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O que o Real de CR7 tem a ensinar ao PSG no caso Neymar x Cavani
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André Rocha

No dia 29 de agosto de 2009, Cristiano Ronaldo estreava oficialmente pelo Real Madrid. Na vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo La Coruña, o craque português, então com 24 anos e já uma Bola de Ouro no curriculo pelo Manchester United, marcou seu primeiro gol com a camisa merengue.

Em cobrança de pênalti. Com a camisa nove, herança de Di Stéfano, ídolo eterno dos madridistas. Sem a sete, que pertencia a Raúl González, outra bandeira do time da capital espanhola. A oito era de Kaká e a onze de Karin Benzema. Quarteto ofensivo contratado para marcar a nova era galáctica do clube no retorno de Florentino Pérez à presidência. O treinador era Manuel Pellegrini.

Comando que deixou bem claro, desde o princípio, que Cristiano Ronaldo, então a mais cara contratação da história do esporte (94 milhões de euros), seria a estrela maior. Cobrador de pênaltis e faltas. A equipe jogaria para voltar a vencer no continente e fazer do português o protagonista do futebol mundial, superando Messi.

No Paris Saint-Germain, a impressão é de que houve algum ruído na comunicação. Neymar chegou com o pagamento da multa rescisória de 222 milhões de euros ao Barcelona e toda pompa e circunstância. Mas mesmo com os olhos do mundo voltados para o brasileiro, que recebeu a camisa dez e a promessa de protagonismo pelo dono do clube, o sheik do Catar Al-Kelaifi, já ficou claro que Cavani, artilheiro e grande destaque na última temporada, não cederá o posto de cobrador oficial de pênaltis.

Nem abrirá mão de se colocar como a referência no centro do ataque para seguir como o goleador máximo da equipe de Unai Emery. Pelo visto, a fase de se conformar com o papel de coadjuvante foi embora com a saída de Ibrahimovic para o Manchester United.

Na vitória por 2 a 0 sobre o Lyon no Parc des Princes, o pedido de Neymar, a recusa de Cavani e o chute do camisa nove defendido pelo goleiro Anthony Lopes antes de bater no travessão. Em uma cobrança de falta, o uruguaio quis tomar à frente e Daniel Alves precisou tirar a bola e entregá-la ao camisa dez. No vestiário, segundo o jornal L’Équipe, houve o desentendimento entre os dois atacantes.

A impressão é de que houve falha na gestão do elenco ou alguém está sendo insubordinado. Porque normalmente os cobradores são definidos pelo treinador no vestiário exatamente para evitar conflitos. Difícil entender.

Ou é bem simples: a fogueira de vaidades pode estar consumindo o projeto de poder do Paris Saint-Germain na Europa já no início desta nova etapa. Faltou jogar limpo. Deixar claro a divisão de funções e atribuições com os novos contratados.

Em comum com o Real de 2009, o excesso de peças ofensivas que parecem não encaixar: Draxler, Mbappé e a dupla sul-americana.  Raúl foi o primeiro a sair, depois Kaká. Ficaram Benzema e Cristiano Ronaldo que mais tarde formariam o trio “BBC” com Gareth Bale. Aí sim deu liga, mesmo com os atritos comuns entre estrelas milionárias.

O treinador também dá a impressão de que não tem o perfil, nem estofo para administrar um vestiário tão estelar e complexo. Depois de Pellegrini, o Real foi atrás do explosivo e midiático José Mourinho. Com o português conseguiu superar a barreira das oitavas de final da Liga dos Campeões depois de seis eliminações consecutivas e interromper a sequência de títulos espanhois do Barcelona de Pep Guardiola em 2012.

Mas só foi encontrar o equilíbrio e “La Decima”Liga dos Campeões com Carlo Ancelotti quase cinco anos depois da chegada de Cristiano Ronaldo e um time mais equilibrado que agora chega ao apogeu comandado por Zinedine Zidane. Com o português genial a meses de conquistar sua quinta Bola de Ouro.

O PSG vai precisar de ainda mais paciência porque não tem a história e o peso da camisa do Real Madrid. E, pelo menos por enquanto, Neymar não tem o tamanho de CR7. Mesmo com o sucesso no Sevilla, Unai Emery não parece ter o peso no comando para a ambição do clube. Neste primeiro atrito mais sério entre as estrelas pouco se ouviu falar do espanhol.

É bem possível que o sonho da Champions não se realize nesta temporada. Cabe ao clube francês aprender a corrigir a rota, mas seguir avançando para vencer as principais competições e consagrar Neymar. Como o Real Madrid que não se arrepende do investimento que fez há oito anos e tem muito a ensinar ao “novo rico” na arte de administrar sua constelação.

 


Real Madrid lembra o Zidane jogador. Faz tudo parecer tão fácil
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André Rocha

Ao longo desta década é comum analisar qualquer equipe partindo da seguinte pergunta: é um time que propõe o jogo ou é reativo? Dicotomia criada e alimentada por Pep Guardiola e José Mourinho, os dois grandes ícones das transformações recentes no esporte.

O Real Madrid de Zidane, porém, entrega uma nova resposta: os dois. Depende das circunstâncias, do contexto. Pode alternar as duas ideias na mesma partida. Ataca e defende. Futebol “in natura”.

Tudo muito simples, natural, com leveza. Lembra o meia francês fazendo tudo parecer tão fácil. Como vencer o rival Barcelona no Bernabéu sem o suspenso Cristiano Ronaldo e colocando Casemiro, Isco e Bale no banco. Saindo do 4-3-1-2 para o 4-3-3/4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Asensio nas pontas, Kovacic novamente perseguindo Messi e Modric voltando à equipe com todo seu repertório, agora vestindo a camisa dez e alinhado a um Toni Kroos mais conectado. Muita mobilidade das peças.

Início avassalador afogando os cinco defensores adversários na saída de bola, dominando o meio-campo e a posse de bola, pela primeira vez no confronto direto desde 2008. Criando cinco boas chances e colocando duas nas redes: chutaço de Asensio (mais um!) e Benzema completando jogada de Marcelo. Um passeio, mesmo concedendo espaços ao Barça.

O time merengue impõe sua excelência, mas também deixa jogar em alguns momentos. Messi e Suárez acertaram as traves no segundo tempo em ritmo de treino. Muito mais a ver com a confiança sobrando em um lado e faltando demais no outro. O que só escancara o abismo entre os momentos dos gigantes da Espanha. Maior que os 5 a 1 no agregado que deram o título da Supercopa da Espanha.

O Real aposta na manutenção do elenco e do trabalho, investindo na base, no melhor aproveitamento das peças do elenco. Mesmo perdendo Danilo, Pepe, James Rodríguez e Morata. Sem pressa e escolhendo bem antes de buscar reposição. Dar minutos a Theo Hernández e Dani Ceballos. Seguir com a gestão do elenco de forma serena, com a confiança de jovens e veteranos.

Tudo tão descomplicado em contraste com os desencontros do lado blaugrana. O drama de um conflito entre seu estilo e a capacidade de competir. De La Masia vendida para o mundo como fábrica de talentos, mas indo ao mercado buscar qualidade duvidosa em comparação com a excelência dos melhores momentos.

O Real Madrid aprendeu a lição e lidera uma nova era no esporte. Time inteligente, que ataca e defende com talento, precisão técnica e mente tranquila para tomar as melhores decisões. Ganhar sete títulos em praticamente duas temporadas, considerando que a atual está só no início e o treinador assumiu no meio da 2015/2016.

Tudo tão fácil como um passe de Zidane.


Real Madrid é o melhor time do mundo. Vence Barcelona e “apito caseiro”
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André Rocha

Zidane não tinha Modric, suspenso. Mesmo assim, deixou Cristiano Ronaldo no banco seguindo à risca a programação pensando em toda a temporada. Era um superclássico pela Supercopa da Espanha no Camp Nou.

Mas a confiança do Real Madrid é tão alta, a sintonia entre atletas e o treinador tão fina que o desempenho não cai. Ainda que Zidane tenha optado por uma solução defensiva pouco convencional: Kovacic seguindo Messi por todo o campo. Ou melhor, na faixa cada vez mais limitada de atuação do argentino: em quase todos os lances, partindo da meia direita para o centro conduzindo a bola ou soltando de primeira. Por isso funcionou na maior parte do tempo, embora tenha extenuado o croata.

Se na terça-feira o time merengue jogou confortavelmente e se impôs com posse de bola e ocupando o campo de ataque, o rendimento atuando fechado e saindo em velocidade não caiu. Porque o Real Madrid é uma equipe completa, versátil, inteligente. O melhor time do mundo.

Rapidamente percebeu que o lado direito com Carvajal era para se defender contra Jordi Alba e Iniesta, nem tanto Deloufeu, o substituto de Neymar. Já o esquerdo foi aproveitado para atacar com Marcelo, Isco e Benzema, especialmente na segunda etapa, pelos espaços deixados por Vidal e a lenta cobertura de Piqué.

Personagem do jogo pelo gol contra completando cruzamento de Marcelo. Depois foi vencido por Cristiano Ronaldo e Asensio nos gols que fecharam os 3 a 1.

Sim, Cristiano Ronaldo entrou aos 13 do segundo tempo na vaga de Benzema e, mais que nunca, foi objetivo e letal. Foi às redes em gol anulado por impedimento duvidoso, já que Vidal parecia dar condições. Questão de centímetros. Depois em contragolpe de manual finalizado de forma primorosa, no ângulo de Ter Stegen.

No final, chutaço de Asensio, que entrou no lugar de Kovacic. Substituição corajosa de Zidane, que manteve a capacidade de fazer as transições ofensivas sem perder a compactação em duas linhas. O Real jogou fácil e podia ter goleado.

Mesmo sofrendo naturalmente diante de uma equipe entrosada, em seu estádio e ainda com ataque poderoso. Mas que, a rigor, mesmo com o incrível gol perdido por Sergio Busquets e outras oportunidades, só foi às redes num pênalti absurdamente mal marcado. Keylor Navas disputa com Suárez num contato natural e o uruguaio se atira ao perceber que não chegará na bola.

Messi cobrou e empatou. Houve uma pressão logo na sequência, mas o Real se organizou, voltou a ficar em vantagem e ampliou mesmo com um homem a menos. Outra decisão bizarra do árbitro Ricardo Bengoetxea ao mostrar o segundo cartão amarelo para Cristiano Ronaldo por uma simulação de pênalti – já havia recebido o primeiro ao tirar a camisa na comemoração. Não houve a falta, nem o atacante se atirou. Lance normal. Só não justifica o empurrão do atacante no apitador, por mais bizarra que tenha sido a atuação deste.

Ainda assim, os 3 a 1 confirmam o momento fantástico da equipe de Zidane e encaminham mais um título, que deve ser celebrado no Santiago Bernabéu. Independentemente da formação, do desenho tático e da proposta de jogo, ninguém está jogando mais que o Real Madrid no planeta.

Fica claro que o Barcelona de Ernesto Valverde vai precisar ir ao mercado e contar com mais desempenho de Messi para voltar a equilibrar as forças. Nem com a ajuda dos erros do “apito caseiro” conseguiu igualar a disputa.


A pobreza do “Mourinhobol” e a mentalidade vencedora do Real de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane deixou no banco Cristiano Ronaldo, voltando de férias depois da participação na Copa das Confederações. Colocou Bale em seu lugar e manteve a equipe campeã espanhola e da Liga dos Campeões para a disputa da Supercopa da Europa na Macedônia. Com Isco novamente fazendo a ligação do meio com o ataque.

Com Casemiro, Modric e Kroos ajudaram o Real Madrid a jogar fácil. Nada revolucionário nos conceitos. Zidane quer aproximação, troca de passes, movimentação e simplicidade. E explora a grande virtude da equipe merengue: a qualidade na execução das jogadas. Precisão. Mesmo com erros incomuns, mas compreensíveis para um início de temporada. Como Kroos errar feio numa saída de bola.

Contra o Manchester United de José Mourinho assumiu naturalmente o protagonismo, ocupou o campo de ataque e com os avanços de Carvajal, que busca mais o fundo em velocidade que Marcelo do lado oposto, fez Lingard recuar como lateral formando com Valencia, Lindelof, Smalling e Darmian uma linha de cinco na defesa.

Acabou superado pela infiltração de Casemiro, impedido por centímetros ao receber passe de Carvajal para abrir o placar. Ampliou na bela combinação de Bale e Isco, que tocou na saída do goleiro De Gea. Toques rápidos e objetivos.

O United permitia que o Real tivesse a bola, mas as transições em velocidade criaram problema para o sistema defensivo espaçado do time espanhol por conta da proposta ofensiva e do condicionamento físico ainda em evolução no fim da pré-temporada.

Rashford, que entrou na vaga de Lingard, e Lukaku, grande contratação da temporada, perderam chances cristalinas. O atacante belga ao menos aproveitou o rebote de Keylor Navas para diminuir e ao menos criar a expectativa de reação.

Mas um time com tamanho poder de investimento não pode recorrer a Fellaini e um jogo físico e limitado às bolas aéreas em um jogo grande. Um “Mourinhobol” que pode até funcionar, mas é um enorme desperdício.

O Real, mesmo cansado, teve chances de matar o jogo nos contragolpes com Lucas Vázquez, Cristiano Ronaldo e Asensio. Mas nem foi preciso, porque controlou a partida aproveitando a pobreza do repertório dos Red Devils.

Também usando algo subjetivo, mas que no caso da equipe de Zidane fica bem nítido, quase palpável: a mentalidade vencedora. A certeza de que é melhor e pode ganhar. Por isso soma mais um título, sua quarta Supercopa europeia. O primeiro ato de um time pronto para seguir fazendo história.

 


Neymar no PSG: a tática e os desafios da maior contratação da história
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André Rocha

Neymar não vale 222 milhões de euros. Ninguém vale, como bem disse Zinedine Zidane, que já foi a maior contratação da história. Tempos de um mercado menos insano. Mas o Barcelona estipulou este valor astronômico de multa rescisória para se proteger e o Paris Saint-Germain pagou para ver.

E quer ver um craque para mudar de patamar, dentro e fora do campo. Fazendo gols e vendendo imagem. Camisas, produtos. Tudo. Comprando a briga de transformar o time francês definitivamente numa potência europeia.

Para isso o clube já sinaliza que o time montado pelo espanhol Unai Emery jogará em função de seu astro maior. O novo camisa dez partindo do lado esquerdo, fazendo dupla com o jovem lateral espanhol Yuri Berchiche, contratado à Real Sociedad. Com liberdade, porém, para circular por todo o ataque. Servindo os companheiros, mas também finalizando. Sem o sacrifício de defender e ser mais assistente de Messi e Suárez.

Com o desenho tático podendo variar entre o 4-3-3, o 4-2-3-1 e até o 4-4-2. Opções não faltam, como Matuidi, Draxler, Di María e Lucas Moura para se juntar ao brasileiro e Edison Cavani, o artilheiro da equipe na última temporada com 49 gols em 50 jogos. Mas, se preciso, até o uruguaio pode ajudar na recomposição e dar liberdade a Neymar, que funciona até como um atacante mais móvel, solto na frente.

Sair um pouco do lado esquerdo pode torná-lo ainda mais imprevisível, sem o vício de cortar da esquerda para dentro com o pé direito. Algo que pode, inclusive, ser útil para fazer Tite pensar em alternativas e tornar a seleção brasileira menos presa ao 4-1-4-1 que vem funcionando nas Eliminatórias. Assim como fez no Real Madrid com Cristiano Ronaldo, Di María pode ser o meia que compõe o setor esquerdo e permite que o ponteiro seja ainda mais atacante e decisivo.

Uma das muitas possibilidades de Unai Emery na montagem do PSG com Neymar: 4-3-3 que pode variar para o 4-4-2 com Neymar se juntando a Cavani na frente e Di María repetindo o que fez com Cristiano Ronaldo no Real Madrid: compondo o lado esquerdo para deixar o brasileiro com liberdade total (Tactical Pad).

A equipe francesa pode alternar também os ritmos, cadenciando com Verratti ou acelerando com Neymar. Com tantos jogadores versáteis e de movimentação, é possível criar ações de ataque que surpreendam na inversão de lado e encontrem Daniel Alves com liberdade pela direita para buscar a linha de fundo ou mesmo finalizar. É outro trunfo de Emery, além da experiência e do currículo vitorioso do lateral brasileiro.

O primeiro desafio é recuperar a hegemonia na França, ainda que o campeão Monaco, pelo menos até agora, não tenha perdido Fabinho e Mbappé na carona das saídas de Bernardo e Mendy para o Manchester City, Bakayoko para o Chelsea. o treinador português Leonardo Jardim ainda ganhou o meia belga Tielemans e o zagueiro holandês Kongolo. Com lucro superior a 100 milhões de euros nas transferências, talvez não precise perder mais ninguém nesta janela.

De qualquer forma, Jardim não contará com um de seus maiores aliados na última temporada: o fator surpresa. Já entra na Ligue 1 como o time a ser batido. Também ganha concorrentes além do surpreendente Nice de Mario Balotelli, terceiro colocado na última edição. O Lille de Marcelo Bielsa pode incomodar, mesmo com a “loucura” do argentino exaurindo as forças físicas e mentais do elenco no final da temporada e jogando fora qualquer chance de disputar efetivamente o título.

Claudio Ranieri, veterano italiano que comandou o Leicester City no seu conto de fada inglês, chega ao Nantes. O Olympique de Marseille renovou com Rudi Garcia, o Saint-Etienne foi atrás do espanhol Oscar García, ex-Red Bull Salzburg, para tentar recuperar o protagonismo perdido na história como o mais vencedor do país. O Lyon negociou o artilheiro Lacazette ao Arsenal e contratou Bertrand Traoré ao Chelsea. Deve pleitear no máximo uma vaga na Liga Europa.

Equipes para tentar equilibrar no aspecto tático uma disputa que tende a ser novamente desigual a favor do PSG no talento. Mesmo que a prioridade seja a Liga dos Campeões. Ou obsessão. Para desbancar o domínio do Real Madrid de Zidane e Cristiano Ronaldo. Além do atual bicampeão, a Europa apresenta ainda Bayern de Munique e Barcelona, mesmo com o baque da perda de uma peça do seu tridente sul-americano espetacular e sem muita margem para gastar o muito que recebeu, à frente no protagonismo.

Antes desta trinca de campeões das últimas quatro temporadas, ainda há fortes concorrentes, como Juventus e Atlético de Madri, os vice-campeões. Além de Chelsea e o Manchester United que retornam à Champions e o promissor Manchester City de Pep Guardiola. Disputa dura que a presença de Neymar torna mais acessível, porém não menos cruel. Ainda mais num torneio eliminatório guiado por sorteio. O cruzamento prematuro com um favorito, uma noite ruim e o sonho pode ruir.

Neymar chega a Paris para se unir a Daniel Alves e tornar o ambiente mais positivo e confiante. Mudar de tamanho para não se apequenar como na traumática eliminação para o Barcelona. Arbitragem à parte, foi a noite em que o PSG viu o craque brasileiro suplantar Messi, o gênio de uma era, e construir o que parecia impossível.

O protagonista e candidato a Bola de Ouro, a maior contratação da história do esporte que eles querem escrevendo capítulos inéditos, os mais vencedores de um clube com menos de meio século que ousa desafiar com seus milhões de euros os gigantes do futebol mundial.

 


Chelsea e Real Madrid: estratégias diferentes para inspirar times do Brasil
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André Rocha

Antes de qualquer ponderação é preciso explicar o óbvio, quase desenhar: a intenção do texto não é comparar a qualidade dos elencos dos milionários clubes da Inglaterra e da Espanha. Apenas as estratégias na gestão dos elencos. Mas também entendendo que é possível fazer uma proporcionalidade entre a capacidade dos clubes brasileiros citados e o nível do futebol jogado no país.

O Chelsea fez uma temporada 2015/16 para esquecer e não se classificou sequer para a Liga Europa. A prioridade absoluta era a Premier League, com as copas nacionais em paralelo da forma como os ingleses as vêm tratando nos últimos anos: escala reservas e só busca o título se não tiver algo mais importante em disputa. Ou seja, o que o tem restado ao Arsenal de Arsene Wenger.

A estratégia de Antonio Conte foi clara: depois de encontrar a formação com melhor relação desempenho/resultado, insistiu com ela e rodou bem pouco o elenco. Com a repetição de jogos e semanas livres para os treinos que funcionam mais como “polimento” após uma pré-temporada mais forte e longa que as do Brasil, a variação do 5-4-1 para o 3-4-3 ganhou ainda mais fluência. Os atletas passaram a executar as jogadas de memória, sem pensar muito e a equipe sobrou no Inglês.

Já vem sendo o trunfo do Corinthians na temporada. Equipe que ganhou corpo no Estadual, mas vacilou na Copa do Brasil com a eliminação para o Internacional. A arrancada espetacular no início do Brasileiro já sinaliza que a Sul-Americana, consequência da temporada irregular em 2016, ficará em segundo plano. A menos que abra uma vantagem na competição nacional tão confortável que permita inverter a lógica e poupar para um duelo decisivo no torneio continental.

O Real Madrid queria voltar a vencer o Espanhol depois de cinco anos e quebrar a hegemonia do rival Barcelona. Mas sem perder de vista a Liga dos Campeões, historicamente um alvo de conquista do maior campeão do torneio. A solução de Zinedine Zidane, depois de observar o desgaste de seus jogadores na temporada anterior, especialmente da estrela Cristiano Ronaldo foi simples, até um tanto antiquada: definir titulares e reservas. Treinar, condicionar e entrosar para que ambos estivessem prontos quando necessário.

Mas sem tapar os olhos para o desempenho e praticar a meritocracia. Tanto que Isco virou titular e Gareth Bale iniciou a decisão da Liga dos Campeões no seu País de Gales no banco. As partidas em que a equipe reserva seria utilizada foram definidas dentro de um planejamento, não necessariamente na partida do Espanhol que antecedia um duelo importante pela Champions.

O resultado: as duas taças em Madrid e todos voando no fim da temporada. Os titulares pelo descanso e os suplentes pela motivação e por conta do ritmo de competição. A dosagem certa para o futebol atual, que exige do atleta um enorme esforço mental – concentração absoluta para as tomadas de decisão corretas – e físico, com um aumento exponencial nas ações de alta intensidade – em especial os piques curtos para dar opção e receber a bola ou pressionar o adversário.

Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro, pelo alto investimento em seus elencos e, por conta disso, não podendo descartar nenhuma competição na temporada, podem pensar em algo parecido. Envolvidos em três campeonatos, se tentarem insistir com os titulares em todos haverá esgotamento e desvantagem contra adversários que não estão na mesma maratona de jogos a cada três dias.

Já com equipes mistas, poupando apenas aqueles que os exames apontam próximos de estourar os músculos, o entrosamento sempre fica comprometido. Os famosos rodízios não têm dado muito resultado prático por conta da falta de sintonia entre os setores muito alterados.

Parece mais racional definir antes e escolher as partidas mais acessíveis. Não como o Grêmio fez, poupando contra Sport e Palmeiras fora de casa porque tinha jogos considerados prioritários no meio da semana. Pontos jogados fora que hoje fazem falta na luta para se aproximar do líder Corinthians.

É lógico que sempre é mais inteligente deixar alguns titulares no banco para alguma eventualidade. Mas mesmo concentrando e fazendo parte da logística da partida, não deixa de ser um repouso para pernas e mentes. Em clubes tão pressionados por conquistas é um alívio. Cobrar presença em todos os jogos para justificar os altos salários parece pouco inteligente. Porque o atleta não está cansado a ponto de não poder exercer seu ofício. A ausência é apenas para que ele mantenha o alto rendimento. Não são máquinas.

Já passou da hora dos clubes brasileiros deixarem de se preocupar tanto com decisões políticas, pautadas por reações de torcida e imprensa. Não há como controlar os resultados, por isso planejar para minimizar os equívocos parece sempre a melhor escolha. Inclusive surpresas agradáveis podem acontecer. Como os titulares do Real Madrid derrotados pelo Barcelona no Santiago Bernabéu, mas não deixando o rival se aproximar da liderança exatamente pelos pontos conquistados pelos reservas, inclusive em jogos longe de Madri.

Ninguém por aqui conta com uma seleção mundial no elenco. Mas o Brasileiro também não tem o nível do Espanhol – as competições internacionais mostram que Barça e Real não sobram por falta de rivais à altura, mas por estarem numa prateleira acima no futebol mundial pela competência dentro de campo.

Com a disputa ainda no primeiro turno é possível corrigir a rota e definir o planejamento. O Corinthians parece cada vez mais consciente que o “modo Chelsea” é o norte a seguir, mantendo a base e investindo em recuperação e treinamentos pensando no Brasileiro.

Já os que gastaram para rechear seus elencos precisam definir um caminho para não correrem o risco de terminar 2017 sem taças importantes para ostentar. O Real de Zidane ganhou a Espanha e a Europa com inteligência. É possível fazer parecido, mesmo sem tanto talento disponível.

 

 


Cristiano Ronaldo segue voando. Portugal deve agradecer ao Real Madrid
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André Rocha

Foto: Ivan Sekretarev (AP Photo)

Na estreia da Copa das Confederações contra o México, Fernando Santos escalou a seleção portuguesa mais experiente, próxima à formação que venceu a Eurocopa.

Só que o futebol é dinâmico e hoje mandar a campo João Moutinho, Nani e Quaresma com Adrien, Bernardo e André Silva disponíveis é um crime lesa-pátria. Fernando efetuou a correção para a segunda partida, contra os anfitriões.

Rússia que respeitou o campeão continental e mandou para o banco as opções ofensivas Poloz e Erokhin, titulares na vitória sobre a Nova Zelândia na estreia por 2 a 0 para montar um 5-4-1/3-4-3 à la Chelsea de Conte para negar espaços com muita compactação defensiva e saída rápida pela direita com Samedov e Golovin.

Mas, do lado oposto, Kudryashov e Kombarov vacilaram na movimentação para fechar a diagonal de Cristiano Ronaldo, que fez o gol único da partida. Jogada iniciada com inversão de Bernardo Silva para o cruzamento de Raphael Guerreiro que encontrou a estrela máxima do torneio.

Infiltrando pela direita. Porque Cristiano convenceu Fernando Santos a repetir na seleção o que Zidane fez no Real Madrid: dar total liberdade ao seu melhor atacante. Antes, o camisa sete iniciava pela esquerda num 4-3-3 e se juntava ao centroavante em um movimento programado. Agora ele atua solto na frente, alternando com outro atacante. No time merengue, Benzema. Na seleção, o jovem e promissor André Silva.

Cristiano Ronaldo voou na reta final da temporada europeia e mantém o desempenho com a camisa de seu país. Antes, chegava esfalfado, destruído por jogar todas para duelar nas estatísticas e recordes com Messi. Agora está inteiro para buscar o que realmente importa: títulos. Não que ele precise da Copa das Confederações para confirmar a Bola de Ouro, que já é dele.

Na recomposição, duas linhas de quatro com André Gomes fazendo a compensação pela esquerda, Bernardo à direita como no Monaco – e como lembra Messi nos gestos técnicos! William e Adrien no centro, protegendo Cédric, Pepe, Bruno Alves e Guerreiro.

Portugal empilhou chances, teve 62% de posse e quatro finalizações a dois, três contra nenhuma no alvo, no primeiro tempo. Finalizou mais oito vezes na segunda etapa, Cristiano Ronaldo perdeu duas chances claras que podiam até ter encaminhado uma goleada.

Acabou sofrendo com uma Rússia sem ideias, mas presença ofensiva com Poloz e Erokhin, mais Bukharov. No abafa, bolas levantadas na área de Rui Patrício, finalizou seis vezes no segundo tempo, subiu a posse para 42% e fez o adversário correr o risco de novo empate no final, como os mexicanos conseguiram.

Ainda assim, a formação inicial é um bom norte para Fernando Santos, que deve agradecer ao Real Madrid. Não só pela “inspiração” no posicionamento de Cristiano Ronaldo, mas pelo planejamento de fazer o craque “fominha” descansar ao longo da temporada e chegar em junho ainda voando fisicamente. No auge, Cristiano pode comemorar mais uma conquista em 2017.

(Estatísticas: FIFA)


Real Madrid de Cristiano Ronaldo entra para o grupo dos grandes esquadrões
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André Rocha

É uma equipe que não encanta. Não revoluciona taticamente, embora sinalize o futuro como um time “camaleão” – vence dominando a posse de bola, no contragolpe ou na bola parada. Ainda que Zinedine Zidane tenha arrumado o time com uma atualização do 4-3-1-2 que se fecha em duas linhas de quatro com Isco alternando pelos flancos.

Mas não dá para negar: o Real Madrid de Cristiano Ronaldo entra no grupo dos grandes esquadrões. Aqueles históricos, lembrados daqui a vinte, trinta…cinquenta anos!  São três títulos da principal competição de clubes do planeta em quatro edições. Na que perdeu chegou nas semifinais. Se voltarmos um pouco mais, esteve entre os quatro melhores da Europa também em 2011, 2012 e 2013.

A referência, porém, é a partir de “La Décima” em 2014. Afinal, de lá para cá o time mudou muito pouco. Saíram Casillas, Xabi Alonso e Di María, Coentrão perdeu a vaga para Marcelo, Pepe se lesionou. Mas a base é a mesma. De Carlo Ancelotti para o seu ex-auxiliar Zidane. Com um esquecível e lamentável Rafa Benítez de “hiato”.

Mantendo a proposta de jogo e a gestão de vestiário. Com calma, dando leveza, sem tantas cobranças nos aspectos táticos e estratégicos. Ataca num 4-3-3 ou 4-3-1-2, defende em duas linhas de quatro. Futebol simples, com força mental e aproveitando a qualidade individual.

Com dois toques pessoais do “Zizou”: Casemiro na proteção e ainda aparecendo na frente para ir às redes, como no gol fundamental nos 4 a 1 sobre a Juventus em Cardiff. E a gestão do elenco, descansando titulares importantes para a equipe voar no final da temporada. A superioridade física no segundo tempo da final foi clara, depois do domínio da equipe italiana e o golaço de empate com Mandzukic na primeira etapa.

Acima de todos, o incrível Cristiano Ronaldo. Já uma lenda. Nas três conquistas foi o artilheiro absoluto da competição continental. Agora fechou a fase de grupos com apenas dois. No mata-mata, contra Bayern de Munique e Atlético de Madri, nada menos que oito. Na grande final, mais dois, superando os onze de Messi. 600 na carreira, 105 na Liga dos Campeões. Com o conquistado pelo Manchester United em 2008, são quatro conquistas. Primeiro a marcar gols em três decisões. Artilheiro absoluto, quinta Bola de Ouro garantida. Maior jogador da história do Real Madrid. Repito: melhor finalizador que este blogueiro viu ao vivo, superando Romário, Ronaldo, Van Basten. Todos.

Vamos aos feitos da equipe merengue: primeiro bicampeão da Era Champions League. A Juventus só tinha sofrido três gols em 12 jogos. O Real enfiou quatro na decisão, com Asensio fechando a goleada no final. Foi às redes nos últimos 65 jogos.

É histórico. Um time que marca época, ainda que não tenha um estilo particularíssimo como o Barcelona. Não encanta, mas vence com talento, pragmatismo e força mental. Eram nove ligas do clube, agora são doze. Graças a Zidane, Marcelo, Sergio Ramos, Casemiro, Modric, Isco…E a este impressionante Cristiano Ronaldo. Um gênio do nosso tempo.


Juventus x Real Madrid: os camaleões atrás da orelhuda
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André Rocha

Quando José Mourinho e Pep Guardiola polarizaram o futebol mundial no início da década, em especial nos duelos entre Real Madrid e Barcelona, criou-se também uma dicotomia: posse de bola x jogo reativo. Ainda que Lionel Messi tenha definido o superclássico espanhol pela semifinal da Liga dos Campeões 2010/2011 em um contragolpe e o time merengue comandado pelo português tenha batido o recorde de pontos no Espanhol na temporada seguinte atropelando os adversários.

O tempo mostrou que o radicalismo nos conceitos de jogo podem criar dilemas complicados. Como o Bayern de Munique de Guardiola tentando jogar no campo de ataque e deixando espaços para o trio MSN do Barça no auge em 2015. Ou o Chelsea de Mourinho, no mesmo ano, pagando pela cautela excessiva, em casa e com um homem a mais, contra o PSG pelas oitavas de final da Champions.

O primeiro campeão europeu a sinalizar que a flexibilidade na proposta de jogo seria a melhor solução foi o Bayern de Jupp Heynckes em 2012/13. A equipe que faturou a tríplice coroa podia atacar com fúria e volume, mas também com paciência. Na temporada, só o Barcelona de Tito Vilanova/Jordi Roura, sucessores de Guardiola, teve mais posse. No duelo entre os dois, o time bávaro pulverizou o catalão com 7 a 0 no agregado e média de 40% do tempo com a bola. Contragolpe na veia. Quando foi preciso.

O Real Madrid de Carlo Ancelotti de “La Décima” em 2014 e a Juventus finalista em 2015 também se mostraram equipes “híbridas”. Saindo de trás com a classe de Xabi Alonso e Pirlo, mas sabendo acelerar na frente com o trio “BBC” nos merengues e colocar intensidade com Vidal, Tevez e Morata.

Agora, espanhois e italianos se encontram na final do principal torneio de clubes do planeta atingindo a excelência na proposta de se adaptar conforme a necessidade. Ser um time “camaleão”. Ambos sabem trabalhar com posse para abrir defesas fechadas – embora não estejam entre as cinco melhores no controle da bola nesta edição do torneio continental. Mas se preciso abrem ferrolhos no jogo aéreo, com bola parada ou rolando. Também ficam confortáveis jogando em contra-ataques.

Para a decisão em Cardiff, a dúvida é quem tomará a iniciativa de início, propondo o jogo e adiantando a marcação. Talvez o Real Madrid, seguro e confiante por ser o atual campeão e ter a mesma base com duas conquistas nas últimas três temporadas. Também por ser o melhor ataque, com 32 gols, e a equipe que mais finaliza, a segunda que mais acerta passes (88% de efetividade).

Provavelmente com Isco sendo o “enganche” do 4-3-1-2 montado na ausência do lesionado Gareth Bale e que deu tão certo que deve manter o galês no banco, mesmo numa final disputada em seu país. A mudança trouxe mobilidade na frente e desafogo para o meio-campo. O meia circula às costas dos volantes adversários nas ações ofensivas e retorna por um dos lados na recomposição formando duas linhas de quatro. Se pela direita, Modric e Casemiro fecham o centro e Toni Kroos abre à esquerda. Se Isco inverte o lado, é Modric a abrir à direita e Casemiro e Kroos ficam no meio.

Deve ser esta a opção de Zinedine Zidane. Modric, mais rápido, fecha a subida de Alex Sandro enquanto Carvajal fecha a diagonal de Mandzukic em busca da zona de conclusão fazendo dupla com Higuaín. Isco volta, mas nem tanto, contra Barzagli e Marcelo se encontra no setor com Daniel Alves.

Porque a Juventus de Massimiliano Allegri, que sofreu apenas três gols em 12 partidas, deve repetir a ideia vencedora na semifinal da UCL em 2014/15: duas linhas de quatro bem compactas. Pelas características e dentro do contexto, podem ter cinco defensores. Com Barzagli por dentro e Daniel Alves como lateral. Para evitar a circulação de Isco, vigiar as descidas dos laterais Carvajal e Marcelo e não ser surpreendida pela mobilidade de Benzema e Cristiano Ronaldo na nova configuração do ataque, em dupla.

Na transição ofensiva, caberá a Pjanic o primeiro passe e a Dybala o último. O argentino tende a procurar mais o lado direito para trabalhar com a canhota e dar suporte a Daniel Alves. Mesmo na marcação por zona padrão da Europa, Casemiro terá a função de negar espaços ao meia que atua mais solto, próximo a Higuaín.

Atenção na bola parada. O Real tem Kroos em faltas laterais e escanteios buscando Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo nas cobranças diretas. A Vecchia Signora conta com Pjanic, Daniel Alves e Dybala. Na área adversária, Bonucci, Chiellini, Mandzukic e Higuaín. Junto com o Bayern de Munique, são os três times que mais completam cruzamentos no torneio. Assim a Champions pode ser definida.

A Juventus tem mais “fome”, mas a pressão de dar uma Liga dos Campeões ao mito Buffon e de não falhar na nona final, depois de apenas dois títulos em oito decisões, pode jogar contra. Mesmo com tanta experiência e o supercampeão Daniel Alves do lado italiano.

Já o Real Madrid entra mais relaxado. A obrigação era “La Decima”, depois de 12 anos sem sequer alcançar uma final. É o maior e atual campeão, já venceu a liga espanhola, que era a conquista que faltava depois de cinco anos. Pode encher de confiança, mas também arrancar o “sangue nos olhos” e a indignação com a derrota que constroem os campeões.

Não há favorito no duelo de camaleões atrás da orelhuda. Mas o blogueiro se permite um palpite, sem muita convicção: a Juventus leva desta vez. Talvez nos pênaltis.

Real Madrid no 4-3-1-2 com Isco tentando circular às costas dos volantes e retornando pela esquerda, com Modrc do outro lado fechando a segunda linha de quatro. Juventus novamente deve alternar o 4-4-2 e o 5-3-2 com Barzagli lateral ou zagueiro e Daniel Alves fazendo o corredor pela direita. Na esquerda, Mandzukic volta na recomposição e busca a diagonal para se juntar a Dybala e Higuaín (Tactical Pad).

(Estatísticas: UEFA)

 


Real Madrid campeão! A revolução de simplicidade e discrição de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane assumiu o Real Madrid no início de 2016, salvando a pele de Florentino Pérez, que emendou duas decisões para lá de controversas: demitir Carlo Ancelotti mais pela frustração de ver o Barcelona faturar a tríplice coroa do que propriamente por uma avaliação do trabalho do treinador italiano que comandou o time que conquistou a sonhada “La Decima”.

Pior ainda foi trazer Rafa Benítez, em baixa na carreira, para liderar seu elenco estelar. Não podia dar certo, até por não se identificar com o clube e ter a petulância de tentar ensinar jogadores como Cristiano Ronaldo e Toni Kroos a bater na bola, se intrometendo até nos gestos técnicos dos atletas.

Algo que Zidane, um dos maiores e mais técnicos jogadores da história, poderia se aventurar a impor. Pelo contrário. Transmitiu confiança, usou o respeito que desperta sem fazer força para deixar o ambiente mais leve, trouxe as lideranças para perto. Na gestão do grupo, também manteve todos motivados, mudou de patamar jogadores como Lucas Vázquez. Investiu no condicionamento físico.

Na parte tática e estratégica, começou resgatando as ideias de Ancelotti, de quem era auxiliar. Variação do 4-3-3 para o 4-4-2 sem a bola. Com a má fase de James Rodríguez e a dificuldade de encontrar o meia para atacar centralizado, na articulação, e voltar pela esquerda, além dos problemas defensivos, fez o simples mais uma vez: plantou Casemiro na proteção da defesa e deu liberdade a Kroos.

Trabalhando jogo a jogo, descansando quem precisava e valorizando os substitutos sem lamentar as ausências foi arrumando a casa. Realista, jogou a toalha na liga na derrota para o Atlético de Madrid no Santiago Bernabéu. Paradoxalmente, o foco na Champions e a sensação de “o que vier é lucro” ajudou a construir um retrospecto de 12 vitórias seguidas, inclusive os 2 a 1 sobre o Barcelona no Camp Nou.

Campanha que manteve a confiança alta e ajudou a pavimentar o 11º título da Liga dos Campeões. Conquista que pode ser atribuída um tanto à sorte por conta dos cruzamentos menos complicados que os rivais e superar o Atlético novamente, desta vez nos pênaltis. Sem muito brilho, mas fazendo história.

Para a temporada 2016/17, o aprimoramento das virtudes: elenco mais forte, com Morata e Asensio formando uma equipe reserva capaz de manter a competitividade enquanto descansa os titulares. E atento ao desempenho para fazer ajustes por meritocracia.

Isco foi o beneficiado pelo senso de justiça na reta final. Voando nas vitórias dos reservas e entrando bem quando solicitado, virou titular na vaga de Bale, em uma nova alteração tática. Do 4-3-3 para o 4-3-1-2, com o meia atuando como “enganche” à frente de Modric e Kroos e deixando Cristiano Ronaldo praticamente como um atacante próximo à área adversária, com liberdade de movimentação.

Poupado em nove partidas na liga, o português estava pronto para ser decisivo na reta final do campeonato nacional e do torneio continental. Se antes o genial finalizador tentava duelar com Messi nos números, agora entendeu que as taças são mais importantes que as bolas na rede. Até porque ele sempre será o artilheiro e a estrela da equipe, mesmo sem jogar todas.

O resultado prático é uma campanha memorável no Espanhol: 29 vitórias, seis empates, apenas três derrotas. 82% de aproveitamento. O ataque mais positivo e a defesa menos vazada são do Barcelona. Mas nos pontos foi soberano durante toda a liga.

Futebol prático e simples, respeitando as características dos jogadores. Os laterais Carvajal e Marcelo abrem o campo, ainda que o brasileiro infiltre muito por dentro, quase como meia. O meio-campo marca e joga, com Kroos e Modric alternando passes longos e curtos e qualificando a saída desde a defesa auxiliando Casemiro. Na frente, o trabalho de coadjuvante de Benzema e o poder de decisão de Cristiano Ronaldo. Se necessário, há a qualidade na reposição para manter desempenho e a média na conquista de pontos.

Um time “camaleão”, que joga com posse de bola ou nas transições velozes, sem deixar de valorizar o momento das jogadas aéreas com bola parada. Algo lógico quando se tem a precisão de Kroos e a fantástica presença na área adversária do já lendário Sergio Ramos.

Acima de tudo, respeitando a história do clube. Porque o torcedor madridista não quer exatamente espetáculo. Exige vitórias, mas que de preferência sejam construídas com futebol ofensivo e liberdade para os craques “galácticos” contratados a peso de ouro colocarem o talento a serviço da equipe. Sem amarras táticas. Com mentalidade vencedora.

Título confirmado fora de casa nos 2 a 0 sobre o Málaga. Um gol de Cristiano Ronaldo em contragolpe letal, outro de Benzema na bola parada sempre tão eficiente. Mais simbólico, impossível. Completando 64 partidas consecutivas fazendo gols. Pela primeira vez com campanha mais efetiva em pontos fora de casa do que no Bernabéu: 47 x 46.

Nada muito inovador, embora moderno. Zidane respeita as características e as qualidades dos jogadores. Não tenta ser a estrela mais reluzente e midiática. Valoriza o jogo, o futebol em todas as suas vertentes. Se Zidane revolucionou o Real Madrid, foi pela discrição e simplicidade.

Agora parte para o ato final e mais importante: nova final de Champions, desta vez contra a Juventus em Cardiff. Decisão sem favoritos, até pelo tempo que ambos terão para se preparar e com a confiança das ligas conquistadas. Agora com o Real enfrentando os cruzamentos mais complicados: Napoli, Bayern de Munique e Atlético de Madrid.

A Juventus tem mais “fome”, já que o título europeu não vem desde 1996. Já o Real carrega a “casca” de uma base que disputou duas finais recentes. Se vier a décima segunda, todos os holofotes estarão sobre Cristiano Ronaldo e sua quinta Bola de Ouro.

No banco, aplaudindo os protagonistas, o grande mentor. O Zidane que em campo fazia tudo parecer tão trivial e agora, na beira do gramado, trabalha com o mesmo semblante tranquilo de quem sabe o que quer.