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Arquivo : Botafogo

Flamengo está mais móvel, mas com Diego e Dourado ainda vive de cruzamentos
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André Rocha

Foram praticamente 70 minutos de domínio absoluto do Flamengo na vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo em Volta Redonda pela semifinal da Taça Guanabara. Aproveitando as limitações e a queda brusca de confiança do Botafogo depois de ser eliminado pela Aparecidense na Copa do Brasil.

Com titulares e a estreia de Henrique Dourado, o time de Paulo César Carpegiani repetiu a mobilidade do 4-1-4-1 da vitória por 1 a 0 sobre o Nova Iguaçu. Everton Ribeiro e Diego alternando à direita e por dentro, o mesmo com Lucas Paquetá e Everton do lado oposto. Cuéllar mais plantado e Dourado na referência.

A movimentação chama atenção porque não há inversões no posicionamento apenas quando a bola sai e os jogadores fazem a troca, mas também com o time em progressão. Em vários momentos envolveu com relativa facilidade o sistema defensivo do rival com bola no chão, tabelas, triangulações e ultrapassagens.

Apesar de mais móvel, fica nítido que o Fla ainda vive de cruzamentos, com bola parada ou rolando. Em especial de Diego, o jogador que mais levantou bolas na área no clássico: 13 dos 31. Recorde do Fla na temporada. Foram 21 contra Volta Redonda e Cabofriense e 22 contra o Bangu com a garotada. 23 diante do Vasco, 24 contra o Nova Iguaçu já com Diego. Mas sem uma típica referência com boa estatura na frente.

Porque o meia ainda é lento para fazer a bola circular. Domina, gira, dá mais um toque. Com isso o adversário tem tempo para se reorganizar defensivamente. Sem opções e segurança para um passe mais vertical, acaba jogando na área. Como é o responsável pelas bolas paradas, natural que seja o que mais cruza.

Com o “Ceifador”, só no primeiro tempo foram 18. Natural que se busque o centroavante eficiente no jogo aéreo, mas para um time que em 2017 basicamente viveu das jogadas aéreas e Carpegiani busca mudar esse perfil, o número não deixou de ser alto.

Valeu pelos gols, um em cada tempo. No primeiro, centro de Diego e Everton cabeceou livre em mais uma falha grotesca da defesa do Bota que vacilou pelo alto nos dois gols da Aparecidense. No segundo, novo cruzamento do camisa dez para Paquetá servir Dourado.

Destaque novamente para o jovem meia que terminou a temporada passada como o grande destaque do time. Dinâmica para ir e voltar, consciência, lucidez e intensidade tanto para articular por dentro ou buscar o fundo como ponteiro. Um recital até cansar e sair para dar lugar a Vinícius Júnior.

Mas paradoxalmente o gol do Botafogo, primeiro sofrido pelo Fla no ano, começou em um erro de passe de Paquetá. Contragolpe, Réver sentiu o desgaste em sua primeira partida na temporada e não acompanhou Kieza. Com o centroavante, Ezequiel e Renatinho, o alvinegro ensaiou uma reação na chuva e aproveitando o cansaço dos titulares rubro-negros no segundo jogo neste Carioca.

Vinícius Júnior resolveu no último contragolpe do jogo em bela finalização. Para deixar claro o abismo entre os rivais neste momento. Também tornar o Flamengo ainda mais favorito para a final contra o Boavista.

O mais importante, porém, foi sinalizar que o time rubro-negro busca um novo modelo de jogo com Carpegiani. Mais móvel, envolvente. Falta ser mais criativo e insistir menos nos cruzamentos. Algo a ser trabalhado até a Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Nenhum time grande repetiu mais a escalação em 2018 que o Botafogo
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André Rocha

Em 2018, os grandes times vêm aproveitando os estaduais para fazer experiências, rodar o elenco, dar minutos a jovens da base, entrosar os jogadores contratados.

O Botafogo de Felipe Conceição optou pela manutenção e aposta na repetição para evoluir. Só não escalou os mesmos onze iniciais nas quatro rodadas do Carioca porque Joel Carli se lesionou na estreia e Marcelo Conceição entrou no seu lugar na zaga.

Os outros dez continuaram os mesmos: Jefferson; Arnaldo, Igor Rabello e Gilson; Matheus Fernandes; Rodrigo Pimpão, João Paulo, Leo Valencia e Luiz Fernando; Brenner. Nas duas vitórias na temporada – sobre o Macaé por 2 a 1 e Boavista por 1 a 0 – o treinador também mandou a campo os mesmos reservas: Dudu Cearense, Ezequiel -este entrou em todas as partidas – e Renatinho.

Nenhum time entre os grandes nos principais estaduais repetiu tanto a formação titular até aqui. Alguns, inclusive, começaram com reservas, como o Grêmio e o Atlético Mineiro, e o Flamengo iniciou com os garotos do sub-20 e aos poucos vai inserindo titulares.

O objetivo do alvinegro é claro: assimilar mais rapidamente um modelo de jogo diferente do antecessor Jair Ventura, melhorar a sintonia entre os jogadores e buscar os resultados para ganhar confiança. Equipe e o novo comandante em sua primeira experiência nos profissionais.

O desempenho até aqui não é de empolgar e nem deve ser. É um processo.  Mas Brenner vai se firmando como o goleador e a referência no ataque, João Paulo dita o ritmo no meio-campo e Arnaldo é opção interessante de velocidade pela direita, como no gol contra o Macaé.

A equipe vai se habituando a ficar mais com a bola, rodar, inverter o jogo. Desenvolve a paciência para abrir espaços em defesas fechadas. Ainda falta um pouco de mobilidade, mais diagonais dos ponteiros Pimpão e Luiz Fernando, infiltrações de Valencia.

Ainda tende a recuar demais quando abre vantagem no placar e tentar controlar os espaços e não a posse. Ainda assim, é o time que mais acerta passes entre os grandes cariocas, segundo o Footstats.

Questão de ajuste. E tempo. Felipe Conceição consegue fazer sua equipe pontuar e evoluir. Não é um trabalho simples, mas vai passo a passo, jogo a jogo. Repetindo para fazer melhor.


A análise possível e o protesto necessário na estreia do Botafogo em 2018
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André Rocha

Não existe um time entrar em campo para um jogo oficial com 12 dias de preparação. Doze. Não pode no futebol que se diz profissional. É impossível abrir o post sem este protesto. É necessário.

Por mais que o Botafogo, por todas as diferenças possíveis, carregue a obrigação de se impor contra a Portuguesa da Ilha do Governador em qualquer cenário, mesmo com o adversário treinando há 75 dias, a análise precisa ser relativizada.

É óbvio que o time comandado por Felipe Conceição é um grande incógnita, desde o elenco até o novo treinador em sua primeira experiência no profissional. Parece mais fraco sem Victor Luís na lateral esquerda, Bruno Silva no meio-campo e Roger no ataque. A busca por contratações é complexa pelas sérias limitações no orçamento.

Mas não dá para cobrar muita coisa além de fibra e a indignação com a derrota. A vontade para tentar no abafa se impor pela camisa. Para compensar a falha coletiva na jogada parada que terminou no primeiro gol de Sassá e o erro grosseiro de Jefferson no segundo do camisa 11.

Diminuiu no pênalti no toque (bizarro!) no braço de Romarinho e cobrado por Brenner e insistiu na variação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com as cinco substituições até empatar na assistência do centroavante para o gol de Marcos Vinicius no lance final.

Apresentou um rascunho de novas ideias, com mais aproximações e triangulações, tentando valorizar a posse de bola para ocupar o campo de ataque e criar espaços. Mas o hábito de definir rapidamente a jogada dos tempos de Jair Ventura persiste e atrapalha quando surge a obrigação de atacar. Por isso a insistência com os cruzamentos procurando Brenner. Algo que é absolutamente natural.

Porque não existe futebol sério e profissional com 12 dias de preparação. Só na “lógica” da estrutura federativa do futebol brasileiro que incha o calendário e enche a programação dos detentores dos direitos de transmissão. Com a conivência da direção do Botafogo, alinhada à FFERJ. Que devia ser alvo dos protestos da torcida, mais do que os jogadores. Atletas que não podem ser tratados como vítimas porque deviam se organizar como um foco importante de resistência ao status quo.

Mas a bola rolou. E para o alvinegro já tem clássico contra o Fluminense no sábado. Algo tão aleatório e sem sentido quanto a estreia do Bota em 2018.

 

 


Há um “atalho” para Jair Ventura vencer respeitando o DNA do Santos
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André Rocha

Imagem: Divulgação Santos

Joel Santana adora citar em entrevistas, programas de TV e rádio e eventos dos quais participa o Vasco que comandou em 1987, num período curto mas marcante, como exemplo de time ofensivo que armou para contestar a fama de “retranqueiro”.

De fato era uma equipe com vocação para o ataque. Apesar de ter durado apenas uma Taça Guanabara, a escalação ficou na memória deste blogueiro que viu este time ao vivo, algumas vezes no estádio: Acácio; Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho; Dunga, Geovani e Tita; Mauricinho, Roberto Dinamite e Romário.

Mas havia um segredo típico do treinador, já malandro e “matreiro” aos 39 anos em sua primeira chance como treinador no Brasil. Mesmo contra times pequenos em São Januário, a equipe cruzmaltina recuava as linhas cinicamente, Dinamite voltava atraindo a atração dos zagueiros e Geovani ou o próprio centroavante lançava os ponteiros Mauricinho e Romário em velocidade com a chegada rápida de Tita. Assim marcou 24 gols em 13 partidas.

Joel tem razão ao dizer que seu Vasco campeão do primeiro turno e que depois, treinado por Sebastião Lazaroni, conquistaria o estadual tinha, na prática, quatro atacantes. Mas a maneira de jogar era baseada em organização defensiva e contragolpes. Quando precisou sair para o jogo contra o Fluminense ainda com a base tri carioca e campeã brasileira, levou um contundente 3 a 0 em contra-ataques.

A mesma dificuldade que fez penar o Botafogo de Jair Ventura desde que o jovem treinador de 38 anos sucedeu Ricardo Gomes em 2016, na primeira oportunidade no comando de um time profissional. Quase sempre que adiantou suas linhas, tentou trocar mais passes e não definir a jogada mais rapidamente, o desempenho teve uma queda significativa.

O melhor cenário no Estádio Nilton Santos, especialmente na Libertadores, era quando o “abafa” inicial com marcação no campo adversário fazia o alvinegro abrir o placar e depois ficar confortável atraindo o oponente e aproveitando as transições ofensivas em velocidade.

Mesmo sem títulos e a vaga no torneio continental para 2018, o bom trabalho em uma avaliação geral deu visibilidade a Jair. Também despertou o interesse do Santos, agora presidido por José Carlos Peres. Novo mandatário que afirmou várias vezes que o perfil do novo treinador deveria ser de respeito ao DNA ofensivo do clube e trabalho com os jovens oriundos das divisões de base.

A segunda exigência de Peres não é problema para Jair, que, até pelas limitações orçamentárias do Botafogo, deu chances à garotada e obteve boas respostas. No Santos é empreitada que costuma dar certo com quem tem sensibilidade para mandar a campo no momento certo. Mas quanto ao DNA…

O trabalho de Jair não o credencia a armar um Santos que crie espaços nas defesas rivais através de troca de passes com paciência e mobilidade. O treinador sempre afirmou que não mudava sua proposta no Botafogo porque as características dos jogadores não casavam com o estilo. Argumento legítimo, mas quando tentou mudar faltou repertório. Não só do time, mas também do comandante.

O que não significa que não possa se reinventar. Ou entregar um time competitivo, bem coordenado atrás para não fazer o goleiro Vanderlei trabalhar tanto. Mas também é possível ser forte no ataque. Ou no contragolpe. Acionando Bruno Henrique pelos flancos. Mesmo sem os passes de Lucas Lima e a presença de área de Ricardo Oliveira.

No Paulista pode aproveitar o status de “zebra” – já estão chamando de “quarta força”, o que pode ser um bom presságio – por conta da menor capacidade de investimento em comparação com os rivais. Mas na falta de recursos é preciso ter criatividade para repor ausências importantes. Inclusive de Zeca, que interessa ao Flamengo.

Se alcançar vitórias, alguma conquista relevante e muitos gols, mesmo nos contra-ataques, quem vai se importar na Vila Belmiro com uma mera questão filosófica? Nem o novo presidente…

Jair Ventura não conta neste início de trabalho com o talento que sobrava no Vasco de Joel Santana há mais de três décadas, mas pode usar o mesmo “atalho”, com uma dose de pragmatismo, para se adequar respeitando a tradição santista de marcar muitos gols. Com ou sem estrelas.


Adriano Imperador e a síndrome do “ah, se ele quisesse…”
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André Rocha

O leitor deste blog nunca se deparou com uma linha sequer por aqui sobre Adriano Imperador. Simplesmente porque o espaço existe desde 2015 e o atacante não joga profissionalmente, com muito boa vontade, desde a passagem de quatro jogos e um gol pelo Atlético Paranaense em 2014 – ano passado atuou pelo Miami United por duas partidas e fez um gol, mas é difícil incluir seriamente no currículo.

A rigor, o último ato relevante de Adriano foi o gol pelo Corinthians sobre o Atlético Mineiro na virada por 2 a 1 que ajudou demais na conquista do Brasileiro em 2011. Portanto, tecnicamente é um ex-jogador. Como o blog não costuma caçar cliques através da espetacularização de uma história de vida recente que não pertence ao esporte,  não há razão para falar dele. Para o bem ou para o mal.

Mas ele voltou à pauta. A festa de Zico no Maracanã e a presença do “Didico”, mesmo com atraso na chegada, voltou a despertar em muitos a esperança de vê-lo novamente em ação. Com 35 anos e sem jogar regularmente desde 2010. A fé embalada pela nostalgia de um jogo amistoso, com senhores se divertindo no campo, muitas vezes caminhando, numa brincadeira com um fim muito nobre, de solidariedade. Mas que não pode ser levada a sério pensando no mundo real e competitivo.

É claro que Adriano pode construir uma reviravolta épica, um último ato grandioso caso alguém queira pagar pra ver. Mas racionalmente é muito improvável.  Porque ele é mais um grande personagem cuja biografia merece ser transformada em livro e filme. Mas objetivamente não escapa da síndrome brasileira do “ah, se ele quisesse…”

Este que escreve cresceu ouvindo que Garrincha foi melhor que Pelé porque quando a seleção brasileira precisou em 1962 na ausência do camisa dez, o ponta das pernas tortas desequilibrou na conquista do bicampeonato no Chile. Mas uma breve pesquisa do jornalista avaliando feitos, conquistas, regularidade e até o confronto direto nos duelos entre Santos e Botafogo desconstrói o discurso. Porque pelos mais variados motivos Pelé quis mais que Garrincha.

Mas o Mané é mais fácil de ser idolatrado por ser o lado mais fraco na história. O que não exorcizou seus fantasmas, mas naquele breve despertar foi o heroi das massas, identificadas com a trajetória de mais perdas e tropeços que redenções. De fato, é uma história mais sedutora, com doses de drama e humor.

Não destroi, porém, a sensação de talento mal aproveitado, que com foco e profissionalismo poderia ter produzido muito mais. Guardando as devidas proporções e respeitando os contextos, o mesmo poderia ser dito sobre Ronaldinho Gaúcho, Renato Portaluppi, Edmundo, Romário, Sócrates e até Maradona. Todos com algo em comum: em um determinado momento da carreira resolveram levar o futebol a sério, entregando 100%, e naqueles espasmos, uns mais longos e outros nem tanto,  brilharam intensamente.

Por causa disso são colocados em pedestais quase intangíveis, como se caso eles levassem a carreira sempre a sério teriam aquele desempenho do auge até o fim. Sem oscilações. “Se ele quisesse…” ou “se comparar no talento é imbatível”.

Só que talento sem realizações, sem a transpiração para ajudar a inspiração, é estéril. O que o craque inconstante poderia ter produzido só existe na cabeça de cada um. Vale mais a seriedade de Pelé, Zico, Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Bebeto e outros exemplos de profissionais – também com cada um em seu patamar e em comparação com seus pares contemporâneos. Ainda que a história para contar não seja tão romântica. Afinal, enquanto os “malditos” viviam suas aventuras e vidas erráticas, os trabalhadores estavam treinando ou em repouso.

Adriano parece querer viver uma utopia: passar os dias com seus amigos nas favelas e praias do Rio de Janeiro e no fim de semana se materializar no Maracanã com a camisa do Flamengo fazendo gols e partindo para o abraço dos que o amam. Só que há um processo, como tudo na vida. Muito suor para banhar a magia.

Assim ele parece não querer, ou conseguir. Só resta mesmo a imaginação. “Se ele quisesse…”


Fred no Flamengo, Diego Souza no São Paulo? A mesma praça, o mesmo banco…
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André Rocha

Férias coletivas no futebol brasileiro, menos das especulações. O famoso “vai e vem” do mercado.

Fred no Flamengo…Segundo o noticiário, com salários de um milhão de reais. Para jogar num time reconhecidamente lento na articulação das jogadas. Que na última vez que venceu utilizando os contragolpes – 2 a 0 no Junior em Barranquilla pela semifinal da Sul-Americana – precisou da velocidade do seu centroavante, Filipe Vizeu. Mas quer um atacante de 34 anos que em 2017 demonstrou nítido declínio.

O Galo quer se livrar do alto salário do camisa nove para contratar…Ricardo Oliveira, 37 anos. Do Santos que pensa em repatriar Gabriel Barbosa, o Gabigol. Para oferecer a ele no retorno os mimos e paparicos que ajudaram o atacante imaturo a não vingar no futebol europeu. Alvinegro praiano, que se autointitula com “DNA ofensivo”, pensando em Jair Ventura como treinador. Pelo que fez no Botafogo…armando um time forte sem a bola, mas carente de ideias quando precisava atacar.

De novo a moda das negociações atuais: tudo certo entre jogador e clube, mas não com o time detentor dos direitos federativos e com contrato em vigor até o fim de 2018. Ou seja, nada certo. Desta vez a “novela” é entre São Paulo e Diego Souza, com o Sport como o suposto “marido traído”. Diego tem 32 anos.

Leilão por Gustavo Scarpa, do Fluminense. Líder em assistências do último Brasileiro, mas criticado por parte da torcida do Fluminense. É tratado por muitos como um camisa dez, sendo que em praticamente toda temporada atuou como um ponta articulador partindo da direita para criar ou finalizar usando o pé esquerdo. Com intensidade baixa, mesmo para os padrões do futebol jogado aqui. Será que viram  ou estão interessados apenas pelo hype criado?

Sorteio da Libertadores e os brasileiros preocupados apenas com os argentinos. Mais uma vez apontados como favoritos absolutos ao título e à liderança dos grupos. Talvez por isso o desdém ao mercado sul-americano, sem mapear contratações mais baratas de jogadores mais jovens e com potencial para entregar mais do que as grifes de sempre.

As negociações aventadas podem  dar certo na prática? Claro! O “fator Renato Gaúcho” está aí para contrariar previsões. Mas contar sempre com a sorte nessas contratações caras e feitas muito mais para jogar para a galera e dar satisfação para a torcida, que parece gostar de se iludir com medalhões,  é um risco desnecessário se houvesse um planejamento real para o ano todo. Mas pelo visto as decepções e derrotas ensinam pouco.

Para complicar, boa parte da mídia não questiona a intenção dos clubes porque os furos de reportagem nessas negociações atraem audiência e mantêm o torcedor conectado neste período sem jogos. Tudo como antes. Como sempre.

“A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim…”


Por que nem em sonho Renato Gaúcho foi melhor que Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Imagem: reprodução TV Globo

Renato Portaluppi é um personagem sensacional da história do futebol brasileiro. Irreverente, provocador, controverso, carismático. Incendiou o debate sobre futebol no país desde o ano passado com a frase “quem não sabe estuda, quem sabe vai para a praia”.

Várias bravatas e polêmicas desde que surgiu como jogador no Grêmio em 1982. Com personalidade e confiança. Aos vinte anos já partindo para cima do consagrado Leovegildo Júnior em uma final de Brasileiro. Um ano depois, decidindo o Mundial de Clubes com dois belos gols sobre o Hamburgo em Tóquio após ser protagonista também na conquista da Libertadores.

Este blogueiro viu Renato muitas vezes ao vivo no Maracanã e já o teve como ídolo. Entre os anos 1980 e 1990 chegou a jogar suas peladas de rua com as meias arriadas no meio da canela e imitar os trejeitos do atacante. Inclusive reclamando dos colegas que não passavam a bola.

Agora Renato é o treinador campeão da América e decidindo o Mundial no sábado contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo. Melhor do mundo em 2017, recordista com cinco Bolas de Ouro junto com Messi. Mas o Portaluppi insiste em dizer que foi melhor que o português. E muita gente boa concorda…

Obviamente que com o jogo no sábado o gaúcho não deve se arriscar a provocar gratuitamente a estrela do adversário. Mas nos últimos anos em muitas oportunidades e usando várias justificativas ele se colocou acima do camisa sete do time merengue e da seleção portuguesa.

Sendo assim, o blog humildemente se dá o direito de cumprir sua função jornalística de buscar a versão mais próxima dos fatos dentro de uma comparação subjetiva. Para isto usa algumas das declarações do maior ídolo gremista:

1 – “Na minha época não havia internet para verem minhas jogadas”

Justo. No final da sua carreira a Grande Rede ainda engatinhava. Assim como as emissoras de TV por assinatura. O público dos grandes centros não viram todas as grandes atuações no Grêmio em Estaduais, embora só tenha conquistado os títulos de 1985 e 1986 e visto o rival Inter ganhar três. Mas também não conferiu as suas muitas expulsões e confusões com companheiros e repórteres que tantas vezes prejudicaram o tricolor gaúcho. Sem contar o individualismo tão questionado à época.

Por outro lado, as atuações de Cristiano Ronaldo no Real Madrid e na seleção portuguesa são dissecadas duas vezes por semana. Virtudes e defeitos expostos para o mundo todo, que vê atuações mágicas e gols em profusão. Mas também os erros de passe, os gols perdidos. Tudo exposto, com estatísticas detalhadas. Sem romantismo ou mitificações que ocultam os problemas.

2 – “Jogar o Campeonato Espanhol pelo Real Madrid é fácil, quero ver disputar Libertadores e Brasileiro”

Aqui Renato, talvez de propósito, tenha esquecido de um detalhe importante: Cristiano Ronaldo também joga Liga dos Campeões, o principal torneio de clubes do planeta. Com concorrência forte. E ainda assim é o maior artilheiro da história da competição com 114 gols e tem quatro conquistas. Renato ganhou duas Libertadores, uma como treinador.

Mesmo com todas as dificuldades do torneio sul-americano há três décadas – violência dentro e fora de campo, arbitragens mais que suspeitas e gramados impraticáveis – não há como comparar a competitividade de uma Champions atual, especialmente em suas fases de mata-mata, com a Libertadores de qualquer época.

Renato pode questionar a disparidade de Barcelona e Real Madrid na Espanha. Mas Renato também disputou campeonatos nacionais por grandes times e só venceu a Copa União de 1987.

3 – “Queria vê-lo sendo campeão nos times em que joguei, com salários atrasados, companheiros menos qualificados e gramados ruins”

Aqui a velha mania brasileira de achar que para provar a capacidade os melhores precisam render nos piores cenários. Como um chef de cozinha obrigado a produzir um prato sofisticado em uma cozinha suja, com equipamentos danificados e produtos fora da validade. “Quero ver Guardiola treinando o São Cristóvão!” Não faz sentido. Em qualquer atividade os mais qualificados querem as melhores condições para trabalhar. Porque merecem.

Além disso, Cristiano Ronaldo joga num grande time contra equipes fortíssimas e se destaca. Como na última Champions, marcando dez gols contra Bayern de Munique, Atlético de Madri e Juventus no mata-mata. Não há disparidade. Se compararmos com a realidade brasileira, Renato também foi campeão em timaços. E com menor equilíbrio de forças em termos individuais.

Na própria conquista nacional há 30 anos, Renato jogou no time de Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto, que seriam campeões mundiais com a seleção em 1994, mais Leandro, Edinho, Andrade e Zico, craques consagrados e veteranos. Mais Aílton, vencedor por onde passou e autor do gol do último título brasileiro do Grêmio em 1996. Uma constelação muito superior às dos seus adversários. Basta recordar que o craque do Internacional, finalista daquele torneio, era Cláudio Taffarel. No Galo semifinalista, Renato “Pé Murcho” era o destaque. Nem sinal de um Messi para concorrer à Bola de Ouro. Da revista Placar.

Aqui vale uma lembrança importante: o brasileiro foi o destaque do Flamengo e ganhou o grande prêmio individual da época. Mas teve sua presença questionada no clube por conta do egoísmo. O técnico Carlinhos chegou a considerar a hipótese de tirá-lo do time e efetivar Alcindo. Foi Zico quem encerrou a discussão ressaltando a importância do camisa sete, que passou a soltar um pouco mais a bola e foi responsável por duas assistências para os quatro gols de Bebeto na reta final. Sem contar a arrancada histórica que decidiu os 3 a 2 contra o Atlético-MG no Mineirão na semifinal.

Prender a bola foi o maior motivo para as muitas críticas a Renato na Roma. Uma única temporada em 1988/89. 23 jogos, zero gols e algumas atuações que viraram piada na Itália. Alegar pouco tempo de adaptação é legítimo. Mas chegar com pose de estrela, declarações polêmicas e, principalmente, a insistência em tentar driblar contra os melhores defensores do mundo foram soluções pouco inteligentes e abreviaram o retorno ao Brasil. Quando foi testado entre os grandes falhou miseravelmente. Veja mais do pífio desempenho de Renato no time da capital NESTE VÍDEO.

Já Cristiano Ronaldo saiu do Sporting aos 18 anos e amadureceu rápido com Alex Ferguson no Manchester United. No início também pecando pelo excesso de dribles e firulas, mas não demorou a compreender o estilo do futebol inglês. Luiz Felipe Scolari na seleção portuguesa também auxiliou neste processo. Na dura Premier League se destacou com o tricampeonato de 2006 a 2009 e venceu sua primeira Bola de Ouro. Em 196 jogos, marcou 84 gols.

4 – “Joguei dez anos na seleção brasileira em alto nível”

Outra meia verdade. De fato, Renato esteve presente em muitas convocações entre 1983 e 1993. Mas pouco tempo como titular absoluto.

Seu melhor momento foi nas Eliminatórias de 1985 nos jogos contra Bolívia e Paraguai. Driblou quem apareceu pela frente e colocou bolas na cabeça de Casagrande. Mas no ano seguinte já não era unanimidade. Telê não gostava do estilo boêmio e, principalmente, do individualismo. Mesmo se não tivesse sido cortado por chegar de madrugada na concentração com Leandro, certamente seria reserva na Copa do Mundo do México. Estava abaixo de Muller, titular na maioria dos jogos daquele Mundial.

Como foi a quinta opção na Itália em 1990. Atrás dos titulares Muller e Careca e até dos lesionados Bebeto e Romário. Jogou apenas alguns minutos contra a Argentina e pouco rendeu.

Renato alega que a disputa na frente era forte na sua época. Sem dúvida o futebol brasileiro era prolífico em atacantes. Mas ele não foi inquestionável sequer na bizarra Copa América de 1991. Disputou vaga no time de Falcão com o não mais que razoável Mazinho, do Bragantino. Em 44 partidas, apenas cinco gols.

Cristiano Ronaldo não teve tanta concorrência na seleção portuguesa. Mas sobra como o maior artilheiro com 79 gols e conseguiu levar o país à maior conquista de sua história: a Eurocopa de 2016. E Renato Gaúcho não teve com a camisa da seleção sequer uma atuação próxima da antológica de Ronaldo nos 3 a 2 sobre a Suécia que garantiram os portugueses na Copa do Mundo no Brasil há três anos.

5 – “Eu rendia bem nas três posições do ataque, ele só funciona pela esquerda”

Sem sombra de dúvidas o maior equívoco na análise feita por Renato em 2014, no programa “Bola da Vez” na ESPN Brasil . Certamente agora, estudando o atacante para tentar pará-lo, deve ter mudado de opinião. Cristiano Ronaldo foi Bola de Ouro em 2008 atuando a maior parte do tempo aberto na direita pelos Red Devils. Mas participava de intensa movimentação na frente, aparecendo no meio ao alternar com Rooney.

Na reta final da temporada 2008/09, foi deslocado para o centro do ataque. Mesmo jogando de costas para a defesa a contragosto, levou o time inglês à decisão com grande atuação na semifinal contra o Arsenal em Londres: 3 a 1, com dois gols e uma assistência.

De fato, é pela esquerda que o português rende melhor, infiltrando em diagonal, cortando para dentro e finalizando. Mas a excelência em todos os setores do ataque fizeram os técnicos Paulo Bento na seleção e Carlo Ancelotti, e agora Zinedine Zidane no Real Madrid darem cada vez mais liberdade de movimentação ao camisa sete. E ele segue desequilibrando, aumentando a média de gols, quebrando recordes. Inclusive como maior artilheiro da história do Mundial de Clubes com seis tentos

Renato sempre funcionou bem pelas pontas. Buscando a linha de fundo ou cortando para dentro para chutar. Mas no centro só foi render mais no final da carreira. Especialmente em 1995, no Fluminense campeão carioca e semifinalista do Brasileiro. Atrás do centroavante, fosse Ézio, Leonardo ou Valdeir. Quando já não tinha tanta força física e velocidade, mas compensava com boa colocação e visão de jogo. Só aí apareceram os bons passes no centro.

Cristiano é mais completo. Finaliza bem de pé direito e de canhota. Faz gols de cabeça e em cobranças de faltas e pênaltis. Se preciso participa da articulação de jogadas pelos dois lados e aparece no centro para finalizar. Faz tudo muito melhor e mais rápido que Renato.

O massacre nos números dispensa comentários: Renato fez cerca de 192 gols em toda a carreira, por Grêmio, Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Fluminense, Bangu e seleção. Ronaldo só no Real tem incríveis 420 gols em 413 jogos, média superior a um por partida. E mais 114 assistências. Muito para quem no Brasil é menosprezado e tratado como um mero fazedor de gols. “Um Dadá Maravilha com grife” já foi dito sobre um dos maiores da história.

De todos os jogadores que colocaram Renato no banco da seleção brasileira, talvez apenas Romário, no auge de 1993 e 1994, barrasse o português. Talvez…Este que escreve não viu melhor finalizador que Cristiano Ronaldo.

Por isso não é possível levar a sério a comparação. Ou é dever resgatar e detalhar acontecimentos para quem não viu Renato em ação. Desculpe, Gaúcho…Mas nem em sonho você foi melhor. Resta a chance de superar a estrela madridista, mas à beira do campo comandando os gremistas. Quem sabe?

[Este post é uma atualização do publicado em 4 de fevereiro de 2014. Veja AQUI o original]


2017 foi cruel com o Botafogo. Começou e terminou antes da hora
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André Rocha

É legítimo e compreensível que os botafoguenses descarreguem suas frustrações sobre Jair Ventura, jogadores e diretoria do Botafogo pela décima colocação no Brasileiro que deixa de fora da Libertadores em 2018. Depois de trafegar em boa parte do campeonato na zona de classificação. Mesmo com as vagas cedidas por Grêmio e Cruzeiro e ainda a que o Flamengo pode deixar para o nono colocado com o título da Copa Sul-Americana. Ficou no quase.

O “quase”, aliás, foi a tônica do Botafogo na temporada. No Carioca, mesmo priorizando a Libertadores, chegou à semifinal e só foi superado pelo campeão invicto Flamengo. Algoz na Copa do Brasil já nas semifinais, com o gol de Diego na jogada improvável de Orlando Berrío. Na Libertadores só caiu para o campeão Grêmio em dois duelos parelhos. Duros reveses, mas todos diante de equipes superiores.

Porque o time de Jair Ventura jogou sempre no limite. Perdendo peças e, por conta das muitas limitações no orçamento, recorrendo às divisões de base e a reforços que quase nunca mantiveram o nível dos que saíam. Por isso sempre precisando estabelecer prioridades.

Abandonando o estadual em alguns momentos porque jogava a vida no torneio continental. Como sobreviveu até as quartas de final e ainda havia a Copa do Brasil o Brasileiro sempre ficou um pouco de lado. Quando Jair forçou a barra e colocou todos os titulares para encarar a maratona o time penou e sofreu reveses inacreditáveis, como as viradas de São Paulo e Vitória nos últimos minutos no Estádio Nilton Santos.

O Botafogo teve que queimar etapas de preparação no início. Precisava estar definido e competitivo para as fases anteriores à de grupos na Libertadores. A vitória contra o Colo Colo no Nilton Santos foi no primeiro dia de fevereiro. O Atlético Paranaense também viveu esta realidade, mas não foi tão longe nas demais competições de mata-mata.

O Botafogo pagou pela própria competência. Que não foi suficiente para buscar os títulos contra equipes mais fortes, mas levou até onde foi possível. Com dignidade e honrando as cores durante a maior parte do tempo.

Só que o gás acabou antes. Como um carro de F-1 mais modesto que tenta duelar com os das construtoras mais poderosas e cobra demais do motor e da estrutura. Ou quebra ou acaba o combustível. O Botafogo morreu nas últimas cinco rodadas do Brasileiro. O rendimento individual e coletivo despencou e os resultados foram mera consequência: três derrotas – uma em casa para o lanterna e rebaixado Atlético-GO –  e dois empates.  O derradeiro na despedida em Engenho de Dentro contra o Cruzeiro em clima de férias. Se vencesse cumpriria sua meta no campeonato.

Não deu. Que o Botafogo mantenha a ideia de continuidade refletida pela vitória do candidato da situação, Nelson Mufarrej, com o atual presidente Carlos Eduardo Pereira como vice. Não há razão para demitir Jair Ventura e sua comissão. Os erros aconteceram, sim. Talvez um melhor planejamento na questão física ou um pouco mais de coragem contra o Flamengo na Copa do Brasil. Quem sabe uma proposta mais consistente na necessidade de atacar e propor o jogo.

Mas a impressão mais forte é de que 2017 foi mesmo cruel por ter começado e terminado antes da hora. É humano que a torcida procure um responsável ou bode expiatório. Mas desta vez, mais do que em qualquer outra, o alvinegro quase sempre supersticioso e pessimista tem razão para culpar a sorte. Ou a falta dela.

 


Virada do Flu na contramão do Brasileiro. Bota não soube jogar sem a bola
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André Rocha

Quando o Botafogo abriu o placar no Nilton Santos logo no primeiro minuto do clássico, a impressão seria de que o Fluminense sairia goleado. Primeiro pelo abalo de uma eliminação doída na Sul-Americana para o Flamengo, maior rival.

Depois porque o jogo ficava à feição para a equipe de Jair Ventura. Bastava recuar linhas, controlar fechando espaços e aproveitar os espaços cedidos por um adversário que normalmente não se caracteriza pela organização defensiva. Também falha individualmente, como no erro de Renato Chaves que gerou o contra-ataque que passou por Brenner e terminou na assistência de Rodrigo Pimpão para Marcos Vinícius ir ás redes.

Ou seja, seria mais um jogo típico deste Brasileirão: uma equipe faz o gol no erro do oponente, adota postura reativa e aproveita as transições ofensivas em velocidade. O Flu seria a vítima da vez. Time jovem, com confiança abalada.

Mas o alvinegro confundiu tranquilidade com passividade. Perdeu intensidade e passou a se defender mal, deixando brechas entre os setores. O tricolor só não aproveitou antes do intervalo porque faltou efetividade na frente: 63% de posse e dez finalizações, mas só uma no alvo. O Bota teve chances mais claras de ampliar. Duas conclusões na direção da meta de Diego Cavalieri num total de quatro.

Com o intervalo, a expectativa de que Jair Ventura fizessem os jogadores retomarem a concentração, mas a impressão era de que havia uma certeza de que o adversário não teria forças para reagir. Pulverizada com o chute no travessão de Gustavo Scarpa logo no primeiro minuto da segunda etapa.

O Flu seguiu ocupando o campo de ataque, rondando a área, mas sem criar espaços. Pois o Botafogo disperso e apático tratou de cedê-los. Primeiro num erro na saída para o ataque que permitiu que Henrique Dourado servisse Marcos Júnior para, enfim, a finalização precisa.

Depois, com as substituições, o Botafogo até ganhou mais fôlego e vigor físico com as entradas de Guilherme, Gilson e Vinicius Tanque nas vagas de Marcos Vinícius, Pimpão e Brenner. No melhor contragolpe, porém, faltou leitura de jogo a Guilherme para aproveitar a igualdade numérica contra a defesa adversária – quatro contra quatro.

Scarpa não desperdiçou quando recebeu livre à direita, arrancou em diagonal e, quando todos imaginavam a finalização de canhota, o camisa dez serviu com inteligência para o jovem Matheus Alessandro virar heroi. Revelado em um torneio de favelas, entrando na vaga de Richard para ocupar a lateral direita, com Mateus Norton, improvisado pelo lado, voltando ao meio-campo.

As entradas de Wellington Silva e Wendel nas vagas dos exaustos Marcos Júnior e Sornoza mantiveram a qualidade e o ritmo na transição ofensiva do Flu. O que falta em coordenação dos setores sobrou em coragem e capacidade de recuperação. A primeira virada do time no campeonato. Para aliviar a pressão e dar tranquilidade a Abel, que, por tudo que viveu, merece um final de ano ao menos com serenidade.

O Botafogo, que finalizou só uma vez na segunda etapa, sofre mais uma virada em casa nos últimos minutos. Contra São Paulo e Vitória pareceu mais desconcentração e cansaço depois de bons momentos na partida. Desta vez foi apenas a consequência de uma atuação que beirou o ridículo na maior parte do jogo.

Faltou competência para jogar sem bola. Uma raridade na competição.

(Estatísticas: Footstats)


Zé Ricardo sendo Mannarino no Vasco que já pensa em “G-7”
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André Rocha

José Ricardo Mannarino sempre que pode assume o italiano do sobrenome no futebol. Na visão mais clichê da escola tetracampeã mundial: privilegia a defesa.

Não que despreze o futebol bem jogado. No Flamengo campeão da Copinha em 2016 posicionava o técnico volante Ronaldo solitário à frente da defesa, quatro meias com características ofensivas se aproximando de Filipe Vizeu. Mas todos com função sem a bola. No fundo, o que o treinador preza é a organização.

A marca do Vasco que venceu o Botafogo no Maracanã e alcança o segundo triunfo consecutivo. Em seis jogos, 61% de aproveitamento e derrota apenas para o Corinthians com o gol polêmico de Jô. Um dos quatro sofridos. Dois empates, vitórias com vantagem mínima que fazem a equipe dormir na oitava posição. Com o G-6 podendo ganhar mais uma vaga pelo Brasileiro por conta da boa campanha do Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, é possível sonhar.

Foi o clássico em que pela primeira vez o time comandado por Zé Ricardo teve menos posse de bola que o Botafogo de Jair Ventura – terminou com 39%. Sem a obrigação de protagonismo que carregava no Flamengo. Cedeu espaços, compactou setores na execução do 4-2-3-1 que dá liberdade a Nenê mais próximo de Thalles, substituto do argentino Andrés Rios, suspenso pela expulsão contra o Avaí.

Mais uma vez, destaque para o surpreendente Wellington. Volante tratado inicialmente como o “Márcio Araújo do Vasco”, apresenta dinâmica bem diferente. Participa da construção das jogadas com passes simples, porém certos, e ainda aparece na frente para finalizar. Como no chute na trave direita de Gatito Fernández no primeiro tempo.

Zé Ricardo perdeu Wagner, que com Nenê e Mateus Vital garantem mobilidade no trio de meias. Mas como todos tendem a procurar o setor esquerdo, o corredor do lado oposto fica aberto para o apoio de Madson. O lateral ganhou companhia com a entrada de Yago Pikachu. Na esquerda, Ramon guarda mais sua posição e só desce com segurança.

Concentração e coordenação dos setores para controlar espaços e equilibrar as ações contra qualquer equipe. Jogo definido no detalhe, em lances discutíveis na sequência e que geraram polêmica depois de Nenê colocar nas redes e explodir a massa vascaína. Este que escreve não viu pênalti no toque de Madson que pegou na coxa antes de acertar o braço na disputa com Pimpão. No gol, a impressão depois de rever é de que o toque do meia foi no peito. Dificil para a arbitragem.

De novo faltou contundência ao Botafogo. Das 16 finalizações, apenas duas no alvo. Também criatividade, mesmo com João Paulo e Marcus Vinicius se juntando a Bruno Silva na articulação. O Vasco contribuiu com desempenho coletivo sem a bola e boas atuações de Breno, Anderson Martins e Jean. Defesa forte, como quer seu treinador.

Porque no Vasco, Zé Ricardo pode ser Zé Ricardo. Na essência. Mais Mannarino do que nunca.

(Estatísticas: Footstats)