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Corinthians perde solidez e depende de Cássio, que pode repetir Cavalieri
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André Rocha

A derrota por 2 a 0 para o redivivo Bahia de Paulo Cesar Carpegiani em Salvador foi construída objetivamente com uma falha de Fagner aproveitada por Vinicius e um contragolpe de fim de jogo finalizado por Régis com o goleiro na área para tentar o empate.

Mas o Corinthians novamente não jogou bem e foi dominado por um oponente em franca evolução. Revés fora de casa que até pode ser tratado como normal dentro do equilíbrio natural do Brasileiro.

O grande fator complicador é que o desempenho começou a cair na fase ofensiva pela dificuldade de criar espaços nas defesas adversárias quando ganhou status de favorito com o turno quase perfeito e passou a ser mais estudado. Também porque despencou o nível do trio Jadson-Rodriguinho-Romero que acabou isolando Jõ e tornando a equipe mais dependente de seu centroavante e nos últimos três jogos de Clayson, autor de quatro gols.

O sistema defensivo, porém, também teve queda nítida de desempenho. Tanto individual quanto coletivo. Antes as alterações na última linha e a ausência de Gabriel ou Maycon na proteção da retaguarda eram menos sentidas. Agora há impacto. Porque perdeu intensidade e concentração. Até de Guilherme Arana e Balbuena, antes os grandes destaques.

Por isso Cássio vem trabalhando tanto. Segundo o Footstats é o goleiro com mais defesa na Série A, empatado com Jean, do Bahia. Média de 2,4 defesas por jogo. Fica atrás na média só de Douglas Friedrich (Avaí) e de Fernando Miguel (Vitória) entre os que mais atuaram.

A questão é que geralmente, e a lógica sugere, o líder não faz seu arqueiro trabalhar tanto. É mais seguro, consistente e protege melhor sua meta. Tanto que entre os cinco primeiros só Cássio não está lutando para fugir do Z-4 ou, no mínimo, ocupando a segunda página da tabela – além dos três já citados está Aranha, da Ponte Preta. O sexto é Vanderlei, do Santos vice-líder, mas que atua no estilo “bate-volta” e sofre muitos ataques.

Se Cássio mantiver essa média e o Corinthians confirmar o título, será o segundo caso na história do Brasileiro por pontos corridos com 20 clubes. O primeiro foi Diego Cavalieri em 2012. Campeão com o Fluminense da defesa menos vazada junto com o Grêmio. Muito graças ao seu goleiro, que vivia fase esplendorosa e salvava um sistema não tão coeso assim. Também “mascarava” os números.

O líder não tem a melhor defesa nem na frieza da matemática. Pelo menos até o Santos enfrentar o Vitória na segunda-feira. Agora tem 17 sofridos em 28 partidas, um a mais que o segundo colocado. A recuperação no campeonato, a partir do duelo contra o Grêmio em Itaquera na quarta, passa pela volta da coordenação e da segurança que marcaram o time de Fabio Carille em seus melhores momentos na temporada.

Algo se perdeu e é melhor resgatar enquanto a vantagem no topo da tabela permite.


Zé Ricardo sendo Mannarino no Vasco que já pensa em “G-7”
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André Rocha

José Ricardo Mannarino sempre que pode assume o italiano do sobrenome no futebol. Na visão mais clichê da escola tetracampeã mundial: privilegia a defesa.

Não que despreze o futebol bem jogado. No Flamengo campeão da Copinha em 2016 posicionava o técnico volante Ronaldo solitário à frente da defesa, quatro meias com características ofensivas se aproximando de Filipe Vizeu. Mas todos com função sem a bola. No fundo, o que o treinador preza é a organização.

A marca do Vasco que venceu o Botafogo no Maracanã e alcança o segundo triunfo consecutivo. Em seis jogos, 61% de aproveitamento e derrota apenas para o Corinthians com o gol polêmico de Jô. Um dos quatro sofridos. Dois empates, vitórias com vantagem mínima que fazem a equipe dormir na oitava posição. Com o G-6 podendo ganhar mais uma vaga pelo Brasileiro por conta da boa campanha do Cruzeiro campeão da Copa do Brasil, é possível sonhar.

Foi o clássico em que pela primeira vez o time comandado por Zé Ricardo teve menos posse de bola que o Botafogo de Jair Ventura – terminou com 39%. Sem a obrigação de protagonismo que carregava no Flamengo. Cedeu espaços, compactou setores na execução do 4-2-3-1 que dá liberdade a Nenê mais próximo de Thalles, substituto do argentino Andrés Rios, suspenso pela expulsão contra o Avaí.

Mais uma vez, destaque para o surpreendente Wellington. Volante tratado inicialmente como o “Márcio Araújo do Vasco”, apresenta dinâmica bem diferente. Participa da construção das jogadas com passes simples, porém certos, e ainda aparece na frente para finalizar. Como no chute na trave direita de Gatito Fernández no primeiro tempo.

Zé Ricardo perdeu Wagner, que com Nenê e Mateus Vital garantem mobilidade no trio de meias. Mas como todos tendem a procurar o setor esquerdo, o corredor do lado oposto fica aberto para o apoio de Madson. O lateral ganhou companhia com a entrada de Yago Pikachu. Na esquerda, Ramon guarda mais sua posição e só desce com segurança.

Concentração e coordenação dos setores para controlar espaços e equilibrar as ações contra qualquer equipe. Jogo definido no detalhe, em lances discutíveis na sequência e que geraram polêmica depois de Nenê colocar nas redes e explodir a massa vascaína. Este que escreve não viu pênalti no toque de Madson que pegou na coxa antes de acertar o braço na disputa com Pimpão. No gol, a impressão depois de rever é de que o toque do meia foi no peito. Dificil para a arbitragem.

De novo faltou contundência ao Botafogo. Das 16 finalizações, apenas duas no alvo. Também criatividade, mesmo com João Paulo e Marcus Vinicius se juntando a Bruno Silva na articulação. O Vasco contribuiu com desempenho coletivo sem a bola e boas atuações de Breno, Anderson Martins e Jean. Defesa forte, como quer seu treinador.

Porque no Vasco, Zé Ricardo pode ser Zé Ricardo. Na essência. Mais Mannarino do que nunca.

(Estatísticas: Footstats)

 


Carta aberta a Cuca: vá a Nápoles ver Sarri, não para a Cidade do Galo
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André Rocha

Caro Alexi Stival,

Não nos conhecemos, mas acompanho sua carreira há bastante tempo. Desde o Goiás em 2003. Devo reconhecer que o seu Botafogo chegou a me encantar em 2007. Sua inquietação e vontade de fazer diferente chamaram a minha atenção.

Só que o futebol mudou muito de lá para cá. No mundo todo e no Brasil um pouquinho atrasado. E a solução que você, Cuca, encontrou para colocar no currículo os títulos que faltavam para torná-lo mais pesado foi na contramão do que se faz nos principais centros.

Em termos, porque a tão decantada intensidade sempre esteve presente nas suas equipes. A pressão na saída de bola também. O resto, porém, ficou anacrônico. Marcação por encaixe, perseguições individuais nos setores. Ofensivamente, muitas ligações diretas e foco exagerado nas jogadas de bola parada.

Assim venceu a Libertadores com o Atlético Mineiro em 2013. Mas tente fazer um exercício: compare a qualidade técnica dos jogadores que tinha disponível, de primeira prateleira na América do Sul, com o enorme sofrimento para conseguir as classificações e o triunfo final.

O “São” Victor desde a defesa na cobrança de Riascos contra o Tijuana e a enorme felicidade naquele apagão no Estádio Independência contra o Newell’s Old Boys que deu tempo para uma última mobilização, inclusive com a torcida, para buscar o gol salvador que levou a disputa para os pênaltis. Você correu muitos riscos, talvez desnecessários para uma equipe com Leonardo Silva e Marcos Rocha em plena forma e um quarteto ofensivo com Bernard, Tardelli, Ronaldinho Gaúcho e Jô.

Não acredite nessa lenda urbana espalhada nas torcidas brasileiras de que “sofrido é mais gostoso”. Para você que já confessou que gosta de ter tudo sob controle, viver no fio da navalha é oscilar entre vitória e derrota o tempo todo.

Como aconteceu ano passado com o Palmeiras campeão brasileiro. Muitas das vitórias apertadas no returno, quando você assumiu uma postura mais pragmática pela disputa da liderança com o Flamengo, podiam ter se transformado em empates ou mesmo reveses. Lembra do sufoco que levou no Independência do Galo? Ou do coelho que Gabriel Jesus precisou tirar da cartola para achar o empate em casa contra o Fla?

Ali deu tudo certo. Mas era possível fazer bem mais. Com esses seus métodos tudo precisa dar muito certo. Quando saem um pouco do planejado acontece o que ocorreu agora em 2017. Sem desempenho e resultado. Porque um é consequência do outro. Essa sua fórmula muito focada no placar final perde a essência do jogo.

Dizem que às vezes os inimigos trazem os melhores conselhos. Não que eu seja um, sou apenas um crítico. Nada a ver com clubismo, como muitos palmeirenses me acusam. Tenho enorme respeito e carinho pelo clube alviverde, que proporcionou a quem ama o esporte grandes espetáculos de times fantásticos. Muito menos fiquei frustrado com a perda do título pelo Flamengo. Quem acompanhava o clube, inclusive conversando com profissionais, sabia que a sequência de viagens cobraria o preço no fim da temporada. E sempre achei esse papo de “cheirinho” uma tolice – aliás, você deve ter agradecido muito esse combustível para manter seus jogadores focados.

Entenda: o jornalista que trabalha com futebol, mergulhado no tema como este que escreve, desenvolve convicções e teses. E a vaidade humana faz ele torcer mais por elas do que por qualquer time, inclusive o de coração. Tanto que agora em 2017 preferia o Corinthians do primeiro turno na liderança do Brasileiro do que o Fla de Zé Ricardo, um time sem imaginação e apelando demais para os cruzamentos.

Por tudo isso deixo uma sugestão: faça o que você sinalizou na virada do ano e vá a Nápoles acompanhar o trabalho de Maurizio Sarri. Aproveite a chance de intercâmbio. No Brasil reza a lenda de que para jogar bonito é preciso ter grandes craques. Sarri subverte isso com um orçamento bem distante da que a milionária Juventus ostenta. Aposta na troca de passes com qualidade desde a defesa, passando pelos brasileiros Allan e Jorginho no meio, se instalando no campo do adversário e deixando para acelerar no último terço  com Callejón, Hamsik, Mertens e Insigne. Muita mobilidade sem um típico centroavante desde a saída de Higuaín e um estilo bonito de ver.

Não conquista porque a Juve domina o futebol na Itália e no continente a concorrência é ainda mais cruel. Mas imagine você com respaldo para trabalhar trazendo esses novos conceitos. Mostrando que se reciclou, buscou aprimoramento. Ainda que o Brasil seja o incrível país que não valoriza o estudo, sua chance de sucesso é imensa. Seria um olho atento na terra dos “cegos”.

Com sua obsessão por trabalho e ensaio parecida com a de Sarri, os movimentos do seu time seriam precisos. E marcando por zona, como se faz no mundo todo, não teria um problema grave que encarou em 2017: a dificuldade dos jogadores em se adaptar a este sistema de marcação antiquado, em desuso.

É bem possível que o Atlético queira de volta o estilo “Galo Doido”, até porque virou algo cultural e nenhum treinador depois de você conseguiu desconstruir. Chegará como rei, com carta branca para trabalhar do seu jeito. Mas não será um momento para reflexão? Porque se repetir o insucesso voltará á vala comum dos treinadores brasileiros. Deixará o topo e a linha de sucessão de Tite na seleção brasileira.

Tite que é um belo exemplo de pausa para aprimoramento e volta em outro patamar. Hoje reconhecido como um dos melhores do planeta. Perdoe o clichê, mas seria um passo para trás e uns dez à frente em seguida. Por que não?

Desejo a você muita felicidade na escolha e lamento sua saída do Palmeiras. Se não como analista de futebol, mas como pessoa. Sei bem o que é ficar sem fazer o que se gosta e não desejo a ninguém. Mas torço de todo coração que aproveite a saída do olho do furacão para pensar bem e fazer a melhor escolha para sua carreira.  O futebol brasileiro merece e até precisa.

Deixo aqui um forte e respeitoso abraço.


Quando o trabalho é ruim, ter tempo só piora. Vivemos num círculo vicioso
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André Rocha

Os treinadores têm razão quando afirmam que jogar quarta e domingo, ou a cada três dias, é um crime com o atleta profissional pela necessidade de tempo para recuperação e treinamentos num esporte praticado com tanta intensidade e tamanha exigência física e mental.  Assim como é impossível negar que nas pausas de datas FIFA há um enorme risco de desmobilização e perda de foco com jogadores em suas seleções e o próximo compromisso mais distante.

O fato, porém, é que novamente o tempo jogou contra a maior parte das equipes e tivemos uma rodada de Brasileiro na Série A após dez dias com um futebol mal jogado, times instáveis contando com alguns espasmos de talento e organização.

Porque se acostumou a trabalhar mal por aqui. Apagando incêndio, abafando crises e pressões com resultados. Raciocínio imediatista que se reflete no campo. A prioridade é o básico para não perder: bloqueio defensivo e a bola parada. Ofensivamente, os treinos em campo reduzido não parecem trazer um propósito de evolução coletiva, apenas tentar habituar a jogar sem espaços e pensar mais rápido para minimizar erros.

A melhora que normalmente ocorre na mudança de treinador tem muito mais a ver com o impacto da mudança. O reserva que se motiva, o titular não quer perder espaço. Pessoas novas quase sempre deixam o ambiente mais arejado. O poder da novidade, que acaba quando falta conteúdo no dia a dia.

O futebol brasileiro se habituou a reagir e perdeu o foco no desempenho. Por mais que Tite tenha deixado o caminho das pedras mostrando na prática que jogar bem deixa o time mais próximo das vitórias. O legado mais forte, porém, é o do “jogo para ganhar, não para jogar”. É motivar, exigir concentração, erro zero para não sofrer gols e tentar achar um no lampejo, na jogada aérea, no aleatório. Depois explorar contragolpes.

Quando o trabalho é ruim, ter tempo só piora. Como deixar o atleta ligado com o jogo daqui a dez dias? Neste cenário, o treino para melhorar os movimentos coletivos na construção de jogadas pode ser visto pelo próprio comandado como “encher linguiça”. Porque deixou de ser importante.

Ninguém quer jogar porque na tentativa vem o erro a ser aproveitado pelo adversário. Atacar significa dar espaços, se fragilizar na perda da bola. O mais seguro é reagir. Mas como fazê-lo se o mando de campo, o maior investimento ou a camisa mais pesada manda o time grande atacar e se impor? Vem então o desespero e a busca de qualquer muleta para se apoiar, principalmente os erros de arbitragem. A técnica que qualifica a tática e a estratégia está escanteada.

O último campeão brasileiro deveria ser a referência. O Palmeiras de Cuca, porém, é o grande exemplo desta roda viva. Quanto mais dias de trabalho tem menos joga. E não adianta apelar para os jogadores acostumados com os métodos do treinador e repetir as práticas do ano passado. Aquilo foi a exceção, não a regra. Replicar o roteiro não garante o final feliz.

Vivemos num círculo vicioso difícil de romper. A luz no final do túnel é voltar ao básico: jogar bola. Com naturalidade. Ataque e defesa com pesos iguais, como na essência do jogo. Voltarmos aos fundamentos, principalmente o passe. Fazer melhor e tratar o resultado como consequência.

Mais futebol, menos disputa por pontos. Não há outra saída para este labirinto.


Não há time mais aleatório no Brasileirão que o Santos
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André Rocha

Gol sofrido aos quatro minutos de jogo no Moisés Lucarelli, numa rara hesitação do goleiro Vanderlei que Naldo aproveitou. Depois um domínio territorial com média de 63% de posse e seis finalizações contra duas da Ponte Preta, mas sem muitas ideias e deixando brechas entre os setores na execução confusa do 4-2-3-1 habitual para contragolpes que o adversário não soube dar acabamento.

O time de Eduardo Baptista tentava controlar os espaços num 4-1-4-1 organizado e forte pela direita com Nino Paraíba e Emerson para cima do frágil Zeca. Pelo setor, a estocada que encontrou Lucca livre na área para perder gol feito. Na volta, a nona assistência de Bruno Henrique, desta vez pela direita, e mais um gol de Ricardo Oliveira. No minuto final do primeiro tempo transformando um 2 a 0 que não seria nada absurdo em um empate por 1 a 1 que também carregava uma certa lógica.

Porque não há time mais aleatório nesta edição do Brasileiro que o Santos. Time da trocação, do jogo aberto, da aposta na qualidade do quarteto ofensivo, da dupla de zaga formada por Lucas Veríssimo e David Braz, ainda que expostos, e do goleiro Vanderlei.

E por que ainda disputa o título, ao menos na matemática? Porque o nível geral é fraco e nesta proposta de bater e levar cria mais problemas para os adversários mais reativos que outros quando tem a obrigação de atacar. Como não há uma equipe tão superior no trabalho coletivo, nem o líder Corinthians, o Santos vai pontuando e se mantendo no pelotão da frente.

Podia ter vencido em Campinas. No segundo tempo de postura mais agressiva da Ponte, com Eduardo Baptista trocando Emerson Sheik por Leo Gamalho e deslocando Lucca para o lado direito. Depois tirando os meias Naldo e Jean Patrick e colocando Jadson e Felipe Saraiva para reoxigenar o meio-campo e seguir atacando. Mesmo depois da tola expulsão de Fernando Bob que reagrupou o time num 4-4-1.

Levir seguiu em silêncio, pelos problemas de saúde, e não fez nenhuma substituição. Zero. Mesmo com o desgaste por conta da intensidade do oponente e até por necessidade em uma equipe não ajustada.

E quase saiu com a vitória, se o “garçom” Bruno Henrique não perdesse gol feito completando mal centro preciso de Lucas Lima da direita. Na 12ª finalização de um time com inegável vocação ofensiva, mas que parece tomar decisões sem um plano. O tempo todo. Como se contasse com o acaso para proteger o talento e a vontade de vencer.

Quem entende esse Santos?

(Estatísticas: Footstats)


Cruzeiro de Mano passa o Grêmio e pode repetir Flu 2007, de Renato Gaúcho
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André Rocha

Foto: Denis Dias/Gazeta Press

O Cruzeiro foi o primeiro campeão brasileiro da era dos pontos corridos. O primeiro e único a vencer também a Copa do Brasil, no 2003 mágico da “tríplice coroa”. Quase repetiu o feito em 2014, mas o arquirrival Atlético impediu vencendo a final mineira da Copa do Brasil.

2017 foi o ano do penta no grande torneio nacional de mata-mata, nos pênaltis contra o Flamengo.  Pode também ser o de uma nova grande campanha no Brasileiro depois de duas edições após o bicampeonato flertando mais com Z-4 que com título ou vaga na Libertadores.

Com a vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre, gol de Rafael Sóbis, eterno ídolo do Internacional, maior rival do adversário, o time de Mano Menezes ultrapassa Santos e o próprio time gaúcho para dormir na vice-liderança do Brasileiro. Se mantiver os bons resultados abrirá uma vaga na Libertadores dentro da competição por pontos corridos.

O mesmo que conseguiu o Fluminense em 2007. Campeão da Copa do Brasil em 6 de junho vencendo o Figueirense em Florianópolis, gol de Roger Machado, hoje treinador. Antecessor de Renato Gaúcho no Grêmio, comandante do tricolor carioca há uma década. O eterno falastrão que no ano seguinte diria que “brincaria” no Brasileiro se vencesse a Libertadores e, com a derrota nos pênaltis para a LDU no Maracanã, terminou o ano sem conquistas. Como corre o risco agora depois de tantas bravatas e autoelogios ao longo da temporada – mas também bom futebol, que parece cada vez mais perdido em funções de tantas alterações na equipe base.

Naquele 2007, porém, Renato conseguiu manter o Flu alerta e, mesmo com vaga assegurada no torneio continental e vendo o São Paulo disparar para o então bicampeonato que viraria tri no ano seguinte, fez ótimo segundo turno. Vencendo, inclusive, o incrível Flamengo de Joel Santana que acabou uma posição acima, pelo número de vitórias. Com isso abriu uma vaga na Libertadores que acabou caindo no colo…do Cruzeiro, à época comandado por Dorival Júnior.

Há uma década, o Grêmio, então sob o comando de Mano Menezes, chegou à final da Libertadores contra o Boca Juniors de forma até surpreendente. Foi, porém, superado pela equipe de Juan Roman Riquelme e não pôde retornar no ano seguinte. Por pouco, já que terminou o Brasileiro em sexto lugar. Dois pontos atrás… do Cruzeiro.

Em dez anos o mundo da bola girou e agora encontra clubes, personagens e contextos parecidos. Como será o desfecho desta vez? O Cruzeiro de Mano Menezes está sereno, o Grêmio de Renato tem motivos para se preocupar. Mas ainda pode virar o jogo bonito em 2017, inclusive encarando o Real Madrid nos Emirados Árabes Unidos. Quem vai saber?


Dorival Júnior, exclusivo: “Aqui se olha para o futebol sem enxergá-lo”
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André Rocha

Foto: Érico Leonan/saopaulofc.net

Um misto de alívio, esperança e preocupação norteou o papo com o treinador Dorival Júnior sobre o momento do São Paulo: time fora da zona de rebaixamento, mas sem o direito de perder a concentração na pausa de dez dias para a data FIFA. Margem de erro pequena, mas otimismo quanto à evolução da equipe, além do incômodo com o imediatismo e a cobrança excessiva por resultados.

BLOG – O São Paulo vem jogando uma vez por semana há algum tempo e agora tem pausa de dez dias – dois dias de folga e sete sessões de treinamentos. O time saiu da zona de rebaixamento depois de 13 rodadas. Qual o risco de um relaxamento ou desmobilização?

DORIVAL JÚNIOR – O cuidado maior deve ser na dosagem dos treinamentos. Se aumentar o volume de trabalho pode ser prejudicial, mas também não pode tirar o pé do acelerador. Equilibrar as informações diárias sobre a condição dos atletas com o feeling de tantas experiências parecidas. O importante é que não percamos competitividade nesta pausa.

BLOG – Sua equipe, até por necessidade, vai tentar propor o jogo no dia 11, em Belo Horizonte contra o Atlético Mineiro?

DORIVAL JÚNIOR – Nossa situação não permite celebrar esse alívio na tabela. Temos que respeitar as nossas características, mas também as particularidades do adversário. Não podemos nos comportar como “sparring”, precisamos pontuar. Será jogo de superação. Com segurança, mas sem deixar de ser agressivo.

BLOG – Como você avalia a evolução do São Paulo nos últimos jogos com uma formação sem um volante na proteção, com Petros à frente da defesa?

DORIVAL JÚNIOR – A aproximação dos setores está deixando os atletas mais confortáveis e já é possível arriscar movimentos diferentes, como dois dos atacantes voltando e os outros dois infiltrando na última linha do adversário. Estamos conseguindo confundir mais a marcação com a mobilidade de Lucas Fernandes, Marcos Guilherme, Cueva e Pratto. Tivemos alguma dificuldade na criação das jogadas contra o Sport, mas faz parte do processo.

Sem a bola, me agrada muito notar que eles estão mais interessados e preocupados com o trabalho defensivo. A colaboração de todos na compactação vem corrigindo um erro grave nos gols tomados, que era a equipe muito espaçada. Agora a última linha está mais protegida e também bem posicionada.

BLOG – Você é um treinador que preza muito a posse de bola e o estilo mais ofensivo. Como está vendo o Brasileiro com predomínio do jogo mais reativo? Mudou algo nas suas convicções?

DORIVAL JÚNIOR – É preocupante. Mas o que noto é que muitos dos que reclamam do futebol jogado no Brasil são os mesmos que cobram resultados imediatos.  É um assunto muito debatido, mas sem dados concretos. É algo que está incomodando, mas pode tirar da zona de conforto. Eu tenho conceitos e uma visão de futebol. Já venci e perdi propondo jogo ou reagindo à iniciativa do adversário. Não vou mudar. Para mim o futebol, na fase ofensiva, é posse de bola, deslocamentos, velocidade e infiltração.

BLOG – Mas você concorda que o dito “futebol moderno” chegou aqui primeiro pela dinâmica defensiva e ainda estamos atrasados na evolução da construção do jogo?

DORIVAL JÚNIOR – Concordo, mas esse desequilíbrio existe praticamente no mundo todo. O trabalho defensivo evoluiu demais. Antes era privilégio de Itália, Alemanha, Inglaterra…Na Alemanha houve primeiro uma mudança de mentalidade e depois a chegada do Guardiola. É uma nova escola de futebol.

Mas no mundo todo houve um acréscimo no jogo coletivo sem a bola, por pragmatismo, que não foi acompanhado pelo trabalho ofensivo. A única evolução foi a busca maior da amplitude no ataque com os pontas. É provável que as defesas prevaleçam sobre os ataques durante algum tempo. Cabe a nós, treinadores, complementarmos nosso trabalho e dar mais qualidade às ações de ataque.

BLOG – Então o futebol hoje está mais para Mourinho que Guardiola?

DORIVAL JÚNIOR – Foi uma transformação rápida, uma mudança por necessidade. Aproxima as linhas, marca por zona. Agora usando até cinco homens, exatamente para negar espaços no fundo do campo. Fecha o centro, induz o rival a abrir a jogada para interceptar o cruzamento. Houve mais inovações neste aspecto e mais times jogando desta maneira.

BLOG – Qual a dificuldade de trabalhar conceitos de jogo em um elenco que mal se conhece, mexido, desentrosado e sofrendo enorme pressão para vencer e subir na classificação?

DORIVAL JÚNIOR – No Santos eu tive dois anos e pude trabalhar uma filosofia e ir encaixando algumas situações ao longo do tempo. Aqui eu preciso adaptar, dentro das minhas convicções. Não posso me dar ao luxo de arriscar muito, por tudo que você expôs na pergunta. Primeiro proteger, depois fazer os jogadores acreditarem na proposta.

BLOG – Você falou em “proteção”. E os muitos gols sofridos, especialmente no início do trabalho, que geraram muitas críticas?

DORIVAL JUNIOR – É questão de tempo de trabalho. Tem jogador que mal se conhece. Em outubro, quase no fim da temporada, muitos não completaram sequer uma dúzia de partidas pelo clube. É o Militão adaptado à lateral direita, vários problemas. Mas querem soluções rápidas. Aqui se olha o futebol sem enxergá-lo. São cobranças descabidas e uma visão deturpada em todos os segmentos.

BLOG – Ainda dentro deste tema, como é possível orientar o Pratto com essa ansiedade de dez rodadas sem marcar gols?

DORIVAL JÚNIOR – Internamente ele sabe da sua importância. É um cara coletivo, mas com ambições. O grupo vem administrando isso muito bem. Todos têm noção da sua contribuição na abertura de espaços, nos deslocamentos. Sua movimentação compensa a falta de gols. Como gestor procuro tranquilizá-lo, por mais que ele seja experiente. Mostrar que está no caminho correto e que as coisas vão acontecer naturalmente. E sua importância não é só dentro de campo, tem a liderança que contribui demais.

BLOG – O fato de termos o oitavo colocado separado do 18º por apenas quatro pontos ajuda por motivar a conseguir uma sequência de bons resultados e respirar aliviado ou é preocupante porque os jogos serão mais duros e qualquer vacilo significa a volta ao incômodo Z-4?

DORIVAL JÚNIOR – Em todas as edições do Brasileiro da Série A que disputei o returno foi bem mais disputado que o turno. É uma constante e este ano parece ainda mais dura a concorrência. Os jogos serão mais parelhos e essa distância mínima deixa tudo ainda mais complicado. Sem dúvida é a edição mais difícil que já disputei e será assim até a última rodada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A incompetência que trava o Flamengo bom pagador
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André Rocha

A estratégia dos preparadores de goleiros com Muralha definindo um mesmo canto em todas as cobranças de pênalti na decisão da Copa do Brasil, sem nenhuma inversão para surpreender os cobradores e, pior, com a informação chegando aos jogadores do Cruzeiro no Mineirão foi apenas mais um equívoco do departamento de futebol do Flamengo.

Um novo obstáculo para o clube no seu grande objetivo desde 2013: transformar as dívidas equacionadas e o aumento das receita em time forte, competitivo. Vencedor. Transformar investimento em desempenho e, consequentemente, resultado.

Mas ainda um erro pequeno diante de outros absurdos, como disputar um Brasileiro rodando o país sem considerar o enorme desgaste de viagens seguidas e jogando sem a vantagem real do mando de campo. Ou contratações mais que questionáveis, como Conca pela questões físicas, ainda que praticamente sem custos, e Berrío, que não era exatamente o ponteiro driblador e finalizador que Zé Ricardo havia pedido. Dois cartuchos queimados sem mudar o patamar da equipe.

Se a Copa do Brasil era uma meta de conquista em 2017, por que reforçar o elenco apenas quando as inscrições já estavam encerradas? No Brasileiro, o primeiro turno do Corinthians mostra que começar bem o campeonato pode ser uma vantagem a ser administrada no returno. Como, se o grupo de atletas só fica completo em agosto?

Exatamente quando a temporada afunila e não há tempo para treinar. O resultado é que o Flamengo, com estas práticas, acaba formando o time para vencer o Carioca. Aí, sim, os reforços ficam nivelados fisicamente e o tempo, ainda que não o ideal, para treinamentos melhora o entrosamento. Mas só mesmo para a disputa regional, porque o elenco disponível de fevereiro a maio não foi capaz de superar a fase de grupos da Libertadores. Mais um vexame continental.

Os muitos pecados podem ajudar a construir o seguinte cenário no final de 2017: sem títulos relevantes, talvez até sem o consolo da Sul-Americana, que agora é prioridade. E por colocar mais um torneio acima do Brasileiro, acabar sem uma vaga no G-6.

Em campo, como você já leu AQUI, o time segue “arame liso”, “pecho frio” e com elos fracos. Não mudou tanto assim com Reinaldo Rueda. Porque, como você também já viu neste blog, não há como esperar resultados diferentes com escolhas semelhantes.

O “gargalo” está na gestão. No presidente Bandeira de Mello que acumula a vice-presidência de futebol e já se mostrou mais político que executivo, no CEO Fred Luz que não tem experiência no esporte, no diretor de futebol Rodrigo Caetano sem poder de decisão e aparentemente acomodado e no gerente Mozer que parece sem função na prática.

Não há outro termo, por maior que seja o respeito aos profissionais e à uma administração que viabilizou financeiramente um clube que parecia ladeira abaixo rumo à insolvência: é a incompetência que trava o Flamengo em seus planos ambiciosos. É urgente mudar nomes e métodos antes que cheguem à tola conclusão de que o Fla campeão é o do caos e das dívidas, não o bom pagador.

Nem voltar ao inferno, nem seguir no limbo. Caminhar é preciso.

 


Vanderlei, Bruno Henrique e legado de Dorival explicam “milagre” do Santos
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André Rocha

Foto: Djalma Vassão (Gazeta Press)

A vitória sobre o Palmeiras no molhado Allianz Parque no sábado por 1 a 0 fez o Santos tomar do rival alviverde a condição, subjetiva, de principal desafiante do líder Corinthians. Ainda que o Grêmio tenha vencido e siga na luta, apenas um ponto atrás do alvinegro praiano. Mas com Libertadores e, provavelmente, pontos preciosos deixados pelo caminho utilizando reservas.

O time de Levir Culpi, de fato, é um mistério. Não chama atenção pela consistência defensiva, mas tem a segunda defesa menos vazada com 16 gols, um a mais que Corinthians. Muito menos pelo ímpeto do ataque, que só foi às redes 27 vezes em 26 rodadas.

O estilo não encanta as retinas. Não controla a disputa com a bola, embora seja o segundo em posse e o terceiro que acerta mais passes – 90,7% de efetividade. Nem os espaços, pois a coordenação dos setores não é tão acertada. O jogo é no modo “briga de rua” (como você já leu AQUI), com trocação de golpes até derrubar ou ser nocauteado.

Quando tentou ser mais estratégico para administrar o empate sem gols na Vila Belmiro contra o Barcelona de Guayaquil pelas quartas de final da Libertadores o desempenho e o resultado foram trágicos. Dominado, vencido e eliminado em seus domínios. O mesmo na ida das quartas da Copa do Brasil contra o Flamengo na Ilha do Governador. Derrota por 2 a 0 com postura mais cautelosa. Faltou um gol nos 4 a 2 em casa com o time no estilo “Peixe Doido”.

O que explica, então, a eficiência no Brasileiro? Os números podem indicar algumas respostas.

Primeiro o goleiro Vanderlei. Quinto mais acionado da competição. Entre os times do G-6 só fica atrás de Cássio. Muitas intervenções fundamentais, tantos pontos garantidos. Não é absurdo dizer que a segunda defesa menos vazada está na conta dele. Porque na troca de ataques ele garante o zero do outro lado do placar.

Depois Bruno Henrique. Líder de assistências ao lado de Gustavo Scarpa com oito, a última na cabeça de Ricardo Oliveira para vencer Fernando Prass. Mais seis gols. Válvula de escape pelos flancos, especialmente à esquerda. Ponto de referência para as saídas em velocidade. O ponteiro que no Wolfsburg em 2016 fez Marcelo do Real Madrid sofrer  numa disputa de quartas de final de Liga dos Campeões. Não por acaso é quem mais acerta dribles na Série A. Não é atacante top, muito menos uma solução para  Tite na seleção brasileira. Mas por aqui vem desequilibrando.

A outra explicação é o legado de Dorival Júnior no cuidado que o time mantém com os passes. O elenco é praticamente o mesmo do antecessor de Levir e a posse garante volume de jogo, especialmente com Lucas Lima em campo. Toques certos que qualificam as ações ofensivas em meio à loucura do bate-volta. Com espaços, o time que rodava a bola para criá-los encontra mais facilidade para superar as defesas adversárias. A exigência de precisão agora é menor.

Qual o mérito de Levir no “milagre” santista? A capacidade de mobilização, o pragmatismo na busca dos resultados e a busca da velocidade, grande lacuna do time vagaroso e inócuo de Dorival na reta final de sua passagem pela Vila Belmiro. Assim como a leitura correta de que assumir protagonismo e se instalar no campo de ataque, no futebol brasileiro de hoje, é se tornar presa fácil para as equipes mais reativas.

Ah, e também a sorte, que nunca pode ser desprezada em qualquer jogo e está no irônico título do livro lançado pelo treinador em 2015: “Um Burro com Sorte?”.

Sem outra competição para dividir esforços, o Santos vai tentar aumentar o aproveitamento de 60,3% e torcer por uma queda ainda mais acentuada do rendimento corintiano, hoje em 70,5%. Para tirar os oito pontos de vantagem e alcançar uma virada que seria histórica.

Contra si há o fato de não mais ter o confronto direto. Derrota em Itaquera, ainda com Dorival Júnior, vitória na Vila Belmiro no início de setembro. A favor, três trunfos que devem garantir ao menos o retorno ao principal torneio continental em 2018, diretamente na fase de grupos. Por mais incrível que possa parecer.

(Estatísticas: Footstats)


Fluminense sai da “zona morta’, vê Z-4 mais perto e terá que fazer escolhas
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André Rocha

Foto: Fluminense (Divulgação)

Desde o início do 2017, o Fluminense de Abel Braga vem recebendo um tratamento mais paciente e tolerante de torcida e imprensa. Muito por conta do carisma e da moral do treinador, ainda mais com a comoção pelo drama pessoal da morte trágica do filho João Pedro.

Também pela simpatia que desperta a vocação ofensiva do time de garotos, montado por conta dos problemas financeiros do clube. Chegou a ser o ataque mais positivo do país e, no Brasileiro, marcou 34 gols. Só é superado por Grêmio (41), Corinthians e Palmeiras (36).

Venceu a Taça Guanabara, perdeu o Carioca para o milionário Flamengo com arbitragem polêmica na final. Chegou a disputar a liderança do Brasileiro bem no início, depois caiu naturalmente. Segue, porém, com Henrique Dourado na artilharia, com 14 gols. Foi eliminado na Copa do Brasil pelo Grêmio no melhor momento deste na temporada. Continua vivo na Sul-Americana.

No meio do caminho perdeu Sornoza, destaque do time no estadual articulando as jogadas, e a estrela Gustavo Scarpa. Só agora tem os dois disponíveis simultaneamente. Elenco curto, com os problemas naturais do desgaste pela sequência de partidas. Mas a equipe flutuava numa zona intermediária. Vencia e se aproximava do G-6, depois era derrotado e caía para a segunda página da tabela. Mas nunca correndo maiores riscos de Z-4.

Até somar apenas cinco pontos em sete rodadas do returno. Três derrotas seguidas -Atlético-PR, Palmeiras e Grêmio – e última vitória sobre o Atlético Mineiro por 2 a 1, na 21ª. Só Coritiba e Sport, em queda livre, pontuaram menos.

Com 32 pontos, está em 15º, apenas um à frente do Avaí, 17º. Se a Ponte Preta, 18ª,  vencer o Flamengo no fechamento da rodada amanhã, segunda feira,no Moisés Lucarelli, a vantagem sobre o time de Campinas será apenas no saldo de gols. Nunca esteve tão próximo.

A jovem dupla de zaga com Reginaldo e Frazan que sofre sem proteção com a queda de rendimento de Orejuela fez Diego Cavalieri ressurgir na Arena do Grêmio com uma atuação que lembrou a melhor fase da carreira: Brasileiro de 2012, quando foi o único caso de goleiro do time campeão que também foi o mais acionado da competição.

Pelo menos que cinco grandes intervenções. Mas não conseguiu evitar o gol do jovem atacante Beto da Silva. O 36º sofrido, deixando o saldo negativo em dois gols. A oitava derrota do tricolor carioca no Brasileiro. Metade no returno.

Para piorar, Abel não tem sido feliz em suas decisões. No revés para o Palmeiras no Maracanã, o próprio comandante admitiu que devia ter poupado atletas depois da sofrida classificação para as quartas-de-final contra a LDU em Quito.

Em Porto Alegre, arriscou uma formação com Sornoza no meio, Wendell pela esquerda na linha de meias do 4-1-4-1. Sem uma referência de velocidade para os contragolpes que seriam necessários diante da equipe de Renato Gaúcho que, independentemente da formação, sempre adianta as linhas e propõe o jogo. Marcos Júnior só entrou na segunda etapa. Robinho ficou no banco. Difícil entender.

Assim como será complicado definir prioridade com um Fla-Flu definindo vaga na semifinal da Sul-Americana. Além da rivalidade, o objetivo do clube de enfim vencer um torneio continental vai pesar. E não há opções para dividir esforços. Será obrigatório escolher.

Se considerar o  mata-mata mais relevante pela chance de terminar o ano com vaga na Libertadores, pode sair da “zona morta” no Brasileiro e entrar no inferno do risco de rebaixamento. Para sair com um elenco jovem e com a confiança em baixa será ainda mais complicado.

O que fazer? Um dilema para Abel e seus pupilos na reta final de uma temporada que parecia tranquila e de transição.