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Atlético-MG, líder e livre para o Brasileiro. Será o Corinthians de 2018?
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André Rocha

No dia 8 de maio, o Atlético Mineiro foi eliminado da Copa Sul-Americana no zero a zero contra o San Lorenzo no Estádio Independência – perdera no Nuevo Gasômetro por 1 a 0. Oito dias depois, novo revés em mata-mata, desta vez nos pênaltis após dois empates sem gols contra a Chapecoense. Ainda que tenha utilizado reservas na competição continental e o presidente Sette Câmara chamado o torneio de “segunda divisão” da América do Sul, não deixam de ser eliminações um tanto prematuras de duas das três frentes do time em nível nacional e internacional na temporada.

Mas pode ter um lado bom, por mais paradoxal que possa parecer. E este novo cenário já se fez presente no clássico contra o Cruzeiro no Independência. Pensando na disputa da primeira vaga do Grupo 5 da Libertadores no Mineirão contra o Racing, o rival mandou a campo um time repleto de reservas.

Um deles, o argentino Mancuello, acabou expulso aos três minutos da segunda etapa. Aumentando o domínio atleticano de 64% de posse e 16 finalizações, seis no alvo. A mais precisa de Roger Guedes, artilheiro do Brasileiro com cinco gols. Vitória por 1 a 0 e liderança provisória em seis rodadas, esperando que o Corinthians não vença o Sport na Arena Pernambuco e salte na frente pelo saldo de gols.

Mas mesmo que o atual campeão termine o fim de semana no topo da tabela, mais à frente certamente terá que optar por um time “alternativo”. Porque a equipe paulista já está nas quartas da Copa do Brasil e nas oitavas da Libertadores. Assim como outros favoritos, confirmados ou quase lá. Todos enfrentarão um calendário atropelado, com jogos seguidos, depois da parada para a Copa do Mundo.

Sem as semanas cheias de trabalho e o foco do título corintiano em 2017 – definindo a prioridade desde o início e, por conta da vantagem construída na liderança do turno, tratando a Sul-Americana como uma competição secundária. Deve ser a arma do Galo a partir de agora. Com o jovem treinador Thiago Larghi podendo afirmar sua maneira de jogar que preza a posse de bola e o jogo construído desde a defesa, mas acelera no ataque com Luan, Cazares, Otero e Roger Guedes. Os quatro que se alternam no trio de meias que se junta a Elias na aproximação de Ricardo Oliveira.

Já é o time que mais finaliza, o terceiro em acerto de passes, o quarto em posse de bola. Também o terceiro que mais acerta desarmes. Haverá tempo para aprimorar, potencializando virtudes e minimizando defeitos. Porque serão menos viagens e mais dias de treinamento. Mesmo com todos se nivelando durante o Mundial da Rússia, a vantagem é inegável.

Consequência do novo calendário que vai criando dilemas no futebol brasileiro. A cultura nacional de mata-mata e a visão de que em outras competições o clube precisa de menos partidas para lutar pelo título acaba esvaziando o campeonato que devia ser mais valorizado. Na hora de escolher entre o jogo decisivo agora e o que pode ter os pontos recuperados mais à frente, a opção no nosso imediatismo de todo dia é clara.

É neste “vácuo” que o Atlético Mineiro pode crescer. Quem sabe se transformar no Corinthians versão 2018. Se terminar com a taça que não vem desde 1971, a impressão de temporada ruim de agora será esquecida. Pode até ser o time brasileiro do ano caso algum compatriota não vença a Libertadores. Estranho, não? Mas na prática é assim que funciona.

(Estatísticas: Footstats)


A “identidade Corinthians” resiste, mas até quando?
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André Rocha

A goleada por 7 a 2 sobre o Deportivo Lara, talvez pela profunda crise na Venezuela, fez lembrar os confrontos com os times semiamadores do país de décadas passadas. Mas o Corinthians cumpriu seu papel goleando e, com o resultado, garantindo a vaga nas oitavas de final da Libertadores e encaminhando a liderança do Grupo 7.

O que segue impressionando é a capacidade de reinvenção da equipe dentro da já decantada “identidade Corinthians”. Até Mantuan, inseguro e hesitante na reposição ao lesionado Fagner, vai ganhando confiança pela direita. Tanto na composição da linha de quatro quanto no aproveitamento do corredor deixado por Pedrinho. Joia da base enfim alçada ao profissional e acrescentando drible e inventividade ao quarteto ofensivo.

Ataque que perdeu Jô, pivô eficiente e que fazia a equipe jogar, e se adapta à dinâmica sem centroavante. Na Venezuela, a veia de artilheiro ficou com Jadson e seus três gols. Rodriguinho, melhor finalizador, parece fadado aos gols decisivos, não em jogos fáceis. Sidcley entrou na vaga deixada por Guilherme Arana e é mais um que rende no time ajustado. Gol e assistência para Jadson.

O modelo é a chave que os concorrentes começam a entender e buscar. Se há uma maneira de jogar que não é definida de acordo com o treinador da vez fica mais fácil assimilar os movimentos. Desde a posição corporal na hora de defender a meta de Cássio. Balbuena ensina Mantuan, Henrique e Sidcley e são protegidos pela linha de quatro mais à frente, porém compacta, com os volantes e ponteiros.

Na saída para o ataque, a busca pelas triangulações e a já famosa concentração para não desperdiçar oportunidades. Por isso, mesmo com o decréscimo no nível técnico com a perda de peças o desempenho médio não cai.

Ao menos por enquanto. Porque a proposta do Al-Hilal por Fabio Carille pode levar também alguns titulares. Maycon vai para o Shakhtar Donetsk depois da Copa do Mundo, Cássio e Fagner estarão no período de preparação da seleção brasileira com o Brasileiro rolando e a janela europeia também pode fazer um estrago no elenco.

O Corinthians sofre ao não transferir a organização e a competência dentro de campo para a gestão. Ainda que seja complicado, em qualquer cenário, competir com a moeda e a economia mais fortes de outros centros, o clube deveria resistir mais. Tem receitas para isto. Mas a dificuldade de gerir as finanças com um estádio caro para pagar é obstáculo para um domínio que podia ser maior e corre o risco de evaporar a qualquer momento.

A alternância de poder no Brasil costuma ser implacável. A concorrência aprende com quem está dominando e o time vencedor do período se acomoda nas velhas fórmulas ou paga a conta de um investimento sem sustentação do orçamento. O São Paulo tricampeão brasileiro e hoje decadente é o exemplo mais clássico e duradouro.

O Corinthians respira e segue vencendo. Os sustos, porém, devem vir pelo caminho. Osmar Loss pode ser a nova solução caseira e o elenco ser reciclado mais uma vez. Ao menos o clube aprendeu com o hiato de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira o que não deve fazer. Mas até quando resiste a identidade do maior vencedor do país nesta década?


A lesão de Daniel Alves e o grande jogo de dados que é o futebol
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André Rocha

Imagem: Franck Fife / AFP Photo

Em sua ótima coluna na Folha de São Paulo, Tostão afirma que o jogo é uma mistura de inspiração e expiração, de ciência e imprevistos.

Podia ser Meunier ou qualquer outro lateral direito do futebol profissional do mundo inteiro em campo ontem na conquista da Copa da França pelo PSG na vitória por 2 a 0 sobre o Les Herbies, da terceira divisão francesa. Faria pouca diferença em mais um título do campeão francês e da Copa da Liga. Que volta a sobrar no país depois do “meteoro” Monaco na temporada passada.

Mas era Daniel Alves. Na noite de seu 38º título na carreira, mas que também pode lhe negar a chance de conquistar o trofeu mais cobiçado pelo brasileiro. A lesão no joelho direito, em um exame preliminar, afetou o ligamento cruzado e há o risco real do lateral ficar de fora da Copa do Mundo. A última de sua trajetória multicampeã.

Logo a lateral direita sem uma reposição confiável. Que pode cair no colo de Fagner, sem grande experiência internacional no mais alto nível, ou de Danilo, reserva do Manchester City e outra incógnita em  jogo grande no Mundial da Rússia. Talvez uma surpresa que apareça na lista pela emergência.

Daniel também pode se recuperar a tempo e o Brasil contar com os melhores laterais do mundo na formação titular. Mas também sofrer com as conhecidas fragilidades defensivas do jogador do PSG e também de Marcelo do lado oposto. Como já aconteceu há quatro anos. O gol da Croácia logo aos dez minutos da estreia do time de Felipão teve bola nas costas de Daniel Alves, cruzamento e Marcelo, no movimento errado da diagonal de cobertura, marcou contra. Fora o sufoco em outros jogos.

Algo minimizado pelo bom trabalho coletivo sem a bola com Tite, mas ainda um problema. Que no detalhe de um jogo eliminatório na reta final pode afastar a seleção brasileira da disputa do título. Mas a possibilidade do substituto na direita ser a solução para uma maior estabilidade na retaguarda não pode ser descartada. Afinal, entrando no time sem tanto lastro e minutos entre os titulares, a tendência natural é guardar mais o posicionamento atrás e só descer na boa.

Considerando que Danilo já atuou como zagueiro e até volante com Pep Guardiola e Fagner conhece toda a dinâmica das equipes de Tite na última linha de defesa pelos anos trabalhando juntos no Corinthians é possível que a mudança até traga um equilíbrio que não existia.

Impossível prever. E dependendo do desempenho e do resultado uma ou outra alternativa pode ser a justificativa para a glória ou o fracasso. Na mesma coluna citada acima, Tostão provoca: “Quando termina a partida, elegemos os heróis e os vilões e tentamos explicar, com bons ou maus argumentos, o que, muitas vezes, não tem explicação. Tem existência”.

O campeão mundial em 1970 às vezes exige do comentarista uma “não análise”. A função de quem estuda, observa e coloca sua visão é oferecer pontos de vista para que o espectador ou leitor forme sua própria opinião. Há sempre indícios que podem justificar um desempenho ruim e o mau resultado.

Mas tem toda razão quando fala do imponderável. Daniel Alves se lesionou numa decisão. Podia ser em um treino. Como Neymar dobrou o pé em um lance banal num jogo qualquer da Ligue 1. Como Casemiro, Marcelo e Firmino correm riscos na final da Liga dos Campeões. Ou qualquer um dos possíveis convocados. Até em casa, brincando com o filho.

Uma ausência pode definir tudo. Para o bem ou para o mal. Quantos não lamentam o corte de Romário em 1998 imaginando que o Baixinho poderia compensar o problema de Ronaldo antes da final da Copa? Mas quatro anos antes, o Brasil conquistou o tetra com Aldair e Márcio Santos na zaga que tinha como titulares os Ricardos, Rocha e Gomes. Em 2002, Gilberto Silva se transformou em um dos destaques da campanha do penta porque Emerson foi cortado por uma luxação no ombro. Brincando de goleiro em um rachão na véspera da estreia.

Como não lembrar de Einstein e sua famosa frase “Deus não joga dados com o Universo”? Mas cada vez mais o futebol, mesmo tendo também a sua porção de ciência, vai se mostrando um grande jogo de dados. De sorte e azar. Do imprevisto que salva ou destroi. Vejamos o que o destino reserva para Tite e seus comandados na Rússia.


Corinthians sofre sem seu “camisa dez” nas conquistas recentes: o tempo
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André Rocha

Foto: Daniel Augusto Jr. /Agência Corinthians

Sim, muitos vão dizer que o verdadeiro trunfo corintiano é o “apito amigo”. Tema recorrente. E chato. Porque sempre o alvo é quem está vencendo no período. Já foi o Flamengo, o São Paulo, o Palmeiras, o Fluminense…Agora o maior campeão dos últimos dez anos no Brasil. Coincidência?

O vício de colocar tudo na conta da arbitragem é tão grande que já contaminou até a Liga dos Campeões, cada vez mais popular e com mais jogos transmitidos em TV aberta. O alvo? Claro, o Real Madrid bicampeão e em mais uma final. Um choro que parece inesgotável. Este que escreve prefere ficar com as declarações dos alemães Hummels e Muller após a eliminação do Bayern de Munique: culparam os próprios erros, a incompetência por não transformar 33 finalizações em mais de três gols no confronto. Sem “bengala”. Não por acaso são campeões do mundo.

Voltemos ao Corinthians. Duas derrotas seguidas, para Atlético Mineiro e Independiente. Perdendo os 100% e a liderança no Brasileiro e se complicando no Grupo 7 da LIbertadores, embora siga no topo da classificação e ainda com boas chances de garantir vaga nas oitavas de final.

Momento natural de oscilação na temporada. Todos passam por isto. E o elenco curto, desequilibrado e já desgastado por disputar o estadual até o fim sofre mais. Responsabilidade da gestão, que conta com estádio próprio, receita alta de TV e, mesmo assim, não consegue se equilibrar nas finanças e investir proporcionalmente.

Venceu em 2017 porque contou com o verdadeiro “camisa dez” do Corinthians nas conquistas recentes: o tempo. Para descanso e treinamentos. Do corpo e da mente. Fundamental para a equipe que prioriza o trabalho coletivo, a intensidade e a concentração.

Não houve como Fabio Carille corrigir com um mísero treinamento os muitos erros do revés no Estádio Independência no fim de semana. A preparação para o duelo com o “Rei de Copas” e atual campeão da Sul-Americana em Itaquera teve que ser na base da conversa e dos vídeos. Porque se a ideia é que o treino tenha a intensidade e a dinâmica do jogo, ainda que mais curto, o risco de lesão é praticamente o mesmo de uma partida oficial.

Ano passado não teve essa “roda viva”. Eliminado na Copa do Brasil pelo Internacional antes das oitavas de final e priorizando o Brasileiro durante a disputa da Copa Sul-Americana, o Corinthians teve semanas e semanas cheias de preparação, enquanto os rivais se degladiavam em outras frentes. Abriu vantagem no início e depois administrou até o fim.

O mesmo que ocorreu em 2011, no começo desta trajetória vencedora na década. Eliminado pelo Tolima antes mesmo da fase de grupos do torneio continental e sem a possibilidade de disputar a Copa do Brasil, concentrou esforços no Brasileiro e se impôs contra um Vasco campeão da Copa do Brasil e que se dividiu até o fim entre a principal competição nacional e a Copa Sul-Americana.

No ano seguinte, prioridade absoluta para a Libertadores e, depois da conquista, o Brasileiro foi uma longa preparação de Tite e seus comandados para o Mundial de Clubes. O último brasileiro a superar o vencedor da Liga dos Campeões.

O foco fez a diferença também em 2015. Eliminado nas oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil, Tite teve tempo para ajustar seu 4-1-4-1 acrescentando conceitos ofensivos que estudou em seu 2014 “sabático” e fez o time voar na reta final jogando bem e bonito. Mais uma taça para a coleção.

Não é impossível terminar 2018 com mais uma conquista além do bi paulista. A mentalidade vencedora desenvolvida nos últimos anos não pode ser desprezada e se for possível priorizar algo com chances reais de conquista as chances aumentam consideravelmente. A parada para a Copa do Mundo deve ajudar na recuperação do gás para o segundo semestre.

Mas sem tempo entre aviões, hoteis e estádios, a missão fica bem mais difícil. Para qualquer um. Não é por acaso que o único time campeão brasileiro e da Libertadores na mesma temporada tenha sido o Santos de Pelé em 1962/1963. Mas fazendo apenas cinco jogos na Taça Brasil em 1962 e quatro no ano seguinte. E vencer a Copa do Brasil e o Brasileiro é um feito apenas do Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo e Alex em 2003. Campeão da Libertadores e da Copa do Brasil? Não existe. Culpa também de um calendário inchado e que é conivente com a estrutura federativa que sustenta CBF e federações.

Se fracassar, o Corinthians ao menos trará um alento para sua torcida e quem gosta mais de futebol do que de reclamar de arbitragem: sem taças não tem “mimimi”. Ou até terá, porque virou mania nacional. Afinal, dói menos diminuir quem dá a volta olímpica no final.

 


Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Gol de Roger Guedes “salva” a rodada das teorias da conspiração
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André Rocha

Arbitragem é ruim no mundo todo. No Brasil um pouco pior pelo ambiente hostil criado pelos próprios jogadores pelas simulações e reclamações exageradas aumentando a tensão e, consequentemente, a margem de erro.

Por isso o árbitro e sua equipe vão errar a favor e contra todos os times, mas, assim como em todos os centros futebolísticos, a chance de na dúvida marcar a favor do clube mais poderoso é sempre maior. É humano. Sem convicção naquela fração de segundo, o instinto de preservação fala mais alto. “Se eu prejudicar o mais forte posso tomar uma ‘geladeira’ mais longa”.

Raciocínio correto? Não. Mas quem se importa de fato? Mais fácil deixar como está e desviar o foco da derrota para a arbitragem ou ser beneficiado e dizer que “o choro é livre”.

O protesto seria imenso caso o Corinthians saísse do Estádio Independência com um ou mais pontos depois do gol validado e em seguida anulado de Roger Guedes pelo árbitro Dewson Fernando Freitas da Silva, por toque na mão de Ricardo Oliveira ainda no primeiro tempo.

Discutível, como todo toque de mão ou braço na área depois das novas orientações da Comissão de Arbitragem. Antes a interpretação correta seria de que não houve intenção do atacante, agora aparecem as teses de “ampliar a área do corpo”, “tirar vantagem do toque”, etc. Sempre foi interpretativo, mas agora as variáveis são muitas e fica tudo a critério da cabeça do apitador.

Se o Corinthians saísse sem derrota, todas as teorias de conspiração sobre o “apito amigo” do campeão brasileiro viriam à tona.  De novo a desconfiança de interferência externa, ainda que Dewson garanta que consultou seu auxiliar. Algo que poderia ser minimizado com a utilização do árbitro de vídeo cujos custos a CBF tentou empurrar para os clubes. Nesse ambiente de pressão máxima, a arbitragem pode acabar apelando para errar menos. Ilegal, mas neste mundo cão pior é errar e ser afastado.

Mas veio outro gol de Roger Guedes na segunda etapa, desta vez validado. E o “melhor”: lance duvidoso de falta do atacante sobre Mantuan, que substituiu o lesionado Fagner. Discutível. Este que escreve viu disputa normal por espaço. Mas “salvou” a rodada. Vitória do time que se impôs em campo durante boa parte dos 90 minutos em Belo Horizonte.

É óbvio que haverá polêmica, até porque ela é estimulada em todas as mídias e ecoa nas redes sociais. Corintianos reclamarão da falta de Guedes; atleticanos e rivais, mesmo com a derrota do então líder do Brasileirão, vão somar este gol anulado aos lances em que os árbitros voltaram atrás e beneficiaram o atual campeão.

Houve também equívocos e lances duvidosos em outras partidas da terceira rodada. Mas aquela obsessão por “campeonato manchado”, com todos falando sobre arbitragem e quase nada sobre os jogos felizmente não vai ocorrer. Ao menos desta vez. Melhor assim.


Centroavante para quê, Corinthians?
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André Rocha

A importância de Jô como artilheiro, pivô e atacante que abre espaços no Corinthians campeão paulista e brasileiro em 2017 é inegável e até dispensa estatísticas para comprová-la.

Mas em 2018 a mudança de Fabio Carille descartando as opções de centroavante – Kazim e Júnior Dutra – e incluindo um volante para dar liberdade a Jadson e Rodriguinho como “falsos noves” deu liga sem mudar a identidade da equipe.

Estão lá as duas linhas de quatro compactas, a concentração, a última linha defensiva bem posicionada, as rápidas transições ofensiva e defensiva. Sem a referência, não há mais um homem fixo na área adversária, mas vários chegando.

Nos 4 a 0 sobre o Paraná em Vila Capanema, primeiro chegou Rodriguinho, o goleador da nova fase. Sidcley dois minutos depois. Na segunda etapa, Clayson que entrou na vaga de Jadson aproveitou jogada pela direita e depois serviu o volante Gabriel.

É claro que a ausência de Maycon, que vai para o Shakhtar Donetsk na parada para a Copa do Mundo, não terá a reposição com mesma qualidade com Renê Júnior. Mas dentro de um time organizado e com modelo de jogo assimilado a adaptação de uma nova peça é mais rápida e menos traumática.

Mais um passeio no modo Corinthians. Posse de bola quase empatada, sete finalizações contra nove do Paraná. Quatro no alvo. Nas redes. A equipe de Rogerio Micale tentou jogar, mas é um trabalho no início de um time voltando à Série A. Contra uma rara equipe consciente jogando em alto nível no país fica bem mais complicado.

Roger chega do Internacional e Carille ganha mais uma opção ofensiva. Importante para uma temporada longa e dura, com várias frentes. Mas hoje a dinâmica ofensiva do campeão brasileiro e bi paulista pode prescindir das características de um atacante de referência. Centroavante para quê?

(Estatísticas: Footstats)


São Paulo e Internacional: gigantes ancorados no passado precisam despertar
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André Rocha

Em 2006, Internacional e São Paulo decidiram a Libertadores. Dois anos depois, o tricolor paulista era tricampeão brasileiro e o Colorado vencia uma Copa Sul-Americana com Tite no comando técnico.

Uma década se passou desde então e a eliminação da dupla na Copa do Brasil antes das oitavas de final, quando entram os times envolvidos com Libertadores, é emblemática. Ainda que os méritos de Atlético Paranaense e Vitória sejam enormes.

Simbolizam clubes que depois de um período muito vitorioso acreditaram na utopia de ostentarem uma fórmula vencedora no cíclico futebol brasileiro. Confundiram manutenção da linha de trabalho com “continuismo”. Hoje se veem dando voltas em torno do próprio rabo.

No Internacional, de 2002 a 2016 orbitaram no comando Fernando Carvalho, Giovanni Luigi e Vitório Piffero, culminando com a página mais triste da história do clube: o rebaixamento. Só assim para vingar uma candidatura de oposição. Mas nem tanto assim, já que Marcelo Medeiros, o atual presidente, trabalhou na direção das categorias de base na gestão de Fernando Carvalho.

É claro que a década não pode ser considerada perdida. Além do bem sucedido plano de sócio-torcedor e a modernização do Beira-Rio, o Inter conquistou outra Libertadores em 2010 e impôs um domínio estadual com oito conquistas, seis consecutivas. A importância dada ao Gauchão até se entende pela rivalidade com o Grêmio.

O período sem conquistas relevantes do tricolor, incluindo um rebaixamento em 2005, talvez tenha acomodado ainda mais o Colorado. Só com a virada na “Era Renato Gaúcho” desde a Copa do Brasil em 2016, coincidindo com o próprio rebaixamento,  para a constatação do mau momento vir forte. Mas mudar a direção do olhar não é fácil. Mais simples continuar tratando o passado como referência e ainda depender do talento de Andrés D’Alessandro aos 37 anos.

O mesmo vale para o São Paulo. De 2006 a 2014 com Juvenal Juvêncio. Depois Carlos Miguel Aidar até a renúncia e a chegada de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Sempre os mesmos cardeais no poder, blindados por um estatuto antiquado e protecionista.

Ultrapassado por Corinthians e Palmeiras com suas arenas e pelo Santos na Era Neymar. Sem o poder do Morumbi como único grande palco na cidade para jogos e espetáculos. Mas principalmente pela fé de que bastava seguir a mesma receita de bolo para tudo voltar aos “bons tempos”.

Nestes dez anos, apenas a Sul-Americana de 2012 como conquista com alguma relevância. Nenhum estadual. Ainda a seca histórica na Copa do Brasil, que em 2019 completa 30 anos. Pior é a sensação de que um gigante de seis títulos brasileiros, três Libertadores e três Mundiais está, na prática, se tornando um time médio.

As trocas seguidas de treinadores e jogadores demonstram uma incerteza quanto ao futuro. Paradoxalmente, o clube sempre parece mirar o passado atrás de um porto seguro. Contar com Raí, Ricardo Rocha e Lugano na diretoria é um exemplo claro. Só que eles não entram mais em campo. E as decisões nestes primeiros meses não parecem muito diferentes das práticas dos antecessores.

É preciso despertar. Também ter a humildade de aprender com os rivais. Se Corinthians e Grêmio hoje possuem uma identidade no futebol, São Paulo e Internacional continuam sem face. Ou com um rosto envelhecido desejando o vigor do passado. Sem ruptura ou reinvenção.

Só ficou a grandeza da história. Mas de gigantes ancorados, que ainda não se convenceram que o tempo não pára e é preciso seguir em frente, sem o olhar fixo no retrovisor.


Qualquer projeção para o Brasileirão é chute, puro e simples
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André Rocha

Todo ano era a mesma tortura. Fim dos estaduais e logo aparecia alguém pedindo projeções para o Brasileirão. Título, vagas na Libertadores, rebaixados. Em maio. Para um campeonato que acaba no fim de novembro. Com uma janela de transferências que parece nunca fechar. Agora Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil durando o ano todo.

E quem é pago para analisar tinha que recorrer ao tiro no escuro. Para ser cobrado depois porque para muita gente quem trabalha com futebol tem que ser adivinho e cravar o que vai acontecer, mesmo com tantas variáveis possíveis. Como se jornalistas de Economia ou Política tivessem que prever todas as oscilações de mercado ou diplomáticas e traçar um cenário preciso até o fim do ano para serem considerados minimamente competentes.

Na era dos memes e da zoeira que sempre carrega um pouco de covardia, mas dá para tirar de letra, o que é dito ou escrito tem que valer por seis meses. Se errar logo vêm os mantras “tá fácil ser jornalista”, “por isso não exigem diploma” e outras pérolas dos “jênios” da internet. Os profetas do acontecido que ficam calados no conforto do anonimato para garantirem que sabiam lá atrás e quem é pago para isso tinha que carregar a mesma certeza.

Mas como imaginar o que virá? Mesmo descontando toda a imprevisibilidade do esporte, no Brasil é ainda mais complicado. Imaginem os guias da competição já furados com as prováveis saídas de Everton do Flamengo para o São Paulo, de Maycon do Corinthians para o Shakhtar Donetsk e de Roger do Internacional para o Corinthians.

Sem contar que o time que joga o melhor futebol do país, o Grêmio, até por sua cultura copeira, deve novamente poupar jogadores na competição por pontos corridos e priorizar Libertadores e Copa do Brasil. E o Corinthians, atual campeão e favorito natural, desta vez não terá o respiro do ano passado e também dividirá esforços. Com elencos mexidos o tempo todo.

E os grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, regidos pelos humores e arroubos de dirigentes-torcedores, embalados por redes sociais? Com escolhas mais políticas que técnicas. Sem ideias ou norte, ao menos por enquanto. Só agora começam a entender a importância de ter uma identidade, como o Cruzeiro de Mano Menezes vai tentando implementar, mas também muito condicionado a resultados, até pelo alto investimento na formação do elenco.

São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Vitória e o Atlético Paranaense de Fernando Diniz formam um “blocão” de incógnitas que podem circular entre zona de Libertadores e Z-4. Como de costume, Ceará, Paraná e América-MG, os times que subiram além do “gigante redimido”, são cantados como bolas da vez para cair pela famosa dificuldade de se manter depois do acesso. Ainda que Enderson Moreira e Marcelo Chamusca tenham trabalhos consolidados em seus clubes e possam, sim, tornar suas equipes competitivas. Quem vai saber?

Para completar, um campeonato com seus desequilíbrios por forças das circunstâncias. Como um time encarar os reservas do Grêmio e outro sofrer diante da equipe principal de Renato Gaúcho focada naquela rodada específica. Ou o time beneficiado pela perda do mando de campo do adversário. Três pontos que podem fazer toda diferença. Na tabela ou no estado de ânimo de uma equipe.

Por isso o equilíbrio que gera a emoção que muitos confundem como qualidade ou virtude. Será que nossos times vão usar a concentração e a organização não só para defender e teremos times atacando melhor? Ou será novamente o campeonato do futebol reativo, de contragolpe? Nenhum time vive e viverá mais este dilema do que o Santos do DNA ofensivo, mas agora comandado pelo pragmático Jair Ventura.

Com pressão por resultados, viagens e mais viagens e pouco tempo em campo para treinar é difícil imaginar algo mais elaborado. Por mais que os treinadores da nova safra tentem. E ainda tem o vestiário, ambiente sempre espinhoso e que diz muito da verdade do campo. Por isto a lacuna ainda não preenchida pelos jovens comandantes buscando afirmação para substituírem de vez os da “Velha Guarda”.

A sorte está lançada. Vejamos quem será o mais competente, contando também com a proteção tão bem-vinda do acaso. Palpites? Ainda bem que desta vez ninguém pediu nada ao blogueiro. Projeção a esta altura é chute, puro e simples. Melhor analisar rodada a rodada. Até porque quem pensa jogo a jogo sempre está mais perto da taça nesta loucura que é o Brasileirão.

 


Palmeiras precisa de calma, que nunca foi sinônimo de apatia
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André Rocha

O título brasileiro de 2016 já foi a coroação de uma nova etapa na vida do Palmeiras, uma sequência da conquista da Copa do Brasil no ano anterior. Ainda que com treinadores diferentes, primeiro Marcelo Oliveira e depois Cuca.

Mas 2017 chegou e, com mais investimentos em busca do título da Libertadores, que seria a evolução de um trabalho, o patamar de cobrança deu um salto proporcional ao que se gastou. Mas não condizia com o amadurecimento de uma identidade.

Marcelo Oliveira, Cuca, Eduardo Baptista, volta de Cuca, Alberto Valentim e agora Roger Machado. Seis trocas de treinador em três anos. Características e momentos na carreira bem diferentes. Não há linha de trabalho aí. Um fio condutor. Mais contratações em profusão, com jogadores superestimados ou descartados com uma amostragem pequena de partidas. Porque não há consistência coletiva para potencializar a qualidade individual.

Pior ainda é essa panela de pressão com fogo alto, sempre próxima da explosão. Há quem defenda esse clima beligerante como “coisa de time grande”. Como se a calma para tomar decisões pudesse ser confundida com apatia, conformismo.

Longe disso. Nunca foi. Pressão normal, sim. Quando a exigência é infinitamente maior do que o que se pode entregar naquela etapa do processo é a senha para uma eterna busca, trocando tudo e chegando a lugar algum.

Quando Roger parecia começar a encontrar um norte que faria a equipe crescer e impor a superioridade do conjunto de suas individualidades, veio a avalanche de um clássico decisivo saturado de rivalidade e tensão. Logo o Corinthians, este sim, time com identidade e, mesmo perdendo peças e não fazendo a reposição do mesmo nível por problemas financeiros, segue sua filosofia.

O clube preferiu surtar. Desde o presidente. Por causa de um pênalti não marcado, de Ralf sobre Dudu. Sem ninguém se dar ao trabalho de se perguntar algo básico: com os jogadores com os nervos em frangalhos será que a penalidade seria convertida? A julgar pelo estado emocional de Dudu e Lucas Lima, lideranças técnicas que falharam na decisão por pênaltis, difícil prever.

Contra o Boca Juniors, a forte impressão de que o time foi tragado por essa onda de cobranças ou do desvio de foco do campo com o presidente Mauricio Galiotte culpando a Federação Paulista por mais um título perdido em sua gestão. Não é questão de avaliar se o protesto é justo ou não. Mas o que vai contribuir para a sequência da temporada?

Atuação coletiva fraca, com equívocos por nítida ansiedade que atrapalha a concentração dos atletas. E fica difícil acertar em tomadas de decisão e na parte técnica com um entorno tão complicado. Dudu e Lucas Lima de novo ficaram devendo. Keno acabou se destacando não só pelo gol, mas pela confiança em meio ao caos. Uma exceção.

Mas aí Antonio Carlos falhou novamente. O zagueiro que ganhou a vaga e parecia se firmar exatamente quando o coletivo começava a crescer errou no gol de Rodriguinho no Allianz Parque e vacilou de novo na jogada que terminou nas redes de Jailson com Tevez completando assistência de Pavón. Dois minutos depois do gol alviverde, já nos acréscimos.

Sintomático. Um gol no início do dérbi, outro no fim do jogo mais esperado da primeira fase do torneio continental. Será que com um ambiente menos complexo a chance do jogador entrar mais focado no jogo não aumentaria e, consequentemente, a margem de erro não reduziria?

Difícil avaliar quando a derrota para o Corinthians por 2 a 0 ainda na fase de grupos, sem grandes prejuízos, vira motivo para caça às bruxas. Joga-se a culpa nos jogadores, na falta de “raça”, na arbitragem, no azar… E ninguém tem a curiosidade de ver o que funciona no rival para dar certo tantas vezes. Não pode ser só o “apito amigo”…

É hora de virar a página do estadual, mesmo que obtenha vitória na Justiça pela anulação da final, e focar no que é importante para lá na frente atingir os objetivos: o trabalho. As escolhas, a sequência do desenvolvimento das ideias com convicção. Aprimorar os métodos, focar no jogo. A torcida pode ter pressa de vencer. Quem dirige sabe, ou deve saber, que um título pode pipocar aqui e ali. O futebol é tão incrível que premia até quem trabalha errado. Mas para os resultados aparecerem com mais frequência não basta gastar. Essa equação dinheiro + camisa = títulos não é tão simples assim.

É preciso pensar e executar. Com calma, mas também firmeza de propósitos. Tudo que tem faltado ao Palmeiras.