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Precisamos falar sobre a arbitragem de Flamengo x Palmeiras
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André Rocha

Sim, o Flamengo novamente esbarrou em suas próprias deficiências – nulidade de Márcio Araújo na construção das jogadas que sobrecarrega Diego, que conduz demais a bola e se desgasta e sacrifica Everton Ribeiro, que não encontra um companheiro para dialogar e nitidamente sente a sequência de jogos a cada três dias.

Sem contar a proposta de jogo previsível e que, mesmo vencendo, insistiu em adiantar as linhas, ficar com a bola e novamente não transformar a superioridade nítida no primeiro tempo em mais gols além do chute de Pará e da vitória de Guerrero contra Luan depois de uma ligação direta para empatar o primeiro tempo.

Porque o time da casa levou a virada na Ilha do Governador em dois contragolpes com a última linha de defesa adiantada e espaçada. Melhor para Roger Guedes e Willian. Novamente Zé Ricardo foi infeliz nas substituições e o time caiu de produção. Na chance que teve para alcançar a vitória, Diego cobrou mal o pênalti e Jailson, surpresa de Cuca na escalação barrando Fernando Prass, fez bela defesa.

Sim, o Palmeiras mais uma vez sofreu com os encaixes e as perseguições individuais, marcas da ideia de jogo de seu treinador. Muito do domínio dos rubro-negros na primeira etapa foi pela fragilidade e espaçamento do sistema defensivo alviverde. Facilitando o principal ponto de distribuição do quarteto ofensivo do oponente: o pivô de Paolo Guerrero. O peruano recuava, atraía os zagueiros Mina e Luan e servia seus companheiros de ataque, em vantagem na velocidade sobre seus marcadores.Especialmente Michel Bastos no primeiro tempo, atuando como lateral. Uma avenida.

Mas Cuca foi perspicaz no segundo tempo. Trocou o posicionamento de Bastos e Zé Roberto, que mesmo servindo Willian no primeiro gol saiu do meio-campo para a lateral  guardar seu posicionamento e fechar o setor do apoio de Pará. Armou duas linhas de quatro, liberando Dudu, que não voltou com o lateral do Fla no primeiro gol, para jogar mais solto, fazendo “sombra” em Márcio Araújo e se aproximando de Borja.

O substituto do lesionado Willian perdeu a chance da vitória no final em novo contragolpe com a retaguarda adversária adiantada e mal posicionada. Thiago, que não foi bem no enfrentamento com os atacantes palmeirenses no primeiro tempo, salvou o Fla no chute cruzado do colombiano. Antes de ceder em breve o lugar a Diego Alves. Mais uma contratação que parece chegar tarde na temporada.

No saldo final, o empate acabou sendo o resultado mais adequado para o que foi a partida. Mas o jogo na Ilha do Governador teve um grande derrotado: Jailson Macedo Freitas. Uma típica arbitragem desastrosa do futebol brasileiro.

No primeiro tempo prejudicou demais o Flamengo. Na origem dos dois gols do Palmeiras, faltas claras de Mina sobre Guerrero. O peruano ainda foi derrubado pelo colombiano na área do time visitante em pênalti claro ignorado por Jailson. Sem contar uma disputa em que Everton Ribeiro caiu na área adversária. Lance duvidoso.

O mais absurdo, porém, foi parar o jogo para punir Bruno Henrique com cartão amarelo por agarrar Rafael Vaz antes e mesmo quando Diego bateu na bola. Ou seja, puniu o infrator antes que a falta dentro da área pudesse ser marcada. Este que escreve não se lembra de ver algo parecido em uma partida de futebol profissional

Muitos protestos de flamenguistas no estádio e nas redes sociais. Arbitragem mal intencionada?

O segundo tempo escancarou a incompetência e a vontade de compensar com outros erros os equívocos que não podiam mais ser corrigidos. Os palmeirenses cometeram 12 faltas na primeira etapa e dez na segunda. Apenas Bruno Henrique levou amarelo nos 45 minutos iniciais. Depois do intervalo, Mina, Borja, Luan, Jailson, Tche Tche, Michel Bastos, Dudu e Thiago Santos foram advertidos. Márcio Araújo e Mancuello pelo Flamengo.

Pendurou mais da metade do time do Palmeiras, passou a não marcar as faltas para os visitantes que assinalou anteriormente e na primeira queda de um jogador rubro-negro na área marcou pênalti de Michel Bastos sobre Geuvânio. Falta clara, mas menos que a de Mina sobre Guerrero no primeiro tempo. Qual o critério, afinal?

É óbvio que os erros de Jailson foram mais danosos ao Flamengo, mas já passou da hora de questionarmos compensações que muitas vezes são usadas como atenuantes por alguns comentaristas de arbitragem. O apitador erra e tenta equilibrar a balança acumulando interpretações absurdas que só irritam os dois lados e nada acrescentam.

Sim, temos um cenário em que o árbitro é pressionado demais, precisa ser profissionalizado, ainda não usufrui dos recursos tecnológicos para minimizar seus erros e muitas vezes é usado como muleta ou cortina de fumaça para atuações ruins dos times e bobagens de treinadores e dirigentes. Se acomodar na incompetência, porém, é a maior das falhas. Por isso precisamos falar de arbitragem, ainda que se prefira abordar o jogo.

Jailson Macedo Freitas estragou um clássico nacional, entre as equipes que disputaram a liderança em boa parte da última edição da Série A do Brasileiro. O mais trágico é a certeza de que não será a última vez.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vitória do Corinthians no dérbi é o triunfo do presente sobre o passado
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André Rocha

Antes do início da 13ª rodada da Série A, o líder Corinthians era o segundo ataque mais positivo, a equipe que mais acerta passes e a quarta em posse de bola. Mas no Allianz Parque aproveitou a estatística que lidera e, na prática, é a mais importante: só precisa de seis finalizações, na média, para fazer um gol.

Na casa do Palmeiras esta eficiência foi ainda maior: dois gols em três conclusões. Jadson no pênalti sobre Guilherme Arana, que marcou o da vitória na segunda etapa. Ambos iniciados com passes espetaculares de Romero, o destaque absoluto do triunfo de uma ideia de jogar.

Atual, que se adapta de acordo com o que pede o jogo. Diante de um mandante tão forte, como o Grêmio há três rodadas, não fazia sentido partir de peito aberto. Principalmente pela consciência de que o rival viria no desespero para buscar a vitória e descontar os 13 pontos de desvantagem.

Organizou duas linhas de quatro compactas, executou com concentração absoluta seu modelo de jogo que baseia o trabalho defensivo na marcação por zona e no controle dos espaços. Fagner, Balbuena, Pablo e Arana parecem chegar à perfeição dos movimentos de corpo para tirar as opções do atacante que está com a bola. E quando o oponente consegue ultrapassá-los, aparece Cássio novamente no ápice físico e técnico.

Na transição ofensiva, inteligência para triangular e atacar os espaços na hora certa. Mesmo sem o brilho de Jô e de Jadson, que só apareceu na cobrança de pênalti. O forte é o coletivo, com eficiência absurda. Um relógio preciso.

Bem diferente do Palmeiras de Cuca, que diante das dificuldades impostas pelo Corinthians apelou para o que se convencionou chamar de “Cucabol” e nunca foi bem entendido. Na necessidade de criar os espaços em uma retaguarda bem posicionada, o time desde o ano passado apela para os cruzamentos sucessivos. Não há ideias.

Antes da partida, a média era de 22 bolas levantadas. Só no primeiro tempo foram 28. Chegou a 47 no final. No desespero, Cuca empilhou atacantes tirando volantes, adiantou o zagueiro Mina com centroavante e…tome bola na área! Teve 61% de posse, finalizou 18 vezes, mas faltou a chance cristalina, a ação ofensiva bem trabalhada.

Cuca tem razão ao lamentar as ausência de Vitor Hugo, Moisés e Gabriel Jesus em relação ao time campeão brasileiro do ano passado. O zagueiro que compensava todos os problemas ocasionados pelos ultrapassados encaixes individuais com velocidade, concentração e vigor físico. O meio-campista que acertava passes, chutes e as cobranças de lateral na área. E o melhor atacante atuando no país em 2016. Sem as individualidades resta muito pouco de uma ideia de jogo pobre e anacrônica.

Por isso o Corinthians sobra. Não é exemplo de gestão nem ostenta patrocínio forte, mas tem identidade dentro do campo. Uma ideia que vai sendo aprimorada por Fabio Carille, auxiliar dos “construtores” Mano Menezes e Tite. 35 pontos em 39 possíveis. Invicto, não sofre gols há sete partidas. Ataca quando precisa e chega a 23 gols marcados, igualando o Grêmio que ainda joga na rodada.

Campanha histórica em 13 rodadas. É o grande favorito ao título. Mas mesmo que a taça não venha, que o modelo de jogo alinhado ao que de mais atual se pratica nos principais centros e base de ideias da seleção brasileira líder das eliminatórias sul-americanas seja a referência para um futebol mais bem jogado no país.

No dérbi, o presente venceu o passado.

(Estatísticas: Footstats) 


Palmeiras e Galo: oscilações que minam a confiança longe de casa
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André Rocha

O Atlético Mineiro de Roger Machado encontrou há algum tempo uma estrutura com o quarteto ofensivo formado por Elias, Cazares, Robinho e Fred. Sofre, porém, com os desfalques na retaguarda. Especialmente Marcos Rocha, que nunca foi exímio defensor, mas encontra menos dificuldades que Alex Silva.

Em Cochabamba, o ex-lateral do América-MG penou contra o brasileiro Serginho, depois Ruddy Cardozo. E ainda cometeu um pênalti, desses autorizados pelas novas orientações da FIFA, saltando com o braço aberto e a bola batendo em sua mão.

Uma atuação catastrófica. Pelo seu setor saiu a cobrança de lateral na área, não a usual dos últimos tempos, mas um lançamento para Bergese finalizar e Álvarez acertar de bicicleta no rebote do corte de Gabriel sobre a linha.

O 4-2-3-1 atleticano que está se tornando comum no futebol brasileiro, com um meio-campista (Elias) de um lado e um atacante (Robinho) do outro, consegue ter fluência na frente quando chega em bloco.

Mas na altitude de 2600 metros na Bolívia ficou mais complicado e muitas vezes se viu Elias mais preso para não ter que infiltrar na frente e Robinho nem sempre voltando e ficando na frente com Cazares e Fred, que também produziram pouco.

Foram 13 finalizações, uma a mais que o time da casa. Incluindo a cabeçada na trave de Rafael Moura, que entrou na vaga de Fred. Mas apenas uma na direção da meta de Olivares. O Galo deve ser mais eficiente em Belo Horizonte, ainda mais se forçar as jogada aéreas, ponto fraco dos bolivianos.

Deixou, no entanto, uma impressão de que um pouco mais de confiança, mesmo diante de um time que é reconhecidamente forte em seus domínios, com vitórias sobre Palmeiras, Tucumán e Peñarol, poderia ter rendido ao menos um ponto e serenidade para a volta.

Porque, apesar da melhor campanha geral na fase de grupos, este Atlético de Roger oscila demais. Não apresenta consistência para se impor independentemente do contexto, mesmo com a recuperação no Brasileiro, subindo seis posições com a vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro no clássico e voltando à primeira página da tabela. Sem contar a vantagem construída em casa sobre o Botafogo nas quartas de final da Copa do Brasil.

Mesmo caso do Palmeiras, quarto colocado na competição nacional, ainda vivo na Copa do Brasil. Mas inconstante a ponto de cumprir boa atuação na primeira etapa em Guayaquil. Mesmo sem Guerra, que voltou ao Brasil para cuidar do filho hospitalizado por afogamento. A transição ofensiva ganhava qualidade com Dudu e encontrava Willian para finalizar. Como na melhor oportunidade dos primeiros 45 minutos em chute cruzado.

Cuca trocou Zé Roberto, escalado no meio-campo para Juninho cumprir a função de lateral-zagueiro pela esquerda tão prezada por Cuca, por Roger Guedes. Michel Bastos e Keno entraram nas vagas de Dudu e Borja. Ou seja, trocas em todo o ataque. Para se defender mais que o recomendável, permitindo que o time equatoriano rondasse a área, terminando a partida com 56% de posse.

Até achar o gol de Jonatan Alvez no chute que desviou em Thiago Santos, o volante “cão de guarda” que virou titular. Na oitava e última finalização do time mandante, o dobro do campeão brasileiro – três no alvo para cada lado.

A questão é que o jogo alviverde não flui, nem tem ao menos a capacidade competitiva do ano passado, apesar dos 24 desarmes certos contra apenas nove do Barcelona. E o contexto para o duelo final em São Paulo poderia ser pior, caso o árbitro houvesse marcado pênalti no toque de braço de Mina.

O que é preocupante para a volta no Allianz Parque é que, ao contrário do Jorge Wilstermann, o Barcelona mostrou força como visitante na fase de grupos. Inclusive vencendo o líder Botafogo no Estádio Nilton Santos. Exatamente quando o alvinegro tentou mudar sua maneira de jogar e saiu para propor o jogo. Acabou surpreendido como o Palmeiras não tem o direito de repetir por sua capacidade de investimento. Sair nas oitavas do torneio continental seria um fracasso para repensar tudo.

É possível virar no modo “Porco Doido” empurrado pela torcida pode fazer em 90 minutos o que alcançou em vinte ao buscar três gols  e o empate contra o Cruzeiro. Mas há o risco exatamente por Cuca ainda não ter construído uma equipe confiável. Intensa e constante. Sem Gabriel Jesus, Moisés, Vitor Hugo e tempo para treinar e ajustar o elenco muito heterogêneo fica bem mais complicado.

A missão é acessível para Palmeiras e Galo, apesar do calendário massacrante. Até agosto é obrigatório oscilar menos para que as equipes cheguem mais inteiras nos jogos que, no pior cenário, podem custar a temporada.

(Estatísticas: Footstats)


Alguém vai chorar sangue no Mineirão
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André Rocha

É improvável que um time mandante tão poderoso, o atual campeão brasileiro, deixe tantos espaços para contragolpes, permita tantas lacunas em seu sistema de marcação e aceite que um elo fraco como Fabiano, totalmente perdido pela direita, fique tanto tempo em campo num jogo eliminatório como fez o Palmeiras no primeiro tempo do Allianz Parque.

Mesmo com a pressão inicial e a fantástica jogada individual de Guerra. Os dois gols em contragolpes no setor de Diogo Barbosa e Alisson, com este marcando o segundo e aquele servindo Thiago Neves no primeiro, são jogadas em velocidade construídas com muito espaço. O segundo, sim, tem méritos pela articulação pela direita que achou Robinho com liberdade na área. Mas novamente o encaixe com perseguições individuais de Cuca foi desmontado com facilidade.

Não existe um time tão forte sair com três a zero contra em casa num torneio eliminatório com gol “qualificado”. Mesmo que a Copa do Brasil não seja prioridade na temporada. Ainda que o adversário tenha obtido eficiência máxima ao colocar nas redes de Fernando Prass as únicas três finalizações em 45 minutos.

Assim como é inconcebível um visitante voltar do intervalo no Allianz Parque com tamanha vantagem e não esperar um time de Cuca partindo para o abafa no modo “Porco Doido” para buscar a reação. Intensidade máxima, preenchendo a área adversária com muita gente e partindo para o jogo aleatório – com fibra, entrega e 33 cruzamentos no total – para trazer a torcida junto.

Era o jogo para a equipe de Mano Menezes controlar os espaços, mesmo que permitisse os 61% de posse alviverde. Mas evitando os cruzamentos e se organizando para os contragolpes, ainda que Fabiano, o “mapa da mina” do rival, não estivesse mais em campo. Mas deixou tudo ruir em 20 minutos com dois gols de Dudu e um de Willian.

Impressionante não terminar em virada. Fez lembrar os 3 a 3 lendários entre Liverpool e Milan em Istambul na final da Liga dos Campeões 2004/2005. Reação imediata e tão contundente dos ingleses, em 14 minutos, que seria capaz de encher o time que a alcançou de forças para buscar a virada inacreditável e de abalar o que sofreu a ponto de desmanchar. Na prática, porém, não determina uma mudança no placar.

A decisão europeia foi para prorrogação e pênaltis. A disputa pelas quartas-de-final da Copa do Brasil vai para o Mineirão. O Palmeiras só pode pensar em vitória, já que um 4 a 4 é bem improvável. O time mineiro, junto da torcida, não tem como não vislumbrar um triunfo para compensar tamanho vacilo em 20 minutos de segundo tempo. Mesmo longe de Belo Horizonte e encarando um dos elencos mais fortes do país.

Em tese, os 3 a 3 seriam para comemorar pelos gols marcados fora. O Palmeiras celebrou a invencibilidade em casa na temporada. Mas os equívocos de ambos são inegáveis neste jogo mais maluco que de alto nível técnico e tático. Alguém vai chorar sangue na volta.

(Estatísticas: Footstats)


Não há razão para crise no Palmeiras. Mas existe um dilema
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André Rocha

As derrotas para Chapecoense e São Paulo fora de casa, com a equipe bastante alterada pela prioridade natural dada à Libertadores, não servem sequer como sinal de alerta para o Palmeiras. São recuperáveis e até comuns em um campeonato por pontos corridos e todas as suas particularidades. É um reinício para Cuca.

O que precisa ser debatido internamente é que o cenário de 2016 não se repete nesta temporada, até pela conquista do título brasileiro. A equação técnico campeão + elenco reforçado não significa necessariamente uma fórmula de sucesso.

A começar pela dissonância entre a maneira de jogar de Felipe Melo, contratado para ser um líder e interlocutor do técnico, com a visão de futebol de Cuca. Algo bem mais complicado de administrar que uma discussão no rachão. O volante atuou na Europa por mais de uma década marcando por zona na maior parte do tempo. O treinador prefere os encaixes e perseguições individuais.

Não é simples pedir para alguém acostumado a ter a bola e o espaço como referências passar a correr atrás do jogador adversário. Por isso a escalação de Felipe na sobra da defesa em um sistema com três defensores na última linha contra o São Paulo no Morumbi. A adaptação, porém, é complicada. Requer tempo e, principalmente, capacidade de convencer que este é o melhor caminho.

Outra questão a ser administrada é o favoritismo. Uma coisa é ser campeão brasileiro sendo colocado como o contraponto ao Flamengo do “cheirinho” e ao Atlético-MG das estrelas no ataque, outra é entrar em campo sempre com a responsabilidade de ser o protagonista.

No ano passado, mesmo com Cuca bancando o título, a equipe não era o alvo. Seus melhores momentos da equipe, em especial no primeiro turno da principal competição nacional, foram explorando a velocidade de Roger Guedes e Gabriel Jesus surpreendendo os oponentes tanto quanto as jogadas ensaiadas. O time era vertical, definia rapidamente as ações de ataque.

Já em 2017 o elenco foi montado para propor o jogo, ideia de Eduardo Baptista que parecia ser consenso no clube por conta desta mudança de status. Com Borja e Guerra, campeões da Libertadores pelo Atlético Nacional dentro de uma proposta ofensiva de Reinaldo Rueda, herdeiro de Juan Carlos Osorio.

Cuca pensa futebol diferente. Gosta de seu time desarmando no campo de ataque e partindo com fúria para a área adversária. Aprecia um “abafa”, o “Porco Doido”. Também baseia o seu discurso motivacional no “nós contra eles”, na superação para enfrentar as desconfianças. Mas agora o Palmeiras é a referência, o time a ser batido. Analisado, dissecado, mapeado.

Capaz de fazer Rogério Ceni, com seu estilo agressivo e de valorização da posse de bola, não se importar de ficar sem o controle da partida no campo de ataque e fazer o jogo de transições em velocidade para golpear o rival no Morumbi com Lucas Pratto e Luiz Araújo.

Há dois caminhos para Cuca: rever e adaptar seus conceitos às melhores peças disponíveis ou pensar, a curto prazo, numa formação titular com a maioria absoluta dos jogadores que trabalharam com ele no ano passado e já conhecem toda a dinâmica do seu estilo. Colocando as estrelas no banco. Toda escolha tem sua complexidade.

Não há razão para crise no Palmeiras. Mas está claro que existe um dilema criado pelo próprio sucesso.

 


Os méritos (e a estrela) de Cuca na volta ao Palmeiras
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André Rocha

Enfrentar em casa o combalido Vasco voltando à Série A era o melhor dos cenários para a volta de Cuca na estreia do campeão Palmeiras no Brasileiro.

Melhor ainda quando marca os gols em momentos decisivos da partida: logo no início, aos seis minutos, no pênalti tolo de Jomar sobre Dudu que Jean converteu. No final da primeira etapa, quando o Vasco havia equilibrado a disputa e Guerra aproveitou rebote de Martín Silva em chute de Jean. O terceiro no primeiro ataque da segunda etapa, com Borja. Quarto e último na reta final, em novo pênalti do desastroso Jomar sobre Dudu e outro gol de Borja.

Não é justo, porém, atribuir apenas à sorte a construção do placar. Longe disso. O primeiro mérito de Cuca foi resgatar rapidamente a intensidade, desde o primeiro toque na bola com jogada ensaiada em ligação direta. Bem ao seu estilo.

Com a recuperação do Vasco, com o jovem Douglas ditando o rimo no meio-campo, mas muito sacrifício da equipe sem a bola para compensar a participação nula de Nenê e Luis Fabiano, o comandante alviverde trocou o posicionamento de Jean e Tchê Tchê.

Este saiu do trio de meio-campistas no 4-3-3 que variava para o 4-2-3-1 com o avanço de Guerra e foi para a lateral direita. Dentro da marcação individual planejada, Jean cuidaria de Douglas.

Não deu tão certo na parte defensiva. Mas na frente confundiu a marcação cruzmaltina e, na troca, Tchê Tchê passou, Jean se projetou para finalizar e Guerra aproveitar no segundo. No terceiro, jogada de Tchê Tchê como lateral e gol de Borja.

Cuca foi perfeito ao dar confiança ao atacante colombiano, criticado pelo alto investimento e baixo desempenho até aqui. Começou errando lances bobos. Com espaços para acelerar, cresceu naturalmente. Dois gols e o carinho do treinador para enfim dar a resposta esperada.

Assim como Dudu, mantido capitão com Cuca. O melhor em campo partindo da esquerda para desarticular o bloqueio adversário. Dois pênaltis sofridos, duas chances desperdiçadas. Mas voltando a desequilibrar. Não é por acaso. Técnico e craque do time construíram uma relação de confiança mútua.

O primeiro tempo deve ser o norte do Vasco para o Brasileiro. Finalizou nove vezes contra seis do Palmeiras. Boa chance com Pikachu em lançamento primoroso de Douglas. Gol perdido pelo jovem volante no erro de Jean na saída de bola. No final da primeira etapa, poderia ter mudado o jogo. O problema é ser competitivo e ter velocidade na transição ofensiva com dois veteranos na frente.

O Palmeiras de Cuca repete os 4 a 0 do ano passado na estreia  – em 2016 a vítima foi o Atlético-PR. O elenco está mais rico, mas desta vez há uma Libertadores para dividir atenções. Ainda assim, o status de favorito se reforça. Pelos méritos e também pela estrela de Cuca, que faz clube e torcida acreditarem mais na própria força.

(Estatísticas: Footstats)


Calça vinho, marcação individual, lateral na área… Lá vem o Cuca de novo!
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André Rocha

(Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Este blogueiro não aprecia superstições. Nunca repetiu roupa porque o time de coração venceu ou algo na vida pessoal ou profissional deu muito certo. Para quem tem fé é uma tremenda incoerência, porque nada mais é do que uma forma de se sentir no controle dos acontecimentos. Do próprio destino.

Também abomino cobrança de lateral diretamente na área. Só entendo se for um dos poucos recursos de um time sem qualidade técnica para atacar de outra forma, trabalhando mais a bola. Apelar para isso com o elenco mais qualificado do país é de uma pobreza ímpar.

Marcação individual é algo que deveria ter ficado no passado. Lá em 1982, com Gentile colado em Zico e Maradona. Cada um pega o seu e um zagueiro sobra lá atrás. Ou seja, um drible, uma movimentação, um desmarque e tudo se desequilibra e estoura na defesa.

Sem contar que a equipe marca correndo, se desgasta mais e, se o adversário é muito móvel, os jogadores estão fora de suas posições para iniciar o ataque. Normalmente apelam para a ligação direta, o chutão, para que voltem aos pontos de origem.

Unhas roídas até a pele me dão nos nervos. Beijo na santinha é outra superstição, embora eu respeite a religiosidade de quem quer que seja. A meu ver, comandantes tensos e instáveis, em qualquer área de atuação, contaminam o ambiente. Tudo fica muito à flor da pele e o pavio  sempre aceso.

Ou seja, Cuca é praticamente a antítese do que acho que deve ser um técnico de futebol. Ainda acredita na velha escola gaúcha de futebol, inspirada na argentina e uruguaia. Aprecia Felipão e Rubens Minelli. Um jogo que ficou no passado.

Só que dá certo. Porque Alexi Stival é um homem inteligente e observador. Entende as características de seus atletas e vê o futebol atual com atenção. E vai adaptando suas convicções. No Palmeiras campeão brasileiro, Moisés e Tchê Tchê qualificavam a saída de bola. Não mais volantes como Pierre e Leandro Donizete e mais um lateral-zagueiro para liberar o ala do lado oposto e os meias criativos.

O perfil obsessivo e inseguro também faz ensaiar jogadas à exaustão. Desde a saída da bola até o ponto em que ela tem que encontrar o atacante. Coloca pilha nos comandados, que entram nervosos, porém concentrados. Se preciso for, correm o dobro para executar o plano de jogo que cobra intensidade máxima.

É tudo isso que o palmeirense queria de volta. E atleticanos têm saudades. E tricolores, de São Paulo e do Rio de Janeiro, uma gratidão eterna. Impossível não reconhecer os méritos.

Só não me peçam para apreciar ou aprovar. Os palmeirenses no último Brasileiro atacaram este blog e quem escreve nele por uma suposta perseguição ao clube ou torcida pelo Flamengo, o rival na disputa pela liderança na maioria das rodadas.

Sem chance. Sou fã do Palmeiras “rolo compressor” de 1996 e até chorei com Denis em 1986 quando o Palmeiras, na época em um jejum de dez anos, perdeu a final do Paulista para a Internacional de Limeira. Adorava o futebol do ponta Jorginho, achava Mirandinha e Vagner Bacharel carismáticos. Impossível não gostar do time de Luxemburgo bicampeão brasileiro e paulista de 1993/94.

A questão deste que escreve é com o Cuca. Nada pessoal, nem o conheço. Só que é impossível não criticar alguém que pratica quase tudo que você desaprova. É humano preferir que ele não vença. Mas tenham certeza: não persigo, não tento plantar crise aqui neste pequeno espaço. E se houver mérito não recolho o elogio.

O jogo é limpo, como este post é absolutamente sincero. Mesmo sabendo que os idiotas que existem em todas as torcidas não entenderão nada e destilarão seu ódio aqui e nas redes sociais.

Lá vem o Cuca de novo! Com sua calça vinho e o tradicional sinal mandando jogar a bola na área. Cinco meses depois do título brasileiro que tanto queria. Que os palmeirenses tanto sonhavam após 22 anos. Difícil compreender os motivos da recusa em dezembro e do retorno agora. Mas eu nunca tentei entender Alexi Stival.

Não serei hipócrita de desejar boa sorte. Mas fica aqui a promessa renovada do respeito habitual, sabendo identificar pontos positivos e reconhecer que o jogo “maluco”, o “Porco Doido” funciona e agrada o torcedor que adora fazer de seu estádio um caldeirão temido pelos adversários. E nisto o Cuca é muito bom.

E não dá para negar o óbvio: com ele, o Palmeiras fica ainda mais favorito a tudo que disputar na temporada.


Eduardo Baptista já assumiu demitido, esmagado pela sombra de Cuca
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André Rocha

A sucessão de Cuca no Palmeiras era uma das mais complicadas da história do futebol brasileiro. Saiu campeão, idolatrado porque o time com sua cara deu o título que o clube sonhava há tempos. Ainda chegou no ano passado durante a disputa da Libertadores e deixou a impressão de que poderia ter ido mais longe se contasse com o treinador desde o início.

Sem contar o estilo particularíssimo de comandar, com práticas pouco usuais combinando com convicções antigas adaptadas ao futebol atual. Um jogo “maluco” que cativa o torcedor médio pela intensidade e entrega. Basta ver o “Galo Doido” que perdura desde 2013, seja lá qual for o comandante no Atlético Mineiro.

E o pior: não saiu para outro clube. Parou por tempo indeterminado. Sem marcar data de volta. Um paralelo na música seria o “hiato” da banda Los Hermanos em 2007. Não terminaram, mas cada um tomou o seu caminho. Eventualmente voltam. E os fãs sonham com o retorno para um trabalho inédito.

O palmeirense sonha com a volta de Cuca desde o anúncio de sua saída. Por isso Eduardo Baptista já estava demitido no anúncio de sua contratação. Pelo currículo de jovem técnico sem grandes conquistas. Pelo perfil mais alinhado aos conceitos atuais, que acarretaria uma mudança na forma de jogar. Para os mais fanáticos, até por ser filho de Nelsinho, com história mais ligada ao Corinthians como treinador.

Só seria possível sobreviver com uma mistura convincente de desempenho e resultados. Aquele momento mágico em que tudo se encaixa praticamente num estalo. Reforços adicionados à base mantida que entenderiam rapidamente as ideias do comandante e as características dos atletas se combinando ao natural. Algo raríssimo. E improvável.

Não podia dar certo. E errou quem contratou. Porque precisava de tempo para os jogadores acostumados com perseguições individuais se habituarem à marcação por zona. Para o jogo vertical se transformar em uma proposta que valoriza a posse de bola. Para os contratados se entrosarem dentro e fora de campo.

Só que não havia paciência em um ambiente de pressão insuportável, cobrando futebol do elenco mais qualificado do país como se fosse uma questão de distribuir camisas e “faça-se a luz!” Em quatro meses. Sem direito a tropeços.

O Palmeiras de Baptista escorregou. No Paulista contra a Ponte Preta. Na Libertadores diante do Jorge Wilstermann. Sim, houve oscilações e hesitações. A inexplicável opção por três zagueiros de ofício no primeiro tempo em Montevidéu contra o Peñarol.

E aí veio a explosão que se parte de um Abel Braga ou de um técnico mais tarimbado seria vista como um desabafo emocionado. Depois do impacto inicial, os gritos na coletiva no Uruguai foram tratados como a prova de desequilíbrio do jovem comandante. E para o Palmeiras e os palmeirenses é pouco.

A história do clube é pontuada por Oswaldo Brandão, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão. Que já chegam campeões ao clube. Com estofo para suportar as cornetas e amendoins. Ainda que a tentativa com o Muricy Ramalho tricampeão brasileiro em 2009 tenha sido traumática.

Eduardo não resistiu. Como a passagem conturbada pelo Fluminense é um sinal de que será preciso recomeçar. Talvez em um clube de menor apelo, sem o peso de investidor milionário, sem a obrigação de resposta imediata.

Para o Alviverde Imponente, resta Cuca. Se ele não quiser de novo, o jeito será procurar outra grife. Ou alguém com perfil semelhante ao do técnico campeão brasileiro. Ou um treinador com história no clube, ainda que como jogador. Um símbolo.

Para não ser moído pela exigência altíssima, talvez desproporcional. Baptista nem moído foi, mas esmagado pela sombra de Cuca.


Quem no Brasil está jogando mais que Dudu?
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André Rocha

Não é de hoje. O Palmeiras do segundo turno do título brasileiro – mais pragmático e focado no resultado, não conseguiria os incríveis 44 pontos, melhor campanha em um turno na era dos pontos corridos, sem o brilho e a consistência de Dudu.

Com a ausência de Gabriel Jesus pelas seguidas convocações para as seleções olímpica e principal, e a queda de produção de Roger Guedes, assumiu a faixa de capitão e o protagonismo depois de brigar e se reconciliar com o técnico Cuca.

Foram dez passes para gols do ponteiro que atuava pela esquerda num 4-3-3. Jogador da bola parada em momentos de pressão e da velocidade nos contragolpes. Fundamental.

Em 2015 já havia sido importante na conquista da Copa do Brasil. Atuando mais solto e próximo da zona de decisão como um meia atrás do centroavante, foi o artilheiro alviverde na temporada com 16 gols.

Dudu é ponta e meia. Serve, faz gols e tem liderança. Por isso precisamos falar mais dele.

Nos 3 a 0 sobre o São Paulo no Allianz Parque ganhou os holofotes com o golaço de cobertura sobre o goleiro Denis. O segundo ele na temporada. Talvez o camisa sete nem tenha sido o grande destaque do time agora comandado por Eduardo Baptista, já que Tchê Tchê foi onipresente no meio-campo. O trabalho coletivo também merece atenção, com seguidas bolas roubadas no campo de ataque.

Mas Dudu sempre está presente, como peça chave. Em 2017 já são seis assistências, um pênalti sofrido e o cruzamento que Thiago Santos desviou e Keno completou no gol de empate contra o Tucumán na estreia da Libertadores.

O novo treinador só tem elogios para seu atacante: “Tenho falado para ele do grande potencial que tem. Um grande jogador. O cara que pensa em jogar na Europa e seleção tem que jogar em todos os lugares. E foi muito bem”, exaltou Baptista na coletiva depois do clássico “Choque Rei”.

Um alto investimento do clube na contratação ao Dinamo de Kiev que na época gerou polêmica pelo “chapéu” nos rivais, mas que em campo se paga a cada jogo. Um caso raro de quem evoluiu quando voltou da experiência na Europa.

Dudu tem intensidade para pressionar no campo de ataque ou voltar até a própria linha de fundo se for preciso. Sabe dar profundidade aos ataques, mas também procura a diagonal. Tem visão de jogo para um passe de meia, mas chama lançamento em contragolpe.

Tem também a postura que agrada o torcedor mais fanático: “tudo pelo time”. Mesmo que às vezes esbarre na ética, algo que se espera de um grande ídolo. Como no episódio da expulsão de Gabriel no dérbi. Para sua equipe conseguir vantagem, mesmo baseada em um absurdo, Dudu tentou até impedir que o árbitro tivesse acesso à informação correta.

Mas quem se importa? A resposta no campo compensa e muito. Só não leva à seleção brasileira, mesmo com boa atuação e gol no amistoso contra a Colômbia, porque a concorrência nas pontas do 4-1-4-1 é duríssima, a mais forte no grupo de Tite: Coutinho, Willian, Neymar e Douglas Costa.

Melhor para o Palmeiras, que conta por mais tempo com seu melhor jogador. E cabe a pergunta: quem no Brasil está jogando mais que Dudu?

 

 


Palmeiras quer e pode tudo em 2017. Por isso precisa de mais tempo
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André Rocha

Quando se tem um elenco na conta apenas de montar um bom time e a temporada pode ser considerada positiva se terminar com um título, mesmo que estadual, o trabalho do técnico e dos atletas tende a ser mais simples, com o jogo coletivo potencializando o talento que não oferece tantas possibilidades.

Mas quando se monta o elenco mais qualificado e homogêneo do continente com altíssimo investimento e a proposta é afirmar uma maneira de jogar impondo o ritmo como protagonista, a equação fica bem mais complexa.

É o caso do Palmeiras. Com o fator complicador do técnico vencedor da temporada passada ter partido, mas não para outro time. A rigor, Cuca está no mercado. Mesmo que recuse todas as ofertas. E seu sucessor não tem o mesmo currículo, nem foi a primeira opção da diretoria.

A cada contratação confirmada a pressão sobre Eduardo Baptista só aumenta. Na exigente torcida alviverde ecoa a tese de que colocaram um piloto mediano para conduzir o melhor carro. A sombra de Cuca sempre vai rondar.

E ainda o paradoxo: o técnico rodado e vencedor precisava de menos recursos para alcançar os resultados: marcação individual, cobranças de lateral diretamente na área adversária, jogadas aéreas com bola parada ou rolando, contragolpes em velocidade quando o time tinha vantagem no placar.

Já o novato quer algo mais atual: um 4-1-4-1 com posse de bola, mobilidade, troca de passes até a infiltração. Controlar dentro ou fora de casa. Não é simples de conseguir. E o torcedor sempre vai achar que a fórmula anterior era mais eficiente. A curto prazo, no imediatismo típico da nossa mentalidade. Mas em termos de qualidade na execução do plano de jogo é um desperdício não buscar uma evolução.

Por isso Eduardo Baptista precisa de tempo, mais que qualquer outro treinador no país. O Palmeiras quer e pode tudo na temporada. Investiu para isso. E com tantas opções é preciso testar para definir uma base titular e mexer por necessidade ou para surpreender um adversário. Saber que combinações podem ser utilizadas e entrosá-las.

Como a linha de quatro com Keno, Michel Bastos, Raphael Veiga e Dudu atrás de Willian nos 4 a 0 sobre o Linense em Araraquara. Com revezamento de meias e pontas, mais o apoio dos laterais, especialmente Egídio à esquerda. Envolvendo o adversário com relativa facilidade e ainda mandando a campo Thiago Santos e Barrios, autor do último gol em bela jogada trabalhada e assistência de Dudu, o melhor em campo e o destaque absoluto até aqui.

Superando a ausência de Moisés, que se lesionou ainda no primeiro tempo e, pela gravidade aparente na entorse do joelho esquerdo, pode ficar fora por um longo período. E ainda tem Guerra. E Borja para estrear. E Mina voltando para liderar a retaguarda que tem Fernando Prass de volta. É muito potencial a ser explorado.

A melhor notícia é que há um plano e uma ideia para alcançar os objetivos que focam em resultado, mas através do desempenho. O desafio é ter paciência e entender que há um processo, sem a mágica de “soltar as feras em campo que elas se entendem”.

Para quem vai disputar Libertadores atrás do título, o Paulista tem que ser tratado como laboratório. Mesmo o clássico diante do Corinthians na quarta-feira. Porque experiências dão errado para terminarem nas melhores soluções. A história mostra, dentro ou fora do futebol. A pressa só pode atrapalhar o Palmeiras.