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Maracanã elétrico de Libertadores faz a diferença para o Flamengo
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André Rocha

Torcida não ganha jogo sem resposta do time em campo. Mas a atmosfera criada pela massa rubro-negra no Maracanã lotado por mais de sessenta mil pagantes, desde o mosaico simulando o gol de Zico na final da Libertadores em 1981, nitidamente desestabilizou o Atlético Paranaense no início da partida.

O Flamengo sentiu a ausência de Everton e Mancuello nem tanto pela improvisação no meio-campo de Trauco pela esquerda no 4-2-3-1. O peruano cumpriu bem a missão pelo lado e fechando o meio e encaixou lindo lançamento para Guerrero ir às redes logo aos seis minutos e subir ainda mais o tom das arquibancadas.

O problema era Renê na lateral esquerda, claramente sentindo o peso do jogo e sofrendo ora com Nikão, ora com Douglas Coutinho em uma equipe paranaense igualmente desfalcada, sem Otávio e Felipe Gedoz no meio-campo, mas compensando com bom desempenho com Matheus Rossetto.

Instintivamente o Fla buscava mais o lado direito, mas Gabriel não conseguia dar o melhor acabamento às jogadas. Mas quando Arão infiltrou no tempo certo, o cruzamento, mesmo com desvios, encontrou Diego para a finalização perfeita do segundo gol. Aos 15 minutos, para deixar o adversário ainda mais zonzo. O camisa dez ainda acertou o travessão e um bom passe vertical para Guerrero.

Por isso aumenta a preocupação com sua lesão no joelho. Sem ele e com Matheus Sávio, a equipe penou para acertar as transições ofensivas em velocidade na segunda etapa e surpreendentemente encontrou em Marcelo Cirino, substituto de Gabriel, uma válvula de escape para cima do frágil Sidcley.

Paulo Autuori tentou dar agilidade na frente com Grafite e João Paulo e volume no meio com Luiz Otávio. Faltou contundência ao time que teve 54% de posse, porém finalizou apenas três vezes, duas no alvo. Incluindo o gol de Nikão, completando, impedindo, jogada pela direita que iniciou com falha de Renê na saída de bola.

O Fla foi eficiente, acertou na direção da meta de Weverton sete das dez conclusões. Nos minutos finais, incluindo cinco de acréscimo, a calma para tocar a bola mesmo com a improvisação de Márcio Araújo no lugar do lesionado Pará, que deu lugar a Cuéllar e deixou o time ainda mais desfigurado.

A torcida jogou junto e o apito final foi celebrado com alívio e do tamanho da importância da vitória que alça o time à liderança do Grupo 4 com o empate entre Universidad Católica e San Lorenzo.

Em disputa tão parelha no jogo e no grupo, o Maracanã elétrico de Libertadores fez a diferença para o Flamengo.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo e Atlético sobrevivem na noite do controle e do sofrimento
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André Rocha

O Botafogo controlou mais o jogo do que sofreu em Assunção. Compactou linhas de quatro, usou Marcelo como lateral zagueiro para encaixar Carli com Emerson no centro da defesa, deu liberdade a Camilo para acionar Pimpão buscando as diagonais nos contragolpes.

Organização sem posse de bola – apenas 38%. Jair Ventura preparou o time para fechar a própria área e não permitir a chance cristalina do Olimpia, com a infiltração depois da troca de passes.Mesmo cedendo 13 finalizações, cinco no alvo, o plano no geral foi bem executado até cometer o pecado inevitável pelo cansaço: recuar demais e ficar sem transição ofensiva.

No lance do gol de Montenegro, o time brasileiro se fechava com os quatro defensores bem centralizados, mais João Paulo e Gilson muito recuados, quase como laterais. Linha de seis afundada, muito perto da meta de Gatito Fernández.

O personagem nos pênaltis que entrou na vaga do lesionado Helton Leite e foi celebrar com o colega substituído depois de pegar três cobranças e garantir o Botafogo na fase de grupos. Na prática, o plano certo deu errado e precisou do goleiro que começou no banco.

Já o Atlético Paranaense penou em Capiatá. Porque só podia vencer e partiu para uma disputa mais aberta, até porque Carlos Alberto e Grafite não funcionam em contragolpes. Mas o time “cascudo” de Paulo Autuori foi às redes logo aos 11 minutos com Lucho González.

Exatamente na jogada aérea com bola parada, a arma do adversário nos 3 a 3 em Curitiba e que foi praticamente o único recurso da equipe comandada por Gavilán: nada menos que 45 cruzamentos do Capiatá que obrigaram Autuori a montar no segundo tempo uma linha de cinco atrás com Jonathan e Sidcley nas laterais, Wanderson, Paulo André e Thiago Heleno no centro da defesa.

O jogo ficou aleatório, com bolas levantadas em profusão e contragolpes desperdiçados, já com Luis Henrique no lugar de Grafite e Felipe Gedoz na vaga de Carlos Alberto. Mas foi Nikão quem aumentou o drama errando na tomada de decisão quando era hora de resolver o jogo e o confronto.

Weverton garantiu com boas defesas e ganhando tempo. Os números até sugerem disputa mais equilibrada: posse de bola praticamente igual e 10 finalizações do Capiatá contra nove da equipe rubro-negra. Mas a história do jogo foi mais sofrida para os paranaenses, ainda que em pouco mais de noventa minutos.

O Bota precisou dos pênaltis, mas o Brasil conquista mais duas vagas na fase de grupos. O time carioca no Grupo 1, do campeão Atlético Nacional, mais Estudiantes e Barcelona de Guayaquil. O Atlético com San Lorenzo, Flamengo e Universidad Católica no Grupo 4.

Chaveamentos duros, mas se começar a competir tão cedo pode queimar etapas na temporada, também dá “casca” e uma bagagem que os demais ainda precisam conquistar. Os dois brasileiros já têm histórias para contar na Libertadores 2017. Especialmente a sobrevivência na noite do controle e do sofrimento.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Atletiba cancelado pode ser, enfim, o início do fim da inversão de valores
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André Rocha

As federações só existem porque um belo dia os clubes de futebol decidiram que precisavam de uma entidade mediadora para ajudar a tomar decisões, organizar competições e solucionar conflitos. As emissoras de TV só se mobilizaram para transmitir jogos porque há o interesse dos torcedores que não podem ou optam por não ir ao estádio acompanhar seu time e geram audiência.

Com o tempo, e por culpa da desorganização dos clubes, estes agentes que só existem por causa dos times e de seus fãs inverteram a hierarquia e tomaram o poder para si. Como Brian Epstein e o Coronel Tom Parker, diante da ingenuidade dos jovens garotos de Liverpool e do menino Elvis Presley, se tornaram chefes de quem tinha talento, carisma e milhões de apaixonados. Os que faziam a roda girar na música do seu tempo.

Como estamos no país do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, a situação se agrava e os dirigentes têm certeza que podem tudo. Inclusive impedir a transmissão de uma partida envolvendo os maiores times de uma região, o grande clássico de um estadual, com a desculpa esfarrapada de falta de credenciamento de jornalistas.

Só que não. E Atlético-PR e Coritiba deixaram isso claro na Arena da Baixada. Se os clubes não quiserem não há jogo, nem televisionamento. Porque federações e emissoras não têm torcedores, não despertam paixões. Logo, não decidem. Ou não deveriam.

Essa inversão de valores só acontece porque até hoje os clubes se contentam com migalhas. Seja uma aliança para garantir um mando de campo aqui, uma decisão favorável ali, uma arbitragem mais conivente acolá. Seja o adiantamento de cotas de TV para tapar o buraco de orçamentos mal planejados e executados.

Que a revolta em Curitiba com o Atletiba cancelado seja, enfim, o início de uma revolução que não veio com a Copa União nos anos 1980, nem com a Primeira Liga agora. Ver dois rivais históricos unidos e alinhados na proposta de buscar o melhor para si e, consequentemente, para os demais renova as esperanças em dias melhores e mais democráticos.

Será desta vez?

 


Weverton salva Atlético Paranaense de pagar pelo mito do “time cascudo”
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André Rocha

Weverton Millonarios CAP

Como entender que um time com vantagem mínima para o jogo de volta na casa do adversário e mais 2640 metros de altitude em Bogotá, precisando de vigor físico e velocidade nos contragolpes, escale dois veteranos na frente e sofrer durante praticamente todo o jogo?

O Atlético Paranaense até teve bom início, ocupando o campo de ataque, trocando passes e criando oportunidade com os ponteiros do 4-2-3-1 montado por Paulo Autuori: de Nikão para a cabeça de Pablo e grande defesa do goleiro Nicolás Vikonis.

Mas se complicou quando o Millonarios adiantou linhas e passou a forçar pelos flancos com as duplas Palacios e Nuñez pela direita e Machado e Quiñonez do lado oposto, acionados pelo meia Rojas, mais o suporte de Jhon Duque, o autor do belo gol da vitória no tempo normal que igualou tudo nos pênaltis.

O lance vai ficar marcado pelo corte seco no jovem lateral Sidcley antes da finalização. Mas Autuori e sua equipe taticamente pagaram pelo mito do “time cascudo”. A tese de que para jogar Libertadores tem obrigação de ser experiente. Como se fosse outro jogo. Mas continua sendo futebol.

Faltou rapidez na frente com Carlos Alberto e Grafite e força no meio para resistir ao volume da equipe colombiana, com Otávio sobrecarregado pela queda física de Lucho González, de 36 anos, até as entradas de Matheus Rossetto e Felipe Gedoz nas vagas do argentino e de Nikão, que caiu muito de produção depois do bom início. Sacrificado por ser a única referência de velocidade.

O Millonarios teve 61% de posse e 28 finalizações, mas só sete no alvo. Muito por abusar da velocidade da bola na altitude, porém sem direção. Acertou 12 desarmes contra apenas quatro do time brasileiro. O Atlético não teve intensidade para reagir.

Sobrou eficiência nas cobranças de pênalti e, principalmente, competência de Weverton na defesa da cobrança do zagueiro Franco, mais a sorte no chute de Nuñez no travessão. O Atlético segue vivo em busca da fase de grupos da Libertadores, mas sofreu mais que o esperado na Colômbia.

Que sirva de lição para o desafio na terceira fase, contra Universitário do Peru ou o paraguaio Deportivo Capiatá.

Millonarios forte pelos flancos, empurrando o Atlético que não tinha velocidade nos contragolpes com Carlos Alberto e Grafite na frente e Lucho González sobrecarregando Otávio no meio-campo (Tactical Pad).

Millonarios forte pelos flancos, empurrando o Atlético que não tinha velocidade nos contragolpes com Carlos Alberto e Grafite na frente e Lucho González sobrecarregando Otávio no meio-campo (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Alguém ainda acredita em moleza ou “grupo da morte” em Libertadores?
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André Rocha

Libertadores sorteio 2017

Flamengo e Grêmio foram os brasileiros que mais chamaram atenção no sorteio da nova Libertadores. O primeiro por enfrentar no Grupo 4 o San Lorenzo, campeão de 2014, o Universidad Católica e, possivelmente o Atlético Paranaense. O segundo caiu na chave de Guarani do Paraguai, Zamora e Iquique.

Pronto. “Grupo da morte” para os rubro-negros, moleza para o tricolor gaúcho. De novo o pecado de analisar apenas os nomes dos clubes e seu histórico. Como se o Independiente del Valle não fosse o atual vice-campeão da Libertadores e o Nacional do Paraguai não tivesse alcançado o mesmo feito há dois anos.

No mesmo 2014, o Grêmio encarou Atlético Nacional, Newell’s Old Boys e o Nacional uruguaio. Tanto alarde para o grupo dificílimo na teoria e o time gaúcho sobrou fazendo a segunda melhor campanha geral. Para ser eliminado nas oitavas pelo San Lorenzo, segundo pior desempenho entre os classificados que arrancou para o título inédito.

Já o Flamengo entrou numa chave com León, Bolívar e Emelec. Considerada mais que acessível, apesar do trauma da eliminação para os equatorianos em 2012. Pois os dois favoritos terminaram nas últimas posições, fora do mata-mata e o time boliviano na liderança.

Alguém ainda acredita em “carne assada”? Há como prever o momento dos times mais tradicionais ou a fase dos menos famosos quando começar a fase de grupos daqui a quase quatro meses? Como garantir sucesso dos brasileiros que não chegam à decisão desde 2013?

Sem contar o “fator estadual”, que na reta final costuma desviar o foco por conta das rivalidades regionais e desta vez ficará mais sedutor pois não baterá mais com as oitavas do torneio continental. Um convite para o deslize.

É claro que o analista é chamado agora para opinar sobre algo que começa em março, depois de duas fases preliminares. Mas convém um pouco de cautela. Ou muita. O equilíbrio vem sendo a tônica das últimas edições. Nada é impossível ou muito fácil antes da bola rolar. Ao contrário da Liga dos Campeões, com os gigantes de quase sempre e pouquíssimas surpresas.

Colocar brasileiros como favoritos e incluir os argentinos e o Atlético Nacional por ser o atual campeão é um clichê perigoso e desconectado da realidade da competição. Na prática, o River Plate, campeão do ano passado, merece o mesmo respeito que o Carabobo, possível adversário do Palmeiras no Grupo 5.

Sem chute ou pretensão de bola de cristal. A Libertadores está cada vez mais imprevisível e isso é ótimo.

 

 


O velho Botafogo dos gols perdidos recoloca o Atlético-PR no campeonato
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André Rocha

Sassá tem nove gols no Brasileiro, só fica atrás de Gabriel Jesus e Robinho na artilharia. Vindo da base, mostra que o Botafogo perdeu tempo e dinheiro com o combo de sul-americanos que não resolveu o problema na frente. Pelo contrário.

Mas o jovem atacante foi infeliz na grama sintética da Arena da Baixada e fez ressurgir o velho Botafogo. Organizado, com padrão de jogo mesmo como visitante, valorizando a bola…mas perdendo chances no ataque.

Podia ter se desmanchado com o gol de Hernani logo aos seis minutos – bola parada, mais mérito da jogada aérea bem treinada que falha do sistema defensivo. Sofreu mais cerca de vinte minutos para se adaptar ao gramado e saiu para propor o jogo.

O esquema com três volantes desmancha o losango quando Bruno Silva desce pela direita com Luis Ricardo e se junta a Camilo centralizado e Neílton à esquerda, com Sassá adiantado. Descendo pela direita, Bruno acertou o travessão de Santos, o substituto de Weverton na meta da equipe de Paulo Autuori.

Fechada com duas linhas de quatro e tentando acelerar com Pablo para acionar André Lima. Sofreu sem volume de jogo e também porque o Botafogo empurrava Otávio para perto dos zagueiros Paulo André e Thiago Heleno,  dificultando a saída de bola.

A chance de Sassá na pequena área no fim do primeiro tempo poderia ser a senha para a virada. Mas finalizou bisonhamente, por cima. Compreensível pela idade, assim como Ribamar no Estadual. É o preço que o clube paga pela redução drástica na capacidade de investimento para equacionar dívidas.

Assim interrompeu a seqüência de duas vitórias sob o comando de Jair Ventura após a saída de Ricardo Gomes para o São Paulo, que com o jogo adiado contra o Grêmio alimentou esperanças de tentar algo mais que fugir da zona do rebaixamento. A atuação sólida mantém as boas perspectivas, mas é preciso recomeçar. Sem desperdiçar tantas oportunidades.

Melhor para o Atlético, redimido depois de quatro derrotas – três no Brasileiro, mais a que sofreu para o Grêmio na Copa do Brasil. Equipe competitiva, que flertou com a crise por causa da própria competência ao se aproximar do G-4 e mudar de patamar também na exigência de torcida e imprensa.

Os três pontos aliviam o bom trabalho de Autuori e recolocam no campeonato, a quatro do Corinthians, quarto colocado. Mas é preciso voltar a evoluir no desempenho. Desta vez foi salvo pelos gols perdidos pelo Bota, que mantém a rotina dos tempos de Ricardo Gomes: oscila mais nos resultados, perdendo por detalhes, que no desempenho.


Por que o Flamengo com peças e técnico contestados dorme na liderança
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André Rocha

Os primeiros vinte minutos do segundo tempo em Cariacica foram os melhores do Flamengo no Brasileiro. Organização, intensidade, volume de jogo. Quinze até a boa jogada de Fernandinho e o toque de letra de Mancuello que venceu o goleiro Santos, mais cinco mantendo a pressão e tentando o segundo com o Atlético Paranaense ainda zonzo.

Sim, o time de Paulo Autuori que tirou a liderança do Corinthians na rodada anterior. Equipe bem coordenada, com duas linhas de quatro compactas sem a bola e os volantes Otávio e Hernani saindo para o jogo. Que reagiu, avançou as linhas e empurrou o oponente para o próprio campo.

Mas foi engolida da volta do intervalo até sofrer o gol único do jogo. Pelo Fla de Zé Ricardo. De Pará, Rafael Vaz, Chiquinho, Márcio Araújo, Fernandinho e Everton. Todos contestados ou até execrados mais ou menos em algum momento da temporada. Ou há mais tempo.

Em campo, uma base questionável sob o comando de um técnico novato. Como consegue ser sólido taticamente em quase todos os jogos e dorme na liderança do Brasileiro?

A resposta é simples: jogo coletivo. Não há um grande craque, mas todos sabem o que fazer em campo. Quem está com a bola tem opções de passe porque os companheiros se deslocam. Os toques são simples, a circulação da bola é paciente e só sai em profundidade se houver espaços às costas da defesa adversária.

Por isso Zé Ricardo insiste com velocistas pelas pontas, mesmo que eles tantas vezes se atrapalhem na tomada de decisão quando conseguem chegar ao fundo ou em condições de finalizar. Porque combinam as características com os passadores William Arão e Mancuello ou Alan Patrick e o móvel e técnico Paolo Guerrero. Mantém a intensidade.

Na recomposição, o time alterna pressão no campo de ataque e linhas compactas guardando a meta de Muralha, muitas vezes num 4-1-4-1. Com Márcio Araújo, que joga e deixa Cuéllar no banco para desespero de muitos torcedores. Qual a vantagem do brasileiro sobre o colombiano na visão do treinador? Leitura de jogo e noção da função que exerce. Repare: sempre que Cuéllar entra muito bem é jogando mais adiantado.

O Flamengo cercado de incertezas e desconfianças, que ainda prepara a estreia de Diego se consolida como um dos candidatos ao título numa disputa de raro equilíbrio e muitos postulantes. Está no bolo. Oscila como todos, não desperta confiança. Mas compete, até quando é goleado, como nos 4 a 0 para o Corinthians em Itaquera.

Méritos de Zé Ricardo. Na primeira experiência no time principal, dando confiança a tantos renegados. E o principal: fazendo seus comandados jogarem futebol atual. Porque o coletivo bem pensado e treinado faz com que o time dependa menos das individualidades e, paradoxalmente, transfira confiança para que se arrisque a jogada pessoal na zona de decisão.

Ainda não cheira a título, mas já é forte e pode evoluir para lutar até o fim.


Autuori retoma tema calendário, mas problema não é o jogo da segunda-feira
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André Rocha

O Atlético Paranaense entrou no G-4 com a vitória sobre o Cruzeiro por 3 a 0 construída com autoridade e controle de jogo no segundo tempo. Mas o técnico Paulo Autuori não parecia tão satisfeito e na entrada ao vivo no programa da emissora detentora dos direitos de transmissão na TV fechada, o Sportv, reclamou do jogo marcado para segunda à noite.

Quem já conversou com Autuori sabe da sua opinião sobre o que ele chama da banalização do futebol com jogos em todos os dias da semana. Segundo ele, não há mais um tempo para arejar a mente e se criar uma expectativa saudável para um grande jogo devido à massificação.

Questionamento respeitável. E retomar o tema calendário é sempre saudável. Mas, na prática, mudou pouco para seu Atlético a preparação para a partida no Mineirão. Até teve um saldo positivo, já que ganhou mais um dia. Mais pertinente foi a reclamação anterior, do adiamento do segundo tempo da partida contra a Chapecoense para a quinta-feira à tarde, quando a manhã seria mais razoável por minimizar os prejuízos na rodada seguinte.

É notório o poder da televisão na ordem dos jogos de cada rodada. A influência, por questões comerciais, é desproporcional. Não por acaso os clubes mais organizados procuram outras fontes de receita para se tornarem autossustentáveis e dependerem menos das cotas.

Só que o problema está longe de ser os jogos às segundas. Se no meio da semana os times atuarem na quinta e depois no domingo, dá na mesma que jogar domingo, quarta e sábado.

Mais passível de discussão é a distribuição de jogos nos domingos às 11h. Por envolver desgaste físico e logística complicada, deveria haver um revezamento, com todos jogando o mesmo número de partidas, ou quase isso.  Não é o caso. Ainda assim, não é o olho do furacão.

A grande questão continua a mesma: os estaduais inchados consumindo quatro meses da temporada, de fevereiro a maio, e obrigando a encavalar datas de Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Sul-Americana e invadir as datas FIFA, prejudicando exatamente os clubes competentes que, em boa fase, cedem os jogadores para as seleções. Punem o formador e o investidor.

A adequação ao calendário europeu é tema polêmico. Este que escreve defende uma temporada de teste para se avaliar todas as questões, como, por exemplo, presença de público, audiência na TV, lógística e desgaste dos jogadores atuando no verão em partidas intensas numa fase intermediária do campeonato brasileiro.

Ao final do debate entre Autuori e o apresentador Galvão Bueno, este leu um trecho de nota oficial da CBF afirmando que “calendário é tema complexo tratado continuamente com muita seriedade, sempre buscando conciliar todos os interesses”. Será mesmo todos?

O colega Luis Filipe Chateaubriand, estudioso do calendário brasileiro, colunista do Lance sobre o tema e ex-colaborador do Bom Senso FC, foi convocado para um grupo de trabalho da CBF. Participou de algumas reuniões e desistiu. Palavras dele: “Saí porque vi que a proposta é por mudanças tópicas, se tanto. Acredito que nosso calendário precisa de mudanças profundas”.

Difícil, quase impossível. Os estaduais inchados mantêm a estrutura federativa. O clubes pequenos são beneficiados jogando contra os grandes, embora a maioria seja prejudicada na sequência sem ter algo relevante a disputar nos outros sete meses do ano. Este vota no presidente da Federação que vota no presidente da CBF e a estrutura segue intacta. A TV, com os estaduais para transmitir, exige que os principais times, ou os que entregam maior audiência, usem seus principais jogadores – com a Globo fez com o Flamengo este ano.

Que a iniciativa de união dos clubes seja concreta, sem que as rivalidades dos dirigentes-torcedores atrapalhem o processo de amadurecimento do futebol brasileiro. Tardio, mas cada vez mais urgente.

 


Corinthians e Cristóvão Borges: nada será como antes
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André Rocha

A opção mais óbvia era Mano Menezes. Disponível no mercado e junto com Tite alternando no comando do Corinthians desde 2008, com o hiato dos dois meses de Adilson Batista em 2010. Mas houve desgaste na saída em 2014 e foi o primeiro nome rechaçado com a ida de Tite para a seleção brasileira.

Para evitar constrangimento parecido com o do Cruzeiro, descartado publicamente por Jorginho e Ricardo Gomes, o clube fez sondagens. O velho recurso de conseguir um interlocutor que consulte informalmente antes da proposta oficial. Assim foi com Eduardo Baptista, Roger Machado e Fernando Diniz, que preferiram seguir com seus projetos profissionais. Sylvinho, amigo do presidente Roberto de Andrade, decidiu continuar aprendendo na Internazionale e nos cursos da UEFA.

Segundo o mandatário do clube, o segundo procurado foi Cristóvão Borges. Demitido do Atlético Paranaense em março, chega ao Corinthians que o acolheu como jogador entre 1986 e 1987. Revelado pelo Bahia, atuou por mais tempo em Fluminense, Grêmio e Portuguesa. Não dá para chamar de identificação, apesar de um gol decisivo sobre o rival Palmeiras na semifinal do Paulista de 1986.

Como técnico, a rigor, os trabalhos de Cristóvão desde a sucessão forçada de Ricardo Gomes no Vasco em 2011 não o credenciam a substituir o melhor técnico do país no atual campeão brasileiro. É uma aposta.

No clube cruzmaltino, a melhor combinação entre desempenho e resultados. Inclusive na Libertadores de 2012, com eliminação para o próprio Corinthians de Tite nos detalhes: lendária defesa de Cássio na finalização de Diego Souza e gol salvador de Paulinho. Depois Bahia, Fluminense, Flamengo e Atlético-PR.

Em todos foi possível perceber o trabalho com conceitos atuais, como compactação, posse de bola, movimentação e intensidade. Chamou atenção também porque, exceto no Vasco e com Milton Mendes no clube paranaense, recebeu terra arrasada em termos táticos de seus antecessores – Joel Santana no Bahia, Renato Gaúcho no Fluminense e Vanderlei Luxemburgo no Flamengo. A resposta imediata foi positiva.

No entanto, o desempenho foi se desgastando com o tempo. Fora de campo, na visão de pessoas que cobriam o dia-a-dia dos clubes, em alguns momentos faltou pulso na gestão dos grupos. Mesmo sendo querido pelos atletas. No Flu, por exemplo, saiu criticado por ser muito permissivo com a liderança de Fred.

Na execução do plano de jogo faltou maturidade para adaptar os conceitos à realidade brasileira. Longas viagens, altas temperaturas e o pouco tempo para treinar não eram dosados com uma proposta mais flexível, alternando marcação pressão com linhas adiantadas e sistema defensivo mais postado jogando de forma reativa quando necessário. Os times cansavam.

Por isso a fragilidade defensiva que virou seu ponto fraco. Com a retaguarda em linha e avançada é obrigatório diminuir o espaço e o tempo de raciocínio do adversário com a bola. Não conseguiu e viu suas equipes sofrerem goleadas que minaram a confiança.

A boa notícia é que essa dinâmica já foi automatizada por Tite. Em vez de construir do zero, a missão será apenas dar sequência a um trabalho estruturado, como deixou claro o interino Fabio Carille na coletiva depois da vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo que entrega o time no G-4 ao novo comandante.

Taticamente não deve fugir do 4-2-3-1 dos últimos jogos com Guilherme na articulação central. A missão é melhorar a dinâmica ofensiva no último terço do campo. Sem um típico centroavante, os muitos cruzamentos das últimas partidas não parecem a melhor solução. É possível trabalhar mais as triangulações, tabelas e infiltrações em diagonal.

Cristóvão não é Tite. Técnico e clube sabem bem disso. Nada será como antes. O futuro é uma grande incógnita. Mas com respaldo da direção, evolução e maturidade do treinador em um cenário mais favorável. é possível seguir competitivo em 2016.


Palmeiras é a melhor notícia do início insosso da Série A do Brasileiro
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André Rocha

O Santa Cruz de Milton Mendes foi eficiente no Arruda: 4 a 1 no Vitória com 46% de posse de bola. Sete finalizações, cinco no alvo. Quatro nas redes, dois de Grafite. O Fluminense teve 62% de posse no Independência. Impôs seu estilo sobre o América de Givanildo, com formação ofensiva e vertical no último terço. Mas, para variar, quem decidiu foi Fred.

Atlético Mineiro e São Paulo saíram com lucro enorme: reservas, foco na Libertadores…e vitórias! Melhor para o tricolor, que somou três pontos fora sobre um Botafogo já preocupante. Bom também para o Coritiba de Kleber Gladiador que aproveitou o Cruzeiro ainda sem Paulo Bento no comando no jogo do sábado às 21h que honrou sua tradição de ser muito chato.

Muricy já jogou a filosofia Barcelona para o alto oficialmente. Não por acaso, vitória pragmática e sem sal do Flamengo sobre o Sport. Menos ruim que os três empates sem gols e sem graça. A rigor, uma primeira rodada insossa na Série A, com saldo negativo em desempenho. A exceção foi o Palmeiras de Cuca. A melhor notícia, ainda no sábado.

Time das variações táticas, de Tche Tche alternando com Jean na lateral e no meio. De Roger Guedes e Gabriel Jesus nas pontas buscando as diagonais nos espaços deixados por Lucas Barrios. Do volume de jogo que já impressionou. 61% de posse, 22 desarmes certos. Três de Gabriel Jesus no campo de ataque. Tão importantes quanto os dois gols do jovem talento alviverde nos 4 a 0 no Allianz Parque.

Equipe de Cleiton Xavier, o meia organizador que recuava para auxiliar na saída de bola e aparecia na frente para servir seus companheiros. Com bola parada ou rolando. Duas assistências. A peça para dar liga numa equipe veloz, elétrica, com jogadas ensaiadas. Que não deu chances a um Atlético sem intensidade, velho problema das equipes de Paulo Autuori que parecia resolvido pelas atuações no paranaense e na Primeira Liga.

Em um campeonato imprevisível, parelho, com várias “etapas” influenciadas por negociações, seleções e oscilações, começar bem pode ser um sinal. Na rodada inicial, o otimismo pertence ao Palmeiras.

(Estatísticas: Footstats)