Blog do André Rocha

Arquivo : Botafogo

Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Qualquer projeção para o Brasileirão é chute, puro e simples
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André Rocha

Todo ano era a mesma tortura. Fim dos estaduais e logo aparecia alguém pedindo projeções para o Brasileirão. Título, vagas na Libertadores, rebaixados. Em maio. Para um campeonato que acaba no fim de novembro. Com uma janela de transferências que parece nunca fechar. Agora Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil durando o ano todo.

E quem é pago para analisar tinha que recorrer ao tiro no escuro. Para ser cobrado depois porque para muita gente quem trabalha com futebol tem que ser adivinho e cravar o que vai acontecer, mesmo com tantas variáveis possíveis. Como se jornalistas de Economia ou Política tivessem que prever todas as oscilações de mercado ou diplomáticas e traçar um cenário preciso até o fim do ano para serem considerados minimamente competentes.

Na era dos memes e da zoeira que sempre carrega um pouco de covardia, mas dá para tirar de letra, o que é dito ou escrito tem que valer por seis meses. Se errar logo vêm os mantras “tá fácil ser jornalista”, “por isso não exigem diploma” e outras pérolas dos “jênios” da internet. Os profetas do acontecido que ficam calados no conforto do anonimato para garantirem que sabiam lá atrás e quem é pago para isso tinha que carregar a mesma certeza.

Mas como imaginar o que virá? Mesmo descontando toda a imprevisibilidade do esporte, no Brasil é ainda mais complicado. Imaginem os guias da competição já furados com as prováveis saídas de Everton do Flamengo para o São Paulo, de Maycon do Corinthians para o Shakhtar Donetsk e de Roger do Internacional para o Corinthians.

Sem contar que o time que joga o melhor futebol do país, o Grêmio, até por sua cultura copeira, deve novamente poupar jogadores na competição por pontos corridos e priorizar Libertadores e Copa do Brasil. E o Corinthians, atual campeão e favorito natural, desta vez não terá o respiro do ano passado e também dividirá esforços. Com elencos mexidos o tempo todo.

E os grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, regidos pelos humores e arroubos de dirigentes-torcedores, embalados por redes sociais? Com escolhas mais políticas que técnicas. Sem ideias ou norte, ao menos por enquanto. Só agora começam a entender a importância de ter uma identidade, como o Cruzeiro de Mano Menezes vai tentando implementar, mas também muito condicionado a resultados, até pelo alto investimento na formação do elenco.

São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Vitória e o Atlético Paranaense de Fernando Diniz formam um “blocão” de incógnitas que podem circular entre zona de Libertadores e Z-4. Como de costume, Ceará, Paraná e América-MG, os times que subiram além do “gigante redimido”, são cantados como bolas da vez para cair pela famosa dificuldade de se manter depois do acesso. Ainda que Enderson Moreira e Marcelo Chamusca tenham trabalhos consolidados em seus clubes e possam, sim, tornar suas equipes competitivas. Quem vai saber?

Para completar, um campeonato com seus desequilíbrios por forças das circunstâncias. Como um time encarar os reservas do Grêmio e outro sofrer diante da equipe principal de Renato Gaúcho focada naquela rodada específica. Ou o time beneficiado pela perda do mando de campo do adversário. Três pontos que podem fazer toda diferença. Na tabela ou no estado de ânimo de uma equipe.

Por isso o equilíbrio que gera a emoção que muitos confundem como qualidade ou virtude. Será que nossos times vão usar a concentração e a organização não só para defender e teremos times atacando melhor? Ou será novamente o campeonato do futebol reativo, de contragolpe? Nenhum time vive e viverá mais este dilema do que o Santos do DNA ofensivo, mas agora comandado pelo pragmático Jair Ventura.

Com pressão por resultados, viagens e mais viagens e pouco tempo em campo para treinar é difícil imaginar algo mais elaborado. Por mais que os treinadores da nova safra tentem. E ainda tem o vestiário, ambiente sempre espinhoso e que diz muito da verdade do campo. Por isto a lacuna ainda não preenchida pelos jovens comandantes buscando afirmação para substituírem de vez os da “Velha Guarda”.

A sorte está lançada. Vejamos quem será o mais competente, contando também com a proteção tão bem-vinda do acaso. Palpites? Ainda bem que desta vez ninguém pediu nada ao blogueiro. Projeção a esta altura é chute, puro e simples. Melhor analisar rodada a rodada. Até porque quem pensa jogo a jogo sempre está mais perto da taça nesta loucura que é o Brasileirão.

 


Corinthians, Botafogo e Cruzeiro: títulos serão ilusão ou redenção?
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André Rocha

Não adianta em abril ou maio lembrar ao torcedor que no final do ano é bem provável, a menos que aconteça algo épico, que ninguém lembre do título estadual. Porque o prazer de vencer o rival numa final ainda badalada em termos midiáticos e levar uma taça para casa inebria, entorpece.

Não funciona falar em excesso de jogos, poder das federações, enfraquecimento do próprio time de coração. O triunfo e a chance de tripudiar do colega de trabalho, do vizinho ou de qualquer um que vista as cores do rival valem mais do que qualquer análise racional. Logo passa, porque começa o Brasileiro emendando com Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana. Calendário inchado é isso.

Mas desta vez, por coincidência, as conquistas estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram algo em comum: premiaram times contestados pelas próprias torcidas e que acabaram beneficiados pelos contextos das decisões para se superar.

O Corinthians entra no caso citado no primeiro parágrafo. Vencer no tempo normal e nos pênaltis dentro da casa do milionário Palmeiras, que contava com torcida única e vantagem do empate, é um feito histórico e certamente será lembrado pelo corintiano no fim do ano, a menos que alguma tragédia aconteça até lá.

Mas o desempenho segue preocupante. O time de Fabio Carille se classificou contra o São Paulo também na disputa de pênaltis depois de achar um gol de Rodriguinho em um escanteio nos acréscimos. A decisão foi muito mais brigada que jogada e o Palmeiras se perdeu emocionalmente pela cobrança gigantesca por títulos que façam valer o altíssimo investimento para a realidade brasileira.

Valeu a cultura da vitória construída pelos muitos títulos na década. De novo no gol de Rodriguinho, desta vez no primeiro minuto do clássico. A confusão pelo pênalti que não existiu de Ralf sobre Dudu, mas foi marcado e depois invalidado pela interferência do quarto árbitro, só aumentou o caos emocional dos palmeirenses em campo e na arquibancada.

Mais uma vez Cássio garantiu pegando as cobranças de Dudu e Lucas Lima na decisão por pênaltis. A comemoração no Allianz Parque é imagem emblemática e inesquecível para o torcedor. Mas a conquista não tem o simbolismo de 2017, consolidando um trabalho que ganharia ainda mais força e maturidade no turno do Brasileirão que encaminhou a sétima taça do Corinthians na competição.

Agora o rendimento vem oscilando demais, apesar de uma boa nova como Matheus Vital e o resgate de Maycon, que havia perdido a vaga para Camacho na reta final de 2017 e bateu com precisão a última penalidade. Há espasmos da solidez defensiva que caracteriza a identidade corintiana e também boas triangulações e volume de jogo. Nada muito inspirador, ao menos por enquanto.

Já o título carioca do Botafogo veio numa sequência de acontecimentos que desafia o tradicional e já folclórico pessimismo do torcedor alvinegro. Péssimo início sob o comando de Felipe Conceição, eliminação precoce da Copa do Brasil para o Aparecidense. Chega Alberto Valentim ainda aparentando abimaturidade e a dificuldade para montar o sistema defensivo que apresentou no Palmeiras. Linhas adiantadas, pouca pressão na bola…gols dos rivais.

Não venceu nenhum turno, teve a pior campanha geral entre os grandes, levou 3 a 0 do Fluminense na final da Taça Rio e parecia ser apenas um figurante na fase decisiva. Mas uma atuação pluripatética do Flamengo que custou o emprego de muita gente, inclusive do treinador Paulo César Carpegiani, fez o time alcançar a vitória na única jogada bem engendrada em toda a semifinal em jogo único, finalizada por Luiz Fernando.

Vaga improvável na decisão e de novo o status de “zebra”, até pelo bicampeonato do Vasco em 2014/15 sobre o mesmo adversário e o trabalho mais consolidado do treinador Zé Ricardo. A vitória no primeiro jogo por 3 a 2 e depois a boa atuação no Mineirão contra o Cruzeiro pela Libertadores transferiam um favoritismo natural aos cruzmaltinos.

Mas Fabrício foi expulso aos 36 minutos na primeira etapa por entrada sobre Luiz Fernando quase tão criminosa quanto a de Rildo em João Paulo há três semanas. O vermelho condicionou toda a partida. O Botafogo insistiu, mas com enorme dificuldade para criar espaços. O time é limitado e perdeu organização e criatividade sem João Paulo. Obrigado a atacar pela necessidade e por conta da vantagem numérica acabou se complicando. O Vasco fechado num 4-4-1 e arriscando um contragolpe aqui e outro ali.

No ataque final, já nos acréscimos, a confusão na área e o chute de Joel Carli. Lance fortuito, meio ao acaso. Bola na rede, explosão da torcida e confiança em Gatito Fernández na disputa de pênaltis. Ele não decepcionou e pegou as cobranças de Werley e Henrique. 21º título alvinegro, festa pela conquista inesperada… Mas dá para confiar em boa campanha no Brasileiro?

Uma expulsão no primeiro tempo também mudou a história da decisão mineira. Logo de Otero, por cotovelada em Edilson aos 21 minutos. O meia que desequilibrou na bola parada no Independência. Vitória por 3 a 1 na primeira partida que fez eco durante a semana, encheu o Galo de confiança para a goleada por 4 a 0 sobre o Ferroviário pela Copa do Brasil e abalou o ânimo do Cruzeiro, que empatou sem gols e podia ter sido derrotado em casa pelo Vasco na Libertadores.

Com um a menos ficou mais difícil segurar o rival em casa e os gols do uruguaio De Arrascaeta e de Thiago Neves ratificaram a melhor campanha ao longo do campeonato. Mas de novo o time de Mano Menezes não apresentou um desempenho consistente. Faltou nas duas partidas pelo torneio continental e na primeira da decisão.

O contexto favoreceu, mas há muito a ser questionado. Mesmo com a lesão grave de Fred, a grande contratação para a temporada, há qualidade para apresentar mais e Mano se sente à vontade mesmo dentro de uma proposta mais pragmática e de controle de espaços e reação aos ataques do oponente. Na hora de criar em jogos mais aparelhos a coisa complica.

A grande questão depois das comemorações em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais é como os campeões reagirão. Se haverá a falsa impressão de que os times estão prontos para desafios maiores, mesmo com atuações que não inspiram confiança, ou se a conquista será tratada como a alavanca que combina paz para trabalhar e um clima de mais leveza para investir na evolução dos modelos de jogo. Vencer para crescer e não estacionar.

Ilusão ou redenção? Eis o questionamento que fica para a sequência de trabalho dos vencedores. Consciência da própria realidade é receita simples, mas sábia. Pode valer muito lá no final do ano, quando as taças não passarão de uma lembrança agradável, sem o êxtase de agora.


Botafogo acerta um ataque e está na final. Flamengo não tem repertório
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André Rocha

Trinta e oito minutos do primeiro tempo. Rodrigo Lindoso, substituto de João Paulo como articulador no 4-2-3-1 do Botafogo de Alberto Valentim, acerta passe nas costas de Paquetá para Marcinho. O lateral chegou ao fundo e rolou para trás. Luiz Fernando apareceu às costas de Everton e antecipando a Rhodolfo para tirar de Diego Alves. Na comemoração, o atacante provocou o rival ironizando o “cheirinho”.

Objetivamente, foi a única jogada bem engendrada pelas equipes em mais de noventa minutos. O gol da classificação do Botafogo. Dentro de uma atuação com mais intensidade na marcação, especialmente na primeira etapa. Foram 12 desarmes corretos contra dez do Flamengo, mas nove dos alvinegros contra apenas um rubro-negro nos primeiros 45 minutos.

A derrota no estadual não deveria ser trágica para um time disputando a Libertadores. O que é preocupante e muito no Flamengo é o desempenho. A atuação foi pluripatética. Infelicidade desde a escolha de Jonas e Willian Arão como os volantes para a mudança do sistema para o 4-2-3-1, deixando Cuéllar no banco. Um absurdo.

Passando pelo impasse entre Paulo César Carpegiani e Vinícius Júnior. O treinador queria o jovem atacante pela direita, mas o menino se sente mais à vontade do lado oposto. O resultado é que muitas vezes Paquetá e Vinícius, que deviam ocupar os flancos, ficavam no mesmo lado abandonando Pará à própria sorte pela direita.

Nas redes sociais houve muitos protestos de flamenguistas contra o post deste blog sobre a classificação do Fluminense na semifinal da Taça Rio. O texto afirmava que o time de Abel Braga tem mais repertório que o rival, ainda que este tenha finalizado muito mais vezes e permanecido no campo de ataque por mais tempo depois do gol de Gum que abriu o placar no Estádio Nílton Santos.

O que é difícil de fazer entender é que um time que fique com a bola, mesmo que rode, rode, rode até levantar na área, inevitavelmente vai conseguir finalizar. No abafa, na vitória do atacante na impulsão, no corte para dentro e chute. Mas não significa que há jogada. Repertório. Não existe.

O Flamengo é um deserto de ideias. O time que vivia do pivô de Paolo Guerrero para dar sequência às jogadas e sofria porque não tinha o centroavante na área para finalizar agora tem Henrique Dourado sem a mínima qualificação técnica para fazer a parede e mesmo finalizar. Mesmo cabeceando na trave na segunda etapa.

Um dos 45 cruzamentos do time na semifinal. Treze de Diego. Três corretos, sempre na bola parada. Impressiona como Tite pode pensar no camisa dez como um meio-campista organizador. Desde o ano passado saltava aos olhos a total falta de criatividade do meia. Repetindo pela enésima vez: domina, gira, dá mais um toque e, com a marcação do adversário montada, o passe para o lado ou para trás. Quando arrisca algo mais objetivo vem o erro.

O ensaio do início da temporada com mobilidade dos meias no 4-1-4-1 foi abandonado pela falta de sequência com qualidade. O time continua vivendo de cruzamentos e lampejos. O mesmo da segunda metade do trabalho de Zé Ricardo e no período sob o comando de Reinaldo Rueda.

Uma carga muito pesada para os ombros de Paquetá e Vinícius Júnior. Jovens precisam de um trabalho coletivo para potencializar o talento. Tudo que o Flamengo não tem. Realidade dura para quem investe tanto. Mas é preciso aceitar. E mudar o quanto antes.

O Botafogo nada tem a ver com isso. Lutou, buscou pressionar mais o adversário com a bola, bloqueou de forma organizada com duas linhas de quatro e contou com Jefferson, substituto de Gatito Fernández a serviço da seleção paraguaia, para suportar a pressão aleatória do rival. Faltou coordenar mais contragolpes para tirar o oponente um pouco da própria área. Não conseguiu, mesmo com a entrada de Rodrigo Pimpão na vaga de Leo Valencia.

Finalizou 12 vezes, três no alvo. A única bola na rede no clássico. A solitária jogada bem pensada e executada. O melhor estava por vir depois da fratura de João Paulo: a final do Carioca que parecia improvável.

(Estatísticas: Footstats)


Taça Rio é detalhe! Fluminense tem o melhor jogo coletivo do Carioca
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André Rocha

Flamengo e Vasco estão na Libertadores e o rubro-negro conta com elenco mais qualificado no papel, até pelo abismo que vai se criando no poder de investimento em relação aos demais grandes do Rio de Janeiro.

Mas o melhor jogo coletivo entre os times cariocas no momento é do Fluminense. Não só pelos 3 a 0 sobre o Botafogo na decisão da Taça Rio. Apesar da eliminação até vexatória da Copa do Brasil com duas derrotas para o Avaí – compreensível pelas oscilações de um elenco com muitos garotos dentro de um clube com sérios problemas financeiros que aproveita a garotada como única opção.

O campo mostra que é a equipe que apresenta mais soluções para resolver os jogos. A execução do 3-4-2-1/5-4-1 vai evoluindo jogo a jogo. Muita fluência pelos flancos com Gilberto, Jadson e Marcos Juníor à direita e Ayrton Lucas, Richard e Sornoza pela esquerda. Circula a bola com rapidez e objetividade pelo centro sempre procurando os lados.

Na referência do ataque, o jovem Pedro está cada vez mais à vontade. Fez o primeiro e serviu de peito Marcos Júnior no segundo. Ambos artilheiros do campeonato, com seis gols. Jadson fechou o placar no último ataque, atuando mais avançado dentro de um 5-4-1 bem organizado tirando espaços e negando oportunidades claras ao rival que partiu para cima com Pimpão, Renatinho e Luis Ricardo na segunda etapa.

O Flu aproveitou os muitos espaços deixados pelo Botafogo de Alberto Valentim que marca “com os olhos”, sem pressão no adversário com a bola. Teve 58% de posse e finalizou 18 vezes contra 16 do tricolor. Mas falhou nas finalizações e no trabalho defensivo. Algo a se corrigir com urgência até quarta para a semifinal contra o Flamengo.

No outro confronto há um favorito claro. O Flu pode até jogar mal na quinta contra o Vasco e, mesmo com vantagem do empate, ficar fora da grande decisão. É time jovem, com claras limitações e sujeito a uma noite ruim. Mas hoje no Rio de Janeiro ninguém joga um futebol mais consistente que a equipe de Abel Braga. A conquista do returno é apenas um detalhe. Ou mera consequência.

(Estatísticas: Footstats)

 


Botafogo na final da Taça Rio. Por João Paulo e na jogada aérea
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André Rocha

O melhor estava por vir para o Botafogo depois do absurdo da fratura da perna de João Paulo sem a expulsão de Rildo no domingo.

E logo na jogada aérea, o grande problema do Botafogo entre as muitas fragilidades defensivas da equipe comandada por Alberto Valentim. Assim levou oito gols, metade dos que sofreu na temporada. Agora o triunfo. Logo com Igor Rabello, contestado pela torcida, mas o destaque no Estádio Nílton Santos. Gol da vitória por 3 a 2, devolvendo o placar do último jogo, e belo passe longo para Luiz Fernando empatar.

Jogo eletrizante, maluco. Mas não jogaço. Por mais que o torcedor se revolte com o jornalista quando ele parece minimizar a emoção. Só que para quem trabalha vendo partidas de futebol alguns elementos são necessários para um jogo ser valorizado pela qualidade. Começando pelos acertos técnicos e táticos, as decisões e leitura de jogo dos atletas para construir um bom jogo coletivo. Não foi o caso. Muita aleatoriedade.

O Vasco sofrendo pela esquerda com Fabrício no lugar de Henrique na lateral. A saída de Evander ainda no primeiro tempo por lesão também prejudicou o trabalho no meio-campo. Sem contar que Wagner entrou frio e foi driblado por Leo Valencia, que colocou na cabeça de Brenner no gol que abriu o placar. Sem culpa do goleiro Gabriel Félix, substituto de Martín Silva, a serviço da seleção uruguaia. Mais uma vez a bizarrice de jogar futebol durante datas FIFA.

Depois a equipe de Zé Ricardo, com Riascos e Andrés Ríos alternando pela direita e abrindo o corredor para Yago Pikachu apoiar, virou nas jogadas aéreas com bola parada. Erazo e Riascos. Falha da marcação mista do Botafogo que mais uma vez não funcionou.

Assim como a dinâmica com defesa adiantada, mas pouca pressão sobre o adversário com a bola. Muitos espaços entre defesa e mei0-campo. Sem contar a dificuldade para organizar com Rodrigo Lindoso tentando cumprir a função de João Paulo na articulação.

Valentim arriscou tudo com Pachu e Pimpão nas vagas de Valencia e Marcos Vinícius. Tirou os dois meias da linha de três no 4-2-3-1. Brenner recuou para ajudar na articulação e Pachu ficou enfiado. Depois Ezequiel entrou no lugar de Luiz Fernando. Seis por meia dúzia, mas manteve o fôlego para seguir atacando.

Zé Ricardo trocou Ríos, extenuado, por Thiago Galhardo. Paulinho trocou de lado e foi para o setor direito, Wagner ocupou o lado esquerdo e Galhardo centralizou atrás de Riascos. Uma troca conservadora, mas o Vasco não recuou. Se pode haver uma crítica seria por não conseguir controlar o jogo. Seja pelo espaço ou através do domínio da bola. Sem contar os vacilos também nos cruzamentos do oponente. Também levou dois gols desta maneira.

Jogo de posse dividida em praticamente todo o jogo – Bota terminou com 52% pela necessidade da reta final. Dezoito finalizações cruzmaltinas contra onze – cinco a sete no alvo. Botafogo cruzou 32 bolas contra 24. Com a tensão, 21 faltas foram cometidas no segundo tempo, enquanto na primeira etapa foram apenas seis.

Na “briga de rua”, o golpe final com Igor Rabello. De cabeça. Para colocar o Botafogo na final da Taça Rio. Para quem não está mais envolvido com outra competição, fundamental. Para quem perdeu seu melhor jogador por uma entrada criminosa, impossível não pensar em justiça.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


A perna quebrada de João Paulo e as “regras não escritas” da arbitragem
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André Rocha

Dois minutos de jogo no Estádio Nílton Santos. Rildo quebrou a perna direita de João Paulo. Sem eufemismos ou desculpas. Movimento de cima para baixo, com velocidade e intensidade. Pode não ter sido intencional, mas o atacante do Vasco assumiu o risco de agredir um colega de profissão.

Muitos ex-árbitros hoje comentaristas, muitas vezes en passant  numa colocação, costumam dizer que os apitadores evitam expulsar no início de um clássico para “não estragar o espetáculo”. Ou seja, uma decisão costumeira que não consta nas regras do jogo. É bem possível que o árbitro Leonardo Garcia Cavalheiro tenha seguido o “conselho”.

Ou talvez porque o meia não estivesse gritando de dor e os colegas não colocassem a mão na cabeça em desespero, já que a fratura na tíbia e na fíbula não foi exposta. Como já se ouviu também dos comentaristas que quando a reclamação é geral e acintosa é porque houve alguma irregularidade. O árbitro e sua equipe estão lá para quê, afinal?

O fato é que apenas o cartão amarelo foi aplicado. Na TV, sem necessidade de replay, foi possível notar a gravidade da entrada e da lesão. Era para expulsar direto. Sem conversa. E punição exemplar, de preferência ficando de fora dos gramados pelo mesmo período de tempo do agredido.

Rildo seguiu em campo e ficou visado, não só pela torcida do Bota que vaiava cada vez que o ponteiro pegava na bola. Os jogadores do Botafogo passaram a entrar mais duro no adversário e, aos 18 minutos, veio o choque com Marcinho que provocou a luxação do ombro esquerdo e obrigou o atacante a deixar o campo.

Só que o Vasco seguiu com onze homens em campo. Entrou Paulinho, joia da base que marcou o gol da vitória do time cruzmaltino por 3 a 2. Sobre a equipe de Alberto Valentim que falhou grosseiramente no bloqueio defensivo, mas sofreu demais sem o organizador, o “ritmista” de seu meio-campo. O Botafogo perdeu bem mais sem seu camisa oito. O mínimo para tamanho prejuízo seria enfrentar o adversário com um homem a menos. É para isto que existe o árbitro.

Tudo muito desnecessário. Por causa dessas “regras não escritas” da arbitragem para contemporizar e não se comprometer. Infelizmente, isto nem o VAR poderá evitar. Pior para o futebol.

 


Flamengo está mais móvel, mas com Diego e Dourado ainda vive de cruzamentos
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André Rocha

Foram praticamente 70 minutos de domínio absoluto do Flamengo na vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo em Volta Redonda pela semifinal da Taça Guanabara. Aproveitando as limitações e a queda brusca de confiança do Botafogo depois de ser eliminado pela Aparecidense na Copa do Brasil.

Com titulares e a estreia de Henrique Dourado, o time de Paulo César Carpegiani repetiu a mobilidade do 4-1-4-1 da vitória por 1 a 0 sobre o Nova Iguaçu. Everton Ribeiro e Diego alternando à direita e por dentro, o mesmo com Lucas Paquetá e Everton do lado oposto. Cuéllar mais plantado e Dourado na referência.

A movimentação chama atenção porque não há inversões no posicionamento apenas quando a bola sai e os jogadores fazem a troca, mas também com o time em progressão. Em vários momentos envolveu com relativa facilidade o sistema defensivo do rival com bola no chão, tabelas, triangulações e ultrapassagens.

Apesar de mais móvel, fica nítido que o Fla ainda vive de cruzamentos, com bola parada ou rolando. Em especial de Diego, o jogador que mais levantou bolas na área no clássico: 13 dos 31. Recorde do Fla na temporada. Foram 21 contra Volta Redonda e Cabofriense e 22 contra o Bangu com a garotada. 23 diante do Vasco, 24 contra o Nova Iguaçu já com Diego. Mas sem uma típica referência com boa estatura na frente.

Porque o meia ainda é lento para fazer a bola circular. Domina, gira, dá mais um toque. Com isso o adversário tem tempo para se reorganizar defensivamente. Sem opções e segurança para um passe mais vertical, acaba jogando na área. Como é o responsável pelas bolas paradas, natural que seja o que mais cruza.

Com o “Ceifador”, só no primeiro tempo foram 18. Natural que se busque o centroavante eficiente no jogo aéreo, mas para um time que em 2017 basicamente viveu das jogadas aéreas e Carpegiani busca mudar esse perfil, o número não deixou de ser alto.

Valeu pelos gols, um em cada tempo. No primeiro, centro de Diego e Everton cabeceou livre em mais uma falha grotesca da defesa do Bota que vacilou pelo alto nos dois gols da Aparecidense. No segundo, novo cruzamento do camisa dez para Paquetá servir Dourado.

Destaque novamente para o jovem meia que terminou a temporada passada como o grande destaque do time. Dinâmica para ir e voltar, consciência, lucidez e intensidade tanto para articular por dentro ou buscar o fundo como ponteiro. Um recital até cansar e sair para dar lugar a Vinícius Júnior.

Mas paradoxalmente o gol do Botafogo, primeiro sofrido pelo Fla no ano, começou em um erro de passe de Paquetá. Contragolpe, Réver sentiu o desgaste em sua primeira partida na temporada e não acompanhou Kieza. Com o centroavante, Ezequiel e Renatinho, o alvinegro ensaiou uma reação na chuva e aproveitando o cansaço dos titulares rubro-negros no segundo jogo neste Carioca.

Vinícius Júnior resolveu no último contragolpe do jogo em bela finalização. Para deixar claro o abismo entre os rivais neste momento. Também tornar o Flamengo ainda mais favorito para a final contra o Boavista.

O mais importante, porém, foi sinalizar que o time rubro-negro busca um novo modelo de jogo com Carpegiani. Mais móvel, envolvente. Falta ser mais criativo e insistir menos nos cruzamentos. Algo a ser trabalhado até a Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Nenhum time grande repetiu mais a escalação em 2018 que o Botafogo
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André Rocha

Em 2018, os grandes times vêm aproveitando os estaduais para fazer experiências, rodar o elenco, dar minutos a jovens da base, entrosar os jogadores contratados.

O Botafogo de Felipe Conceição optou pela manutenção e aposta na repetição para evoluir. Só não escalou os mesmos onze iniciais nas quatro rodadas do Carioca porque Joel Carli se lesionou na estreia e Marcelo Conceição entrou no seu lugar na zaga.

Os outros dez continuaram os mesmos: Jefferson; Arnaldo, Igor Rabello e Gilson; Matheus Fernandes; Rodrigo Pimpão, João Paulo, Leo Valencia e Luiz Fernando; Brenner. Nas duas vitórias na temporada – sobre o Macaé por 2 a 1 e Boavista por 1 a 0 – o treinador também mandou a campo os mesmos reservas: Dudu Cearense, Ezequiel -este entrou em todas as partidas – e Renatinho.

Nenhum time entre os grandes nos principais estaduais repetiu tanto a formação titular até aqui. Alguns, inclusive, começaram com reservas, como o Grêmio e o Atlético Mineiro, e o Flamengo iniciou com os garotos do sub-20 e aos poucos vai inserindo titulares.

O objetivo do alvinegro é claro: assimilar mais rapidamente um modelo de jogo diferente do antecessor Jair Ventura, melhorar a sintonia entre os jogadores e buscar os resultados para ganhar confiança. Equipe e o novo comandante em sua primeira experiência nos profissionais.

O desempenho até aqui não é de empolgar e nem deve ser. É um processo.  Mas Brenner vai se firmando como o goleador e a referência no ataque, João Paulo dita o ritmo no meio-campo e Arnaldo é opção interessante de velocidade pela direita, como no gol contra o Macaé.

A equipe vai se habituando a ficar mais com a bola, rodar, inverter o jogo. Desenvolve a paciência para abrir espaços em defesas fechadas. Ainda falta um pouco de mobilidade, mais diagonais dos ponteiros Pimpão e Luiz Fernando, infiltrações de Valencia.

Ainda tende a recuar demais quando abre vantagem no placar e tentar controlar os espaços e não a posse. Ainda assim, é o time que mais acerta passes entre os grandes cariocas, segundo o Footstats.

Questão de ajuste. E tempo. Felipe Conceição consegue fazer sua equipe pontuar e evoluir. Não é um trabalho simples, mas vai passo a passo, jogo a jogo. Repetindo para fazer melhor.


A análise possível e o protesto necessário na estreia do Botafogo em 2018
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André Rocha

Não existe um time entrar em campo para um jogo oficial com 12 dias de preparação. Doze. Não pode no futebol que se diz profissional. É impossível abrir o post sem este protesto. É necessário.

Por mais que o Botafogo, por todas as diferenças possíveis, carregue a obrigação de se impor contra a Portuguesa da Ilha do Governador em qualquer cenário, mesmo com o adversário treinando há 75 dias, a análise precisa ser relativizada.

É óbvio que o time comandado por Felipe Conceição é um grande incógnita, desde o elenco até o novo treinador em sua primeira experiência no profissional. Parece mais fraco sem Victor Luís na lateral esquerda, Bruno Silva no meio-campo e Roger no ataque. A busca por contratações é complexa pelas sérias limitações no orçamento.

Mas não dá para cobrar muita coisa além de fibra e a indignação com a derrota. A vontade para tentar no abafa se impor pela camisa. Para compensar a falha coletiva na jogada parada que terminou no primeiro gol de Sassá e o erro grosseiro de Jefferson no segundo do camisa 11.

Diminuiu no pênalti no toque (bizarro!) no braço de Romarinho e cobrado por Brenner e insistiu na variação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com as cinco substituições até empatar na assistência do centroavante para o gol de Marcos Vinicius no lance final.

Apresentou um rascunho de novas ideias, com mais aproximações e triangulações, tentando valorizar a posse de bola para ocupar o campo de ataque e criar espaços. Mas o hábito de definir rapidamente a jogada dos tempos de Jair Ventura persiste e atrapalha quando surge a obrigação de atacar. Por isso a insistência com os cruzamentos procurando Brenner. Algo que é absolutamente natural.

Porque não existe futebol sério e profissional com 12 dias de preparação. Só na “lógica” da estrutura federativa do futebol brasileiro que incha o calendário e enche a programação dos detentores dos direitos de transmissão. Com a conivência da direção do Botafogo, alinhada à FFERJ. Que devia ser alvo dos protestos da torcida, mais do que os jogadores. Atletas que não podem ser tratados como vítimas porque deviam se organizar como um foco importante de resistência ao status quo.

Mas a bola rolou. E para o alvinegro já tem clássico contra o Fluminense no sábado. Algo tão aleatório e sem sentido quanto a estreia do Bota em 2018.