Blog do André Rocha

Arquivo : atléticoparanaense

Viva a “Velha Guarda”! Abelão e Renato Gaúcho na liderança do Brasileiro
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Divulgação Grêmio.

São apenas duas rodadas e a última incompleta, ainda faltando São Paulo x Avaí no Morumbi. A história mostra que qualquer posicionamento inicial na tabela de classificação significa muito pouco. Em 2016, Internacional e Santa Cruz chegaram a disputar a liderança da Série A, para terminarem rebaixados.

Mas não deixa de ser simbólico que Fluminense e Grêmio, comandados por Abel Braga e Renato Gaúcho, exceções à renovação no mercado de treinadores do país, sejam os únicos com 100% de aproveitamento e, por isso, ocupem a liderança – vantagem para o tricolor gaúcho pelo saldo de gols.

E não foram vitórias fáceis, sobre equipes sem maiores aspirações na temporada. O Flu superou Santos no Maracanã e Atlético Mineiro no Independência; o Grêmio venceu o Botafogo em casa e o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. Quatro times disputando Libertadores, todos classificados para as oitavas-de-final do torneio continental.

O fato de não pertencerem à escola “atualizada” de técnicos não impede que suas equipes apresentem um futebol moderno. Abel Braga não permite que suas equipes mudem a ideia de jogo quando atuam fora de casa. Em Belo Horizonte, o Fluminense nunca abdicou do ataque, mesmo diante do volume do time da casa.

Fez 2 a 0 no primeiro tempo com as armas de sempre: velocidade pelos flancos, troca de passes com bola no chão no meio-campo, que ganhou Gustavo Scarpa como ponta articulador para auxiliar Sornoza e Wendel, mais o trabalho de pivô de Henrique Dourado, autor do primeiro gol e artilheiro do campeonato com três e da assistência para Richarlison ampliar de cabeça.

Depois sofreu pressão na segunda etapa e resistiu com a bela atuação do jovem zagueiro Nogueira. Sem dinheiro para reforços, a diretoria tricolor convenceu Abel a usar a garotada e vem funcionando. A falta de um elenco mais robusto vem sendo compensando pelas surpresas oriundas de Xerém.

Já Renato Portaluppi fez o Grêmio ressurgir depois da frustração no Estadual, tratado como prioridade mesmo disputando Libertadores – motivado, é claro, pela fragilidade do grupo do time gaúcho no torneio continental.

Arthur foi um achado no meio-campo, com bons passes, poder de marcação e aparições no ataque com qualidade, como no golaço sobre o próprio Fluminense pela Copa do Brasil, após tabelar com Luan e Barrios. Dupla de ataque que vai se afinando no 4-2-3-1 que cada vez mais se trasforma em 4-4-2. Autores dos gols em Curitiba.

Com Ramiro mais meio-campista pela direita apoiando o redivivo Léo Moura e Pedro Rocha mais intenso e vertical, buscando as diagonais a partir do lado esquerdo. O sistema defensivo comandado por Geromel que faz marcação individual, mas novamente Renato consegue que seus comandados estejam tão preparados física e mentalmente que compensem com muito vigor físico.

No duelo pela Copa do Brasil, vantagem de Renato Gaúcho em Porto Alegre. 3 a 1 de virada na melhor partida da quarta-feira, porém um tanto eclipsada por outros confrontos do próprio torneio e, especialmente, pela Libertadores.

Não esperem dos dois treinadores discursos rebuscados, com os termos atualizados dentro da ciência esportiva. Talvez terminem bem longe da disputa pelo título nas 36 rodadas restantes. Em campo, porém, a resposta é mais que positiva no que o esporte tem de eterno: quem joga bem sempre estará mais perto da vitória, por mais caótico que seja o jogo em si.

A diversidade sempre é bem vinda, a experiência nunca deve ser desprezada. Ainda mais quando vem acoplada ao carisma que conquista e convence. Abelão e Renato na ponta de um Brasileiro no ano da graça de 2017. Viva a “Velha Guarda”!


A incrível capacidade do Flamengo de passar vergonha na Libertadores
Comentários Comente

André Rocha

Aconteceu de novo. Em 2007 e 2008, eliminações vexatórias nas oitavas-de-final. Contra o Defensor pela fragilidade do time uruguaio, apesar da terrível arbitragem de Hector Baldassi no Maracanã. No ano seguinte, o provincianismo patético de usar um jogo eliminatório de Libertadores para comemorar título estadual e se despedir de Joel Santana. Cabañas não perdoou.

Em 2012 e 2014, nem isso. Despedidas ainda na fase de grupos, com adversários acessíveis. Sempre fraquejando em jogos decisivos. Exceto em 2012, o Fla foi campeão estadual. Como nesta temporada.

Entre as nove combinações de resultados, apenas uma eliminava o então líder do Grupo 4. Exatamente a vitória do Atlético Paranaense no Chile sobre a Universidad Católica e a derrota em Buenos Aires para o redivivo San Lorenzo.

Aconteceu pela fé inabalável do time argentino, que teve 58% de posse, efetuou 50 cruzamentos e finalizou 13 vezes. Empatou com gol do zagueiro Angeleri, virou no ataque derradeiro com Belluschi. No “abafa” que só conseguira impor no início do jogo. Depois o Fla controlou sem posse de bola, fechando os espaços.

Abriu o placar com Rodinei. Com o gol de Santiago Silva em Santiago, tudo parecia sereno. Até entrar em campo o maior pecado rubro-negro na temporada, ou desde o ano passado: a fragilidade ofensiva.

A maior contratação para o ataque, Orlando Berrío, foi um enorme erro de avaliação de diretoria e comissão técnica. Porque não é driblador, nem finalizador como desejava o clube. Pior: tropeça na bola, comete erros técnicos grosseiros e não consegue levar vantagem no um contra um. Desperdiçou contragolpes simples. Assim como Everton, Gabriel. Antes Cirino…

Por último, Matheus Sávio, que entrou na vaga de Gabriel e foi frágil nas divididas nos lances dos dois gols. O jogo ficou grande demais para o jovem da base. Uma prova de que o elenco tem carências e desta vez a organização e a concentração defensiva não compensaram.

Zé Ricardo foi corajoso na formação inicial, mas a entrada de Romulo também foi profundamente infeliz. A troca de Everton por Juan um recado a Diego Aguirre que o Flamengo temia o que só não aconteceu um minuto antes por causa de uma grande defesa de Muralha em cabeçada de Caruzzo.

Mas no lance final foi inevitável. Com a virada atleticana por 3 a 2 com o gol do heroi improvável Carlos Alberto veio a punição ao clube que novamente superdimensionou um título estadual, desgastou o elenco na competição que não era prioritária.

San Lorenzo e Atlético conseguiram vencer fora de seus domínios. O Flamengo somou os nove pontos disputados no Maracanã. Não foi suficiente. Em 2017, porém, não foi o pecado capital. Sem qualidade para transformar oportunidades em gols, o Flamengo que podia ter chegado a Buenos Aires classificado ficou sujeito às aleatoriedades no futebol.

E, claro, à sua incrível capacidade de passar vergonha na Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo passa com louvor por seu “batismo de fogo” na Libertadores
Comentários Comente

André Rocha

O futebol é dinâmico. O Botafogo, que conseguiu sua classificação para a fase de grupos da Libertadores em duas etapas, foi considerado um time com vantagem por ter passado por disputas eliminatórias bem duras.

Mas no momento de confirmar a classificação no Grupo 1, hesitou no Engenhão contra o Barcelona de Guayaquil. A derrota por 2 a 0 não é nenhuma tragédia, mas abalou a imagem de time sólido mentalmente e fortíssimo em casa.

Já o Flamengo vem sendo consistente em desempenho dentro de casa e fora. Mas só pontua no Maracanã. A terceira partida com estádio lotado, porém, era decisiva. Com os surpreendentes 3 a 0 do San Lorenzo sobre o Atlético Paranaense na Arena da Baixada, não conseguir os três pontos significaria levar a decisão para a última rodada exatamente contra os argentinos. Fora de casa.

Foi o “batismo de fogo” do Flamengo, que nas últimas edições do torneio continental costumava se complicar em jogos com estas características. Também se dispersava quando as partidas se alternavam com decisões estaduais, priorizando a disputa regional.

Não desta vez. Torcida e time sintonizados no clima de final. Cientes da dificuldade diante da Universidad Católica que era organizada no 4-2-3-1 e com bons valores individuais, como Fuenzalida, Buonanotte, Kalinski. Mais Santiago “El Taque” Silva na frente.

Cabia ao Flamengo atacar com paciência e sem perder a concentração defensiva, grande virtude na vitória sobre o Fluminense na primeira final estadual. No primeiro tempo, alguma afobação e um dilema na execução do 4-1-4-1 proposto por Zé Ricardo: Guerrero era o único jogador capaz de um passe diferente quando recuava para articular. Mas também é o finalizador mais eficiente do quinteto ofensivo.

Sacrificado, o peruano não se escondeu. Pelo contrário. Das 23 finalizações, tentou nada menos que 13. Na primeira etapa, porém, a única oportunidade cristalina foi completando passe de Willian Arão e chutou em cima do goleiro Toselli. A mais clara, no entanto, foi de Fuenzalida infiltrando livre entre Rafael Vaz e Trauco.

No segundo tempo, a surpresa com Rodinei na vaga do apagado Mancuello, que desta vez não tem desculpa pelo mau rendimento. Foi escalado na função para a qual foi contratado no início de 2016 e não deu sequência às jogadas.

Com cinco minutos, golaço de canhota do lateral reserva transformado em ponteiro. Rodinei seguiu voando pela direita, fazendo dupla com Pará. Gabriel, centralizado, mesmo com todas as suas limitações, confundiu a marcação adversária circulando às costas dos volantes. Mas novamente faltou contundência para matar o jogo.

Pagou com a única finalização de Santiago Silva no jogo. Cabeceando entre Rever e Vaz. Em três conclusões do centroavante nas duas partidas entre as equipes, dois gols. Silêncio no Maracanã, massa preocupada, time tenso.

Entrou em cena Guerrero, para marcar exatamente na finalização mais complicada: com o marcador em cima, o chute cruzado entre as pernas do defensor e no canto de Toselli. Depois de onze tentativas. Haveria mais uma, no final, bloqueada.

Mas a vitória a esta altura já estava definida pelo gol de Trauco. Lateral que virou meia de novo, com a entrada de Renê no lugar de Gabriel. Mas centralizado, porque aparentava cansaço e Everton seguiu recompondo no setor esquerdo que a Católica atacava seguidamente.

Gol de perseverança, na sequência de chutes que podia ter virado um passe para Arão livre. Mas a conclusão de direita entrou e resolveu a questão da penúltima rodada. Não garante a classificação e envolve até um certo risco, já que a derrota na Argentina combinada com a vitória atleticana no Chile elimina o time carioca.

A rigor, um time que finalizou 40 vezes no campeonato, média de oito por jogo, já deveria estar com a vaga garantida, 100% de aproveitamento. Ainda falta contundência, que pode fazer falta mais à frente na temporada.

Mas valeu pela liderança do Grupo 4 e, principalmente, por seu simbolismo. Por não se entregar nem se desesperar depois do empate. Por manter o foco na competição que é prioridade em 2017.

Pelas mudanças do treinador que, mesmo questionáveis para quem não entende a diferença entre posição e função, deram certo na prática. Sem Diego, Donatti, Romulo e Berrío. Fora Conca. Com bela atuação de Marcio Araújo na proteção da retaguarda.

Na prova mais difícil até aqui, o Flamengo passou com louvor.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Maracanã elétrico de Libertadores faz a diferença para o Flamengo
Comentários Comente

André Rocha

Torcida não ganha jogo sem resposta do time em campo. Mas a atmosfera criada pela massa rubro-negra no Maracanã lotado por mais de sessenta mil pagantes, desde o mosaico simulando o gol de Zico na final da Libertadores em 1981, nitidamente desestabilizou o Atlético Paranaense no início da partida.

O Flamengo sentiu a ausência de Everton e Mancuello nem tanto pela improvisação no meio-campo de Trauco pela esquerda no 4-2-3-1. O peruano cumpriu bem a missão pelo lado e fechando o meio e encaixou lindo lançamento para Guerrero ir às redes logo aos seis minutos e subir ainda mais o tom das arquibancadas.

O problema era Renê na lateral esquerda, claramente sentindo o peso do jogo e sofrendo ora com Nikão, ora com Douglas Coutinho em uma equipe paranaense igualmente desfalcada, sem Otávio e Felipe Gedoz no meio-campo, mas compensando com bom desempenho com Matheus Rossetto.

Instintivamente o Fla buscava mais o lado direito, mas Gabriel não conseguia dar o melhor acabamento às jogadas. Mas quando Arão infiltrou no tempo certo, o cruzamento, mesmo com desvios, encontrou Diego para a finalização perfeita do segundo gol. Aos 15 minutos, para deixar o adversário ainda mais zonzo. O camisa dez ainda acertou o travessão e um bom passe vertical para Guerrero.

Por isso aumenta a preocupação com sua lesão no joelho. Sem ele e com Matheus Sávio, a equipe penou para acertar as transições ofensivas em velocidade na segunda etapa e surpreendentemente encontrou em Marcelo Cirino, substituto de Gabriel, uma válvula de escape para cima do frágil Sidcley.

Paulo Autuori tentou dar agilidade na frente com Grafite e João Paulo e volume no meio com Luiz Otávio. Faltou contundência ao time que teve 54% de posse, porém finalizou apenas três vezes, duas no alvo. Incluindo o gol de Nikão, completando, impedindo, jogada pela direita que iniciou com falha de Renê na saída de bola.

O Fla foi eficiente, acertou na direção da meta de Weverton sete das dez conclusões. Nos minutos finais, incluindo cinco de acréscimo, a calma para tocar a bola mesmo com a improvisação de Márcio Araújo no lugar do lesionado Pará, que deu lugar a Cuéllar e deixou o time ainda mais desfigurado.

A torcida jogou junto e o apito final foi celebrado com alívio e do tamanho da importância da vitória que alça o time à liderança do Grupo 4 com o empate entre Universidad Católica e San Lorenzo.

Em disputa tão parelha no jogo e no grupo, o Maracanã elétrico de Libertadores fez a diferença para o Flamengo.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo e Atlético sobrevivem na noite do controle e do sofrimento
Comentários Comente

André Rocha

O Botafogo controlou mais o jogo do que sofreu em Assunção. Compactou linhas de quatro, usou Marcelo como lateral zagueiro para encaixar Carli com Emerson no centro da defesa, deu liberdade a Camilo para acionar Pimpão buscando as diagonais nos contragolpes.

Organização sem posse de bola – apenas 38%. Jair Ventura preparou o time para fechar a própria área e não permitir a chance cristalina do Olimpia, com a infiltração depois da troca de passes.Mesmo cedendo 13 finalizações, cinco no alvo, o plano no geral foi bem executado até cometer o pecado inevitável pelo cansaço: recuar demais e ficar sem transição ofensiva.

No lance do gol de Montenegro, o time brasileiro se fechava com os quatro defensores bem centralizados, mais João Paulo e Gilson muito recuados, quase como laterais. Linha de seis afundada, muito perto da meta de Gatito Fernández.

O personagem nos pênaltis que entrou na vaga do lesionado Helton Leite e foi celebrar com o colega substituído depois de pegar três cobranças e garantir o Botafogo na fase de grupos. Na prática, o plano certo deu errado e precisou do goleiro que começou no banco.

Já o Atlético Paranaense penou em Capiatá. Porque só podia vencer e partiu para uma disputa mais aberta, até porque Carlos Alberto e Grafite não funcionam em contragolpes. Mas o time “cascudo” de Paulo Autuori foi às redes logo aos 11 minutos com Lucho González.

Exatamente na jogada aérea com bola parada, a arma do adversário nos 3 a 3 em Curitiba e que foi praticamente o único recurso da equipe comandada por Gavilán: nada menos que 45 cruzamentos do Capiatá que obrigaram Autuori a montar no segundo tempo uma linha de cinco atrás com Jonathan e Sidcley nas laterais, Wanderson, Paulo André e Thiago Heleno no centro da defesa.

O jogo ficou aleatório, com bolas levantadas em profusão e contragolpes desperdiçados, já com Luis Henrique no lugar de Grafite e Felipe Gedoz na vaga de Carlos Alberto. Mas foi Nikão quem aumentou o drama errando na tomada de decisão quando era hora de resolver o jogo e o confronto.

Weverton garantiu com boas defesas e ganhando tempo. Os números até sugerem disputa mais equilibrada: posse de bola praticamente igual e 10 finalizações do Capiatá contra nove da equipe rubro-negra. Mas a história do jogo foi mais sofrida para os paranaenses, ainda que em pouco mais de noventa minutos.

O Bota precisou dos pênaltis, mas o Brasil conquista mais duas vagas na fase de grupos. O time carioca no Grupo 1, do campeão Atlético Nacional, mais Estudiantes e Barcelona de Guayaquil. O Atlético com San Lorenzo, Flamengo e Universidad Católica no Grupo 4.

Chaveamentos duros, mas se começar a competir tão cedo pode queimar etapas na temporada, também dá “casca” e uma bagagem que os demais ainda precisam conquistar. Os dois brasileiros já têm histórias para contar na Libertadores 2017. Especialmente a sobrevivência na noite do controle e do sofrimento.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Atletiba cancelado pode ser, enfim, o início do fim da inversão de valores
Comentários Comente

André Rocha

As federações só existem porque um belo dia os clubes de futebol decidiram que precisavam de uma entidade mediadora para ajudar a tomar decisões, organizar competições e solucionar conflitos. As emissoras de TV só se mobilizaram para transmitir jogos porque há o interesse dos torcedores que não podem ou optam por não ir ao estádio acompanhar seu time e geram audiência.

Com o tempo, e por culpa da desorganização dos clubes, estes agentes que só existem por causa dos times e de seus fãs inverteram a hierarquia e tomaram o poder para si. Como Brian Epstein e o Coronel Tom Parker, diante da ingenuidade dos jovens garotos de Liverpool e do menino Elvis Presley, se tornaram chefes de quem tinha talento, carisma e milhões de apaixonados. Os que faziam a roda girar na música do seu tempo.

Como estamos no país do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, a situação se agrava e os dirigentes têm certeza que podem tudo. Inclusive impedir a transmissão de uma partida envolvendo os maiores times de uma região, o grande clássico de um estadual, com a desculpa esfarrapada de falta de credenciamento de jornalistas.

Só que não. E Atlético-PR e Coritiba deixaram isso claro na Arena da Baixada. Se os clubes não quiserem não há jogo, nem televisionamento. Porque federações e emissoras não têm torcedores, não despertam paixões. Logo, não decidem. Ou não deveriam.

Essa inversão de valores só acontece porque até hoje os clubes se contentam com migalhas. Seja uma aliança para garantir um mando de campo aqui, uma decisão favorável ali, uma arbitragem mais conivente acolá. Seja o adiantamento de cotas de TV para tapar o buraco de orçamentos mal planejados e executados.

Que a revolta em Curitiba com o Atletiba cancelado seja, enfim, o início de uma revolução que não veio com a Copa União nos anos 1980, nem com a Primeira Liga agora. Ver dois rivais históricos unidos e alinhados na proposta de buscar o melhor para si e, consequentemente, para os demais renova as esperanças em dias melhores e mais democráticos.

Será desta vez?

 


Weverton salva Atlético Paranaense de pagar pelo mito do “time cascudo”
Comentários Comente

André Rocha

Weverton Millonarios CAP

Como entender que um time com vantagem mínima para o jogo de volta na casa do adversário e mais 2640 metros de altitude em Bogotá, precisando de vigor físico e velocidade nos contragolpes, escale dois veteranos na frente e sofrer durante praticamente todo o jogo?

O Atlético Paranaense até teve bom início, ocupando o campo de ataque, trocando passes e criando oportunidade com os ponteiros do 4-2-3-1 montado por Paulo Autuori: de Nikão para a cabeça de Pablo e grande defesa do goleiro Nicolás Vikonis.

Mas se complicou quando o Millonarios adiantou linhas e passou a forçar pelos flancos com as duplas Palacios e Nuñez pela direita e Machado e Quiñonez do lado oposto, acionados pelo meia Rojas, mais o suporte de Jhon Duque, o autor do belo gol da vitória no tempo normal que igualou tudo nos pênaltis.

O lance vai ficar marcado pelo corte seco no jovem lateral Sidcley antes da finalização. Mas Autuori e sua equipe taticamente pagaram pelo mito do “time cascudo”. A tese de que para jogar Libertadores tem obrigação de ser experiente. Como se fosse outro jogo. Mas continua sendo futebol.

Faltou rapidez na frente com Carlos Alberto e Grafite e força no meio para resistir ao volume da equipe colombiana, com Otávio sobrecarregado pela queda física de Lucho González, de 36 anos, até as entradas de Matheus Rossetto e Felipe Gedoz nas vagas do argentino e de Nikão, que caiu muito de produção depois do bom início. Sacrificado por ser a única referência de velocidade.

O Millonarios teve 61% de posse e 28 finalizações, mas só sete no alvo. Muito por abusar da velocidade da bola na altitude, porém sem direção. Acertou 12 desarmes contra apenas quatro do time brasileiro. O Atlético não teve intensidade para reagir.

Sobrou eficiência nas cobranças de pênalti e, principalmente, competência de Weverton na defesa da cobrança do zagueiro Franco, mais a sorte no chute de Nuñez no travessão. O Atlético segue vivo em busca da fase de grupos da Libertadores, mas sofreu mais que o esperado na Colômbia.

Que sirva de lição para o desafio na terceira fase, contra Universitário do Peru ou o paraguaio Deportivo Capiatá.

Millonarios forte pelos flancos, empurrando o Atlético que não tinha velocidade nos contragolpes com Carlos Alberto e Grafite na frente e Lucho González sobrecarregando Otávio no meio-campo (Tactical Pad).

Millonarios forte pelos flancos, empurrando o Atlético que não tinha velocidade nos contragolpes com Carlos Alberto e Grafite na frente e Lucho González sobrecarregando Otávio no meio-campo (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Alguém ainda acredita em moleza ou “grupo da morte” em Libertadores?
Comentários Comente

André Rocha

Libertadores sorteio 2017

Flamengo e Grêmio foram os brasileiros que mais chamaram atenção no sorteio da nova Libertadores. O primeiro por enfrentar no Grupo 4 o San Lorenzo, campeão de 2014, o Universidad Católica e, possivelmente o Atlético Paranaense. O segundo caiu na chave de Guarani do Paraguai, Zamora e Iquique.

Pronto. “Grupo da morte” para os rubro-negros, moleza para o tricolor gaúcho. De novo o pecado de analisar apenas os nomes dos clubes e seu histórico. Como se o Independiente del Valle não fosse o atual vice-campeão da Libertadores e o Nacional do Paraguai não tivesse alcançado o mesmo feito há dois anos.

No mesmo 2014, o Grêmio encarou Atlético Nacional, Newell’s Old Boys e o Nacional uruguaio. Tanto alarde para o grupo dificílimo na teoria e o time gaúcho sobrou fazendo a segunda melhor campanha geral. Para ser eliminado nas oitavas pelo San Lorenzo, segundo pior desempenho entre os classificados que arrancou para o título inédito.

Já o Flamengo entrou numa chave com León, Bolívar e Emelec. Considerada mais que acessível, apesar do trauma da eliminação para os equatorianos em 2012. Pois os dois favoritos terminaram nas últimas posições, fora do mata-mata e o time boliviano na liderança.

Alguém ainda acredita em “carne assada”? Há como prever o momento dos times mais tradicionais ou a fase dos menos famosos quando começar a fase de grupos daqui a quase quatro meses? Como garantir sucesso dos brasileiros que não chegam à decisão desde 2013?

Sem contar o “fator estadual”, que na reta final costuma desviar o foco por conta das rivalidades regionais e desta vez ficará mais sedutor pois não baterá mais com as oitavas do torneio continental. Um convite para o deslize.

É claro que o analista é chamado agora para opinar sobre algo que começa em março, depois de duas fases preliminares. Mas convém um pouco de cautela. Ou muita. O equilíbrio vem sendo a tônica das últimas edições. Nada é impossível ou muito fácil antes da bola rolar. Ao contrário da Liga dos Campeões, com os gigantes de quase sempre e pouquíssimas surpresas.

Colocar brasileiros como favoritos e incluir os argentinos e o Atlético Nacional por ser o atual campeão é um clichê perigoso e desconectado da realidade da competição. Na prática, o River Plate, campeão do ano passado, merece o mesmo respeito que o Carabobo, possível adversário do Palmeiras no Grupo 5.

Sem chute ou pretensão de bola de cristal. A Libertadores está cada vez mais imprevisível e isso é ótimo.

 

 


O velho Botafogo dos gols perdidos recoloca o Atlético-PR no campeonato
Comentários Comente

André Rocha

Sassá tem nove gols no Brasileiro, só fica atrás de Gabriel Jesus e Robinho na artilharia. Vindo da base, mostra que o Botafogo perdeu tempo e dinheiro com o combo de sul-americanos que não resolveu o problema na frente. Pelo contrário.

Mas o jovem atacante foi infeliz na grama sintética da Arena da Baixada e fez ressurgir o velho Botafogo. Organizado, com padrão de jogo mesmo como visitante, valorizando a bola…mas perdendo chances no ataque.

Podia ter se desmanchado com o gol de Hernani logo aos seis minutos – bola parada, mais mérito da jogada aérea bem treinada que falha do sistema defensivo. Sofreu mais cerca de vinte minutos para se adaptar ao gramado e saiu para propor o jogo.

O esquema com três volantes desmancha o losango quando Bruno Silva desce pela direita com Luis Ricardo e se junta a Camilo centralizado e Neílton à esquerda, com Sassá adiantado. Descendo pela direita, Bruno acertou o travessão de Santos, o substituto de Weverton na meta da equipe de Paulo Autuori.

Fechada com duas linhas de quatro e tentando acelerar com Pablo para acionar André Lima. Sofreu sem volume de jogo e também porque o Botafogo empurrava Otávio para perto dos zagueiros Paulo André e Thiago Heleno,  dificultando a saída de bola.

A chance de Sassá na pequena área no fim do primeiro tempo poderia ser a senha para a virada. Mas finalizou bisonhamente, por cima. Compreensível pela idade, assim como Ribamar no Estadual. É o preço que o clube paga pela redução drástica na capacidade de investimento para equacionar dívidas.

Assim interrompeu a seqüência de duas vitórias sob o comando de Jair Ventura após a saída de Ricardo Gomes para o São Paulo, que com o jogo adiado contra o Grêmio alimentou esperanças de tentar algo mais que fugir da zona do rebaixamento. A atuação sólida mantém as boas perspectivas, mas é preciso recomeçar. Sem desperdiçar tantas oportunidades.

Melhor para o Atlético, redimido depois de quatro derrotas – três no Brasileiro, mais a que sofreu para o Grêmio na Copa do Brasil. Equipe competitiva, que flertou com a crise por causa da própria competência ao se aproximar do G-4 e mudar de patamar também na exigência de torcida e imprensa.

Os três pontos aliviam o bom trabalho de Autuori e recolocam no campeonato, a quatro do Corinthians, quarto colocado. Mas é preciso voltar a evoluir no desempenho. Desta vez foi salvo pelos gols perdidos pelo Bota, que mantém a rotina dos tempos de Ricardo Gomes: oscila mais nos resultados, perdendo por detalhes, que no desempenho.


Por que o Flamengo com peças e técnico contestados dorme na liderança
Comentários Comente

André Rocha

Os primeiros vinte minutos do segundo tempo em Cariacica foram os melhores do Flamengo no Brasileiro. Organização, intensidade, volume de jogo. Quinze até a boa jogada de Fernandinho e o toque de letra de Mancuello que venceu o goleiro Santos, mais cinco mantendo a pressão e tentando o segundo com o Atlético Paranaense ainda zonzo.

Sim, o time de Paulo Autuori que tirou a liderança do Corinthians na rodada anterior. Equipe bem coordenada, com duas linhas de quatro compactas sem a bola e os volantes Otávio e Hernani saindo para o jogo. Que reagiu, avançou as linhas e empurrou o oponente para o próprio campo.

Mas foi engolida da volta do intervalo até sofrer o gol único do jogo. Pelo Fla de Zé Ricardo. De Pará, Rafael Vaz, Chiquinho, Márcio Araújo, Fernandinho e Everton. Todos contestados ou até execrados mais ou menos em algum momento da temporada. Ou há mais tempo.

Em campo, uma base questionável sob o comando de um técnico novato. Como consegue ser sólido taticamente em quase todos os jogos e dorme na liderança do Brasileiro?

A resposta é simples: jogo coletivo. Não há um grande craque, mas todos sabem o que fazer em campo. Quem está com a bola tem opções de passe porque os companheiros se deslocam. Os toques são simples, a circulação da bola é paciente e só sai em profundidade se houver espaços às costas da defesa adversária.

Por isso Zé Ricardo insiste com velocistas pelas pontas, mesmo que eles tantas vezes se atrapalhem na tomada de decisão quando conseguem chegar ao fundo ou em condições de finalizar. Porque combinam as características com os passadores William Arão e Mancuello ou Alan Patrick e o móvel e técnico Paolo Guerrero. Mantém a intensidade.

Na recomposição, o time alterna pressão no campo de ataque e linhas compactas guardando a meta de Muralha, muitas vezes num 4-1-4-1. Com Márcio Araújo, que joga e deixa Cuéllar no banco para desespero de muitos torcedores. Qual a vantagem do brasileiro sobre o colombiano na visão do treinador? Leitura de jogo e noção da função que exerce. Repare: sempre que Cuéllar entra muito bem é jogando mais adiantado.

O Flamengo cercado de incertezas e desconfianças, que ainda prepara a estreia de Diego se consolida como um dos candidatos ao título numa disputa de raro equilíbrio e muitos postulantes. Está no bolo. Oscila como todos, não desperta confiança. Mas compete, até quando é goleado, como nos 4 a 0 para o Corinthians em Itaquera.

Méritos de Zé Ricardo. Na primeira experiência no time principal, dando confiança a tantos renegados. E o principal: fazendo seus comandados jogarem futebol atual. Porque o coletivo bem pensado e treinado faz com que o time dependa menos das individualidades e, paradoxalmente, transfira confiança para que se arrisque a jogada pessoal na zona de decisão.

Ainda não cheira a título, mas já é forte e pode evoluir para lutar até o fim.