Blog do André Rocha

Arquivo : diego

Cruzeiro, justo campeão! Mas fraca final é novo alerta para o nosso futebol
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Gilvan de Souza (Flamengo)

O Cruzeiro foi o time do melhor goleiro, nos 180 minutos e na disputa por pênaltis. O título da Copa do Brasil também premiou o trabalho mais longo e consolidado de Mano Menezes, mantido mesmo quando muito questionado no momento de baixa.

A campanha é inquestionável, por ter sido construída desde as fases iniciais e, principalmente, por ter eliminado na semifinal o Grêmio, único brasileiro sobrevivente na Libertadores e que (ainda) pratica o melhor futebol do país.

A disputa final, sim, é que deixou a desejar. Não só pela tensão característica das decisões e pelo muito que estava em jogo no confronto entre clubes que investiram tanto e não tinham uma conquista recente mais pesada para validar o esforço, na nossa mentalidade tão imediatista e que condiciona o trabalho correto ao resultado final.

Cruzeiro e Flamengo protagonizaram um típico jogo entre grandes no Brasil: práticas atualizadas no trabalho defensivo e ainda muito arcaicas e insipientes para justamente superar esse bloqueio com ocupação mais inteligente dos espaços.

Muita preocupação em compactar setores, estreitar o cerco na frente da área para evitar as infiltrações pelo centro ou nas diagonais, evitar superioridade numérica em todos os setores, especialmente pelos flancos. Muita pressão sobre o adversário que está com a bola no terço final do campo, onde nasce a jogada criativa para a finalização.

Por isso Reinaldo Rueda preferiu mandar Everton para o sacrifício, mesmo voltando de lesão. Ele e Berrío executaram a função de ida e volta nas pontas, apoiando os laterais Pará e Trauco. No meio, a proteção de Cuéllar e Willian Arão e Diego, mais uma vez, muito lento, prendendo demais a bola, atrasando as transições ofensivas e fazendo o time depender demais do trabalho de retenção de bola e pivô de Paolo Guerrero na frente.

Mano Menezes teve que conviver com lesões que o obrigaram a mexer na equipe. Primeiro Raniel, logo aos cinco minutos. O jovem atacante, escalado para atacar os espaços e acelerar para cima dos veteranos Rever e Juan, nitidamente somatizou tanta ansiedade e distendeu as duas coxas. Entrou De Arrascaeta, que mudou a dinâmica na frente sem a referência e o time ficou sem profundidade, especialmente à direita com Robinho, que é mais um ponta articulador e não tem o apoio de Ezequiel, que guarda mais o setor.

O meia saiu no intervalo, também por questões físicas, para a entrada de Rafinha, que foi ocupar o espaço à direita com mais intensidade e rapidez. Mas ainda sem aproveitar bem os contra-ataques. Seguiu assim pela esquerda quando Alisson sentiu e deu lugar a Elber.

No Mineirão, o time mandante não se preocupou em ter a posse e tomar a iniciativa. Controlava os espaços, negava brechas aos adversários, fechava o centro e induzia o oponente a abrir a jogada e forçar o cruzamento, mais simples de ser interceptado. Ainda mais contra um Flamengo novamente tendo a bola, mas sem saber bem o que fazer com ela.

No final, foram 53% de posse rubro-negra e 15 finalizações, quatro na direção da meta de Fabio. A mais difícil no final, em jogada pessoal de Guerrero, que cresceu quando Lucas Paquetá entrou na vaga de Everton. O jovem meia procurava o centro para articular com Diego e Arão e abria espaço para o peruano fazer sua jogada característica: receber na esquerda, cortar para dentro e bater para o gol. Sem o sacrifício pelo centro, sempre tendo que girar para servir ou tentar o chute.

O Cruzeiro viveu de uma ou outra incursão pela esquerda, com a movimentação de Arrascaeta indefinindo a marcação de Pará e a cobertura de Rever. Teve a grande chance na saída grotesca da meta de Alex Muralha que o camisa dez uruguaio não aproveitou na segunda etapa. Foram 13 conclusões, só uma no alvo.

Os números de jogadas finalizadas dão a impressão de um jogo bonito, até aberto, com ações bem elaboradas. Mas eis o ponto crucial no futebol jogado atualmente no Brasil: as finalizações acontecem, mas a marcação é tão próxima e intensa que as oportunidades cristalinas são raríssimas. Os chutes mascados, as cabeçadas em divididas. Poucas tabelas e triangulações com o passe diferente que surpreende. Ou a jogada combinada que começa de um lado e na inversão pega o rival em inferioridade numérica para buscar a linha de fundo e encontrar um companheiro livre.

Não acontece porque o futebol brasileiro, na sua pressão insana por resultados imediatos, obriga os treinadores a primeiro “arrumar a cozinha”. E os conceitos mais modernos são uma sofisticação do “fechar a casinha”. Na frente? Ou pressiona e tenta roubar a bola perto da meta adversária, ensaia a bola parada ou depende do lampejo dos mais talentosos. Se treina pouco o ataque. No máximo um campo reduzido, mas sem maiores orientações.

É pouco. Foi insuficiente em Belo Horizonte para definir o campeão nos 90 minutos. Na disputa por pênaltis, a Muralha, grande personagem da final por todo o contexto, foi no mínimo infeliz na “estratégia” de pular sempre no canto direito. Piorou com a enorme competência do time celeste nas cobranças.

O Flamengo tinha um elo fraco na meta e outro em Diego, coroado craque da competição, mas de atuações pífias na reta final. Sem confiança, cobrou mal e Fabio pegou. Quinto título cruzeirense, quarto vice do time carioca. Emoção e festa depois da cobrança de Thiago Neves que chegou a gerar uma pequena polêmica por um suposto segundo toque na bola no meia que escorregou. Nada ilegal.

Venceu o melhor, ou o mais bem sucedido em sua estratégia. A bola jogada, porém, não foi para se guardar na memória. Mais uma vez. A fraca final é outro grito de alerta para o nosso jogo, que precisa fechar o ciclo e se modernizar também quando estiver com a bola. Começa a ficar urgente.

(Estatísticas: Footstats)

 


A melhor atuação do Flamengo com Rueda, mas Chapecoense não é parâmetro
Comentários Comente

André Rocha

Reinaldo Rueda manteve Trauco e Everton Ribeiro fazendo a dupla pela esquerda no 4-2-3-1 habitual do Flamengo, depois da boa atuação na vitória por 2 a 0 sobre o Sport pelo Brasileiro. Também pelas ausências de René e Everton, mais a insegurança de Rodinei no trabalho defensivo pela direita.

Com o meia mais criativo pela esquerda e Berrío do lado oposto o quarteto ofensivo deu liga porque a movimentação do camisa sete para dentro procurando Diego na articulação abre espaço para o apoio do lateral e o deslocamento de Guerrero por ali, buscando a diagonal ou permitindo infiltrações de Diego, Willian Arão ou mesmo Cuéllar pelo centro.

Os volantes marcaram os dois primeiros gols no triunfo por 4 a 0 que valeu a classificação para as quartas-de-final da Copa Sul-Americana. Porque a Chapecoense era compacta no 4-1-4-1,  mas os meio-campistas não pressionavam os adversários e a última linha defensiva ficava exposta e, pior, mal posicionada, permitindo as infiltrações em diagonal.

Ofensivamente só incomodava com o equatoriano Penilla, inicialmente pela esquerda e depois procurando o lado direito. Aproximar Arthur Caike de Wellington Paulista não funcionou e deixou ainda mais espaços entre as intermediárias.

Por isso o Fla sobrou na Arena da Ilha na melhor atuação coletiva sob o comando de Rueda. Mesmo com Diego atrasando alguns contragolpes e Berrío se equivocando nas tomadas de decisão. Problemas compensados por belas atuações dos volantes e a perfeição de Juan na defesa e na frente, completando os 3 a 0 no rebote de cabeçada de Guerrero, outro destaque, mesmo não indo às redes. Lucas Paquetá entrou e completou a goleada, completando bela assistência de Everton Ribeiro.

Foram 57% de posse de bola e 14 finalizações do Fla – oito no alvo, bem diferente do “arame liso” de outros jogos. O dobro da Chape. Uma medida da distância entre as equipes no campo.

Um desempenho animador se o Fla pensar na sequência de Brasileiro e Sul-Americana, porque para a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro o time não terá Everton Ribeiro. Mas vale uma ressalva: a Chapecoense não tem sido um bom parâmetro para avaliar a evolução da equipe.

No Brasileiro, os 5 a 1 no mesmo estádio parecia um marco de recuperação do time comandado por Zé Ricardo, mas seguiu oscilando até a crise que culminou com a mudança no comando técnico. De qualquer forma, fica a impressão de que a combinação de características dos jogadores encontrou um melhor encaixe. Vale observar a sequência de jogos.

(Estatísticas: Footstats)


Uma convocação para questionar Tite: afinal, quais são os critérios?
Comentários Comente

André Rocha

Tite fala em meritocracia, observar jogadores atentamente nos principais centros – não só jogos, mas também treinamentos. Avaliar potencial e desempenho nos clubes, mas também o lastro de experiência, inclusive na seleção.

Tudo muito justo. E o momento, de fato, é de testes, experiências e observações. Abrir o leque, deixar claro para os jogadores que não há nada fechado ou consolidado para o Mundial do ano que vem.

Mas nada, absolutamente nada justifica a convocação de Diego Ribas, do Flamengo. Vivendo uma fase de atuações pífias pelo Flamengo. Fez o gol da classificação para a final da Copa do Brasil e não mais que isso. Erros técnicos, o velho defeito de prender demais a bola e atrasar a tomada de decisão.

Convocar Diego é um tapa na cara de todos que esperam uma oportunidade. Até o redivivo, mas sempre contestado Paulo Henrique Ganso vive um melhor momento no Sevilla. Para não mencionar Lucas Lima, novamente destaque no Santos.

Diego Tardelli tem 32 anos, atua na China e, mesmo vivendo bom momento (11 gols em 13 partidas) soa absurdo. Se fosse alguém com amplo histórico na seleção, com conquistas e capacidade de impor respeito aos adversários seria compreensível. Neste momento é outro murro nas possibilidades de quem está brilhando em outros centros. Até Malcom, ex-Corinthians, voando no Bordeaux e que trabalhou com Tite no título brasileiro de 2015.

Mesmo Arthur pode ser questionado, apesar de todas as qualidades de meio-campista atual, que marca e joga. Porque dá a impressão de que um curto período de brilho jogando no futebol brasileiro vale mais do que atuações consistentes por mais tempo em ligas mais competitivas. Como, por exemplo, Allan do Napoli e Fabinho do Monaco. O mesmo vale para o retorno de Fred, do Shakhtar Donetsk.

E se Arthur é convocado pelo que fez no Grêmio, por que não Pedro Rocha, igualmente protagonista e que poderia ser chamado na vaga de Diego Tardelli? Se a ideia é testar uma alternativa ao Roberto Firmino, por que não Jô, que, inclusive, abriria a possibilidade de experimentar um centroavante com características de pivô? Se desempenho na China vale, por que não Ricardo Goulart na vaga de Diego?

Afinal, quais são os critérios, por mais subjetivos que sejam? As respostas na coletiva mais confundiram que esclareceram. E, infelizmente, a pergunta direta sobre a ausência, mais uma vez, do goleiro Vanderlei carregou uma ironia que deu a deixa para o desvio da questão central: o mérito.

No mais, a manutenção de uma base que formará o time titular é compreensível para enfrentar Bolívia na altitude e Chile campeão da Copa América e em busca de uma vaga na Copa. As novidades da lista é que foram mais que questionáveis.

Tite tem créditos. Muitos. Inegável seu trabalho abnegado de observação e estudo. Mas não pode ser blindado. O mais importante a partir de agora é experimentar. Nesta primeira lista, as escolhas não foram das mais felizes.

[Em tempo, para não ser injusto: Danilo é uma boa opção. Fagner vem mal no Corinthians e convém pensar em um outro nome para reposição ao Daniel Alves]


Como o Flamengo pode esperar resultados diferentes de escolhas semelhantes?
Comentários Comente

André Rocha

O Flamengo do empate sem gols na Arena Condá não teve desta vez os elos fracos que costumam comprometer o desempenho coletivo com falhas individuais. A escalação foi bastante coerente, considerando as últimas partidas sob o comando de Reinaldo Rueda.

O problema não foi a falta de entrega em campo ou fibra. Até porque esse time costuma se abater quando sofre um gol e não foi o caso em Chapecó, apesar das boas oportunidades da equipe catarinense no segundo tempo. Principalmente depois da entrada do equatoriano Penilla que deitou e rolou sobre Rodinei.

O velho clichê “Queremos raça!” gritado nas arquibancadas nem sempre é a solução para todos os problemas. Muitas vezes o time não é “sem vergonha”, ainda que não seja um exemplo de superação ou garra. O jogo é que não flui, por uma série de fatores.

Como as características dos jogadores que não combinam. Quem vê o lado direito com Rodinei e Berrío, dois velocistas sem grande leitura de jogo e senso coletivo, percebe que a presença de Everton Ribeiro como ponta articulador daria ao setor a qualidade no passe e o deslocamento para o lateral ultrapassar.

Mas para isso é necessário que Diego, o meia central do 4-2-3-1 rubro-negro, se apresente para tabelas rápidas ou infiltre no espaço certo. Como, por exemplo, Ricardo Goulart fazia com perfeição no Cruzeiro bicampeão brasileiro. Mas o camisa dez, ao menos na numeração da Copa Sul-Americana, prefere recuar para tentar organizar o jogo a usar o seu bom poder de finalização.

Mesmo com o meio-campo mais qualificado depois da efetivação de Cuéllar e Willian Arão à frente da defesa. A saída de bola ficou mais limpa e poderia encontrar Diego adiantado, perto da zona de decisão. Com essa dinâmica dos meias criativos o ataque podia, enfim, depender menos do trabalho de pivô de Paolo Guerrero.

O peruano precisa recuar sempre e aparece ou se desloca menos para buscar a finalização. Serve mais do que é abastecido. Abre na ponta e quando chega na área a jogada é previsivel. Porque os ponteiros Berrío e Everton não surpreendem, com exceção do drible do colombiano que resolveu a semifinal da Copa do Brasil.

Torneio, aliás, que há algum tempo vem norteando a montagem do time titular. Por isso Everton Ribeiro perdeu espaço. Mas Berrío não pode, por isto, ser considerado intocável, absoluto.

Uma jogada eventual que parece garantir uma sobrevida entre os que ganham mais minutos, além do fato de ter trabalhado com o treinador no Atlético Nacional. A produção, porém, não é consistente. Muitos erros técnicos ou na leitura das jogadas.

O resultado final é um time travado, com um ou outro lampejo. Porque parece pronto para os contragolpes, mas pelo peso da camisa e por conta da badalação  (exagerada) do  elenco, se coloca como protagonista nas partidas, se instala no campo de ataque e troca passes. Mas sem espaços não consegue acelerar. Um paradoxo.

Por isso o ataque “arame liso”, que cerca mas sofre para furar a defesa do oponente. Sem criatividade e contundência. Exatamente pela falta de ideias. Talvez intimidadas pela necessidade de vitórias e títulos. Era assim com Zé Ricardo, segue com Rueda, que sabia que precisava dar uma resposta imediata no desempenho para obter vitórias a curto prazo.

Mas como obter resultados diferentes com escolhas semelhantes? Com uma ou outra mudança, por necessidade ou convicção do novo treinador, a essência é a mesma, principalmente nas ações ofensivas. O fluxo de passes segue muito parecido quando se aproxima da área adversária. Ainda a bola que gira, perde tempo com Diego que sempre prende, no mínimo, um segundo a mais. Passa por Guerrero, chega a Arão até parar no flanco, mesmo que cruzando, na média, menos que nos tempos de Zé Ricardo.

Deficiências já conhecidas e não corrigidas. Hora de fugir das explicações de sempre e encontrar novas soluções a tempo de salvar o ano em que o orçamento permitiu mais investimentos no futebol. Fechar 2017 apenas com um título estadual será bem pouco para quem gasta tanto.


Flamengo com Rueda: sem “mágica”, só o impacto da mudança. Por enquanto
Comentários Comente

André Rocha

Três vitórias, um empate. Nenhum gol sofrido. Classificação para a final da Copa do Brasil. Não há como negar que o saldo do início do trabalho de Reinaldo Rueda no Flamengo é bem positivo.

Só que a análise tendo como base apenas resultados e números frios carregam algumas convicções um tanto distorcidas. A maior delas de que houve uma transformação “mágica” no modelo de jogo em duas semanas, sem tempo para treinamentos, com duas partidas a cada sete dias, sendo uma com time praticamente reserva. Apenas no papo e no carisma.

É preciso primeiro analisar o contexto. A saída de Zé Ricardo marcou o fim de um período de desgaste absurdo, com o treinador sendo questionado em praticamente todas as suas decisões, jogadores perseguidos e problemas claros, evidentes, porém não corrigidos.

Tudo isso com um clássico estadual valendo vaga na decisão de um grande torneio nacional. Reinaldo Rueda chegou com aval de boa parte da torcida, que inclusive fez campanha para a sua contratação nas redes sociais. Ou seja, a mobilização estava construída.

Efeito imediato: atletas que não vinham ganhando oportunidades renovaram o ânimo, titulares absolutos temendo perder espaço voltaram a se concentrar. Todos atentos, com um objetivo a curtíssimo prazo e sem terra arrasada, já que o trabalho de Zé Ricardo, se analisado no todo, deixou ao menos uma ideia de como aproveitar melhor as peças do elenco.

Nem que seja por seus erros. O experiente Rueda já tinha a solução para a grande discordância do torcedor com o comandante anterior: Márcio Araújo. O colombiano conhecia bem Cuéllar, havia indicado o compatriota ao Atlético Nacional e a mudança foi natural.

Rafael Vaz foi aproveitado apenas na lateral-esquerda contra o Atlético-GO. Outro elo fraco no banco. Alex Muralha, que iniciou a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil acabou expulso e deixou a vaga para Thiago. No Brasileiro, Diego Alves é absoluto. Mais um problema resolvido.

Para corrigir as deficiências no trabalho defensivo, soluções simples: acabou com a saída de bola “lavolpiana”, com zagueiros abrindo, volante recuando e laterais se projetando e se expondo demais no caso de perder a bola. Agora a equipe sai com jogadores mais próximos, de forma cuidadosa. Willian Arão recua com Cuéllar para dar opção.

Os laterais apoiam alternadamente. Com a lesão de Renê e a falta de confiança em Trauco depois da atuação catastrófica na derrota para o Atlético Mineiro que Rueda assistiu no estádio em Belo Horizonte, a efetivação de Pará foi o símbolo dessa busca por mais segurança.

Rodinei também adota posicionamento mais conservador pela direita. Mas as dificuldades ainda estão lá, como olhar a bola e esquecer o atacante na disputa com Guilherme no início da segunda semifinal no Maracanã. Um gol do Botafogo podia ter mudado a história do confronto.

Ofensivamente, a estrutura da equipe titular, até pela impossibilidade de escalar Everton Ribeiro e Geuvânio na Copa do Brasil, se manteve como nos tempos de Zé Ricardo: quarteto ofensivo do 4-2-3-1 com Diego centralizado atrás de Guerrero e dois ponteiros. Um Berrío confiante com a chegada do treinador com quem ganhou tudo no Atlético Nacional e Everton do lado oposto.

Outra mudança básica atendendo a pedidos, ou porque saltava aos olhos mesmo: reduzir o número de cruzamentos. A equipe rubro-negra retomou a ideia de trabalhar mais as jogadas com triangulações pelos flancos. Rodinei, Berrío e Arão pela direita; Pará, Everton e Diego à esquerda. De mais de quarenta caiu para 25 na média.

Se ganhou as infiltrações do redivivo Arão e não depende mais tanto do pivô de Guerrero, Diego continua com dificuldades para fazer o jogo fluir mais rápido. Apesar dos gols contra Botafogo e Atlético-PR, o meia segue atrasando boa parte das ações ofensivas ao dominar, girar, dar mais um toque e só então soltar a bola. Quando não é desarmado pela marcação pressionada do adversário. Mesmo respeitando as características do jogador é algo a ser minimizado, ao menos.

Ou seja, não há mágica. Elenco motivado, torcida apoiando, um grande treinador dando seus toques e efetuando correções para erros grosseiros. Como um segundo olhar na revisão de um texto ou a opinião de alguém de fora de um problema. Sem transformações, porém. Por enquanto.

Para usar o exemplo mais impressionante dos últimos doze meses, Tite conseguiu vitórias fundamentais no início do trabalho na seleção brasileira, mas o salto de desempenho veio na sequência, depois de um período maior de observação e análise e mais sessões de treinamentos.

Sem a intenção de comparar currículos e contextos, cabe lembrar as cinco vitórias seguidas do Flamengo sob o comando de Vanderlei Luxemburgo em 2014 e as seis de Oswaldo de Oliveira no ano seguinte para ilustrar e reforçar a ideia de que o impacto de uma mudança no comando técnico pode ser algo efêmero, circunstancial. Movido mais pela motivação e que pode ser diluído se o trabalho não for consistente.

A mobilização continua com a primeira final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro no dia sete de setembro, os confrontos com a Chapecoense na Sul-Americana e até mesmo o pequeno sopro de esperança no Brasileiro com as derrotas do líder Corinthians.

Cabe a Rueda seguir trabalhando para adicionar conteúdo, afinar a sintonia com os comandados e, enfim, estabelecer sua filosofia de jogo. Consolidar uma evolução. O início já se mostra promissor. Mas é só um começo, sem magia ou milagre.


De Berrío para Diego. Na jogada diferente, Flamengo na sétima final
Comentários Comente

André Rocha

O cenário do jogo no Maracanã com 90% de rubro-negros sinalizava a decisão por pênaltis.

Porque a tensão, o Botafogo negando espaços e sem Rodrigo Pimpão como válvula de escape e o Flamengo mais uma vez com dificuldade para criar espaços, além da arbitragem do goiano Wilton Sampaio parando demais o jogo com faltas (37 no total), facilitavam o trabalho dos sistemas defensivos.

No primeiro tempo, a rigor, foram duas chances. Uma cristalina, de Guilherme completando centro da direita de Roger após falha de Rodinei, que ficou olhando para a bola e deixou o atacante completamente livre para cabecear para fora. Outra de Guerrero, em virada que fez Gatito Fernández trabalhar. O atacante peruano, de volta ao time no sacríficio, foi fundamental mais uma vez no trabalho de pivô.

45 minutos de 54% de posse da equipe de Reinaldo Rueda, armada num 4-2-3-1 com Pará improvisado na lateral esquerda e o peruano Trauco no banco, e cinco a quatro nas finalizações – duas do Fla contra nenhuma dos alvinegros.

Segunda etapa de mais eletricidade e equilíbrio nas ações. O Bota repetia o 4-3-1-2 variando para as duas linhas de quatro e sofria atrás sem Joel Carli. Marcelo Conceição, o substituto, cometeu pênalti, segundo as novas orientações da FIFA, em virada de Guerrero.

Cuéllar podia ter sido expulso por entrada duríssima em Matheus Fernandes, mas menos digna de expulsão que a de Pimpão em Berrío na ida no Nílton Santos. O volante colombiano, porém, foi novamente preciso em desarmes, antecipações e passes. O melhor nos 180 minutos.

Quando o Cruzeiro marcou com Hudson no Mineirão, o cheiro de penalidades definindo os finalistas da Copa do Brasil ficou mais forte. Porque as partidas decisivas novamente careciam de cuidado com a parte técnica. Bola jogada mesmo. A insanidade de tratar qualquer partida eliminatória como “jogo pra ganhar” e não jogar. Muita disputa física, pouco risco.

Até que o improvável aconteceu. Berrío, apesar da fibra, do vigor físico e da velocidade habituais, novamente vinha errando em algumas tomadas de decisão e sem conseguir superar Victor Luis. Talvez por isso tenha surpreendido o lateral do oponente com um drible espetacular, de Neymar, na linha de fundo. Clareou tudo.

Principalmente o passe para Diego. O heroi que novamente não teve bom desempenho. Errando ao tentar dominar e girar contra uma marcação muito estreita, sem respiro na pressão. Mas de novo a entrega foi absoluta e, quando pisou na área adversária e recebeu com liberdade, o toque foi de primeira e cirúrgico.

Gol único de uma vitória que só não foi mais ampla porque Vinicius Júnior, substituto de Berrío, demorou a finalizar à frente de Gatito num contragolpe mortal. Desta vez sobraram concentração e espírito de decisão ao Fla. Rafael Vaz substituiu o lesionado Réver e jogou simples, sem preciosismo, ao lado de um Juan preciso.

O Botafogo de Jair Ventura finalizou apenas uma vez no alvo em 180 minutos. Apostou tudo no erro do rival que não foi aproveitado no primeiro tempo por Guilherme. A punição veio na jogada diferente, que desmonta a defesa. De Berrío e Diego, investimentos do clube com finanças saneadas.

O Flamengo se impôs com 57% de posse e nove finalizações. Rateou na Libertadores e sonhava estar na condição do Botafogo no torneio continental. Mas vai à sua sétima final de Copa do Brasil para buscar o quarto título e igualar o Cruzeiro, o adversário definido nas cobranças de pênalti no Mineirão.

Decisão sem favoritos, ao contrário da de 2003, vencida com facilidade pela equipe celeste histórica de Vanderlei Luxemburgo e Alex. Que seja mais jogada que brigada e o talento prevaleça, como na noite de clássico carioca no Maracanã.

(Estatísticas: Footstats)

 


Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
Comentários Comente

André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo x Flamengo: caminhos opostos que se cruzam na semifinal nacional
Comentários Comente

André Rocha

Um time que, ao menos em tese, pode tudo no futebol brasileiro. Mas que parece não fazer muita questão, ou não saber muito bem como chegar ao topo. Outro que constrói suas vitórias e só tem chance de ir longe exatamente por querer muito.

O Flamengo do elenco milionário, ainda que não possa escalar as contratações mais recentes na Copa do Brasil. O Botafogo dos recursos limitados, perdendo peças e se virando com o que tem. Os rubro-negros que venceram o Carioca e estão fora da Libertadores. Alvinegros que pelejaram no torneio continental desde as fases preliminares e, por isso, foram obrigados a priorizá-lo, deixando o estadual um pouco de lado.

A equipe de Jair Ventura achou no gol de Joel Carli logo aos quatro minutos de jogo no Nilton Santos a solução para não ser obrigado a propor o jogo e fugir da maneira de atuar com a qual se sente mais confortável. Início com intensidade, marcação no campo de ataque e apoio da torcida para sair na frente o mais rápido possível.

Deu certo. Ainda mais contra um Atlético Mineiro exposto, que adiantou as linhas, teve 62% de posse e efetuou 34 cruzamentos. Mas de 11 finalizações apenas duas foram na direção da meta de Jefferson. Já o Botafogo teve 22 desarmes corretos contra apenas oito do oponente e acertou quatro finalizações no alvo, num total de dez.

Assim construiu os 3 a 0 com gols de Roger e Gilson, um em cada tempo, já perto do final para não dar chances de reação ao adversário. Até quando vai às redes o time parece fazer na hora certa, sabendo o que quer.

O Flamengo também deu essa impressão, ao abrir o placar cedo na Vila Belmiro com o gol de Berrío completando belo passe de Diego – mais um que ele encaixa com precisão em contragolpe, com espaço. Mas, ao contrário de Jair Ventura, Zè Ricardo não consegue compensar coletivamente as limitações de seus comandados.

Ou dos que escolhe, como a inexplicável opção pelo retorno de Alex Muralha no gol, deixando Thiago no banco. Como se os 2 a 0 da Arena da Ilha não fossem reversíveis. Ou a Copa do Brasil, já nas quartas de final, fosse um torneio menos importante para um time que está 12 pontos atrás do líder Corinthians no Brasileiro.

Mesmo fazendo o segundo gol com Guerreiro no início da segunda etapa, após sofrer o empate com Bruno Henrique e ter corrido o risco de levar a virada no pênalti assinalado por Leandro Vuaden e depois invalidado com a ajuda do quarto árbitro, que observou que Rever tocou na bola na disputa com Bruno Henrique, o Flamengo conseguiu se complicar.

Porque a reunião de elos fracos sempre pode comprometer, ou ao menos complicar. Rafael Vaz vacilou e cedeu escanteio bobo, empate com Copete. Márcio Araújo perdeu duas disputas na proteção da retaguarda, a bola sobrou para Victor Ferraz marcar 3 a 2 e fazer a remontada parecer possível no modo “briga de rua” do time de Levir Culpi. Jogo aberto com 29 finalizações – 16 do Santos e 13 do Fla.

A noite na Vila Belmiro só não foi histórica para o alvinegro praiano pelo cansaço de quem sempre teve que subir a ladeira na partida e porque o gol de Copete, em nova hesitação de Muralha, saiu no último minuto dos quatro de acréscimo. No 39º cruzamento na área do time carioca, que perdeu força nos contragolpes com a entrada de mais um elo fraco: Gabriel. Com Mancuello e Vinicius Júnior no banco. A vaga veio mesmo no gol “qualificado”. Ou por não ter sido vazado no Rio de Janeiro. Com Thiago na meta.

Mesmo classificado, o Flamengo novamente deixou o campo num jogo eliminatório exalando fragilidade, sem transmitir a mínima confiança. O que os argentinos chamam de “pecho frio”. Exatamente o contrário do “cascudo” Botafogo. De Jefferson que voltou com autoridade à meta, de Matheus Fernandes, 19 anos com a serenidade de um veterano no meio-campo. Do Roger da bela história de vida com Giulia, sua filha deficiente visual. Do incansável Pimpão.

De uma força mental que parece inabalável no mata-mata. Na semifinal da Copa do Brasil e com classificação encaminhada para as quartas da Libertadores. Subindo e descendo no Brasileiro, mas com campanha digna, na disputa do G-6. Sem recursos generosos, sem holofotes. Mas com aquilo que é difícil definir e, na falta de um nome, chamam de alma.

O que o Flamengo vai precisar tirar de onde até agora não se viu para chegar à sua sétima final de Copa do Brasil. Porque, até pela rivalidade fortalecida recentemente nos bastidores, o Botafogo vai deixar tudo em campo nas duas partidas. E não é pouco.

Os caminhos opostos vão se cruzar no clássico carioca que vale vaga numa decisão nacional. No papel há um favorito. No espírito, outro. Como balanços e relatórios de finanças não entram em campo, o Bota hoje parece mais forte.

(Estatísticas: Footstats)


Precisamos falar sobre a arbitragem de Flamengo x Palmeiras
Comentários Comente

André Rocha

Sim, o Flamengo novamente esbarrou em suas próprias deficiências – nulidade de Márcio Araújo na construção das jogadas que sobrecarrega Diego, que conduz demais a bola e se desgasta e sacrifica Everton Ribeiro, que não encontra um companheiro para dialogar e nitidamente sente a sequência de jogos a cada três dias.

Sem contar a proposta de jogo previsível e que, mesmo vencendo, insistiu em adiantar as linhas, ficar com a bola e novamente não transformar a superioridade nítida no primeiro tempo em mais gols além do chute de Pará e da vitória de Guerrero contra Luan depois de uma ligação direta para empatar o primeiro tempo.

Porque o time da casa levou a virada na Ilha do Governador em dois contragolpes com a última linha de defesa adiantada e espaçada. Melhor para Roger Guedes e Willian. Novamente Zé Ricardo foi infeliz nas substituições e o time caiu de produção. Na chance que teve para alcançar a vitória, Diego cobrou mal o pênalti e Jailson, surpresa de Cuca na escalação barrando Fernando Prass, fez bela defesa.

Sim, o Palmeiras mais uma vez sofreu com os encaixes e as perseguições individuais, marcas da ideia de jogo de seu treinador. Muito do domínio dos rubro-negros na primeira etapa foi pela fragilidade e espaçamento do sistema defensivo alviverde. Facilitando o principal ponto de distribuição do quarteto ofensivo do oponente: o pivô de Paolo Guerrero. O peruano recuava, atraía os zagueiros Mina e Luan e servia seus companheiros de ataque, em vantagem na velocidade sobre seus marcadores.Especialmente Michel Bastos no primeiro tempo, atuando como lateral. Uma avenida.

Mas Cuca foi perspicaz no segundo tempo. Trocou o posicionamento de Bastos e Zé Roberto, que mesmo servindo Willian no primeiro gol saiu do meio-campo para a lateral  guardar seu posicionamento e fechar o setor do apoio de Pará. Armou duas linhas de quatro, liberando Dudu, que não voltou com o lateral do Fla no primeiro gol, para jogar mais solto, fazendo “sombra” em Márcio Araújo e se aproximando de Borja.

O substituto do lesionado Willian perdeu a chance da vitória no final em novo contragolpe com a retaguarda adversária adiantada e mal posicionada. Thiago, que não foi bem no enfrentamento com os atacantes palmeirenses no primeiro tempo, salvou o Fla no chute cruzado do colombiano. Antes de ceder em breve o lugar a Diego Alves. Mais uma contratação que parece chegar tarde na temporada.

No saldo final, o empate acabou sendo o resultado mais adequado para o que foi a partida. Mas o jogo na Ilha do Governador teve um grande derrotado: Jailson Macedo Freitas. Uma típica arbitragem desastrosa do futebol brasileiro.

No primeiro tempo prejudicou demais o Flamengo. Na origem dos dois gols do Palmeiras, faltas claras de Mina sobre Guerrero. O peruano ainda foi derrubado pelo colombiano na área do time visitante em pênalti claro ignorado por Jailson. Sem contar uma disputa em que Everton Ribeiro caiu na área adversária. Lance duvidoso.

O mais absurdo, porém, foi parar o jogo para punir Bruno Henrique com cartão amarelo por agarrar Rafael Vaz antes e mesmo quando Diego bateu na bola. Ou seja, puniu o infrator antes que a falta dentro da área pudesse ser marcada. Este que escreve não se lembra de ver algo parecido em uma partida de futebol profissional

Muitos protestos de flamenguistas no estádio e nas redes sociais. Arbitragem mal intencionada?

O segundo tempo escancarou a incompetência e a vontade de compensar com outros erros os equívocos que não podiam mais ser corrigidos. Os palmeirenses cometeram 12 faltas na primeira etapa e dez na segunda. Apenas Bruno Henrique levou amarelo nos 45 minutos iniciais. Depois do intervalo, Mina, Borja, Luan, Jailson, Tche Tche, Michel Bastos, Dudu e Thiago Santos foram advertidos. Márcio Araújo e Mancuello pelo Flamengo.

Pendurou mais da metade do time do Palmeiras, passou a não marcar as faltas para os visitantes que assinalou anteriormente e na primeira queda de um jogador rubro-negro na área marcou pênalti de Michel Bastos sobre Geuvânio. Falta clara, mas menos que a de Mina sobre Guerrero no primeiro tempo. Qual o critério, afinal?

É óbvio que os erros de Jailson foram mais danosos ao Flamengo, mas já passou da hora de questionarmos compensações que muitas vezes são usadas como atenuantes por alguns comentaristas de arbitragem. O apitador erra e tenta equilibrar a balança acumulando interpretações absurdas que só irritam os dois lados e nada acrescentam.

Sim, temos um cenário em que o árbitro é pressionado demais, precisa ser profissionalizado, ainda não usufrui dos recursos tecnológicos para minimizar seus erros e muitas vezes é usado como muleta ou cortina de fumaça para atuações ruins dos times e bobagens de treinadores e dirigentes. Se acomodar na incompetência, porém, é a maior das falhas. Por isso precisamos falar de arbitragem, ainda que se prefira abordar o jogo.

Jailson Macedo Freitas estragou um clássico nacional, entre as equipes que disputaram a liderança em boa parte da última edição da Série A do Brasileiro. O mais trágico é a certeza de que não será a última vez.

(Estatísticas: Footstats)

 


Grêmio restabelece a verdade do campeonato. Hoje é mais time que o Flamengo
Comentários Comente

André Rocha

O Grêmio vive um dilema na temporada. A alma de “copero y peleador” tende a privilegiar Libertadores e Copa do Brasil, mas o desempenho no Brasileiro mostra que é possível fazer ótima campanha e ainda buscar o título.

A derrota para o líder Corinthians em casa na décima rodada abalou a convicção e veio o revés em São Paulo, com os reservas, para o Palmeiras. Na sequência, a atuação espetacular do goleiro Douglas do Avaí que combinada com dois contragolpes dos visitantes impôs mais um jogo em sua arena sem pontuar.

Ainda assim, parecia claro que em meio às tantas oscilações dos candidatos a “anti-Corinthians” o time de Renato Portaluppi ainda era o mais qualificado. Provou isso na Arena da Ilha do Governador.

Sofrendo, sim. Porque enquanto teve um mínimo de organização o Flamengo pressionou, rondou a área. Terminou com 56% de posse e finalizou 21 vezes, nove no alvo. Ainda a bomba de Everton no travessão. Mas sem a chance cristalina. Também pela falta de Guerrero, mais como o pivô que dá sequência aos ataques do que propriamente como finalizador. Leandro Damião novamente decepcionou entrando de início.

O Grêmio cometeu 19 faltas contra onze da equipe mandante. Finalizou apenas quatro vezes, três no alvo. Teve no goleiro Léo, substituto de Marcelo Grohe, um dos destaques na disputa.

Mas não o maior. Porque Luan fez a diferença no gol único da partida. Quinto dele no campeonato. Ganhou dos volantes Márcio Araújo e Cuéllar, “tabelou” com Trauco e bateu fraco, no canto do jovem goleiro Thiago que não defendeu. O camisa sete desequilibrou, mesmo perdendo chance cristalina de matar o jogo na segunda etapa.

Contragolpe iniciado por um erro grosseiro de Diego, que cumpriu sua pior atuação com a camisa do Flamengo. Além da falta dos passes criativos que este blog tanto cobra do meia, também falhou em lances bobos, simples. Atrapalhou ainda mais com a vontade de ajudar e moral que tem no elenco. Continuou sendo o responsável pelas bolas paradas e não foi substituído.

Erro de Zé Ricardo, que repetiu as “soluções” de Cuca no dérbi paulista de ontem. Empilhou atacantes e esvaziou o meio-campo com as entradas de Filipe Vizeu, Mancuello e do estreante Geuvânio nas vagas de Cuéllar, Márcio Araújo e Trauco. Levantou 23 bolas na área na segunda etapa, 35 no total. De novo os cruzamentos quando não há espaços. Faltam ideias, fica tudo entregue às individualidades.

Desorganização controlada pelo time gaúcho. Renato, que usou essa prática costumeira no futebol brasileiro contra o Corinthians, desta vez reoxigenou o meio-campo com Jailson no lugar do extenuado Arthur e depois trocou Barrios por Everton para acelerar os contragolpes. Nem foi preciso.

Porque o Flamengo, assim como o Palmeiras, tem poder de investimento, mas o dinheiro não garante boas escolhas dentro de campo. Cai da vice-liderança porque não consegue dar o salto de desempenho. Sobrecarregado na criação, Everton Ribeiro desta vez não rendeu. Também errou muito no time que pecou coletivamente por falhas individuais.

O Grêmio restabelece a verdade do Brasileiro. Ainda que mais à frente priorize outras competições e perca a segunda colocação. Hoje é mais time que o Flamengo e só fica abaixo do líder absoluto.

(Estatísticas: Footstats)