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Real Madrid é o novo gigante estudado e parado. Pochettino achou a fórmula
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André Rocha

O 5-3-1-1 do Tottenham que bloqueou as principais virtudes e explorou as deficiências de um Real Madrid no pior momento da temporada. Especialmente Dele Alli circulando às costas de Casemiro e se aproximando de Harry Kane (Tactical Pad).

Só os próximos jogos dirão se o Real Madrid teve sua confiança abalada pela derrota em Girona no Espanhol. Apenas o tempo é capaz de mostrar ou ao menos sugerir um ponto de virada quando uma grande equipe entra em seu ocaso, ou ao menos um período de oscilação.

Mas o fato é que o bicampeão europeu vive seu pior momento na temporada 2017/2018. Não só por ver o Barcelona disparar na liderança da liga nacional e a grande chance de terminar em segundo no Grupo H da Liga dos Campeões, mas principalmente pela queda de desempenho. Muito pela ausência de Carvajal que tirou força ofensiva pela direita.

Nada, porém, que tire o grande mérito do Tottenham na vitória por 3 a 1 sobre os merengues em Wembley. Porque o treinador argentino Mauricio Pochettino parece ter encontrado a fórmula para superar a equipe de Zidane. Acontece com todos os grandes times: são mapeados, dissecados e vencidos. É o ciclo do futebol. Inevitável com tantas informações disponíveis e profissionais competentes analisando e planejando.

Pochettino não abriu mão da marcação por zona. Nem impediu que o Real terminasse com 57% de posse, 84% de efetividade nos passes e dez finalizações na direção da meta de Hugo Lloris. Mas a distribuição de seus jogadores em campo e a boa execução do plano de jogo criaram muitos problemas para os espanhois.

A começar pela linha de cinco na defesa que virou “moda” na Inglaterra com o sucesso do Chelsea de Antonio Conte. Com os laterais Trippier e Davies bem abertos fechando as descidas dos laterais Achraf e Marcelo, as opções de Zidane no 4-3-1-2 habitual para esgarçar a retaguarda adversária. Também aproveitando o corredor às costas dos oponentes, especialmente Trippier contra Marcelo, como no lance do primeiro gol da partida – com o jogador da equipe inglesa impedido antes se servir Dele Alli.

Davinson Sánchez, Eric Dier, que recuou para a zaga com a saída de Alderweireld, lesionado, logo aos 23 minutos para a entrada de Sissoko, e Vertonghen no centro fechando as diagonais e infiltrações de Cristiano Ronaldo e Benzema, a dupla de ataque bem entrosada com o francês trabalhando para o atual melhor do mundo brilhar.

No meio, um losango não para espelhar o do Real, mas para frear a fluência no setor mais forte do Real Madrid. Harry Winks plantado à frente da defesa negando espaços para a flutuação de Isco. Sissoko marcava pela direita, na zona de Toni Kroos, e Eriksen bloqueava pela esquerda, por onde normalmente circula Luka Modric. Jogadores bem próximos para não deixar brechas.

O jovem e talentoso Dele Alli era a chave para transformar o trabalho sem a bola em transições ofensivas ultravelozes e letais. Porque o meia inglês dificultava a saída de bola rival e circulava às costas de Casemiro para se juntar a Harry Kane, o atacante único do 5-3-1-1 do time londrino. Procurando os lados para abrir espaços e infiltrar em diagonal. Levando vantagem seguida sobre Nacho e Sergio Ramos, a frágil e exposta dupla de zaga merengue.

Sete finalizações no alvo. Duas infiltrações de Alli, uma de Eriksen construíram os 3 a 0 que Cristiano Ronaldo diminuiu. Lloris fez boas defesas, até porque é difícil não ser ameaçado pelo (ainda) melhor time do mundo. Mas o Tottenham mostra para o mundo como bloquear as principais virtudes e explorar as dificuldades do gigante de Madrid.

Com a assinatura de Mauricio Pochettino. Para o Tottenham garantir a classificação e buscar pela principal competição de clubes do planeta o reconhecimento do bom trabalho a longo prazo realizado em Londres.

(Estatísticas: UEFA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Os clichês do papelão do Real Madrid na derrota histórica em Girona
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André Rocha

Algumas explicações no futebol viram clichês porque passam a ser utilizadas para justificar qualquer contexto. Mas se transformaram num senso comum exatamente pela frequência com que acontecem. Devemos sempre evitar o simplismo, mas às vezes é tão nítido que se torna inevitável.

O Real Madrid entrou de “salto alto” em Girona, na Catalunha. Ou seja, com a fé de que construiria a vitória naturalmente, quando bem entendesse diante de um debutante na primeira divisão e já lutando para não ser rebaixado. Com titulares em campo, a melhor formação – exceto Casilla no lugar de Navas e Achraf no lugar de Carvajal. Pensando, porém, na viagem a Londres para encarar o Tottenham pela Liga dos Campeões, a grande meta na temporada.

A ponto de arriscar uma saída de bola inédita, com Isco se juntando a Modric e Kroos no auxílio aos zagueiros Varane e Sergio Ramos e mandando os laterais Achraf e Marcelo e também Casemiro ao campo de ataque. Quem qualifica o passe desde a defesa recua, os jogadores com mais força e velocidade se projetam.

Mas bastava um passe errado para o time da casa encontrar uma retaguarda totalmente desorganizada. Carimbou a trave duas vezes nos primeiros 45 minutos. Na primeira, enquanto o time lamentava, o contragolpe merengue encontrou Cristiano Ronaldo para a jogada característica pela esquerda: corte para dentro e chute forte. No rebote, gol de Isco.

Parecia que mais um clichê entraria em campo: time pequeno joga como nunca e perde como sempre para o grande, que sai com os três pontos mesmo sem tanto esforço. Foi a impressão do primeiro tempo.

O intervalo, porém, fez mal ao bicampeão europeu. Talvez pela orientação de administrar o resultado mantendo a baixa intensidade, dosando energias. Também a retaguarda mais mexida no lado direito pela saída de Varane para a entrada de Nacho.

Principalmente porque o Girona acreditou. A mudança significativa foi a eficiência no acabamento das jogadas. Primeiro com Stuani, após bela jogada individual de Pons. Depois com Portu, aparentemente impedido na conclusão de letra do chute cruzado do goleador uruguaio. Aos oito e 13 minutos. Virada em cinco minutos.

A senha para Zidane, na primeira partida depois de ser premiado pela FIFA como melhor treinador da temporada 2016/2017, arriscar substituições inusitadas: Lucas Vázquez e Asensio nas vagas de Achraf e Marcelo. Como alas, recuando Casemiro como um terceiro defensor.

Então entrou em campo o último chavão: a retranca do Gironi, recuando ainda mais as linhas da variação do 3-4-3 para o 5-4-1 de Pablo Machín, claramente inspirado em Antonio Conte no Chelsea. Mas defendendo mal, pela tensão de confirmar um feito outrora improvável.

O resultado: pressão descoordenada do favorito, a fibra e a entrega absoluta da “zebra” para administrar o triunfo histórico no primeiro confronto com o maior campeão espanhol. Logo no ápice da tensão na Catalunha. Por isso a festa de título no apito final.

Um vexame do Real Madrid, que relaxou após a sequência de conquistas. Principalmente no Espanhol. Contra o Tottenham é bem provável que seja bem diferente, pela cultura do clube de valorizar mais o torneio continental. Natural, humano. Não é a primeira nem a última equipe que perde um pouco da “fome” e passa a acreditar que as vitórias virão no “piloto automático e sofrem com isso.

Por isso virou clichê.

 

 


O “macete” de Cristiano Ronaldo para igualar Messi na premiação da FIFA
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André Rocha

Foto: Carl Recine Livepic/Reuters

A premiação de hoje em Londres, mesmo com todas as mudanças promovidas pela FIFA, será apenas uma mera formalidade.

Cristiano Ronaldo vencerá pela quinta vez igualando Messi porque foi campeão e artilheiro da Liga dos Campeões. Ainda mais porque desta vez foi desequilibrante como em nenhuma das outras três edições que venceu. Nada menos que dez gols contra Bayern de Munique, Atlético de Madri e Juventus nos confrontos decisivos.

Mérito do português e também de Zinedine Zidane, que conseguiu convencer o astro a se poupar ao longo da temporada para chegar voando na reta final. Ainda que isso prejudicasse nos números e na briga pela artilharia. No caso da Champions nem foi o caso, porque o desempenho brilhante fez com que ultrapassasse Messi no topo dos goleadores – 12 gols, um a mais que o argentino.

Cristiano Ronaldo demorou a entender que não seria no número de gols marcados que ele poderia rivalizar com o gênio do Barcelona. Ainda que em 2012 os 90 de Messi de janeiro a dezembro, recorde absoluto num ano, tenham definido a premiação de melhor do mundo, mesmo com o português conquistando o Espanhol com o Real Madrid.

No fim das contas, o “macete” para faturar o prêmio máximo individual é ganhar o maior torneio de clubes do mundo. Cristiano Ronaldo foi consagrado em 2008, 2014, 2016 e será hoje porque venceu e foi protagonista. A conquista da Eurocopa no ano passado foi apenas um “plus”. O mesmo valeu para Messi em 2009, 2011 e 2015.

Cristiano foi eleito em 2013, ano de domínio do Bayern de Munique, por conta dos muitos gols e da atuação antológica pela seleção na repescagem das eliminatórias europeias contra a Suécia num ano de lesões de Messi, apesar da conquista do Espanhol.

Além de 2012, Messi ganhou em 2010 pela falta de um grande destaque individual da Espanha campeã do mundo e por ter vencido o Espanhol, enquanto Ronaldo saiu de mãos abanando em sua primeira temporada no Real Madrid, eliminado nas oitavas da Liga dos Campeões. Talvez Sneijder, campeão continental com a Internazionale e vice do mundo com a Holanda. Talvez tenha faltado a tal “grife” para competir com as grandes estrelas, assim como Iniesta em 2012 campeão da Euro com a Espanha e Ribéry ou Robben na tríplice coroa do Bayern.

Entre os dois ícones desta geração, o torneio continental é a “bola de segurança”. Nesta última temporada o Espanhol veio na carona para não deixar nenhuma dúvida. Cristiano Ronaldo entendeu e desde 2014 recuperou terreno. Vai para a terceira conquista enquanto Messi só venceu uma.

Cinco a cinco. Uma década de domínio da dupla, algo sem precedentes no futebol mundial. Ainda mais se considerarmos que em oito destes rivalizam no mesmo país, protagonizando, no mínimo, dois duelos por temporada.

Pena que tantos percam tempo com comparações e na tolice de odiar um para amar o outro e não desfrutem os jogadores espetaculares que vão deixar muitas saudades quando se retirarem dos campos. Cada um com seu estilo e temperamento. Algo que certamente ficará eternizado em livros e filmes.

Quem vencerá a próxima, no “tira-teima”? Os dois já sabem qual é o “atalho”, mesmo em ano de Copa do Mundo. Quem sabe numa épica e inédita decisão entre Barcelona e Real Madrid em Kiev para parar o planeta? Não custa sonhar.


Messi deve, sim, ser cobrado na Argentina pelo nível mais alto da história
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André Rocha

Foto: Alejandro Pagni (AFP/Getty Images)

Este que escreve ama e acompanha o futebol há mais de três décadas e não viu ao vivo ninguém melhor que Lionel Messi. Nenhum jogador combinou tão bem técnica, habilidade e objetividade por tanto tempo. Já completou uma década atuando em altíssimo nível e concorrendo ao prêmio de melhor do mundo – sua primeira indicação foi no ano em que Kaká venceu e o argentino terminou em segundo lugar.

Mesmo em uma temporada não tão inspirada, como a passada, é capaz de faturar a Chuteira de Ouro da UEFA pelos 37 gols no Campeonato Espanhol e só perder a artilharia da Liga dos Campeões para Cristiano Ronaldo na grande decisão, com o Barcelona eliminado nas quartas de final pela Juventus.

As conquistas e os recordes com o time catalão o colocam entre os maiores da história do esporte. Mas para as gerações que ainda colocam o desempenho na seleção como o grande parâmetro para avaliar o tamanho de um jogador, nas quais me incluo, é impossível negar que falta a Messi algo maior com a camisa albiceleste.

Os fãs mais apaixonados defendem o camisa dez alegando que ele não pode ser responsabilizado pelo caos na AFA, com constantes trocas de treinadores e sérios problemas de gestão, incluindo corrupção. Também que não tem culpa se seus companheiros não acompanham seu nível. Ainda assim, é o maior artilheiro da seleção bicampeã mundial, com 58 gols.

Não resta dúvida que depositar toda a culpa em um indivíduo pela falta de conquistas em um esporte coletivo sempre soará injusto. E Messi quase sempre entregou desempenho. Só que estamos tratando do mais alto nível. A excelência. O topo. E aí há uma dívida, sim.

Porque é inaceitável a Argentina passar pela Era Messi sem nenhuma conquista relevante. É absurdo estar há 24 anos sem títulos. Mais ainda se recordarmos que em todas as decisões o genial atacante teve chances cristalinas, que não costuma desperdiçar no seu clube, e falhou. Nas três últimas, definidas na prorrogação ou na disputa de pênaltis, podiam ter mudado a história.

Por mais que concordemos que “a bola não entra por acaso”, naqueles segundos não havia AFA, companheiros medíocres ou qualquer outro obstáculo. Era Messi, o goleiro do oponente e seu ofício de marcar gols. Não podia desperdiçar.

Assim como a Argentina não pode ficar fora de uma Copa do Mundo. Caso aconteça será inevitável lembrar das oportunidades que ele também perdeu. Ou por errar a finalização, ou por preferir passar para os conterrâneos menos confiáveis na missão de ir às redes.

Porque Messi foi criado e moldado no jogo posicional do Barcelona. No qual cada jogador sabe exatamente sua função no trabalho da equipe. Por mais que Pep Guardiola diga que o time que comandou e fez história trabalhava para que o mais talentoso brilhasse, Messi pensa coletivamente. Arranca para fazer o gol, mas se percebe que passar a bola aumentará as chances de êxito ele não hesitará em fazê-lo. Está no DNA. Porém já deu tempo de perceber que é obrigatório assumir mais a responsabilidade representando seu país.

É cruel acusá-lo de ser “menos argentino” por não ter história em um clube de lá e ter saído cedo para a Europa. Até porque ninguém acreditou e investiu naquele menino com problemas hormonais que impediam seu desenvolvimento ósseo. Por isso a gratidão e o propósito de encerrar a carreira no Barcelona.

Mas segue faltando o gol decisivo para quem já marcou tantos. 579 como profissional, para ser mais exato. Deve o toque preciso que define para que lado vai a taça. Por mais méritos que tenham o Brasil de 2007 e o Chile em 2015 nas Copas América que faturaram e, principalmente, a Alemanha no título mundial vencido no Brasil, o direito de errar na frente do goleiro adversário tem que ser menor para Messi.

Porque ele está no Olimpo, com Pelé, Maradona e outros poucos. Mas por enquanto ainda olhando para cima ao mirar aqueles que levaram taças para seus povos. Até Cristiano Ronaldo e a conquista da Eurocopa se colocam acima. Se não é melhor, o português está maior que seu grande rival. Ainda que admitamos que este mostrou menos desempenho no título que conquistou do que Messi nas competições que deixou escapar.

Por isso não pode falhar na terça contra o Equador em Quito, nem em uma eventual repescagem. Se não for à Rússia ficará para sempre um degrau abaixo. Por mais duro que seja reconhecer isto para quem venera o talento genial do argentino.


Se é momento para testes, por que não um Brasil à la Real Madrid?
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André Rocha

Foto: Ricardo Botelho (FolhaPress)

Para o jogo contra a Bolívia em La Paz na quinta-feira, Tite confirma a mudança forçada – Alex Sandro no lugar dos lesionados Marcelo e Filipe Luís na lateral esquerda – e uma por opção: Thiago Silva na vaga de Marquinhos, formando a zaga com Miranda.

A outra alteração em relação à última rodada das Eliminatórias é o retorno de Philippe Coutinho ao lado direito da linha de meias do 4-1-4-1 à frente de Casemiro. Com a saída de Willian, a mudança de perfil, como afirma o próprio treinador: “Tenho um mais vertical e agudo, que ataca os espaços (Willian), e outro mais construtor (Coutinho)”.

Coutinho constroi porque é meia. Dos bons. Mas costuma render melhor partindo da esquerda ou do centro. Na própria seleção, seus grandes momentos, incluindo o golaço sobre a Argentina, foi saindo do lado direito para circular às costas dos volantes adversários. Quando abre ainda fica desconfortável, não tem o timing para as combinações com Daniel Alves.

Tite deixa claro que sua convicção é na qualificação deste 4-1-4-1 até a Copa, com a variação do desenho tático para o 4-2-3-1 com Coutinho por dentro e Willian pela direita. Legítimo, até pelo pouco tempo de trabalho até aqui e menos ainda até o Mundial da Rússia.

Mas por que não um teste para ter um coelho na cartola, algo para surpreender os rivais que certamente depois de confirmarem suas vagas na Copa vão dissecar um dos candidatos ao título? E isto é possível sem mexer na formação titular.

O Real Madrid conquistou Espanhol e Liga dos Campeões na temporada europeia passada e cresceu na reta final quando Zinedine Zidane, sem o lesionado Gareth Bale, colocou Isco em seu lugar. Com isso mudou também o sistema: de um 4-3-3 rígido, com Casemiro na proteção e dois meio-campistas mais organizadores – Modric e Kroos – e o trio “BBC” na frente. para um 4-3-1-2 mais flexível, com ou sem a bola.

Porque Isco ganhou liberdade para circular e também permitiu que Cristiano Ronaldo não fosse nem centroavante, nem ponteiro, mas atacante numa dupla com Benzema. Trocando de lado, buscando as diagonais, tabelando. A  troca deu liberdade aos laterais Carvajal e Marcelo para apoiarem ao mesmo tempo, abrindo o sistema defensivo adversário.

Sem a bola, duas linhas de quatro. A do meio-campo bastante móvel,em função do posicionamento de Isco no retorno. Se ele volta pela direita, Casemiro e Modric fecham o meio e Kroos abre à esquerda; se retorna pela esquerda é Modric quem abre pela direita e Kroos se junta ao volante brasileiro no centro. Quando Isco recompõe centralizado, Casemiro se adianta na compactação e Modric e Kroos fecham os flancos.

O 4-3-1-2 com Isco se aproximando da dupla Cristiano Ronaldo-Benzema e voltando na recomposição formando uma linha de quatro móvel com Casemiro, Modric e Kroos, de acordo com o posicionamento do camisa 22 na recomposição (Tactical Pad).

Tudo executado com naturalidade e inteligência, como atua o time merengue, especialmente nos jogos grandes, decisivos. É uma equipe que se adapta às necessidades da disputa e sabe jogar com posse, instalado no campo de ataque, ou em transições ofensivas rápidas, aproveitando os espaços às costas da defesa do oponente.

Na seleção, Coutinho pode ser Isco, jogando solto, sem a obrigação de ficar ou partir do setor direito. Com isso se aproximaria mais da dupla Gabriel Jesus-Neymar, todos com autonomia para circular e procurar espaços para surpreender as retaguardas com tabelas, triangulações, infiltrações em diagonal dos atacantes.

Tite não gosta de tirar Neymar do setor esquerdo. De fato, é onde a estrela brasileira mais rende. Mas a liberdade para o talento nunca é improdutiva e as trocas com Gabriel Jesus, as diagonais mais curtas, mesmo saindo da esquerda, podem tornar o camisa dez ainda mais letal. Mais próximo da meta adversária.

Sem a bola, a lógica seria a mesma do atual bicampeão europeu: Coutinho se juntaria a Casemiro, Paulinho e Renato Augusto e a distribuição dos quatro na linha à frente da defesa se daria de acordo com o camisa onze, No caso da seleção poderia haver outra referência: o posicionamento de Paulinho e Renato Augusto, que costumam trocar muito. De lado e de função. Paulinho recua para usar seu poder de marcação. Já com Renato mais atrás o objetivo é ganhar um organizador e qualificar a saída de bola.

O meio-campo em losango na seleção teria a mesma dinâmica do Real Madrid, com Philippe Coutinho como meia de ligação e referência para a composição da segunda linha de quatro no momento defensivo. Na frente, Gabriel Jesus e Neymar com liberdade e nas laterais Daniel Alves e Marcelo aproveitando os corredores abertos (Tactical Pad).

Tite tem Casemiro e Marcelo, quando este voltar, para obter ainda mais detalhes sobre a execução. Sem contar que a referência continua sendo o seu amigo Carlo Ancelotti, já que a base do modelo de jogo, ainda que tenha amadurecido e se aprimorado, vem do italiano, que tinha Zidane como auxiliar em sua passagem pelo clube, de 2013 a 2015. Ou seja, não seria algo a surgir “do nada”.

Até porque o sistema não seria algo inédito para o comandante canarinho. Com outra dinâmica, o 4-4-2 com o meio-campo em losango já foi utilizado. O mais marcante no Internacional campeão da Copa Sul-Americana em 2008 e vice da Copa do Brasil no ano seguinte. Com Sandro ou Edinho plantado à frente da defesa, Magrão e Guiñazu pelos lados e D’Alessandro como “enganche”, articulando para a dupla Taison-Nilmar. Tempos de menos compactação e mais encaixes e perseguições individuais, mas ainda um 4-3-1-2.

Uma possibilidade, nada complexa. Algo para sair um pouco do plano original e da sua variação mais conhecida. Sem mudar a escalação ou afetar o entrosamento. Porém mexendo nas peças para ter uma alternativa. Por que não um Brasil à la Real Madrid?


Real Madrid, a “Lei de Guardiola” e o risco de repetir fiasco com Mourinho
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André Rocha

Foto: Getty Images

Pep Guardiola teve sua primeira experiência em um time de primeira divisão com o Barcelona na temporada 2008/2009. De lá para cá disputou oito ligas nacionais: quatro na Espanha, três na Alemanha e uma na Inglaterra. Mais um ano sabático em 2012/13. Venceu seis. Ou três quartos.

Mesmo que seus detratores relativizem tudo que o treinador venceu pela qualidade dos jogadores – talentos que ele ajudou a desenvolver ou evoluir e o maior exemplo é Lionel Messi – é um retrospecto impressionante para um profissional que ainda não completou dez anos de rodagem.

Por isso merece respeito sua tese de que “o título (da liga) se ganha nas oito últimas rodadas e se perde nas oito primeiras”.  Ainda que em várias delas, especialmente com o Bayern de Munique, seu time tenha vencido praticamente de ponta a ponta.

O Real Madrid de Zinedine  Zidane iniciou a temporada de forma primorosa, vencendo Barcelona e Manchester United e conquistando as Supercopas da Espanha e da Europa com sobras e jogando um futebol que conciliou arte e competitividade. Teve a bola contra os ingleses e no superclássico em Madrid e matou o time catalão nos contragolpes no Camp Nou. Sinalizava uma manutenção do domínio do país e no continente.

No entanto, os resultados nas cinco primeiras rodadas do Espanhol são decepcionantes: duas vitórias, dois empates e uma derrota, para o Real Betis de Quique Setién no Santiago Bernabéu. Em termos de desempenho, ao menos no único revés com a equipe mais completa, não houve queda acentuada. Faltou eficiência nas finalizações – foram 27, 12 de Cristiano Ronaldo e pelo menos três chances que o português não costuma desperdiçar.

Certamente Zidane não contava com tantos pontos perdidos, mas talvez o início menos intenso para voar no final da temporada faça parte do planejamento, com em 2016/17. Ou na recuperação em sua temporada de estreia, quando ficou a um mísero ponto do campeão Barça. A diferença é que quando assumiu sucedendo Rafa Benítez estava apenas dois pontos atrás dos blaugranas e a quatro do então líder Atlético de Madrid.

Agora são sete pontos. Distância considerável, ainda que com um ponto a menos em relação à fatídica jornada de 2012/2013. O ano do fiasco por conta do desgaste de José Mourinho com o elenco merengue que fez a equipe derrapar e o Barcelona, comandado por Tito Vilanova depois da saída de Guardiola, aproveitou para disparar e não perder mais. Terminou com 100 pontos, 15 a mais que o Real.

Os mesmos 100% de aproveitamento em cinco partidas, com gols de Messi em profusão. A mesma fome culé depois de perder o título na temporada anterior. Agora talvez pese um certo relaxamento madridista após tantas conquistas. Ou o foco, até pela cultura do clube, no tricampeonato inédito da Liga dos Campeões.

Seja como for, o inicio é preocupante e precisa de recuperação já a partir do jogo contra o Alavés fora de casa neste sábado. Para não valer a “Lei de Guardiola” e o Barcelona nem precise das oito últimas rodadas para confirmar seu 25º título nacional e se aproximar mais do grande rival, que ostenta a marca de 33 troféus. A conferir.


O que o Real de CR7 tem a ensinar ao PSG no caso Neymar x Cavani
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André Rocha

No dia 29 de agosto de 2009, Cristiano Ronaldo estreava oficialmente pelo Real Madrid. Na vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña, o craque português, então com 24 anos e já uma Bola de Ouro no curriculo pelo Manchester United, marcou seu primeiro gol com a camisa merengue.

Em cobrança de pênalti. Com a camisa nove, herança de Di Stéfano, ídolo eterno dos madridistas. Sem a sete, que pertencia a Raúl González, outra bandeira do time da capital espanhola. A oito era de Kaká e a onze de Karin Benzema. Quarteto ofensivo contratado para marcar a nova era galáctica do clube no retorno de Florentino Pérez à presidência. O treinador era Manuel Pellegrini.

Comando que deixou bem claro, desde o princípio, que Cristiano Ronaldo, então a mais cara contratação da história do esporte (94 milhões de euros), seria a estrela maior. Cobrador de pênaltis e faltas. A equipe jogaria para voltar a vencer no continente e fazer do português o protagonista do futebol mundial, superando Messi.

No Paris Saint-Germain, a impressão é de que houve algum ruído na comunicação. Neymar chegou com o pagamento da multa rescisória de 222 milhões de euros ao Barcelona e toda pompa e circunstância. Mas mesmo com os olhos do mundo voltados para o brasileiro, que recebeu a camisa dez e a promessa de protagonismo pelo dono do clube, o sheik do Catar Al-Kelaifi, já ficou claro que Cavani, artilheiro e grande destaque na última temporada, não cederá o posto de cobrador oficial de pênaltis.

Nem abrirá mão de se colocar como a referência no centro do ataque para seguir como o goleador máximo da equipe de Unai Emery. Pelo visto, a fase de se conformar com o papel de coadjuvante foi embora com a saída de Ibrahimovic para o Manchester United.

Na vitória por 2 a 0 sobre o Lyon no Parc des Princes, o pedido de Neymar, a recusa de Cavani e o chute do camisa nove defendido pelo goleiro Anthony Lopes antes de bater no travessão. Em uma cobrança de falta, o uruguaio quis tomar à frente e Daniel Alves precisou tirar a bola e entregá-la ao camisa dez. No vestiário, segundo o jornal L’Équipe, houve o desentendimento entre os dois atacantes.

A impressão é de que houve falha na gestão do elenco ou alguém está sendo insubordinado. Porque normalmente os cobradores são definidos pelo treinador no vestiário exatamente para evitar conflitos. Difícil entender.

Ou é bem simples: a fogueira de vaidades pode estar consumindo o projeto de poder do Paris Saint-Germain na Europa já no início desta nova etapa. Faltou jogar limpo. Deixar claro a divisão de funções e atribuições com os novos contratados.

Em comum com o Real de 2009, o excesso de peças ofensivas que parecem não encaixar: Draxler, Mbappé e a dupla sul-americana.  Raúl foi o primeiro a sair, depois Kaká. Ficaram Benzema e Cristiano Ronaldo que mais tarde formariam o trio “BBC” com Gareth Bale. Aí sim deu liga, mesmo com os atritos comuns entre estrelas milionárias.

O treinador também dá a impressão de que não tem o perfil, nem estofo para administrar um vestiário tão estelar e complexo. Depois de Pellegrini, o Real foi atrás do explosivo e midiático José Mourinho. Com o português conseguiu superar a barreira das oitavas de final da Liga dos Campeões depois de seis eliminações consecutivas e interromper a sequência de títulos espanhois do Barcelona de Pep Guardiola em 2012.

Mas só foi encontrar o equilíbrio e “La Decima”Liga dos Campeões com Carlo Ancelotti quase cinco anos depois da chegada de Cristiano Ronaldo e um time mais equilibrado que agora chega ao apogeu comandado por Zinedine Zidane. Com o português genial a meses de conquistar sua quinta Bola de Ouro.

O PSG vai precisar de ainda mais paciência porque não tem a história e o peso da camisa do Real Madrid. E, pelo menos por enquanto, Neymar não tem o tamanho de CR7. Mesmo com o sucesso no Sevilla, Unai Emery não parece ter o peso no comando para a ambição do clube. Neste primeiro atrito mais sério entre as estrelas pouco se ouviu falar do espanhol.

É bem possível que o sonho da Champions não se realize nesta temporada. Cabe ao clube francês aprender a corrigir a rota, mas seguir avançando para vencer as principais competições e consagrar Neymar. Como o Real Madrid que não se arrepende do investimento que fez há oito anos e tem muito a ensinar ao “novo rico” na arte de administrar sua constelação.

 


Real Madrid lembra o Zidane jogador. Faz tudo parecer tão fácil
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André Rocha

Ao longo desta década é comum analisar qualquer equipe partindo da seguinte pergunta: é um time que propõe o jogo ou é reativo? Dicotomia criada e alimentada por Pep Guardiola e José Mourinho, os dois grandes ícones das transformações recentes no esporte.

O Real Madrid de Zidane, porém, entrega uma nova resposta: os dois. Depende das circunstâncias, do contexto. Pode alternar as duas ideias na mesma partida. Ataca e defende. Futebol “in natura”.

Tudo muito simples, natural, com leveza. Lembra o meia francês fazendo tudo parecer tão fácil. Como vencer o rival Barcelona no Bernabéu sem o suspenso Cristiano Ronaldo e colocando Casemiro, Isco e Bale no banco. Saindo do 4-3-1-2 para o 4-3-3/4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Asensio nas pontas, Kovacic novamente perseguindo Messi e Modric voltando à equipe com todo seu repertório, agora vestindo a camisa dez e alinhado a um Toni Kroos mais conectado. Muita mobilidade das peças.

Início avassalador afogando os cinco defensores adversários na saída de bola, dominando o meio-campo e a posse de bola, pela primeira vez no confronto direto desde 2008. Criando cinco boas chances e colocando duas nas redes: chutaço de Asensio (mais um!) e Benzema completando jogada de Marcelo. Um passeio, mesmo concedendo espaços ao Barça.

O time merengue impõe sua excelência, mas também deixa jogar em alguns momentos. Messi e Suárez acertaram as traves no segundo tempo em ritmo de treino. Muito mais a ver com a confiança sobrando em um lado e faltando demais no outro. O que só escancara o abismo entre os momentos dos gigantes da Espanha. Maior que os 5 a 1 no agregado que deram o título da Supercopa da Espanha.

O Real aposta na manutenção do elenco e do trabalho, investindo na base, no melhor aproveitamento das peças do elenco. Mesmo perdendo Danilo, Pepe, James Rodríguez e Morata. Sem pressa e escolhendo bem antes de buscar reposição. Dar minutos a Theo Hernández e Dani Ceballos. Seguir com a gestão do elenco de forma serena, com a confiança de jovens e veteranos.

Tudo tão descomplicado em contraste com os desencontros do lado blaugrana. O drama de um conflito entre seu estilo e a capacidade de competir. De La Masia vendida para o mundo como fábrica de talentos, mas indo ao mercado buscar qualidade duvidosa em comparação com a excelência dos melhores momentos.

O Real Madrid aprendeu a lição e lidera uma nova era no esporte. Time inteligente, que ataca e defende com talento, precisão técnica e mente tranquila para tomar as melhores decisões. Ganhar sete títulos em praticamente duas temporadas, considerando que a atual está só no início e o treinador assumiu no meio da 2015/2016.

Tudo tão fácil como um passe de Zidane.


Real Madrid é o melhor time do mundo. Vence Barcelona e “apito caseiro”
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André Rocha

Zidane não tinha Modric, suspenso. Mesmo assim, deixou Cristiano Ronaldo no banco seguindo à risca a programação pensando em toda a temporada. Era um superclássico pela Supercopa da Espanha no Camp Nou.

Mas a confiança do Real Madrid é tão alta, a sintonia entre atletas e o treinador tão fina que o desempenho não cai. Ainda que Zidane tenha optado por uma solução defensiva pouco convencional: Kovacic seguindo Messi por todo o campo. Ou melhor, na faixa cada vez mais limitada de atuação do argentino: em quase todos os lances, partindo da meia direita para o centro conduzindo a bola ou soltando de primeira. Por isso funcionou na maior parte do tempo, embora tenha extenuado o croata.

Se na terça-feira o time merengue jogou confortavelmente e se impôs com posse de bola e ocupando o campo de ataque, o rendimento atuando fechado e saindo em velocidade não caiu. Porque o Real Madrid é uma equipe completa, versátil, inteligente. O melhor time do mundo.

Rapidamente percebeu que o lado direito com Carvajal era para se defender contra Jordi Alba e Iniesta, nem tanto Deloufeu, o substituto de Neymar. Já o esquerdo foi aproveitado para atacar com Marcelo, Isco e Benzema, especialmente na segunda etapa, pelos espaços deixados por Vidal e a lenta cobertura de Piqué.

Personagem do jogo pelo gol contra completando cruzamento de Marcelo. Depois foi vencido por Cristiano Ronaldo e Asensio nos gols que fecharam os 3 a 1.

Sim, Cristiano Ronaldo entrou aos 13 do segundo tempo na vaga de Benzema e, mais que nunca, foi objetivo e letal. Foi às redes em gol anulado por impedimento duvidoso, já que Vidal parecia dar condições. Questão de centímetros. Depois em contragolpe de manual finalizado de forma primorosa, no ângulo de Ter Stegen.

No final, chutaço de Asensio, que entrou no lugar de Kovacic. Substituição corajosa de Zidane, que manteve a capacidade de fazer as transições ofensivas sem perder a compactação em duas linhas. O Real jogou fácil e podia ter goleado.

Mesmo sofrendo naturalmente diante de uma equipe entrosada, em seu estádio e ainda com ataque poderoso. Mas que, a rigor, mesmo com o incrível gol perdido por Sergio Busquets e outras oportunidades, só foi às redes num pênalti absurdamente mal marcado. Keylor Navas disputa com Suárez num contato natural e o uruguaio se atira ao perceber que não chegará na bola.

Messi cobrou e empatou. Houve uma pressão logo na sequência, mas o Real se organizou, voltou a ficar em vantagem e ampliou mesmo com um homem a menos. Outra decisão bizarra do árbitro Ricardo Bengoetxea ao mostrar o segundo cartão amarelo para Cristiano Ronaldo por uma simulação de pênalti – já havia recebido o primeiro ao tirar a camisa na comemoração. Não houve a falta, nem o atacante se atirou. Lance normal. Só não justifica o empurrão do atacante no apitador, por mais bizarra que tenha sido a atuação deste.

Ainda assim, os 3 a 1 confirmam o momento fantástico da equipe de Zidane e encaminham mais um título, que deve ser celebrado no Santiago Bernabéu. Independentemente da formação, do desenho tático e da proposta de jogo, ninguém está jogando mais que o Real Madrid no planeta.

Fica claro que o Barcelona de Ernesto Valverde vai precisar ir ao mercado e contar com mais desempenho de Messi para voltar a equilibrar as forças. Nem com a ajuda dos erros do “apito caseiro” conseguiu igualar a disputa.


A pobreza do “Mourinhobol” e a mentalidade vencedora do Real de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane deixou no banco Cristiano Ronaldo, voltando de férias depois da participação na Copa das Confederações. Colocou Bale em seu lugar e manteve a equipe campeã espanhola e da Liga dos Campeões para a disputa da Supercopa da Europa na Macedônia. Com Isco novamente fazendo a ligação do meio com o ataque.

Com Casemiro, Modric e Kroos ajudaram o Real Madrid a jogar fácil. Nada revolucionário nos conceitos. Zidane quer aproximação, troca de passes, movimentação e simplicidade. E explora a grande virtude da equipe merengue: a qualidade na execução das jogadas. Precisão. Mesmo com erros incomuns, mas compreensíveis para um início de temporada. Como Kroos errar feio numa saída de bola.

Contra o Manchester United de José Mourinho assumiu naturalmente o protagonismo, ocupou o campo de ataque e com os avanços de Carvajal, que busca mais o fundo em velocidade que Marcelo do lado oposto, fez Lingard recuar como lateral formando com Valencia, Lindelof, Smalling e Darmian uma linha de cinco na defesa.

Acabou superado pela infiltração de Casemiro, impedido por centímetros ao receber passe de Carvajal para abrir o placar. Ampliou na bela combinação de Bale e Isco, que tocou na saída do goleiro De Gea. Toques rápidos e objetivos.

O United permitia que o Real tivesse a bola, mas as transições em velocidade criaram problema para o sistema defensivo espaçado do time espanhol por conta da proposta ofensiva e do condicionamento físico ainda em evolução no fim da pré-temporada.

Rashford, que entrou na vaga de Lingard, e Lukaku, grande contratação da temporada, perderam chances cristalinas. O atacante belga ao menos aproveitou o rebote de Keylor Navas para diminuir e ao menos criar a expectativa de reação.

Mas um time com tamanho poder de investimento não pode recorrer a Fellaini e um jogo físico e limitado às bolas aéreas em um jogo grande. Um “Mourinhobol” que pode até funcionar, mas é um enorme desperdício.

O Real, mesmo cansado, teve chances de matar o jogo nos contragolpes com Lucas Vázquez, Cristiano Ronaldo e Asensio. Mas nem foi preciso, porque controlou a partida aproveitando a pobreza do repertório dos Red Devils.

Também usando algo subjetivo, mas que no caso da equipe de Zidane fica bem nítido, quase palpável: a mentalidade vencedora. A certeza de que é melhor e pode ganhar. Por isso soma mais um título, sua quarta Supercopa europeia. O primeiro ato de um time pronto para seguir fazendo história.