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Flamengo ainda mais líder e seguro até para abrigar os “renegados”
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André Rocha

Aos 19 minutos do segundo tempo, com 1 a 0 no placar e o Paraná de Rogerio Micale saindo mais para o ataque e rondando a área do Flamengo, Mauricio Barbieri colocou em campo Willian Arão no lugar de Jean Lucas. O jovem da base cumpriu boa atuação por dentro da linha de meias do 4-1-4-1 rubro-negro, embora não seja reposição para o talento de Lucas Paquetá na articulação.

Uma substituição controversa pela qual a torcida demonstrou contrariedade, ainda que um tanto contida pelo placar favorável e a ótima fase do time. Para compensar, a saudada entrada de Filipe Vizeu no lugar de Henrique Dourado – lutador mais uma vez, porém novamente destoando dos companheiros no desempenho.

Mas o líder do campeonato vive fase de tanta confiança e segurança que até os “renegados” são abrigados e respondem com boas jogadas. Como a infiltração de Arão, lembrando os tempos de Botafogo e até os melhores no próprio Fla, para servir Vizeu em sua despedida do Maracanã antes de partir para a Udinese. Segundo gol e jogo resolvido aos 20 minutos. Seis minutos depois, Diego saiu para a entrada de Marlos Moreno, outro que tem seu desempenho muito questionado. Mas quem se importou?

O Paraná baixou a guarda e o Fla, basicamente, jogou para que Vinícius Júnior fosse às redes no seu provável último jogo no Maracanã com a camisa do clube que o revelou e rendeu uma negociação com o Real Madrid. Mas o jovem parecia ansioso, emocionado. E não rendeu. Perdeu uma chance clara ao demorar a finalizar e só apareceu no final, em belo passe por elevação para o voleio de Everton Ribeiro que o goleiro Thiago Rodrigues salvou.

A última das nove finalizações do Fla, quatro no alvo. Contra sete do Paraná, mas nenhuma na direção da meta de Diego Alves. Muito por mais uma atuação correta do sistema defensivo rubro-negro. Com a última linha bem posicionada, mesmo com as constantes mudanças no miolo da zaga, e muita concentração de todos para pressionar logo após a perda da bola. Além disso, jogadores como Cuéllar e Renê têm sido precisos em desarmes e na tarefa de cercar o adversário e impedir o contragolpe rápido.

Um time bem distribuído em campo e que sabe o que fazer. Mesmo sem tanta criatividade, soube rodar a bola com paciência – teve 62%  de posse no primeiro tempo e terminou com 57%. Diego desta vez não foi tão objetivo na armação. Outro a sentir falta de Paquetá. Compensou com luta e sofrendo e cobrando a falta que desviou na barreira e saiu do alcance do goleiro. Para descomplicar o jogo.

Em outros tempos poderia ser uma partida perigosa pelo “oba oba” ou por uma certa acomodação pela boa vantagem na liderança, agora de seis pontos sobre Atlético-MG e São Paulo. Mas o Flamengo de Barbieri vem jogando com seriedade e consistência. Na última rodada antes da parada para a Copa do Mundo, um teste importante para confirmar a força coletiva contra o Palmeiras em São Paulo.

Ainda que em julho comece outro campeonato. Por isso a importância para o Fla de tentar até aumentar a vantagem para administrá-la especialmente no decisivo mês de agosto, com jogos seguidos contra Cruzeiro e Grêmio, incluindo Copa do Brasil e Libertadores. Sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior. E o time de melhor campanha no Brasileiro ainda pode ser alvo de mais assédio durante o Mundial – quem sabe o futuro de Paquetá?

Como será o amanhã do Flamengo? Se é impossível prever o futuro, a torcida curte a fase iluminada, na qual até Willian Arão ressurge para ser decisivo.

(Estatísticas: Footstats)


A inteligência por trás da liderança do Flamengo no Brasileirão
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André Rocha

Na coletiva depois da vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians no Maracanã, o treinador (ainda) interino Maurício Barbieri dividiu os méritos do triunfo e da manutenção da liderança do Brasileiro com os jogadores pela mudança de atitude, com a torcida pela comunhão com a equipe, com o CEP Fla (Centro de Excelência em Performance) pelo trabalho de recuperação dos atletas para jogos em sequência em um elenco que tem rodado pouco.

Um relato de Barbieri, porém, chamou atenção: “ontem, na véspera do jogo, nós fomos para o campo, mas só marcamos espaços. Os que o Corinthians oferecia, por onde a gente devia jogar. Onde devíamos ter atenção e quais movimentos o adversário fazia. Foi um ensaio sem bola e depois fomos para a sala de vídeo. Fico muito satisfeito e até surpreso com o grau de entendimento deles”.

O Flamengo em vários momentos demonstrou apatia e um certo conformismo nas derrotas. Mas sempre passou a impressão de ser uma equipe que não sabia bem o que fazer em campo para explorar o máximo de seu potencial. Faltava inteligência na montagem do time e, consequentemente, na execução em campo.

Não falta mais. Barbieri conseguiu encontrar o equilíbrio e a melhor combinação das características dos jogadores. Léo Duarte foi um dos destaques do triunfo sobre o atual campeão brasileiro porque é o zagueiro mais rápido do elenco e tem sido preciso na cobertura de Rodinei. O lateral que tem liberdade para descer bem aberto, aproveitando o corredor deixado por Everton Ribeiro que, agora sim, atua como um autêntico ponta armador.

Do lado oposto, a lógica inversa. Vinícius Júnior com sua habilidade fica bem aberto para manter no mínimo um defensor preocupado e espaçando a última linha da retaguarda. Renê então ataca por dentro, muitas vezes criando com Everton Ribeiro, Diego e Paquetá uma superioridade numérica pelo centro dificultando a marcação dos volantes adversários.

Para evitar os espaços às costas dos volantes que costumam ser bem explorados por Jadson e Rodriguinho, Barbieri fixou Jonas à frente da defesa num 4-1-4-1 e negou as brechas aos “falsos noves” corintianos. O sistema defensivo do Fla novamente deixou o campo sem ser vazado. No duelo com o time que tem em sua identidade vencedora nos últimos anos a concentração minimizando erros atrás, os rubro-negros conseguiram se sair melhor. Foram 29 desarmes corretos, quase o dobro em relação ao oponente.

Também pela excelente atuação de Diego. Não fosse um certo destempero exagerando nas reclamações com a arbitragem de Anderson Daronco que podia ter rendido um cartão vermelho além do amarelo que tira o meia do Fla-Flu, o desempenho mereceria até uma nota dez. Liderança, entrega, fibra, disciplina tática. Tudo que demonstrou na maioria das partidas que disputou pelo clube. Mas agora adicionando o essencial para um jogador com a sua função em campo: leitura de jogo e tomada de decisão corretas. Soltando mais rapidamente a bola o rendimento cresceu naturalmente. Foi o melhor em campo. Também o que mais finalizou, comprovando seu futebol mais objetivo.

Mais uma vez, Henrique Dourado destoou. E muito. Acabou deixando o campo no segundo tempo depois de errar um passe simples para Vinicius Júnior em um contragolpe que podia ter sido muito perigoso. Entrou Filipe Vizeu, o autor do gol único. Aproveitando o rebote estranho do goleiro Walter e o vacilo de Mantuan, que deixou o atacante adversário finalizar livre no seu setor. Quem diria…o Fla concentrado aproveitando um erro do Corinthians, o outrora campeão da atenção aos detalhes.

O equilíbrio está também nas estatísticas do campeonato. É o time que mais acerta desarmes e a terceira defesa menos vazada, com apenas seis gols – três contra a Chapecoense, na última derrota quando utilizou mais reservas. Ao mesmo tempo é o quarto em posse de bola e finalizações e o ataque mais positivo, com 16 gols. Defende e ataca.

O Flamengo está no topo da tabela, mas é difícil fazer qualquer projeção. Há muitas incógnitas, como o comportamento de jogadores e do inexperiente treinador em momentos mais complicados na temporada, ainda mais em ano de eleição no clube. Assim como as soluções dentro de um elenco que se mostra curto e não entrega a qualidade que promete, obrigando o treinador a mexer pouco nas peças. E ainda há as dúvidas quanto ao futuro de Vinicius Júnior e também de Paquetá, que já chama atenção de clubes europeus.

Só há uma certeza: se o time está mais intenso e ligado e a torcida está apoiando, toda esta transformação passa pela inteligência. De treinador, comissão e dos jogadores. Um time sem rumo cansa e desiste mais rapidamente. Quando se sabe o que fazer a motivação é natural para executar o planejado. Como Barbieri ensaiou na véspera e os atletas compreenderam. O resto foi consequência no Maracanã.

(Estatisticas: Footstats)


Vitória do Flamengo com consistência para reconhecer os méritos de Barbieri
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André Rocha

A vitória por 2 a 0 do Flamengo sobre o Bahia no Maracanã cheio foi construída em um primeiro tempo desorganizado e sem intensidade da equipe de Guto Ferreira. Mais uma atuação fraca como visitante nos 45 minutos iniciais que ao menos encontrou fibra e entrega na segunda etapa.

Mas o triunfo que mantém o time rubro-negro na liderança do Brasileiro tem muito mérito da equipe de Mauricio Barbieri. E é preciso reconhecer a importância do jovem treinador na transformação do time.

Os resultados são consequência da melhora significativa do desempenho coletivo que faz as individualidades aparecerem. Até do lateral Renê, outrora contestado e o melhor em campo com atuação precisa na defesa e duas assistências. Apoiando por dentro e deixando Vinicius Júnior aberto pela esquerda. Do lado oposto, a lógica inversa: Everton Ribeiro corta da direita para dentro e Rodinei ataca no corredor.

A última linha de defesa está cada vez melhor posicionada, o que acaba compensando as constantes mudanças no miolo da zaga. Até os jovens Thuler e Léo Duarte, que participaram da tragédia defensiva dos reservas na derrota por 4 a 0 para o Fluminense no Carioca, jogaram com simplicidade e precisão na vitória sobre o Atlético Mineiro no Independência. Não por acaso os três gols sofridos com o time titular. Também pelo crescimento de Diego Alves na meta.

No meio-campo, a grande transformação. Inicialmente com o recuo de Lucas Paquetá para a mudança do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1. O garoto fecha a linha de quatro por dentro, auxilia na saída de bola, organiza e pisa na área. Como no lindo toque por cima do goleiro Anderson no segundo gol.

O primeiro foi de Diego, que parece, enfim, ter compreendido que o jogo flui muito melhor quando não prende a bola facilitando a marcação. Também que o camisa dez é muito mais importante e decisivo aparecendo na área adversária para finalizar.

Ou seja, o que parecia uma missão impossível vai acontecendo. As características dos jogadores agora se combinam em campo. Quem é de velocidade tem espaço para correr, quem é de passe participa da organização e quem finaliza melhor está mais perto da zona de decisão. Só Henrique Dourado vem destoando pela dificuldade de contribuir no trabalho coletivo que só evolui. Cada vez mais consistente.

O time “arame liso” e que abusava dos cruzamentos levantou apenas oito bolas na área e venceu mesmo finalizando menos que o oponente (13 contra 17). Primeiro tempo de 61% de posse, terminando com 58%. O número mais impressionante, porém, é o de desarmes. 15 corretos e nenhum errado. Fruto de um time bem posicionado, mesmo com a reação do Bahia no segundo tempo.

Os experientes Muricy Ramalho, Reinaldo Rueda e Paulo Cesar Carpegiani não conseguiram extrair tanto do elenco do Fla. Nem o jovem Zé Ricardo, respaldado pela conquista da Copa São Paulo. Coube ao treinador sem grife, mas com conteúdo, alcançar o melhor desempenho. Talvez não termine em título, pode ser que sua falta de rodagem cobre o preço mais à frente, principalmente nos jogos grandes eliminatórios em Copa do Brasil e Libertadores.

Mas hoje é obrigatório reconhecer o trabalho de Mauricio Barbieri. A liderança do Flamengo passa fundamentalmente por sua mão na equipe.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo nas oitavas da Libertadores com boa atuação para superar o trauma
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André Rocha

É obrigatório contextualizar a situação do Flamengo para analisar a atuação da equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec no Maracanã. Valia vaga nas oitavas da Libertadores depois de três eliminações seguidas e vexatórias na fase de grupos.

A última traumática, no ano passado, para San Lorenzo e Atlético Paranaense. Ostentando com alguma sobra o maior orçamento do grupo, que ainda tinha a Universidad Católica. Vencendo o time chileno na despedida do Maracanã e saindo na frente com o gol de Rodinei no Nuevo Gasometro. Virada na Argentina e o Atlético vencendo no Chile. Misto de incompetência e muita falta de sorte.

Tudo isso foi levado para o Maracanã cheio. Com a massa apoiando, mas a tensão sendo transferida de dentro para fora do campo. Era obrigatório vencer um adversário que também precisava dos três pontos para seguir vivo. Se deixasse para definir no Monumental de Nuñez contra o River Plate as chances diminuiriam drasticamente.

Dito isto, por tudo que envolveu o jogo, a atuação do time de Mauricio Barbieri pode ser considerada boa. Por incrível que pareça, o treinador com menos grife e experiência consegue o que parecia impossível: combinar as características dos jogadores.

Rodinei é o lateral de ataque, de buscar o fundo. Renê segura mais e vai se especializando no trabalho defensivo. Tanto no um contra um como no posicionamento, fazendo diagonais de cobertura cada vez mais precisas. Desce na boa e dá liberdade a Vinicius Júnior para buscar jogadas individuais e infiltrações em diagonal. E o garoto ganha cada vez mais confiança e vivência entre os profissionais.

No meio-campo, Cuéllar protege, mas também passa. Lucas Paquetá faz tudo, embora ainda erre na circulação da bola prendendo muito em momentos inadequados. Mas se multiplica como o segundo homem de suporte ao volante na contenção e dos meias na articulação.

Everton Ribeiro merece um parágrafo à parte. Ou dois. O meia finalmente se encontrou em campo e passou a ter as companhias que precisa: do lateral passando no corredor quando ele corta da direita para dentro com a canhota e de um colega dando opção para tabela ou entrando exatamente no espaço deixado pelo ponta que vem para dentro. Com jogadores para dialogar no passe curto e não nos toques sem ideias buscando o lado para os cruzamentos seguidos, o futebol do camisa sete cresce demais.

Os gols da vitória foram a cereja do bolo de uma atuação que só não foi perfeita por um vacilo na saída e a perda da bola que gerou um contragolpe do Emelec que só não causou estragos pela presença de Rever. Este sim, numa noite sem erros e consertando vários equívocos dos companheiros. Perdendo Juan, que colocou duas bolas nas traves, no final do primeiro tempo e transmitindo segurança a Leo Duarte na segunda etapa.

Diego alternou passes de primeira que aceleraram ataques para Vinicius Júnior e a insistência em reter a bola e atrasar a transição ofensiva. Barbieri pode insistir para que ele recue menos e se posicione mais como um companheiro na frente de Henrique Dourado.

O centroavante é que destoou mais uma vez. Simplesmente não consegue dar sequência às jogadas e peca pela ansiedade na hora de finalizar – impressiona o contraste com a incrível segurança na cobrança de pênaltis. A ampliação da suspensão de Paolo Guerrero de seis para 14 meses é um duro golpe para o Fla. Com este ajuste crescente nas peças e mais volume de jogo a tendência era o peruano acrescentar muito com sua técnica e movimentação. Dourado terá que compensar com posicionamento e precisão no último toque. Faltou mais uma vez.

Vale a classificação antecipada, ainda que com sofrimento. Compreensível pelo histórico recente. Era preciso quebrar a barreira e a missão foi cumprida. A tarefa agora é seguir evoluindo, ganhar consistência. Com o jovem Barbieri, mesmo com seus erros normais de “pato novo”, parece haver uma luz mais à frente. Um rumo. No Flamengo do final da gestão Bandeira de Mello isto não é pouco.

 

 


Vitória da Chape é mais uma prova do mito do “elenco forte” no Flamengo
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André Rocha

Maurício Barbieri foi corretíssimo ao descansar alguns titulares na Arena Condá pensando na decisão contra o Emelec no Maracanã pela Libertadores. Os sinais de desgaste já tinham ficado claros no empate contra a Ponte Preta que valeu a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil.

Mas poupar significa enfraquecer um Flamengo que novamente deu provas que, na prática, tem o cobertor bem curto na qualidade do elenco. Mesmo com alto investimento em reforços e nas divisões de base.

A começar por Trauco, de volta à lateral esquerda e reforçando suas virtudes e seus defeitos. O peruano que deve estar na Copa do Mundo tem bom passe e acertou duas assistências para os dois gols do Fla. Guerrero, o primeiro na volta da suspensão por doping aproveitando falha grotesca do goleiro Jandrei, e Vinicius Júnior, que saiu do banco para contribuir com seu talento para que uma equipe naturalmente desorganizada pelas mudanças pudesse se impor mais uma vez através de lampejos.

Mas defensivamente é um desastre. Pior ainda sem o devido auxílio na recomposição de Marlos Moreno, outra contratação que até aqui não trouxe respostas em campo. Apodi e Guilherme voaram pelo setor do peruano. Inclusive no lance do único gol do primeiro tempo, de Canteros completando assistência do lateral veloz.

Sem Paquetá e Cuéllar, o meio-campo teve poder de marcação com Jonas e condução de bola com Diego e o jovem Jean Lucas, mas quase nada de circulação de bola através dos passes. Muito menos criatividade. Por isso Trauco acabou aparecendo com dois passes para gols.

Para piorar, o titular Juan acabou falhando também, na saída de bola que terminou no pênalti bastante discutível de Jonas que Guilherme sofreu e converteu em bela cobrança. Pareceu mais disputa por espaço que falta. Mas não dá para colocar a derrota por 3 a 2 na conta do árbitro Leandro Vuaden.

Porque Barbieri resolveu poupar Diego Alves para dar minutos a César, que acabou surpreendido pelo toque de Leandro Pereira, o substituto do suspenso Wellington Paulista, e com o pé colocou para dentro da própria meta nos minutos finais. Outra falha individual para a Chapecoense encerrar com vitória sobre o ainda líder uma sequência de quatro empates na temporada.

Mais uma prova de que a ideia de que o Flamengo tem elenco robusto para dividir esforços ao longo da temporada não passa de um mito. Se fica difícil combinar características e extrair qualidade no jogo coletivo com todos disponíveis, imagine mesclando titulares e reservas.

Sobreviveu na Copa do Brasil, manteve a liderança do Brasileiro pelo saldo superior a Corinthians e Atlético Mineiro e joga a tão desejada classificação para o mata-mata do torneio continental na quarta. Mas com um grupo de jogadores tão desigual e heterogêneo é difícil vislumbrar aonde pode chegar um dos maiores orçamentos do país que não consegue ser consistente na temporada.

Resta à maior torcida do país rezar para “São Paquetá” seguir tirando coelhos da cartola. Sem ele, o Flamengo não passa de um time bem comum.


Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Gestão Bandeira de Mello confunde continuidade com continuísmo no Flamengo
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André Rocha

A pífia atuação do Flamengo no empate sem gols contra o Independiente Santa Fé em Bogotá pela Libertadores, com a equipe exagerando na cautela e satisfeita com o resultado que pouco acrescentou na campanha da fase de grupos, subiu ainda mais o tom de indignação dos torcedores contra jogadores e dirigentes, especialmente o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o meia Diego Ribas.

Junte a isto a polêmica na reunião do Conselho Deliberativo para aprovar as contas de 2017, suspensa depois da discussão sobre a premiação de mais de dez milhões de reais – 7,7 para jogadores, 2,5 para comissão técnica e 800 mil para o ex- diretor executivo Rodrigo Caetano – em um ano de título estadual, vices da Copa do Brasil e Sul-Americana e sexta colocação no Brasileiro e temos um barril de pólvora.

É óbvio que o ano de eleição torna o ambiente político quase insuportável na Gávea e se o pagamento estava previsto dentro de um plano de metas ele tem mesmo que ser cumprido e o clube valorizar a possibilidade de honrar seus compromissos, algo inviável há menos de dez anos.

Mas todo esta crise é consequência do grande equívoco da gestão Bandeira de Mello na condução do futebol do time de maior torcida do país: confundir continuidade com continuísmo.

Quando há ideias dentro e fora de campo com planejamento e que geram desempenho vale a insistência até que comecem a resultar em troféus. Como no próprio Flamengo há quatro décadas, perdendo títulos seguidos para Fluminense e Vasco de 1975 a 1977, mas ganhando maturidade para em seguida alcançar as maiores conquistas da história da agremiação.

Agora há um time que é criticado por sua apatia e pouca entrega, mas que na maioria dos reveses se ressentiu mesmo da falta de rendimento. Porque as características dos jogadores não combinam com a proposta de jogar no ataque e se impor. Zagueiros lentos, laterais que oferecem poucas soluções além dos cruzamentos a esmo, meio-campistas sem o passe decisivo e um ataque que precisa de muitas oportunidades para ir às redes.

Não há plano de jogo que funcione. Com Zé Ricardo, Rueda, Carpegiani ou o novato Maurício Barbieri.  Sem triangulações, ultrapassagens, fluência. Só bolas levantadas na área e lampejos dos mais talentosos. Simplesmente não funciona.

E não há mudanças profundas, porque na visão do presidente basta insistir para dar certo. O “vamos levando” que se transformou na grande marca de sua administração que é histórica pelo saneamento das finanças, algo que não é mérito apenas de Bandeira de Mello, mas vai chegando ao fim do segundo mandato com o rótulo do insucesso no carro-chefe do clube.

A manutenção de Barbieri é a prova de que o crédito de um elenco caro e que entrega pouco em campo parece infinito. Os jogadores querem, os dirigentes atendem. O ápice dessa estranha relação foi o pedido de Bandeira para que os atletas o ajudassem depois da eliminação do Carioca. Sem cobranças, apenas afagos e súplicas.

A direção do futebol age como o pai que começa a ganhar dinheiro e cobre os filhos de mimos, deixando de ensinar o valor do esforço. Só que a maioria dos que lá estão não viveram os tempos difíceis para ganhar tantas recompensas.

O que é mais preocupante em toda essa crise é um pensamento crescente de que o futebol só funciona em meio ao caos financeiro e com jogadores “bandidos”. Este que escreve prefere não ficar recorrendo ao passado para comparar com a situação atual, mas neste caso é preciso: Zico era “bandido”? Em 1981 o salário atrasava? Definitivamente todo este cenário complexo não pode ser resumido à “falta de raça”.

É claro que, na prática, tudo seria diferente, por exemplo, com a conquista da Copa do Brasil. No país do futebol de resultados não se avalia qualidade de trabalho. E obviamente este blogueiro não defende que profissionais não tenham as melhores condições para exercer seus ofícios apenas porque não venceram. Muito menos que sejam agredidos, como quase aconteceu no embarque da delegação para Fortaleza.

Mas o momento exige ruptura que vai além das demissões após a eliminação no Carioca. Direção do futebol com independência e treinador com autonomia para mudar peças e o modelo de jogo. Ou seja, sair da inércia. Com a gestão Bandeira de Mello parece uma missão quase impossível. Porque há apego ao fracasso.

 


Entra técnico, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Está repetitivo
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André Rocha

Você já leu aqui neste blog:

1 – Que Diego é importante na bola parada, como na cobrança de escanteio que terminou gol de Henrique Dourado, logo aos sete minutos no empate do Flamengo por 1 a 1 com o Independiente Santa Fé no Maracanã com portões fechados. Mas atrapalha demais a fluência do time ao prender demais a bola e não arriscar passes que quebram as linhas da defesa adversária. De novo: domina, gira, dá mais um toque e toca para o lado. Atrasa tudo;

2 – Que no momento de dificuldade, quando o oponente nega espaços – como o Santa Fé do treinador interino Agustín Julio, armado num 4-2-3-1 – o time rubro-negro abusa dos cruzamentos. Ou depende deles para criar as melhores oportunidades. Jogadas aleatórias, nada pensadas. Desta vez foram 28, nem tantos em relação a outros jogos, mas simplesmente não há repertório;

3 – Quando acontece algo novo e surpreendente, como a bela tabela entre Diego e Paquetá logo aos dois minutos de jogo, a conclusão não é precisa. Desta vez foi Diego a desperdiçar. A primeira das 15 finalizações, seis no alvo. O Fla, porém, segue “arame liso”. Já o Santa Fé concluiu sete vezes, três no alvo. Na chance mais cristalina, Anderson Plata aproveitou contragolpe iniciado com passe errado de Diego e serviu Wilson Morelo, artilheiro da Libertadores com oito gols. Empate;

4 – No momento em que a coisa complica, os garotos precisam resolver. Ou assumem esta responsabilidade. Mas Vinicius Júnior e Lincoln, muito meninos, pecam pela afobação e Paquetá apela para as jogadas individuais. Mas insiste e na Libertadores o jogo é menos parado com faltas. Armou vários contragolpes do time colombiano na segunda etapa. Continua sendo o melhor da equipe, mas contribui pouco na construção, em fazer a bola circular mais rapidamente;

5 – E Dourado não pode exercer a mesma função de Guerrero. Não sabe fazer pivô, a bola bate e volta. É jogador de último toque e só. Saiu fazendo cara feia para o jovem treinador Maurício Barbieri, mas fora o gol nada produziu. Lincoln entrou com outras características, não é pivô. Assim como Filipe Vizeu. Fla ficou órfão deste suporte na frente e não encontra soluções para criar de outras formas.

Porque entra treinador, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Os mesmos erros, recursos semelhantes. O treinador assume, mantém praticamente os mesmos jogadores esperando resultados diferentes. Foi Rueda sucedendo Zé Ricardo, depois Carpegiani e agora Barbieri, que sem resultados não deve permanecer.

Qual será o próximo a sofrer com um time ancorado, sempre prestes a afundar? A equipe pode até inverter a lógica de 2017 e obter a classificação para o mata-mata da Libertadores com vitórias fora de casa. Mas se não subverter tudo e buscar novas saídas continuará previsivel, engessada. Com Maracanã lotado como no treino da véspera ou sem torcida.

O torcedor vai falar de garra, espírito…Talvez os jogadores pudessem até se posicionar exigindo uma ruptura. Mas como, se Diego, um dos principais líderes, é uma das causas do fraco desempenho coletivo? Em campo, o Fla tenta, mas não funciona. Por isso o desânimo. Não dá para vencer sempre na fibra.

Este time deve futebol e seguirá devendo se não houver um fato novo consistente. Com a atual diretoria comandada por Eduardo “Vamos Levando” Bandeira de Mello é improvável. Desculpe, está repetitivo. Mas é simples assim.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo é administrado pelas redes sociais e não pode ser levado a sério
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André Rocha

O “se” não existe no futebol nem na vida. Mas vale a reflexão: se a cabeçada de Henrique Dourado no segundo tempo que bateu na trave direita de Jefferson tivesse entrado e o Flamengo se classificado para a decisão do Carioca com o empate haveria essa “limpa” do departamento de futebol do clube?

O cenário seria previsível. Muitos torcedores reclamando de mais uma péssima atuação coletiva, mas a maioria ironizando a provocação de Luiz Fernando no gol do Botafogo e replicando os memes tradicionais depois de um jogo importante no futebol brasileiro.

E Rodrigo Caetano, Paulo César Carpegiani, Mozer, Jayme de Almeida, Rodrigo Carpegiani e Marcelo Martorelli seguiriam tranquilamente o seu trabalho pensando na final. Ou seja, uma derrota que tirou o time do torneio menos relevante da temporada foi o que, na prática, deflagrou um processo de reformulação mais profunda no carro-chefe do time mais popular do país.

Algo que já deveria ter ocorrido há algum tempo, mas como foi campeão carioca e chegou a duas finais ficou a impressão de que estava tudo indo bem e era questão de ajustes para a temporada 2018 ser consagrada pelos títulos importantes que prometeram à torcida depois que as finanças estivessem equilibradas.

É óbvio que há um componente político em ano de eleição e a gestão atual, acusada justamente por seu imobilismo, precisa do futebol competitivo para Bandeira de Mello fazer seu sucessor. Mas agora ficou ainda mais claro algo que já chamava a atenção de quem acompanha o cotidiano do clube.

O futebol do Flamengo é administrado pelas redes sociais. Um termômetro importante, mas que não pode ser tão considerado nos processos decisórios. No entanto, definiu contratações como Diego Alves e Reinaldo Rueda. Goleiro e treinador que vieram na carona das críticas contra Muralha e Zé Ricardo e empurraram os indecisos cartolas para uma solução.

Há uma distorção no Brasil quando o assunto é torcedor. Criou-se o mito de que ele é que manda no clube porque o sustenta com sua paixão. Indo ao estádio, comprando camisas e pagando pay-per-view. Inegável a importância. Mas o fanatismo não pode ser a cabeça em lugar nenhum. Ainda mais na nossa cultura guiada apenas por resultado e, a partir dele, se avalia desempenho.

Quer um exemplo? Em junho do ano passado este blog abordou a falácia de que Diego era o meia criativo do Flamengo. O “homão da porra” para a torcida à época. Poupado das críticas pela eliminação da Libertadores por ter ficado de fora, lesionado. O blogueiro foi massacrado nos comentários e nas redes sociais.

Só com o pênalti perdido na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro e outras atuações ruins em partidas decisivas sem levar a equipe aos títulos esperados é que os apaixonados acordaram para a realidade. Alguns ainda negam, valorizando o esforço de quem é muito bem remunerado para pensar o jogo e desequilibrar. Mas só com derrotas parte da massa despertou para o óbvio. Mesmo que o rendimento do meia desde a volta de lesão no ano passado tenha sido, na média, bem abaixo do que se esperava para um camisa dez com tanta grife e salários tão altos.

Por isso quem está de fora não pode definir quem fica e quem sai. Nem torcida, nem jornalistas. Se alguma decisão foi tomada apenas pela influência de uma crítica ou elogio de um analista também está errado. O futebol precisa ser guiado por quem entende todos os processos e conta com as ferramentas para avaliar dia a dia e jogo a jogo o desempenho, dentro e fora de campo.

E agora? Vão definir os substitutos dos demitidos em enquetes na internet? Este que escreve não duvida mais de nada.

O Flamengo se vangloria de ser o clube com mais interações nas redes. Para manter a massa participativa dá mais ouvidos do que deveria e, sem um mínimo de racionalidade, parece um barco à deriva. No futebol e na vida, quem precisa de alguém de fora para gerir a sua casa não pode ser levado a sério.


Botafogo acerta um ataque e está na final. Flamengo não tem repertório
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André Rocha

Trinta e oito minutos do primeiro tempo. Rodrigo Lindoso, substituto de João Paulo como articulador no 4-2-3-1 do Botafogo de Alberto Valentim, acerta passe nas costas de Paquetá para Marcinho. O lateral chegou ao fundo e rolou para trás. Luiz Fernando apareceu às costas de Everton e antecipando a Rhodolfo para tirar de Diego Alves. Na comemoração, o atacante provocou o rival ironizando o “cheirinho”.

Objetivamente, foi a única jogada bem engendrada pelas equipes em mais de noventa minutos. O gol da classificação do Botafogo. Dentro de uma atuação com mais intensidade na marcação, especialmente na primeira etapa. Foram 12 desarmes corretos contra dez do Flamengo, mas nove dos alvinegros contra apenas um rubro-negro nos primeiros 45 minutos.

A derrota no estadual não deveria ser trágica para um time disputando a Libertadores. O que é preocupante e muito no Flamengo é o desempenho. A atuação foi pluripatética. Infelicidade desde a escolha de Jonas e Willian Arão como os volantes para a mudança do sistema para o 4-2-3-1, deixando Cuéllar no banco. Um absurdo.

Passando pelo impasse entre Paulo César Carpegiani e Vinícius Júnior. O treinador queria o jovem atacante pela direita, mas o menino se sente mais à vontade do lado oposto. O resultado é que muitas vezes Paquetá e Vinícius, que deviam ocupar os flancos, ficavam no mesmo lado abandonando Pará à própria sorte pela direita.

Nas redes sociais houve muitos protestos de flamenguistas contra o post deste blog sobre a classificação do Fluminense na semifinal da Taça Rio. O texto afirmava que o time de Abel Braga tem mais repertório que o rival, ainda que este tenha finalizado muito mais vezes e permanecido no campo de ataque por mais tempo depois do gol de Gum que abriu o placar no Estádio Nílton Santos.

O que é difícil de fazer entender é que um time que fique com a bola, mesmo que rode, rode, rode até levantar na área, inevitavelmente vai conseguir finalizar. No abafa, na vitória do atacante na impulsão, no corte para dentro e chute. Mas não significa que há jogada. Repertório. Não existe.

O Flamengo é um deserto de ideias. O time que vivia do pivô de Paolo Guerrero para dar sequência às jogadas e sofria porque não tinha o centroavante na área para finalizar agora tem Henrique Dourado sem a mínima qualificação técnica para fazer a parede e mesmo finalizar. Mesmo cabeceando na trave na segunda etapa.

Um dos 45 cruzamentos do time na semifinal. Treze de Diego. Três corretos, sempre na bola parada. Impressiona como Tite pode pensar no camisa dez como um meio-campista organizador. Desde o ano passado saltava aos olhos a total falta de criatividade do meia. Repetindo pela enésima vez: domina, gira, dá mais um toque e, com a marcação do adversário montada, o passe para o lado ou para trás. Quando arrisca algo mais objetivo vem o erro.

O ensaio do início da temporada com mobilidade dos meias no 4-1-4-1 foi abandonado pela falta de sequência com qualidade. O time continua vivendo de cruzamentos e lampejos. O mesmo da segunda metade do trabalho de Zé Ricardo e no período sob o comando de Reinaldo Rueda.

Uma carga muito pesada para os ombros de Paquetá e Vinícius Júnior. Jovens precisam de um trabalho coletivo para potencializar o talento. Tudo que o Flamengo não tem. Realidade dura para quem investe tanto. Mas é preciso aceitar. E mudar o quanto antes.

O Botafogo nada tem a ver com isso. Lutou, buscou pressionar mais o adversário com a bola, bloqueou de forma organizada com duas linhas de quatro e contou com Jefferson, substituto de Gatito Fernández a serviço da seleção paraguaia, para suportar a pressão aleatória do rival. Faltou coordenar mais contragolpes para tirar o oponente um pouco da própria área. Não conseguiu, mesmo com a entrada de Rodrigo Pimpão na vaga de Leo Valencia.

Finalizou 12 vezes, três no alvo. A única bola na rede no clássico. A solitária jogada bem pensada e executada. O melhor estava por vir depois da fratura de João Paulo: a final do Carioca que parecia improvável.

(Estatísticas: Footstats)