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Pachuca na semifinal! Mas o grande adversário do Grêmio segue o mesmo
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André Rocha

Sem meias palavras: foram 120 minutos duros de assistir. No primeiro tempo de Pachuca x Wydad Casablanca em Abu Dhabi, a FIFA teve que inventar uma finalização que, a rigor, foi um cruzamento na direção do gol. O time mexicano não conseguia criar espaços, apesar de propor o jogo. O time ainda sente muita falta do jovem meia Hirving Lozano, negociado com o PSV Eindhoven. O marroquino, campeão africano, tinha espaços, mas não conseguia concatenar contragolpes, muito menos acionar a estrela Bencharki na frente.

Mesmo com o Wydad contando com apenas dez homens desde os 24 minutos da segunda etapa, após a expulsão do volante Nakach, o gol do Pachuca só saiu aos seis do segundo tempo da prorrogação. Quando, enfim, o uruguaio Urretaviscaya chegou ao fundo pela direita com liberdade para colocar na cabeça de Victor Guzmán.

Subindo por trás de Franco Jara, o centroavante de referência que entrou no segundo tempo na vaga de Ángelo Sagal, o chileno que foi o atacante móvel à frente do japonês Keisuke Honda no 4-2-3-1 montado pelo treinador Diego Alonso na formação inicial.

Nada demais. Mas os times que chegam às semifinais contra os campeões europeu e sul-americano dificilmente impressionam. Só que nos últimos tempos, no caso do confronto com o campeão da Libertadores, isto vem contando a favor.

Porque já passou pela estreia e o que podia restar de tensão vai embora com o confortável status de “zebra”. E se havia alguma obrigação de vencer no primeiro jogo, agora a condição é de franco atirador. Nada a perder.

Ou seja, a responsabilidade estará toda com o Grêmio. Desde a criação do Mundial de Clubes da FIFA, todos os brasileiros encontraram dificuldades na semifinal. Mesmo o Santos nos 3 a 1 sobre o Kashima Reysol em 2011 não atropelou, teve períodos de jogo controlado pelo adversário. Internacional e Atlético Mineiro ficaram pelo caminho em 2010 e 2013. Na última edição, o Atlético Nacional sequer conseguiu se classificar contra o Real Madrid. Atropelamento do Kashima Antlers por 3 a 0.

Para o Grêmio não correr riscos de vexame é importante manter a força mental e encarar como um jogo decisivo, sem assumir mais responsabilidades do que o contexto exige. Entrar com personalidade e foco no jogo. Renato Gaúcho deve exigir de seus comandados que sequer passe pela cabeça a intenção de poupar energias e evitar contusões pensando na grande decisão. É semifinal e deve ser tratada com esse peso, mesmo com todo favoritismo.

O campeão da CONCACAF  entra na rota do tricampeão da América. Mas para seguir no sonho de fazer o planeta azul pela segunda vez, o grande adversário do Grêmio segue o mesmo: os próprios nervos.

Pachuca no 4-2-3-1 com dificuldades para criar espaços, tentando acionar Urretaviscaya para acelerar pela direita. Mesmo com a expulsão no segundo tempo de Nakach, volante do 4-2-3-1 do Wydad Casablanca. Mas contra o Grêmio o time mexicano deve encontrar mais espaços para jogar (Tactical Pad).


O Brasileiro da “favoritofobia”. Será o Palmeiras a próxima vítima?
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André Rocha

O Brasileirão começou em maio com favoritismo do campeão Palmeiras, com a volta de Cuca, mais Flamengo e Atlético Mineiro correndo por fora. Times dos elencos milionários, camisas pesadas…e muita responsabilidade.

No campeonato do futebol reativo e dos problemas para criar espaços e jogadas, essa condição sempre foi desconfortável. Inclusive para o Corinthians do turno quase perfeito. Considerado “azarão”, mesmo com o título paulista.

Na virada para o returno, com tempo para treinar por conta do adiamento do jogo contra a Chapecoense, o time de Fabio Carille, enfim, ganhava a condição de favorito absoluto ao título, o sétimo da história do clube. No entanto, além da desmobilização já tratada neste blog (leia AQUI), a obrigação de atacar também minou gradativamente as forças do líder.

Queda consolidada na derrota para a Ponte Preta em Campinas por 1 a 0, com a “lei do ex” vigorando no gol de Lucca. Ainda no topo da tabela, com seis pontos de vantagem. Mas uma vitória do Palmeiras de Alberto Valentim contra o Cruzeiro será suficiente para transferir o bastão, ou devolvê-lo a quem parecia o maior candidato lá na primeira rodada.

Eis o perigo. Amanhã todos os olhos estarão voltados para o Allianz Parque e o time alviverde enfrentará um cenário complexo: obrigação de vencer como favorito e enfrentando um adversário forte, franco-atirador pelo título da Copa do Brasil e com o treinador Mano Menezes pronto para estacionar um ônibus na frente da própria área.

Nos triunfos contra Atlético-GO e Ponte Preta era o time em crise, depois da demissão de Cuca. Diante dos reservas do Grêmio em Porto Alegre, o favoritismo era relativo pelo mando de campo e a responsabilidade não era tão grande. Amanhã a conversa é outra. Se vencer fica a três pontos do maior rival e, tanto na bola jogada quanto no aspecto anímico, passa a ser o grande favorito ao bicampeonato.

A história da competição mostra que a missão não é tão fácil. Como será o amanhã? Responda quem puder.

Por isso o time mais consistente do Brasileiro é o Botafogo. Exatamente porque é reconhecido por sua solidez e competitividade, mas nunca favorito. Até porque na maior parte do campeonato dividiu atenções com Copa do Brasil e Libertadores. Sempre correndo por fora, com elenco no limite e orçamento limitado. Sempre concentrado, mas quase nunca tenso.

Porque o Brasileiro 2017 é o da “favoritofobia”. Quem será a próxima vítima?


Robinho e o país dos bagaços que se acham suco puro
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André Rocha

Tem presidente que não aceita salvar as laranjas podres e é colocada para fora do saco. Por outro lado, o senador que chupa até o caroço tem sempre alguém para lhe garantir no bolo.

Tem bajulador e aspone na carona dos que detém o poder e, por isso, se julgam importantes. Tem também os que já fizeram algo um dia e tratam como título de nobreza, vitalícia e hereditária. Tem os que se encostam atrás da aposentadoria depois de oito anos de mandato.

Tem os boleiros que por terem “estado lá” acham que podem ciscar por toda parte, em todas as funções. Mesmo que com o microfone ou com a prancheta na mão não consigam sair do óbvio e do lugar comum. Sem conhecimento para agregar à vivência.

Mas estes sempre têm vez no país do “sabe com quem está falando?” Da autoridade adquirida e nunca questionada. Do “chupou laranja com quem?” para se perpetuar no poder, ou na prateleira de cima. Mesmo que já esteja caindo pelas tabelas.

Robinho é só mais um exemplo. Do ex-futuro melhor do mundo na década passada a uma reta final de carreira num Atlético Mineiro que pensou ter respirado, mas tem de volta a agonia da luta para se manter na Série A. Ao final da rodada pode estar apenas a três pontos do Z-4. Camisa sete que era reserva com Rogerio Micale, agora titular com Oswaldo de Oliveira, outro que roda pelos clubes mais pelos serviços prestados em um tempo que não volta mais.

Provocou Moisés Ribeiro com a velha “carteirada”: “jogou aonde?” Atitude comum na crueldade boleira, naquilo que eles dizem que fica no campo. Mas que, na prática, circula por todos os setores da sociedade. A elite querendo manter o status quo, a classe média que não quer o pobre junto com seu filho na universidade. Nas castas informais que não podem se misturar.

Mas no campo vale o que se joga e a Chapecoense saiu do Independência com vitória de virada por 3 a 2. Moisés sobe com sua equipe para longe do inferno e estaciona o outrora favorito ao título na escalada que busca o “G-7”. Porque chupar laranja com Ronaldo Fenômeno, Zidane, Beckham e Roberto Carlos no Real Madrid em 2005 não garante ninguém doze anos depois.

Nem no país dos bagaços que se acham suco puro.


Carta aberta a Cuca: vá a Nápoles ver Sarri, não para a Cidade do Galo
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André Rocha

Caro Alexi Stival,

Não nos conhecemos, mas acompanho sua carreira há bastante tempo. Desde o Goiás em 2003. Devo reconhecer que o seu Botafogo chegou a me encantar em 2007. Sua inquietação e vontade de fazer diferente chamaram a minha atenção.

Só que o futebol mudou muito de lá para cá. No mundo todo e no Brasil um pouquinho atrasado. E a solução que você, Cuca, encontrou para colocar no currículo os títulos que faltavam para torná-lo mais pesado foi na contramão do que se faz nos principais centros.

Em termos, porque a tão decantada intensidade sempre esteve presente nas suas equipes. A pressão na saída de bola também. O resto, porém, ficou anacrônico. Marcação por encaixe, perseguições individuais nos setores. Ofensivamente, muitas ligações diretas e foco exagerado nas jogadas de bola parada.

Assim venceu a Libertadores com o Atlético Mineiro em 2013. Mas tente fazer um exercício: compare a qualidade técnica dos jogadores que tinha disponível, de primeira prateleira na América do Sul, com o enorme sofrimento para conseguir as classificações e o triunfo final.

O “São” Victor desde a defesa na cobrança de Riascos contra o Tijuana e a enorme felicidade naquele apagão no Estádio Independência contra o Newell’s Old Boys que deu tempo para uma última mobilização, inclusive com a torcida, para buscar o gol salvador que levou a disputa para os pênaltis. Você correu muitos riscos, talvez desnecessários para uma equipe com Leonardo Silva e Marcos Rocha em plena forma e um quarteto ofensivo com Bernard, Tardelli, Ronaldinho Gaúcho e Jô.

Não acredite nessa lenda urbana espalhada nas torcidas brasileiras de que “sofrido é mais gostoso”. Para você que já confessou que gosta de ter tudo sob controle, viver no fio da navalha é oscilar entre vitória e derrota o tempo todo.

Como aconteceu ano passado com o Palmeiras campeão brasileiro. Muitas das vitórias apertadas no returno, quando você assumiu uma postura mais pragmática pela disputa da liderança com o Flamengo, podiam ter se transformado em empates ou mesmo reveses. Lembra do sufoco que levou no Independência do Galo? Ou do coelho que Gabriel Jesus precisou tirar da cartola para achar o empate em casa contra o Fla?

Ali deu tudo certo. Mas era possível fazer bem mais. Com esses seus métodos tudo precisa dar muito certo. Quando saem um pouco do planejado acontece o que ocorreu agora em 2017. Sem desempenho e resultado. Porque um é consequência do outro. Essa sua fórmula muito focada no placar final perde a essência do jogo.

Dizem que às vezes os inimigos trazem os melhores conselhos. Não que eu seja um, sou apenas um crítico. Nada a ver com clubismo, como muitos palmeirenses me acusam. Tenho enorme respeito e carinho pelo clube alviverde, que proporcionou a quem ama o esporte grandes espetáculos de times fantásticos. Muito menos fiquei frustrado com a perda do título pelo Flamengo. Quem acompanhava o clube, inclusive conversando com profissionais, sabia que a sequência de viagens cobraria o preço no fim da temporada. E sempre achei esse papo de “cheirinho” uma tolice – aliás, você deve ter agradecido muito esse combustível para manter seus jogadores focados.

Entenda: o jornalista que trabalha com futebol, mergulhado no tema como este que escreve, desenvolve convicções e teses. E a vaidade humana faz ele torcer mais por elas do que por qualquer time, inclusive o de coração. Tanto que agora em 2017 preferia o Corinthians do primeiro turno na liderança do Brasileiro do que o Fla de Zé Ricardo, um time sem imaginação e apelando demais para os cruzamentos.

Por tudo isso deixo uma sugestão: faça o que você sinalizou na virada do ano e vá a Nápoles acompanhar o trabalho de Maurizio Sarri. Aproveite a chance de intercâmbio. No Brasil reza a lenda de que para jogar bonito é preciso ter grandes craques. Sarri subverte isso com um orçamento bem distante da que a milionária Juventus ostenta. Aposta na troca de passes com qualidade desde a defesa, passando pelos brasileiros Allan e Jorginho no meio, se instalando no campo do adversário e deixando para acelerar no último terço  com Callejón, Hamsik, Mertens e Insigne. Muita mobilidade sem um típico centroavante desde a saída de Higuaín e um estilo bonito de ver.

Não conquista porque a Juve domina o futebol na Itália e no continente a concorrência é ainda mais cruel. Mas imagine você com respaldo para trabalhar trazendo esses novos conceitos. Mostrando que se reciclou, buscou aprimoramento. Ainda que o Brasil seja o incrível país que não valoriza o estudo, sua chance de sucesso é imensa. Seria um olho atento na terra dos “cegos”.

Com sua obsessão por trabalho e ensaio parecida com a de Sarri, os movimentos do seu time seriam precisos. E marcando por zona, como se faz no mundo todo, não teria um problema grave que encarou em 2017: a dificuldade dos jogadores em se adaptar a este sistema de marcação antiquado, em desuso.

É bem possível que o Atlético queira de volta o estilo “Galo Doido”, até porque virou algo cultural e nenhum treinador depois de você conseguiu desconstruir. Chegará como rei, com carta branca para trabalhar do seu jeito. Mas não será um momento para reflexão? Porque se repetir o insucesso voltará á vala comum dos treinadores brasileiros. Deixará o topo e a linha de sucessão de Tite na seleção brasileira.

Tite que é um belo exemplo de pausa para aprimoramento e volta em outro patamar. Hoje reconhecido como um dos melhores do planeta. Perdoe o clichê, mas seria um passo para trás e uns dez à frente em seguida. Por que não?

Desejo a você muita felicidade na escolha e lamento sua saída do Palmeiras. Se não como analista de futebol, mas como pessoa. Sei bem o que é ficar sem fazer o que se gosta e não desejo a ninguém. Mas torço de todo coração que aproveite a saída do olho do furacão para pensar bem e fazer a melhor escolha para sua carreira.  O futebol brasileiro merece e até precisa.

Deixo aqui um forte e respeitoso abraço.


Atlético Mineiro 2017 é mais um típico projeto de ilusão fadado ao fracasso
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André Rocha

Foto: André Durão

Rogerio Micale foi demitido depois da derrota por 3 a 1 para o Vitória no Independência. Assumiu em julho com contrato até dezembro. Trabalho que não deu liga, assim como o de seu antecessor Roger Machado. Treinadores de perfis parecidos, que obviamente têm suas cotas de responsabilidade no fraco desempenho em 2017. A começar por terem aceitado o convite para um trabalho com poucas chances de dar certo.

Porque Marcelo Oliveira, com estilo e histórico totalmente distintos, também fracassou no ano anterior. Colocou na Libertadores via Brasileiro e na final da Copa do Brasil, mas a expectativa com o treinador bicampeão brasileiro com o Cruzeiro e ídolo do clube como jogador era de grandes conquistas.

Nem estudioso com pouca rodagem e, consequentemente, títulos. Nem o veterano com currículo e bom gestor de grupo. Simplesmente por ser um típico projeto fadado ao fracasso.

Já aconteceu tantas vezes e não aprendemos – e aí este que escreve se inclui como analista. Em 1985 o Corinthians torrou a grana da venda de Sócrates para a Fiorentina montando times caros, tirando Serginho Chulapa do Santos e Hugo De León do Grêmio, e nada conseguindo. O Flamengo de Edmundo, Sávio e Romário em 1995 é outro exemplo, assim como o bancado pela falida ISL em 200, que reuniu Alex, Denilson, Edilson, Gamarra e Petkovic.

Há também os bem sucedidos, como os Palmeiras de Luxemburgo e Scolari na Era Parmalat. Mas com uma diferença: o investimento era feito em jogadores talentosos e promissores, mas ainda com “fome” na carreira. Oferecendo boas condições de trabalho.

Estrutura nem é o problema do Galo e sua Cidade. O erro é contratar baseado mais na grife, na esperança do jogador consagrado resgatar o desempenho de seu auge anos atrás. Pior ainda é ganhar o selo de favorito aos títulos que disputa não pelo que os atletas construíram juntos, mas por conta do status de cada jogador em separado.

Não é possível juntar o Leonardo Silva de 2013, o Fabio Santos e o Fred de 2012, o Elias de 2009 e o Robinho de 2004. Estamos em 2017. E outra má notícia: se trouxe tem que botar para jogar. Porque o veterano consagrado não costuma lidar bem com o banco de reservas.

Logo vem os questionamentos: o titular, mais jovem e produtivo, “chupou laranja com quem?” Como tirar do time o “presidente da resenha”, o craque que os mais jovens tinham no videogame? Como descartar quem estaciona o carro mais luxuoso na garagem, recebe visitas de outros craques midiáticos na sede e tem um staff que parece um outro time de futebol?

No Galo, o pecado maior foi reunir Robinho e Fred sem entender que no futebol atual ou você tem um típico centroavante com velocidade e intensidade ao redor para acioná-lo, ou tem o atacante veterano que compensa a falta de mobilidade de outros tempos com inteligência e técnica. Mas vai precisar de alguém na frente com mais dinâmica.

Os dois juntos exigem mais sacrifícios dos demais. E logo atrás há um Elias em fase parecida na carreira, um Cazares e Otero buscando protagonismo no futebol brasileiro. Um Yago querendo espaço. Difícil correr sabendo que na mídia, se o time vencer, serão as principais estrelas a ganhar os holofotes. É humano.

Assim como é natural a expectativa criada. O “agora vai!”, a esperança de que será diferente. Mesmo que as características dentro e fora de campo não combinem. E só pelos nomes se transfira uma responsabilidade de conquistas que, no fundo, é irreal.

Porque em 2017 não dá mais para aceitar a contratação sem avaliação criteriosa. Só pelo nome é enorme risco. Assim como contratar o treinador na tentativa e erro, no “vai que cola”. Não é só questão de sorte. Trabalho e estudo sempre ajudam.

Foi o que faltou ao Atlético. Jogou para a galera. A mesma que agora cobra do presidente Daniel Nepomuceno ao funcionário mais humilde. Ninguém engole mais a transferência de responsabilidades, o “contratei os melhores, se não deu certo não é problema meu”. É problema de todos.

E fica novamente o questionamento deste blog: vale tratar estadual como prioridade em abril e maio e se achar superior ao rival com o título, se em dezembro este pode estar celebrando uma conquista de Copa do Brasil ou a vaga do G-6 que parecia reservada para si mesmo, o “favoritão”?

Os nove pontos de distância em relação ao Botafogo, sexto colocado, e os três de vantagem sobre o São Paulo, 17º, dão a dimensão dos objetivos do Galo, agora sem treinador, até o fim do ano. Depois de ser eliminado da Libertadores pelo Jorge Wilstermann que levou oito do River Plate e da Copa do Brasil pelo Bota de orçamento muito inferior.

Neste cenário é até difícil tratar a Primeira Liga como um título relevante. E ainda há a chance de novo revés como favorito contra o Londrina que está no meio da tabela na Série B. Outro vexame?

Certeza só de que era fiasco anunciado, com o dom de iludir. Mais um. Será que agora aprendemos todos?


Não foi só raça! River Plate dá aula monumental de “toco y me voy”
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André Rocha

O Jorge Wilstermann foi inocente no Monumental de Nuñez como os times e seleções bolivianos de quatro ou cinco décadas atrás. Levar o primeiro gol dos históricos 8 a 0 num contragolpe com Scocco pegando escancarada a linha de cinco na defesa comandada pelo brasileiro Alex “Pirulito” Silva beirou o patético.

Pior ainda: trouxe a torcida que já tinha feito uma bela festa na entrada do River Plate ainda mais para o jogo e o que se viu foi um massacre sem precedentes. Porque o gigante argentino teve fibra, sim. Raça. A camisa pesada também conta, mas não foi só isso. O time do treinador Marcelo Gallardo jogou futebol no ritmo certo para construir a virada do dobro do tamanho que precisava.

Já tinha criado ao menos três oportunidades cristalinas, duas com Scocco, na altitude de 2.570 metros em Cochabamba nos 3 a 0 que iludiram a Bolívia e até seu presidente Evo Morales. O River sabia que tinha condições de reverter.

E aí entra a primeira aula dos Millonarios para brasileiro aprender: a “pilha” certa. Com a tensão natural de quem sabia que a obrigação de fazer três gols sem sofrer nenhum em uma partida eliminatória é mais que desconfortável. Mas transformando a adrenalina em fome. Até uma certa raiva, mas não para agredir fisicamente o adversário. Simplesmente mostrar quem é o mais forte.

A segunda, e monumental, foi a avalanche de futebol, com volume de jogo impressionante. Toque fácil, rápido, objetivo. A execução do 3-4-3 como deve ser: alas Fernández e Rojas abrindo o campo, Ponzio e, principalmente, Enzo Pérez empurrando o trio Auzqui-Scocco-Martínez para dentro da área do oponente. Todos se procurando para tabelas, triangulações e infiltrações em diagonal, no “funil”.

Bem diferente do festival de cruzamentos de Atlético Mineiro (43) e Palmeiras (32) nas partidas em casa contra os bolivianos. O River não se desfez da bola. Pelo contrário, deu um espetáculo de “toco y me voy” moderno, com a intensidade do futebol atual. Passa e desloca, passa ou se projeta para dar profundidade às manobras do ataque. Até cruzou muito – 26, com cinco acertos. Mas muitos da linha de fundo para trás, como deve ser.

Depois de três gols de Scocco um tanto aleatórios, o time da casa anotou outros três em jogadas trabalhadas. Trocas de passes verticais até chegar ao fundo e encontrar o companheiro mais bem colocado. Futebol simples, mas que só é viável quando há entendimento do jogo.

Também tempo de trabalho. Gallardo está no clube desde 2014. Venceu a Sul-Americana no ano da estreia e a Libertadores na temporada seguinte. As conquistas rarearam, mas o trabalho prossegue. Há uma linha, um estilo, uma ideia. Que encontrou sua melhor execução numa noite mágica.

A dos cinco gols de Scocco, maior beneficiado pelo futebol fluido e mortal do River Plate que gerou nada menos que 22 finalizações, 12 na direção da meta de Raul Olivares. O atacante marcou quatro gols em toda sua passagem pelo Internacional e superou em um jogo. De virtual eliminado ao grande favorito para alcançar seu quarto título do torneio. Primeiro tem a semifinal argentina contra o Lanús, que mandou para casa, também numa virada, o San Lorenzo campeão em 2014.

No início da competição, oito brasileiros e seis argentinos. Agora só teremos uma decisão entre os grandes rivais do continente, algo que não acontece desde o Corinthians x Boca Juniors de 2012, se o Grêmio superar o Barcelona. Sintomático como os dois titulos desde o fim da sequência de domínio do Brasil.

Que a lição não se resuma aos “cojones”, à questão anímica. O River Plate não foi só isso em Buenos Aires.

(Estatísticas: Footstats)


Pânico do Galo com dois homens a mais é retrato do futebol brasileiro
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André Rocha

Aos 33 minutos do segundo tempo, a expulsão de Willian deixou o Palmeiras com dois homens a menos contra o Atlético Mineiro no Independência. O time da casa já estava com vantagem numérica desde os 40 da primeira etapa com o cartão vermelho apresentado por Leandro Vuaden a Luan Garcia.

A ideia do post não é se ater às decisões do árbitro no confuso 1 a 1 de sábado, com três pênaltis além das duas expulsões e outros lances polêmicos, mas às consequências dentro do jogo. Com um homem a mais, o Galo já vinha encontrando dificuldades e se livrou de sofrer o segundo gol quando Victor pegou a cobrança de pênalti de Deyverson.

Quando o cenário do final da partida apresentou a obrigação de atacar para se impor sobre oito jogadores plantados na própria área protegendo o goleiro Fernando Prass, o time mineiro entrou em pânico. Passou a errar passes seguidos, se afobar chutando de fora da área e levantar bolas a esmo, muitas delas na intermediária.

Para desespero do treinador Rogerio Micale, no comando da equipe há pouco mais de dois meses. Era possível fazer a leitura labial e entender que seus gritos eram para girar a bola até criar o espaço para a infiltração. Em vão, ainda que a forceps tenha criado algumas oportunidades e pudesse até sair com a vitória. Ou derrota, no contragolpe cedido que Moisés, já exausto, não conseguiu aproveitar.

A postura do Galo no final da partida é um retrato do futebol atual praticado no Brasil. No qual ter a bola e a obrigação, pelo contexto da partida, de atacar e propor o jogo é um problema. Quase um fardo. Ou o maior risco de sair derrotado.

As razões são muitas. Desde o pouco tempo para treinar pelo calendário insano que também exige um revezamento maior no elenco e compromete o entrosamento, passando pelas constantes mudanças por conta de uma janela de transferências que parece nunca acabar e a pouca paciência com o trabalho dos treinadores. Pressão absurda por resultados imediatos, ainda mais de elencos montados com altíssimo investimento, como os de Palmeiras e Atlético-MG.

Assim como a percepção de que o futebol jogado nos grandes centros chegou aqui primeiro pela defesa. O trabalho sem a bola que ganhou um salto de evolução com a aproximação das linhas, a participação de todos, a perda da vergonha de recuar os dez homens atrás da linha da bola, a preocupação em congestionar a zona de criação para a infiltração. Também a pressão no campo adversário para dificultar a construção das jogadas desde o seu início.

Como criar espaços em um jogo tão apressado, que vaia a bola atrasada para o goleiro ou os passes trocados pelos zagueiros para tirar o rival do próprio campo? Um sistema defensivo bem posicionado e com movimentos coordenados não é tão difícil de ser treinado e exige um trabalho mais sofisticado de quem tem a bola.

É preciso se movimentar para abrir a brecha e o companheiro aparecer nela no tempo certo. Saber o momento de arriscar o drible que desequilibra. Leitura de jogo. Para isso é preciso inteligência e também sintonia, jogar de memória, se entender no olhar. Só vem com a repetição. Difícil com o entra e sai de peças. Não por acaso o São Paulo de Dorival Júnior, que contratou dezoito jogadores e também o treinador, sofre mais que os outros e a meta que restou em 2017 é escapar do rebaixamento que parece cada vez mais palpável.

Mas o líder Corinthians, ainda absoluto e com boa vantagem, também pena quando tem a bola. Fabio Carille tem time base definido, resgata conceitos dos tempos de Tite e mesmo com a maioria dos titulares tendo atuado sob o comando do atual treinador da seleção brasileira, o fato de ter se tornado o time a ser batido fez com que os adversários estudassem mais os movimentos ofensivos e se concentrassem em bloqueá-los.

Enfrentar o melhor time do campeonato também permite jogar em contragolpes, mesmo em casa. Assim o Santos venceu na Vila Belmiro. Porque os espaços se oferecem para os velocistas que não conseguem pensar quando se deparam com uma parede. Resta levantar a bola na área para arrancar um gol. Ou apostar na bola parada. É pouco. Falta repertório, ousadia. Ideias.

Não por acaso em 73% dos jogos quem fica mais tempo com a bola não vence. Por isso o Galo penou e perdeu a oportunidade de conseguir três pontos e se aproximar do G-6. Segundo o Footstats, terminou a partida com 62% de posse, 20 finalizações. Mas apenas sete no alvo e poucas chances cristalinas. Foi às redes na cobrança de pênalti de Fabio Santos. Efetuou 33 cruzamentos.

Criou pouco porque se livrou da bola. E no final é comum o discurso de que fizeram tudo que foi possível. “Massacramos, mas não deu”. Como se ficar com a posse sem criar nada de concreto representasse alguma superioridade real.

Um engano recorrente que empobrece ainda mais o nosso jogo tão sofrido. Há qualidade, mas ela está sufocada. Sem espaço, tempo, paciência, treino e coragem fica quase impossível. É mais fácil esperar o contragolpe. Ou o acaso proteger.


Foco, tempo e até desespero devem nortear segundo turno do Brasileirão
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André Rocha

O Corinthians está com o Brasileiro nas mãos. Até aqui, pelo menos, é aquele caso em que tudo conspira a favor. Inclusive a pausa entre um turno e outro para recuperar e treinar a equipe por conta da viagem da Chapecoense. Com Grêmio, Santos e Flamengo envolvidos em outras competições e Palmeiras na ressaca da eliminação da Libertadores com 14 pontos atrás que podem virar 17, o atual líder disparado pode até se planejar para buscar também o título da Sul-Americana.

Competição que ainda envolve outros cinco brasileiros. Com dois confrontos nacionais  – Sport x Ponte Preta e Flamengo x Chapecoense – que podem reduzir a quarto para as quartas de final. Mesmo número de times na disputa das semifinais da Copa do Brasil. Um a mais que nas quartas da Libertadores.

Dez times dividindo atenções, outros dez disputando somente o Brasileiro. Com apenas quatro rodadas de dezenove no meio da semana. Parece claro que o foco e o tempo para treinar têm grandes chances de fazer a diferença e até superar o nível técnico e tático das equipes.

Sem contar o desespero. Aquele que, pela dificuldade na tabela, torna o adversário difícil de ser batido. Sim, a fuga do Z-4. Que parece ter o Atlético-GO condenado, mas ainda matematicamente vivo, dependendo de uma arrancada que hoje soa improvável. Um olhar mais atento à tabela, porém, revela que o Fluminense, disputando a Sul-Americana, está apenas cinco pontos à frente da Chapecoense, 17ª colocada e com um jogo a menos.

Qualquer vacilo será fatal. É onde mora a esperança são-paulina. Mesmo com todos os equívocos e com a equipe oscilando até psicologicamente, há qualidade, especialmente de Hernanes desequilibrando nas últimas vitórias, e agora tempo para se preparar. O que Dorival Júnior mais precisava. E nada mais para distrair. Uma sequência de bons resultados e pode até sobrar uma vaga na Sul-Americana.

A disputa pelas seis primeiras colocações ganha novos postulantes, como os Atléticos, mineiro e paranaense. Os únicos junto com o Palmeiras entre os onze primeiros com foco absoluto na Série A. Uma vantagem considerável em meio a tanto equilíbrio, com exceção do Corinthians.

A Primeira Liga não deu certo pelo servilismo dos clubes à CBF e agora se encontra soterrada pelos demais torneios. Para muitos será um engodo, um problema de logística. Hoje soa como um prêmio de consolação, uma taça para não deixar 2017 de mãos abanando. Vale menos que o estadual.

O maior desafio, sem dúvida, é o do Botafogo. Com elenco não tão robusto, um clássico carioca no torneio nacional e um duelo brasileiro na Libertadores contra o Grêmio, uma das melhores equipes do país. A um ponto do G-6, que seria a garantia de volta ao torneio continental independentemente do desempenho no mata-mata. Mas a seis da zona de rebaixamento, o que exige um certo cuidado.

Neste cenário, o returno reserva alguns jogos que serão esvaziados pela utilização de reservas e outros que podem ganhar contornos épicos, com times até com tempo para se preparar, mas tão envolvidos emocionalmente que não resistirão ao maldito “jogo para ganhar e não para jogar”. Valendo a vida. Para quem gosta de emoção e não torce o nariz para a fórmula de pontos corridos será um prato cheio.

Se nos dois extremos da tabela os destinos de Corinthians e Atlético-GO parecem selados, todo o resto carrega suas dúvidas e um contexto construído jogo a jogo. Dependente de outras competições, que agora contemplam toda temporada. Vejamos o que o novo calendário reservará à nossa liga neste primeiro ano.


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
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André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Garotada no ataque é a correção de rota do Vasco na temporada
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André Rocha

Antes do início do Brasileiro, as perspectivas do Vasco eram de segunda página da tabela, priorizando a manutenção na Série A. Já o dilema era como Milton Mendes poderia armar uma equipe intensa e jogando futebol atual com os veteranos Luis Fabiano e Nenê na frente.

Rapidamente o treinador percebeu que montar duas linhas de quatro e liberar as duas estrelas sobrecarregava os jogadores pelos lados, já que eles tinham que recompor e ainda aparecer na frente como referências de velocidade para receber os lançamentos. Sem contar a perda de vigor na pressão sobre os adversários na marcação adiantada.

Milton tentou deslocar Nenê pelo lado esquerdo para aproveitar a precisão do meia nos cruzamentos e não mexer em Mateus Vital na articulação central do 4-2-3-1. Não funcionou por sobrecarregar o lateral esquerdo Henrique. Ou seja, o problema apenas mudou de lugar.

O jeito era ser ofensivo em São Januário e buscar os pontos dentro de casa com linhas avançadas e aproveitando o melhor de suas “grifes”: a precisão de Nenê nos passes e nas bolas paradas e a presença de área e o poder de fogo de Luis Fabiano. Na intensidade da Série A parecia pouco.

E então Luis Fabiano se lesiona, Nenê resolve sair do clube e Milton recorre aos jovens da revigorada base cruzmaltina que já oxigenou os cofres do clube com a saída do talentoso Douglas para o Manchester City – negociação inevitável pelo potencial e visibilidade do meio-campista que joga de área a área.

Nos 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro no Independência, Paulo Vítor e Paulinho, ambos com 17 anos, começaram jogando, Guilherme Costa, 23, entrou na vaga de Escudero na segunda etapa. Sem contar a sequência de Bruno Paulista, que não veio da base mas tem 21 anos e não permitiu que o rendimento do meio-campo tivesse uma queda brusca com a saída de Douglas. Nos gols vascaínos, o que faltava antes e agora sobra: rapidez e mobilidade.

Paulo Vítor, jogando mais adiantado, dispara, atrai a marcação da defesa adversária e deixa o caminho livre para Paulinho infiltrar em diagonal a partir da esquerda. No primeiro, passe de Escudero e toque sutil tirando do goleiro Giovanni. No segundo, contragolpe letal com assistência de Guilherme e golaço do camisa sete com a bola no ângulo.

A juventude no setor ofensivo é a correção de rota que o Vasco necessitava, ainda mais sem São Januário para explorar o mando de campo. Com mais viagens, mesmo que a Volta Redonda ainda no Rio de Janeiro, a equipe vai necessitar de mais fôlego e resistência.

Com jovens afirmados, mesmo com o retorno de Luis Fabiano ao centro do ataque, é possível sonhar com G-6, até pela “vantagem” de não ter nenhuma competição paralela a disputar. Ainda que, por ora, a meta inicial de seguir na primeira divisão logo depois do acesso seja mais realista e tire a pressão da garotada que só precisa de estímulo e minutos em campo.