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Messi, CR7 e Champions são “culpados” pela disparidade nas ligas europeias
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André Rocha

Foto: Sergio Perez / Agência Reuters

O Bayern de Munique garantiu o sexto título consecutivo da Bundesliga, conquista inédita, com cinco rodadas de antecedência. Na França, o Paris Saint-Germain retomou do Monaco a hegemonia também disparando e confirmando matematicamente faltando cinco rodadas. A Juventus na Itália teve mais dificuldades, porém superou o Napoli e faturou o heptacampeonato nacional.

Na Premier League há maior alternância de poder, mas o Manchester City de Pep Guardiola liderou de ponta a ponta e empilhou recordes: chegou aos 100 pontos em 38 jogos e ainda fez história com mais vitórias (32), triunfos consecutivos (18), gols marcados (105), saldo (+79) e os 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Se somarmos tudo isso ao domínio do Barcelona nesta edição da liga espanhola, com a invencibilidade perdida apenas na penúltima rodada com vários reservas e uma atuação desastrosa do colombiano Yerri Mina nos 5 a 4 do Levante. mas título confirmado faltando quatro jogos, temos um cenário em que as principais ligas da Europa não reservaram disputas mais acirradas.

A senha para os disseminadores do “ódio ao futebol moderno”, muitos confundindo equilíbrio com qualidade, protestassem contra este cenário em que, para eles, apenas a disparidade econômica justifica essa vantagem dos campeões.

O grande equívoco é desprezar a enorme competência e know-how desses clubes. O Bayern ostenta a melhor geração de sua história ao lado da de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier nos anos 1970. O mesmo vale para a Juventus. O PSG nem há como comparar e no caso do Manchester City há um retrospecto de conquistas na década, mas principalmente a presença do “rei das ligas” Guardiola, com sete conquistas em nove temporadas por três clubes e países diferentes.

Sem contar Barcelona e Real Madrid com os grandes times de sua história. E os maiores jogadores de todos os tempos nos dois clubes. Competindo na mesma época. Eis a chave para todo este cenário.

Messi e Cristiano Ronaldo venceram as quatro últimas edições da Liga dos Campeões. Se considerarmos desde 2007/08, dez anos, são sete: Manchester United com uma, Barcelona e Real Madrid com três. E os merengues em mais uma decisão podendo ampliar este retrospecto.

Em tempos recentes nunca houve nada parecido. Um fenômeno que subiu o patamar da Champions para níveis estratosféricos. De interesse, inclusive, pela sedução de se medir entre grandes da história. Com isso, o sarrafo foi parar no topo. Para desafiá-los é preciso estar em um nível de excelência em desempenho. Em todos os aspectos – físico, técnico, tático, mental, logística…

Resta aos desafiantes investir. Em elenco, comissões técnicas, estrutura…Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique conseguiram superá-los, com os alemães ainda acumulando dois vices e os ingleses um. Manchester United, ainda com CR7, Borussia Dortmund, Juventus e Atlético de Madri chegaram às decisões, mas não conseguiram equilibrar forças em jogo único. PSG e City seguem lutando para furar a casca e entrar no grupo de clubes mais tradicionais. O Liverpool, finalista depois de onze anos, tenta voltar à elite. Mas não é fácil.

Com esse nível tão alto, quem não consegue acompanhar vai perdendo o bonde da história. E os gigantes trabalham para ficar cada vez melhores de olho no principal torneio de clubes, dominado por Messi e Cristiano Ronaldo com seus históricos Barcelona e Real Madrid, mesmo com o time blaugrana de fora das últimas três semifinais.

Como consequência sobram em seus países. Elenco numerosos, estruturas fantásticas, ótimas comissões técnicas. Nos casos específicos de Bayern de Munique e Juventus, os títulos consecutivos acontecem também porque não há como se acomodar com as conquistas nacionais. Não são a prioridade. Então mesmo sobrando os processos são revistos e aprimorados, o elenco ainda mais qualificado. O time que está ganhando se mexe e fica ainda melhor. Pensando em Barça e Real Madrid.

Mas não basta só dinheiro. Ou o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp não seria bicampeonato alemão de 2010 a 2012, o Atlético de Madri não teria superado os gigantes na Espanha em 2014. O mesmo com o Monaco contra o PSG na temporada passada e, caso a Juve não tivesse deixado a Champions ainda nas quartas eliminada pelo Real Madrid e dividisse esforços por mais tempo, o Napoli poderia ter fôlego para terminar na frente. Sem contar o fenômeno Leicester City na liga mais valiosa do mundo em 2015/16. Se não jogar muito não vence. A tese do “piloto automático” é furada.

Mais do que nunca o futebol no mais alto nível exige superação constante. Com regularidade, consistência. “Culpa” de Messi, Cristiano Ronaldo e da Liga dos Campeões que levam o esporte para outra galáxia. Ainda bem que estamos vivos para ver a história sendo escrita. E até os que hoje reclamam vão sentir saudades, mesmo que não admitam.

 

 


VAR agora é regra! Porque o “molho” do futebol é o melhor sair vencedor
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André Rocha

A International Football Association Board (IFAB), órgão da FIFA responsável por regulamentar as regras do futebol, anunciou mudanças para os próximos dois anos. Entre os pontos mais relevantes se encontram a permissão para a quarta substituição na prorrogação e a introdução do árbitro de vídeo (VAR), já valendo para a Copa do Mundo na Rússia. Leia mais AQUI.

Impressiona como a utilização do árbitro de vídeo possa ser algo tão contestado no Brasil. Talvez porque se os erros de arbitragem forem minimizados para muita gente vai faltar assunto. Seja em programas de debates na TV e no rádio, seja nas mesas de bar e o fetiche das teorias de conspiração.

Mas basta pensar em um futebol profissional, com investimentos cada vez maiores e muito em jogo nas principais competições para concluir o óbvio: decisões tão importantes não podem ficar a cargo apenas dos olhos de quem está no campo. Em fração de segundos, nem sempre em uma posição privilegiada para a melhor interpretação.

É óbvio que ainda haverá erros ou lances muitos questionáveis. As câmeras e os demais recursos tecnológicos continuam sendo ferramentas para a análise e a interpretação de um ou mais indivíduos, com todas as suas imperfeições, incoerências e fraquezas.

Mas só de evitar erros grosseiros, muitas vezes detectados na TV sem precisar de repetição ou câmera lenta, já será um enorme avanço. Assim como oficializa o uso “informal” dos recursos, como fica nítido em algumas partidas jogadas no Brasil, mas não se admite por ser uma irregularidade.

O lateral Marcelo, do Real Madrid e da seleção brasileira, disse após o clássico contra o Barcelona no fim de semana que era contra o VAR porque “tira o molho do futebol”. Os detratores desta modernização vibraram, assim como o erro dos árbitros de vídeo no Campeonato Australiano.

Muito fácil para o brasileiro dizer isso depois de ver sua equipe prejudicada em uma partida que objetivamente nada valia pelo Campeonato Espanhol. Mas beneficiada por erros tão graves quanto na Liga dos Campeões, grande objetivo do time merengue na temporada. Inclusive num pênalti que o próprio brasileiro admitiu ter cometido colocando a mão na bola dentro da área. Mas sem mudar o resultado final da partida.

Para quem joga no time grande, de fato, o VAR pode atrapalhar muito. Afinal, na dúvida e precisando decidir em um segundo, a arbitragem muitas vezes pende para o mais forte e influente temendo uma punição maior caso tenha se equivocado na interpretação.

Mas se o que torna o esporte tão apaixonante é sua imprevisibilidade, nada melhor que um recurso que aumente as chances do menor vencer o mais poderoso. Dizem por aí que o bom do futebol é que ele não é justo e um time pode vencer sendo dominado e acertando apenas um chute a gol. Então que o VAR seja mais uma ferramenta que possibilite que ninguém interfira nessa particularidade.

Que venha o árbitro de vídeo! Porque o verdadeiro “molho” do futebol é o melhor – ou o mais eficiente ou o mais feliz nos 90 minutos – saindo de campo com a vitória.


Real Madrid se sai melhor que o Liverpool nos clássicos antes de Kiev
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André Rocha

Havia muito em jogo para Real Madrid e Liverpool contra Barcelona e Chelsea, respectivamente, na reta final das ligas nacionais, impedindo que os times pudessem se dedicar exclusivamente à final da Liga dos Campeões no dia 26 em Kiev.

Para os Reds era a chance de confirmar a vaga na próxima edição do principal torneio do continente. No Stamford Bridge contra um adversário direto na Premier League. Já o time merengue entraria no Camp Nou com a missão de impedir o título espanhol invicto do rival Barcelona e ainda “carimbar” a despedida de Iniesta do clássico.

Tirando tudo que foi desnecessário no duelo entre os últimos campeões espanhois e europeus, desde o Real se recusando a recepcionar em campo o adversário que confirmou a conquista na rodada anterior até as brigas, chutes e pontapés que tiraram muito da beleza de um jogo sempre especial, não é absurdo dizer que a equipe de Zinedine Zidane deu mais uma demonstração de força.

Por iniciar pressionado pela dupla Messi-Suárez mais acesa que o habitual e pelo gol do uruguaio logo aos nove minutos em saída rápida bem engendrada com assistência de Sergi Roberto. Mas responder rapidamente com jogada coletiva ainda mais bela: calcanhar de Cristiano Ronaldo para Kroos, centro do alemão para Benzema preparar e o gênio português finalizar a obra que iniciou. O 25º do vice artilheiro da competição.

Real com uma “velha novidade” de Zidane: o trio “BBC”, fazendo a variação do 4-3-3 para as duas linhas de quatro sem a bola com o recuo de Gareth Bale pela direita. Na transição ofensiva, muita movimentação dos três, enchendo mais a área adversária. Ao menos por 45 minutos, já que Cristiano Ronaldo, por precaução, teve que sair no intervalo, substituído por Asensio.

Não só porque sentiu uma entrada dura, aparentemente maldosa, de Piqué justamente no lance do gol que empatou a disputa. Também por conta da pancadaria que tomou conta do jogo, muito mal conduzido pelo árbitro Alejandro José Hernandez, que culminou na expulsão de Sergi Roberto, que ingenuamente agrediu Marcelo na frente do juiz.

Desta vez o Real pode reclamar muito das decisões da arbitragem. Principalmente pela falta clara de Suárez na disputa com Varane que terminou no golaço de Messi quanto na falta dentro da área do Barça não menos nítida de Jordi Alba em Marcelo. Podia ter mudado o clássico e complicado a vida e a invencibilidade do time da casa muito mais que o golaço de Bale, completando assistência de Asensio. Foram 17 finalizações contra 11 do time blaugrana.

Mesmo com os 2 a 2, a força mental e a cultura de vitória se fizeram presentes. O desempenho geral também foi satisfatório. Confirmando algo que já virou senso comum: é difícil superar este Real Madrid em jogo grande.

O Liverpool também costuma crescer neste tipo de confronto, mas não foi o caso do duelo em Londres. Porque o time de Jurgen Klopp, ainda que mantenha a proposta ofensiva longe do Anfield Road, não consegue reproduzir o “arrastão” num ciclo de pressão pós-perda, acelerar a circulação da bola e acionar o seu trio de ataque.

Salah, Firmino e Mané também pagam um pouco o preço do sucesso e da visibilidade. Estão mais estudados e, consequentemente, vigiados em campo. Ainda mais contra o time de Antonio Conte com sua linha de cinco defensores e mais Kanté e Bakayoko na proteção.

Deram algum trabalho ao goleiro Courtois na primeira etapa, mas nos minutos finais apelaram para os muitos cruzamentos procurando Solanke, que entrou na vaga do lateral esquerdo Robertson, e o zagueiro Van Dijk, que se transformou em um segundo centroavante. Sem ideias, sem brilho. Os torcedores podem até desdenhar, mas quando os espaços diminuem o fato é que Philippe Coutinho faz muita falta aos Reds.

Assim como a equipe se ressente de uma maior solidez defensiva, especialmente pelo alto. No centro da direita, Giroud subiu mais que Lovren para marcar o gol único do duelo, ainda no primeiro tempo. Na ausência do lesionado Oxlade-Chamberlain, Klopp deixou Henderson no banco e arriscou uma formação com Alexander-Arnold formando o meio-campo com Wijnaldum e Milner e Clyne entrando na lateral direita. Podia ter sido melhor.

Apesar dos 68% de posse, foram apenas dez finalizações dos visitantes contra 12 dos Blues, que também foram superiores em desarmes e no jogo aéreo. Resultado coerente com o que foi a partida disputada com a intensidade típica do Campeonato Inglês.

Agora é obrigatório vencer o Brighton em Anfield para chegar aos 75 pontos e garantir ao menos a quarta colocação. A menos que venha a apoteose na Ucrânia com o sexto título da Champions. Depois de onze anos sem chegar a uma decisão e treze da última conquista.

Missão que já era complicada por enfrentar o atual bicampeão e maior vencedor da história. Depois dos clássicos fica a impressão de que a tarefa ficou ainda mais difícil.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


A noite simbólica dos fracassos de Guardiola e Messi na Champions
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André Rocha

O Barcelona e o Manchester City serão campeões na Espanha e na Inglaterra. Por isso seria exagero falar em “morte” da escola que valoriza a posse de bola e jogadores mais ágeis, técnicos e de menos imposição física. Ainda que Pep Guardiola e Ernesto Valverde venham buscando adaptar e adicionar intensidade e pragmatismo em suas propostas de jogo.

Mas na Liga dos Campeões as eliminações para Roma e Liverpool são duras e simbólicas demais para os dois. Principalmente pelos contextos e pelo que fizeram os vencedores.

Jogos eliminatórios são naturalmente tensos e exigem força mental, concentração e precisão. Principalmente porque quando os nervos estão à flor da pele, quanto mais naturalidade e “jogar de memória” melhor. Mas ligado, firme. Não é por acaso que o Real Madrid vem se impondo nos últimos anos no torneio. O time merengue se adapta a qualquer cenário. Com o feeling de Ancelotti e agora Zidane.

Guardiola pecou por novamente “ousar” na formação do City. Um 3-1-4-2 com Walker e Laporte como zagueiros-laterais, Fernandinho alternando como zagueiro e volante, De Bruyne mais recuado adiantando David Silva, Bernardo Silva pela direita e Sterling mais próximo de Gabriel Jesus. Até surpreendeu o Liverpool no primeiro tempo pela pressão logo após a perda da bola e a capacidade de ocupar o campo de ataque com oito ou nove homens.

Mas de novo falhou ao não transformar 66% de posse e 13 finalizações em um placar maior que o 1 a 0 no gol de Gabriel Jesus logo aos dois minutos. Arbitragem à parte no polêmico gol anulado de Sané que custou a expulsão do treinador catalão pelo “piti” na saída para o intervalo.

A pausa fez Jurgen Klopp acalmar e reagrupar seu time. Com Mané pela direita ajudando Alexander-Arnold para fechar as incursões de Sané, Salah no centro e Firmino à esquerda, além de serenidade para conter a pressão e ficar um pouco mais com a bola. Mas o gol que definiu a vaga saiu no jogo direto, vertical. Liberdade de Chamberlain para acionar Salah e deste para Mané. Disputa com a zaga e sobra para o toque com categoria do egípcio. No final, Firmino apenas selou a classificação dos Reds para a semifinal da Liga dos Campeões depois de dez anos.

O City construiu sua campanha quase perfeita na Premier League com um 4-3-3 executado com todos os conceitos aplicados por Guardiola. Laterais Walker e Delph ora apoiando por dentro, ora por fora se juntando aos ponteiros Sterling e Sané que são abastecidos por De Bruyne e David Silva e acionam Aguero ou Gabriel Jesus. Ideia bem assimilada, movimentos bem coordenados.

O obsessivo Guardiola desconstruiu tudo nos dois jogos das quartas-de-final e pela quinta temporada consecutiva sequer chega à decisão da Champions. Desta vez com duas derrotas. Sinal de que é preciso rever algumas ideias e práticas para suas equipes se tornarem mais competitivas nessas disputas mais imprevisíveis, condicionadas a mando de campo e definidos no placar agregado. Cenário bem diferente das ligas nacionais das quais o treinador caminha para o sétimo título em nove anos de carreira. Com jogos menos complicados de planejar e controlar.

Controle que foi o que o Barcelona não teve no Estádio Olímpico de Roma. Permitiu o jogo físico do time italiano bloqueando Messi e Suárez e forçando pelos lados e nos passes longos para Dzeko e Patrik Schick contra Piqué e Umtiti, sobrecarregado na cobertura de Jordi Alba. Duas esticadas para Dzeko, gol do bósnio no primeiro pênalti e pênalti sofrido e convertido por De Rossi. No “abafa”, o gol de Manolas no escanteio.

No final, Piqué de centroavante. Desde 2010 é a solução quando o time de jogadores mais baixos, técnicos e velozes não consegue jogar ao natural e criar espaços. A Roma travou as infiltrações com Manolas, Fazio e Juan Jesus mais De Rossi na proteção e Florenzi negou as ultrapassagens de Alba. O Barça parou. De novo. Foi assim contra Atlético de Madri e Juventus.

Foram 15 finalizações a seis, oito na direção da meta de Ter Stegen e apenas duas que fizeram Alisson trabalhar. Domínio absoluto de quem parecia eliminado por conta dos 4 a 1 no Camp Nou.

E Messi? De novo flanando em campo como se jogasse uma partida qualquer da liga espanhola, que o argentino conquistou seis vezes nos últimos nove anos. Natural até demais…Mais uma vez não se viu a indignação com a derrota. Ou a noção de que é a Liga dos Campeões que vem definindo o melhor do mundo e, por isso, Cristiano Ronaldo transformou um 4 a 2 em 5 a 5. Agora caminhando para o desempate a favor do português. A terceira eliminação sem gols de Messi nos confrontos. Sintomático.

Noites históricas para Liverpool e Roma, com muito a comemorar. Feitos memoráveis também por superarem o treinador e o jogador mais talentosos desta era. Que construíram juntos uma trajetória vencedora lá no início da década e, fora a epopeia do Barça em 2015 com o trio MSN sob o comando de Luis Enrique, ficaram devendo em conquistas na competição mais importante.

É preciso mais que regularidade e foco na qualidade do jogo. E o paradoxo: enquanto Guardiola fica pilhado demais e acaba “inventando”, Messi parece indiferente, serenidade que se transforma em letargia. Mais uma noite de fracasso para rever convicções e prioridades.

(Estatísticas: UEFA)

 

 


Na semana de reverências a Cristiano Ronaldo é obrigatório exaltar Zidane
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André Rocha

Imagem: Reprodução TV Globo

A bicicleta espetacular de Cristiano Ronaldo em Turim tinha mesmo que monopolizar as atenções, o noticiário e as análises sobre Real Madrid e Juventus, confronto praticamente definido nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Serviu para muitos que desdenhavam da capacidade do português se renderem à sua genialidade que não é igual a de Lionel Messi, mas mesmo diferente não é menor. A incrível capacidade de adaptação para seguir decidindo e a inteligência em campo para facilitar o jogo de sua equipe e aparecer para o toque final é sem par na história do futebol.

No entanto, pouco se falou de outro grande personagem da vitória merengue. Ou melhor, a repercussão ficou restrita à sua reação incrédula ao momento mágico da partida. Como um espectador privilegiado de uma obra de arte.

Mas Zinedine Zidane foi muito mais que isto. Ele interferiu diretamente na disputa que culminou nos 3 a 0. Mais uma vez com a simplicidade e a discrição que são sua marca desde os tempos de jogador. Um dos melhores de todos os tempos.

Como treinador, se não é estrategista ou inovador, vem conduzindo com sabedoria e potencializando o melhor de um elenco curto. Apostando em entrosamento dentro e fora do campo. Gestão serena do grupo criando um clima positivo e mudando peças e o sistema de jogo sem alterar a proposta. Todos jogam e descansam de acordo com a necessidade.

Está claro que há três desenhos táticos bem definidos. Um 4-4-2 com Lucas Vázquez e Asensio pelos lados na linha de meio-campo que torna o time mais dinâmico, intenso e veloz; o 4-3-3 cada vez menos usado por apresentar menos variações e depender do trio “BBC” com a entrada de Bale na frente com Benzema e Cristiano Ronaldo. Mas ainda uma opção dependendo da necessidade da partida e também para dar minutos ao galês e mantê-lo motivado.

Por último, o 4-3-1-2 dos dois triunfos sobre a Juventus – na final da Champions na última temporada e no duelo de terça-feira – que valoriza a posse de bola com Kroos, Modric e Isco e ganha mobilidade com o meia espanhol circulando por todos os setores para desestabilizar a marcação e acionar a dupla de atacantes. Novamente desmontou o sistema defensivo da hexacampeã italiana.

Mérito de Zidane, mesmo com todas as relativizações. Difícil imaginá-lo tão à vontade em outro ambiente. A base de jogadores e também dos conceitos desde os tempos de Carlo Ancelotti ajuda muito. A convivência anterior com praticamente os mesmos atletas como auxiliar construiu uma cumplicidade fundamental no dia a dia tenso de um clube de ponta, do qual nunca se exige menos do que o máximo de conquistas.

É óbvio que Zidane também se equivoca no começo de sua trajetória em um novo ofício. O péssimo início na liga espanhola combinado com a campanha espetacular e invicta do Barcelona praticamente inviabilizou a disputa pelo bicampeonato nacional. Nos duelos contra o Tottenham pela fase de grupos da Champions e no clássico contra o Barça o desempenho foi bem aquém da condição de equipe que conquistou o inédito bicampeonato do maior torneio de clubes do mundo em sua versão atual.

Sem contar a inexplicável insistência com Benzema, que hoje funciona como mero suporte para Cristiano Ronaldo. Quando não atrapalha desperdiçando oportunidades cristalinas. Imperdoável em jogos grandes.

Ainda assim, “Zizou” merece o reconhecimento. Principalmente por ter convencido seu camisa sete a descansar ao longo da temporada para estar pronto e concentrado nos jogos mais importantes. Planejamento perfeito em 2016/17 e agora, mesmo com a inesperada suspensão nos cinco primeiros jogos do Espanhol, o português também está voando na reta final.

Tudo com muita naturalidade, que é a marca deste time vencedor. Sem o comandante que faz questão de deixar sua assinatura e mostrar ao mundo que buscou algo diferente para surpreender. O pecado de Pep Guardiola na derrota do Manchester City para o Liverpool no Anfield Road. Com Zidane o protagonismo é sempre dos jogadores.

Em casa ou fora o Real atua da mesma maneira. Com inteligência, sabendo o momento de pressionar o adversário no seu campo ou de recuar as linhas e aproveitar os espaços às costas da defesa do oponente. Sempre voltado para o ataque e valorizando o espetáculo. Seja no passe preciso de Kroos, no ímpeto de Marcelo pela esquerda ou na eficiência assombrosa de sua estrela máxima com direito a momentos de magia.

Na semana de reverências a Cristiano Ronaldo é obrigatório exaltar Zidane. Sem ele toda essa jornada histórica do maior time do planeta seria bem mais complicada.

 


Cristiano Ronaldo, o gênio da grande área no futebol 2.0
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André Rocha

Na décima primeira rodada do Campeonato Espanhol, Lionel Messi tinha 11 gols e Cristiano Ronaldo apenas um. Mesmo assim, o português, segundo o programa “El Transistor”, da rádio “Onda Cero”, teria apostado com colegas do Real Madrid que terminaria a temporada na artilharia da Liga.

Com os quatro marcados nos 6 a 3 sobre o Girona em mais uma noite de gala no Santiago Bernabéu, o CR7 chegou a 22 gols, ultrapassando Suárez e ficando a três de Messi. Faltando nove partidas. São 18 nos últimos 11 jogos, seis nas últimas duas rodadas. Foi às redes nas últimas seis.

O atacante tem motivos para confiar no próprio taco. O início ruim era parte de um período complicado, com as férias adiadas por conta da disputa da Copa das Federações pela seleção portuguesa. Depois, quando voltava aos poucos à equipe merengue na disputa da Supercopa da Espanha contra o Barcelona foi expulso e acabou ficando de fora de cinco jogos. Suspensão por empurrar o árbitro.

Ciente de que com 33 anos os problemas físicos em consequência do desgaste natural de mais de uma década competindo em alto nível pesam, Cristiano Ronaldo se adapta e prepara para estar no ápice do desempenho no momento decisivo da temporada.

Por conta da campanha invicta do Barcelona, o título espanhol é um sonho quase impossível. Mas isso não o faz entregar menos de 100% sempre que está em campo. O que mais impressiona em Cristiano Ronaldo é a capacidade de concentração.

Repare em seus movimentos. Ele sempre busca o desmarque para surgir livre no momento da conclusão. Para isso não descuida da parte atlética. A explosão é fundamental. Também a força mental que parece se alimentar das críticas e do descrédito para se superar. Mas a maior virtude, sem dúvida, é o domínio de todas as ações dentro da área adversária.

Como atua solto como atacante no 4-4-2 do Real, Cristiano alterna os deslocamentos em diagonal, partindo da direita ou da esquerda, com a infiltração pelo centro para finalizar por baixo ou por cima, aproveitando estatura e impulsão. Tem o timing para concluir antecipando na primeira trave ou esperando na segunda para definir.

Com a má fase e a insegurança de Benzema para finalizar, ele acaba sendo ainda mais beneficiado. Além do seu lado um tanto egoísta. O CR7 é como um jogador de vôlei de praia que força para receber o serviço e consequentemente ser o responsável pelo ataque.

O número de assistências vem caindo a cada temporada. 22 em 2014/15, depois 15, 10 e agora sete. A última girando e dando como pivô a Lucas Vázquez o terceiro gol do Real sobre o Girona. Mas quase sempre induz os companheiros a serví-lo. Como a eficiência costuma ser absurda, quem vai negar?

Johan Cruyff definiu Romário, no auge atuando pelo Barcelona, como o “gênio da grande área”. Não estava errado em 1993/1994. Outros tempos, outro jogo. Outra cabeça do Baixinho, que depois da consagração na Copa do Mundo e da conquista da Bola de Ouro voltou para o futebol brasileiro. Romário que admitiu ter disputado uma final de Liga dos Campeões com a cabeça no Mundial nos Estados Unidos – derrota por 4 a 0 para o Milan em Atenas. Alguém imagina Cristiano Ronaldo fazendo o mesmo?

O futebol atual é o dos setores compactos, do pouco tempo e espaço para jogar, da necessidade da decisão correta e da execução precisa. Se é melhor ou pior que os de outras décadas vai de cada um. Mas a evolução dentro e fora de campo é inquestionável. O futebol 2.0.

E nesta Era o gênio da grande área é Cristiano Ronaldo. O maior artilheiro da história do Real Madrid, da seleção portuguesa e da Liga dos Campeões. Ninguém é mais letal no último toque para as redes adversárias. Média de sete finalizações por partida.

Ainda que Messi em sua fase mais goleadora tenha alcançado o recorde de 91 gols em 2012. O argentino tem cabeça de meia, camisa dez. Ele chega na área, não a ronda como um centroavante. Cristiano é sete, mas tem alma de nove. Cada vez mais.

No Brasil respeitam pouco Cristiano Ronaldo. Vira e mexe surgem jogadores do passado se colocando acima e menosprezando seus feitos, como se a concorrência atual fosse fraca. Como se todos tivessem disputado tudo com um Messi. Sem contar Ibrahimovic, Lewandowski, Eto’o, Neymar, Cavani, Suárez, Diego Costa, Muller, Griezmann, Hazard, Aguero, Robben, Ribéry e tantos outros nessa década disputando sempre no topo.

O “robozão” já foi ponta habilidoso. No auge do Manchester United virou um atacante completo. Criativo e artilheiro. Com o tempo foi aprendendo a ser minimalista. Poucos toques, uma pilha de gols. De todas as maneiras. Pé direito, canhota, cabeça. Cobrando faltas e pênaltis. Antes mais regular, agora aparecendo quando é fundamental.

Se não encanta seus olhos, que sua boca respeite Cristiano Ronaldo. Ele faz por merecer jogo a jogo. Título a título. Gol a gol. É duro apostar contra o português.

(Estatísticas: WhosScored.com)


Messi 600 e histórico! Mas dependência do Barcelona já passa do ponto
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André Rocha

O jogo decisivo da temporada para o Atlético de Madri reforça a impressão de que o modelo de Diego Simeone está desgastado depois de sete temporadas.

No Camp Nou, repetiu a estratégia de sempre contra o Barcelona: adianta linhas e pressiona saída de bola. Se o adversário ultrapassa esse bloqueio, se recolhe em duas linhas de quatro compactas para negar espaços, principalmente para Messi.

Mas com cinco pontos atrás na tabela era preciso mais e o time visitante não entregou. Só no segundo tempo, perdendo por 1 a 0, partiu para o desespero mantendo o 4-4-2, porém com Correa na ponta direita e Gameiro fazendo dupla com Diego Costa.

E Griezmann…Depois de sete gols nas últimas duas partidas era de se esperar mais do francês. Assumir o protagonismo, tentar algo diferente. Mas o camisa sete foi o atacante com liberdade atrás de Diego Costa e depois o ponteiro pela esquerda. A rigor, nada produziu.

Melhor para o Barcelona pragmático de Ernesto Valverde. Treinador que voltou a sacrificar Philippe Coutinho de início pela direita na linha de meio-campo. Só inverteu de lado por causa da lesão de Iniesta ainda no primeiro tempo.

Paulinho estava no banco, mas entrou…André Gomes. O blogueiro já desistiu de entender. Não melhora a produção pelo flanco, com ou sem a bola. É lento, tanto para buscar espaços às costas da defesa quanto para fazer a bola circular. Um corpo estranho em campo. Com Suárez lutando, mas pouco inspirado na luta contra Giménez e Godín, sobrou para Messi.

Qualquer time no planeta dependeria do argentino. Na história do esporte poucas equipes não teriam o genial camisa dez como seu maior destaque. Mas este Barcelona tem passado do ponto. Não é por acaso que é o artilheiro da liga espanhola com 24 gols e líder também em assistências, com doze.

Messi recua para organizar e distribuir. Se avança e encontra espaços entre a defesa e o meio do adversário parte para a decisão da jogada. Ou arranca e serve o último passe, ou toca rápido e aparece na área para finalizar.

Ou tenta resolver tudo sozinho. No clássico que encaminha o título espanhol foi o que aconteceu. Buscou a jogada individual, sofreu a falta e cobrou com a precisão que só aumenta. Terceiro gol seguido desta forma, tirando do alcance do ótimo goleiro Oblak.

O 600º gol na carreira em partidas oficiais. Histórico. Mas ele não é super homem, embora pareça um extraterrestre. Muito menos com 30 anos. Não dá para depender tanto, ainda que o talento transborde.

Abrindo oito pontos no topo da tabela, mais a vantagem no confronto direto, é o momento de descansar um pouco Messi. Administrar a liderança na liga e focar na Champions. Mas principalmente buscar soluções ofensivas para não viver de seu craque maior. A inversão de bola para Jordi Alba já está manjada pelos rivais. Sobra muito pouco.

Valverde tem que abrir o leque. Ou rezar para o maior jogador da história do Barcelona seguir fazendo seus milagres. Até quando ele aguenta?

 

 


Coutinho pela direita, um dos problemas do Barcelona em virada dramática
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André Rocha

Ernesto Valverde deve ter feito duas anotações sobre o primeiro tempo da virada por 2 a 1 no Camp Nou sobre o Alavés:

A primeira e a mais definitiva: nunca mais reunir numa partida em casa quatro típicos jogadores de meio-campo como Rakitic, Paulinho, o estreante na liga espanhola Philippe Coutinho e Iniesta, sem um ponteiro mais agudo como Dembelé e utilizando laterais que não abrem o campo e pouco buscam o fundo do campo, como Semedo e Digne.

Por isso as trocas nas laterais já no intervalo: Sergi Roberto e Jordi Alba entraram e esgarçaram a marcação do adversário. O equívoco da formação inicial criou uma limitação nas ações de ataque e abriu o time no lance do gol de Guidetti. Porque ao perceber que ninguém acelerava buscando o fundo do campo, Umtiti resolveu se aventurar na frente, mas com o Barça instalado no campo do oponente. Bola perdida, contragolpe letal no passe de Ibai Goméz e finalização atrapalhada, porém feliz do camisa dez.

O Barcelona também travou pelo desentrosamento, mas principalmente pelo desconforto de Coutinho atuando pela direita. A impressão é de que Valverde não viu um jogo do brasileiro na seleção comandada por Tite. Em tese, ele é o ponta direita em um 4-1-4-1, mas sempre se sai melhor quando deixa o setor para circular às costas dos volantes adversários e seu futebol explode quando parte da esquerda para dentro buscando a finalização ou o passe.

Por isso Tite já testou Willian aberto na ponta e Coutinho por dentro, algo que deve ser pensado com carinho principalmente para a primeira fase da Copa do Mundo na Rússia contra adversários bem fechados. Ainda mais com Neymar conduzindo cada vez mais a bola e muitas vezes buscando o jogo por dentro.

Considerando que Valverde já disse algumas vezes que Messi tem liberdade para jogar onde bem entender é possível concluir que o gênio argentino, ao notar os problemas do novo companheiro para ocupar o setor, passou a circular mais pela direita, lembrando seus tempos de ponta articulador no auge do trio MSN. Tudo para consertar uma escalação bastante infeliz.

Na segunda etapa, com outros laterais e depois Paco Alcacer na vaga de Coutinho, que jogou 65 minutos como planejado, o time blaugrana pressionou e virou com gols de seus artilheiros: Suárez completando jogada fantástica de Iniesta pela esquerda e Messi cobrando falta. Bela vitória também pela boa atuação do Alavés, que teve a chance de sair para o intervalo com vantagem mais ampla.

É natural oscilar coletivamente e ficou claro que Busquets faz falta na proteção da retaguarda, mais pelo posicionamento do que pela capacidade de desarmar. Mas atacar sem abrir o campo e insistir com Coutinho pela direita provavelmente foram opções que Valverde riscou de seu caderno. Rodar o elenco é saudável se as características dos jogadores combinarem e eles estiverem bem posicionados.

Não foi o caso da noite em Barcelona que era de festa e virou drama, mas com final feliz.


PSG e Real atacam bem e defendem mal. Quem se organiza primeiro pro duelo?
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André Rocha

O Real Madrid se recuperou da vexatória eliminação na Copa do Rei em casa para o Leganés com um resultado expressivo: 4 a 1 sobre o Valencia no Estádio Mestalla. Com o time da casa disputando vaga na Liga dos Campeões e que não perdia para os merengues em seu estádio há três temporadas.

O time de Zidane foi vertical no resgate do trio BBC. Gareth Bale voltando a executar a função de atacante que volta pela direita formando a segunda linha de quatro. Sem Isco, o atual campeão da Espanha e da Europa perde criatividade e volume de jogo, porém fica mais letal na frente.

No contragolpe de manual, o pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo. Depois uma falta mais que duvidosa de Montoya sobre Benzema para o camisa sete marcar o segundo também na penalidade máxima. Gol de Mina e muita pressão do Valencia em busca do empate. Com Lucas Vázquez na vaga de Bale manteve a estrutura tática, porém perdeu “punch” na frente.

Mas Asensio no lugar de Benzema centralizou Cristiano Ronaldo e deu a Marcelo o parceiro para a bela tabela que terminou no golaço do lateral brasileiro. O de Toni Kroos não foi menos belo, também em tabelinha rápida. Goleada, mas sem grande atuação coletiva e muitas dificuldades no trabalho defensivo. Houve uma nítida queda na intensidade e na compactação dos setores.

O PSG enfiou 4 a 0 no Montpellier. Dois de Neymar, o recorde de gols de Cavani, agora com 157 pelo clube. Mais um do redivivo Di María na vaga do lesionado Mbappé. O jovem argentino Lo Celso ditando o ritmo no meio-campo com Rabiot. Mais uma daquelas típicas vitórias tranquilas do time de Paris no Campeonato Francês.

Eis o problema para a equipe de Unai Emery. A falta de testes mais consistentes na liga nacional. Mas as raras derrotas, como os 2 a 1 impostos pelo Lyon, mostram uma equipe com sérias fragilidades defensivas. Muitas vezes com apenas seis jogadores de linha atrás da linha da bola e os laterais Daniel Alves e Kurzawa expostos, sem apoio do meio-campo.

Emery não está errado ao tentar buscar abrigar o maior número possível de jogadores talentosos na formação titular, mas há efeitos colaterais. A questão nem é marcar, ter especialistas em desarmes. O problema é a falta de coordenação dos setores na tarefa de negar espaços aos adversários. A disparidade na França faz com que o time não exercite isso mais vezes.

As derrotas por 3 a 1 nos jogos mais duros fora de casa na fase de grupos Liga dos Campeões deixaram avisos:  do Bayern em Munique para o Paris Saint-Germain e do Tottenham para o Real Madrid. Em confrontos parelhos, ceder espaços generosos para os rivais pode ser letal.

É óbvio que para as oitavas-de-final da Champions que começam daqui a 18 dias a concentração será outra, principalmente para o time visitante. Ambos sabem do potencial de ataque do outro lado e também de seus muitos problemas sem a bola.

Quem se organiza primeiro? O Real Madrid tem duas vantagens: jogadores com vasta experiência em duelos de mata-mata e mais “amostragens” de suas falhas exploradas por adversários mais fortes no Espanhol. Sem contar o peso de 12 conquistas do torneio e o foco absoluto na busca do tricampeonato.

Mas não garantem nada contra Neymar, Cavani e uma imensa vontade de ser protagonista na Europa. Mesmo com tudo que se diz sobre os bastidores, conflitos no vestiário…é jogo gigante e decisivo! Nessas horas os problemas ficam menores em nome de algo maior.

A promessa é de jogaço. Se os times continuarem atacando bem e defendendo mal podemos ter um caminhão de gols nas duas partidas. Um  duelo “lúdico” em Paris e Madri?


Com goleada sobre o Betis, Valverde rasga de vez o “Manual Barcelona”
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André Rocha

O Barcelona já venceu ou construiu goleadas utilizando os contra-ataques. Segundo o site Whoscored.com, o time catalão terminou o jogo em Sevilla com 51% de posse. Ou seja, ainda que com vantagem mínima teve o controle da bola.

Mas nenhuma vitória foi tão emblemática como os 5 a 0 no Estádio Benito Villamarín para mostrar que o time de Ernesto Valverde, mesmo com a base de Luis Enrique e alguns remanescentes da Era Guardiola, pensa e executa futebol diferente do que ficou conhecido como a “Escola Barça”.

Um primeiro tempo sofrendo com a marcação adiantada e com muita pressão do time da casa e dificuldade para chegar ao ataque. Segunda etapa matadora com quatro gols de contragolpes. O primeiro de Rakitic, aproveitando passe em profundidade de Luis Suárez.

Depois o croata retribuiria a assistência no terceiro, com um belo cruzamento da direita para finalização ainda mais bela do camisa nove uruguaio, que fecharia a goleada aproveitando arrancada e passe de Messi.

O gênio argentino mais uma vez cresceu com os espaços cedidos pelo adversário. Dois gols, além da assistência que fechou a goleada – a nona na liga espanhola. O primeiro gol foi o maior símbolo desta mudança de mentalidade: bola roubada por Sergio Busquets e o camisa cinco, que costuma ser um jogador de controle de jogo com o passe mais horizontal, de lado, acionou diretamente Messi. Vertical, simples e objetivo, como a conclusão do artilheiro da competição com 19 gols.

Messi faria o terceiro em outro contragolpe, do jeito que gosta: recebendo na meia direita com espaço para limpar os marcadores até encontrar o melhor ângulo para o chute. Se o craque da equipe é ainda mais desequilibrante com espaços, por que forçar sempre um jogo de posição que instala o adversário no seu próprio campo para justamente negar essas brechas?

Um Barcelona do 4-4-2 mais “duro”, com uma segunda linha que teve Sergi Roberto mais adiantado aberto à direita, com Semedo ocupando a lateral, Rakitic e Busquets no centro e André Gomes pela esquerda. Pragmático para superar um rival complicado da maneira que era mais viável. Sem imposição de filosofia. O comportamento foi de acordo com a demanda.

Assim abre 11 pontos sobre o vice-líder Atlético de Madri. Desta forma pode dar um nó na cabeça de Antonio Conte para o duelo com o Chelsea pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Porque o confronto ataque x defesa que parecia previsível e puniu o Barça de Guardiola contra os mesmos Blues em 2012 deve ganhar outras nuances.

Ernesto Valverde rasga de vez o “Manual Barcelona” e cria um problema para os adversários: ninguém mais sabe o que esperar do time de Messi e Suárez.