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PSG voa baixo na Europa, mas teste de verdade será o Bayern em Munique
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André Rocha

67 gols em 18 partidas. Média de quase quatro por partida. Apenas dez sofridos. Liderança folgada no Francês com campanha invicta: 11 vitórias e dois empates. E 100% de aproveitamento na Liga dos Campeões, com só um gol sofrido, de Dembelé nos 7 a 1 sobre o Celtic em Paris que consolidaram a maior artilharia da história da fase de grupos do torneio: nada menos que 24 gols em cinco partidas. Média de quase cinco por partida.

A jornada do Paris Saint-Germain até aqui é histórica. Chama ainda mais atenção a naturalidade com que cria chances e a eficiência nas finalizações. Em especial do tridente ofensivo. Trio MCN. 21 gols e duas assistências de Cavani em 17 jogos, 13 bolas nas redes e oito passes para gols de Neymar em 14 partidas. Mais sete gols e o mesmo número de assistências de Mbappé em 13 jogos. 61% do trio. Voando baixo.

Números espetaculares. Sintonia e combinação de características entre os jogadores. Não só no ataque com Neymar passador, Mbappé intenso e veloz, Cavani finalizador e com presença física na área adversária. Também no meio-campo com Verratti, Rabiot e Draxler quando não é tão preciso fechar espaços, ou Thiago Motta ao lado dos dois primeiros na necessidade de proteger melhor a retaguarda.

Sem contar Daniel Alves como lateral mais construtor e Kurzawa do lado oposto mais rápido em busca da linha de fundo; o entendimento entre Marquinhos e Thiago Silva protegendo o goleiro Areola. Tudo funcionando muito bem para o treinador Unai Emery, que com resultados tão arrasadores silenciou as críticas e os rumores de relação conflituosa com Neymar.

Mas ainda falta o grande teste. Porque os empates com Montpellier e Olympique de Marseille na Ligue 1 podem ser mais tratados como tropeços naturais numa campanha absoluta do que grandes desafios. Assim como as oscilações durante as partidas, até pela facilidade, também devem ser considerados naturais.

Os 3 a 0 sobre o Bayern de Munique em Paris devem ser relativizados como o ato final da passagem de Carlo Ancelotti pelo clube bávaro, com grave crise entre o treinador e os jogadores, que chegaram a ridicularizar seus métodos de treinamento. Na prática, foi um oponente quase tão frágil quanto os demais.

Por isso o duelo com o pentacampeão alemão, em recuperação na temporada com o retorno de Jupp Heynckes e já na ponta da Bundesliga com os mesmos seis pontos de vantagem que o líder ostenta na Ligue 1 sobre o atual campeão Monaco.

Valendo a liderança do Grupo B. Será o melhor parâmetro para a avaliação do real poder do PSG, já pensando no mata-mata da Champions em 2018. Ainda que a missão do Bayern de tomar a primeira colocação e fugir de possíveis confrontos indigestos nas oitavas de final seja improvável – vencer por, no mínimo, quatro gols de diferença para superar no confronto direto.

A rigor, o resultado vai dizer menos que o desempenho do time francês no primeiro confronto em altíssimo nível, da primeira prateleira do futebol europeu. Por ora, vale e muito desfrutar os espetáculos do time francês pelo continente. Mas o mistério da real capacidade competitiva de Neymar e seus companheiros seguirá até a Allianz Arena no dia 5 de dezembro.


Juventus x Real Madrid: os camaleões atrás da orelhuda
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André Rocha

Quando José Mourinho e Pep Guardiola polarizaram o futebol mundial no início da década, em especial nos duelos entre Real Madrid e Barcelona, criou-se também uma dicotomia: posse de bola x jogo reativo. Ainda que Lionel Messi tenha definido o superclássico espanhol pela semifinal da Liga dos Campeões 2010/2011 em um contragolpe e o time merengue comandado pelo português tenha batido o recorde de pontos no Espanhol na temporada seguinte atropelando os adversários.

O tempo mostrou que o radicalismo nos conceitos de jogo podem criar dilemas complicados. Como o Bayern de Munique de Guardiola tentando jogar no campo de ataque e deixando espaços para o trio MSN do Barça no auge em 2015. Ou o Chelsea de Mourinho, no mesmo ano, pagando pela cautela excessiva, em casa e com um homem a mais, contra o PSG pelas oitavas de final da Champions.

O primeiro campeão europeu a sinalizar que a flexibilidade na proposta de jogo seria a melhor solução foi o Bayern de Jupp Heynckes em 2012/13. A equipe que faturou a tríplice coroa podia atacar com fúria e volume, mas também com paciência. Na temporada, só o Barcelona de Tito Vilanova/Jordi Roura, sucessores de Guardiola, teve mais posse. No duelo entre os dois, o time bávaro pulverizou o catalão com 7 a 0 no agregado e média de 40% do tempo com a bola. Contragolpe na veia. Quando foi preciso.

O Real Madrid de Carlo Ancelotti de “La Décima” em 2014 e a Juventus finalista em 2015 também se mostraram equipes “híbridas”. Saindo de trás com a classe de Xabi Alonso e Pirlo, mas sabendo acelerar na frente com o trio “BBC” nos merengues e colocar intensidade com Vidal, Tevez e Morata.

Agora, espanhois e italianos se encontram na final do principal torneio de clubes do planeta atingindo a excelência na proposta de se adaptar conforme a necessidade. Ser um time “camaleão”. Ambos sabem trabalhar com posse para abrir defesas fechadas – embora não estejam entre as cinco melhores no controle da bola nesta edição do torneio continental. Mas se preciso abrem ferrolhos no jogo aéreo, com bola parada ou rolando. Também ficam confortáveis jogando em contra-ataques.

Para a decisão em Cardiff, a dúvida é quem tomará a iniciativa de início, propondo o jogo e adiantando a marcação. Talvez o Real Madrid, seguro e confiante por ser o atual campeão e ter a mesma base com duas conquistas nas últimas três temporadas. Também por ser o melhor ataque, com 32 gols, e a equipe que mais finaliza, a segunda que mais acerta passes (88% de efetividade).

Provavelmente com Isco sendo o “enganche” do 4-3-1-2 montado na ausência do lesionado Gareth Bale e que deu tão certo que deve manter o galês no banco, mesmo numa final disputada em seu país. A mudança trouxe mobilidade na frente e desafogo para o meio-campo. O meia circula às costas dos volantes adversários nas ações ofensivas e retorna por um dos lados na recomposição formando duas linhas de quatro. Se pela direita, Modric e Casemiro fecham o centro e Toni Kroos abre à esquerda. Se Isco inverte o lado, é Modric a abrir à direita e Casemiro e Kroos ficam no meio.

Deve ser esta a opção de Zinedine Zidane. Modric, mais rápido, fecha a subida de Alex Sandro enquanto Carvajal fecha a diagonal de Mandzukic em busca da zona de conclusão fazendo dupla com Higuaín. Isco volta, mas nem tanto, contra Barzagli e Marcelo se encontra no setor com Daniel Alves.

Porque a Juventus de Massimiliano Allegri, que sofreu apenas três gols em 12 partidas, deve repetir a ideia vencedora na semifinal da UCL em 2014/15: duas linhas de quatro bem compactas. Pelas características e dentro do contexto, podem ter cinco defensores. Com Barzagli por dentro e Daniel Alves como lateral. Para evitar a circulação de Isco, vigiar as descidas dos laterais Carvajal e Marcelo e não ser surpreendida pela mobilidade de Benzema e Cristiano Ronaldo na nova configuração do ataque, em dupla.

Na transição ofensiva, caberá a Pjanic o primeiro passe e a Dybala o último. O argentino tende a procurar mais o lado direito para trabalhar com a canhota e dar suporte a Daniel Alves. Mesmo na marcação por zona padrão da Europa, Casemiro terá a função de negar espaços ao meia que atua mais solto, próximo a Higuaín.

Atenção na bola parada. O Real tem Kroos em faltas laterais e escanteios buscando Sergio Ramos e Cristiano Ronaldo nas cobranças diretas. A Vecchia Signora conta com Pjanic, Daniel Alves e Dybala. Na área adversária, Bonucci, Chiellini, Mandzukic e Higuaín. Junto com o Bayern de Munique, são os três times que mais completam cruzamentos no torneio. Assim a Champions pode ser definida.

A Juventus tem mais “fome”, mas a pressão de dar uma Liga dos Campeões ao mito Buffon e de não falhar na nona final, depois de apenas dois títulos em oito decisões, pode jogar contra. Mesmo com tanta experiência e o supercampeão Daniel Alves do lado italiano.

Já o Real Madrid entra mais relaxado. A obrigação era “La Decima”, depois de 12 anos sem sequer alcançar uma final. É o maior e atual campeão, já venceu a liga espanhola, que era a conquista que faltava depois de cinco anos. Pode encher de confiança, mas também arrancar o “sangue nos olhos” e a indignação com a derrota que constroem os campeões.

Não há favorito no duelo de camaleões atrás da orelhuda. Mas o blogueiro se permite um palpite, sem muita convicção: a Juventus leva desta vez. Talvez nos pênaltis.

Real Madrid no 4-3-1-2 com Isco tentando circular às costas dos volantes e retornando pela esquerda, com Modrc do outro lado fechando a segunda linha de quatro. Juventus novamente deve alternar o 4-4-2 e o 5-3-2 com Barzagli lateral ou zagueiro e Daniel Alves fazendo o corredor pela direita. Na esquerda, Mandzukic volta na recomposição e busca a diagonal para se juntar a Dybala e Higuaín (Tactical Pad).

(Estatísticas: UEFA)

 


A Juventus está pronta para tudo. Um timaço na acepção da palavra
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André Rocha

Foi difícil entender a opção de Leonardo Jardim por espelhar o sistema com três zagueiros da Juventus, deixando Fabinho e Lemar, pilares do meio-campo, no banco. O Monaco perdeu volume de jogo e presença ofensiva no primeiro tempo. Bernardo foi o mais prejudicado, isolado na articulação.

Melhor para o time italiano em sua arena, que novamente variou o desenho tático de acordo com os movimentos de Daniel Alves e Barzagli pela direita. Com a vantagem de dois gols, permitiu que o adversário tivesse a posse, mas controlou o jogo e criou as oportunidades mais claras.

Gol de Mandzukic em jogada bem trabalhada iniciada com um contragolpe. O centroavante típico de 30 anos que fecha o setor esquerdo na segunda linha, à frente de Alex Sandro e ainda infiltra em diagonal na velocidade para finalizar e se juntar a Higuaín.

Tão surreal quanto a fase de Daniel Alves. De novo foi lateral, meia e ponta. Colocou no bolso o ótimo Mendy, transformado em ala por Jardim. Passador na jogada do primeiro gol. Também finalizador preciso em um golaço no rebote que praticamente sacramentou a classificação para a final da Liga dos Campeões, contra Real Madrid ou Atlético de Madri.

Mesmo com o segundo tempo mais que digno do time francês. Com Fabinho e Lemar em campo. Com Mbappé, jovem candidato a gênio, tirando o lacre do sistema defensivo da Vecchia Signora no mata-mata. Mantendo superioridade na posse e aumentando o número de finalizações.

Mas não havia o que fazer. Porque a Juventus de Massimiliano Allegri tem um nível de concentração absurdo na execução de seu modelo de jogo complexo e completo, que sabe variar posse de bola e jogo em transição, na velocidade. De solidez impressionante, que sabe exatamente o que quer em todos os momentos.

Um timaço na acepção da palavra que irá a Cardiff no dia 3 de junho para buscar o título que não vem desde 1996. Venha quem vier. Coletivamente e na força mental, nunca pareceu tão pronto.


Juventus, o time de verdade que o Monaco ainda não tinha enfrentado
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André Rocha

O jovem e ofensivo Monaco encanta na temporada europeia pela volúpia ofensiva, o estilo leve e solto nas duas linhas de quatro que se transformam num 4-2-2-2 à brasileira quando os meias Bernardo Silva e Lemar ganham liberdade para criar por dentro.

A equipe de Leonardo Jardim tem todos os méritos por voltar a uma semifinal de Liga dos Campeões depois de 13 anos. Mas, a rigor, tinha enfrentado até aqui no mata-mata do torneio continental dois times jovens, que também têm seus momentos de encanto. Mas oscilam demais.

Só que o Manchester City de Pep Guardiola pecou pela irregularidade e pelos gols perdidos de Kun Aguero e o Borussia Dortmund, no mundo ideal e alheio ao “the show must go on”, não podia ter encarado partida decisiva um dia depois de sofrer o atentado que mandou seu zagueiro Bartra para o hospital. Não há força mental que resista.

Concentração foi exatamente a arma da Juventus no jogo de ida. Alternando o 5-3-2 com as duas linhas de quatro e Dybala se aproximando de Higuaín. Com Daniel Alves sendo lateral, meia e ponta. Também o assistente que consagrou Messi no Barcelona. Desta vez, dois passes espetaculares para Higuaín enfim ser decisivo na reta final da Liga dos Campeões.

O trio Barzagli-Bonucci-Chiellini teve algum trabalho com Falcão e Mbappé, mas quando foram superados havia Buffon pela frente. Explica muito os míseros dois gols sofridos pela Juve na Champions. Nenhum no mata-mata.

Mas não só. Coletivamente é fortíssima. Com e sem a bola. Melhor exemplo é a jogada construída desde a defesa no primeiro gol até a assistência de calcanhar de Daniel Alves para o argentino que se atrapalhou em dois lances grotescos. Mas decidiu.

Mesmo. É praticamente impossível o Monaco reverter em Turim. Só não é 100% porque estamos falando de futebol. E de um Monaco que marcou 95 gols em 34 partidas na liga francesa. Mas desta vez enfrentou um time de verdade. Sólido, vivido, consciente. Envolvente e quase intransponível.

Se não houver nenhuma aberração na volta, que final teremos em Cardiff entre Real Madrid e Juventus!

 


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