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Eles não podem errar! A dura transição do mercado de treinadores no Brasil
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André Rocha

Quando Zé Ricardo chamou Matheus Sávio para dar instruções enquanto a torcida do Flamengo no Serra Dourada pedia a entrada da joia Vinícius Júnior, o treinador sabia que corria riscos por suas convicções.

Afinal, se o time fosse eliminado da Copa do Brasil, independentemente do rendimento do jovem atacante, que entrou muito mal contra o San Lorenzo na traumática derrota na Libertadores, as chances de ser demitido cresceriam exponencialmente.

Mas Sávio, assim como contra o Atlético Mineiro no Maracanã, na estreia do Campeonato Brasileiro, colocou um cruzamento no fundo das redes do goleiro Felipe do Atlético-GO. O choro copioso do jogador foi sintomático. É muita pressão para quem ainda está no início de sua trajetória entre os profissionais.

O mesmo vale para os treinadores. No país do futebol de resultados, o comandante passa de “boa novidade” e “atualizado” para “estagiário” e “rolando lero” a cada semana. Mesmo que a sua equipe esteja organizada e o placar adverso tenha vindo por uma infelicidade na defesa ou chances perdidas na frente.

Ou até se eles se equivocarem, algo absolutamente natural. No mais imprevisível e caótico dos esportes, o que foi treinado baseado em observação e análise pode dar errado por uma noite ruim do atleta e aquela mudança aleatória, mais por conta da intuição, pode terminar em vitória. Para quem tem bagagem já é um desafio, imagine para novatos.

Eles simplesmente não podem errar. Seja Zé Ricardo, Roger Machado, Eduardo Baptista…Mesmo Jair Ventura, com enorme crédito no Botafogo, quando tentou mudar a maneira de jogar contra o Barcelona de Guayaquil no Estádio Nilton Santos e saiu derrotado as críticas vieram pesadas.

A transição no mercado de treinadores é dura. Depois dos 7 a 1 que mandaram Luiz Felipe Scolari para a China e da queda em desempenho e resultados de grifes como Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e até Marcelo Oliveira, apesar dos títulos com Cruzeiro e Palmeiras, um buraco foi aberto para uma leva de profissionais com conceitos atualizados, vendo e pensando o futebol como é jogado nos grandes centros.

Um jogo mais coletivo e que trabalha com informações e gestão na comissão técnica. Menos com carisma e discursos motivacionais. Quando o resultado acontece, tudo isso é louvado. Se não, bate a saudade dos velhos nomes e de fórmulas antigas. Como se o que deu certo na década passada necessariamente dará em 2017.

O cenário é complexo. Dá para contar nos dedos de uma das mãos os treinadores do país que conseguem unir vivência como ex-jogador, conteúdo atual, sensibilidade na gestão de grupo e da comissão técnica. Ou seja, no auge da carreira. O melhor deles está na CBF.

Por conta de todas as dificuldades citadas, as experiências com estrangeiros não foram felizes – vide Diego Aguirre, Ricardo Gareca, Edgardo Bauza, Juan Carlos Osorio, entre outros. Quando estão começando a aprender o idioma para se comunicar já estão passando no RH e voltando para casa.

Simplesmente não há paciência, porque falta convicção para acreditar num projeto de longo prazo. Roger Machado e Zé Ricardo acharam que teriam um pouco mais de paz e respaldo para trabalhar por conta de conquistas nos estaduais. Mas basta uma sequência de resultados ruins e tudo é esquecido.

Ainda mais em clubes dos quais se espera muito. Pela capacidade de investimento e ilusão alimentada por departamentos de marketing e também por nós da imprensa, o torcedor passa a crer que seu time de coração conta com um elenco estelar e que basta o treinador distribuir certo as camisas e não atrapalhar para tudo acontecer.

Não é assim que funciona. Estar atualizado nas ideias e métodos ajuda a não ser surpreendido, a minimizar a aleatoriedade do jogo. Mas não garante nada. Muito menos onde não se valoriza filosofia e identidade, só o placar final e a conquista que vão gerar memes e zoações. Até tudo ser esquecido no próximo jogo.

Por ora, Dorival Júnior é o sobrevivente na Série A, comandando o Santos desde julho de 2015. Já Ney Franco foi demitido do Sport depois de perder a Copa do Nordeste para o Bahia com menos de dois meses de trabalho. Treinadores com rodagem de mais de uma década. Paulo Autuori, com mais de quarenta anos à beira do campo, cansou. “A rotina consome”, explicou. Vai ser gestor no Atlético-PR e abre espaço para Eduardo Baptista.

Paciência não significa ser permissivo e deixar de cobrar o desempenho que chega ao resultado. Os profissionais são bem remunerados para isso. O ponto nevrálgico é o imediatismo, a incapacidade de observar um lastro de evolução, vislumbrar um futuro melhor. Tudo ainda se resume à tentativa e erro. Até acertar. Para ontem.

Enquanto isso, segue a roda vida, a máquina de moer técnicos. Zé Ricardo escapou no gol de Matheus Sávio. Quem será o próximo?


Carille, Zé Ricardo, Roger, Beto Campos: o legado de Tite nos estaduais
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André Rocha

Objetivamente, nenhum dos quatro treinadores que conquistaram os títulos estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul utilizou o 4-1-4-1 que virou o desenho tático “de cabeceira” de Tite no Corinthians campeão brasileiro de 2015 e agora na seleção brasileira.

Mas as ideias de Adenor Leonardo Bacchi estão lá. As mais marcantes: última linha de defesa posicional no Corinthians de Fabio Carille, ex-auxiliar de Tite. O jogo apoiado, baseado em triangulações pelos lados do campo, mesmo sem tantas incursões por dentro dos ponteiros, no Flamengo de Zé Ricardo, outro que sempre cita o técnico 100% com a seleção brasileira como inspiração.

No Atlético Mineiro de Roger, a capacidade de se adaptar às circunstâncias, propondo ou sendo mais reativo, encaixando um terceiro volante para liberar Elias e tentando dar pausas ao “Galo Doido”. Por fim, um Beto Campos no supreendente Novo Hamburgo que sempre cita o técnico da seleção como referência e faz sua equipe se defender bem, mas também não abdicar do jogo.

Nos quatro discursos, sempre a palavra “mágica”: desempenho. E outra quase tão importante: concentração. Entrar focado nos movimentos coletivos para o time não se espaçar. Força mental para se adequar às dificuldades e ao contexto dos jogos. Ter sempre um norte: jogar bem sempre será o melhor caminho para conseguir vitórias e títulos.

Com méritos, sem atalhos ou subterfúgios, jogando ao natural. Equilibrando ataque e defesa. Entregando mais que só o resultado. Falando do jogo em si, transmitindo conceitos, abertos ao novo. Cada um à sua maneira.

É inspirador ver os pilares de Tite se espalhando entre os treinadores no futebol brasileiro. Nos quatro principais estaduais, o legado do melhor do país terminou em taças.


No primeiro ato, vitória da concentração defensiva absoluta do Flamengo
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André Rocha

Os 3 a 3 da final da Taça Guanabara, com derrota nos pênaltis, deixou claro para o Flamengo que enfrentar o jovem Fluminense de Abel Braga, time de intensidade, volume de jogo e ímpeto ofensivo, exigiria concentração absoluta no trabalho defensivo.

O resultado prático no Maracanã foi o Fla de Zé Ricardo novamente no 4-1-4-1, desta vez com Berrío pela direita na vaga de Gabriel. Depois Rômulo sairia com lesão no joelho para a entrada de Mancuello que, por características e limitações físicas, por vezes ficava mais adiantado, com a equipe voltando ao 4-2-3-1.

Primeiro tempo de controle da posse e postura ofensiva, com Willian Arão atento à saída de bola do jovem Wendel, bloqueando as descidas de Lucas, que se manda sem posição física e deixa o volante Orejuela guardando sua posição. Muita atenção no cerco aos pontas Richarlison e  Wellington Silva e Márcio Araújo ágil no auxílio aos zagueiros e ligado nos movimentos de Sornoza.

Ofensivamente, jogo pelos flancos, com os pontas Berrío e Everton buscando as diagonais e Mancuello e Arão se aproximando de Guerrero. Passes simples, jogadores próximos e encontrando soluções diante da pressão dos adversários sobre o oponente com a bola. Aproveitando nos primeiros 45 minutos o nítido nervosismo dos garotos tricolores em uma final.

Nas jogadas aéreas, forte do Flu nos jogos mais duros, atuações esplêndidas de Réver, Rafael Vaz e Guerrero, o mais sacrificado na execução do modelo de jogo sem Diego. Precisando recuar para ser o armador, fazer o pivô, disputar com os zagueiros adversários nas ligações diretas e ainda acelerar os contragolpes, especialmente na segunda etapa.

Porque o Flamengo que sofre para ir às redes ganhou de presente no primeiro tempo a furada grotesca de Renato Chaves que Everton não desperdiçou. Gol único de uma vitória construída por um trabalho coletivo que é mérito do quase sempre contestado Zé Ricardo. Equipe que soube sofrer, mas criou  alguns contragolpes que Leandro Damião e Matheus Sávio, substitutos de Guerrero e Berrío, não aproveitaram.

É evidente que a final está aberta, até pelo jogo decisivo do Flamengo na quarta-feira pela Libertadores contra a Universidad Católica. Porque a concentração defensiva terá peso ainda maior. No primeiro ato de noventa minutos da final carioca foi a diferença.


“Três volantes”, “retranca”? Vitória do Flamengo chuta longe os clichês
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O 4-1-4-1 montado por Zé Ricardo sem Diego: Márcio Araújo na proteção da defesa e força pelas laterais com triangulações. Mais efetivo pela esquerda, atacando o lado fragilizado do Botafogo no habitual 4-3-1-2 que se desmembra em duas linhas de quatro sem a bola (Tactical Pad).

A semana inteira de preparação do Flamengo foi de expectativa para a solução que Zé Ricardo encontraria para repor o lesionado Diego. Ao sinalizar a entrada de Rômulo, surgiu a velha confusão de conceitos. Misturando função e posição.

“Três volantes”, “Flamengo vai jogar pelo empate”, “técnico retranqueiro”. Foi o debate que se viu e ouviu sobre o time rubro-negro antes da bola rolar. Até pela vantagem de empate na semifinal do Carioca por conta da melhor campanha.

No Maracanã molhado pela chuva, o que se viu foi o time “cauteloso” propondo o jogo. No 4-1-4-1, desenho tático “de cabeceira” de Zé Ricardo, desmanchado pela presença de Diego, típico meia central de um 4-2-3-1.

Trabalhando a bola, adiantando as linhas e apertando a marcação no campo adversário. Se não tinha o meia criativo, fazia as jogadas pelos flancos com triangulações. À direita, Pará, Arão e Gabriel; pela esquerda, Trauco, Romulo e Everton.

Guerrero voltava para fazer o pivô e distribuir as jogadas. Complicando um Botafogo que nitidamente buscou dosar energias no primeiro tempo para compensar o desgaste da viagem ao Equador e apenas um dia de treinamento para o clássico.

Só que tinha problemas além do cansaço, em função dos desfalques. Especialmente no meio-campo: Aírton, ainda lesionado, e Bruno Silva, suspenso pela estúpida expulsão depois do apito final da inútil decisão da Taça Rio. Fora Montillo.

Na lateral direita, mais uma improvisação: o volante Fernandes, que se juntava a João Paulo, o volante-meia do 4-3-1-2 armado por Jair Ventura que abria à direita para formar a linha de quatro no meio. Deixando Rodrigo Pimpão pela esquerda. Pelo contexto, parecia mais razoável inverter seu melhor ponteiro e atacar o setor mais forte do Fla, o esquerdo.

Acabou defendendo mal e o Flamengo teve o controle do jogo. Nem tanto nos números do primeiro tempo – 51% de posse e as mesmas cinco finalizações do rival, três a zero no alvo. Mas principalmente por sempre parecer mais próximo do gol.

Mas bolas nas redes só na segunda etapa. Com Guerrero, chegando aos nove no Carioca. Participando da construção pela esquerda e aparecendo para completar o corte errado de Victor Luís e abrir o placar. Depois a cobrança de pênalti segura e forte no meio do gol com o campo molhado.

A chance mais cristalina para o peruano acabou sendo desperdiçada em jogada de Pará para Berrío, substituto de Romulo, e passe para o chute fraco de Guerrero. De novo faltou ao Flamengo em um jogo grande a contundência no ataque para construir a vitória com mais autoridade.

O pênalti tolo de Rever sofrido e bem cobrado por Sassá, que entrara na vaga de Roger, transferiu uma emoção ao final do jogo, com o Botafogo, mesmo exausto, se lançando ao ataque, que não reflete o que foi a semifinal.

Posse de bola praticamente dividida, Flamengo finalizando 13 vezes, uma a mais que o Bota. Seis, porém, na direção da meta de Gatito Fernández contra apenas duas do alvinegro. O time de Zé Ricardo não foi brilhante, mas também não era com Diego em campo na maioria dos jogos. Em nenhum momento, porém, jogou fechado, especulando, dando a bola ao rival.

Com três volantes de ofício, mas na prática apenas um: Márcio Araújo, que cumpriu boa atuação. A tendência é manter o desenho tático e a proposta para a decisão. Um Fla-Flu que não valia o título regional desde 1995. Numa final em dois jogos como agora, desde 1991.

Pelo desempenho na temporada, o tricolor parece mais forte. E o Flamengo ainda tem um jogo decisivo contra o Atlético-PR na quarta, antes da primeira decisão. Favorito ou não, é improvável que o time de Zé Ricardo se acovarde no clássico. Com ou sem volantes, chutando pra longe os clichês.

(Estatísticas: Footstats)


Fluminense mostra com se administra uma vantagem de empate: atacando!
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André Rocha

Abel Braga avisou na coletiva depois da vitória sobre o Goiás pela Copa do Brasil que o seu time não abriria mão de suas características. Natural para quem marcara 51 vezesem 23 partidas antes da semifinal estadual – o ataque mais efetivo do país em 2017.

Mesmo com vantagem do empate pela melhor campanha no Carioca. Apesar do desgaste no meio da semana, enquanto o rival focaria na única competição em que ainda estava envolvido no primeiro semestre.

O Fluminense partiu para o ataque no Maracanã. No 4-3-3 habitual, com toque fácil no meio-campo que ganhou dinamismo com o jovem Wendel se juntando aos equatorianos Sornoza e Orejuela. Mas desequilibra os rivais acelerando pelos flancos com os laterais Lucas e Léo apoiando os ponteiros. Desta vez com Richarlison pela direita e Wellington Silva à esquerda.

A postura ofensiva complicou o Vasco que novamente se posicionou atrás com duas linhas de quatro para deixar Nenê e Luís Fabiano sem funções de marcação. Só que os ponteiros Yago Pikachu e Guilherme Costa, a novidade na vaga de Andrezinho, precisavam voltar muito na recomposição e ainda tinham que ser as referências de velocidade para os contragolpes.

Não funcionou. Melhorou quando a equipe cruzmaltina passou a fazer um jogo mais direto, investindo em ligações diretas e bolas paradas. Assim criou as três melhores chances da primeira etapa, com Gilberto, Nenê e Luís Fabiano.

Escancarando o efeito colateral da vocação ofensiva do Flu: a exposição da última linha da retaguarda, que sofre no combate direto aos atacantes. Também porque tem volume, mas controla pouco o jogo. Terminou o primeiro tempo com 57% de posse, porém muito mais pela iniciativa e a ideia de propor o jogo. Mas sempre com pé no acelerador.

Intensidade fundamental para resolver o jogo na segunda etapa. Assim como na vitória sobre o Goiás, a jogada aérea foi fundamental. No primeiro gol, de Richarlison, que encaminhou a vitória. Ainda mais seguido da expulsão do mais que promissor Douglas Luiz, 18 anos. Envolvido pelo meio do Flu, perdeu a cabeça com sequência de dribles abusados de Wellington.

O árbitro Rodrigo Nunes de Sá exagerou na expulsão, podia ter mostrado o amarelo. Até porque minutos depois Nenê entrou de forma ainda mais truculenta no ponta do Flu e não levou o vermelho.

Mas o Flu nem precisou da vantagem de mais um homem em campo. A disputa se resolveu com o golaço de letra de Wellington, em rara incursão pela direita, após linda jogada de Lucas.

O gol de cabeça de Léo em novo cruzamento na bola parada foi o golpe final no Vasco que mostrou a fragilidade do seu elenco ao buscar a reação com Manga Escobar, mais um ponta que é veloz, mas tem enormes dificuldades nos fundamentos. Ou seja, produz quase nada de útil.

Pior ainda é testemunhar a forma física de Thalles. Chocante ver um atacante promissor tão acima do peso a ponto de ser percebido no visual, de longe.

Ao Vasco resta o Brasileiro. Hoje é difícil vislumbrar aspiração maior que a manutenção na Série A do Brasileiro. Os jogos contra um Fluminense rápido e envolvente deixaram bem nítidas as limitações para uma disputa em alto nível.

O time de Abel é o favorito, pelo desempenho, ao título carioca. Também pela dedicação de Flamengo e Botafogo à Libertadores. Na semifinal, deu uma aula de como administrar uma vantagem de empate: nem pensando nela. Finalizando 16 vezes contra nove do Vasco.

Atacando e impondo seu estilo, sem apego ao resultado. Que sirva de exemplo.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vasco cumpre metade da rota para o tri. Não jogar pode ser uma vantagem
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André Rocha

Você leu AQUI que o fato de não estar envolvido em outras competições, embora não fosse o cenário desejado pelo clube, poderia ser um trunfo para o Vasco na reta final do Carioca.

Competição que o clube valoriza na gestão Eurico Miranda, que puxou o tradicional grito de “Casaca!” até na classificação com empate sem gols contra o Flamengo na semifinal do returno. Rubro-negro que jogaria na quarta-feira contra o Atlético Paranaense pela Libertadores.

No Engenhão, a conquista da Taça Rio com a vitória no Engenhão sobre um Botafogo repleto de reservas comandado por um Jair Ventura que voltou da Colômbia para comandar o time e depois partir rumo ao Equador para a sequência do torneio continental, prioridade desde o início da temporada.

Faz diferença o foco total em uma competição. Ainda que seja a menos relevante na hora da avaliação ao fim da temporada. O Vasco de Milton Mendes vai ganhando corpo, com melhor coordenação no trabalho defensivo, aproximando duas linhas de quatro e dando liberdade para Nenê criar e acionar Luis Fabiano. Ou seja, faz o simples.

A cereja do bolo até aqui é o futebol do jovem Douglas Luiz. 18 anos, meio-campista que joga de área a área, autor do primeiro gol. Mesmo não finalizando tão bem, algo para aprimorar no trabalho diário. Ajuda Jean na proteção da defesa, desafoga Nenê e os ponteiros na criação.

Outra promessa da base que pode ser mais aproveitada é Guilherme Costa. Entrou, adicionou habilidade e criação onde Pikachu e Andrezinho pouco acrescentaram. Ainda provocou a expulsão de Marcelo Conceição que ajudou a construir o triunfo consolidado com o primeiro gol de Luis Fabiano com a camisa cruzmaltina, completando passe de Manga Escobar.

A conquista, embora nada signifique em termos esportivos, ajuda financeiramente e transfere confiança para a equipe remodelada pelo novo técnico. Na semifinal que vale, contra o Fluminense, mesmo com o rival levando a vantagem do empate, o Vasco chega mais forte que no final da fase de grupos.

Também porque o tricolor é mais um adversário envolvido em outra competição durante a semana. Pega o Goiás no Maracanã pela Copa do Brasil precisando vencer. Mesmo sem viagem, há a logística, o desgaste, foco no clássico só a partir da quinta-feira, possibilidade de desfalque por lesão. Enquanto o time de Milton Mendes concentra esforços, não dispersa.

O Vasco não é o favorito ao título regional. Nem é absurdo ser considerado, pelo desempenho, a quarta força carioca. Precisa de ajustes e reforços para o Brasileiro. Certamente sua torcida adoraria estar disputando ao menos Sul-Americana e Copa do Brasil.

No Carioca, porém, o contexto favorece. A primeira metade da rota do tri foi cumprida, ganhando taça e moral. Por incrível que pareça, no futebol atual cada vez mais intenso e que exige tanto de corpo e mente, não jogar pode ser uma vantagem.

 


Vasco pode buscar tri carioca no “vácuo” do calendário dos rivais
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André Rocha

A imagem de Milton Mendes gritando e discutindo com Nenê à beira do campo em Moça Bonita na vitória por 2 a 0 sobre o Nova Iguaçu reflete a tensão do treinador que já percebeu que será complicado impor suas ideias, como pressão na saída de bola e muita velocidade na transição ofensiva.

Pelas características e por conta da faixa etária das duas estrelas do elenco, o Vasco tende a ser uma equipe que se recolhe em duas linhas de quatro, deixa Nenê solto circulando atrás de Luís Fabiano. Mas tem soluções interessantes, como Kelvin ou Yago Pikachu fazendo dupla com Gilberto pela direita – ainda que o melhor ponteiro seja o jovem Guilherme Costa, voltando de lesão.

Outro garoto que entrou e tomou conta do meio-campo é Douglas Luiz. Joga de área a área e viabiliza a execução do 4-4-1-1. Até pela presença de Andrezinho, poupado nesta última rodada, como um ponteiro articulador. O Vasco de hoje circula mais a bola que o dos tempos de Jorginho.

Mas ainda depende muito da criatividade e da precisão nos cruzamentos, com bola parada ou rolando, de Nenê. Assistências para Rafael Marques e Pikachu nos gols da vitória. O camisa dez reclama de Douglas, discute com Milton Mendes…mas resolve.

Seja como for, o Vasco pode crescer no Carioca, única competição a disputar até o início do Brasileiro. Buscando um tricampeonato. Importante para o presidente Eurico Miranda, que contratou Milton Mendes exatamente para obter uma resposta rápida do time.

Ainda mais pelo fato dos rivais estarem envolvidos em competições sul-americanas. A semifinal da Taça Rio nada vale objetivamente, mas pode transferir confiança em caso de vitória sobre o Flamengo – ou empate, já que a primeira colocação no grupo deu a vantagem que foi do rival na mesma semifinal da Taça Guanabara. O rubro-negro também terá semana livre, mas com atenções voltadas para o jogo contra o Atlético-PR no dia 12 de abril no Maracanã. Zé Ricardo novamente poupará titulares?

Na outra semifinal, o Botafogo encara um Fluminense que enfrenta na quarta o Liverpool do Uruguai pela Copa Sul-Americana, também no Maracanã. O alvinegro terá semana livre e vantagem do empate. Mas caso chegue à final no dia 16 terá um problema logístico: enfrenta Atlético Nacional e Barcelona de Guayaquil fora de casa na Libertadores nos dias 13 e 20 de abril. Poderia chegar ao Equador com antecedência para se preparar, mas terá que voltar ao Rio. Ou jogar com os reservas que não viajarem e estão inscritos no Carioca.

O título do segundo turno para o Vasco pode ter o simbolismo de uma recuperação na temporada. E ganhar moral para a semifinal da fase final do estadual. O duelo é com o Fluminense, no dia 23. Aí, sim, com o tricolor livre, sem compromissos pela Sul-Americana, já que o jogo de volta é só no dia 10 de maio. Confronto dificílimo, até pela vantagem do empate do Flu em jogo único.

Mas se chegar à decisão contra Flamengo ou Botafogo, nos dias 30 de abril e 7 de maio, novamente terá semanas livres para treinar enquanto o rubro-negro encara o Atlético-PR fora de casa no dia 26 e o Universidad Católica no Rio de Janeiro no dia 3. Já o Botafogo tem confronto com o Barcelona de Guayaquil no dia 2 de maio. Exatamente no meio das finais.

Milton Mendes trabalha para o Vasco evoluir e buscar o tri carioca por seus próprios méritos. Mas no vácuo do calendário dos rivais “continentais” o cruzmaltino pode se fortalecer na disputa pelo título.

 


Para que servem mesmo os estaduais?
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André Rocha

Um dos argumentos em defesa dos estaduais é que dá a chance ao time de menor investimento de receber os grandes em seus estádios, movimentar a cidade e renovar as gerações de torcedores locais.

O Linense, com problemas no “Gilbertão”, aceitou jogar as duas partidas das quartas de final contra o São Paulo no Morumbi para faturar com a divisão da renda líquida das duas partidas. Também pensando no segundo semestre sem a certeza de ter uma competição para disputar.

Fruto exatamente da nossa estrutura federativa que incha os torneios regionais e não se preocupa em permitir que todos os clubes tenham uma divisão a disputar, ainda que regionalizada numa fase inicial.

Uma escolha que abre um precedente perigoso. Se o jogo tiver apelo para o grande e certeza de estádio cheio, o clube de menor investimento pode fazer barganha com algo que faz parte da essência da competição:  a chance de vencer em seus domínios.

Outro argumento para a manutenção desse elefante branco no calendário nacional é a emoção dos clássicos, reforçando as rivalidades e garantindo confrontos que podem não acontecer nos campeonatos nacionais.

Pois o esdrúxulo regulamento do Carioca pode fazer com que as semifinais da Taça Rio signifiquem absolutamente nada para os clubes, sem influenciar na classificação final que define os semifinalistas do campeonato. Basta que Vasco e Botafogo confirmem suas vagas no fim de semana. Inclusive a ordem das equipes não seria alterada.

Isso sem contar o absurdo do Fluminense vencer também o segundo turno e não ser declarado o campeão. O tricolor já declarou que a Copa Sul-Americana é prioridade, Flamengo e Botafogo estão envolvidos com Libertadores e o Vasco só não tem outra competição para dar mais importância porque foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória. Só resta a busca do tricampeonato como prêmio de consolação.

Em 2017 o estadual não tem servido nem para dar uma ilusão de força ao time grande rebaixado à Série B. O Internacional conseguiu a “proeza” de se classificar em sétimo na primeira fase do campeonato gaúcho.

Pode até conquistar o hepta no mata-mata, até porque o Grêmio prioriza a Libertadores, mas a equipe de Antonio Carlos Zago comandada em campo por D’Alessandro não transmite a mínima confiança para seu torcedor. Nem forçando muito a barra dá para se enganar.

Para que servem mesmo os estaduais?


As entrelinhas do acerto do Vasco com Milton Mendes
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André Rocha

No sábado à tarde, Eurico Miranda atendeu a ligação deste blogueiro sem disfarçar a irritação ao responder sobre o interesse do clube na contratação do técnico Milton Mendes.

“Não confirmo nada”, foi a resposta seca. O feeling de quem conhece há décadas o modus operandi do presidente vascaíno era de que o vazamento contrariou o dirigente e o anúncio era questão de tempo.

Com a confirmação de forma oficial no dia seguinte, depois do empate sem gols com o Botafogo no Engenhão, a escolha do novo técnico deixa algumas mensagens nas entrelinhas.

A primeira é que Vanderlei Luxemburgo, nome que surgiu com força e parecia o preferido da torcida pelo que se ouvia nas ruas e notava nas redes sociais e enquetes em portais, não desperta mais tanta confiança.

Primeiro porque nas entrevistas e participações em programas de TV suas declarações de que o futebol continua o mesmo, sem novidades ou evolução no jogo em si, impressionam qualquer um que acompanhe minimamente o que se faz no mundo todo, especialmente nos grandes centros.

Em segundo lugar, e principalmente, há sempre a dúvida: será que o treinador consagrado de outrora vai aceitar trabalhar apenas no campo ou vai dar pitaco em questões administrativas, na estrutura e tomar a frente em negociações de jogadores?

Para um centralizador como Eurico, este pode ter sido o fator decisivo para descartar Luxemburgo. Mais do que o conflito CLT x multa contratual na parte burocrática ou declarações polêmicas do técnico contra a FERJ quando trabalhou no Flamengo.

A escolha de Milton Mendes, que iniciou a carreira de jogador no Vasco, certamente passa pela identificação com o clube, tão valorizada por Eurico, mas também por uma característica do novo comandante: costuma dar respostas rápidas em seus trabalhos. Assim foi no Atlético Paranaense e especialmente no Santa Cruz.

Assumiu em março de 2016, emendou nove vitórias e sete empates, conquistou Copa do Nordeste e Pernambucano, chegou a liderar o Brasileiro nas primeiras rodadas. Ganhou respeito por seu discurso otimista, a elegância no trato com a imprensa e os métodos modernos.

Exige setores compactos e organização, independentemente da escalação com jogadores mais ofensivos ou marcadores. No Vasco deve partir de duas linhas de quatro dando liberdade a Nenê e Luis Fabiano, a estrelas do elenco. Como fez no Santinha com Grafite.

Depois a queda foi vertiginosa, deixando o time pernambucano na zona de rebaixamento, da qual não saiu mais. Preocupante em um trabalho a longo prazo. Mas Eurico quer uma recuperação a ponto de ainda conquistar o Carioca.

Tricampeonato estadual que seria a marca da sua volta ao clube. Ainda que manchada por um rebaixamento. E hoje, olhando o cenário nacional, as pretensões cruzmaltinas para o segundo semestre seriam apenas de se manter na Série A.

É o maior desafio da carreira de Milton, sem dúvida. Por isso não deixa de ser uma enorme incógnita. Até porque a torcida, impaciente com Cristóvão Borges, esperava um técnico tarimbado e com currículo respeitável para lidar com um elenco experiente. Mas pode dar certo.

O que deixa um rastro de dúvida é a influência de Carlos Leite nas decisões do clube. Negociou Luxemburgo e fechou com Milton, ambos agenciados pelo empresário. A contratação de Cristóvão Borges também teve sua indicação.

Por mais que não haja provas e sempre se parta da presunção da inocência, fica no ar a pergunta: será que os jogadores de Carlos também não terão preferência na montagem do elenco e até na escalação do time titular?

Questões que começam a ser respondidas na prática por Milton Mendes a partir da sua apresentação oficial marcada para hoje, segunda-feira, em São Januário. Eliminado da Copa do Brasil e precisando de pontos na Taça Rio para disputar a fase final do Carioca, o Vasco precisa reagir rápido. Para isso contratou o técnico certo, ao menos na teoria.

Mas como será o amanhã?

 


O melhor que você, torcedor consciente, pode fazer pelo seu time de coração
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André Rocha

Este texto não é para quem se relaciona com seu clube apenas no momento de alta, fica sabendo do resultado pela internet e só quer espalhar memes nas redes sociais e zoar o vizinho ou o colega de trabalho no dia seguinte, mas mal sabe a escalação.

É para você que consome futebol, ainda que priorize o time de coração. Que paga TV por assinatura, pay-per-view, é sócio-torcedor, interage nas redes sociais e tenta participar da vida do clube, mesmo que à distância.

No ano da graça de 2017, o melhor que o torcedor pode fazer por sua paixão é mais do que alimentar os cofres do clube.

Durante anos, décadas, você foi ensinado que o torcedor de verdade é aquele apaixonado, irracional, de amor incondicional. Que sofre, berra, pede a saida do técnico “burro” e, se preciso, patrulha até o que o craque do seu time faz na folga. Também foi passado ao fanático um “manual” de explicações para a boa e a má fase do seu time.

Do “time sem vergonha” ao “time de guerreiros”. Do “técnico retranqueiro” ao “paizão da família”. Do “apagão” à “torcida que carregou nas costas”. Do “grupo na mão do treinador” aos “vagabundos que quebram na noite”.

Nada lhe ensinaram sobre tática e estratégia. Ou apenas o superficial, como “time que não tem craques só ganha na tática”, mas nunca explicaram muito bem o que seria isso. Porque sabem que é mais fácil capturar pelo emocional. Convencer que se você gritar o time vai correr e vencer. Mas se perde em casa com estádio lotado explicam que a equipe “sentiu o peso do jogo” ou “caiu no oba oba da torcida”.

Por isso, se você quer cobrar de dirigente, treinador ou atleta é preciso algo fundamental em qualquer área da vida: conhecimento.

Para não cair na fácil tentação, por exemplo, de exigir uma goleada do Palmeiras sobre o Jorge Wilstermann no Allianz Parque. Porque sim. Porque o Palmeiras gastou muito e é obrigado a atropelar o pobre boliviano na Libertadores.

Sem compreender que o time de Eduardo Baptista passa por uma transição de modelo de jogo e que se acostumou com Cuca a definir rapidamente a jogada. E contra uma linha de cinco bem treinada, o que não necessita de grandes craques ou um técnico de ponta da Europa, é preciso rodar a bola, trabalhar as jogadas.

Inclusive recuar para o goleiro com o intuito de abrir espaços, tirar um pouco o 5-4-1 do oponente do próprio campo. Mas te ensinaram a vaiar essa prática porque “é anti-jogo”, “coisa de time pequeno que não quer jogar”. Então que fique tentando a esmo, despejando bolas na área até conseguir com o gol de Mina nos acréscimos. Esmurrando a ponta da faca “porque sofrido é mais gostoso”. Será?

Vivemos outros tempos, felizmente. Antes os bolivianos chegavam aqui ingênuos, sem informação de nada. Para perder de pouco. Agora na internet você acha todos os movimentos que uma linha de cinco atrás precisa fazer para fechar os espaços. É óbvio que o técnico Roberto Mosquera conhecia as virtudes e defeitos de Dudu, Borja, Felipe Melo, Guerra, Mina, Tchê Tchê…

Assim como Zé Ricardo sabia que o Flamengo precisava da velocidade e da boa leitura defensiva de Marcio Araújo para limitar os movimentos de Diego Buonanotte, o meia argentino que faz a Universidad Católica jogar.

Escalou três volantes de ofício, sim. Mas só o contestado camisa oito à frente da defesa, com Romulo quase na linha de Diego e Willian Arão mais aberto pela direita. A velha confusão entre posição e função. Foi “covarde”, “jogou com medo”? Como, se finalizou 15 vezes contra 11 dos donos da casa.

O problema foi a eficiência nas finalizações. Paolo Guerrero, centroavante e artilheiro rubro-negro na temporada, teve seis chances. Três dentro da área. Nenhuma nas redes em um jogo parelho de Libertadores fora de casa.

Santiago “El Tanque” Silva teve duas. Uma na bola mal recuada por Rafael Vaz que parou em Muralha. Na segunda, aproveitou um erro de marcação coletiva – Pará não podia estar com o centroavante bem mais alto – e definiu o jogo.

Berrío, tão aclamado pelo torcedor pela velocidade de “The Flash”, entrou para deixar a equipe, em tese, mais ofensiva antes mesmo do gol sofrido. Errou tudo que tentou e ainda foi expulso por uma bobagem. Será que a culpa foi mesmo do técnico Zé Ricardo?

Para criticar é preciso conhecer, entender. O ex-jogador e colunista Tostão costuma dizer que o futebol é tão caótico e imprevisível que você pode falar a maior bobagem do mundo e ela acontecer no campo. Sem dúvida. E por isso estamos aqui refletindo sobre o esporte mais arrebatador desde sempre.

Não há dono da verdade neste jogo, mas há tendências. E a análise mais coerente dos fatos. O que é bem diferente de opinião. Não é tão simples dizer que jogou bem ou mal sem o mínimo de base. E o resultado não pode definir a questão e ser o norte da análise, que por aqui quase sempre é feita de trás para frente. Perdeu? Quem é o culpado, por que errou? Se venceu vão achar o heroi, as explicações para a boa fase. Mesmo que tenha conquistado os três pontos jogando muito mal.

Quer ver sua visão respeitada? Tente observar e entender melhor o que acontece em campo. Porque é ele que norteia todo o resto. Bastidores, gestão financeira, política. Tudo. Para reclamar é preciso saber.

Outro dia este blogueiro entrou num Uber e foi reconhecido pelo motorista. Vascaíno, logo começou a reclamar do trabalho de Cristóvão Borges. Mas chamando o treinador de “muito retranqueiro”. Como havia escrito sobre no dia anterior, expliquei que o problema era exatamente o contrário: o time se adianta, não pressiona quem está com a bola e deixa a retaguarda totalmente exposta. Lembrei um ou dois lances do empate com o Macaé no Engenhão e ele me deu razão. Continuou protestando, mas agora por um motivo mais justo.

Torcedor, estamos na era da informação. Não deixe mais colocarem você numa redoma de ignorância voluntária reclamando e cobrando da mesma forma que seu pai e avô. Procure bons canais de informação, mas também de análise. Que mostre o que acontece realmente nas quatro linhas. Temos ótimas referências no assunto que, felizmente, são as exceções à regra.

O bom técnico se recicla, o jogador se atualiza, mesmo que na marra, por necessidade. O formador de opinião também precisa. Por que não o torcedor que quer ser parte do processo?

Sem populismo, apelação. Também sem essa relação cliente/fornecedor muito presente hoje no jornalismo esportivo: o comentarista diz o que o torcedor quer ouvir. Elogio na vitória e crítica na derrota. Sem contexto. Até para ter paz nas redes sociais cada vez mais bélicas. Exatamente por causa do desconhecimento incentivado por quem deveria esclarecer.

Fuja dessa cilada secular. Não se deixe enganar por quem acha que você não sabe pensar, só sentir. Entenda para cobrar e ajudar seu time de verdade. É bom tirar sarro do rival e explodir de alegria no estádio. Mas melhor ainda é quando se sabe o que está dizendo.