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Uma pena, Flamengo! Não por 1987, mas por se rebaixar tanto desde então
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André Rocha

O Flamengo fez tudo certo em 1987. Foi campeão da Copa União, principal torneio do futebol brasileiro daquele ano. Competição organizada e viável financeiramente, mostrando que quando os clubes se unem são capazes de fazer muito.

Time com Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto que seriam campeões mundiais em 1994 pela seleção; com Leandro, Andrade e Zico do maior time que o clube já teve. Do goleiro Zé Carlos, terceiro goleiro na Copa de 1990. Do Edinho de três Copas do Mundo (1978, 1982 e 1986). De Renato Gaúcho, destaque maior do time comandado por Carlinhos, um dos grandes treinadores da história do Flamengo. Também selecionável. Mais Aílton, multicampeão pelo próprio Fla, mais Flu, Grêmio, Botafogo…

Depois enfrentou o status quo, não roeu a corda. Se a CBF admitiu que não tinha competência para organizar o campeonato brasileiro e os clubes assumiram a bronca, não fazia sentido devolver à entidade o bom produto que criaram. Muito menos se submeter às mudanças impostas no regulamento – antes da bola rolar, diga-se.

Grande também foi o Internacional, vice-campeão que poderia ter visto no cruzamento dos módulos uma chance de título e disputa da Libertadores, mas não recuou na fidelidade ao Clube dos Treze. Porque era a chance de tomar para si as decisões e minar as forças da estrutura federativa do nosso futebol.

Os clubes falharam. O Flamengo pecou ao se rebaixar com um comportamento de cordeirinho, suplicando e se humilhando diante da CBF para obter uma equiparação. Ou dividir o título nacional com o Sport, que ao longo do tempo passou a tratar a disputa legítima por seu direito conquistado como questão de honra, uma guerra regional contra o “eixo do mal”.

A Copa União foi uma das conquistas mais simbólicas do Flamengo. De virtualmente eliminado a campeão superando a equipe de melhor campanha, o Atlético Mineiro de Telê Santana, primeiro tirando a invencibilidade no Maracanã e depois vencendo no Mineirão em uma das maiores partidas já disputadas num estádio do país cinco vezes campeão do mundo. Um título com a marca do “Deixou chegar…”

A taça não precisa mudar de nome para ganhar valor. Pode continuar sendo Copa União para carregar suas lembranças. Não depende de uma das muitas canetadas que reescrevem a história de acordo com a conveniência de seus caciques.

O Flamengo apelou. Desceu ao nível dos dirigentes que ainda circulam por aí e na época garantiram unidade e o título do rubro-negro carioca, mas depois, por clubismo, bairrismo ou outros interesses, como uma ridícula Taça de Bolinhas, rasgaram os próprios princípios.

Não precisava. Que pena, Flamengo! Não por 1987, mas pela humilhação desde então. Até hoje, no  recurso derradeiro atrás de um título que já é seu. Que seja o último, para não ficar ainda mais feio. Porque há trinta anos foi tudo lindo.

 


A “função Jadson” pode estar de volta ao futebol brasileiro
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André Rocha

Everton Ribeiro foi o melhor jogador dos Brasileiros de 2013 e 2014 como o meia canhoto jogando aberto pela direita no Cruzeiro bicampeão. Partia da ponta para articular no centro, circulando às costas do volante e sendo um homem a mais no meio-campo para desarticular a marcação adversária.

Jadson dividiu com Renato Augusto os elogios e os prêmios de destaque da principal competição nacional em 2015 executando praticamente a mesma função do cruzeirense. Mas com um adicional tático imposto por Tite: as transições mais longas.

Basicamente, jogar de uma linha de fundo à outra. Mas sem a corrida desenfreada dos pontas que voltam com os laterais adversários marcando individualmente. Na marcação por zona do Corinthians campeão, o ponta recompõe posicionado, fecha espaços e só volta até a linha de fundo quando está bem perto dela, com o lateral (Fagner) mais centralizado, próximo aos zagueiros.

A transição defensiva mais longa de Jadson, fechando o corredor direito para o lateral Fagner ficar mais próximo do zagueiro guardando o setor (reprodução TV Globo).

A transição defensiva mais longa de Jadson, fechando o corredor direito para o lateral Fagner ficar mais próximo do zagueiro guardando o setor (reprodução TV Band).

Com a bola, mobilidade para circular, criando superioridade numérica e aparecendo na área para finalizar. Ainda abre o corredor para o lateral passar e buscar o fundo. Sem contar a eficiência nas bolas paradas, em cobranças diretas ou servindo os companheiros. Dentro de um 4-1-4-1 rígido, a “função Jadson” era a peça solta para surpreender o oponente. Líder de assistências no Brasileiro com 12. Na temporada 2015 foram 22, mais 16 gols.

Flagrante do Corinthians no ataque em 2015 com Jadson saindo da ponta e abrindo o corredor para a descida de Fagner e servindo Elias em profundidade atacando a brecha deixada no flanco (reprodução TV Globo).

Flagrante do Corinthians no ataque em 2015 com Jadson saindo da ponta e abrindo o corredor para a descida de Fagner e servindo Elias em profundidade atacando a brecha deixada no flanco (reprodução TV Globo).

O jogador de 33 anos volta de sua aventura milionária na China e planeja o retorno ao Brasil. Estuda proposta oficial do Corinthians, o Atlético-MG também está de olho. Para quem tem mais de 30, qualquer ano a mais influi no condicionamento físico. Mas com experiência e domínio da função, o desempenho pode ser semelhante para equilibrar a própria equipe e desestabilizar o outro lado.

Para executar a “função Jadson” ninguém melhor que o próprio meia.


A Copinha e o “efeito Gabriel Jesus”
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André Rocha

Gabriel Jesus Copinha

Vai começar a Copa São Paulo de Futebol Junior, tradicional primeiro evento do ano no futebol brasileiro. 120 times inscritos em 30 grupos de quatro. Para uns o torneio é inchado, para outros democrático. Não é o ponto deste post.

Para saber mais da edição 2017 confira a volta do ótimo Gustavo Vargas e do não menos excelente Olheiros – antes site, agora blog. Leia AQUI.

O texto tem apenas o propósito de refletir sobre o efeito que um talento formado ou apenas revelado por um clube pode causar no time profissional.

Gabriel Jesus chegou ao Palmeiras em 2013. No ano seguinte explodiu como artilheiro na base a ponto de ser relacionado para os profissionais com 17 anos e chegou a ser tratado como solução para um time que lutava contra o rebaixamento. Depois acabou preservado.

Alexandre Mattos chegou, o cofre foi aberto por Paulo Nobre e o elenco foi totalmente reformulado. Nada menos que 25 contratações. Dudu foi a mais badalada, pelo “chapéu” nos rivais Corinthians e São Paulo. Mais outras tantas em 2016 e, mesmo com os títulos de Copa do Brasil e Brasileiro, o ano já começa com cinco negociações concluídas e outras em andamento.

Dos que entraram em campo, nenhum deu ao alviverde o retorno de Gabriel Jesus. Nenhum tem o talento e o potencial do jovem de 19 anos. Nenhum deu resposta tão importante e imediata por sua seleção. Ninguém foi a imagem da conquista que não vinha há 22 anos a rodar o mundo.

O clube tem estádio cheio, patrocínio forte, sócio-torcedor robusto. Mas os 76 milhões que recebeu do Manchester City pela negociação é que fazem o Palmeiras tão intenso no mercado. Ainda assim, é bem provável que o time sinta muita falta de seu artilheiro que vai para a Inglaterra trabalhar com Pepe Guardiola.

Goleador nos melhores momentos da equipe no primeiro turno do Brasileiro. Com o turbilhão negociação com a Europa-Olimpíada-Seleção principal, o ritmo caiu no returno, também influenciado pela proposta mais pragmática de Cuca.

Mas nos dois jogos mais complicados ele apareceu. Para evitar a derrota em casa para o Flamengo e abrir o placar no Independência quando o Atlético Mineiro massacrava com a intensidade habitual. Dois gols, dois pontos fundamentais para manter a vantagem no topo da tabela.

Não é todo dia que surge um Gabriel Jesus, que marcou cinco gols em seis jogos até ser eliminado pelo Botafogo-SP na Copinha de 2015. Mas vale ficar atento aos destaques do torneio e cobrar do seu time de coração a melhor transição para o profissional, ainda o grande gargalo das divisões de base pela falta de um trabalho de integração mais bem planejado.

O Flamengo, atual campeão, subiu o técnico Zé Ricardo, mas a utilização dos garotos foi tímida e mais emergencial, como Léo Duarte quando o elenco não tinha zagueiros e Filipe Vizeu na falta de uma reposição ao peruano Guerrero. Em 2017 precisa mudar.

Olhar para o mercado é necessário, mas quase sempre é o talento da base que desequilibra. O raciocínio é simples: se o Brasil não é atrativo para quem está no topo, a única chance de ter um craque na equipe, ainda que em formação, é revelando.

Neste ponto, não há melhor exemplo que o Santos e suas versões dos “Meninos da Vila”. Mas hoje a referência é o “efeito Gabriel Jesus” no Palmeiras. Quem será o próximo?


O campeão tem sempre razão?
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André Rocha

Renato Gaucho Gremio campeao

Final da Copa do Mundo de 1954 no Estádio Wankdorf em Berna, Suíça. 43 minutos do segundo tempo. A lenda húngara, Ferenc Puskas, mesmo com o tornozelo inchado que quase o tirou da final por uma pancada na goleada por 8 a 3 sobre a mesma Alemanha da decisão, marca o gol que seria do empate.

A arbitragem marca impedimento. Para muitos inexistente, inclusive o saudoso jornalista Luiz Mendes, presente no estádio como único locutor brasileiro. Podia ter evitado o “Milagre de Berna” e quem sabe o que aconteceria depois?

Estádio Sarriá, Barcelona. Último lance de Itália 3×2 Brasil. Jogando pelo empate, a seleção de Telê Santana parte para o abafa derradeiro. Cobrança de falta de Eder, o zagueiro Oscar sobe mais que todos e acerta um golpe de cabeça no canto. Seria o gol da classificação da equipe que encantou o mundo na Copa de 1982.

Não foi por uma das mais impressionantes defesas da história das Copas. A mais incrível sem rebote. Dino Zoff pegou de um jeito inusitado, parando a bola num movimento de cima para baixo e evitou que ela cruzasse a linha e também a chegada de Sócrates e Zico.

Stamford Bridge, maio de 2009. O Chelsea vencia o Barcelona por 1 a 0 e, com o empate sem gols no Camp Nou, se classificaria para a final da Liga dos Campeões não fosse um golaço de Iniesta já nos acréscimos.

Jogo com uma das arbitragens mais polêmicas de todos os tempos, com pelo menos três pênaltis claros não marcados para os Blues, que colocou o time de Guardiola e Messi na decisão do torneio continental que garantiria a tríplice coroa e o início da trajetória de um dos maiores times de todos os tempos.

Três entre tantos exemplos de partidas definidas em detalhes, em fatos aleatórios. Uma bola que separou campeões e derrotados. Que criou ou destruiu legados, fez heróis, mudou a história do esporte.

Corte para 2016. O Grêmio de Renato Gaúcho conquista a Copa do Brasil e encerra um duro período de 15 anos sem títulos nacionais. Campanha sólida, especialmente fora de casa na reta final. Melhor equipe da competição. Incontestável.

Na comemoração, o sempre bravateiro Renato Gaúcho chamou para si todas as atenções ao afirmar: “quem sabe, sabe; quem não sabe vai para a Europa estudar”. Gerou enorme polêmica, mas nem ele deve acreditar nisso. Sem contar que o propósito de estudar e se aperfeiçoar é algo pessoal, de foro íntimo. Uma escolha.

O blog prefere um outro recorte da fala do maior ídolo gremista: “Disseram que estavam trazendo um treinador que estava jogando futevôlei. E agora? E aí?”

Eis o ponto: a taça encerra qualquer discussão? O campeão tem sempre razão? Renato é um fanfarrão desde os tempos de jogador, um personagem sensacional que nunca se levou muito a sério nem devemos dissecar o que ele diz, ainda mais no calor da conquista. Mas vale a reflexão.

E o contexto da base montada pelo trabalho de Roger? E a importância de Valdir Espinosa e outros profissionais? E a prioridade que o Palmeiras deu ao Brasileiro tornando a disputa nas quartas-de-final menos complicada? E a desorganização do Atlético Mineiro com Marcelo Oliveira no jogo de ida da decisão em Belo Horizonte?

Aliás, cabe um parêntese: o técnico mais vencedor do futebol brasileiro nos últimos quatro anos, com dois títulos brasileiros e uma Copa do Brasil, deixou o Galo coberto de críticas e com cinco minutos de jogo em Porto Alegre já foi possível perceber uma equipe com setores mais bem coordenados pelo jovem técnico Diogo Giacomini.

Em um esporte absolutamente imprevisível, por isso tão arrebatador, no qual vitórias e glórias se definem numa bola que bate no travessão e cruza ou não a linha, numa decisão da arbitragem em fração de segundos e em tantos outros mínimos detalhes, o troféu, ainda que seja o objetivo final de qualquer competição, é sempre um argumento sem resposta?

A história mostra que alguns derrotados no placar final colaboraram mais com a evolução do futebol e são mais lembrados que os campeões. Alguns vencedores são até hoje questionados por seus métodos. Multicampeões pragmáticos quando citados nada mais têm a oferecer do que as conquistas. É suficiente?

Renato merece respeito por sua história e faz mesmo jus a uma estátua na Arena do Grêmio. Que vá comemorar com amigos, a filha Carol e curtir as férias. O torcedor mais motivos ainda tem para celebrar, zoar os rivais. Vencer é delicioso e fundamental na formação de novos torcedores. Sem contar a visibilidade, novas receitas e tantas outras coisas.

Mas futebol não é só isso. Nem pode ser. Por isso o post se encerra com trecho de uma reflexão de Marcelo Bielsa no livro “Los 11 caminos ao gol”, de Eduardo Rojas, muito bem resgatada pelo colega Gustavo Carratte no perfil do seu ótimo Conexão Fut no Twitter. Um técnico com um currículo mais recheado de ensinamentos que títulos.

“Na vida há muito mais derrotas que vitórias e é preciso entender isso. Portanto, endeusar alguém que acaba de triunfar, alçando-o a um patamar acima dos demais acaba confundindo quem o vê fazendo isso. As pessoas são indecisas sobre as coisas e quando forem questionadas sobre como alcançar os êxitos elas só saberão que é preciso vencer, sendo incapazes de dizer quais valores cultivar e o que fazer para chegar até lá”.


Cinco na defesa pode ser bom. Bem pior é não querer jogar
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André Rocha

Atlético-MG 0x3 Corinthians. 1º de novembro de 2015. Vitória emblemática que praticamente confirmou o título e uma das atuações mais consistentes, especialmente no segundo tempo, do melhor campeão brasileiro desta década.

Repare na imagem abaixo. A equipe de Tite se posiciona atrás com os quatro defensores da última linha bem próximos e centralizados e os ponteiros Jadson e Malcom recuando e fechando os flancos praticamente como laterais. Neste recorte são seis homens alinhados guardando a meta de Cássio. Não é sinônimo de retranca ou antijogo. Apenas um comportamento sem a bola.

Flagrante do Corinthians de Tite se defendendo com seis homens na última linha diante do Atlético Mineiro no Independência: Fagner, Felipe, Gil e Guilherme Arana mais centralizados, os pontas Jadson e Malcom bloqueando os flancos como laterais (reprodução TV Globo).

Flagrante do Corinthians de Tite se defendendo com seis homens na última linha diante do Atlético Mineiro no Independência: Fagner, Felipe, Gil e Guilherme Arana mais centralizados, os pontas Jadson e Malcom bloqueando os flancos como laterais (reprodução TV Globo).

Nos 3 a 1 do Chelsea de virada sobre o City em Manchester houve um choque geral ao se deparar com as duas equipes atuando no 5-4-1 sem a bola. Principalmente o time de Pep Guardiola, o símbolo do futebol ofensivo e vistoso.

O grande paradoxo é que esta linha de cinco ou seis homens na defesa é uma mera consequência da revolução que o treinador catalão promoveu no esporte nestes últimos oito anos. Porque a essência do jogo posicional é fazer a saída de bola com qualidade para se instalar no campo de ataque.

Com o adversário acuado, trocar passes sempre buscando um homem livre, criando superioridade numérica em todas as fases de construção do jogo. Até encontrar uma brecha no último terço do campo e fazer a infiltração com assistência e movimentação ou no drible, na vitória pessoal.

Qual foi a resposta dos oponentes, primeiro com José Mourinho? Ok, eu não consigo bloquear o toque no meio pela excelência de Busquets, Xavi, Iniesta e Messi recuando como “falso nove”. Então fique com a bola! Chegue a 80% de posse. Toque, toque, toque…Meu time vai concentrar seus esforços em evitar a profundidade. Quatro, até cinco homens negando espaços pelo centro, dois abertos atentos às ultrapassagens dos laterais ou dos pontas.

Com o tempo a ideia foi sendo burilada e surgiu a preocupação de também dificultar o início do processo. Coragem para adiantar linhas e pressionar a saída de bola para evitar o passe limpo e, caso a bola fosse roubada, surpreender uma defesa aberta.

Porque a saída “lavolpiana”, popularizada pelo técnico argentino Ricardo La Volpe na seleção mexicana, é produtiva se bem executada. Uma bola perdida, com seus zagueiros bem abertos, um volante centralizado e os laterais espetados no campo de ataque ou posicionados por dentro como meias, tende a ser um desastre.

O que se viu no sábado no Etihad Stadium foi a exacerbação desta disputa de área a área. Pressionar nos primeiros vinte metros e fechar espaços nos últimos vinte. Por isso os times “mutantes”, variando do 5-4-1 para o 3-4-3.

Um trio de atacantes para abafar os três defensores que fazem a saída de bola. Os alas saem para bloquear os laterais e os dois meio-campistas avançam para fechar o meio. Se o adversário consegue sair dessa pressão, a missão é dificultar, até mesmo com faltas, a transição rápida para que haja tempo do time se reorganizar em duas linhas, uma de cinco e uma de quatro, para guardar a própria área. Defende preparando o ataque e ataca pronto para defender.

Flagrante da linha de cinco defensores do Chelsea postada. O ala esquerdo Alonso fecha seu lado como lateral e Moses faz a diagonal de cobertura do outro lado, dando suporte a Azpilicueta, David Luiz e Cahill (reprodução ESPN Brasil).

Flagrante da linha de cinco defensores do Chelsea postada. O ala esquerdo Alonso fecha seu lado como lateral e Moses faz a diagonal de cobertura do outro lado, dando suporte a Azpilicueta, David Luiz e Cahill para negar espaços ao ataque do Manchester City (reprodução ESPN Brasil).

Mas sempre querendo jogo, sem especulação. Os Blues venceram porque estão mais habituados a este modelo e, principalmente, porque aproveitaram as oportunidades criadas. Mas podiam ter sido superados se Aguero e De Bruyne não tivessem perdido chances cristalinas. A disputa foi igual, mas Diego Costa, Willian e Hazard resolveram.

O Chelsea é lider da Premier League por sua versatilidade e capacidade de aproveitar o que tem de melhor. Azpilicueta é o zagueiro pela direita, mas se o time precisa ser ofensivo ele vira lateral, sua posição de origem, e adianta o ala Moses como ponta. O movimento libera Pedro ou Willian para sair do lado e circular, buscando as diagonais.

A utilização dos alas tem a sua lógica. Se a ideia é que um dos ponteiros seja um armador para desarticular a marcação e o outro seja praticamente um atacante se juntando ao centroavante, o ideal é que esses homens estejam mais liberados para circular, procurar o centro. Cabe aos alas ficarem abertos para espaçar a marcação e criar espaços.

O polêmico David Luiz rende porque o técnico italiano cobra posicionamento preciso e ele não sai como um tresloucado para caçar os atacantes na intermediária. E ainda aproveita o que tem de melhor: o passe longo. Conte não faz questão de ficar muito tempo com a bola entre as intermediárias. Prefere investir em lançamentos.

Não chutões. Algo treinado, pensado e aprimorado. Desde a Juventus com Bonucci e Pirlo, agora com David Luiz e Fábregas, que jogou no lugar de Matic e meteu uma bola de trinta metros para Diego Costa ganhar de Otamendi e empatar em Manchester. Um jogaço.

Porque a ideia dos cinco defensores é bem diferente da que vigorou no final dos anos 1980 e chegou ao fundo do poço na Copa de 1990 na Itália. A “inversão da pirâmide” que o jornalista inglês Jonathan Wilson tão bem explica em seu livro que agora recebe uma tradução para o português pelas mãos de André Kfouri para a Editora Grande Área.

Do 2-3-5 para o 5-3-2. Mas lá atrás privilegiando o antijogo. Inspirado nas vitórias da Itália de 1982, com Scirea de líbero e Gentile colado no craque adversário, e da Argentina em 1986, com Brown na sobra e Batista como o cão de guarda à frente da defesa, o campo virou uma grande batalha de perseguições individuais: um zagueiro na sobra, ala batendo com ala e muitas ligações diretas para que, enquanto a bola viajava, os times se reorganizassem minimamente depois de marcar correndo e não posicionado.

Se alguém fizesse um gol o jogo virava uma modorrenta sequência de passes entre os três zagueiros e bolas recuadas para os goleiros, que esperavam a chegada do atacante adversário e seguravam com as mãos – na época a regra permitia.

Uma época cinzenta que só via brilho com o Milan de Arrigo Sacchi. Marcando por zona, com setores próximos, fazendo o “pressing” e valorizando a técnica, especialmente da dupla holandesa Gullit-Van Basten no ataque. Uma das inspirações de Guardiola.

Hoje, com linhas tão compactas a diferença entre quatro ou cinco na defesa é nenhuma. Vale mais a proposta de jogo. Como dizer que a vitória do Chelsea foi “feia” e a do Brasil sobre a Argentina no Mineirão foi um “espetáculo” se as ideias foram bem parecidas? Reveja o segundo gol, de Neymar. Transição rápida e letal como as que o Chelsea fez. O City também, só não conseguiu colocar nas redes.

Bem pior é não querer jogar. É o pragmatismo focado apenas no resultado, que busca os três pontos sem grandes ideias além de fazer tudo para evitar o gol do rival e buscar o seu através de bolas paradas, jogadas aéreas. Uma vez conquistada a vantagem o jogo acaba porque não há confronto de ideias ou de propostas. Só há o placar final. Legítimo e eficiente, mas o que acrescenta?

Não foi o que vimos em Manchester nem em outras partidas com equipes atuando com cinco na defesa. Nem nos seis corintianos no Horto há pouco mais de um ano. Porque os times mais modernos são dinâmicos, adaptáveis. Inteligentes. Sem abrir mão da técnica, do jogar bem. A vitória é mera consequência.

 


O patrão ficou maluco! E não é Black Friday
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André Rocha

Daniel Nepomuceno Galo

Primeiro foi Levir Culpi, demitido do Fluminense faltando quatro rodadas para o final do campeonato.  Entrou o eterno interino Marcão. Todos imaginavam que seria a última dispensa de treinador do Brasileiro 2016.

Mas na rodada seguinte o Internacional trocou Celso Roth por “Lisca Doido”. Para ter a primeira finalização contra o Corinthians em Itaquera aos 15 minutos do segundo tempo. Precisando da vitória.

Agora o São Paulo, depois de garantir Ricardo Gomes no cargo com os 4 a 0 sobre o Corinthians no Morumbi, muda os planos e demite o treinador para dar a primeira oportunidade a Rogério Ceni. Uma clara decisão política porque não há como imaginar o desempenho do ídolo na nova função.

Já o Galo dispensa Marcelo Oliveira antes do segundo jogo da decisão da Copa do Brasil e com o time ainda com chances de G-3 no Brasileiro. Assume Diego Giacomini, da base. Precisou levar um gol “de rachão” de Pedro Rocha e cair a mística de imbatível em Belo Horizonte para acordar.

O que mais impressiona é que, com exceção de Rogério Ceni, nenhum dos substitutos foi escolhido já pensando no planejamento de 2017, o que seria o mais lógico. No caso do Colorado é desespero mesmo.

A visão imediatista de dirigentes, torcedores e jornalistas já é notória, até virou clichê. Mas desta vez os clubes se superaram. Talvez o sucesso de Renato Gaúcho, contratado por apenas três meses e muito próximo de conquistar o título que o Grêmio busca há 15 anos, esteja influenciando nessas decisões intempestivas de contratar a curto prazo. Mas é uma exceção à regra, com todos as suas particularidades.

De tudo que foi dito sobre estas demissões, o que mais chamou a atenção foi a declaração de Daniel Nepomuceno, presidente do Galo: “A gente está vendo o processo. Ah, demitiu, mas demitiu tarde, ah, mas demitiu cedo. Não é simples assim. Nunca é 100%. Para quem acompanha futebol há tantos anos como vocês não é fácil.”

Alguém entendeu?

O patrão ficou maluco! E não é Black Friday…

 


O que é de Roger, o que é de Renato. O que não é de Marcelo Oliveira
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André Rocha

Era difícil acreditar na redenção de Renato Gaúcho em um trabalho de três meses. Sem estudo e maiores atualizações para comandar uma equipe trabalhada por Roger Machado em conceitos modernos.

O futebol é espetacular porque não tem verdades absolutas. Foi exatamente na combinação do que o antecessor deixou com o polimento do olhar mais vivido do maior ídolo da história do clube que o Grêmio se arrumou para buscar o título nacional que não vinha há quinze anos.

De Roger, os movimentos já memorizados de apoio ao jogador com a bola, criação de linhas de passe, profundidade, abrir o jogo para espaçar a marcação adversária. De Renato, a gestão de grupo, o carisma que mobiliza, o ajuste defensivo com soluções mais simples, embora se note a compactação dos melhores momentos da campanha surpreendente no ano passado. As correções nas jogadas aéreas. O que era preciso.

Por isso não é justo tirar méritos do atual treinador, mas seria cruel não lembrar da semente plantada por Roger. O resultado prático é um time bem coordenado, com Walace e Maicon qualificando a saída e negando espaços à frente da defesa. Volantes passadores e eficientes.

As linhas de quatro sem a bola deixando Douglas e Luan participando sem a bola mais na pressão sobre os defensores. Ramiro é muito mais um volante que atua aberto e ajuda Edilson a bloquear pelo setor direito e deixou o time um pouco mais equilibrado, sem esvaziar o meio-campo. Já Pedro Rocha é o ponta agudo na transição ofensiva, partindo em diagonal a partir da esquerda para finalizar.

O ponteiro foi o personagem dos 3 a 1 sobre o Atlético no Mineirão que encaminha a conquista tão esperada. Dois gols aproveitando a bagunça defensiva do oponente, uma chance cristalina perdida à frente de Victor e a tola expulsão que trouxe o Galo de volta ao jogo na segunda etapa.

Porque só o acaso, os eventos aleatórios que tornam o futebol tão previsível e apaixonante poderiam recolocar a equipe de Marcelo Oliveira na disputa. O treinador vencedor, bom gestor de grupo, que incentiva o talento e a improvisação de seus jogadores. Mas que não consegue organizar minimamente um sistema defensivo nem fazer seu time controlar o jogo.

Não é raro ver o Galo se defendendo com apenas seis jogadores, setores distantes, sem pressão, com erros graves de posicionamento. Capaz de levar numa decisão de torneio nacional um gol de fim de pelada, o segundo de Pedro Rocha arrancando sozinho e com incrível facilidade.

Aí não há garra de Leandro Donizete, talento de Robinho, presença de área de Pratto, o apoio de Júnior Urso e defesas de Victor que resolvam sempre. Nem o belo gol do zagueiro Gabriel que alimentou uma esperança de novo “milagre”. É claro que Luan, Otero e Fred fizeram falta, mas a facilidade com que o Grêmio atuou, especialmente no primeiro tempo, é inviável no futebol atual. Ainda mais numa final.

O terceiro gol, num contragolpe no final do jogo em bela jogada do ótimo Geromel que encontrou Everton livre é aceitável pelo contexto. Ainda que o time mineiro contasse com um homem a mais. Mas para a volta na Arena do Grêmio parece a pá de cal. Só não dá para garantir a quinta Copa do Brasil do tricolor gaúcho porque isso é futebol.

Até a capacidade de reação do Galo nas conquistas recentes precisa ser relativizada, porque as viradas sempre aconteceram em Belo Horizonte. Como visitante fica quase impossível. Também por conta do que faltou taticamente à equipe de Marcelo Oliveira.

Sobrou o Grêmio. De Renato e de Roger. Moderno e com alma. Com jeito de campeão.

 

 


Só uma tragédia sem precedentes tira a taça do Palmeiras
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André Rocha

Com dez dias de preparação, o Atlético Mineiro tentou um último esforço no Brasileiro desafiando o líder. Colocou intensidade máxima no Independência, mas transformou em alguns momentos eletricidade em destempero e pecou um pouco pela afobação que gerava muitos erros técnicos no último terço do campo.

Na construção, muita mobilidade do quarteto ofensivo formado por Luan, Robinho, Maicosuel e Fred. Mais o apoio de Junior Urso e de um dos laterais – Carlos César ou Fabio Santos. O Palmeiras tentava marcar por encaixe e uma inversão ou drible descoordenava a marcação.

Só que o jogo foi o retrato do Palmeiras nesta reta final: uma equipe tensa, ansiosa, mas com incrível entrega sem a bola. Concentração absoluta para evitar a finalização mais confortável do adversário, mesmo se fosse preciso se atirar na frente do chutador.

Na frente, eficiência. No primeiro contragolpe bem engendrado, passe de Dudu e gol do Gabriel Jesus, novamente decisivo em um jogo chave – na última vez que foi às redes, salvou o time da derrota para o Flamengo em casa.

Na segunda etapa, mais pressão atleticana com um Palmeiras um pouco mais assentado, tentando trocar passes com Tchê Tchê e Moisés no meio, já que Thiago Santos era praticamente um zagueiro na perseguição a Robinho.

Até a entrada de Lucas Pratto no lugar de Maicosuel. No primeiro toque do argentino, o empate no Horto. Também pela precisão de Robinho no cruzamento. A senha para Cuca trocar os Thiagos: saiu o Santos, entrou o Martins. Zagueiro para nas perseguições individuais garantir a sobra contra a dupla de centroavantes.

O jogo aleatório, de “bate-volta” e sem muita preocupação com a posse e o controle, desgastou demais as equipes na reta final. O Palmeiras respondeu um pouco melhor com Erik e Alecsandro nas vagas de Dudu e Jesus. Cazares substituiu Luan, mas criou pouco. Clayton substituiu Robinho e mal tocou na bola.

Saldo final: 62% de posse de bola para o Galo, mas muito mais na pressão e no volume. Doze finalizações para cada lado, mas cinco do time da casa no alvo contra quatro dos visitantes, que cometeram 25 faltas contra 16 do Atlético que efetuou mais desarmes certos – 15 a 9.

Com vitórias de Flamengo e Santos, o time mineiro vai priorizar a Copa do Brasil contra o Grêmio. O Palmeiras novamente não se preocupou em jogar, apenas pontuar. Vai dando certo e, com dois jogos em casa faltando três rodadas e quatro pontos de vantagem sobre o Santos que ainda enfrenta o Flamengo no Rio de Janeiro, só uma tragédia sem precedentes tira a taça que não vem desde 1994.

(Estatísticas: Footstats)

 


O “Galo Tyson”, do jogo aleatório, está em mais uma decisão
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André Rocha

Cuca fundou a Era “Galo Doido” no Atlético. Um time que se fosse um boxeador seria no estilo Mike Tyson. Sem jogo de pernas e calma para controlar a luta. Esquiva? Só para preparar o golpe seguinte. Só quer atacar e bater mais forte para vencer.

Paulo Autuori herdou a equipe campeão da Libertadores e tentou organizar e transferir um mínimo de cadência. Sem sucesso. Levir Culpi assumiu, buscou algum controle e foi soltando aos poucos. Venceu a Copa do Brasil na intensidade máxima.

Superou o Cruzeiro campeão brasileiro. Com Marcelo Oliveira. Um técnico à moda antiga, da escola Telê Santana. Que acredita no entrosamento adquirido na sequência de treinos coletivos e jogos. Num clima de paz e cordialidade entre os jogadores.

Mas no time celeste bicampeão brasileiro havia intensidade, mas também inteligência e dosagem de ritmo. Um meio-campo com Lucas Silva e Everton Ribeiro não pode viver desse “bate e volta”.

No Palmeiras, sim. Pelas características dos jogadores e por todo um contexto que levou à conquista da Copa do Brasil. A primeira de Marcelo. Jogando no modo “aleatório”.

Foi esse encontro do treinador que enfim ganhou o torneio mata-mata depois de três finais com o time acostumado a jogar como quem parte para uma briga de rua, só trocando golpes, que manteve o “Galo Doido” em rotação. Depois de Aguirre também tentar coordenar melhor e falhar.

Atlético que está na final da Copa do Brasil após eliminar um Internacional repleto de reservas e priorizando a fuga do rebaixamento. Vencendo no Beira-Rio, empatando com muitos sustos no Independência.

Porque jogou aberto o tempo todo. Não é por acaso que Rafael Carioca, um dos melhores passadores do país lembrado por Tite na seleção, esteja no banco para Leandro Donizete e Júnior Urso. Um leão na marcação, outro que se junta ao quarteto ofensivo e corre demais. Só aceleração. Com linhas espaçadas, encaixe de marcação. Sem muita ordem.

Na frente, os responsáveis pelos “diretos nos queixos” dos rivais: De Pratto para Robinho, de Robinho para Pratto nos dois gols. Isso porque Fred não pode disputar o torneio por ter jogado pelo Fluminense.

Mas sofreu atrás com o gol de Aylon, a falha grotesca de Victor que entregou a bola nos pés de Anderson. Duas das quatro finalizações no alvo do time de Celso Roth. Total de 13 conclusões. Demais para um Galo que teve 62% de posse. De volume, zero controle.

No seu estilo está em mais uma decisão. Em grandes torneios, a terceira em quatro anos. Fora a conquista da Recopa Sul-Americana, os dois vice-campeonatos no Brasileiro de pontos corridos. O período mais vencedor da história do clube, sem dúvida.

Construído com grandes histórias de viradas, de “Eu acredito!”, de apoteoses da massa atleticana. No Mineirão ou no Horto. Também de momentos não tão felizes assim, como o vexame contra o Raja Casablanca no Mundial de Clubes, a eliminação para o Internacional de Aguirre na Libertadores 2015 e os humilhantes 3 a 0 para o Corinthians no Brasileiro. Alguns James “Buster” Douglas pelo caminho.

Contra o Grêmio, a busca de mais uma taça. A quinta final de Marcelo Oliveira. No jogo aleatório, querendo o nocaute mais que a vitória por pontos, não se importando em ser golpeado também. O “Galo Tyson”.

(Estatísticas: Footstats)

 


Elenco do Galo e jogo coletivo do Flamengo dariam no melhor time do país
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André Rocha

Depois de não mais que cinco minutos de pressão natural do Atlético no Mineirão, o Flamengo cumpriu no primeiro tempo sua melhor atuação no Brasileiro.

Com os ponteiros de volta, a equipe rubro-negra recuperou sua dinâmica de jogo, com trocas de passes e triangulações pelas laterais. Especialmente à direita com Pará, Gabriel e Willian Arão. Diego circulava por todo o setor de criação dando opção aos companheiros, Guerreiro fazia um perfeito trabalho de pivô.

O Galo facilitou com muitos espaços entre o meio e a defesa. Junior Urso avançava com o quarteto ofensivo, Leandro Donizete fixo junto aos zagueiros. Com a bola, muita pressa e erros de passes.

Resultado: Fla com 60% de posse e apenas 13 passes errados. O descoordenado time de Marcelo Oliveira errou 19. Não havia como jogar. Domínio absoluto rubro-negro, finalizando 12 vezes contra apenas quatro. Além do gol de Diego em assistência de Guerrero, pelo menos mais duas oportunidades de definir o jogo.

Não aproveitou e deu tempo para o técnico atleticano usar o melhor elenco do país, principalmente no setor ofensivo. Entraram Luan, Lucas Pratto e Clayton. Com a saída de Leandro Donizete, em tese o Fla até poderia sofrer atrás com tanta qualidade do oponente, mas sobrariam espaços para os contragolpes.

Se Zé Ricardo tivesse elenco. Também um pouco de vivência para perceber que, pela eletricidade da partida, Emerson e Alan Patrick pelas pontas acrescentariam pouco e matariam qualquer chance de concatenar uma transição ofensiva em velocidade. O recuo foi instintivo.

A senha para o “abafa” atleticano. Na cobrança de lateral diretamente na área de Otero, o pênalti tolo de Rever em Fred convertido por Robinho. Impressiona como as defesas no Brasil se atrapalham com um lance rústico. Com o Fla tonto e a massa em êxtase, a virada com Pratto.

Com o jogo no modo “briga de rua” e equipes escancaradas, Zé Ricardo tirou o exausto Willian Arão e colocou Leandro Damião. Com mais gente na frente e o adversário tentando se defender cheio de atacantes, veio a falha na retaguarda e o empate com Guerrero.

Resultado adequado pelos noventa minutos. O Fla terminou com 54% de posse e 14 finalizações a 11, mas o Galo concluiu sete na direção da meta de Muralha. O ataque fede a gol, mas faltam dinâmica e  trabalho em equipe para render mais, de maneira consistente e regular.

O Flamengo sofreu sem elenco para manter o desempenho brilhante do primeiro tempo. Algo para pensar como prioridade para 2017, inclusive dando mais oportunidades aos meninos da base que há pouco era comandada por Zé Ricardo.

No apito final, uma constatação: a combinação do elenco atleticano com o jogo coletivo rubro-negro criaria o melhor time do país. Com lacunas tão graves nos rivais, o título se encaminha cada vez mais para o Palmeiras.

(Estatísticas: Footstats)