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Será que o Corinthians vai protagonizar o maior “flop” da história?
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André Rocha

Com a derrota do Grêmio para o Vasco em São Januário, a distância entre o líder e o segundo colocado do Brasileiro se mantém nos sete pontos. Mas o Santos fez a diferença para o terceiro cair para nove.

A vantagem do Corinthians é considerável ainda, mas são três derrotas em quatro partidas no returno. Depois de uma campanha invicta, a melhor da história no turno. E o pior: uma nítida queda de desempenho.

Inclusive defensiva, cedendo contragolpes ao Santos na Vila Belmiro e sofrendo no primeiro tempo com as descidas do lateral esquerdo Zeca, destro, por dentro. Ultrapassando os volantes Alison e Renato, sendo mais um na articulação. A última linha da retaguarda, mesmo com a dupla central de volta – Balbuena e Pablo – já não é mais tão segura. Também porque está mais exposta pelo rendimento abaixo dos meio-campistas.

Ofensivamente a equipe de Fabio Carille está previsível, com todas as ações estudadas e mapeadas pelos rivais. O pivô de Jô, as incursões de Jadson da direita para dentro, as aparições de Rodriguinho e as infiltrações em diagonal de Romero. Com a busca da reação no segundo tempo, o número de cruzamentos disparou: 35. Terminou com mais posse (52%) e finalizações – 12 contra 11, mas quatro no alvo contra sete do rival. É preciso ter ideias, variações. Voltar a surpreender.

Cássio destoou com duas defesas portentosas na primeira etapa, impedindo gols de Ricardo Oliveira. Mas nada pôde fazer quando Lucas Lima apareceu livre para aproveitar a transição ofensiva rápida. Sempre com Bruno Henrique, o melhor do clássico, aberto e voando para cima ou nas costas de Fagner, outro em queda livre.

No final, bola de Lucas Lima, disparada de Bruno Henrique e Ricardo Oliveira, enfim, acertando as redes quando Cássio nada podia fazer. Primeira derrota do Corinthians em clássico estadual no ano. Triunfo santista para se posicionar como candidato real, apesar da prioridade dada à Libertadores. Assim como o Grêmio.

Se acontecer a revirada, ainda improvável, de um título que parecia apenas questão de tempo e matemática, o “flop” corintiano se transformaria, sem dúvida, no maior da história do Brasileiro na fórmula por pontos corridos com vinte clubes. Será possível?

(Estatísticas: Footstats)


Com Levir Culpi, Santos cresce no modo “briga de rua”: jogo de trocação
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André Rocha

O Santos de Dorival Júnior prezava posse de bola e troca de passes. Na reta final do trabalho de quase dois anos, o domínio era inócuo pela baixa efetividade da equipe que rodava, tocava, mas não finalizava e deixava a defesa exposta.

Levir chegou e não mudou o DNA ofensivo da equipe, algo até cultural no clube. Nas últimas partidas, incluindo os 3 a 0 sobre o Bahia, até arriscou mais encaixando Emiliano Vecchio no lugar de Thiago Maia, negociado com o Lille.

A execução do 4-3-3, porém, é vertical, direta. Não controla o jogo com a bola, ainda que seja o líder em posse e o segundo em acertos de passes na competição – muito mais pelo volume de jogo e pela vontade de atacar, dentro ou fora de casa, sem contar os altos índices nas quatro partidas ainda sob o comando do antecessor.

Também não há controle de espaços, com o time bem posicionado na fase defensiva. Por isso Vanderlei trabalha tanto e é o melhor goleiro da Série A. Assim como explica os muitos erros de Lucas Lima em lançamentos e cruzamentos. Força a assistência o tempo todo, buscando Kayke no centro do ataque ou os pontas Copete e Bruno Henrique jogando invertidos para infiltrar em diagonal.

O camisa dez tem só dois passes para gols – Bruno Henrique tem cinco. Mas é quem faz o time acelerar o tempo todo, agora com auxílio de Vecchio e a proteção de Yuri à frente da retaguarda.

O Bahia terminou o jogo no Pacaembu lotado com 51% de posse e 14 finalizações contra onze do time mandante. Mas Bruno Henrique aproveitou uma trinca de ações ofensivas rápidas, com pelo menos três santistas na área adversária para resolver a partida. O alvinegro praiano melhorou muito sua relação finalizações/gols: agora precisa de oito conclusões para ir às redes.

O Santos cresce e luta na parte de cima do Brasileiro no modo “briga de rua”. Aposta na trocação, no jogo aberto acreditando na força de seu ataque e no momento espetacular de seu goleiro para derrubar os rivais.  Até porque o mantra atual do futebol nacional é não ficar com a bola e jogar em transições o tempo todo.

Não chega a ser um “Peixe Doido”, como o Galo de Cuca que Levir herdou e manteve a intensidade no topo. Mas torna o time mais imprevisível e eficiente. Dorival caiu com uma vitória e três derrotas. Com Levir são oito triunfos, três empates e apenas um revés. 75% de aproveitamento que só ficaria atrás do líder Corinthians. Não é pouco.

 

(Estatísticas: Footstats)


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