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Os méritos (e a estrela) de Cuca na volta ao Palmeiras
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André Rocha

Enfrentar em casa o combalido Vasco voltando à Série A era o melhor dos cenários para a volta de Cuca na estreia do campeão Palmeiras no Brasileiro.

Melhor ainda quando marca os gols em momentos decisivos da partida: logo no início, aos seis minutos, no pênalti tolo de Jomar sobre Dudu que Jean converteu. No final da primeira etapa, quando o Vasco havia equilibrado a disputa e Guerra aproveitou rebote de Martín Silva em chute de Jean. O terceiro no primeiro ataque da segunda etapa, com Borja. Quarto e último na reta final, em novo pênalti do desastroso Jomar sobre Dudu e outro gol de Borja.

Não é justo, porém, atribuir apenas à sorte a construção do placar. Longe disso. O primeiro mérito de Cuca foi resgatar rapidamente a intensidade, desde o primeiro toque na bola com jogada ensaiada em ligação direta. Bem ao seu estilo.

Com a recuperação do Vasco, com o jovem Douglas ditando o rimo no meio-campo, mas muito sacrifício da equipe sem a bola para compensar a participação nula de Nenê e Luis Fabiano, o comandante alviverde trocou o posicionamento de Jean e Tchê Tchê.

Este saiu do trio de meio-campistas no 4-3-3 que variava para o 4-2-3-1 com o avanço de Guerra e foi para a lateral direita. Dentro da marcação individual planejada, Jean cuidaria de Douglas.

Não deu tão certo na parte defensiva. Mas na frente confundiu a marcação cruzmaltina e, na troca, Tchê Tchê passou, Jean se projetou para finalizar e Guerra aproveitar no segundo. No terceiro, jogada de Tchê Tchê como lateral e gol de Borja.

Cuca foi perfeito ao dar confiança ao atacante colombiano, criticado pelo alto investimento e baixo desempenho até aqui. Começou errando lances bobos. Com espaços para acelerar, cresceu naturalmente. Dois gols e o carinho do treinador para enfim dar a resposta esperada.

Assim como Dudu, mantido capitão com Cuca. O melhor em campo partindo da esquerda para desarticular o bloqueio adversário. Dois pênaltis sofridos, duas chances desperdiçadas. Mas voltando a desequilibrar. Não é por acaso. Técnico e craque do time construíram uma relação de confiança mútua.

O primeiro tempo deve ser o norte do Vasco para o Brasileiro. Finalizou nove vezes contra seis do Palmeiras. Boa chance com Pikachu em lançamento primoroso de Douglas. Gol perdido pelo jovem volante no erro de Jean na saída de bola. No final da primeira etapa, poderia ter mudado o jogo. O problema é ser competitivo e ter velocidade na transição ofensiva com dois veteranos na frente.

O Palmeiras de Cuca repete os 4 a 0 do ano passado na estreia  – em 2016 a vítima foi o Atlético-PR. O elenco está mais rico, mas desta vez há uma Libertadores para dividir atenções. Ainda assim, o status de favorito se reforça. Pelos méritos e também pela estrela de Cuca, que faz clube e torcida acreditarem mais na própria força.

(Estatísticas: Footstats)


Pratto e Borja, dois perfis de centroavante que ainda funcionam
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André Rocha

Lucas Pratto queria jogar e não ser reserva de Fred no Galo, o São Paulo precisava de um centroavante mais qualificado que Chávez e Gilberto e ganhou espaço no orçamento com a venda de David Neres para o Ajax. O Atlético Mineiro também precisava de um alívio na folha salarial. Ótima oportunidade para as três partes.

O Palmeiras tinha dinheiro para investir, mas não um nome para repor Gabriel Jesus à altura e fazer o elenco efetivamente mudar de patamar, já que antes as aquisições apenas compensavam a perda da maior estrela para o Manchester City. Agora tem Miguel Borja, do Atlético Nacional campeão da Libertadores.

O argentino e o colombiano são contratações de impacto no mercado nacional porque são perfis de centroavante que ainda funcionam num cenário em que o jogador fixo entre os zagueiros hoje é mais referência para a defesa adversária do que para o próprio ataque.

Pratto é versátil, sabe recuar para jogar entre as linhas, já atuou como atacante atrás do centroavante em Genoa e Vélez Sarsfield. Tem timing e estatura para o jogo físico e aéreo na área adversária, é bom na pressão no campo adversário, sabe abrir espaços e tem bom passe vertical para infiltração em diagonal dos ponteiros. Características muito úteis para a proposta de jogo de Ceni. Sem contar a liderança e a fibra para cativar uma torcida que anda carente de ídolos além do treinador.

Já Borja tem características parecidas com as de Gabriel Jesus. Sai para os lados, tem velocidade para contragolpes, mas também presença física na área e recursos técnicos como finalizador. Personalidade e contundência em jogos grandes,técnica, agilidade, explosão. Para ajudar, o entrosamento com Guerra. Uma ascensão surpreendente aos 24 anos depois de uma carreira errante, com muitos empréstimos e vindo do Cortuluá para ser decisivo na conquista da Libertadores do Atlético Nacional.

Nos dois casos a tendência é ter encaixe imediato, sem maiores problemas de adaptação. O São Paulo fica mais forte e pode acelerar a assimilação das ideias do técnico para ficar competitivo mais rapidamente. Já o Palmeiras consolida sua condição de favorito à conquista da Libertadores. Tem todas as ferramentas para formar o time mais forte do continente.

Sem garantias, mas com ótimos indícios.

 


Final da Libertadores e título do Atlético Nacional detonam velhos clichês
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André Rocha

“Brasileiros e argentinos são favoritos absolutos e só perdem para si mesmos” – O Atlético Nacional de Medellín tem tradição e um título, em 1989. O Independiente Del Valle do Equador nem campeão equatoriano foi. Zero grife, nenhuma camisa que entorta varal. Mas sobraram organização, futebol atual, trabalho sério dentro de uma ideia de jogo. Com a conquista da Sul-Americana pelo Santa Fé, a Colômbia agora manda na América do Sul.

“Para ganhar Libertadores tem que bater e catimbar. É guerra!” – O time colombiano venceu jogando bola. Em 14 jogos, dez vitorias, três empates e só uma derrota. Ataque mais efetivo, defesa menos vazada.

Sim, houve polêmica na arbitragem do confronto com o São Paulo e na decisão no Atanasio Girardot o Del Valle pode reclamar de um pênalti de Henríquez sobre Uchuari no segundo tempo. Mas a melhor equipe leva a taça. A campanha com mais pontos no novo formato, superando o Boca Juniors em 2003 com 32. Incrível aproveitamento de 79%.

“Para vencer tem que contratar craques consagrados”. O atacante Miguel Borja desequilibrou com cinco gols nas quatro partidas decisivas. Veio do Cortuluá. Descartado pelo São Paulo, nenhum outro brasileiro se interessou. Perdeu chance cristalina aos 19 segundos na grande final em Medellín, mas não desperdiçou a oportunidade de marcar o gol do título.

“O camisa dez precisa desequilibrar”. Sornoza foi fundamental na campanha do time equatoriano, marcando seis gols neste torneio continental acionando os velozes Julio Angulo e Cabezas pelos flancos e Jose Angulo na frente. Mas não jogou no primeiro tempo e nem voltou do intervalo. Uchuari deu mais dinâmica na transição ofensiva.

Já Macnelly Torres viveu de lampejos e dependeu da qualidade dos passes de Mejía e Guerra para ter posse de bola (terminou com 60%) e controlar o jogo. Na final, o dez não jogou.

O Atlético teve talento aliado ao trabalho coletivo aprimorado por Reinaldo Rueda, sucessor de Juan Carlos Osorio, e precisão na ida ao mercado. Sofreu, mas venceu um oponente valoroso. Que os clubes brasileiros tenham a humildade para aprender com os finalistas que detonaram alguns dos nossos velhos clichês.

(Estatísticas: Conmebol)


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