sistema defensivo da Europa e do mundo.

Uma organização impressionante, com linhas compactas, movimentos precisos e muita concentração na execução de um plano de jogo assimilado por uma base que ajuda os atletas que chegam e se adaptam de forma mais rápida e segura.

Mas o mais importante é que saber o que fazer em campo transfere confiança para jogar. O título espanhol em 2014, a Liga Europa em 2012 e as duas finais de Liga dos Campeões contra o Real Madrid, com reveses nos detalhes, fazem com que em 2016 a equipe tenha personalidade para enfrentar qualquer adversário.

Inclusive o poderoso Bayern de Munique, batido na semifinal da última edição do torneio continental. Com Guardiola buscando todo tipo de variação tática e mudanças de posicionamento para quebrar as linhas de marcação. Agora Carlo Ancelotti tentou superar com uma ideia mais simples, menos móvel.

Só que é o Atlético o especialista em transformar o menos em mais. Os bávaros fizeram um jogo engessado, com Muller subaproveitado na ponta direita, Ribéry com Alaba pela esquerda em jogada mapeada desde os tempos de Jupp Heynckes. Posse de bola de 63% durante todo o tempo, mas quase sempre inócua.

Para piorar, o Atlético continua prático e pragmático, mas adicionou qualidade, especialmente no meio-campo. Se perdeu Arda Turan para o Barcelona, ganhou o ótimo Saúl Níguez e encaixou Yannick Carrasco como “winger” numa linha de quatro que marca e joga pelo centro com Gabi e Koke. Muita técnica.

A definição das jogadas continua rápida, sem maior cuidado com a posse. Só que é mais refinada e inteligente. Como no gol de Carrasco. A mais feliz das sete finalizações dos colchoneros no primeiro tempo. Sem recorrer tanto às jogadas aéreas procurando Godín. O Bayern concluiu apenas quatro, metade na direção da meta de Oblak. Pouco ou quase nada serviu os 87% de efetividade nos passes.

Na segunda etapa, Ancelotti tentou mudar as características na frente com Robben na vaga de Muller, Kimmich no lugar de Thiago Alcântara, que podia ter sido expulso por faltas seguidas já com amarelo. Ainda Mats Hummels substituindo Boateng. Avançou as linhas, buscou a pressão. Mas ainda previsível.

Simeone confia tanto em seus jogadores que arriscou Gameiro no lugar de Carrasco. Griezmann recuou para fazer a função pela esquerda e o compatriota ficou na frente com Torres. Ou marcando no próprio campo, com os dez jogadores ocupando não mais que trinta metros para negar espaços ao oponente.

Depois “Cholo” trocou Torres por Nico Gaitán, retornando o francês para o ataque. Griezmann teve a chance de definir o jogo, mas, assim como na última final continental, cobrou o pênalti tosco cometido por Vidal em Filipe Luís no travessão.

Nem foi preciso. O Bayern não teve ideias ou alguma surpresa para descoordenar o que é tão bem treinado. Carlo Ancelotti segue sem vencer no Vicente Calderón, sina desde os tempos de Real Madrid. Porque o técnico e sua equipe ainda não aprenderam a fazer mais e melhor para superar um Atlético que não precisa de muito para se impor e vencer.

Para Simeone, menos é sempre mais.

(Estatísticas: UEFA)

 


A incrível sina dos times de Madrid na “Undécima” do Real
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André Rocha

Muitos times se desmanchariam emocionalmente se levassem um gol numa final do tamanho da Liga dos Campeões antes dos 15 minutos de jogo. E logo do algoz há apenas dois anos. E com Sergio Ramos impedido. Por pouco, mas irregular.

Não o Atlético de Simeone, que voltou a se aprumar, continuou sofrendo com as jogadas aéreas do Real Madrid, mas terminou o primeiro tempo em Milão com as mesmas cinco finalizações do rival e igualando em posse de bola.

Equipes tão cascudas quanto a colchonera jogariam a toalha no pênalti perdido pelo craque do time no segundo minuto da segunda etapa. Griezmann no travessão.Já com Carrasco no lugar de Augusto Fernández e rearrumando o desenho tático para um ofensivo 4-3-3.

O Atlético insistiu. Podia ter sucumbido nas chances seguidas dos merengues nos contragolpes. Fechado num 4-1-4-1 com Bale e Cristiano Ronaldo recompondo pelas pontas. Benzema perdeu à frente de Oblak. O francês deu lugar a Lucas Vázquez. Antes Zidane trocou o extenuado Kroos por Isco. Na mesma jogada, Ronaldo e Bale desperdiçaram à frente de Oblak.

Até Marcelo deixar espaços às suas costas com o sistema defensivo postado. Velho erro de posicionamento que Juanfran aproveitou e centrou para Carrasco, que se antecipou a Danilo, substituto do lesionado Carvajal e outro lateral brasileiro a falhar nas suas atribuições como defensor.

Quando o jogo parecia à feição para a virada colchonera, o time que teve que se desgastar mais ao longo do jogo pela desvantagem no placar e os abalos emocionais não teve pernas. Filipe Luís e Koke estouraram e as entradas de Lucas Hernández e Partey acrescentaram pouco nos minutos finais e na prorrogação arrastada por conta do cansaço geral.

Pênaltis. Definidos primeiro pelo inexplicável comportamento de Oblak. Ainda que as cobranças de Vázquez, Marcelo, Bale, Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo tenham sido precisas, o arqueiro esloveno não saltou em nenhuma. Parecia aguardar o chute no meio do gol. Ou sentiu mesmo a pressão.

O experiente Juanfran não afinou, mas foi infeliz. Navas até saltou no chute na trave direita que transferiu ao português e artilheiro absoluto com 16 gols o papel de herói. O décimo primeiro título do gigante em 14 decisões. Conquistado com incrível recuperação da equipe com Zidane, mas também os sorteios favoráveis que colocaram Roma, Wolfsburg e City no caminho.

Tudo conspirou contra o time de Simeone, que suportou e enfrentou todos os oponentes. Inclusive os campeões PSV, Barcelona e Bayern de Munique. Só não teve como fazer frente à incrível sina. Terceiro vice na Champions. Todos doídos, difíceis de encontrar consolo.

Se há uma razão para sofrer menos é ter perdido duas nos detalhes para o maior campeão. Um time fadado a levar a “orelhuda” para casa.

(Estatísticas: UEFA)


Revanche nos olhos não pode virar sede de vingança para Atlético de Madrid
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André Rocha

Simeone Atletico

O melhor sistema defensivo da Europa. Apenas 18 gols sofridos em 38 rodadas do Campeonato Espanhol. Só sete na Liga dos Campeões, sendo quatro deles contra os gigantes Barcelona e Bayern de Munique.

Concentração absoluta, força mental para jogar sem a bola e coordenar linhas compactas, coberturas, dobras de marcação, pressão sobre o homem da bola. Todos participando com entrega total. Uma incrível capacidade de competir durante os 90 minutos.

Vimos isso durante toda a temporada do Atlético de Madrid de Diego Simeone. Agora imagine tudo isso com uma preparação de quase vinte dias – desde a derrota por 2 a 1 para o Levante na penúltima rodada do Espanhol que acabou com qualquer chance de disputar o título nacional.

Toda a atenção voltada para um jogo. O jogo. A final da Liga dos Campeões no Giuseppe Meazza em Milão. A terceira da história do clube. A segunda contra o maior rival do próprio país, da própria cidade. Dois anos depois de perder a primeira na prorrogação.

Ou no golpe letal de cabeça de Sergio Ramos nas esperanças de uma temporada mágica dos colchoneros, com o título da liga superando dois gigantes. No lance derradeiro do tempo normal no Estádio da Luz.

Talvez Simeone tenha torcido para enfrentar o Real Madrid e não o Manchester City na final continental. Porque o ineditismo do inglês transferiria um incômodo favoritismo pelas experiências recentes e por ter eliminado o atual campeão e o time de Guardiola.

Contra os merengues, “Cholo” deve colocar revanche nos olhos de seus comandados. Um firme propósito de deixar a vida em campo se for preciso. Todo suor, toda atenção, toda paixão. A maior resistência possível de um exército.

Só não pode transformar esse doping emocional em sede de vingança e se perder na truculência punida com cartão vermelho e uma desvantagem numérica que seria fatal diante de rival tão poderoso.

Na lembrança, os 2 a 1 do Barcelona no Camp Nou pelo Espanhol com o Atlético cumprindo atuação perfeita na tática e na estratégia e, mesmo levando a virada, fazia jogo igual até que as expulsões dos pilhados Filipe Luís e Godín pulverizassem qualquer chance de reação.

Simeone exige que seus soldados sejam competitivos, mas também saibam fazer “jogos mentais” com provocações, intimidando com um jeito sul-americano. Não é bonito nem nobre. Mas legítimo se limitado às regras do jogo.

Para sábado, a estratégia não deve fugir das linhas de quatro muito próximas, quase chapadas. Torres e Griezmann à frente, mas colaborando sem a bola. Alternando pressão no ataque e proteção à meta de Oblak com todos no próprio campo.

Na transição ofensiva, muita velocidade, toques práticos, rápidos e verticais. Como no contragolpe que terminou no gol de Griezmann sobre os bávaros na Allianz Arena. Ou mesmo no último duelo contra o Real Madrid: 1 a 0 no Santiago Bernabéu. Também Griezmann. Bola roubada, saída rápida, o francês acionou Filipe Luís e apareceu na área para finalizar.

O desafio será fugir da marcação pressão sufocante que Zidane prepara nos treinos. A saída de bola terá que ser precisa. O Real marcou dez gols em contra-ataques na temporada – sete no Espanhol, três na Champions. O Atlético só cinco, a metade. Mas o contexto dá o contragolpe a Simeone.

A ideia do técnico francês é roubar a bola perto da meta rival para acelerar e acionar rapidamente o trio BBC que deve ter Cristiano Ronaldo no sacrifício e alternando com Benzema no centro do ataque. A jogada aérea com o próprio craque português, o Bale de nove gols de cabeça na temporada e, claro, o “carrasco” Ramos é arma importantíssima também.

É disputa sem favoritos. O Real tem mais talentos desequilibrantes, a confiança da incrível recuperação no Espanhol com 12 vitórias seguidas e a serenidade de quem venceu o clássico decisivo em 2014.

Já o Atlético virá com toda a alma e o fogo no olhar. O perigo é ser consumido pelas chamas.

(Estatísticas: Whoscored)

 

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

As prováveis formações para a final em Milão: Atlético no 4-4-2 compacto e concentrado no plano de jogo, Real no 4-3-3 que pode alternar Benzema e Cristiano Ronaldo para poupar energias do português no sacrifício (Tactical Pad).

Leia também: Com Zidane, Real Madrid volta a transitar bem entre Guardiola e Mourinho


Não bastam camisa e lampejos para o Real Madrid superar o Atlético
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André Rocha

Se o Barcelona desconstruiu a compactação do Atlético de Simeone no Camp Nou com a qualidade técnica e o talento que criam um volume de jogo insuportável, o Real Madrid sofreu no Santiago Bernabéu com desfalques pontuais que comprometem todo o trabalho coletivo.

Marcelo e Bale. Depois Benzema, que não voltou do intervalo. Exatamente os que mais alimentam o finalizador Cristiano Ronaldo. Danilo, destro, não deu amplitude pela esquerda, James Rodríguez sem intensidade. Borja Mayoral é aposta interessante para o clube que pouco revela, mas naturalmente falta vivência. O mesmo com Lucas Vázquez, que substituiu James.

Pouco diante da disciplina habitual dos colchoneros na execução do 4-4-2. Linhas próximas, atenção e concentração no trabalho defensivo – basculações e coberturas. Sem contar a pressão constante e obsessiva no homem da bola. Griezmann e Fernando Torres voltando e negando espaços a Kroos e Modric. Paciência para conduzir um primeiro tempo com 33% de posse.

87% de efetividade nos passes dos merengues, mas muita circulação da bola entre zagueiros e volantes, pouca criação e quase nenhuma profundidade com Isco e James pelos lados. Só a cobrança de falta de Cristiano Ronaldo e um abafa com finalização torta de Benzema.

Real Madrid com James Rodríguez e Isco pelos lados procurando Benzema e Cristiano Ronaldo, mas criou pouco diante do compacto 4-4-2 do Atlético de Madrid de Simeone (Tactical Pad).

Real Madrid com James Rodríguez e Isco pelos lados procurando Benzema e Cristiano Ronaldo, mas criou pouco diante do compacto 4-4-2 do Atlético de Madrid de Simeone (Tactical Pad).

No início da segunda etapa, a bola para Ronaldo encerrar as críticas pela falta de gols decisivos em jogos grandes da temporada. Chute cruzado para fora. Pouco antes de Griezmann iniciar o contragolpe, acionar Filipe Luís e aparecer na área para marcar seu 13º gol, depois de seis rodadas.

Numa rara falha coletiva da retaguarda de Simeone, Ronaldo perdeu nova chance, desta vez de cabeça. Teria outra menos cristalina mais tarde que Oblak defendeu com serenidade. O Atlético recuperou a força mental com os argentinos Kranevitter e Correa nas vagas de Augusto Fernández e Fernando Torres. Resistiu à pressão desordenada do rival, que subiu a posse para 69%, finalizou 15 vezes contra nove. Insuficiente.

Primeira derrota de Zidane, depois da média de cinco gols por jogo no Bernabéu nas quatro partidas em casa -71 gols marcados na competição. Grande atuação de Saúl Níguez no terceiro triunfo seguido sobre o Real no Bernabéu. Vitória do sistema defensivo mais eficiente da Europa de apenas 11 gols sofridos em 26 rodadas.

Para superá-lo não bastam só camisa e lampejos sem consistência coletiva. O sólido time de Simeone segue na luta inglória de encerrar o reinado do Barca hegemônico.

As substituições de Zidane pouco acrescentaram pela juventude em jogo tão pesado; Simeone trocou Fernández e Torres por Kranevitter e Correa para resistir à pressão descoordenada do rival (Tactical Pad).

As substituições de Zidane pouco acrescentaram pela juventude em jogo tão pesado; Simeone trocou Fernández e Torres por Kranevitter e Correa para resistir à pressão descoordenada do rival (Tactical Pad).


A virada no talento do Barcelona que descompensou o time de Simeone
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André Rocha

Os primeiros dez minutos do Atlético de Madrid no Camp Nou foram de concentração absoluta. O time de Simeone adiantou a marcação, com Carrasco e Griezmann alternando a pressão, especialmente sobre Busquets. Também fustigando Piqué e Mascherano.

Com isso, a saída do Barcelona ficou lenta e imprecisa. Bola roubada, transição rápida, intensa e objetiva. Chute forte de Saul, defesaça de Bravo. Falha inexplicável da retaguarda do time catalão em cobrança de lateral, gol de Koke.

A atuação perfeita durou vinte minutos. Até se recolher em duas linhas compactas, mas permitir que o Barça respirasse e enfim colocasse em prática seu jogo posicional, com no mínimo oito jogadores no campo adversário trocando passes, criando espaços.

Rondou a área até Alba servir Messi no empate. A senha para o Atlético voltar a adiantar a marcação. Consequentemente, a zaga também avançando, mas sem a coordenação e o fulgor de antes. Letal quando Daniel Alves acertou passe longo, Suárez se desmarcou de Giménez, saiu no limite da linha de impedimento, protegeu como autêntico nove e finalizou como o artilheiro do Espanhol, com 19 gols.

As faltas faziam parte da estratégia de Simeone para interromper o fluxo do jogo do rival. Mas desde o início Filipe Luís parecia pilhado demais, especialmente contra Messi. Até a entrada criminosa no argentino que terminou no cartão vermelho, que saiu barato. Devia ter saído algemado do estádio.

O momento mais infeliz de um belo duelo tático em 45 minutos, com 71% de posse do Barcelona e três finalizações para cada equipe. Na análise dos números, o Atlético foi mais eficiente. O Barcelona virou no talento.

O Atlético de Madrid teve execução perfeita do seu plano de jogo. com duas linhas de quatro, durante quinze minutos. Depois o Barcelona ocupou o campo de ataque, trocou passes e virou no talento de Messi e Suárez (Tactical Pad).

O Atlético de Madrid teve execução perfeita do seu plano de jogo. com duas linhas de quatro compactas e marcação pressão, durante quinze minutos. Depois o Barcelona ocupou o campo de ataque, trocou passes e virou no talento de Messi e Suárez (Tactical Pad).

Na segunda etapa, Godín não foi maldoso, mas inconsequente. E ingênuo, por conhecer o compatriota Suárez e saber que ele valorizaria a entrada para forçar o segundo amarelo. A intensidade que Simeone cobra às vezes se confunde com truculência.

Com nove homens – entre eles Savic, Gaméz e Partey, que entrou na vaga de Augusto Fernández – contra o melhor time do planeta no Camp Nou, restou ao Atlético se fechar em duas linhas de quatro e abrir mão do jogo.

Só que o Barcelona exagerou no controle do jogo, pouco contundente. Com momentos de nítida dispersão. Talvez para poupar energias. Provavelmente para evitar lesões contra um time descompensado. Especialmente Neymar, nitidamente no sacrifício. Porém correu riscos desnecessários, a ponto do adversário esfacelado ter a última bola do jogo.

Mas venceu. Novamente por 2 a 1, adicionando o confronto direto na vantagem de três pontos que podem virar seis no jogo a menos na tabela. A rigor, nada tão definitivo. Mas para o Barcelona capaz de dobrar rival tão “cascudo” o bicampeonato parece encaminhado.

No segundo tempo, o time de Simeone, com dois a menos, se fechou em duas linhas de quatro e sofreu pouco diante de um Barça que exagerou no controle, foi pouco incisivo e levou susto no final (Tactical Pad).

No segundo tempo, o time de Simeone, com dois a menos, se fechou em duas linhas de quatro e sofreu pouco diante de um Barça que exagerou no controle, foi pouco incisivo e levou susto no final (Tactical Pad).


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