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Messi precisa acordar! O mundo e o futebol mudaram, também por causa dele
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André Rocha

Foto: Reuters

Messi foi o melhor do mundo há oito anos sendo campeão espanhol e da Copa do Rei, caindo nas semifinais da Liga dos Campeões e nas quartas de final para a Alemanha na Copa do Mundo da África do Sul. Foi o ano da festa do Barcelona, com Xavi e Iniesta, campeões com a Espanha, formando a trinca de finalistas.

Era o período de encantamento com o argentino genial que evoluiu absurdamente sob o comando de Pep Guardiola. Mesmo sem marcar um gol no Mundial de seleções sua imagem de jogador de uma era seguiu intacta. Cristiano Ronaldo sofreu com lesão grave, eliminação nas oitavas da Champions e desempenho apenas razoável, para seu nível, com Portugal na Copa. Era a primeira temporada no Real Madrid.

Pouco valeu o brilho de Sneijder, que ganhou tudo com a Internazionale e foi um dos artilheiros da Copa pela Holanda, só perdendo o título na prorrogação da final. Sendo decisivo contra o Brasil nas quartas de final. Uma das maiores injustiças da premiação.

Corte para 2018. Luka Modric ganha o prêmio da UEFA como melhor jogador da temporada europeia e está entre os três finalistas do Prêmio The Best da FIFA. Campeão da Champions e vice mundial, como Sneijder. Mohamed Salah, outro finalista dos dois prêmios, nem isso. Eliminado na fase de grupos com seu Egito, não chegou perto de ser campeão inglês com seu Liverpool e perdeu a final do principal torneio de clubes do mundo para o Real Madrid. Mesmo com o golpe sujo de Sergio Ramos que tirou o atacante da decisão ainda no primeiro tempo, não parece algo que chame tanto a atenção.

Mas é. Porque o mundo e o futebol mudaram. Muito. Também por causa do argentino. A Liga dos Campeões ganha um peso cada vez maior na temporada. Por conta da visibilidade e do nível cada vez mais alto do torneio europeu, os campeonatos nacionais perderam relevância. Até por conta dos supertimes que dominam seus países – leia-se Bayern de Munique, PSG e Juventus. Na Espanha, a tendência recente é o Real Madrid focar tudo na Champions e o Barcelona dividir esforços.

Eis o ponto que marca esse novo olhar. Messi foi novamente protagonista no domínio espanhol do Barça. Liga e Copa. Chuteira de Ouro com 34 gols na liga. 46 no total e mais 18 assistências. Mas e daí? O seu talento é que fez subir o sarrafo, o nível de cobrança. Não é mais o suficiente. Pior ainda com a eliminação para a Roma, time de poder de investimento muito inferior e em outra prateleira do cenário mundial. Derrota vexatória por 3 a 0. Mais uma vez ficando de fora até das semifinais.

Na Copa do Mundo, novamente um desempenho bem abaixo de sua excelência. Sua Argentina caiu nas oitavas de final. Para a campeão França justamente na melhor atuação da equipe de Pogba, Griezmann e Mbappé na Copa. Por 4 a 3, sem vexame. Porém não basta mais para Messi. Espera-se muito dele e se decepciona sua avaliação cai a ponto de ficar abaixo de jogadores sem números e conquistas semelhantes.

Imaginava-se que ficaria ao menos entre os três finalistas, como em todas as edições desde 2007. Nem isso. Um momento simbólico, que pede reflexão a Messi. Sua rivalidade com Cristiano Ronaldo fez história e jogou no teto o nível do futebol de clubes na elite europeia nestes dez anos. O mundo cobra Messi que seja campeão da Champions ou do mundo com a albiceleste. Ele precisa ver que mudou. Acordar para uma nova realidade, caso ainda queira ser competitivo no topo, individual e coletivo.

Sua personalidade aponta dois caminhos. Ou o “sangue nos olhos” de 2015, depois do grito de Cristiano Ronaldo (o lendário Síiiiii!) na celebração do prêmio de melhor de 2014 desafiando o rival, para liderar o trio MSN na conquista da tríplice coroa. Ou se conformar em seguir reinando no Barça, aumentando ainda mais os números como o grande jogador da história do clube que o acolheu, pagou seu tratamento para crescer e formou o homem e o atleta. Jogar por gratidão.

Se houver espaços para ele jogar como gosta vem o brilho. Se o adversário nega, Messi circula pelo campo sem produzir grande coisa e vê seu time derrotado. Foi assim nas últimas três temporadas. Começa assim a atual: adversários fáceis na liga, quatro gols e duas assistências. Sem Cristiano Ronaldo, a tendência é nadar de braçadas no Espanhol.

Pode bastar para ele, não para o planeta bola. Messi não vai a Zurique desta vez. Pode estar irado, aliviado ou mesmo indiferente. Quem é capaz de entender o argentino?


Por que a transição de CR7 do Real Madrid para a Juventus não é tão simples
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André Rocha

Foto: Twitter/JuventusFC

Cristiano Ronaldo saiu da zona de conforto ao trocar o Real Madrid pela Juventus. Ou para fugir do desconforto de lidar com Florentino Pérez, uma torcida saturada de títulos e, por isso, exigente demais até com o maior artilheiro da história do clube. Ou só para escapar dos altos impostos mesmo.

Mas não deixa de ser um movimento interessante aos 33 anos. Até porque a fome continua a mesma, assim como a indignação nas derrotas – inclusive as individuais, como a perda do prêmio de melhor da Europa para Luka Modric que fez com que ele sequer comparecesse à cerimônia.

Só que não é uma transição fácil. Porque Cristiano Ronaldo estava totalmente inserido em uma mecânica de jogo desenvolvida e aprimorada em cinco anos, com um breve hiato sob o comando de Rafa Benítez entre Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane.

O camisa sete se entendia no olhar com Benzema, Marcelo, Modric e Bale. Companheiros desde a primeira conquista da Liga dos Campeões em 2013/14. Praticamente a mesma formação no tricampeonato continental. Escalação igual nas duas últimas finais, algo inédito na história da competição.

Zidane acertou demais ao apostar na repetição, nos movimentos coordenados, no jogar “de memória”. Tudo moldado desde o início para Cristiano Ronaldo ser a estrela. Se ele prefere jogar em dupla na frente com liberdade de movimentação, ora infiltrando em diagonal, ora se posicionando como referência, era assim que o ataque funcionava.

Ele pode não ser o mais talentoso ou genial, mas certamente é o atacante mais inteligente do futebol atual. Posicionamento, desmarque, movimentação. Tudo para estar no lugar certo no momento exato e dar o toque decisivo. Funciona ainda melhor quando os companheiros conhecem os gestos nos detalhes.

É o que falta à equipe de Massimiliano Allegri. Adicione a ansiedade do craque para marcar e dos companheiros para serví-lo depois de três partidas, mesmo com 100% de aproveitamento nos resultados, e o time perde o mais importante para fazer tudo fluir: a naturalidade.

Por enquanto, Cristiano Ronaldo é um corpo estranho. Allegri tenta ajudar colocando Mandzukic, atacante de ofício com perfil parecido com o de Benzema: presente na área adversária, mas habituado ao papel de coadjuvante. Assim não deixa o CR7 isolado como referência na frente auxiliado por Dybala e Douglas Costa, como era o plano original.

Como sempre, ninguém pode acusá-lo de omissão. Corre, luta, contribui coletivamente e já demonstra sinais de liderança junto aos companheiros. Interesse em evoluir rápido também não é problema, já que deixou até a seleção portuguesa em segundo plano e ficou fora dos primeiros amistosos para se dedicar integralmente ao novo clube. Falta o que deve vir com o tempo: sintonia fina, adaptação ao futebol jogado na Itália e o primeiro gol. Cristiano já passou por “secas” no Real, mesmo com tudo a favor. Mas quando a bola começa a entrar…

Bom lembrar que a primeira temporada na Espanha (2009/10) não foi das mais bem sucedidas. Lesão, expulsão, apenas 35 jogos com 33 gols, sem títulos e eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões para o Lyon. Agora, nove anos mais velho e com expectativas ainda mais altas, fica ainda mais complexo.

São poucas partidas oficiais e a Champions, especialidade do português, nem começou. A pressão é normal com os olhos do planeta voltados para o vencedor dos últimos dois prêmios de melhor do mundo e detentor de cinco no total, que pode virar seis em breve se a FIFA seguir a tendência dos últimos anos e não os critérios da UEFA.

Não é simples. Mas parece questão de tempo para o maior jogador europeu de todos os tempos começar a fazer história nos campos da Itália.

 


Onde há fome de Champions, lá está Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Foto: Divulgação/ Juventus

O fim da relação entre Cristiano Ronaldo e Real Madrid é a prova de que até os casamentos mais bem sucedidos passam por desgastes. Os mortais, os comuns normalmente aceitam uma vida sem o desafio da conquista diária. Colocam outras vantagens, inclusive a estabilidade e a ciência das virtudes e defeitos da parceria.

Não para Florentino Pérez, certamente incomodado pela falta de negociações nas últimas janelas de transferências por conta da sede de entrosamento e sintonia de Zinedine Zidane. Bi da Liga dos Campeões repetindo a escalação em duas finais, algo inédito. Mais ainda para um clube comprador e um presidente viciado em times galácticos.

Muito menos para o CR7. Competitivo em tudo. Quer sempre o topo. Dos prêmios individuais, da artilharia, entre os mais bem pagos. Também quer ser amado. E os aplausos da torcida na Arena Juventus depois de seu gol antológico de bicicleta certamente pesaram na hora de escolher a Juventus. Ainda que seja um negócio de 105 milhões de euros por um jogador de 33 anos.

Ou melhor, um atleta. De força inesgotável, foco inigualável. Treinamento, alimentação, repouso, força mental. Tudo cuidado com profissionalismo, sem concessões. Gestão de carreira impecável. Para seguir no mais alto nível até quando for possível – e como é difícil imaginar até quando isto vai durar com tamanha disciplina e uma estupenda mentalidade vencedora.

Acima de tudo, para continuar vencendo o principal torneio de clubes do planeta. O grande trunfo na disputa pelo prêmio de melhor do mundo. Está claro que Cristiano Ronaldo quer desenhar uma história única na Champions. Ser o maior vencedor e por clubes diferentes para que ninguém duvide que a força está com ele, não com o time. Ainda que o atacante cada vez mais dependa dos companheiros para decidir com sua ímpar capacidade de concluir as jogadas.

Mesmo para o gigante Real Madrid de 13 títulos será difícil manter o espírito competitivo depois de um tricampeonato. O tetra pode até vir, mas em um elenco renovado, com protagonistas querendo acrescentar a conquista no currículo. Com Ronaldo ficaria a impressão de uma fé no “piloto automático” que não existe no mais alto nível.

Foi assim na saída do Manchester United sem forças para rivalizar com o Barcelona de Guardiola e Messi e já caminhando para o fim da Era Alex Ferguson. Na época, o Real estava há sete temporadas sem vencer a Champions e encarava uma sequência de eliminações nas oitavas de final. Ele chegou e reescreveu a história.

Agora a escolha do português não podia ser melhor. A Juventus rica e estruturada, mas já saturada de conquistas nacionais com um hepta da Série A italiana vai focar tudo na Liga dos Campeões que não conquista desde 1996. A presença de Ronaldo e toda a visibilidade embutida aumentam o poder de atrair outros talentos, incluindo colegas de Real. Difícil até vislumbrar uma formação titular de Massimilano Allegri com a nova estrela.

É óbvio que é impossível prever se haverá química entre craque, clube e companheiros. Os títulos podem demorar um pouco, como aconteceu em Madri. A saída de Buffon é baixa importante, na história e no vestiário. Mas em tese a presença de alguém tão vencedor vai estimular o crescimento de todos, especialmente Dybala. Falta ao argentino de 24 anos a chama que sobra no maior artilheiro da história da seleção portuguesa e do Real Madrid.

Para quem ama o esporte, fica o “luto” pelo fim da maior rivalidade local de todos os tempos entre gênios de uma mesma época. Messi e Cristiano Ronaldo disputando a mesma liga nacional com dois duelos garantidos por temporada em gigantes como Barcelona e Real Madrid. Um roteiro de filme. Acabou. Pelo menos não haverá remorso de quem curtiu cada embate sem a preocupação de ficar desqualificando um para exaltar o outro.

Buffon partiu lamentando que o CR7 tivesse encerrado por duas vezes o sonho continental da Velha Senhora. Agora o gênio da grande área do século 21, de impressionantes 451 gols em 438 jogos no time merengue vai se testar em Turim. Porque onde há fome de Champions, lá está Cristiano Ronaldo.

 


Gabriel Jesus é mais uma vítima do trauma de 1982: a crítica “preventiva”
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André Rocha

Carl Recine / Agência Reuters

Careca, Romário e Ronaldo. Grandes destaques individuais do Brasil nas Copas do Mundo de 1986 a 2002. Centroavantes, por coincidência. Canto do Cisne do Fenômeno e o início do ocaso de Adriano Imperador, em tese o sucessor, em 2006. Luís Fabiano em 2010 e Fred em 2014. Típicas referências na área. O jogador que fica no centro do ataque para finalizar.

Nos acostumamos com os fazedores de gols. Os mais talentosos não só por isto. Mas estão no imaginário popular. “O centroavante é o mais importante”, como diz a canção. Só que tudo muda. O futebol, o contexto, as necessidades.

Até Roberto Firmino calar boa parte da desconfiança habitual acerca de um jogador que faz sua carreira na Europa sem história em um grande clube brasileiro, Gabriel Jesus era quase unanimidade. Joia do Palmeiras contratada por Guardiola no Manchester City. Artilheiro da “Era Tite” ao lado de Neymar com dez gols, inclusive o da vitória sobre a Alemanha no amistoso em março tratado como decisão. Quando Diego Souza foi testado na função e Jô fazia seus gols pelo campeão brasileiro Corinthians, o questionado era Firmino.

Mas bastaram quatro jogos na Copa do Mundo sem gols e assistências, embora tenha tocado na bola antes de Philippe Coutinho colocar nas redes e aliviar a angústia contra a Costa Rica, para Jesus começar a ser criticado. Ou perseguido. Aos 21 anos, em sua primeira Copa do Mundo.

Até porque os alvos anteriores colocaram uma enorme pedra sobre as críticas. Thiago Silva, o “chorão”, com uma Copa perfeita até aqui, com exceção do erro de posicionamento no gol da Suíça na estreia. Inclusive e principalmente pela liderança com personalidade. E Neymar, o “mimado”,  optou por focar totalmente no futebol. Corte de cabelo discreto, sem reclamações e simulações. Muito pelo temor de levar o segundo cartão amarelo e ficar de fora de um jogo decisivo por suspensão. Dois gols e voltando a desequilibrar.

Então é Gabriel Jesus a bola da vez. Porque a seleção brasileira precisa ter um problema, uma deficiência para ser apontada. Uma espécie de defesa contra o “oba oba”. Ou o ufanismo associado a Galvão Bueno, a voz global que desde 1990 alimenta a empolgação em tempos de Copa do Mundo.

Mas o trauma vem de antes e é transferido de geração para geração. O registro histórico do Mundial na Espanha em 1982 é de uma torcida iludida, alimentada pela mídia na época. Inclusive radialistas cariocas estimulando o povo a organizar bolões em que as apostas focavam apenas no placar da vitória brasileira e quem faria os gols.

Como sempre, o mito é um pouco maior que os fatos. Havia críticas, sim. A Waldir Peres pela insegurança nas duas primeiras partidas, contra União Soviética e Escócia. A Serginho Chulapa, por marcar gol apenas contra a Nova Zelândia. Também a Telê Santana pela mudança de sistema, com Cerezo entrando na vaga de Paulo Isidoro  e abrindo um buraco pelo lado direito, sobrecarregando o lateral Leandro. Impossível esquecer de Zé da Galera, personagem de Jô Soares, bradando “Bota ponta, Telê!”

A euforia tomou conta mesmo depois dos 3 a 1 sobre a Argentina. Porque Waldir Peres fez grandes defesas, Serginho marcou o segundo gol de cabeça em uma jogada bem arquitetada pela direita, entre Zico e Falcão. Vitória sobre os então campeões do mundo com o reforço do jovem gênio Diego Maradona.

Veio a derrota para a Itália e duas figuras acabaram capitalizando com aquela decepção: João Saldanha e Zezé Moreira. O jornalista por apontar defeitos brasileiros em seus comentários no rádio e nas colunas em jornais e o treinador por elogiar a Itália como observador de Telê e ser até ironizado. Nada intencional, apenas opiniões embasadas em meio a um carnaval fora de época.

Junte a isso o “Maracanazo” em 1950 com a foto dos jogadores brasileiros na capa do jornal “O Mundo” na manhã da final contra o Uruguai já sagrando os campeões mundiais e pronto! Nascia ali um temor de elogiar a seleção e tratá-la como favorita. Favoritismo que não significa título conquistado.

O resultado é que há muita gente querendo ser João Saldanha ou radicalizar sendo uma espécie de “Profeta do Apocalipse”. Missão fácil e sedutora. Afinal, a chance de acerto é enorme – antes eram 31. Agora são sete contra uma (7 a 1!). Basta o Brasil perder para dizer “Eu avisei!”

Bem mais cômodo do que ter a opinião associada a Galvão Bueno, acusado de manipular o povo através do simplismo resultadista de elogiar sem limites na vitória e vilanizar e demonizar nos reveses. Ou, nas palavras do narrador, “vender emoções”.

Gabriel Jesus está no olho do furacão. Porque centroavante tem que fazer gol. Mesmo que desta vez a estrela do time seja o camisa dez e o nove também jogue em função dele. E do time. Como na movimentação abrindo espaços para o passe de Coutinho e a infiltração de Paulinho no primeiro gol sobre a Sérvia.

Contribuição para o time difícil de quantificar. Não é gol, nem assistência. Mas facilita a equipe. Como a volta pela esquerda fechando a inversão de bola para o lateral direito adversário. Ou a pressão no zagueiro que força o chutão e a bola retomada pela equipe de Tite. A solidez defensiva passa também por Gabriel Jesus. O futebol atual é assim, gostem ou não.

Não é “passar pano”. Nem garantir titularidade. Se Firmino entrar e melhorar o desempenho da equipe com e sem a bola, marcando gols ou não, ótimo para o Brasil. Talvez a mudança ensaiada contra o México, com Neymar solto e Jesus pela esquerda, como na reta final da Olimpíada, possa ser a melhor solução para incrementar o rendimento ofensivo.

E vale voltar novamente a 1982: Paolo Rossi era o centroavante contestado nos quatro primeiros jogos da Itália na Copa do Mundo. Nenhum gol. Até marcar três no Brasil, dois na Polônia e um na final contra a Alemanha para terminar como artilheiro e craque do Mundial.

O que se questiona, de fato, é a crítica “preventiva” e o foco apenas no aspecto negativo. O ponto branco no quadro escuro ou vice-versa. O tradicional “parece tudo bem, mas…” Seguindo a máxima de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Princípio que esquece que quem critica sempre tem a mesma credibilidade de quem elogia sempre. Porque no futebol e na vida não há lugar para maniqueísmo.

Ainda que o extremismo esteja cada vez mais presente. E o ódio. As pessoas se unem mais nas redes sociais pelo que detestam do que pelo que amam. Se prefere Messi é preciso odiar Cristiano Ronaldo. Ou Neymar. E por aí vai. No esporte, na política, em tudo.

Gabriel Jesus é o vilão do momento. Mais uma vítima, no fim das contas. Antes o prodígio de origem humilde, agora o “amarelão”. Porque com a nove não pode errar. Ou com qualquer número da camisa verde e amarela, entidade que parece centralizar todas as paranoias de um país.

 


Uruguai taticamente perfeito e fiel à sua história manda CR7 para casa
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André Rocha

Uruguai no 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas sem bola se fechando com duas linhas de quatro “mutantes” e por vezes no 4-1-4-1, com o recuo também de Cavani. Para segurar Portugal no 4-4-2 com muitas dificuldades na criação para Cristiano Ronaldo (Tactical Pad).

A celebração de Edinson Cavani no banco de reservas no apito final da sofrida vitória por 2 a 1 sobre Portugal em Sochi foi a grande imagem do duelo pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Personagem pelos dois gols, mas também pela entrega absoluta como atacante e também voltando pelo lado. Como costuma fazer por seu país, nem tantas vezes no PSG. Porque o Uruguai de Óscar Tabárez é fibra e suor, mas também inteligência tática.

Mesmo com meio-campistas mais técnicos, a base é o posicionamento defensivo com impressionante concentração no trabalho sem bola. Um 4-3-1-2 com Bentancur se aproximando de Suárez e Cavani, mas muitas vezes utilizando as ligações diretas da defesa para a dupla. Centro de Suárez da esquerda para o parceiro ir às redes.

Depois foi plantar duas linhas de quatro. “Mutantes”, com Betancur ora voltando fechando pelo flanco, ora por dentro. Parecido com o que Isco realiza no Real Madrid. Os outros três companheiros se rearrumam em função do “enganche” que retorna. Em vários momentos um 4-1-4-1 com Cavani também retornando, muitas vezes pela esquerda. Movimentos perfeitos, um relógio.

Questão de cultura futebolística. Os precursores do “saber sofrer” tão citado atualmente. Mas em alguns momentos joga contra. Porque o recuo para defender a própria meta foi um tanto excessivo quando Portugal parecia perdido e sem saída na execução do 4-4-2 com Gonçalo Guedes se juntando a Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva e João Mário pelos lados trabalhando com pés invertidos. Sem fluência, porém, E dando contragolpes seguidos, não aproveitados pelos sul-americanos.

A Celeste pagou na bola parada. Empate com Pepe completando cobrança de escanteio da esquerda. A solução diante do muro uruguaio, mesmo com a melhora depois da mudança do treinador Fernando Santos no posicionamento de Bernardo, mais centralizado, João Mário pela direita e Gonçalo Guedes à esquerda. Mas conseguiu de tanto insistir e rondar a área do oponente acuado.

Bastou o Uruguai entrar no campo rival com mais de dois jogadores para Cavani receber pela esquerda e bater com efeito, aproveitando o mal posicionamento do goleiro Rui Patrício. A vantagem de ter dois fantásticos finalizadores.

Depois o recuo foi compreensível.Lesionado, Cavani deu lugar a Stuani e o contragolpe perdeu força e perigo. Cristian “Cebolla” Rodríguez e Carlos Sánchez nas vagas de Bentancur e Nández fizeram o Uruguai perder qualidade na troca de passes. Sobraram a luta de Cavani e as arrancadas do “trator” Laxalt pela esquerda.

Restou a Portugal levantar bolas em profusão procurando André Silva, que entrou na vaga de Gonçalo Guedes, Cristiano Ronaldo e, no desespero final, de Pepe, Fonte e até Rui Patrício. Mesmo com 61% de posse e 20 finalizações, mas apenas cinco na direção de Muslera. O Uruguai concluiu apenas seis, mas metade no alvo. Dois gols.

Na eficiência, mas também sofrimento e garra, Uruguai segue na Copa. Com 100% de aproveitamento. E ajustado taticamente para dar trabalho à França, mesmo se Cavani não se recuperar a tempo.

O campeão europeu vai para casa. Por incrível que pareça, mesmo sendo dois anos mais velho que Messi, é mais difícil imaginar Cristiano Ronaldo desistindo de servir sua seleção. Porque é impossível medir o limite do abnegado português. Uma máquina que ainda voa fisicamente e é forte mentalmente para abandonar o barco.

Ele fez o que pôde, mas o universo de seleções é menos generoso com os dois gênios dos últimos dez anos. A Copa segue com menos talento, mas pelos grandes jogos de sábado ainda teremos muita qualidade e emoções.

(Estatísticas: FIFA)


Neymar é o Brasil das contradições e do pensamento binário
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André Rocha

Foto: Pascal Guyot/ AFP

Neymar é individualista. Mas também é um dos que mais servem passes para gols no futebol jogado na Europa. Neymar só quer saber de ser o melhor do mundo. No entanto, aceitou ser coadjuvante de Messi no Barcelona e, mesmo voando na reta final da Liga dos Campeões, viu o argentino conquistar sua quinta Bola de Ouro em 2015. E aplaudiu.

Neymar tem vida social agitada, vai e volta o namoro com a atriz global. Mas também faz declaração de amor em público. Neymar queima sua imagem com provocações desnecessárias em campo e negociações, digamos, “complexas” do seu pai envolvendo seu nome. Ainda assim, é um dos mais requisitados para a publicidade. Vende o que quiser.

Neymar é contradição pura. Pode chutar ou xingar um adversário por quase nada em um jogo e abraçá-lo depois de levar entrada duríssima, como fez com o sérvio Ljajic. Na partida em que marca gol chora no gramado. Quando perde várias chances deixa o campo sorrindo e mandando beijos. Com os mesmos 2 a 0 no placar.

A impossibilidade de definir Neymar e encaixá-lo num estereótipo é o que mais incomoda quem o critica. Ou elogia. Quem vê seu narcisismo midiático tende a aproximá-lo de Cristiano Ronaldo. Mas ele é amigo de Messi. Se é marrento e não solta a bola, como era querido por todos no Barcelona, time com filosofia mais coletiva do mundo no qual, se alguém tiver que brilhar será o gênio argentino?

O PSG fez Neymar dar alguns passos atrás e hoje lembrar mais o garoto do Santos que tinha que resolver tudo na individualidade que o craque maduro e solidário do Barcelona. Aquele que voou no início da Era Tite na seleção brasileira. Fazendo gols ou dando assistências. Nos últimos tempos passou a prender um pouco mais a bola. Contra a Sérvia, sem reclamações e provocações. Fominha só no final, buscando seu gol com o placar tranquilo.

Neymar são vários. Como cada um de nós, só que com milhões de olhos o stalkeando no Instagram e nos sites sobre celebridades. Sendo dissecado à distância. Para muitos um deus, para outros tantos tudo de pior. No país do “Fla-Flu” e do pensamento binário, onde você é zero ou é um, ter muitas facetas é um problema sério.

Às vezes Neymar parece não ligar e estar alheio a tudo que o cerca. Mas sabe do que falam e escrevem. Parece desdenhar, mas vez ou outra muda o comportamento de acordo com críticas e elogios. É confuso, controverso. Dizem que não tem carisma e é antipático, mas nunca deixa de ser notícia. Até pelo que não fez. Tudo parece tão fake que bem que pode ser verdade.

Neymar é “ame-o ou deixe-o”. É vencer querendo mais mandar um “chupa” para os haters do que celebrar o próprio feito. É no carinho e na porrada. “100% Jesus” ou “Vão ter que me engolir”. Neymar é o Brasil. Deixem o menino-homem brincar. Mas com moderação.


A “retranca handebol” do Irã que exigiu da Espanha a força de Diego Costa
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André Rocha

Pelo histórico recente de Espanha e Irã e o que aconteceu na primeira rodada era esperado o maior duelo ataque x defesa da Copa do Mundo até agora. E o jogo confirmou a previsão, especialmente pela postura do Irã.

Uma estratégia que não é novidade há tempos no futebol mundial. Vem de José Mourinho na classificação da Internazionale para a final da Liga dos Campeões de 2009/10 segurando com um homem a menos o Barcelona de Pep Guardiola ao alinhar em vários momentos sete jogadores na última linha de defesa impedindo as infiltrações.

O próprio Irã resistiu a Argentina de Messi o quanto pôde na Copa de 2014 no Brasil trabalhando da mesma forma. Aproxima bastante os quatro defensores da última linha fechando as infiltrações pelo centro e recuando os dois meias pelos flancos negando a chegada ao fundo dos laterais adversários. Ou seja, formando uma linha de seis homens e mais três à frente deixando apenas um atacante. Ou seja, a “retranca handebol”.

A Espanha respondeu como sabe: com posse de bola, invertendo o lado do campo, criando espaços com a movimentação e a inteligência de Iniesta, David Silva e Isco, abrindo o campo com Carvajal e Jordi Alba. O “corpo estranho” era Lucas Vázquez, que no Real Madrid atua como ponta, mas no jogo circulou tentando se associar com os meias. Para isto seria melhor manter Koke ou encaixar Thiago Alcântara.

Foram 69% de posse, 89% de efetividade nos passes. 17 finalizações, mas apenas três na direção da meta de Beiranvand. Um tanto pela imprecisão espanhola, mas muito pela competência da seleção de Carlos Queiroz, no comando desde 2011. Movimentos perfeitos no bloqueio de passes, cruzamentos e chutes. Um muro ou ônibus guardando a própria meta.

Quem resolveu? Diego Costa, à sua maneira. Enrosco, disputa física, dividida e bola na rede. A sofisticação espanhola ganhou um toque “ogro” no ataque para arrancar um gol à forceps. Talvez a Espanha campeã mundial em 2010 achasse o gol num passe genial de Xavi para David Villa ou na cabeçada de Puyol, mas alguns problemas poderiam ter sido resolvidos pelo típico centroavante que tem força física, posicionamento e qualidade suficiente para dialogar com os meias talentosos.

Mas não há nada resolvido no Grupo B. Porque a Espanha provavelmente terá mais espaços contra Marrocos, mas também sofrerá mais na defesa, ainda que o adversário da última rodada seja “arame liso”. Porque Hierro conta com Carvajal e Alba como laterais ofensivos, mas Piqué e Sergio Ramos não são tão rápidos na cobertura e Sergio Busquets é lento na proteção da retaguarda. Mesmo tão fechado, o Irã criou problemas e poderia ter empatado. Mas num universo de seis finalizações não acertou nenhuma no alvo. Ou apenas o gol bem anulado de Saeid Ezatolahi.

Se melhorar este desempenho ofensivo pode criar problemas para Portugal, que sofre bem mais na construção que a Espanha. Missão novamente para Cristiano Ronaldo. Este problema ao menos os espanhois tiraram do caminho.

(Estatísticas: FIFA)


Marrocos “arame liso”, Cristiano Ronaldo, gol de bola parada. Mais do mesmo
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André Rocha

Talvez a vantagem no placar logo aos quatro minutos tenha feito mal a Portugal e condicionado a atuação com baixa concentração. Aliás, tem sido uma tônica nesta Copa do Mundo uma queda de produção depois de marcar o gol, como se fosse uma espécie de garantia de vitória, ainda mais contra seleções que atuam mais fechadas.

Não é o caso do Marrocos do treinador Herve Renard. Equipe que pressiona a saída de bola, trabalha com bola no chão triangulando pelos flancos, com destaque para Amrabat pela direita, e constroi bom volume de jogo, terminando com 53% de posse de bola. Mas está fora da Copa do Mundo com duas derrotas.

Basicamente porque foi “arame liso”. Cercou, mas não furou. E como tentou! Foram 13 finalizações na estreia contra o Irã e mais 16 diante dos campeões europeus. 29 no total, mas apenas sete no alvo. 25% de efetividade. Nenhum gol.

E o pior: sem transformar domínio em oportunidades e gols, qualquer vacilo atrás é fatal. Gol contra a favor do Irã e Manuel da Costa aceitando com facilidade o desmarque de Cristiano Ronaldo na cobrança de escanteio da direita. O quarto do gênio da grande área no Mundial.

Luta solitária do goleador por conta do desempenho paupérrimo de Bernardo Silva, Gonçalo Guedes e João Mário, que ganhou a vaga de Bruno Fernandes, os companheiros no quarteto ofensivo do 4-4-2. Inviabilizando qualquer tentativa da seleção de Fernando Santos de aproveitar os espaços cedidos pelo adversário.

Mas foi o suficiente. Na bola parada. O 23º gol dos 43 até aqui. Incrível média de 53%. Resultado da dificuldade de se construir diante de bloqueios tão organizados e com tantos jogadores. Por ser um momento especial do jogo é mais fácil se concentrar na execução e complicar o trabalho dos defensores.

Vitória do favorito confirmando tendências. Ou mais do mesmo no Mundial na Rússia.

(Estatísticas: FIFA)


Já é hora de parar de passar pano em Lionel Messi
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André Rocha

Ele é o melhor jogador que este blogueiro viu em ação ao vivo desde que começou a ver futebol com um mínimo de discernimento, lá pelos anos 1980. Mas mesmo neste pedestal os gênios não podem ficar isentos de críticas.

Lionel Messi vem desperdiçando seu talento descomunal com um comportamento indecifrável no campo em momentos difíceis. Não exatamente jogos complicados em tese. Mas se sua equipe não torna as coisas acessíveis coletivamente, a capacidade do camisa dez fica limitada. Não é ele quem conduz seu time a reagir, mas o entorno precisa transformá-lo em protagonista.

Não significa que seja omisso. Sempre tenta. Ainda mais na quase sempre descoordenada e/ou limitada seleção argentina. Volta para articular, distribui e aparece na área para buscar a finalização. Mas repare que os movimentos são sempre os mesmos, os gestos técnicos iguais. Se os espaços entrelinhas não aparecem, se o adversário nega as opções de passe, se o dia não é dos melhores, como no empate em 1 a 1 com a Islândia na estreia da Copa do Mundo, Messi não inventa algo fora do seu vasto repertório. Normalmente se entrega.

Sim, ele finalizou 11 vezes na partida. Sim, a seleção de Jorge Sampaoli não tem ideias bem assimiladas, até pelo curto trabalho, e, por isto, não joga de memória. Mas, ora bolas, é o Messi. A exigência precisa ser a mais alta. Não basta tentar e se esforçar. Precisa decidir. E não pode desperdiçar a oportunidade de resolver a partida na cobrança de pênalti que consagrou o goleiro Halldorsson. Ainda mais quando a equipe depende tanto dele.

Já é hora de parar de passar pano em Lionel Messi. Uma certa conivência de quem se encanta com o que faz nos melhores momentos. Descendo quando convém o nível do sarrafo que tem que ficar no topo na cobrança por desempenho e resultados. A fama de bom moço, tímido e discreto, bem diferente do narcisismo midiático de Cristiano Ronaldo e Neymar, também cativa.

É óbvio que seu currículo recheado de conquistas não é de um perdedor. O questionamento é em relação ao comportamento em momentos específicos e muito importantes. Não é por acaso que nas ligas por pontos corridos ele supere Cristiano Ronaldo de longe. Messi é constante e regular. Nos últimos dez anos. O problema é quando a coisa sai do roteiro esperado.

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, como está no imaginário popular. Ele não é super herói, mas quando vemos a atitude e a força mental de Cristiano Ronaldo contra a Espanha e também na trajetória que culminou no tricampeonato da Liga dos Campeões conquistado pelo Real Madrid fica claro que tem faltado algo a Messi.

Independe do entorno, do cenário, dos problemas da AFA. Messi precisa se indignar mais com a derrota enquanto é possível revertê-la. Não adianta chorar mirando chilenos e alemães na celebração de seus títulos. Ou ficar atônito com a eliminação do Barcelona para a Roma na última edição da Champions. Vexatória, se considerarmos as prateleiras dos clubes no futebol europeu.

Ainda há dois jogos da fase de grupos e as disputas eliminatórias, caso a Argentina se classifique. Sim, porque a Croácia já assumiu a liderança do Grupo C ao vencer a Nigéria por 2 a 0. Se não encontrar soluções para seus muitos problemas, o risco de eliminação da bicampeã mundial na primeira fase, repetindo o fiasco de 2002, é real.

Messi pode reverter o quadro e ainda ser o craque do Mundial na Rússia. Impossível duvidar de sua capacidade de fazer magia com o pé esquerdo. Cabe ao gênio reescrever sua história recente repleta de fracassos no mais alto nível. Afastar o rótulo de “pecho frio” que ele mesmo vem colando na sua imagem. O primeiro passo é abandonar a postura blasé, como se nada estivesse acontecendo. Como seus fãs querem fazer parecer.

É a última chance em Copa do Mundo de entrar no Olimpo dos maiores. Cristiano Ronaldo demonstra que já entendeu. Lionel Messi precisa despertar.

 


Empate no jogaço entre a Espanha do estilo coletivo e CR7, o gênio goleador
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André Rocha

A Espanha demonstrou incrível capacidade de recuperação na estreia do Mundial na Rússia depois da crise pela demissão de Lopetegui. Sofreu dois golpes duríssimos em Sochi. O primeiro no pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo logo aos quatro minutos. Depois no frangaço do goleiro De Gea no segundo gol do gênio português.

Mesmo sem treinador e com Hierro escolhido como sucessor para gerir o vestiário e garantir o piloto automático na execução do modelo de jogo já assimilado pela seleção, a Roja se impôs em campo pela inigualável qualidade no meio-campo. Busquets, Koke, Iniesta, David Silva, Isco. Ainda entrou Thiago Alcântara para manter o jogo de posse.

Na frente, Diego Costa. Enfim encaixado no estilo da seleção. O homem que chama lançamentos e tem presença física na área adversária. Assim ganhou de Pepe no físico – sem falta para este que escreve – e depois, na qualidade, limpou a marcação e bateu forte no canto de Rui Patrício. No segundo tempo, completou jogada muito bem ensaiada e executada na cobrança de falta de Silva e a assistência de Busquets na segunda trave.

Portugal tentava compactar as linhas de quatro, agredir a marcação sobre o adversário com a bola e acelerar as transições ofensivas acionando Gonçalo Guedes e Cristiano Ronaldo, que sempre cresce quando não fica isolado na frente. Mas a equipe de Fernando Santos sofria com o volume de jogo e a pressão depois da perda da bola do rival.

Os espanhois tocavam e rodavam a bola, porém não tinham profundidade pelos flancos. Jordi Alba bem vigiado pelo lateral Cédric e Nacho, zagueiro improvisado, sem velocidade para surpreender nas infiltrações como Carvajal. Foi decisivo, porém, ao aparecer no momento certo e acertar belo chute que marcaria a virada para 3 a 2.

Consolidando o domínio que terminou com 62% de posse e 12 finalizações contra oito – cinco a três no alvo.

As três de Cristiano Ronaldo. Nas redes. Porque o camisa sete é daqueles que ficam indignados com derrota, ainda mais em jogo grande. Chamou a responsabilidade, sofreu e cobrou falta no ângulo. Desta vez De Gea sequer teve como reagir. O melhor finalizador desta era já é artilheiro do Mundial, dobrando seus números em Copas. Agora está a três dos nove de Eusébio em 1966. Mais um recorde à vista.

Tem tudo para alcançá-lo contra Marrocos e Irã e garantir Portugal nas oitavas. Disputando no saldo a primeira vaga com a Espanha. As favoritas do Grupo B confirmaram as expectativas e fizeram o melhor jogo da Copa do Mundo até aqui.

(Estatísticas: FIFA)