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Cruzeiro bi e maior campeão da Copa do Brasil, com a marca de Mano Menezes
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André Rocha

O mais impressionante da campanha cruzeirense na sexta conquista da Copa do Brasil, o primeiro a vencer duas vezes consecutivas, foi a campanha fora de casa. Atlético-PR, Santos, Palmeiras e Corinthians. 100% de aproveitamento.

Porque é um time frio e “cascudo”, mas, acima de tudo, organizado por Mano Menezes. Sempre compacto e com setores bem coordenados. Ataca pronto para defender, se posta atrás preparado para as rápidas transições ofensivas. Muita concentração na execução do plano de jogo, além da mentalidade vencedora. Desta vez com desempenho mais consistente do que em 2017, mesmo com alguns problemas jogando no Mineirão.

Na final em Itaquera, um primeiro tempo quase perfeito taticamente. Mesmo com Rafinha sacrificado para auxiliar Lucas Romero, improvisado na lateral esquerda. Além do gol de Robinho, no rebote do chute na trave de Barcos aproveitando falha de Léo Santos, uma cabeçada na trave de Dedé, o melhor da final. Oito finalizações, quatro no alvo. Não permitiu nenhuma na direção de Fabio em 45 minutos.

Sofreu na segunda etapa com o pênalti, mais que discutível assinalado pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães com auxílio do VAR, de Thiago Neves sobre Ralf e convertido por Jadson. Compensado pela falta, também muito questionável e novamente utilizando árbitro de vídeo, de Jadson em Dedé no lance que terminou no golaço de Pedrinho que levaria para a decisão por pênaltis. Este que escreve não teria marcado nenhuma das duas.

Time e torcida da casa esfriaram, o Cruzeiro se reagrupou num 4-1-4-1 com Henrique entre as linhas de quatro, Lucas Silva no lugar de Thiago Neves e Raniel e De Arrascaeta,substitutos de Barcos e Rafinha, prontos para os contragolpes. Na saída rápida, passe do atacante e gol do uruguaio que cruzou o mundo depois de servir sua seleção e fez valer o investimento com belo toque por cima de Cássio.

O Corinthians fez o que pôde dentro de seu contexto de dificuldade financeira e desmanche de elenco e comissão técnica. Jair Ventura foi infeliz na formação inicial num 4-2-3-1 com Emerson Sheik e Jonathas na tentativa de tornar sua equipe ofensiva. Sacrificou Jadson na organização e criou pouco. Na segunda etapa foi na fibra, no grito. Não deu.

Porque o Cruzeiro é forte e um visitante indigesto no mata-mata nacional. Com a marca de Mano Menezes, treinador tricampeão do torneio. Um dos melhores do Brasil no trabalho mais longevo entre os grandes do país. Terminou em taça mais uma vez.

(Estatísticas: Footstats)


Thiago Neves desequilibra. Corinthians de Jair não acerta alvo fora de casa
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André Rocha

Mais uma decisão tensa e de briga por espaços no futebol brasileiro. O contexto, jogo de ida em casa, empurrando o Cruzeiro para o campo adversário e o Corinthians repetindo a estratégia da semifinal contra o Flamengo: radicalizando o trabalho defensivo com o objetivo único de minimizar danos e levar a decisão para a Arena em São Paulo.

Sem De Arrascaeta, a serviço da seleção uruguaia no absurdo de uma disputa de final nacional durante as datas FIFA, Mano Menezes abriu Rafinha pela esquerda. Surpreendeu com Ariel Cabral titular no meio-campo em busca de um passe mais vertical, deixando Lucas Silva no banco. No 4-2-3-1 habitual adiantando Thiago Neves para jogar mais próximo de Hernán Barcos.

Time de Jair Ventura concentrado sem a bola, num 4-1-4-1 com Ralf entre linhas de quatro, Mateus Vital alinhado a Gabriel por dentro e Jadson mais adiantado, circulando às costas dos volantes cruzeirenses. Mas quase sempre sem companhia na frente, até porque os ponteiros Romero e Clayson recuavam demais e se movimentavam pouco para garantir o posicionamento correto em caso de perda da bola para não deixar os laterais Fagner e Danilo Avelar desprotegidos.

A grande virtude do Cruzeiro foi a paciência para rodar a bola e esperar a chance de fazer uma transição ofensiva rápida nas poucas vezes em que o adversário adiantou as linhas. Conseguiu em um chute de fora de Thiago Neves. O grande destaque do jogo que impressiona pela personalidade em jogos grandes.

Quatro finalizações no primeiro tempo. Três no alvo, uma na trave de Cássio. Também a cabeçada de Henrique para incrível defesa do goleiro corintiano. Até Thiago Neves inverter para Egídio, que levou vantagem sobre Romero e cruzou. A bola passou por Barcos, mas não pelo camisa 30 que desequilibra.

Segunda etapa com times cuidadosos. O fim do gol “qualificado” não alterou tanto as propostas das equipes quando é hora de decidir. O Cruzeiro esperando o Corinthians em seu campo para administrar vantagem e encontrar menos obstáculos à frente da área adversária. O time visitante claramente temendo sofrer o segundo gol e se desmanchar. Logo contra o atual campeão da Copa do Brasil que costuma ser forte como visitante.

Jogou para achar um gol. Com Pedrinho, Araos e Emerson Sheik nas vagas de Clayson, Vital e Jadson. Sem mexer na estrutura. Mas também não conseguiu reagir, criar um fato novo. Agora são 180 minutos na Copa do Brasil fora de casa com Jair Ventura sem uma mísera finalização no alvo. Mesmo subindo a posse de bola para 54% de posse. A ideia deu certo contra o Flamengo “arame liso”. Agora quem sabe?

O Cruzeiro poderia ter ampliado a vantagem e encaminhado o sexto título, segundo consecutivo. Foram nove finalizações, quatro no alvo. Teve chances com Dedé e Barcos no jogo aéreo. Tentou acelerar com Raniel na vaga do centroavante argentino e David no lugar do exausto Thiago Neves, centralizando Robinho e invertendo o lado de Rafinha, com o substituto pela esquerda.

No final, Rafael Sóbis no lugar de Rafinha muito mais para ganhar tempo e tentar prender adversários no campo de defesa. Para tranquilizar, a expulsão de Araos nos acréscimos. Primeira vitória como mandante na competição. Fim da invencibilidade do time paulista.

Em Itaquera, a inversão de papeis. Cenário complexo, mesmo para o Corinthians da cultura da vitória e com o apoio da massa. O Cruzeiro está cômodo. Experiente e forte mentalmente, terá o duelo final à sua feição. Thiago Neves pode ser a diferença mais uma vez. O favoritismo ficou ainda maior.

(Estatísticas: Footstats)


Paquetá e Vitinho desequilibram e Flamengo de Dorival já faz história
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André Rocha

É óbvio que o Flamengo trocaria os 3 a 0 na Arena Corinthians pela vaga na final da Copa do Brasil, até pela cultura “copeira” do futebol brasileiro. O time paulista também não colocou intensidade máxima tendo a primeira decisão contra o Cruzeiro já na quarta-feira.

Mas no contexto atual do time rubro-negro, o triunfo na estreia de fato de Dorival Júnior pode ser um “turning point” no Brasileirão. Ainda mais numa sexta-feira com derrota do Internacional para o Sport e o clássico São Paulo x Palmeiras no sábado. Mais uma chance de se aproximar do topo da tabela.

De qualquer forma, a vitória é histórica. Desde 2009 o Flamengo não vencia o Corinthians como visitante – ou seja, nunca havia superado o atual campeão brasileiro em seu estádio –  e há sete anos não conseguia voltar da cidade de São Paulo com três pontos pelo Brasileiro. Uma estatística que incomodava o clube que tenta ser mais competitivo nacionalmente em um período de domínio dos times paulistas na competição por pontos corridos.

Dorival não é mágico e em quatro dias não teria como transformar completamente o Fla em tática e espírito. Mas já se viu uma equipe mais intensa e organizada, se fechando em duas linhas de quatro, dando a liberdade que Lucas Paquetá precisa num 4-2-3-1 e confiança para Vitinho tirar o peso das costas por ser a contratação mais cara da história do clube. O ponta, bem aberto pela esquerda, tentou oito vezes o drible e acertou cinco. A maioria para cima de Gabriel, volante improvisado na lateral direita.

Ainda falta ao trabalho coletivo a infiltração que surpreende, a presença de área para completar os muitos cruzamentos de Vitinho – foram 15 no total, mas só três encontraram um companheiro para finalizar, um com bola rolando. No final do primeiro tempo, uma oscilação perigosa com falha grotesca de Willian Arão na saída de bola que Mateus Vital e Douglas não aproveitaram e o goleiro César, substituto de Diego Alves, apareceu com duas grandes intervenções.

A vitória foi construída na bola parada. Escanteios de Vitinho para Paquetá. Dois gols, chegando a nove no campeonato. O melhor finalizador atualmente no elenco precisa jogar mais próximo da meta do oponente. Com a volta de Diego, talvez atuar no centro do ataque – você já leu sobre isto AQUI. Se prender a bola além do recomendável, ainda um hábito, que seja bem longe da própria defesa. No contragolpe final, o belo passe clareando para Rodinei disparar e servir Renê. Os 3 a 0 são a maior derrota corintiana em Itaquera.

Menos posse de bola: 47%. Doze finalizações contra onze, sete a três no alvo. Se o Corinthians fragilizado da temporada e focado em outra competição não é parâmetro para uma avaliação mais profunda, o simbolismo da vitória com Paquetá e Vitinho desequilibrando é o “fato novo” que o Flamengo precisava para uma última tentativa de conquista em 2018.

(Estatísticas: Footstats)

 


Palmeiras B campeão será a “experiência de quase-morte” do Brasileirão
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André Rocha

Você consegue imaginar um Real Madrid valorizando mais a Copa do Rei do que La Liga ou o Bayern de Munique lamentando mais a eliminação da Copa da Alemanha do que ficar para trás na disputa pela salva de prata da Bundesliga?

Improvável, não? No Brasil, porém, funciona diferente. Além da Libertadores, a Copa do Brasil é tratada como prioridade pelos grandes clubes. Não só pelo alto valor da premiação, mas por uma simples questão de cultura. Se contarmos desde 1959, foram 43 anos de disputa do Brasileiro no mata-mata. Apenas 16 nos pontos corridos. De 1989 a 2002, as duas principais competições nacionais eram definidas em jogos eliminatórios e parecia ok pra todo mundo.

Os pontos corridos, mesmo com os lamentos de muita gente, chegaram a pegar por aqui. Assim como a visão de que a regularidade, valorizando todos os jogos, normalmente era a grande virtude do campeão.

Tudo mudou com Libertadores e Copa do Brasil passando a ser disputadas durante toda a temporada, como acontece na Europa. A possibilidade de ser campeão disputando menos partidas se transformou numa sedução quase irresistível. Os clubes com maior capacidade de investimento e elencos mais robustos agora disputam o Brasileiro utilizando várias vezes seus times reservas.

O que deveria ser a principal competição nacional virou, na prática, prêmio de consolação. Só passa a ser prioridade quando não há mais nada em disputa. Dependendo do clube, até a disputa da Sul-Americana pode ser colocada na frente. Também por conta do aumento de vagas para a Libertadores. Um G-6 que pode virar até G-9. Quase metade dos participantes…

Tudo isso cria um cenário de desvalorização que pode ganhar um capítulo dramático se o atual líder Palmeiras confirmar o título nas últimas onze rodadas. Desde a chegada de Luiz Felipe Scolari disputando a maioria das partidas com reservas. O experiente treinador usa a retórica para não admitir que é um time B e valorizar todos os jogadores. Mais que legítimo.

E vem dando certo. Usando três ou quatro titulares, normalmente no meio-campo e ataque, está invicto há onze rodadas: oito vitórias e três empates. Incríveis 82% de aproveitamento. Com Gustavo Gómez, Marcos Rocha, Lucas Lima, Hyoran e Deyverson se destacando, além de Felipe Melo e Dudu, tantas vezes pinçados do time A.

Todos os méritos para Felipão, comissão técnica e atletas. Mas um claro sintoma do achatamento técnico da competição. Não só pelo momento do futebol brasileiro já analisado tantas vezes neste blog, com equipes cada vez mais organizadas para defender e sem ideias quando precisam criar espaços diante de times compactos. E ainda tensas com a responsabilidade do favoritismo.

Incrível como o São Paulo caiu de rendimento depois que passou a ser de fato candidato ao título que não conquista há dez anos. Mesmo com desfalques importantes, a queda dos comandados de Diego Aguirre foi brusca. É possível notar em campo uma equipe travada pelos próprios nervos. Precisa vencer e não sabe bem como. A torcida fica ainda mais pilhada ao ver os grandes rivais da cidade em um momento tão bom em termos de resultados – Corinthians e Palmeiras são os últimos campeões brasileiros e seguem fortes no mata-mata.

O mesmo com o Internacional vindo da Série B e que de repente se viu disputando o topo da tabela. Outro time que precisa dar respostas diante da força do grande rival, o Grêmio campeão sul-americano e praticamente garantido nas semifinais do torneio continental em 2018. Mais uma equipe que sem brechas para infiltrar entra em parafuso e sofre mais do que devia, mesmo em jogos relativamente tranquilos contra times tentando se afastar do Z-4.

Por enquanto o Palmeiras está leve. Disputa as partidas sem maiores cobranças. Não só pelo crédito histórico de seu treinador, mas principalmente por também estar com a classificação bem encaminhada para as semifinais do principal torneio sul-americano. Buscando o bi com Felipão. A eliminação na Copa do Brasil teve seu impacto em um clube ávido por taças, mas sem gerar crise.

Esta tranquilidade somada ao desempenho com notável regularidade pode, sim, acabar em título. Ainda que a tabela reserve o clássico contra o São Paulo no Morumbi já na próxima rodada e depois duelos fora de casa contra Flamengo e Atlético Mineiro.

Se acontecer será uma espécie de “experiência de quase-morte” do Brasileirão. Um duro atestado de desvalorização. A dança com a prima no final da festa. Algo para CBF, clubes e até a TV Globo repensarem. Ainda que a audiência siga com bons números e até a média de público esteja mais alta, turbinada pelos programas de sócio-torcedor que estimulam a fidelidade. Mas fica cada vez mais cristalino que o foco é mata-mata.

As quartas estão mais nobres que os fins de semana. Sinal dos tempos.


Corinthians e Cruzeiro: a cultura de vitória na final da Copa do Brasil
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André Rocha

O último campeão brasileiro e paulista. O último campeão da Copa do Brasil e mineiro. Os jogos de volta das semifinais do torneio mata-mata nacional foram parelhos, com momentos de pressão no final de Palmeiras e Flamengo, mesmo como visitantes.

Mas a cultura de vitória está na final da Copa do Brasil. Conceito subjetivo, mas que transmite confiança para quem conquista títulos e muitas vezes “encolhe” a perna dos jogadores da equipe que coleciona fracassos e sofre pressão. Exatamente o perfil atual dos derrotados, embora o Alviverde tenha taças mais recentes para ostentar. Só que depois de aumentar ainda mais o poder de investimento está devendo em resultados. Ao menos por enquanto.

Já o Corinthians sofre por restrições no orçamento e baixas seguidas no elenco e na comissão técnica. Mas se desta vez não encontrou forças para ser competitivo nos pontos corridos, especialidade nos últimos anos, chega na Copa do Brasil. Nove anos depois do terceiro e último título.

Em 2009 com Mano Menezes. Treinador na segunda final consecutiva, semifinalista em 2016. Com um Cruzeiro pragmático, que novamente não venceu o jogo de volta no Mineirão e vai se garantindo fora de casa. No 4-2-3-1 sólido, mas nem sempre constante. Péssima notícia para a volta contra o Boca Juniors pela Libertadores, mas carrega favoritismo para o bi e a sexta conquista do torneio nacional.

Porque o time de Jair Ventura foi inferior ao Flamengo nos 180 minutos. Mas teve eficiência em Itaquera, desde a bela inversão de Jadson, novamente jogando mais adiantado, que pegou Pará com Clayson e Danilo Avelar nas costas de Everton Ribeiro para abrir o placar.

Depois o jovem e promissor Pedrinho, que entrara na vaga de Clayson, decidiu no talento, com a ajuda da passividade no combate de Willian Arão e Trauco –  as surpresas de Mauricio Barbieri que adiantou Paquetá para jogar com Henrique Dourado e abriu Diego na ponta esquerda num 4-2-3-1 – e do sacrifício de Diego Alves para seguir em campo depois de uma lesão no primeiro tempo.

O gol rubro-negro foi contra, mais uma vez. De Henrique, desviando cruzamento de Pará. O lateral que acertou a trave no último ataque. A 11ª finalização rubro-negra contra seis do Corinthians – quatro a três no alvo.

No Mineirão a disputa foi mais econômica em conclusões: seis do Palmeiras, quatro do Cruzeiro. Também pelo excesso de ligações diretas e chutões – 45 do time mineiro, 30 dos visitantes. Roteiro esperado: Cruzeiro abrindo o placar na saída rápida, com Lucas Silva encontrando Barcos, que driblou Weverton e parecia encaminhar a classificação. Mas o gol de Felipe Melo, completando cobrança de escanteio, deixou tudo mais eletrizante até o final. O desfecho, porém, acaba com o sonho da “tríplice coroa” do Palmeiras de Luiz Felipe Scolari.

Porque os dois times mais vencedores do país nos últimos tempos, junto com o Grêmio, resistiram. Na fibra, no apoio de suas torcidas. Mas principalmente pela força mental de quem vem crescendo em momentos decisivos. Por isso mesmo devemos ter uma final imprevisível, até pela posição intermediária dos times no Brasileiro.

Foco total. O trabalho mais curto contra o mais longevo. Quem vai se impor?

(Estatísticas: Footstats)


Internacional e Palmeiras vencem clássicos “típicos” e ganham uma rodada
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André Rocha

Beira-Rio e Allianz Parque foram os palcos dos grandes clássicos da 24ª rodada do Brasileiro. Mesmo prejudicados pelo Grêmio muito desfalcado e o Palmeiras seguindo seu roteiro de colocar mais reservas em campo no fim de semana quando tem jogo de mata-mata em seguida.

Duelos que seguiram o roteiro da maioria dos clássicos e jogos decisivos no país: muita concentração defensiva, jogo simples para minimizar erros e não correr riscos, disputa física com jogadores pilhados para mostrar aos torcedores que estão ligados e, claro, pressão nas arbitragens. Ou seja, seguindo velhos discursos: “clássico não é para jogar, mas para vencer” e “será decidido nos detalhes, quem errar menos sairá com os três pontos”.

Em ambos, times sem muita ambição e mais preocupados com o trabalho defensivo no primeiro tempo. Mesmo para quem tomava a iniciativa e ficava com a bola – inicialmente os times da casa. Compreensível para o Corinthians que estreava Jair Ventura na casa do rival e buscava um reequilíbrio. Ou, no popular, “fechar a casinha”.

Vitórias dos mandantes que souberam se impor. O líder Internacional manteve sua proposta de jogo, alternando Nico López e William Pottker pelas pontas no 4-1-4-1 habitual, ora ocupando o campo de ataque, ora negando espaços ao maior rival. Até Uendel, substituto do suspenso Iago, colocar na cabeça de Edenilson e decidir.

Porque faltou ao Grêmio de Renato Gaúcho o “punch” de outros momentos. Muito pelas ausências de Kannemann, na seleção argentina, e Maicon por lesão. Também da velocidade e do drible de Everton, a serviço de Tite. Sobraram a fibra do campeão da Libertadores e a boa surpresa do meia Jean Pyerre, que entrou na vaga de Luan deu trabalho a Rodrigo Dourado e Marcelo Lomba. Foram 55% de posse e 12 finalizações contra nove do Colorado, três para cada lado.

Triunfo simbólico para comprovar a força da equipe de Odair Hellmann e tirar a má impressão do empate sem gols com os reservas do Palmeiras na primeira partida em casa contra os times na ponta da tabela.

Até porque a formação que Luiz Felipe Scolari manda a campo no Brasileiro também vai se impondo na autoridade da transformação anímica no clube com a chegada do treinador ídolo e multicampeão. Com Weverton no gol, Felipe Melo no meio e Dudu na frente. Mas usando o fator campo para acuar o rival.

Thiago Santos e Felipe Melo mais fixos liberando Lucas Lima e os laterais Marcos Rocha e Victor Luís. Passes longos, Deyverson no pivô retendo a bola ou partindo para a conclusão. Dudu e Hyoran alternando pelos flancos e buscando as infiltrações em diagonal. Jogo direto, eficiente e que vai desgastando o adversário.

Ainda mais o Corinthians em transição, abalado e que só queria retomar a solidez sem a bola. No 4-2-3-1, com Romero pela esquerda tentando acompanhar Marcos Rocha, que aparecia nas ultrapassagens e também nas cobranças de lateral diretamente na área adversária. Na segunda etapa, a entrada de Moisés no lugar de Thiago Santos deu ainda mais volume ao Alviverde.

Até o passe de Marcos Rocha para a finalização de Deyverson. A mais precisa das 12 do Palmeiras contra apenas quatro do atual campeão brasileiro – nenhuma no alvo. Mesmo verticalizando o jogo quase o tempo todo, o time da casa terminou com 54% de posse. Controlou bem a partida dentro do contexto.

Dudu foi o destaque, com cinco finalizações, um chute no travessão em bela jogada individual e levando vantagem principalmente quando aparecia pela esquerda contra o inseguro Mantuan. Muito diferente do jogador inconstante dos tempos de Roger Machado. Mais um ponto para Felipão.

Mais três para Inter e Palmeiras. Em jogos mais pegados que jogados. Clássicos “típicos”. Vencidos pelas equipes em alta que souberam aproveitar o mando de campo para não deixar o São Paulo retomar a liderança. Ganham uma rodada na busca do título.

(Estatísticas: Footstats)


Ceará vence Corinthians e Fla porque trabalho de Lisca não é só folclore
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André Rocha

No Maracanã, abnegação sem bola das duas linhas de quatro, rapidez nas transições ofensivas e vitória sobre o Flamengo no chute de longe de Leandro Carvalho que quicou no péssimo gramado e surpreendeu Diego Alves.

Dentro do Castelão diante de um Corinthians fragilizado com desfalques em um elenco já muito mexido, postura ofensiva, marcação no campo de ataque, mobilidade do trio Calyson, Juninho Quixadá e Leandro Carvalho atrás de Arthur Cabral. Centroavante que ora faz o pivô, ora abre espaços para as infiltrações dos companheiros ou se posiciona para a finalização como um típico camisa nove. Mais a aproximação de Richardson e o apoio alternado dos laterais Samuel Xavier e Felipe Jonatan.

Gol de falta do goleiro Éverson para descomplicar a partida no primeiro tempo e compensar um velho problema da equipe: desperdiça chances cristalinas. Algo ainda mais complexo para uma equipe de menor investimento que em algumas partidas tem uma ou duas e precisa aproveitá-las. Na segunda etapa, Leandro Carvalho passou como quis por Mantuan, substituto de Fagner na lateral direita, e serviu Calyson, que desviou e a bola bateu em Danilo Avelar antes de entrar.

O gol de Roger na única jogada bem coordenada com assistência de Jadson e a pressão final do Corinthians com Mateus Vital e Araos dando mais dinâmica ao meio-campo e Matheus Matias se juntando a Roger no ataque fizeram o time da casa recuar, Lisca trocar Arthur pelo zagueiro Eduardo Brock e administrar a vantagem com algum sofrimento.

Mas não dá para dizer que o jogo foi igual. Ainda que a equipe de Osmar Loss tenha encerrado o jogo com 63% de posse. Foram 16 finalizações do Ceará, metade no alvo, contra 11 dos visitantes, quatro na direção da meta de Éverson. Estrategicamente, o jogo foi de Lisca. E custou a vaga de treinador de Loss, que volta a ser auxiliar técnico na comissão permanente.

Lisca entrega mais uma vez trabalho que é bem mais que o folclore que acompanha o treinador carismático. O “hospício” fica só na torcida. Em campo há uma equipe que ganha consistência, confiança com as vitórias sobre os times mais populares do país e fica bem mais próxima de fugir do Z-4.

Com 23 pontos, a distância para o Botafogo, que é o 14º colocado e também tem 23 jogos, é de apenas três pontos. Convém olhar com atenção e respeito o que Lisca consegue novamente no “Vozão”.

(Estatísticas: Footstats)


Onde você estava no dia 24 de janeiro?
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André Rocha

Atlético-MG x São Paulo. Internacional x Flamengo. Palmeiras x Atlético-PR. Ainda Santos x Grêmio na quinta-feira. Jogos grandes e importantes para o Brasileiro. Todos os envolvidos são campeões nacionais. A 23ª rodada é daquelas que num campeonato por pontos corridos podem definir muita coisa. Ainda mais no meio da semana, sem mata-mata e times poupando seus atletas.

Mas será disputada em meio à data FIFA. Muita reclamação dos clubes com jogadores convocados por Tite, porém desfalcados também pelos estrangeiros que servem suas seleções. Everton, Kannemann, Arboleda, Paquetá, Cuellar, Trauco, Chará. Mais as ausências comuns por cartões e lesões. Neste último caso, também pelo acúmulo de jogos na temporada.

As principais ligas paradas para as seleções jogarem e a gente aqui descascando batata no porão. De novo. Por quê?

A resposta genérica é o calendário inchado. Mas podemos ser mais específicos. Onde você estava no dia 24 de janeiro deste ano?

Nesta quarta feira, na qual os times poderiam estar fazendo sua pré-temporada com tranquilidade – em especial o Grêmio, que entrou de férias depois dos demais porque disputou o Mundial de Clubes -, o São Paulo venceu em casa o Mirassol por 2 a 0, o Corinthians fez 2 a 1 sobre a Ferroviária. Mesmo placar da vitória do Palmeiras sobre o Red Bull Brasil no dia seguinte, enquanto o Santos perdia por 1 a o para o São Bento.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro o Flamengo vencia o Bangu por 1 a 0, o Vasco era derrotado pela Cabofriense por 2 a 1 e o Fluminense empatava sem gols com a Portuguesa da Ilha. Na quinta, vitória do Botafogo sobre o Macaé por 2 a 1. No Rio Grande do Sul, o Grêmio perdeu para o Avenida por 3 a 2 e o Internacional foi superado pelo Caxias por 2 a 1. Em Minas, o Cruzeiro enfiava 5 a 0 no Uberlândia e o Atlético, na quinta, perdia para o Villa Nova por 1 a 0.

Você lembra dessas partidas? Com todo o respeito que as equipes de menor investimento merecem, não dá para dizer que foi uma rodada de meio de semana perdida? A maioria de jogos deficitários, alguns com os grandes utilizando reservas e resultados que pouco interferiram no destino dos clubes dentro da temporada. Mesmo para quem valoriza os estaduais, até pelas boas cotas de TV, não dá para negar que foram datas jogadas no lixo.

Pois é…Se o seu time vai jogar hoje ou amanhã dentro de uma data FIFA, na qual poderia estar recuperando e treinando para se fortalecer e apresentar um desempenho melhor na volta do campeonato, é por causa desse 24 (e 25) de janeiro que só alimenta uma estrutura federativa ultrapassada, pouco eficiente e eficaz na gestão do futebol brasileiro.

É chato bater sempre na mesma tecla. Mas enquanto os mesmos erros forem cometidos pelos clubes que aceitam ser explorados e exauridos, nada fazem pensando no todo e só reclamam quando se sentem prejudicados será inevitável. Mais do mesmo. Uma pena.


Corinthians precisa estabelecer metas realistas para salvar temporada
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André Rocha

Foto: Marcos Ribolli /Globoesporte.com

Há uma crise no Corinthians e é bobagem negá-la. Problemas de gestão financeira combinados com visibilidade de triunfos recentes enfraqueceram o time com baixas importantes – Carille, Rodriguinho e Balbuena, principalmente. O sucessor no comando técnico, Osmar Loss, é a prova de que estar inserido na estrutura e conhecer por dentro a mecânica do time em campo não significa sucesso imediato por “piloto automático”.

É estranho ver o clube que faturou três títulos brasileiros nos últimos oito anos mais próximo da zona de rebaixamento do que da liderança – são oito pontos de distância do G-6 e sete do Z-4.  Fica cada vez mais claro que regularidade está longe de ser o forte da equipe atual. A solidez defensiva e a precisão cirúrgica nos ataques ficaram pelo caminho.

Mas a temporada não está perdida. Longe disso. É possível salvá-la com mais um título para a vasta coleção dos últimos anos e fechar 2018 com duas conquistas. Sim, a Copa do Brasil. Semifinal contra o Flamengo com a volta em São Paulo. Ainda que os rubro-negros tenham vencido os dois últimos encontros, o retrospecto recente é mais que favorável. Até em 2016, ano complicado pela perda de Tite e as escolhas infelizes de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira como sucessores, foram quatro pontos conquistados no Brasileiro contra o time de Zé Ricardo que à época perseguia o Palmeiras na liderança.

Se conseguir a vaga na final há 50% de chances de um clássico paulista contra o Palmeiras. Rivalidade à flor da pele, ainda a discussão da final do Paulista na Justiça. Uma disputa mais mental do que técnica ou tática. Agora há Felipão do outro lado, mas a moral dos triunfos recentes está com o Corinthians. Contra um Cruzeiro que pode ainda estar envolvido com Libertadores também há chances, ainda mais se decidir novamente em casa.

No Brasileiro é preciso ser realista e administrar uma campanha de manutenção na Série A.  Basta entender com humildade que desta vez os adversários importantes são os que estão na segunda metade da tabela e não no topo. Já na Libertadores, o que vier é lucro, a partir da volta contra o Colo Colo em São Paulo. Improvável que num ano tão conturbado o Corinthians arranque para um bicampeonato enfrentando os clubes mais fortes do país e do continente.

Respaldado pela diretoria, ao menos por enquanto, Loss precisa de calma e discernimento para pensar num time mais pragmático e forte no mata-mata. Jogando simples, retomando a concentração defensiva, especialmente nas jogadas aéreas da bola parada e sendo pragmático no ataque. No mais é dar confiança para os pilares Cássio, Fagner, Ralf, Jadson e Romero. Atletas experientes e com mentalidade vencedora.

Ou seja, resgatar a essência da identidade corintiana. Um ano caótico ainda pode terminar bem para o time brasileiro mais vencedor desta década.

 


Romero é a marca da “identidade Corinthians” em mais uma reconstrução
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André Rocha

Fabio Carille teve oportunidades como interino antes de ser efetivado como treinador do Corinthians em 2017. Quando saiu com status de vencedor, o sucessor Osmar Loss não desfrutou de tempo para “estágio”. Mesmo em um time campeão brasileiro e bi do Paulista não é uma transição simples.

Para piorar, a continuação de mais um desmanche por conta dos problemas financeiros do clube. Antes Pablo, Jô e Guilherme Arana, depois Balbuena, Sidcley, Maycon. Por último, Rodriguinho. Protagonista e melhor finalizador. Como único contraponto, a permanência de Jadson.

A solução foi manter a identidade de organização e concentração defensiva, mesmo com muitos erros individuais e natural desentrosamento na última linha da retaguarda, e buscar a melhor reposição possível. Na lateral esquerda, Danilo Avelar vai ganhando confiança e encaixe. No meio, Douglas tem passe mais qualificado que Renê Júnior e melhora a dinâmica e a construção de jogadas.

Na frente, com Roger lesionado e Jonathas ainda se adaptando, Loss recorreu ao 4-4-2 sem centroavante dos tempos de Carille. Na frente, o retorno de Jadson e liberdade para o grande personagem desta tentativa de reação no Brasileiro com as vitórias por 2 a 0 sobre o Cruzeiro em Itaquera e 4 a 1 contra o Vasco no Mané Garrincha.

Ángel Romero marcou cinco dos seis gols da equipe, mas não só isso. Muita mobilidade quando atua solto na frente, sempre rondando a área adversária, e a já conhecida eficiência nas finalizações. Ainda a volta pela direita para compensar a intensidade e a resistência não tão altas de Pedrinho para fazer a função pelo lado. Dá liberdade ao jovem talentoso, mas não deixa de participar das ações ofensivas.

No segundo tempo em Brasília, a melhor atuação corintiana sob o comando de Loss. Com algumas marcas da maneira de jogar construída por Mano Menezes e Tite e ratificada por Carille: apenas 47% de posse e nove finalizações. Seis no alvo, quatro gols. Apenas oito desarmes certos contra 23 do Vasco. Mas oito interceptações corretas e nenhuma do adversário. Consequência de um time melhor posicionado. A “identidade Corinthians”.

Evolução importante para um momento fundamental da temporada, com as disputas de mata-mata na Copa do Brasil e na Libertadores chegando. Com tantas mudanças recentes é difícil vislumbrar regularidade suficiente para ser competitivo em três frentes. Mas a impressão é de que mais uma vez o Corinthians pode minimizar em campo os problemas crônicos de gestão.

Com mais um que “herda” protagonismo: já foi Jadson, depois Jô, Rodriguinho… Agora é a vez de Romero. Antes desprezado e até motivo de chacota, agora a estrela de mais uma reconstrução do atual campeão brasileiro.

(Estatísticas: Footstats)