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Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Gestão Bandeira de Mello confunde continuidade com continuísmo no Flamengo
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André Rocha

A pífia atuação do Flamengo no empate sem gols contra o Independiente Santa Fé em Bogotá pela Libertadores, com a equipe exagerando na cautela e satisfeita com o resultado que pouco acrescentou na campanha da fase de grupos, subiu ainda mais o tom de indignação dos torcedores contra jogadores e dirigentes, especialmente o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o meia Diego Ribas.

Junte a isto a polêmica na reunião do Conselho Deliberativo para aprovar as contas de 2017, suspensa depois da discussão sobre a premiação de mais de dez milhões de reais – 7,7 para jogadores, 2,5 para comissão técnica e 800 mil para o ex- diretor executivo Rodrigo Caetano – em um ano de título estadual, vices da Copa do Brasil e Sul-Americana e sexta colocação no Brasileiro e temos um barril de pólvora.

É óbvio que o ano de eleição torna o ambiente político quase insuportável na Gávea e se o pagamento estava previsto dentro de um plano de metas ele tem mesmo que ser cumprido e o clube valorizar a possibilidade de honrar seus compromissos, algo inviável há menos de dez anos.

Mas todo esta crise é consequência do grande equívoco da gestão Bandeira de Mello na condução do futebol do time de maior torcida do país: confundir continuidade com continuísmo.

Quando há ideias dentro e fora de campo com planejamento e que geram desempenho vale a insistência até que comecem a resultar em troféus. Como no próprio Flamengo há quatro décadas, perdendo títulos seguidos para Fluminense e Vasco de 1975 a 1977, mas ganhando maturidade para em seguida alcançar as maiores conquistas da história da agremiação.

Agora há um time que é criticado por sua apatia e pouca entrega, mas que na maioria dos reveses se ressentiu mesmo da falta de rendimento. Porque as características dos jogadores não combinam com a proposta de jogar no ataque e se impor. Zagueiros lentos, laterais que oferecem poucas soluções além dos cruzamentos a esmo, meio-campistas sem o passe decisivo e um ataque que precisa de muitas oportunidades para ir às redes.

Não há plano de jogo que funcione. Com Zé Ricardo, Rueda, Carpegiani ou o novato Maurício Barbieri.  Sem triangulações, ultrapassagens, fluência. Só bolas levantadas na área e lampejos dos mais talentosos. Simplesmente não funciona.

E não há mudanças profundas, porque na visão do presidente basta insistir para dar certo. O “vamos levando” que se transformou na grande marca de sua administração que é histórica pelo saneamento das finanças, algo que não é mérito apenas de Bandeira de Mello, mas vai chegando ao fim do segundo mandato com o rótulo do insucesso no carro-chefe do clube.

A manutenção de Barbieri é a prova de que o crédito de um elenco caro e que entrega pouco em campo parece infinito. Os jogadores querem, os dirigentes atendem. O ápice dessa estranha relação foi o pedido de Bandeira para que os atletas o ajudassem depois da eliminação do Carioca. Sem cobranças, apenas afagos e súplicas.

A direção do futebol age como o pai que começa a ganhar dinheiro e cobre os filhos de mimos, deixando de ensinar o valor do esforço. Só que a maioria dos que lá estão não viveram os tempos difíceis para ganhar tantas recompensas.

O que é mais preocupante em toda essa crise é um pensamento crescente de que o futebol só funciona em meio ao caos financeiro e com jogadores “bandidos”. Este que escreve prefere não ficar recorrendo ao passado para comparar com a situação atual, mas neste caso é preciso: Zico era “bandido”? Em 1981 o salário atrasava? Definitivamente todo este cenário complexo não pode ser resumido à “falta de raça”.

É claro que, na prática, tudo seria diferente, por exemplo, com a conquista da Copa do Brasil. No país do futebol de resultados não se avalia qualidade de trabalho. E obviamente este blogueiro não defende que profissionais não tenham as melhores condições para exercer seus ofícios apenas porque não venceram. Muito menos que sejam agredidos, como quase aconteceu no embarque da delegação para Fortaleza.

Mas o momento exige ruptura que vai além das demissões após a eliminação no Carioca. Direção do futebol com independência e treinador com autonomia para mudar peças e o modelo de jogo. Ou seja, sair da inércia. Com a gestão Bandeira de Mello parece uma missão quase impossível. Porque há apego ao fracasso.

 


Corinthians, Botafogo e Cruzeiro: títulos serão ilusão ou redenção?
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André Rocha

Não adianta em abril ou maio lembrar ao torcedor que no final do ano é bem provável, a menos que aconteça algo épico, que ninguém lembre do título estadual. Porque o prazer de vencer o rival numa final ainda badalada em termos midiáticos e levar uma taça para casa inebria, entorpece.

Não funciona falar em excesso de jogos, poder das federações, enfraquecimento do próprio time de coração. O triunfo e a chance de tripudiar do colega de trabalho, do vizinho ou de qualquer um que vista as cores do rival valem mais do que qualquer análise racional. Logo passa, porque começa o Brasileiro emendando com Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana. Calendário inchado é isso.

Mas desta vez, por coincidência, as conquistas estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram algo em comum: premiaram times contestados pelas próprias torcidas e que acabaram beneficiados pelos contextos das decisões para se superar.

O Corinthians entra no caso citado no primeiro parágrafo. Vencer no tempo normal e nos pênaltis dentro da casa do milionário Palmeiras, que contava com torcida única e vantagem do empate, é um feito histórico e certamente será lembrado pelo corintiano no fim do ano, a menos que alguma tragédia aconteça até lá.

Mas o desempenho segue preocupante. O time de Fabio Carille se classificou contra o São Paulo também na disputa de pênaltis depois de achar um gol de Rodriguinho em um escanteio nos acréscimos. A decisão foi muito mais brigada que jogada e o Palmeiras se perdeu emocionalmente pela cobrança gigantesca por títulos que façam valer o altíssimo investimento para a realidade brasileira.

Valeu a cultura da vitória construída pelos muitos títulos na década. De novo no gol de Rodriguinho, desta vez no primeiro minuto do clássico. A confusão pelo pênalti que não existiu de Ralf sobre Dudu, mas foi marcado e depois invalidado pela interferência do quarto árbitro, só aumentou o caos emocional dos palmeirenses em campo e na arquibancada.

Mais uma vez Cássio garantiu pegando as cobranças de Dudu e Lucas Lima na decisão por pênaltis. A comemoração no Allianz Parque é imagem emblemática e inesquecível para o torcedor. Mas a conquista não tem o simbolismo de 2017, consolidando um trabalho que ganharia ainda mais força e maturidade no turno do Brasileirão que encaminhou a sétima taça do Corinthians na competição.

Agora o rendimento vem oscilando demais, apesar de uma boa nova como Matheus Vital e o resgate de Maycon, que havia perdido a vaga para Camacho na reta final de 2017 e bateu com precisão a última penalidade. Há espasmos da solidez defensiva que caracteriza a identidade corintiana e também boas triangulações e volume de jogo. Nada muito inspirador, ao menos por enquanto.

Já o título carioca do Botafogo veio numa sequência de acontecimentos que desafia o tradicional e já folclórico pessimismo do torcedor alvinegro. Péssimo início sob o comando de Felipe Conceição, eliminação precoce da Copa do Brasil para o Aparecidense. Chega Alberto Valentim ainda aparentando abimaturidade e a dificuldade para montar o sistema defensivo que apresentou no Palmeiras. Linhas adiantadas, pouca pressão na bola…gols dos rivais.

Não venceu nenhum turno, teve a pior campanha geral entre os grandes, levou 3 a 0 do Fluminense na final da Taça Rio e parecia ser apenas um figurante na fase decisiva. Mas uma atuação pluripatética do Flamengo que custou o emprego de muita gente, inclusive do treinador Paulo César Carpegiani, fez o time alcançar a vitória na única jogada bem engendrada em toda a semifinal em jogo único, finalizada por Luiz Fernando.

Vaga improvável na decisão e de novo o status de “zebra”, até pelo bicampeonato do Vasco em 2014/15 sobre o mesmo adversário e o trabalho mais consolidado do treinador Zé Ricardo. A vitória no primeiro jogo por 3 a 2 e depois a boa atuação no Mineirão contra o Cruzeiro pela Libertadores transferiam um favoritismo natural aos cruzmaltinos.

Mas Fabrício foi expulso aos 36 minutos na primeira etapa por entrada sobre Luiz Fernando quase tão criminosa quanto a de Rildo em João Paulo há três semanas. O vermelho condicionou toda a partida. O Botafogo insistiu, mas com enorme dificuldade para criar espaços. O time é limitado e perdeu organização e criatividade sem João Paulo. Obrigado a atacar pela necessidade e por conta da vantagem numérica acabou se complicando. O Vasco fechado num 4-4-1 e arriscando um contragolpe aqui e outro ali.

No ataque final, já nos acréscimos, a confusão na área e o chute de Joel Carli. Lance fortuito, meio ao acaso. Bola na rede, explosão da torcida e confiança em Gatito Fernández na disputa de pênaltis. Ele não decepcionou e pegou as cobranças de Werley e Henrique. 21º título alvinegro, festa pela conquista inesperada… Mas dá para confiar em boa campanha no Brasileiro?

Uma expulsão no primeiro tempo também mudou a história da decisão mineira. Logo de Otero, por cotovelada em Edilson aos 21 minutos. O meia que desequilibrou na bola parada no Independência. Vitória por 3 a 1 na primeira partida que fez eco durante a semana, encheu o Galo de confiança para a goleada por 4 a 0 sobre o Ferroviário pela Copa do Brasil e abalou o ânimo do Cruzeiro, que empatou sem gols e podia ter sido derrotado em casa pelo Vasco na Libertadores.

Com um a menos ficou mais difícil segurar o rival em casa e os gols do uruguaio De Arrascaeta e de Thiago Neves ratificaram a melhor campanha ao longo do campeonato. Mas de novo o time de Mano Menezes não apresentou um desempenho consistente. Faltou nas duas partidas pelo torneio continental e na primeira da decisão.

O contexto favoreceu, mas há muito a ser questionado. Mesmo com a lesão grave de Fred, a grande contratação para a temporada, há qualidade para apresentar mais e Mano se sente à vontade mesmo dentro de uma proposta mais pragmática e de controle de espaços e reação aos ataques do oponente. Na hora de criar em jogos mais aparelhos a coisa complica.

A grande questão depois das comemorações em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais é como os campeões reagirão. Se haverá a falsa impressão de que os times estão prontos para desafios maiores, mesmo com atuações que não inspiram confiança, ou se a conquista será tratada como a alavanca que combina paz para trabalhar e um clima de mais leveza para investir na evolução dos modelos de jogo. Vencer para crescer e não estacionar.

Ilusão ou redenção? Eis o questionamento que fica para a sequência de trabalho dos vencedores. Consciência da própria realidade é receita simples, mas sábia. Pode valer muito lá no final do ano, quando as taças não passarão de uma lembrança agradável, sem o êxtase de agora.


Flamengo é administrado pelas redes sociais e não pode ser levado a sério
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André Rocha

O “se” não existe no futebol nem na vida. Mas vale a reflexão: se a cabeçada de Henrique Dourado no segundo tempo que bateu na trave direita de Jefferson tivesse entrado e o Flamengo se classificado para a decisão do Carioca com o empate haveria essa “limpa” do departamento de futebol do clube?

O cenário seria previsível. Muitos torcedores reclamando de mais uma péssima atuação coletiva, mas a maioria ironizando a provocação de Luiz Fernando no gol do Botafogo e replicando os memes tradicionais depois de um jogo importante no futebol brasileiro.

E Rodrigo Caetano, Paulo César Carpegiani, Mozer, Jayme de Almeida, Rodrigo Carpegiani e Marcelo Martorelli seguiriam tranquilamente o seu trabalho pensando na final. Ou seja, uma derrota que tirou o time do torneio menos relevante da temporada foi o que, na prática, deflagrou um processo de reformulação mais profunda no carro-chefe do time mais popular do país.

Algo que já deveria ter ocorrido há algum tempo, mas como foi campeão carioca e chegou a duas finais ficou a impressão de que estava tudo indo bem e era questão de ajustes para a temporada 2018 ser consagrada pelos títulos importantes que prometeram à torcida depois que as finanças estivessem equilibradas.

É óbvio que há um componente político em ano de eleição e a gestão atual, acusada justamente por seu imobilismo, precisa do futebol competitivo para Bandeira de Mello fazer seu sucessor. Mas agora ficou ainda mais claro algo que já chamava a atenção de quem acompanha o cotidiano do clube.

O futebol do Flamengo é administrado pelas redes sociais. Um termômetro importante, mas que não pode ser tão considerado nos processos decisórios. No entanto, definiu contratações como Diego Alves e Reinaldo Rueda. Goleiro e treinador que vieram na carona das críticas contra Muralha e Zé Ricardo e empurraram os indecisos cartolas para uma solução.

Há uma distorção no Brasil quando o assunto é torcedor. Criou-se o mito de que ele é que manda no clube porque o sustenta com sua paixão. Indo ao estádio, comprando camisas e pagando pay-per-view. Inegável a importância. Mas o fanatismo não pode ser a cabeça em lugar nenhum. Ainda mais na nossa cultura guiada apenas por resultado e, a partir dele, se avalia desempenho.

Quer um exemplo? Em junho do ano passado este blog abordou a falácia de que Diego era o meia criativo do Flamengo. O “homão da porra” para a torcida à época. Poupado das críticas pela eliminação da Libertadores por ter ficado de fora, lesionado. O blogueiro foi massacrado nos comentários e nas redes sociais.

Só com o pênalti perdido na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro e outras atuações ruins em partidas decisivas sem levar a equipe aos títulos esperados é que os apaixonados acordaram para a realidade. Alguns ainda negam, valorizando o esforço de quem é muito bem remunerado para pensar o jogo e desequilibrar. Mas só com derrotas parte da massa despertou para o óbvio. Mesmo que o rendimento do meia desde a volta de lesão no ano passado tenha sido, na média, bem abaixo do que se esperava para um camisa dez com tanta grife e salários tão altos.

Por isso quem está de fora não pode definir quem fica e quem sai. Nem torcida, nem jornalistas. Se alguma decisão foi tomada apenas pela influência de uma crítica ou elogio de um analista também está errado. O futebol precisa ser guiado por quem entende todos os processos e conta com as ferramentas para avaliar dia a dia e jogo a jogo o desempenho, dentro e fora de campo.

E agora? Vão definir os substitutos dos demitidos em enquetes na internet? Este que escreve não duvida mais de nada.

O Flamengo se vangloria de ser o clube com mais interações nas redes. Para manter a massa participativa dá mais ouvidos do que deveria e, sem um mínimo de racionalidade, parece um barco à deriva. No futebol e na vida, quem precisa de alguém de fora para gerir a sua casa não pode ser levado a sério.


A virada sobre virada do Vasco e os vários jogos dentro de uma partida
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André Rocha

Talvez influenciados pelo segundo tempo dos 3 a 0 sobre o Botafogo no qual se posicionou melhor defensivamente num 5-4-1, Abel Braga e seus comandados definiram desde o início do clássico no Maracanã que o Fluminense teria uma postura mais cuidadosa e baseada em contragolpes na semifinal do Carioca. Até pela vantagem do empate por ter conquistado a Taça Rio.

O Vasco se impôs em boa parte do primeiro tempo também pela nítida preocupação de evitar as jogadas pelos flancos do rival. Rafael Galhardo entrou na lateral direita, adiantando Yago Pikachu e mais Wellington para auxiliar no bloqueio a Ayrton Lucas, Richard e Sornoza. Do lado oposto, Fabrício, Wagner e Desábato tentavam negar espaços a Gilberto, Jadson e Marcos Júnior. Ou seja, impedir que o tricolor construísse seu volume de jogo.

Conseguiu e abriu o placar com Giovanni Augusto, outra surpresa de Zé Ricardo na formação que atuou novamente num 4-2-3-1 com Riascos mais adiantado. Bela jogada de Pikachu pela esquerda e vacilo de Renato Chaves. Mas logo que o Flu adiantou as linhas e se propôs a ser mais agressivo na frente, o lado esquerdo cruzmaltino falhou. Fabrício permitiu que Gilberto chegasse ao fundo e servisse Pedro. O sétimo gol do agora artilheiro isolado do estadual.

O jogo virou e o Flu ficou mais à vontade, ganhou confiança e espaços para arquitetar contragolpes. Na cobrança de falta com a barreira abrindo, Sornoza parecia encaminhar a classificação. A disputa chegou a parecer que penderia em definitivo para o lado de quem vencia e podia até ceder a igualdade no placar.

As substituições seguiram um roteiro óbvio. Vasco se jogando à frente com Andrés Rios, Thiago Galhardo e Paulinho, a joia vascaína que foi às redes no belo gol de empate em tabela rápida com Wellington. Fluminense trocando o trio ofensivo e mandando a campo Marlon, Douglas e Pablo Dyego. Seguir fechado e manter o fôlego na frente para explorar os espaços que apareciam cada vez mais generosos.

O Vasco tentou um abafa, o Flu ameaçou em contra-ataques. Equilíbrio na posse de bola (51% x 49%), 11 finalizações tricolores, 14 vascaínas – duas na direção da meta de Martín Silva, seis do Vasco no alvo. Na última da partida, a tentativa aleatória, na ligação direta desesperada. Todos cansados e guiados muito mais pelo instinto do que por um plano racional. Outro jogo à parte dentro do contexto. A bola encontrou o heroi improvável: Fabrício, substituto de Henrique que era vaiado pela torcida. 3 a 2.

Os tricolores lamentarão a cautela de Abel e as chances desperdiçadas, os vascaínos exaltarão a coragem de Zé Ricardo e a perseverança dos vencedores. Mas no fundo não passa de análise tomando como base apenas o resultado. Poderia ter acontecido qualquer coisa em mais um embate eletrizante no esvaziado Carioca.

O Vasco virou sobre a virada do Flu. Saiu vivo nos vários jogos dentro de uma mesma partida e vai à decisão contra o Botafogo. A terceira entre os clubes em quatro anos. De novo teremos um campeão sem vencer turno. Azar de quem assinou o regulamento e não se garantiu no campo.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo acerta um ataque e está na final. Flamengo não tem repertório
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André Rocha

Trinta e oito minutos do primeiro tempo. Rodrigo Lindoso, substituto de João Paulo como articulador no 4-2-3-1 do Botafogo de Alberto Valentim, acerta passe nas costas de Paquetá para Marcinho. O lateral chegou ao fundo e rolou para trás. Luiz Fernando apareceu às costas de Everton e antecipando a Rhodolfo para tirar de Diego Alves. Na comemoração, o atacante provocou o rival ironizando o “cheirinho”.

Objetivamente, foi a única jogada bem engendrada pelas equipes em mais de noventa minutos. O gol da classificação do Botafogo. Dentro de uma atuação com mais intensidade na marcação, especialmente na primeira etapa. Foram 12 desarmes corretos contra dez do Flamengo, mas nove dos alvinegros contra apenas um rubro-negro nos primeiros 45 minutos.

A derrota no estadual não deveria ser trágica para um time disputando a Libertadores. O que é preocupante e muito no Flamengo é o desempenho. A atuação foi pluripatética. Infelicidade desde a escolha de Jonas e Willian Arão como os volantes para a mudança do sistema para o 4-2-3-1, deixando Cuéllar no banco. Um absurdo.

Passando pelo impasse entre Paulo César Carpegiani e Vinícius Júnior. O treinador queria o jovem atacante pela direita, mas o menino se sente mais à vontade do lado oposto. O resultado é que muitas vezes Paquetá e Vinícius, que deviam ocupar os flancos, ficavam no mesmo lado abandonando Pará à própria sorte pela direita.

Nas redes sociais houve muitos protestos de flamenguistas contra o post deste blog sobre a classificação do Fluminense na semifinal da Taça Rio. O texto afirmava que o time de Abel Braga tem mais repertório que o rival, ainda que este tenha finalizado muito mais vezes e permanecido no campo de ataque por mais tempo depois do gol de Gum que abriu o placar no Estádio Nílton Santos.

O que é difícil de fazer entender é que um time que fique com a bola, mesmo que rode, rode, rode até levantar na área, inevitavelmente vai conseguir finalizar. No abafa, na vitória do atacante na impulsão, no corte para dentro e chute. Mas não significa que há jogada. Repertório. Não existe.

O Flamengo é um deserto de ideias. O time que vivia do pivô de Paolo Guerrero para dar sequência às jogadas e sofria porque não tinha o centroavante na área para finalizar agora tem Henrique Dourado sem a mínima qualificação técnica para fazer a parede e mesmo finalizar. Mesmo cabeceando na trave na segunda etapa.

Um dos 45 cruzamentos do time na semifinal. Treze de Diego. Três corretos, sempre na bola parada. Impressiona como Tite pode pensar no camisa dez como um meio-campista organizador. Desde o ano passado saltava aos olhos a total falta de criatividade do meia. Repetindo pela enésima vez: domina, gira, dá mais um toque e, com a marcação do adversário montada, o passe para o lado ou para trás. Quando arrisca algo mais objetivo vem o erro.

O ensaio do início da temporada com mobilidade dos meias no 4-1-4-1 foi abandonado pela falta de sequência com qualidade. O time continua vivendo de cruzamentos e lampejos. O mesmo da segunda metade do trabalho de Zé Ricardo e no período sob o comando de Reinaldo Rueda.

Uma carga muito pesada para os ombros de Paquetá e Vinícius Júnior. Jovens precisam de um trabalho coletivo para potencializar o talento. Tudo que o Flamengo não tem. Realidade dura para quem investe tanto. Mas é preciso aceitar. E mudar o quanto antes.

O Botafogo nada tem a ver com isso. Lutou, buscou pressionar mais o adversário com a bola, bloqueou de forma organizada com duas linhas de quatro e contou com Jefferson, substituto de Gatito Fernández a serviço da seleção paraguaia, para suportar a pressão aleatória do rival. Faltou coordenar mais contragolpes para tirar o oponente um pouco da própria área. Não conseguiu, mesmo com a entrada de Rodrigo Pimpão na vaga de Leo Valencia.

Finalizou 12 vezes, três no alvo. A única bola na rede no clássico. A solitária jogada bem pensada e executada. O melhor estava por vir depois da fratura de João Paulo: a final do Carioca que parecia improvável.

(Estatísticas: Footstats)


Taça Rio é detalhe! Fluminense tem o melhor jogo coletivo do Carioca
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André Rocha

Flamengo e Vasco estão na Libertadores e o rubro-negro conta com elenco mais qualificado no papel, até pelo abismo que vai se criando no poder de investimento em relação aos demais grandes do Rio de Janeiro.

Mas o melhor jogo coletivo entre os times cariocas no momento é do Fluminense. Não só pelos 3 a 0 sobre o Botafogo na decisão da Taça Rio. Apesar da eliminação até vexatória da Copa do Brasil com duas derrotas para o Avaí – compreensível pelas oscilações de um elenco com muitos garotos dentro de um clube com sérios problemas financeiros que aproveita a garotada como única opção.

O campo mostra que é a equipe que apresenta mais soluções para resolver os jogos. A execução do 3-4-2-1/5-4-1 vai evoluindo jogo a jogo. Muita fluência pelos flancos com Gilberto, Jadson e Marcos Juníor à direita e Ayrton Lucas, Richard e Sornoza pela esquerda. Circula a bola com rapidez e objetividade pelo centro sempre procurando os lados.

Na referência do ataque, o jovem Pedro está cada vez mais à vontade. Fez o primeiro e serviu de peito Marcos Júnior no segundo. Ambos artilheiros do campeonato, com seis gols. Jadson fechou o placar no último ataque, atuando mais avançado dentro de um 5-4-1 bem organizado tirando espaços e negando oportunidades claras ao rival que partiu para cima com Pimpão, Renatinho e Luis Ricardo na segunda etapa.

O Flu aproveitou os muitos espaços deixados pelo Botafogo de Alberto Valentim que marca “com os olhos”, sem pressão no adversário com a bola. Teve 58% de posse e finalizou 18 vezes contra 16 do tricolor. Mas falhou nas finalizações e no trabalho defensivo. Algo a se corrigir com urgência até quarta para a semifinal contra o Flamengo.

No outro confronto há um favorito claro. O Flu pode até jogar mal na quinta contra o Vasco e, mesmo com vantagem do empate, ficar fora da grande decisão. É time jovem, com claras limitações e sujeito a uma noite ruim. Mas hoje no Rio de Janeiro ninguém joga um futebol mais consistente que a equipe de Abel Braga. A conquista do returno é apenas um detalhe. Ou mera consequência.

(Estatísticas: Footstats)

 


Fluminense está na final porque, acredite, tem mais repertório que o Fla
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André Rocha

Quem olha os números da semifinal da Taça Rio imagina um amplo domínio do Flamengo sobre o Fluminense no Estádio Nílton Santos: 58% de posse de bola, 21 finalizações rubro-negras contra 12. Se comparar os orçamentos no futebol a diferença aumenta ainda mais. Considerando que um disputa Libertadores e outro foi eliminado da Copa do Brasil pelo Avaí…

Mas nem tudo é como parece. Se no jogo da fase de grupos do returno do Carioca os reservas do Fla relativizam os 4 a 0 aplicados pelo tricolor, a verdade do campo desta vez mostrou uma dura realidade para Paulo César Carpegiani: o 3-5-2 simples, à moda antiga, montado por Abel Braga oferece um repertório ofensivo maior que o da equipe com elenco, em tese, mais qualificado.

O jogo tricolor flui, especialmente pelos flancos. Pela direita, Gilberto se aproxima de Jadson e Marcos Júnior para as triangulações. No lado oposto, o mesmo com Ayrton, grande revelação do campeonato, mais Richard e Sornoza. Repare no camisa dez equatoriano do Flu. A bola chega e sai com facilidade. Passe para a frente, objetivo, encontra o companheiro pronto para acelerar.

Já no Fla, Diego e Everton Ribeiro não conseguem construir o volume de jogo desejado. Erram passes, são burocráticos e pouco inventivos. Para complicar, Lucas Paquetá, um dos poucos que procuravam passar de primeira, agora sempre precisa dar um toque a mais na bola. Ainda assim, consegue ser o jogador capaz de tentar algo diferente na execução do 4-1-4-1 armado por Carpegiani.

O Flu ainda tem outra vantagem: os zagueiros Renato Chaves e Ibañez são opções de saída de bola com rapidez para fazer a bola chegar rapidamente nos alas. No lado rubro-negro, Rever, Juan e Jonas são mais lentos e os meias precisam recuar para ajudar. Sem contar as sérias limitações técnicas e de discernimento na tomada de decisão dos laterais Rodinei e Renê. E ainda tem Henrique Dourado acrescentando muito pouco. Não dá sequência aos ataques como pivô e no toque final não é contundente.

Em resume, o jogo do Flu acontece naturalmente e o do Fla sai a forceps, no abafa. Mais uma vez o “primo rico” do futebol carioca precisou apelar para os cruzamentos. 14 no primeiro tempo, 23 no segundo. Total de 37. O empate veio no abafa e na sequência de chutes de Rodinei e o definitivo de Everton, que produziu muito mais como lateral que meia pela esquerda.

O Flu cruzou 21 e contou com a ajuda de uma atuação constrangedora de Diego Alves na saída da meta. Muita hesitação que Gum aproveitou para abrir o placar no primeiro tempo e podia ter ampliado no segundo com o mesmo camisa três tricolor em outra falha do goleiro, mas na sequência é difícil avaliar se Gum está atrás da linha da bola ou se Diego Alves dava condição.

Não precisou. Foi sofrido. Vinícius Júnior, que entrou na vaga de Renê, teve a bola da classificação no pé direito em um contragolpe. O Flu perdeu chances de matar o clássico em contra-ataques bem engendrados. Mas o empate por 1 a 1 classificou para a final contra o Botafogo a melhor equipe do returno. Nada especial em um estadual de baixo nível técnico, públicos ridículos e um Rio de Janeiro em crise profunda.

De qualquer forma, é um alento para o Flu. Assim como o Botafogo, o outro finalista, não tem outra competição para disputar neste momento. O título da Taça Rio servirá para melhorar a autoestima no clube vencedor.

Para o Flamengo, duas más notícias: fim da chance de ganhar duas semanas para treinamentos e apenas uma partida para definir o Carioca. A pior é que objetivamente o time não evoluiu em relação à temporada passada. Na necessidade, ainda vive de cruzamentos e lampejos, especialmente de Paquetá e Vinicius Júnior. É muito pouco para quem investe tanto.

O Flu faz mais com menos e há muito mérito nisto.

(Estatísticas: Footstats)

 


Botafogo na final da Taça Rio. Por João Paulo e na jogada aérea
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André Rocha

O melhor estava por vir para o Botafogo depois do absurdo da fratura da perna de João Paulo sem a expulsão de Rildo no domingo.

E logo na jogada aérea, o grande problema do Botafogo entre as muitas fragilidades defensivas da equipe comandada por Alberto Valentim. Assim levou oito gols, metade dos que sofreu na temporada. Agora o triunfo. Logo com Igor Rabello, contestado pela torcida, mas o destaque no Estádio Nílton Santos. Gol da vitória por 3 a 2, devolvendo o placar do último jogo, e belo passe longo para Luiz Fernando empatar.

Jogo eletrizante, maluco. Mas não jogaço. Por mais que o torcedor se revolte com o jornalista quando ele parece minimizar a emoção. Só que para quem trabalha vendo partidas de futebol alguns elementos são necessários para um jogo ser valorizado pela qualidade. Começando pelos acertos técnicos e táticos, as decisões e leitura de jogo dos atletas para construir um bom jogo coletivo. Não foi o caso. Muita aleatoriedade.

O Vasco sofrendo pela esquerda com Fabrício no lugar de Henrique na lateral. A saída de Evander ainda no primeiro tempo por lesão também prejudicou o trabalho no meio-campo. Sem contar que Wagner entrou frio e foi driblado por Leo Valencia, que colocou na cabeça de Brenner no gol que abriu o placar. Sem culpa do goleiro Gabriel Félix, substituto de Martín Silva, a serviço da seleção uruguaia. Mais uma vez a bizarrice de jogar futebol durante datas FIFA.

Depois a equipe de Zé Ricardo, com Riascos e Andrés Ríos alternando pela direita e abrindo o corredor para Yago Pikachu apoiar, virou nas jogadas aéreas com bola parada. Erazo e Riascos. Falha da marcação mista do Botafogo que mais uma vez não funcionou.

Assim como a dinâmica com defesa adiantada, mas pouca pressão sobre o adversário com a bola. Muitos espaços entre defesa e mei0-campo. Sem contar a dificuldade para organizar com Rodrigo Lindoso tentando cumprir a função de João Paulo na articulação.

Valentim arriscou tudo com Pachu e Pimpão nas vagas de Valencia e Marcos Vinícius. Tirou os dois meias da linha de três no 4-2-3-1. Brenner recuou para ajudar na articulação e Pachu ficou enfiado. Depois Ezequiel entrou no lugar de Luiz Fernando. Seis por meia dúzia, mas manteve o fôlego para seguir atacando.

Zé Ricardo trocou Ríos, extenuado, por Thiago Galhardo. Paulinho trocou de lado e foi para o setor direito, Wagner ocupou o lado esquerdo e Galhardo centralizou atrás de Riascos. Uma troca conservadora, mas o Vasco não recuou. Se pode haver uma crítica seria por não conseguir controlar o jogo. Seja pelo espaço ou através do domínio da bola. Sem contar os vacilos também nos cruzamentos do oponente. Também levou dois gols desta maneira.

Jogo de posse dividida em praticamente todo o jogo – Bota terminou com 52% pela necessidade da reta final. Dezoito finalizações cruzmaltinas contra onze – cinco a sete no alvo. Botafogo cruzou 32 bolas contra 24. Com a tensão, 21 faltas foram cometidas no segundo tempo, enquanto na primeira etapa foram apenas seis.

Na “briga de rua”, o golpe final com Igor Rabello. De cabeça. Para colocar o Botafogo na final da Taça Rio. Para quem não está mais envolvido com outra competição, fundamental. Para quem perdeu seu melhor jogador por uma entrada criminosa, impossível não pensar em justiça.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


A perna quebrada de João Paulo e as “regras não escritas” da arbitragem
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André Rocha

Dois minutos de jogo no Estádio Nílton Santos. Rildo quebrou a perna direita de João Paulo. Sem eufemismos ou desculpas. Movimento de cima para baixo, com velocidade e intensidade. Pode não ter sido intencional, mas o atacante do Vasco assumiu o risco de agredir um colega de profissão.

Muitos ex-árbitros hoje comentaristas, muitas vezes en passant  numa colocação, costumam dizer que os apitadores evitam expulsar no início de um clássico para “não estragar o espetáculo”. Ou seja, uma decisão costumeira que não consta nas regras do jogo. É bem possível que o árbitro Leonardo Garcia Cavalheiro tenha seguido o “conselho”.

Ou talvez porque o meia não estivesse gritando de dor e os colegas não colocassem a mão na cabeça em desespero, já que a fratura na tíbia e na fíbula não foi exposta. Como já se ouviu também dos comentaristas que quando a reclamação é geral e acintosa é porque houve alguma irregularidade. O árbitro e sua equipe estão lá para quê, afinal?

O fato é que apenas o cartão amarelo foi aplicado. Na TV, sem necessidade de replay, foi possível notar a gravidade da entrada e da lesão. Era para expulsar direto. Sem conversa. E punição exemplar, de preferência ficando de fora dos gramados pelo mesmo período de tempo do agredido.

Rildo seguiu em campo e ficou visado, não só pela torcida do Bota que vaiava cada vez que o ponteiro pegava na bola. Os jogadores do Botafogo passaram a entrar mais duro no adversário e, aos 18 minutos, veio o choque com Marcinho que provocou a luxação do ombro esquerdo e obrigou o atacante a deixar o campo.

Só que o Vasco seguiu com onze homens em campo. Entrou Paulinho, joia da base que marcou o gol da vitória do time cruzmaltino por 3 a 2. Sobre a equipe de Alberto Valentim que falhou grosseiramente no bloqueio defensivo, mas sofreu demais sem o organizador, o “ritmista” de seu meio-campo. O Botafogo perdeu bem mais sem seu camisa oito. O mínimo para tamanho prejuízo seria enfrentar o adversário com um homem a menos. É para isto que existe o árbitro.

Tudo muito desnecessário. Por causa dessas “regras não escritas” da arbitragem para contemporizar e não se comprometer. Infelizmente, isto nem o VAR poderá evitar. Pior para o futebol.