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Em 1982, Vasco mudou meio time para ser campeão. Por que não o Corinthians?
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André Rocha

A derrota do Corinthians para a Ponte Preta foi daquelas de jogar a toalha. Time completo, semana para treinamentos buscando ajustes, adversário acessível…Pior que a derrota foi notar que não houve evolução. Técnica, tática ou anímica. Mesmo com o abafa no final que transformou o goleiro Aranha no herói da Ponte. O líder estacionou no desempenho e os resultados são apenas consequência. Ridículos 33% de aproveitamento no returno.

Como bem disse o nosso Júlio Gomes em seu blog aqui no UOL, O treinador Fabio Carille precisa de uma revolução. Mudar o desenho tático ou simplesmente trocar peças, ainda que o elenco não seja tão robusto e homogêneo. Incomodar o outrora titular absoluto, motivar o então reserva. Sair da pasmaceira e da maneira de jogar que os adversários aprenderam a mapear e anular.

Loucura? Pode ser. Arriscar um desastre logo em casa diante do Palmeiras, maior rival e grande candidato a tomar a liderança, mesmo com cinco pontos atrás? Talvez. Mas o momento sugere que não agir parece a pior escolha.

Se buscar na história do futebol brasileiro, o Corinthians vai encontrar um exemplo bem sucedido dessa transformação repentina e radical: o Vasco campeão carioca em 1982.

Foto: Arquivo O Globo

Antes que digam que não dá para comparar campeonato brasileiro com estadual vale a contextualização. Não era um carioca qualquer. Primeiro pelo valor que ele tinha naquela época para os clubes, com enorme rivalidade que fazia olhar até com certo desdém para competições nacionais e internacionais. Um tanto provinciano, mas os próprios personagens da época admitem esta visão.

Depois porque o Vasco sofria com cinco anos sem conquistas, acumulando vice-campeonatos para Fluminense e, principalmente, para o Flamengo em sua “Era de Ouro”. Para piorar, frustrações também no Brasileiro, com eliminação para o Guarani na semifinal de 1978 e derrota na decisão do ano seguinte para o Internacional.

Na própria edição de 1982 não houve comemoração de conquista de um turno. A Taça Guanabara ficou com o Flamengo e a Taça Rio com o América. O Vasco chegou ao triangular final pela melhor campanha geral.

No último jogo do returno, a inspiração para a mudança geral do treinador Antonio Lopes, hoje diretor de futebol do Botafogo. Vitória por 3 a 1 sobre o Flamengo com a equipe considerada reserva. Em campo, o goleiro Acácio no lugar de Mazaropi, Galvão na vaga de Rosemiro, Ivan substituindo Nei, Ernani no lugar de Geovani e Jerson na ponta-esquerda, só não substituindo Marquinho porque este atuou no meio-campo.

Lopes gostou do que viu e surpreendeu mantendo os cinco como titulares para a etapa decisiva. Meio time! A imprensa na época tratou o treinador como louco, com críticas pesadas e até piadas. Mazaropi e Rosemiro tinham história no clube e Geovani, 18 anos, era tratado como uma joia – seria craque e artilheiro do Mundial Sub-20 no ano seguinte com a seleção brasileira.

Com muita fibra e liderado por Roberto Dinamite, venceu o América por 1 a 0, gol de Ivan, um dos que se transformaram em titulares. Com grande atuação do goleiro Acácio, o mesmo que fechou a meta do Serrano dois anos antes na lendária vitória sobre o Flamengo por 1 a 0, gol do atacante Anapolina, que tirou a chance do rubro-negro de conquistar o inédito tetracampeonato da Era Maracanã.

Na decisão, time mantido. Contra o Flamengo de Zico. Com dez dos onze titulares que venceram o Liverpool no ano anterior por 3 a 0 e entraram para a história. Apenas Figueiredo na zaga no lugar de Mozer. Mas vivendo uma ressaca não só pelo revés de Leandro, Júnior e Zico na Copa do Mundo de 1982, mas principalmente pela eliminação recente na Libertadores para o Peñarol.

Na superação e na fibra, o Vasco cumpriu a melhor atuação no campeonato e venceu por 1 a 0. Curiosamente, o gol do título foi marcado por um dos titulares que foram parar no banco de reservas: Marquinho, pequenino que subiu entre Leandro, Figueiredo e Marinho, bem mais altos, para completar cobrança de escanteio de Pedrinho Gaúcho pela esquerda para explodir a massa vascaína no Maracanã com 113 mil pagantes.

O fim da sequência de insucessos. Acabou decretando também o fim do ciclo daquela formação do Flamengo que, remodelado e com Carlos Alberto Torres no lugar de Paulo César Carpegiani, conquistaria o Brasileiro de 1983. Graças às defesas de Acácio, à liderança de Dinamite, à entrega absoluta de Galvão, Ivan, Ernani e Jerson, que agarraram a oportunidade e deixaram tudo em campo. Acima de tudo, à coragem de Antonio Lopes para mudar tanto a base titular numa reta final de campeonato.

Por que não o Corinthians, 35 anos depois? Por que não pensar, por exemplo, em Leo Príncipe na vaga de Fagner que vai ladeira abaixo, perdendo até a vaga que parecia certa na seleção brasileira por conta da confiança de Tite? Ou Clayson e Pedrinho nas pontas, Camacho ou Fellipe Bastos na vaga do disperso Maycon. Vale testar com a certeza de que algo precisa ser feito. E rápido.

O Vasco de 1982 é um exemplo. Outro cenário, outra competição. Mas a mesma necessidade de se reinventar. Agora para voltar a vencer e não protagonizar um dos maiores vexames de sua história.


O campeão carioca deu as caras no Fla-Flu da Sul-Americana
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André Rocha

Não foi só apenas a coincidência da repetição do placar da primeira final do Carioca, também com gol de Everton. O Flamengo da partida de ida das quartas-de-final da Sul-Americana lembrou o campeão estadual.

E neste bolo é possível incluir também a semifinal contra o Botafogo na Copa do Brasil. Diante dos rivais locais em disputas de mata-mata o time rubro-negro apresenta a fibra e a concentração que faltaram em tantos outros momentos da temporada. A rivalidade mais uma vez é o que move o Fla, seja com Zé Ricardo ou Reinaldo Rueda.

Concentração defensiva com duas linhas de quatro compactas para conter o volume ofensivo tricolor e organização para atacar. Desta vez com a criatividade de Everton Ribeiro, que percebeu a infiltração de Willian Arão e serviu com precisão em tempo e espaço. Finalização do camisa cinco e, no rebote de Diego Cavalieri, o gol de Everton.

Construção da vitória no primeiro tempo de controle e eficiência, mesmo com a saída de Rever, lesionado, para a entrada de Rhodolfo. Seis finalizações, duas no alvo. O Fluminense terminou com 52% de posse, cinco conclusões, mas apenas uma na direção da meta de Diego Alves, com Henrique Dourado batendo cruzado. Foram 13 desarmes corretos rubro-negros contra oito do rival.

Reação do time de Abel no segundo tempo, com bola na trave de Marcos Júnior, grande defesa de Diego Alves em chute de Gustavo Scarpa e pressão depois das entradas de Wendell e Wellington Silva nas vagas de Orejuela e Marcos Júnior. 13 finalizações e 57% de posse. Mas encontrou um Fla atento, encerrando a partida com 24 desarmes corretos. Podia ter ampliado em cabeçada de Juan. Entrega de Diego, Everton Ribeiro, sacrifício de Lucas Paquetá, novamente o substituto de Paolo Guerrero. Mudança de espírito.

Vantagem mínima, porém considerável. Valeu na primeira decisão estadual para confirmar na volta – triunfo por 2 a 1. O Flu está vivo, mas a má notícia é que não terá pela frente o Flamengo apático e disperso de boa parte da temporada. Nos clássicos fica claro que o time é outro.  O campeão carioca que deu as caras na Sul-Americana.

(Estatísticas: Footstats)

 


Zé Ricardo é mais um que cai no conto do estadual, a ilusão do Flamengo
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André Rocha

No on e no off da entrevista que Zé Ricardo concedeu a este blog antes da estreia no Brasileiro (leia AQUI), ficou claro que o jovem treinador sentia mais confiança no próprio trabalho depois da conquista do Campeonato Carioca.

O papo foi entremeado por colocações como “agora posso arriscar mais” e “depois do título tenho mais respaldo”. A que mais chamou atenção, porém, foi a de que dormiu mal durante as semanas que antecederam os clássicos contra o Fluminense e “ainda tinha o jogo contra a Universidad Católica”.

Hoje, com a distância do olhar, é impossível, guardando todas as proporções, não lembrar da despedida de Joel Santana em 2008. Um jogo eliminatório de oitavas de final da Libertadores tratado como um amistoso festivo pela conquista do estadual e de lamento pela saída do treinador que iria para a África do Sul. O América do México e Cabañas tornaram aquela noite de triste memória para os flamenguistas.

De novo a prioridade, ainda que intuitiva, que o Flamengo dá ao Carioca. Um torneio irrelevante na análise da temporada que no calor da disputa ganha importância desmedida. Talvez pela rivalidade criada na cidade, que naturalmente é mais forte de Vasco, Botafogo e Fluminense contra o rubro-negro. Ou por encarar como uma chance de título mais palpável e imediata, ainda mais agora com a Libertadores sendo decidida apenas no final do ano. Ou simplesmente algo cultural.

Zé Ricardo se sentiu aliviado pelo primeiro título da carreira. Mas exatamente uma semana depois da entrevista viria o golpe mais duro e inesperado: a derrota para o San Lorenzo em Buenos Aires combinada com a vitória do Atlético Paranaense no Chile sobre a Universidad Católica que decretou a eliminação da Libertadores ainda na fase de grupos.

Algo que não passava pela cabeça do técnico porque considerava que seus atletas também haviam tirado um peso das costas com o título. Já fazia planos com Conca, talvez Everton Ribeiro. Voos mais altos. Tudo desabou naquela noite no Nuevo Gasometro. Para não voltar mais.

Campanha decepcionante no primeiro turno do Brasileiro, duas classificações suadas e cercadas de críticas pelo desempenho contra Atlético-GO e Santos na Copa do Brasil e o consolo da Sul-Americana apenas começando contra o Palestino, algoz no ano passado. A única surpresa desagradável de um 2016 em que Zé Ricardo surgiu como uma boa nova na Gávea, sucedendo Muricy Ramalho e organizando uma equipe que parecia perdida.

Assim como agora dá a impressão de estar sem rumo. Contratações importantes no meio da temporada, sem tempo para treinar e ganhar entrosamento. Também não podem colaborar na Copa do Brasil, competição em tese com mais chances de título por já estar na fase semifinal. Não estão inscritos. Chegaram tarde.

A conclusão a que se pode chegar é que, sem perceber, o Flamengo se prepara mesmo é para a disputa do estadual. Porque é na pré-temporada que as contratações do segundo semestre do ano anterior têm tempo para se preparar. E na fase decisiva o clube se mobiliza tratando todo resto como secundário.

O trabalho de Zé Ricardo pereceu nesta ilusão. Assim como Ney Franco há dez anos. Campeão carioca, eliminado pelo Defensor nas oitavas do torneio sul-americano e depois perdendo o emprego por uma sequência ruim no Brasileiro. Para Joel voltar, construir uma fantástica arrancada que terminou com a improvável vaga na Libertadores. Até a noite de Cabañas.

Os nomes aventados para a sucessão não empolgam: Jorginho, Paulo César Carpegiani..ou tentar demover Roger Machado da decisão de não mais trabalhar no Brasil em 2017. Arriscar um treinador estrangeiro como Reinaldo Rueda, atual campeão da Libertadores com o Atlético Nacional. Ou mesmo efetivar novamente Jayme de Almeida na esperança de repetir 2013 na Copa do Brasil.

De qualquer forma, a trajetória de Zé Ricardo não tinha mais como prosseguir. Não por pressão de torcida ou apenas pelos resultados. Mas por não entregar o básico em qualquer avaliação de um profissional: margem de evolução. Perdeu conteúdo e confiança. Sem chance de recuperação.

Porque em maio foi mais um treinador do Fla a cair no conto do estadual. Um engano que trava o clube na busca de protagonismo no cenário nacional e sul-americano.


Há 40 anos, a paciência foi de ouro para o Flamengo. Vale o mesmo agora
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André Rocha

Foto: Acervo O Globo

Em 1977, o estadual tinha o mesmo peso, ou até maior, que o campeonato brasileiro na temporada. O Flamengo tinha nova diretoria, com Márcio Braga em seu primeiro mandato no clube. Liderando a FAF – Frente Ampla pelo Flamengo. Na época vista por muitos rubro-negros como pessoas que entendiam muito de Direito, Televisão e Marketing, mas nada de futebol.

Contava também com uma geração promissora e um jovem treinador: Claudio Coutinho, em sua primeira experiência no comando de um time profissional. Mas que não conseguia um título desde o Carioca de 1974. Na final da Taça Guanabara de 1976, derrota nos pênaltis. Com Zico desperdiçando sua cobrança.

Bicampeonato da máquina do Fluminense armada por Francisco Horta. No ano seguinte, nova derrota na disputa das penalidades. No segundo turno. Como o Vasco vencera também o primeiro, ficou com o título. Desta vez, o vilão foi Tita, então um garoto com potencial que entrara exatamente para participar da disputa de pênaltis.

Depois da partida, o grupo se encontrou em um bar para demonstrar união, apoiar Tita e firmar um pacto de vitórias. Os conselheiros que tomaram conhecimento da reunião criticaram os jogadores, como se eles fossem indiferentes ao sofrimento da torcida, que pressionou por mudanças.

Agora é simples imaginar que era mais fácil apoiar aqueles jogadores talentosos. Na época, só Zico e alguns poucos foram poupados. Talvez hoje fossem lançados à fogueira como “amarelões”, “pipoqueiros” ou “time sem vergonha”. E lembre-se: o clube na época não tinha sequer um título nacional, mesmo antes de 1971.

A diretoria manteve elenco e treinador, avaliou o trabalho como bom e que era questão de tempo, tranquilidade para trabalhar e reforços pontuais para que os resultados aparecessem. O resto está na história como a fase mais vencedora e marcante do time mais popular do país.

Corte para 2017. Não há um Zico vestindo a camisa dez. Nem uma geração vinda da base tão talentosa. Mas está lá uma diretoria que revolucionou o clube, saneando finanças e mudando a imagem de mau pagador. Que pecou por decisões no futebol, algumas intempestivas, seguindo os humores da torcida.

Massa que hoje tem vários canais para se manifestar. Mas continua resultadista, imediatista, instável. Com três vitórias seguidas é o melhor time da galáxia; em caso de derrota, todos devem ser demitidos, do presidente ao funcionário mais humilde. Os surtos foram para as redes sociais. Do “cheirinho” ao “Fora todo mundo!”

A eliminação na Libertadores instaurou um clima de caos, logo depois da conquista estadual que criou uma ilusão de “melhor elenco do Brasil”, favoritíssimo a todos os títulos. A confiança se dissolveu e jogadores marcados, como Muralha, Rafael Vaz e Márcio Araújo passaram a errar demais.

O time segue organizado, mas não tem coragem para arriscar. Pior, joga com medo. De errar, de ser perseguido por uma turba insana. Isso tudo com desfalques, os últimos Trauco e Guerrero, a serviço da seleção peruana. Não há relativização de mais nada.

A derrota para o Sport com má atuação foi tratada como o fim dos tempos. A diferença em relação a do ano passado, na abertura do returno, foi um gol a mais do time pernambucano. Talvez com desempenho abaixo daquela vez. Mas o time disputava a liderança, então foi logo esquecida.

Agora há Donatti para voltar, Conca e Everton Ribeiro e Rhodolfo para estrear e ainda a possibilidade de contratar Geuvânio. Rafael Vaz foi barrado, agora Muralha perdeu a vaga para Thiago. Sobra Márcio Araújo, que segue jogando para compensar com velocidade as suas próprias limitações e a lentidão dos zagueiros e dos concorrentes na função.

Contra o Avaí, novamente faltou confiança. Mas mesmo na casa do adversário a equipe teve mais posse de bola (55%) e as mesmas dez finalizações do adversário na Ressacada. Uma a mais no alvo. Novamente sofreu um gol por falhas individuais – Leandro Damião que perdeu a bola, Juan que errou na tática de impedimento e deu condições a Romulo para abrir o placa.

Podia ter saído derrotado por conta do pênalti absurdo de Everton em Diego Tavares que a arbitragem confirmou, depois voltou atrás – mais um caso de acerto que deixou a nítida impressão de ter sido influenciado por uma interferência externa, de quem viu a imagem e notou que não houve a infração. Novo erro em uma regra que já devia ter sido alterada para minimizar os equívocos.

O Flamengo teve chances com Mancuello e Vinicius Júnior para ir às redes. Empatou com um golaço de bicicleta do mesmo Damião, que deixou a equipe em um dilema: se habituou, na ausência de Diego, a trabalhar ofensivamente a partir do pivô de Guerrero. Agora teve a volta do meia, que já mostrou mais desenvoltura, mas Damião tem dificuldades para dar sequência às jogadas. É atacante do último toque.

Zé Ricardo foi infeliz na troca de Vinicius Júnior, irregular entrando de início, por Filipe Vizeu. A equipe perdeu o lado direito, com e sem a bola. Tentou corrigir no final com Ederson na vaga de Damião. Mas teve a chance de uma vitória fora de casa. Com uma sequência que está por vir no Rio de Janeiro e um elenco mais encorpado em breve.

Ou seja, há lastro de evolução. O Flamengo de Zé Ricardo continua sendo uma equipe que perde pouco. Precisa de mais criatividade e efetividade na frente e segurança atrás. Questão de ajuste, algum tempo para treinar – inviável em junho, com rodadas de três em três dias – e peças mais qualificadas.

Acima de tudo, uma questão de paciência. Sem se deixar seduzir pela solução mais fácil: o “fato novo” que sempre é demitir o treinador. Às vezes funciona, como em 2007 na troca de Ney Franco por Joel Santana. Da zona de rebaixamento à vaga na Libertadores. Na maioria das vezes, porém, é uma solução de curtíssimo prazo. Dura o tempo da “chacoalhada” no elenco.

É a chance de fazer diferente. Não com conformismo, mas cobrando no tom certo. Sem apocalipse ou megalomania. Avaliando o trabalho e acertando internamente. Sem alarde, nem populismo. Há quatro décadas, a paciência foi de ouro para o Flamengo. Vale o mesmo agora.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Eles não podem errar! A dura transição do mercado de treinadores no Brasil
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André Rocha

Quando Zé Ricardo chamou Matheus Sávio para dar instruções enquanto a torcida do Flamengo no Serra Dourada pedia a entrada da joia Vinícius Júnior, o treinador sabia que corria riscos por suas convicções.

Afinal, se o time fosse eliminado da Copa do Brasil, independentemente do rendimento do jovem atacante, que entrou muito mal contra o San Lorenzo na traumática derrota na Libertadores, as chances de ser demitido cresceriam exponencialmente.

Mas Sávio, assim como contra o Atlético Mineiro no Maracanã, na estreia do Campeonato Brasileiro, colocou um cruzamento no fundo das redes do goleiro Felipe do Atlético-GO. O choro copioso do jogador foi sintomático. É muita pressão para quem ainda está no início de sua trajetória entre os profissionais.

O mesmo vale para os treinadores. No país do futebol de resultados, o comandante passa de “boa novidade” e “atualizado” para “estagiário” e “rolando lero” a cada semana. Mesmo que a sua equipe esteja organizada e o placar adverso tenha vindo por uma infelicidade na defesa ou chances perdidas na frente.

Ou até se eles se equivocarem, algo absolutamente natural. No mais imprevisível e caótico dos esportes, o que foi treinado baseado em observação e análise pode dar errado por uma noite ruim do atleta e aquela mudança aleatória, mais por conta da intuição, pode terminar em vitória. Para quem tem bagagem já é um desafio, imagine para novatos.

Eles simplesmente não podem errar. Seja Zé Ricardo, Roger Machado, Eduardo Baptista…Mesmo Jair Ventura, com enorme crédito no Botafogo, quando tentou mudar a maneira de jogar contra o Barcelona de Guayaquil no Estádio Nilton Santos e saiu derrotado as críticas vieram pesadas.

A transição no mercado de treinadores é dura. Depois dos 7 a 1 que mandaram Luiz Felipe Scolari para a China e da queda em desempenho e resultados de grifes como Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e até Marcelo Oliveira, apesar dos títulos com Cruzeiro e Palmeiras, um buraco foi aberto para uma leva de profissionais com conceitos atualizados, vendo e pensando o futebol como é jogado nos grandes centros.

Um jogo mais coletivo e que trabalha com informações e gestão na comissão técnica. Menos com carisma e discursos motivacionais. Quando o resultado acontece, tudo isso é louvado. Se não, bate a saudade dos velhos nomes e de fórmulas antigas. Como se o que deu certo na década passada necessariamente dará em 2017.

O cenário é complexo. Dá para contar nos dedos de uma das mãos os treinadores do país que conseguem unir vivência como ex-jogador, conteúdo atual, sensibilidade na gestão de grupo e da comissão técnica. Ou seja, no auge da carreira. O melhor deles está na CBF.

Por conta de todas as dificuldades citadas, as experiências com estrangeiros não foram felizes – vide Diego Aguirre, Ricardo Gareca, Edgardo Bauza, Juan Carlos Osorio, entre outros. Quando estão começando a aprender o idioma para se comunicar já estão passando no RH e voltando para casa.

Simplesmente não há paciência, porque falta convicção para acreditar num projeto de longo prazo. Roger Machado e Zé Ricardo acharam que teriam um pouco mais de paz e respaldo para trabalhar por conta de conquistas nos estaduais. Mas basta uma sequência de resultados ruins e tudo é esquecido.

Ainda mais em clubes dos quais se espera muito. Pela capacidade de investimento e ilusão alimentada por departamentos de marketing e também por nós da imprensa, o torcedor passa a crer que seu time de coração conta com um elenco estelar e que basta o treinador distribuir certo as camisas e não atrapalhar para tudo acontecer.

Não é assim que funciona. Estar atualizado nas ideias e métodos ajuda a não ser surpreendido, a minimizar a aleatoriedade do jogo. Mas não garante nada. Muito menos onde não se valoriza filosofia e identidade, só o placar final e a conquista que vão gerar memes e zoações. Até tudo ser esquecido no próximo jogo.

Por ora, Dorival Júnior é o sobrevivente na Série A, comandando o Santos desde julho de 2015. Já Ney Franco foi demitido do Sport depois de perder a Copa do Nordeste para o Bahia com menos de dois meses de trabalho. Treinadores com rodagem de mais de uma década. Paulo Autuori, com mais de quarenta anos à beira do campo, cansou. “A rotina consome”, explicou. Vai ser gestor no Atlético-PR e abre espaço para Eduardo Baptista.

Paciência não significa ser permissivo e deixar de cobrar o desempenho que chega ao resultado. Os profissionais são bem remunerados para isso. O ponto nevrálgico é o imediatismo, a incapacidade de observar um lastro de evolução, vislumbrar um futuro melhor. Tudo ainda se resume à tentativa e erro. Até acertar. Para ontem.

Enquanto isso, segue a roda vida, a máquina de moer técnicos. Zé Ricardo escapou no gol de Matheus Sávio. Quem será o próximo?


Carille, Zé Ricardo, Roger, Beto Campos: o legado de Tite nos estaduais
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André Rocha

Objetivamente, nenhum dos quatro treinadores que conquistaram os títulos estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul utilizou o 4-1-4-1 que virou o desenho tático “de cabeceira” de Tite no Corinthians campeão brasileiro de 2015 e agora na seleção brasileira.

Mas as ideias de Adenor Leonardo Bacchi estão lá. As mais marcantes: última linha de defesa posicional no Corinthians de Fabio Carille, ex-auxiliar de Tite. O jogo apoiado, baseado em triangulações pelos lados do campo, mesmo sem tantas incursões por dentro dos ponteiros, no Flamengo de Zé Ricardo, outro que sempre cita o técnico 100% com a seleção brasileira como inspiração.

No Atlético Mineiro de Roger, a capacidade de se adaptar às circunstâncias, propondo ou sendo mais reativo, encaixando um terceiro volante para liberar Elias e tentando dar pausas ao “Galo Doido”. Por fim, um Beto Campos no supreendente Novo Hamburgo que sempre cita o técnico da seleção como referência e faz sua equipe se defender bem, mas também não abdicar do jogo.

Nos quatro discursos, sempre a palavra “mágica”: desempenho. E outra quase tão importante: concentração. Entrar focado nos movimentos coletivos para o time não se espaçar. Força mental para se adequar às dificuldades e ao contexto dos jogos. Ter sempre um norte: jogar bem sempre será o melhor caminho para conseguir vitórias e títulos.

Com méritos, sem atalhos ou subterfúgios, jogando ao natural. Equilibrando ataque e defesa. Entregando mais que só o resultado. Falando do jogo em si, transmitindo conceitos, abertos ao novo. Cada um à sua maneira.

É inspirador ver os pilares de Tite se espalhando entre os treinadores no futebol brasileiro. Nos quatro principais estaduais, o legado do melhor do país terminou em taças.


No primeiro ato, vitória da concentração defensiva absoluta do Flamengo
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André Rocha

Os 3 a 3 da final da Taça Guanabara, com derrota nos pênaltis, deixou claro para o Flamengo que enfrentar o jovem Fluminense de Abel Braga, time de intensidade, volume de jogo e ímpeto ofensivo, exigiria concentração absoluta no trabalho defensivo.

O resultado prático no Maracanã foi o Fla de Zé Ricardo novamente no 4-1-4-1, desta vez com Berrío pela direita na vaga de Gabriel. Depois Rômulo sairia com lesão no joelho para a entrada de Mancuello que, por características e limitações físicas, por vezes ficava mais adiantado, com a equipe voltando ao 4-2-3-1.

Primeiro tempo de controle da posse e postura ofensiva, com Willian Arão atento à saída de bola do jovem Wendel, bloqueando as descidas de Lucas, que se manda sem posição física e deixa o volante Orejuela guardando sua posição. Muita atenção no cerco aos pontas Richarlison e  Wellington Silva e Márcio Araújo ágil no auxílio aos zagueiros e ligado nos movimentos de Sornoza.

Ofensivamente, jogo pelos flancos, com os pontas Berrío e Everton buscando as diagonais e Mancuello e Arão se aproximando de Guerrero. Passes simples, jogadores próximos e encontrando soluções diante da pressão dos adversários sobre o oponente com a bola. Aproveitando nos primeiros 45 minutos o nítido nervosismo dos garotos tricolores em uma final.

Nas jogadas aéreas, forte do Flu nos jogos mais duros, atuações esplêndidas de Réver, Rafael Vaz e Guerrero, o mais sacrificado na execução do modelo de jogo sem Diego. Precisando recuar para ser o armador, fazer o pivô, disputar com os zagueiros adversários nas ligações diretas e ainda acelerar os contragolpes, especialmente na segunda etapa.

Porque o Flamengo que sofre para ir às redes ganhou de presente no primeiro tempo a furada grotesca de Renato Chaves que Everton não desperdiçou. Gol único de uma vitória construída por um trabalho coletivo que é mérito do quase sempre contestado Zé Ricardo. Equipe que soube sofrer, mas criou  alguns contragolpes que Leandro Damião e Matheus Sávio, substitutos de Guerrero e Berrío, não aproveitaram.

É evidente que a final está aberta, até pelo jogo decisivo do Flamengo na quarta-feira pela Libertadores contra a Universidad Católica. Porque a concentração defensiva terá peso ainda maior. No primeiro ato de noventa minutos da final carioca foi a diferença.


“Três volantes”, “retranca”? Vitória do Flamengo chuta longe os clichês
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André Rocha

O 4-1-4-1 montado por Zé Ricardo sem Diego: Márcio Araújo na proteção da defesa e força pelas laterais com triangulações. Mais efetivo pela esquerda, atacando o lado fragilizado do Botafogo no habitual 4-3-1-2 que se desmembra em duas linhas de quatro sem a bola (Tactical Pad).

A semana inteira de preparação do Flamengo foi de expectativa para a solução que Zé Ricardo encontraria para repor o lesionado Diego. Ao sinalizar a entrada de Rômulo, surgiu a velha confusão de conceitos. Misturando função e posição.

“Três volantes”, “Flamengo vai jogar pelo empate”, “técnico retranqueiro”. Foi o debate que se viu e ouviu sobre o time rubro-negro antes da bola rolar. Até pela vantagem de empate na semifinal do Carioca por conta da melhor campanha.

No Maracanã molhado pela chuva, o que se viu foi o time “cauteloso” propondo o jogo. No 4-1-4-1, desenho tático “de cabeceira” de Zé Ricardo, desmanchado pela presença de Diego, típico meia central de um 4-2-3-1.

Trabalhando a bola, adiantando as linhas e apertando a marcação no campo adversário. Se não tinha o meia criativo, fazia as jogadas pelos flancos com triangulações. À direita, Pará, Arão e Gabriel; pela esquerda, Trauco, Romulo e Everton.

Guerrero voltava para fazer o pivô e distribuir as jogadas. Complicando um Botafogo que nitidamente buscou dosar energias no primeiro tempo para compensar o desgaste da viagem ao Equador e apenas um dia de treinamento para o clássico.

Só que tinha problemas além do cansaço, em função dos desfalques. Especialmente no meio-campo: Aírton, ainda lesionado, e Bruno Silva, suspenso pela estúpida expulsão depois do apito final da inútil decisão da Taça Rio. Fora Montillo.

Na lateral direita, mais uma improvisação: o volante Fernandes, que se juntava a João Paulo, o volante-meia do 4-3-1-2 armado por Jair Ventura que abria à direita para formar a linha de quatro no meio. Deixando Rodrigo Pimpão pela esquerda. Pelo contexto, parecia mais razoável inverter seu melhor ponteiro e atacar o setor mais forte do Fla, o esquerdo.

Acabou defendendo mal e o Flamengo teve o controle do jogo. Nem tanto nos números do primeiro tempo – 51% de posse e as mesmas cinco finalizações do rival, três a zero no alvo. Mas principalmente por sempre parecer mais próximo do gol.

Mas bolas nas redes só na segunda etapa. Com Guerrero, chegando aos nove no Carioca. Participando da construção pela esquerda e aparecendo para completar o corte errado de Victor Luís e abrir o placar. Depois a cobrança de pênalti segura e forte no meio do gol com o campo molhado.

A chance mais cristalina para o peruano acabou sendo desperdiçada em jogada de Pará para Berrío, substituto de Romulo, e passe para o chute fraco de Guerrero. De novo faltou ao Flamengo em um jogo grande a contundência no ataque para construir a vitória com mais autoridade.

O pênalti tolo de Rever sofrido e bem cobrado por Sassá, que entrara na vaga de Roger, transferiu uma emoção ao final do jogo, com o Botafogo, mesmo exausto, se lançando ao ataque, que não reflete o que foi a semifinal.

Posse de bola praticamente dividida, Flamengo finalizando 13 vezes, uma a mais que o Bota. Seis, porém, na direção da meta de Gatito Fernández contra apenas duas do alvinegro. O time de Zé Ricardo não foi brilhante, mas também não era com Diego em campo na maioria dos jogos. Em nenhum momento, porém, jogou fechado, especulando, dando a bola ao rival.

Com três volantes de ofício, mas na prática apenas um: Márcio Araújo, que cumpriu boa atuação. A tendência é manter o desenho tático e a proposta para a decisão. Um Fla-Flu que não valia o título regional desde 1995. Numa final em dois jogos como agora, desde 1991.

Pelo desempenho na temporada, o tricolor parece mais forte. E o Flamengo ainda tem um jogo decisivo contra o Atlético-PR na quarta, antes da primeira decisão. Favorito ou não, é improvável que o time de Zé Ricardo se acovarde no clássico. Com ou sem volantes, chutando pra longe os clichês.

(Estatísticas: Footstats)


Fluminense mostra com se administra uma vantagem de empate: atacando!
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André Rocha

Abel Braga avisou na coletiva depois da vitória sobre o Goiás pela Copa do Brasil que o seu time não abriria mão de suas características. Natural para quem marcara 51 vezesem 23 partidas antes da semifinal estadual – o ataque mais efetivo do país em 2017.

Mesmo com vantagem do empate pela melhor campanha no Carioca. Apesar do desgaste no meio da semana, enquanto o rival focaria na única competição em que ainda estava envolvido no primeiro semestre.

O Fluminense partiu para o ataque no Maracanã. No 4-3-3 habitual, com toque fácil no meio-campo que ganhou dinamismo com o jovem Wendel se juntando aos equatorianos Sornoza e Orejuela. Mas desequilibra os rivais acelerando pelos flancos com os laterais Lucas e Léo apoiando os ponteiros. Desta vez com Richarlison pela direita e Wellington Silva à esquerda.

A postura ofensiva complicou o Vasco que novamente se posicionou atrás com duas linhas de quatro para deixar Nenê e Luís Fabiano sem funções de marcação. Só que os ponteiros Yago Pikachu e Guilherme Costa, a novidade na vaga de Andrezinho, precisavam voltar muito na recomposição e ainda tinham que ser as referências de velocidade para os contragolpes.

Não funcionou. Melhorou quando a equipe cruzmaltina passou a fazer um jogo mais direto, investindo em ligações diretas e bolas paradas. Assim criou as três melhores chances da primeira etapa, com Gilberto, Nenê e Luís Fabiano.

Escancarando o efeito colateral da vocação ofensiva do Flu: a exposição da última linha da retaguarda, que sofre no combate direto aos atacantes. Também porque tem volume, mas controla pouco o jogo. Terminou o primeiro tempo com 57% de posse, porém muito mais pela iniciativa e a ideia de propor o jogo. Mas sempre com pé no acelerador.

Intensidade fundamental para resolver o jogo na segunda etapa. Assim como na vitória sobre o Goiás, a jogada aérea foi fundamental. No primeiro gol, de Richarlison, que encaminhou a vitória. Ainda mais seguido da expulsão do mais que promissor Douglas Luiz, 18 anos. Envolvido pelo meio do Flu, perdeu a cabeça com sequência de dribles abusados de Wellington.

O árbitro Rodrigo Nunes de Sá exagerou na expulsão, podia ter mostrado o amarelo. Até porque minutos depois Nenê entrou de forma ainda mais truculenta no ponta do Flu e não levou o vermelho.

Mas o Flu nem precisou da vantagem de mais um homem em campo. A disputa se resolveu com o golaço de letra de Wellington, em rara incursão pela direita, após linda jogada de Lucas.

O gol de cabeça de Léo em novo cruzamento na bola parada foi o golpe final no Vasco que mostrou a fragilidade do seu elenco ao buscar a reação com Manga Escobar, mais um ponta que é veloz, mas tem enormes dificuldades nos fundamentos. Ou seja, produz quase nada de útil.

Pior ainda é testemunhar a forma física de Thalles. Chocante ver um atacante promissor tão acima do peso a ponto de ser percebido no visual, de longe.

Ao Vasco resta o Brasileiro. Hoje é difícil vislumbrar aspiração maior que a manutenção na Série A do Brasileiro. Os jogos contra um Fluminense rápido e envolvente deixaram bem nítidas as limitações para uma disputa em alto nível.

O time de Abel é o favorito, pelo desempenho, ao título carioca. Também pela dedicação de Flamengo e Botafogo à Libertadores. Na semifinal, deu uma aula de como administrar uma vantagem de empate: nem pensando nela. Finalizando 16 vezes contra nove do Vasco.

Atacando e impondo seu estilo, sem apego ao resultado. Que sirva de exemplo.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vasco cumpre metade da rota para o tri. Não jogar pode ser uma vantagem
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André Rocha

Você leu AQUI que o fato de não estar envolvido em outras competições, embora não fosse o cenário desejado pelo clube, poderia ser um trunfo para o Vasco na reta final do Carioca.

Competição que o clube valoriza na gestão Eurico Miranda, que puxou o tradicional grito de “Casaca!” até na classificação com empate sem gols contra o Flamengo na semifinal do returno. Rubro-negro que jogaria na quarta-feira contra o Atlético Paranaense pela Libertadores.

No Engenhão, a conquista da Taça Rio com a vitória no Engenhão sobre um Botafogo repleto de reservas comandado por um Jair Ventura que voltou da Colômbia para comandar o time e depois partir rumo ao Equador para a sequência do torneio continental, prioridade desde o início da temporada.

Faz diferença o foco total em uma competição. Ainda que seja a menos relevante na hora da avaliação ao fim da temporada. O Vasco de Milton Mendes vai ganhando corpo, com melhor coordenação no trabalho defensivo, aproximando duas linhas de quatro e dando liberdade para Nenê criar e acionar Luis Fabiano. Ou seja, faz o simples.

A cereja do bolo até aqui é o futebol do jovem Douglas Luiz. 18 anos, meio-campista que joga de área a área, autor do primeiro gol. Mesmo não finalizando tão bem, algo para aprimorar no trabalho diário. Ajuda Jean na proteção da defesa, desafoga Nenê e os ponteiros na criação.

Outra promessa da base que pode ser mais aproveitada é Guilherme Costa. Entrou, adicionou habilidade e criação onde Pikachu e Andrezinho pouco acrescentaram. Ainda provocou a expulsão de Marcelo Conceição que ajudou a construir o triunfo consolidado com o primeiro gol de Luis Fabiano com a camisa cruzmaltina, completando passe de Manga Escobar.

A conquista, embora nada signifique em termos esportivos, ajuda financeiramente e transfere confiança para a equipe remodelada pelo novo técnico. Na semifinal que vale, contra o Fluminense, mesmo com o rival levando a vantagem do empate, o Vasco chega mais forte que no final da fase de grupos.

Também porque o tricolor é mais um adversário envolvido em outra competição durante a semana. Pega o Goiás no Maracanã pela Copa do Brasil precisando vencer. Mesmo sem viagem, há a logística, o desgaste, foco no clássico só a partir da quinta-feira, possibilidade de desfalque por lesão. Enquanto o time de Milton Mendes concentra esforços, não dispersa.

O Vasco não é o favorito ao título regional. Nem é absurdo ser considerado, pelo desempenho, a quarta força carioca. Precisa de ajustes e reforços para o Brasileiro. Certamente sua torcida adoraria estar disputando ao menos Sul-Americana e Copa do Brasil.

No Carioca, porém, o contexto favorece. A primeira metade da rota do tri foi cumprida, ganhando taça e moral. Por incrível que pareça, no futebol atual cada vez mais intenso e que exige tanto de corpo e mente, não jogar pode ser uma vantagem.