Blog do André Rocha

Arquivo : coritiba

É difícil vencer esse Corinthians. E também a barbárie
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André Rocha

São 34 partidas oficiais em 2017 e apenas duas derrotas. Só vinte gols sofridos. Porque é difícil vencer esse Corinthians.

Mesmo sem Jadson, poupado, e perdendo Marquinhos Gabriel ainda no primeiro tempo. Entrou Clayson, pela esquerda, e Romero inverteu de lado. Sem mexer na estrutura do 4-2-3-1 sem a bola que mantém Rodriguinho mais próximo de Jô e do 4-1-4-1 quando ataca em bloco e Maycon se adianta para ficar alinhado ao meia.

O camisa oito serviu Jô atrás da linha da bola no gol mal anulado na segunda etapa que podia ter dado a sétima vitória corintiana consecutiva em oito rodadas. Sobre um Coritiba que vinha se caracterizando pela proposta ofensiva. Mas Pachequinho mudou para enfrentar o líder.

Sem Kléber, suspenso, a opção por Alecsandro no centro do ataque. Mas mantendo Tiago Real e Tomas Bastos no banco, invertendo o lado de Rildo e posicionando Mateus Galdezani pelo lado esquerdo para fechar o setor de Fagner. Com auxílio de Henrique Almeida, que teve a melhor oportunidade da equipe no primeiro tempo.

Eis o problema para vencer esse Corinthians. Quando consegue superar os setores compactos, a última linha de defesa posicional com movimentação quase perfeita dentro do conceito de “bola coberta x descoberta” – ou seja, adianta se há alguém pressionando a bola e dificultando o passe do adversário ou recua quando este tem liberdade – lá está Cássio, novamente em forma, para garantir a meta invicta. Ainda que nos números a defesa menos vazada da Série A seja a do Coxa.

Empate que pode custar a liderança se o Grêmio vencer o Cruzeiro na segunda-feira, mas mantém a equipe com a capacidade de competir dentro ou fora de casa.

Difícil é conseguir conter a violência. Ou a barbárie que aconteceu no entorno do Couto Pereira. O valor da vida está tão relativizado que a divulgação de uma morte, que vai atingir em cheio uma mãe e uma família, não precisa de certeza absoluta para ser feita de forma oficial.

Dentro deste contexto, pedir trabalho inteligente e preventivo é utopia. Mais uma tragédia anunciada. Tão previsível quanto a dificuldade de vazar e vencer o Corinthians de Fabio Carille.

 


Atletiba cancelado pode ser, enfim, o início do fim da inversão de valores
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André Rocha

As federações só existem porque um belo dia os clubes de futebol decidiram que precisavam de uma entidade mediadora para ajudar a tomar decisões, organizar competições e solucionar conflitos. As emissoras de TV só se mobilizaram para transmitir jogos porque há o interesse dos torcedores que não podem ou optam por não ir ao estádio acompanhar seu time e geram audiência.

Com o tempo, e por culpa da desorganização dos clubes, estes agentes que só existem por causa dos times e de seus fãs inverteram a hierarquia e tomaram o poder para si. Como Brian Epstein e o Coronel Tom Parker, diante da ingenuidade dos jovens garotos de Liverpool e do menino Elvis Presley, se tornaram chefes de quem tinha talento, carisma e milhões de apaixonados. Os que faziam a roda girar na música do seu tempo.

Como estamos no país do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, a situação se agrava e os dirigentes têm certeza que podem tudo. Inclusive impedir a transmissão de uma partida envolvendo os maiores times de uma região, o grande clássico de um estadual, com a desculpa esfarrapada de falta de credenciamento de jornalistas.

Só que não. E Atlético-PR e Coritiba deixaram isso claro na Arena da Baixada. Se os clubes não quiserem não há jogo, nem televisionamento. Porque federações e emissoras não têm torcedores, não despertam paixões. Logo, não decidem. Ou não deveriam.

Essa inversão de valores só acontece porque até hoje os clubes se contentam com migalhas. Seja uma aliança para garantir um mando de campo aqui, uma decisão favorável ali, uma arbitragem mais conivente acolá. Seja o adiantamento de cotas de TV para tapar o buraco de orçamentos mal planejados e executados.

Que a revolta em Curitiba com o Atletiba cancelado seja, enfim, o início de uma revolução que não veio com a Copa União nos anos 1980, nem com a Primeira Liga agora. Ver dois rivais históricos unidos e alinhados na proposta de buscar o melhor para si e, consequentemente, para os demais renova as esperanças em dias melhores e mais democráticos.

Será desta vez?

 


Palmeiras é a melhor notícia do início insosso da Série A do Brasileiro
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André Rocha

O Santa Cruz de Milton Mendes foi eficiente no Arruda: 4 a 1 no Vitória com 46% de posse de bola. Sete finalizações, cinco no alvo. Quatro nas redes, dois de Grafite. O Fluminense teve 62% de posse no Independência. Impôs seu estilo sobre o América de Givanildo, com formação ofensiva e vertical no último terço. Mas, para variar, quem decidiu foi Fred.

Atlético Mineiro e São Paulo saíram com lucro enorme: reservas, foco na Libertadores…e vitórias! Melhor para o tricolor, que somou três pontos fora sobre um Botafogo já preocupante. Bom também para o Coritiba de Kleber Gladiador que aproveitou o Cruzeiro ainda sem Paulo Bento no comando no jogo do sábado às 21h que honrou sua tradição de ser muito chato.

Muricy já jogou a filosofia Barcelona para o alto oficialmente. Não por acaso, vitória pragmática e sem sal do Flamengo sobre o Sport. Menos ruim que os três empates sem gols e sem graça. A rigor, uma primeira rodada insossa na Série A, com saldo negativo em desempenho. A exceção foi o Palmeiras de Cuca. A melhor notícia, ainda no sábado.

Time das variações táticas, de Tche Tche alternando com Jean na lateral e no meio. De Roger Guedes e Gabriel Jesus nas pontas buscando as diagonais nos espaços deixados por Lucas Barrios. Do volume de jogo que já impressionou. 61% de posse, 22 desarmes certos. Três de Gabriel Jesus no campo de ataque. Tão importantes quanto os dois gols do jovem talento alviverde nos 4 a 0 no Allianz Parque.

Equipe de Cleiton Xavier, o meia organizador que recuava para auxiliar na saída de bola e aparecia na frente para servir seus companheiros. Com bola parada ou rolando. Duas assistências. A peça para dar liga numa equipe veloz, elétrica, com jogadas ensaiadas. Que não deu chances a um Atlético sem intensidade, velho problema das equipes de Paulo Autuori que parecia resolvido pelas atuações no paranaense e na Primeira Liga.

Em um campeonato imprevisível, parelho, com várias “etapas” influenciadas por negociações, seleções e oscilações, começar bem pode ser um sinal. Na rodada inicial, o otimismo pertence ao Palmeiras.

(Estatísticas: Footstats)


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