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Empate é o retrato do Atlético Mineiro na temporada. Na hora de decolar…
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André Rocha

Roger Machado seguiu o planejamento traçado para o jogo contra o Botafogo no Nílton Santos: deixou Cazares e Fred, desgastados pela viagem a Cochabamba, no banco de reservas. Também Alex Silva, titular na Libertadores, mas permitindo o retorno do titular Marcos Rocha.

No entanto, com a rodada favorável que poderia dar oportunidade de subir da oitava para a quinta posição, com a mesma pontuação do Palmeiras, e a proposta do Botafogo de, mesmo em casa e com a maioria dos titulares, manter a ideia de jogar reagindo à iniciativa do adversário, tomou conta da partida.

Com Elias ao lado de Rafael Carioca à frente da defesa, Yago e Marlone nas pontas e Robinho solto como atacante circulando pelos flancos e se aproximando de Rafael Moura, o Atlético Mineiro teve a chance de definir o jogo no primeiro tempo com o gol de Marlone em chute que desviou em Emerson Silva e no pênalti desperdiçado por Rafael Moura.

Ou defendido por Jefferson, ídolo alvinegro vindo de inatividade de 14 meses substituindo Gatito Fernández. Melhor em campo e protagonista de um Botafogo sem ideias quando ficou em desvantagem no placar. Ficou com a posse de bola, teve Camilo no início do segundo tempo e depois Guilherme na vaga do extenuado Pimpão e Marcos Vinicius no lugar de Lindoso, mantendo a estrutura tática, porém com jogadores mais ofensivos que se aproximavam de Roger.

Mas criou muito pouco. Se limitou ao abafa com lançamentos e cruzamentos a esmo, rebatidos pela defesa atleticana, que ganhou consistência com Adilson no lugar de Yago – Elias voltou para o lado direito – e desafogo com a dupla Cazares e Fred saindo do banco para qualificar os contragolpes. Só que desta vez o equatoriano entrou descansado fechando o setor esquerdo e mantendo Robinho livre na frente.

Exatamente os dois que desperdiçaram contragolpes no final e consagraram o nome de Jefferson. Também deram a sensação de que o Galo havia dado chances demais ao time da casa, que não costuma desistir. No pênalti sobre Marcos Vinicius, Victor ainda fez a defesa na cobrança de Roger, mas nada pôde fazer no rebote que sua retaguarda não conseguiu afastar. Outro vacilo. Nos acréscimos.

Foi a terceira finalização no alvo do Bota em dez tentativas. O Galo chutou seis que fizeram Jefferson brilhar, num total de nove. Claro que houve muitos méritos do arqueiro veterano, ainda mais retornando depois de tanto tempo. Mas é impressionante como o Galo de Roger perde oportunidades de se afirmar na temporada.

Mesmo com título estadual, melhor campanha na fase de grupos da Libertadores e com vantagem para a volta das quartas da Copa do Brasil contra o próprio Botafogo (se repetir o 1 a 1 estará classificado), não desperta confiança no desempenho. É capaz de oscilar dentro das partidas. A combinação técnico promissor + elenco qualificado ainda não conseguiu dar a liga que prometia.

O Atlético podia entrar no G-6 – o Santos venceu o São Paulo na Vila Belmiro e subiu para quarto. Ficou em oitavo com o gosto amargo de dois pontos perdidos pelas circunstâncias da disputa em Engenho de Dentro. Um retrato da equipe em 2017.

(Estatísticas: Footstats)


Marcelo Oliveira resgata o “Galo Doido” na intensidade de Cazares
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André Rocha

Se o mundo – inclusive o Corinthians de Tite, último campeão brasileiro – busca o controle dos jogos sem abrir mão da intensidade, o Atlético Mineiro parece ter se inserido na nova ordem do planeta bola como o “Galo Doido”.

Ou seja, o time que se impõe pela pressão constante, especialmente em casa, e assume todos os riscos. Importa é fazer mais gols que o adversário, ou construir o resultado que interessa. Assim foi na Libertadores em 2013 sob o comando de Cuca. Pagou o preço contra o Raja Casablanca no Mundial.

Autuori, Levir e Aguirre tentaram dar alguma ordem à loucura, mas tantas vezes se beneficiaram do estilo para construir vitórias e o título da Copa do Brasil em 2014.

Chega Marcelo Oliveira, com história no clube como jogador e treinador iniciante. Campeão da Copa do Brasil com o Palmeiras, mas muito questionado pelo jogo de “trocação”, sem muitos cuidados com a compactação e a posse para administrar vantagens e apelando demais para as ligações diretas.

Perfeito para resgatar o estilo rápido e insaciável. No ritmo de Juan Cazares, meia equatoriano que pensa correndo. Afastado por Aguirre, ganhou a confiança do novo técnico depois do retorno da Copa América para se entender rapidamente com Clayton, Fred e Robinho no quarteto ofensivo atleticano.

Nos 5 a 3 sobre o Botafogo no Mineirão, dois gols e duas assistências, para Robinho e Fred. Carlos completou a goleada. O camisa onze foi líder em finalizações e posse de bola. Mandou no jogo. Os gols no início de cada tempo – o primeiro aos 12 segundos na ligação direta de Erazo para Leonardo Silva que encontrou Cazares – ajudaram a desmontar o quase sempre organizado time de Ricardo Gomes. Não houve como resistir.

Mas considerando o abismo técnico entre as equipes e o contexto do jogo, mesmo assim o Galo cedeu mais espaços e levou mais sustos que deveria. O time carioca teve 55% de posse, finalizou 19 vezes contra 12 e pode reclamar de um impedimento inexistente de Ribamar e da falta de Carlos César sobre Camilo na origem do segundo gol, de Robinho.

Foi às redes com os substitutos Sassá e Gervásio Nuñez e no final, já em ritmo de treino, com o chute de Bruno Silva que Victor aceitou. Não houve risco real para o Galo, mas o pé cravado no acelerador de Cazares torna o jogo mais aberto, sujeito a surpresas. Funcionou contra Ponte Preta, Corinthians na transição de Tite para Cristóvão, América e Botafogo. Ainda falta um teste mais duro para medir até aonde é possível chegar.

Seja como for, as vitórias afastam o temor do Z4 e abrem caminho para a busca da consistência que pode colocar o Galo na rota do título. O Palmeiras é líder absoluto, mas o rendimento cai muito fora de casa. É o vácuo que outras equipes podem aproveitar.

Por que não o time que mais investiu em nomes de peso na temporada? O Galo do intenso Cazares.

(Estatísticas: Footstats)

 


Na estreia de Robinho, o brilho de Cazares. Como escalar os dois no Galo?
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André Rocha

O Estádio Independência queria ver Robinho, mas Diego Aguirre foi cuidadoso e colocou a nova estrela de início no banco. Decisão inteligente.

Alternando intensidade e posse de bola, além da forte jogada aérea, como quer o técnico uruguaio, o Atlético Mineiro foi beneficiado pelo gol logo aos três minutos de Lucas Pratto, completando passe de Marcos Rocha. Depois massacrou o Independiente Del Valle: 63% de posse, nove finalizações contra três – cinco a zero no alvo. Chamaram atenção os 11 desarmes certos para o Galo contra apenas dois.

Mas saltou aos olhos mesmo a dinâmica de Juan Cazares. Centralizado atrás de Pratto no 4-2-3-1, é o meia que pensa correndo. Sem comparações, o equatoriano lembra o santista Lucas Lima pela movimentação procurando a bola, dando opções de passe e fazendo o jogo acelerar. Um primeiro tempo de encantar as retinas, mesmo sem o devido entrosamento.

No primeiro tempo, Cazares ditou o ritmo do Galo intenso e rápido que aproveitou o gol logo no início de Pratto para envolver o Independiente Del Valle (Tactical Pad).

No primeiro tempo, Cazares ditou o ritmo do Galo intenso e rápido que aproveitou o gol logo no início de Pratto para envolver o Independiente Del Valle (Tactical Pad).

Cansou na segunda etapa. A senha para a entrada de Robinho. Totalmente compreensível pelo aspecto físico. O problema foi deixar Patric em campo e despertar a ira da torcida. Frustrou também o espectador que queria ver os dois juntos.

Robinho foi praticamente outro atacante e esvaziou o meio-campo. Aguirre tentou compensar com Junior Urso na vaga de Leandro Donizete, que já tinha cartão amarelo. O time equatoriano ganhou espaços e fez Victor trabalhar. Angulo quase empatou em chute forte, a mais perigosa das três conclusões do visitante na segunda etapa.

A posse do Galo caiu para 57%, não houve controle do jogo. Robinho errou muito, natural por não conhecer os companheiros. Tem crédito e lastro para evoluir. A questão é como escalar a principal contratação da temporada até aqui com Cazares.

É viável. No 4-2-3-1, Cazares pode recompor pela esquerda e ganhar liberdade para articular. Robinho fica com Pratto na frente e nas ações ofensivas procura o lado esquerdo. Infiltra em diagonal e abre o corredor para Douglas Santos. Clayton, por ora, aguarda uma oportunidade. Mas é outra ótima contratação para a temporada.

A referência deve ser o desempenho da primeira etapa na segunda vitória na Libertadores e inserir um Robinho mais pronto para enfim ser o protagonista. Desta vez foi Cazares.

Robinho e Cazares podem alternar pela esquerda e no centro da articulação atrás de Lucas Pratto (Tactical Pad).

Robinho e Cazares podem alternar pela esquerda e no centro da articulação atrás de Lucas Pratto (Tactical Pad).


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