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Copa União 1987: acaba, enfim, o longo recibo que o Flamengo passou à CBF
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André Rocha

Pronto! O STF decreta o Sport campeão brasileiro de 1987, ratificando decisões das outras instâncias, e o Flamengo não pode mais recorrer.

Um recibo de 31 anos que o clube  passou à CBF suplicando o reconhecimento ou divisão do título da competição que deveria ter sido um marco para o futebol brasileiro. Dando poder a quem tem história, torcida e paixão. Não uma caneta para definir quem é campeão ou não.

Ricardo Teixeira usou como barganha o quanto pôde para ter o clube de maior torcida do país como aliado. Depois o Fla recorreu à Justiça gastando tempo e energia que deveria ter sido direcionada à liderança de um movimento de ruptura, criando de fato uma liga de clubes para organizar os principais campeonatos do país. Não passou da falida Primeira Liga.

E pior: com essa luta para ostentar oficialmente o título de campeão brasileiro, o Flamengo desvalorizou sua própria conquista. Uma das mais memoráveis do clube, não só pela reunião de estrelas na equipe, mas pela incrível recuperação no torneio – ali, sim, o “deixou chegar…” se fez presente como em outras poucas oportunidades.

Se só valia se fosse com o rótulo de campeão brasileiro, o que restou agora do esforço de Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Aílton, Zinho, Zico, Renato Gaúcho, Bebeto, do treinador Carlinhos e dos demais que participaram da conquista?

Bastava manter a coerência de 1988: se não disputou o quadrangular por não reconhecer na entidade a autoridade para decretar o campeão brasileiro do ano anterior, bastava seguir na mesma linha e dar ao torneio que conquistou o peso que tinha na época. Os dirigentes preferiram o caminho do populismo, de fazer média. Com a torcida e com a CBF. Bem feito…

Pelo menos agora esse tema morre de vez. É o que se espera. Quem sabe com o Fla enfim acordando para a grande lição de 1987: a CBF é o grande obstáculo para o crescimento do futebol brasileiro.


Uma pena, Flamengo! Não por 1987, mas por se rebaixar tanto desde então
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André Rocha

O Flamengo fez tudo certo em 1987. Foi campeão da Copa União, principal torneio do futebol brasileiro daquele ano. Competição organizada e viável financeiramente, mostrando que quando os clubes se unem são capazes de fazer muito.

Time com Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto que seriam campeões mundiais em 1994 pela seleção; com Leandro, Andrade e Zico do maior time que o clube já teve. Do goleiro Zé Carlos, terceiro goleiro na Copa de 1990. Do Edinho de três Copas do Mundo (1978, 1982 e 1986). De Renato Gaúcho, destaque maior do time comandado por Carlinhos, um dos grandes treinadores da história do Flamengo. Também selecionável. Mais Aílton, multicampeão pelo próprio Fla, mais Flu, Grêmio, Botafogo…

Depois enfrentou o status quo, não roeu a corda. Se a CBF admitiu que não tinha competência para organizar o campeonato brasileiro e os clubes assumiram a bronca, não fazia sentido devolver à entidade o bom produto que criaram. Muito menos se submeter às mudanças impostas no regulamento – antes da bola rolar, diga-se.

Grande também foi o Internacional, vice-campeão que poderia ter visto no cruzamento dos módulos uma chance de título e disputa da Libertadores, mas não recuou na fidelidade ao Clube dos Treze. Porque era a chance de tomar para si as decisões e minar as forças da estrutura federativa do nosso futebol.

Os clubes falharam. O Flamengo pecou ao se rebaixar com um comportamento de cordeirinho, suplicando e se humilhando diante da CBF para obter uma equiparação. Ou dividir o título nacional com o Sport, que ao longo do tempo passou a tratar a disputa legítima por seu direito conquistado como questão de honra, uma guerra regional contra o “eixo do mal”.

A Copa União foi uma das conquistas mais simbólicas do Flamengo. De virtualmente eliminado a campeão superando a equipe de melhor campanha, o Atlético Mineiro de Telê Santana, primeiro tirando a invencibilidade no Maracanã e depois vencendo no Mineirão em uma das maiores partidas já disputadas num estádio do país cinco vezes campeão do mundo. Um título com a marca do “Deixou chegar…”

A taça não precisa mudar de nome para ganhar valor. Pode continuar sendo Copa União para carregar suas lembranças. Não depende de uma das muitas canetadas que reescrevem a história de acordo com a conveniência de seus caciques.

O Flamengo apelou. Desceu ao nível dos dirigentes que ainda circulam por aí e na época garantiram unidade e o título do rubro-negro carioca, mas depois, por clubismo, bairrismo ou outros interesses, como uma ridícula Taça de Bolinhas, rasgaram os próprios princípios.

Não precisava. Que pena, Flamengo! Não por 1987, mas pela humilhação desde então. Até hoje, no  recurso derradeiro atrás de um título que já é seu. Que seja o último, para não ficar ainda mais feio. Porque há trinta anos foi tudo lindo.

 


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