Blog do André Rocha

Arquivo : campeonatofrances

Messi, CR7 e Champions são “culpados” pela disparidade nas ligas europeias
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Sergio Perez / Agência Reuters

O Bayern de Munique garantiu o sexto título consecutivo da Bundesliga, conquista inédita, com cinco rodadas de antecedência. Na França, o Paris Saint-Germain retomou do Monaco a hegemonia também disparando e confirmando matematicamente faltando cinco rodadas. A Juventus na Itália teve mais dificuldades, porém superou o Napoli e faturou o heptacampeonato nacional.

Na Premier League há maior alternância de poder, mas o Manchester City de Pep Guardiola liderou de ponta a ponta e empilhou recordes: chegou aos 100 pontos em 38 jogos e ainda fez história com mais vitórias (32), triunfos consecutivos (18), gols marcados (105), saldo (+79) e os 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Se somarmos tudo isso ao domínio do Barcelona nesta edição da liga espanhola, com a invencibilidade perdida apenas na penúltima rodada com vários reservas e uma atuação desastrosa do colombiano Yerri Mina nos 5 a 4 do Levante. mas título confirmado faltando quatro jogos, temos um cenário em que as principais ligas da Europa não reservaram disputas mais acirradas.

A senha para os disseminadores do “ódio ao futebol moderno”, muitos confundindo equilíbrio com qualidade, protestassem contra este cenário em que, para eles, apenas a disparidade econômica justifica essa vantagem dos campeões.

O grande equívoco é desprezar a enorme competência e know-how desses clubes. O Bayern ostenta a melhor geração de sua história ao lado da de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier nos anos 1970. O mesmo vale para a Juventus. O PSG nem há como comparar e no caso do Manchester City há um retrospecto de conquistas na década, mas principalmente a presença do “rei das ligas” Guardiola, com sete conquistas em nove temporadas por três clubes e países diferentes.

Sem contar Barcelona e Real Madrid com os grandes times de sua história. E os maiores jogadores de todos os tempos nos dois clubes. Competindo na mesma época. Eis a chave para todo este cenário.

Messi e Cristiano Ronaldo venceram as quatro últimas edições da Liga dos Campeões. Se considerarmos desde 2007/08, dez anos, são sete: Manchester United com uma, Barcelona e Real Madrid com três. E os merengues em mais uma decisão podendo ampliar este retrospecto.

Em tempos recentes nunca houve nada parecido. Um fenômeno que subiu o patamar da Champions para níveis estratosféricos. De interesse, inclusive, pela sedução de se medir entre grandes da história. Com isso, o sarrafo foi parar no topo. Para desafiá-los é preciso estar em um nível de excelência em desempenho. Em todos os aspectos – físico, técnico, tático, mental, logística…

Resta aos desafiantes investir. Em elenco, comissões técnicas, estrutura…Internazionale, Chelsea e Bayern de Munique conseguiram superá-los, com os alemães ainda acumulando dois vices e os ingleses um. Manchester United, ainda com CR7, Borussia Dortmund, Juventus e Atlético de Madri chegaram às decisões, mas não conseguiram equilibrar forças em jogo único. PSG e City seguem lutando para furar a casca e entrar no grupo de clubes mais tradicionais. O Liverpool, finalista depois de onze anos, tenta voltar à elite. Mas não é fácil.

Com esse nível tão alto, quem não consegue acompanhar vai perdendo o bonde da história. E os gigantes trabalham para ficar cada vez melhores de olho no principal torneio de clubes, dominado por Messi e Cristiano Ronaldo com seus históricos Barcelona e Real Madrid, mesmo com o time blaugrana de fora das últimas três semifinais.

Como consequência sobram em seus países. Elenco numerosos, estruturas fantásticas, ótimas comissões técnicas. Nos casos específicos de Bayern de Munique e Juventus, os títulos consecutivos acontecem também porque não há como se acomodar com as conquistas nacionais. Não são a prioridade. Então mesmo sobrando os processos são revistos e aprimorados, o elenco ainda mais qualificado. O time que está ganhando se mexe e fica ainda melhor. Pensando em Barça e Real Madrid.

Mas não basta só dinheiro. Ou o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp não seria bicampeonato alemão de 2010 a 2012, o Atlético de Madri não teria superado os gigantes na Espanha em 2014. O mesmo com o Monaco contra o PSG na temporada passada e, caso a Juve não tivesse deixado a Champions ainda nas quartas eliminada pelo Real Madrid e dividisse esforços por mais tempo, o Napoli poderia ter fôlego para terminar na frente. Sem contar o fenômeno Leicester City na liga mais valiosa do mundo em 2015/16. Se não jogar muito não vence. A tese do “piloto automático” é furada.

Mais do que nunca o futebol no mais alto nível exige superação constante. Com regularidade, consistência. “Culpa” de Messi, Cristiano Ronaldo e da Liga dos Campeões que levam o esporte para outra galáxia. Ainda bem que estamos vivos para ver a história sendo escrita. E até os que hoje reclamam vão sentir saudades, mesmo que não admitam.

 

 


PSG vive em março um fim de festa. Tem que rever projeto, com ou sem Neymar
Comentários Comente

André Rocha

O Paris Saint-Germain goleou o lanterna Metz por 5 a 0 no primeiro jogo de “luto” após a eliminação da Liga dos Campeões. Mantém os 14 pontos de vantagem sobre o Monaco na liderança da Ligue 1. É favorito também na Copa da França e na Copa da Liga.

Mas e daí? O foco era a Champions. A obsessão. Ainda que o título francês marque a recuperação da hegemonia nacional, o clima já é de decepção, fim de temporada. Muitas especulações de saídas. Sobre Neymar esfriaram um pouco por conta da lesão. Já Unai Emery está mesmo se despedindo do clube. A rigor, nem devia ter permanecido depois de sequer vencer a liga na temporada passada, sem contar a tragédia contra o Barcelona.

A tendência é que o clube defina o novo treinador e consulte o comandante sobre reformulação ou não do elenco. Mas tudo isso já em março?

PSG precisa refazer seu projeto. Palavra banalizada no Brasil pelo nosso amadorismo de todo dia, mas que deve ser levada muito a sério por quem despeja milhões de euros em um clube de futebol. A meta principal, inevitavelmente, será a conquista do principal torneio de clubes do planeta.

Mas os valores podem ser revistos. Não só os financeiros. Unir individualidades em torno do coletivo. Transformar a evolução da equipe com conteúdo tático como a alavanca para manter o foco. Sair um pouco dos resultados, concentrar mais no jogo.

Assim a construção das vitórias na liga seria mais tranquila e a campanha na Champions encarada de forma natural, parte do processo. Sem aumentar a pressão que já é enorme.

Olhando para o desempenho, além da fragilidade mental que é nítida, uma deficiência salta aos olhos: como o PSG defende mal pelos flancos! Até contra o fraquíssimo Metz no Parc des Princes levou alguns sustos nas costas de Berchiche pela esquerda. Muito pela indolência de quem joga na frente. Seja a estrela Neymar ou Nkunku, o garoto em busca de espaço que marcou dois gols.

Se priorizar o trabalho tático, a disparidade abissal entre as equipes francesas continuaria sendo relativizada, mas o acerto nos movimentos defensivos seria um parâmetro mais seguro que a fragilidade dos ataques adversários. Nesta temporada, o PSG venceu várias partidas marcando “com os olhos” e quando chegou na competição continental, especialmente contra o Bayern em Munique e nos confrontos com o Real Madrid, a verdade veio inexorável. Até cruel.

É hora do dinheiro formar um time na acepção da palavra. Começando pelo treinador. Se este que escreve assinasse o cheque iria atrás de Jurgen Klopp. Não só pela competência, mas pelo carisma para agregar e dar fogo e intensidade ao que parece tão morno.

Acima de tudo, fazendo o coletivo potencializar o talento. Com ou sem Neymar. Ou qualquer outra estrela. É urgente.

 

 


Neymar, Ibrahimovic e “O Show de Truman”
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFP

E lá vamos nós de Neymar… Este blog evita o recurso fácil de caçar cliques com a maior “isca” da internet, mas em alguns momentos é inevitável abordar o tema.

O brasileiro novamente foi centro de uma polêmica ao provocar adversários na vitória por 3 a 2 do Paris Saint-Germain sobre o Rennes na semifinal da Copa da Liga Francesa. Primeiro o gesto de oferecer a mão para levantar um colega de trabalho e depois deixá-lo no “vácuo”.

Quanto ao domínio com as costas seguido de um chapéu em Bourigeaud, é o risco que Neymar adora assumir. Para quem leva será sempre um ato de desrespeito, ainda mais na Europa. O craque encara como espetáculo e uma forma de revidar com habilidade as pancadas e provocações. Mesmo sabendo que com isso se torna ainda mais o alvo.

É do jogo. Não precisava ser assim e talvez sejam exemplos ruins de um ídolo para a criança que está formando valores para a vida. Mas não definem o caráter de ninguém. Basta observar as declarações de quem convive ou já conviveu com o craque – inclusive no Barcelona, mesmo com uma saída traumática que poderia deixar ressentimentos – para desconstruir essa imagem de astro egocêntrico. Há coisas bem mais reprováveis por aí que passam batidas. Inclusive no futebol.

Ibrahimovic, por exemplo, já humilhou adversário procurando o nome na camisa, ironizou até o bigode de um oponente e agrediu com bolada o goleiro das Ilhas Faroe. Sem contar suas brincadeiras de mau gosto com colegas e as entrevistas em tom arrogante falando de si mesmo na terceira pessoa (“Zlatan”). Para muitos é visto apenas como “personalidade forte”. Outros tantos são indiferentes. Longe de causar tanta celeuma, no mesmo PSG.

Porque não é Neymar. Sempre o centro das atenções, com a vida escancarada nas redes sociais para milhões de seguidores. A ponto de monitorarem seu desempenho em campo de acordo com o namoro com a atriz global. Sem contar outras pautas que nada têm a ver com esporte.

Uma espécie de “O Show de Truman”, filme estrelado por Jim Carrey que completa 20 anos em 2018. Mas se na obra cinematográfica Truman Burbank não sabia que estava sendo filmado e sua vida transformada em um programa de TV, Neymar capitaliza com a exposição. Em todos os sentidos.

Só não pode reclamar do lado ruim, inclusive este texto que foge um pouco da bola jogada pelo brasileiro em Paris. Nem apelar para o clichê “o futebol está chato” ou se irritar com pancadas dos rivais, vaias das arquibancadas e críticas de quem pensa diferente. Ou mesmo a perseguição dos haters, muitas vezes por pura inveja.

São os prós e contras da vida. O verso da moeda vem sempre no pacote.

Veja também:


PSG e Real atacam bem e defendem mal. Quem se organiza primeiro pro duelo?
Comentários Comente

André Rocha

O Real Madrid se recuperou da vexatória eliminação na Copa do Rei em casa para o Leganés com um resultado expressivo: 4 a 1 sobre o Valencia no Estádio Mestalla. Com o time da casa disputando vaga na Liga dos Campeões e que não perdia para os merengues em seu estádio há três temporadas.

O time de Zidane foi vertical no resgate do trio BBC. Gareth Bale voltando a executar a função de atacante que volta pela direita formando a segunda linha de quatro. Sem Isco, o atual campeão da Espanha e da Europa perde criatividade e volume de jogo, porém fica mais letal na frente.

No contragolpe de manual, o pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo. Depois uma falta mais que duvidosa de Montoya sobre Benzema para o camisa sete marcar o segundo também na penalidade máxima. Gol de Mina e muita pressão do Valencia em busca do empate. Com Lucas Vázquez na vaga de Bale manteve a estrutura tática, porém perdeu “punch” na frente.

Mas Asensio no lugar de Benzema centralizou Cristiano Ronaldo e deu a Marcelo o parceiro para a bela tabela que terminou no golaço do lateral brasileiro. O de Toni Kroos não foi menos belo, também em tabelinha rápida. Goleada, mas sem grande atuação coletiva e muitas dificuldades no trabalho defensivo. Houve uma nítida queda na intensidade e na compactação dos setores.

O PSG enfiou 4 a 0 no Montpellier. Dois de Neymar, o recorde de gols de Cavani, agora com 157 pelo clube. Mais um do redivivo Di María na vaga do lesionado Mbappé. O jovem argentino Lo Celso ditando o ritmo no meio-campo com Rabiot. Mais uma daquelas típicas vitórias tranquilas do time de Paris no Campeonato Francês.

Eis o problema para a equipe de Unai Emery. A falta de testes mais consistentes na liga nacional. Mas as raras derrotas, como os 2 a 1 impostos pelo Lyon, mostram uma equipe com sérias fragilidades defensivas. Muitas vezes com apenas seis jogadores de linha atrás da linha da bola e os laterais Daniel Alves e Kurzawa expostos, sem apoio do meio-campo.

Emery não está errado ao tentar buscar abrigar o maior número possível de jogadores talentosos na formação titular, mas há efeitos colaterais. A questão nem é marcar, ter especialistas em desarmes. O problema é a falta de coordenação dos setores na tarefa de negar espaços aos adversários. A disparidade na França faz com que o time não exercite isso mais vezes.

As derrotas por 3 a 1 nos jogos mais duros fora de casa na fase de grupos Liga dos Campeões deixaram avisos:  do Bayern em Munique para o Paris Saint-Germain e do Tottenham para o Real Madrid. Em confrontos parelhos, ceder espaços generosos para os rivais pode ser letal.

É óbvio que para as oitavas-de-final da Champions que começam daqui a 18 dias a concentração será outra, principalmente para o time visitante. Ambos sabem do potencial de ataque do outro lado e também de seus muitos problemas sem a bola.

Quem se organiza primeiro? O Real Madrid tem duas vantagens: jogadores com vasta experiência em duelos de mata-mata e mais “amostragens” de suas falhas exploradas por adversários mais fortes no Espanhol. Sem contar o peso de 12 conquistas do torneio e o foco absoluto na busca do tricampeonato.

Mas não garantem nada contra Neymar, Cavani e uma imensa vontade de ser protagonista na Europa. Mesmo com tudo que se diz sobre os bastidores, conflitos no vestiário…é jogo gigante e decisivo! Nessas horas os problemas ficam menores em nome de algo maior.

A promessa é de jogaço. Se os times continuarem atacando bem e defendendo mal podemos ter um caminhão de gols nas duas partidas. Um  duelo “lúdico” em Paris e Madri?


PSG voa baixo na Europa, mas teste de verdade será o Bayern em Munique
Comentários Comente

André Rocha

67 gols em 18 partidas. Média de quase quatro por partida. Apenas dez sofridos. Liderança folgada no Francês com campanha invicta: 11 vitórias e dois empates. E 100% de aproveitamento na Liga dos Campeões, com só um gol sofrido, de Dembelé nos 7 a 1 sobre o Celtic em Paris que consolidaram a maior artilharia da história da fase de grupos do torneio: nada menos que 24 gols em cinco partidas. Média de quase cinco por partida.

A jornada do Paris Saint-Germain até aqui é histórica. Chama ainda mais atenção a naturalidade com que cria chances e a eficiência nas finalizações. Em especial do tridente ofensivo. Trio MCN. 21 gols e duas assistências de Cavani em 17 jogos, 13 bolas nas redes e oito passes para gols de Neymar em 14 partidas. Mais sete gols e o mesmo número de assistências de Mbappé em 13 jogos. 61% do trio. Voando baixo.

Números espetaculares. Sintonia e combinação de características entre os jogadores. Não só no ataque com Neymar passador, Mbappé intenso e veloz, Cavani finalizador e com presença física na área adversária. Também no meio-campo com Verratti, Rabiot e Draxler quando não é tão preciso fechar espaços, ou Thiago Motta ao lado dos dois primeiros na necessidade de proteger melhor a retaguarda.

Sem contar Daniel Alves como lateral mais construtor e Kurzawa do lado oposto mais rápido em busca da linha de fundo; o entendimento entre Marquinhos e Thiago Silva protegendo o goleiro Areola. Tudo funcionando muito bem para o treinador Unai Emery, que com resultados tão arrasadores silenciou as críticas e os rumores de relação conflituosa com Neymar.

Mas ainda falta o grande teste. Porque os empates com Montpellier e Olympique de Marseille na Ligue 1 podem ser mais tratados como tropeços naturais numa campanha absoluta do que grandes desafios. Assim como as oscilações durante as partidas, até pela facilidade, também devem ser considerados naturais.

Os 3 a 0 sobre o Bayern de Munique em Paris devem ser relativizados como o ato final da passagem de Carlo Ancelotti pelo clube bávaro, com grave crise entre o treinador e os jogadores, que chegaram a ridicularizar seus métodos de treinamento. Na prática, foi um oponente quase tão frágil quanto os demais.

Por isso o duelo com o pentacampeão alemão, em recuperação na temporada com o retorno de Jupp Heynckes e já na ponta da Bundesliga com os mesmos seis pontos de vantagem que o líder ostenta na Ligue 1 sobre o atual campeão Monaco.

Valendo a liderança do Grupo B. Será o melhor parâmetro para a avaliação do real poder do PSG, já pensando no mata-mata da Champions em 2018. Ainda que a missão do Bayern de tomar a primeira colocação e fugir de possíveis confrontos indigestos nas oitavas de final seja improvável – vencer por, no mínimo, quatro gols de diferença para superar no confronto direto.

A rigor, o resultado vai dizer menos que o desempenho do time francês no primeiro confronto em altíssimo nível, da primeira prateleira do futebol europeu. Por ora, vale e muito desfrutar os espetáculos do time francês pelo continente. Mas o mistério da real capacidade competitiva de Neymar e seus companheiros seguirá até a Allianz Arena no dia 5 de dezembro.


No novo PSG, Mbappé será Neymar e Neymar será Messi
Comentários Comente

André Rocha

Imagem: Divulgação Paris Saint-Germain

Kylian Mbappé é uma contratação que sinaliza o futuro no Paris Saint-Germain. Inclusive o pagamento de cerca de 180 milhões de euros no meio do ano que vem para driblar o Fair Play financeiro da Fifa, por isso o empréstimo agora.

É óbvio que o atacante francês de 18 anos não vale isso. Ninguém poderia custar tanto, mas o mercado enlouqueceu de vez. Aditivado pelo dinheiro do Qatar, sempre de origem que gera dúvidas. Ainda mais de um país acusado de corrupção na “compra” da Copa do Mundo de 2022. A negociação é mais uma demonstração de força do clube.

Com isso, o PSG vai reunir em seu ataque Cavani, o grande artilheiro com personalidade para tomar à frente de Neymar nas cobranças de pênaltis até aqui. Mais o brasileiro, maior contratação da história, e agora a grande revelação do Monaco.

Campeão francês na última temporada com 15 gols e oito assistências, mais seis na Liga dos Campeões. Atraiu os olhos do mundo por combinar velocidade, recursos técnicos, habilidade e poder de decisão. Formando dupla com o colombiano Radamel Falcao no ataque dos 107 gols em 38 rodadas.

Num 4-4-2 na maior parte do tempo, Mbappé tinha liberdade para circular pelos dois flancos e buscar as infiltrações em diagonal. Principalmente partindo da esquerda, cortando para dentro e finalizando.

Só que no PSG, Neymar é o dono do setor, ainda que com liberdade de movimentação. Driblando, concluindo ou servindo os companheiros. Com Cavani absoluto no centro do ataque é possível imaginar o novo membro do ataque atuando pelo lado direito no 4-3-3 habitualmente montado pelo técnico Unai Emery.

Neste caso, as funções também tendem a mudar. Mbappé pode ser para Neymar o que o brasileiro foi para Messi no Barcelona. Ou seja, o ponteiro que ajuda mais no trabalho sem bola e aceita o papel de coadjuvante. Mas ao mesmo tempo é abastecido por passes da estrela com mais visão de jogo. Quantos gols de Neymar não saíram de assistências ou inversões de jogo de Messi a partir do lado direito!

Neymar não tem exatamente o DNA de “enganche” ou “dez” do argentino, muitas vezes peca pelo individualismo – como na vitória brasileira sobre o Equador em Porto Alegre, mas sabe armar jogadas. Basta lembrar as atuações pelo centro na Olimpíada do Rio ou no próprio Barça na ausência de Messi. Agora tem tudo para servir seu novo companheiro. Ser o ponta armador, deixando para Mbappé a função de infiltrar em diagonal com mais frequência para finalizar.

No provável 4-3-3 do PSG, Mbappé deve atuar pela direita, infiltrando em diagonal e voltando mais para ajudar na recomposição, dando liberdade à estrela Neymar, que pode abastecer como ponta articulador o novo companheiro de ataque (Tactical Pad).

Questão de adaptação do jovem atacante, autor do último gol da goleada da França por 4 a 0 sobre a Holanda. Iniciando e finalizando contragolpe letal. Explosão física e potencial de melhor do mundo.

Com o tempo, Mbappé deve ser deslocado naturalmente para o centro do ataque no novo clube, mas uma função de maior sacrifício agora pode torná-lo mais completo. Um aprendizado que será bom para todos. Incluindo o PSG, para fazer valer mais um investimento surreal que varreu o mercado no último dia da janela de transferências na Europa.

 


O 3º ato de Neymar no PSG: sem espaços e espetáculo, mas ainda decisivo
Comentários Comente

André Rocha

Para a quarta rodada da Ligue 1, segunda partida do Paris Saint-Germain no Parc des Princes, Unai Emery deixou Thiago Silva e Daniel Alves no banco, alinhou Rabiot a Thiago Motta dando liberdade a Pastore, substituto do suspenso Verratti no meio-campo.

Na prática, a execução do 4-2-3-1 perdeu força pela direita com Meunier na lateral direita e sem um meia a mais na aproximação com o trio de ataque.  Pouca mobilidade. Apenas Neymar girando e Di María e Pastore invertendo na ponta e no centro.

Mais difícil para furar o 5-4-1 do Saint Etienne bem montado pelo treinador espanhol Oscar Garcia. Naturalmente com um comportamento mais reativo do que nas três vitórias que o maior campeão da França alcançou neste início de temporada. Pragmático e objetivo, com poucos toques, saída rápida pela esquerda com Dabo e Maiga aparecendo na frente para finalizar. Nunca ultrapassando os 40% de posse – terminou com 39%.

Nos primeiros 45 minutos foram oito conclusões dos visitantes contra apenas uma no alvo do PSG: a cobrança de pênalti forte e precisa de Cavani. Uruguaio que sofreu a falta na área após receber passe de Neymar, numa das raras vezes em que o brasileiro encontrou espaços entre defesa e meio-campo do oponente. Quando conseguiu foi criativo.

Não houve brechas para infiltrações em diagonal e dribles em progressão. O Saint Etienne em nenhum momento desmanchou o sistema nem mudou a proposta, mesmo com a desvantagem.

A segunda finalização também foi nas redes. Jogada aérea com bola parada, cobrança de Neymar, Marquinhos ajeitou e Thiago Motta aproveitou. Descomplicando o duelo mais duro até aqui no campeonato nacional. Muito por demérito de um desempenho de baixa intensidade e poucas ideias para criar espaços do PSG, especialmente na primeira etapa. Também pelo trabalho defensivo cuidadoso do Saint-Etienne.

A ideia era nítida: defender no próprio campo para evitar uma goleada e só sair em transições rápidas. Correta e podia ter conseguido algo mais não fossem as boas defesas do goleiro Areola. Foram 12 finalizações contra 14 do PSG. Cedeu poucos contragolpes e o PSG só aproveitou um, no final com Cavani para fechar os 3 a 0. Iniciado por Neymar.

O camisa dez acertou oito dribles e teve 77% de aproveitamento nos passes. Mas buscou pouco a parceria com lateral Kurzawa, substituído pelo estreante Yuri Berchiche. Não desequilibrou desta vez, mas teve participação decisiva na construção do placar. Ilusão pensar que vai dar espetáculo sempre. O saldo até aqui, porém, segue positivo.

O 4-2-3-1 do PSG, com Di Maria e Pastore alternando à direita e Neymar sem muitas associações com o Kurzawa do lado oposto teve dificuldades para criar espaços entre as linhas no 5-4-1 do Saint-Etienne (Tactical Pad).

(Estatísticas: WhoScored)

 


Neymar, um extraterrestre na estreia em Paris
Comentários Comente

André Rocha

Um começo discreto jogando mais pela esquerda no 4-3-3, só buscando o centro para abrir o corredor para as descidas do lateral Kurzawa. Bem diferente da mobilidade da estreia contra o Guingamp.

Mas bastou o Toulouse mostrar resistência se fechando em duas linhas de quatro compactas e abrir o placar com Max Gradel aproveitando falha de posicionamento de Daniel Alves para Neymar despertar na sua estreia com a camisa do PSG no Parc des Princes.

Dribles, duas bolas nas traves, tabelas, duas assistências, um pênalti sofrido e convertido por Cavani, dois gols. O segundo foi o último dos 6 a 2, já num clima de final de pelada em churrasco, mas fez a alegria do torcedor com a habilidade absurda do brasileiro.

Descomplicando com o auxílio luxuoso de Rabiot, autor do segundo gol, uma disputa que podia ter sido mais parelha. Principalmente quando Unai Emery trocou Thiago Motta por Pastore e perdeu Verratti expulso. Podia ter se complicado no trabalho defensivo.

Mas o próprio meia argentino acertou bela conclusão no ângulo depois do gol do zagueiro Jullien aproveitando vacilo de Thiago Silva. E Neymar sobrou em um universo de 66% de posse e 23 finalizações dos donos da casa contra seis. A mais bela em cobrança de escanteio como uma tacada de bilhar do camisa dez e fantástica virada de Kurzawa.

Está claro que o nível técnico e a capacidade de improviso da contratação mais cara da história destoam na Ligue 1. Um extraterrestre voando no primeiro ato em Paris.

(Estatísticas: Ligue 1)


Neymar no PSG: a tática e os desafios da maior contratação da história
Comentários Comente

André Rocha

Neymar não vale 222 milhões de euros. Ninguém vale, como bem disse Zinedine Zidane, que já foi a maior contratação da história. Tempos de um mercado menos insano. Mas o Barcelona estipulou este valor astronômico de multa rescisória para se proteger e o Paris Saint-Germain pagou para ver.

E quer ver um craque para mudar de patamar, dentro e fora do campo. Fazendo gols e vendendo imagem. Camisas, produtos. Tudo. Comprando a briga de transformar o time francês definitivamente numa potência europeia.

Para isso o clube já sinaliza que o time montado pelo espanhol Unai Emery jogará em função de seu astro maior. O novo camisa dez partindo do lado esquerdo, fazendo dupla com o jovem lateral espanhol Yuri Berchiche, contratado à Real Sociedad. Com liberdade, porém, para circular por todo o ataque. Servindo os companheiros, mas também finalizando. Sem o sacrifício de defender e ser mais assistente de Messi e Suárez.

Com o desenho tático podendo variar entre o 4-3-3, o 4-2-3-1 e até o 4-4-2. Opções não faltam, como Matuidi, Draxler, Di María e Lucas Moura para se juntar ao brasileiro e Edison Cavani, o artilheiro da equipe na última temporada com 49 gols em 50 jogos. Mas, se preciso, até o uruguaio pode ajudar na recomposição e dar liberdade a Neymar, que funciona até como um atacante mais móvel, solto na frente.

Sair um pouco do lado esquerdo pode torná-lo ainda mais imprevisível, sem o vício de cortar da esquerda para dentro com o pé direito. Algo que pode, inclusive, ser útil para fazer Tite pensar em alternativas e tornar a seleção brasileira menos presa ao 4-1-4-1 que vem funcionando nas Eliminatórias. Assim como fez no Real Madrid com Cristiano Ronaldo, Di María pode ser o meia que compõe o setor esquerdo e permite que o ponteiro seja ainda mais atacante e decisivo.

Uma das muitas possibilidades de Unai Emery na montagem do PSG com Neymar: 4-3-3 que pode variar para o 4-4-2 com Neymar se juntando a Cavani na frente e Di María repetindo o que fez com Cristiano Ronaldo no Real Madrid: compondo o lado esquerdo para deixar o brasileiro com liberdade total (Tactical Pad).

A equipe francesa pode alternar também os ritmos, cadenciando com Verratti ou acelerando com Neymar. Com tantos jogadores versáteis e de movimentação, é possível criar ações de ataque que surpreendam na inversão de lado e encontrem Daniel Alves com liberdade pela direita para buscar a linha de fundo ou mesmo finalizar. É outro trunfo de Emery, além da experiência e do currículo vitorioso do lateral brasileiro.

O primeiro desafio é recuperar a hegemonia na França, ainda que o campeão Monaco, pelo menos até agora, não tenha perdido Fabinho e Mbappé na carona das saídas de Bernardo e Mendy para o Manchester City, Bakayoko para o Chelsea. o treinador português Leonardo Jardim ainda ganhou o meia belga Tielemans e o zagueiro holandês Kongolo. Com lucro superior a 100 milhões de euros nas transferências, talvez não precise perder mais ninguém nesta janela.

De qualquer forma, Jardim não contará com um de seus maiores aliados na última temporada: o fator surpresa. Já entra na Ligue 1 como o time a ser batido. Também ganha concorrentes além do surpreendente Nice de Mario Balotelli, terceiro colocado na última edição. O Lille de Marcelo Bielsa pode incomodar, mesmo com a “loucura” do argentino exaurindo as forças físicas e mentais do elenco no final da temporada e jogando fora qualquer chance de disputar efetivamente o título.

Claudio Ranieri, veterano italiano que comandou o Leicester City no seu conto de fada inglês, chega ao Nantes. O Olympique de Marseille renovou com Rudi Garcia, o Saint-Etienne foi atrás do espanhol Oscar García, ex-Red Bull Salzburg, para tentar recuperar o protagonismo perdido na história como o mais vencedor do país. O Lyon negociou o artilheiro Lacazette ao Arsenal e contratou Bertrand Traoré ao Chelsea. Deve pleitear no máximo uma vaga na Liga Europa.

Equipes para tentar equilibrar no aspecto tático uma disputa que tende a ser novamente desigual a favor do PSG no talento. Mesmo que a prioridade seja a Liga dos Campeões. Ou obsessão. Para desbancar o domínio do Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo. Além do atual bicampeão, a Europa apresenta ainda Bayern de Munique e Barcelona, mesmo com o baque da perda de uma peça do seu tridente sul-americano espetacular e sem muita margem para gastar o muito que recebeu, à frente no protagonismo.

Antes desta trinca de campeões das últimas quatro temporadas, ainda há fortes concorrentes, como Juventus e Atlético de Madri, os vice-campeões. Além de Chelsea e o Manchester United que retornam à Champions e o promissor Manchester City de Pep Guardiola. Disputa dura que a presença de Neymar torna mais acessível, porém não menos cruel. Ainda mais num torneio eliminatório guiado por sorteio. O cruzamento prematuro com um favorito, uma noite ruim e o sonho pode ruir.

Neymar chega a Paris para se unir a Daniel Alves e tornar o ambiente mais positivo e confiante. Mudar de tamanho para não se apequenar como na traumática eliminação para o Barcelona. Arbitragem à parte, foi a noite em que o PSG viu o craque brasileiro suplantar Messi, o gênio de uma era, e construir o que parecia impossível.

O protagonista e candidato a Bola de Ouro, a maior contratação da história do esporte que eles querem escrevendo capítulos inéditos, os mais vencedores de um clube com menos de meio século que ousa desafiar com seus milhões de euros os gigantes do futebol mundial.

 


Como o destino de Neymar pode interferir no futuro da seleção brasileira
Comentários Comente

André Rocha

O colega Marcelo Bechler garimpou a notícia no Esporte Interativo e o mundo todo foi atrás: Neymar estaria seguindo o caminho de Daniel Alves rumo a Paris para jogar no PSG. E de fato há interesse de ambas as partes no negócio milionário, mesmo com o risco de esbarrar no fair play financeiro da UEFA.

A reapresentação no Barcelona para a pré-temporada nos Estados Unidos, porém, parece estar fazendo o craque repensar a decisão de deixar o clube catalão. Piqué, Messi e Suárez seriam os mais dedicados a convencer o companheiro a continuar onde está. Há portanto um dilema que deve ter mais um capítulo hoje com uma entrevista coletiva agendada pelos franceses.

Além da ótima proposta financeira, a impressão é de que Neymar busca um time para chamar de seu, fugindo da hierarquia que coloca Messi acima de todos os outros – inclusive na história do Barcelona. Com a renovação do contrato do argentino até 2021, as perspectivas de protagonismo até os 30 anos do camisa onze seriam remotas.

Por outro lado, Neymar já está adaptado à cidade e à maneira de jogar do Barça. Mesmo com a troca de Luis Enrique por Ernesto Valverde no comando técnico, a filosofia tende a continuar a mesma. Mais uma temporada do trio MSN deve afinar ainda mais a sintonia, com os atacantes sul-americanos jogando “de memória”.

Uma decisão para o craque, seu pai e staff. A grande questão para o torcedor brasileiro é como o destino da grande estrela da seleção brasileira pode interferir no trabalho de Tite pensando no Mundial da Rússia no ano que vem.

Bem, se Neymar seguir no Barcelona, o treinador receberá um atleta ainda mais consciente taticamente e no jogo coletivo. Para dar liberdade a Messi circulando por todo o ataque e se aproximando de Suárez, Neymar é praticamente um “winger” pela esquerda, fechando uma segunda linha de quatro quando a equipe perde a bola. Preenche praticamente todo o corredor esquerdo, indo e voltando. Mais assistente que finalizador.

Tite dá um pouco mais de liberdade, mas quer Neymar partindo deste setor. Recompondo na transição defensiva e arrancando para infiltrar em diagonal nas ações de ataque. O perigo é recebê-lo extenuado por uma temporada em que o Barça vai tentar arrancar do Real Madrid a hegemonia na Europa e recuperá-la na Espanha. Uma exigência brutal no físico e no mental.

Já a França é um mistério que pode ser inspirador pela mudança de ares. No PSG de Unai Emery, a possibilidade de atuar em uma equipe com estilo mais vertical e intenso. Pode também ganhar mais liberdade para circular no ataque, fazendo companhia a Cavani ou mesmo revezando com o uruguaio que é extremamente dedicado e tem condições de também recompor pela esquerda.

Se mentalmente a primeira temporada num novo clube com status de estrela será exigente para mudar o patamar, especialmente na Liga dos Campeões, e recuperar o domínio na França depois de perder o título para o Monaco, em termos físicos o desgaste certamente será menor. A diferença do PSG em relação aos demais na League 1 – talvez até ao atual campeão, que perdeu muitas peças fundamentais na janela de transferência – vai permitir ser poupado nas partidas que precisar.

Tite, então, receberia Neymar mais inteiro para voar na Copa do Mundo. Se não conseguir o enorme feito de dar o título da Champions ao Paris Saint-Germain já na sua primeira temporada, a chance mais clara a curto prazo de conquistar a sonhada Bola de Ouro é o Mundial da Rússia.

Uma mudança tática também pode fazer Tite flexibilizar um pouco a sua forte convicção, construída em conversas com Dorival Júnior, Muricy Ramalho, Adilson Baptista e Rogério Micale, de que o melhor posicionamento para Neymar é pela esquerda num 4-1-4-1. Testar novas possibilidades, até para dificultar e surpreender os adversários que estudarão detalhadamente o Brasil até o ano que vem, é mais que saudável. É necessário.

Mas não podemos descartar o pior cenário: problemas de adaptação, mesmo com tantos brasileiros no elenco, desavenças com o treinador ou qualquer outro obstáculo ao protagonismo de Neymar na França. Aí Tite teria que fazer da seleção o refúgio de um talento questionado, pressionado e com o desgaste emocional que afeta o desempenho de qualquer profissional, em qualquer atividade.

Por isso o treinador brasileiro estará muito atento aos movimentos em Paris e Barcelona. O futuro de Neymar é uma variável importante para sinalizar como será o escrete canarinho na disputa de sua 21ª Copa do Mundo.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>