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Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
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André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo x Flamengo: caminhos opostos que se cruzam na semifinal nacional
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André Rocha

Um time que, ao menos em tese, pode tudo no futebol brasileiro. Mas que parece não fazer muita questão, ou não saber muito bem como chegar ao topo. Outro que constrói suas vitórias e só tem chance de ir longe exatamente por querer muito.

O Flamengo do elenco milionário, ainda que não possa escalar as contratações mais recentes na Copa do Brasil. O Botafogo dos recursos limitados, perdendo peças e se virando com o que tem. Os rubro-negros que venceram o Carioca e estão fora da Libertadores. Alvinegros que pelejaram no torneio continental desde as fases preliminares e, por isso, foram obrigados a priorizá-lo, deixando o estadual um pouco de lado.

A equipe de Jair Ventura achou no gol de Joel Carli logo aos quatro minutos de jogo no Nilton Santos a solução para não ser obrigado a propor o jogo e fugir da maneira de atuar com a qual se sente mais confortável. Início com intensidade, marcação no campo de ataque e apoio da torcida para sair na frente o mais rápido possível.

Deu certo. Ainda mais contra um Atlético Mineiro exposto, que adiantou as linhas, teve 62% de posse e efetuou 34 cruzamentos. Mas de 11 finalizações apenas duas foram na direção da meta de Jefferson. Já o Botafogo teve 22 desarmes corretos contra apenas oito do oponente e acertou quatro finalizações no alvo, num total de dez.

Assim construiu os 3 a 0 com gols de Roger e Gilson, um em cada tempo, já perto do final para não dar chances de reação ao adversário. Até quando vai às redes o time parece fazer na hora certa, sabendo o que quer.

O Flamengo também deu essa impressão, ao abrir o placar cedo na Vila Belmiro com o gol de Berrío completando belo passe de Diego – mais um que ele encaixa com precisão em contragolpe, com espaço. Mas, ao contrário de Jair Ventura, Zè Ricardo não consegue compensar coletivamente as limitações de seus comandados.

Ou dos que escolhe, como a inexplicável opção pelo retorno de Alex Muralha no gol, deixando Thiago no banco. Como se os 2 a 0 da Arena da Ilha não fossem reversíveis. Ou a Copa do Brasil, já nas quartas de final, fosse um torneio menos importante para um time que está 12 pontos atrás do líder Corinthians no Brasileiro.

Mesmo fazendo o segundo gol com Guerreiro no início da segunda etapa, após sofrer o empate com Bruno Henrique e ter corrido o risco de levar a virada no pênalti assinalado por Leandro Vuaden e depois invalidado com a ajuda do quarto árbitro, que observou que Rever tocou na bola na disputa com Bruno Henrique, o Flamengo conseguiu se complicar.

Porque a reunião de elos fracos sempre pode comprometer, ou ao menos complicar. Rafael Vaz vacilou e cedeu escanteio bobo, empate com Copete. Márcio Araújo perdeu duas disputas na proteção da retaguarda, a bola sobrou para Victor Ferraz marcar 3 a 2 e fazer a remontada parecer possível no modo “briga de rua” do time de Levir Culpi. Jogo aberto com 29 finalizações – 16 do Santos e 13 do Fla.

A noite na Vila Belmiro só não foi histórica para o alvinegro praiano pelo cansaço de quem sempre teve que subir a ladeira na partida e porque o gol de Copete, em nova hesitação de Muralha, saiu no último minuto dos quatro de acréscimo. No 39º cruzamento na área do time carioca, que perdeu força nos contragolpes com a entrada de mais um elo fraco: Gabriel. Com Mancuello e Vinicius Júnior no banco. A vaga veio mesmo no gol “qualificado”. Ou por não ter sido vazado no Rio de Janeiro. Com Thiago na meta.

Mesmo classificado, o Flamengo novamente deixou o campo num jogo eliminatório exalando fragilidade, sem transmitir a mínima confiança. O que os argentinos chamam de “pecho frio”. Exatamente o contrário do “cascudo” Botafogo. De Jefferson que voltou com autoridade à meta, de Matheus Fernandes, 19 anos com a serenidade de um veterano no meio-campo. Do Roger da bela história de vida com Giulia, sua filha deficiente visual. Do incansável Pimpão.

De uma força mental que parece inabalável no mata-mata. Na semifinal da Copa do Brasil e com classificação encaminhada para as quartas da Libertadores. Subindo e descendo no Brasileiro, mas com campanha digna, na disputa do G-6. Sem recursos generosos, sem holofotes. Mas com aquilo que é difícil definir e, na falta de um nome, chamam de alma.

O que o Flamengo vai precisar tirar de onde até agora não se viu para chegar à sua sétima final de Copa do Brasil. Porque, até pela rivalidade fortalecida recentemente nos bastidores, o Botafogo vai deixar tudo em campo nas duas partidas. E não é pouco.

Os caminhos opostos vão se cruzar no clássico carioca que vale vaga numa decisão nacional. No papel há um favorito. No espírito, outro. Como balanços e relatórios de finanças não entram em campo, o Bota hoje parece mais forte.

(Estatísticas: Footstats)


Precisamos falar sobre a arbitragem de Flamengo x Palmeiras
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André Rocha

Sim, o Flamengo novamente esbarrou em suas próprias deficiências – nulidade de Márcio Araújo na construção das jogadas que sobrecarrega Diego, que conduz demais a bola e se desgasta e sacrifica Everton Ribeiro, que não encontra um companheiro para dialogar e nitidamente sente a sequência de jogos a cada três dias.

Sem contar a proposta de jogo previsível e que, mesmo vencendo, insistiu em adiantar as linhas, ficar com a bola e novamente não transformar a superioridade nítida no primeiro tempo em mais gols além do chute de Pará e da vitória de Guerrero contra Luan depois de uma ligação direta para empatar o primeiro tempo.

Porque o time da casa levou a virada na Ilha do Governador em dois contragolpes com a última linha de defesa adiantada e espaçada. Melhor para Roger Guedes e Willian. Novamente Zé Ricardo foi infeliz nas substituições e o time caiu de produção. Na chance que teve para alcançar a vitória, Diego cobrou mal o pênalti e Jailson, surpresa de Cuca na escalação barrando Fernando Prass, fez bela defesa.

Sim, o Palmeiras mais uma vez sofreu com os encaixes e as perseguições individuais, marcas da ideia de jogo de seu treinador. Muito do domínio dos rubro-negros na primeira etapa foi pela fragilidade e espaçamento do sistema defensivo alviverde. Facilitando o principal ponto de distribuição do quarteto ofensivo do oponente: o pivô de Paolo Guerrero. O peruano recuava, atraía os zagueiros Mina e Luan e servia seus companheiros de ataque, em vantagem na velocidade sobre seus marcadores.Especialmente Michel Bastos no primeiro tempo, atuando como lateral. Uma avenida.

Mas Cuca foi perspicaz no segundo tempo. Trocou o posicionamento de Bastos e Zé Roberto, que mesmo servindo Willian no primeiro gol saiu do meio-campo para a lateral  guardar seu posicionamento e fechar o setor do apoio de Pará. Armou duas linhas de quatro, liberando Dudu, que não voltou com o lateral do Fla no primeiro gol, para jogar mais solto, fazendo “sombra” em Márcio Araújo e se aproximando de Borja.

O substituto do lesionado Willian perdeu a chance da vitória no final em novo contragolpe com a retaguarda adversária adiantada e mal posicionada. Thiago, que não foi bem no enfrentamento com os atacantes palmeirenses no primeiro tempo, salvou o Fla no chute cruzado do colombiano. Antes de ceder em breve o lugar a Diego Alves. Mais uma contratação que parece chegar tarde na temporada.

No saldo final, o empate acabou sendo o resultado mais adequado para o que foi a partida. Mas o jogo na Ilha do Governador teve um grande derrotado: Jailson Macedo Freitas. Uma típica arbitragem desastrosa do futebol brasileiro.

No primeiro tempo prejudicou demais o Flamengo. Na origem dos dois gols do Palmeiras, faltas claras de Mina sobre Guerrero. O peruano ainda foi derrubado pelo colombiano na área do time visitante em pênalti claro ignorado por Jailson. Sem contar uma disputa em que Everton Ribeiro caiu na área adversária. Lance duvidoso.

O mais absurdo, porém, foi parar o jogo para punir Bruno Henrique com cartão amarelo por agarrar Rafael Vaz antes e mesmo quando Diego bateu na bola. Ou seja, puniu o infrator antes que a falta dentro da área pudesse ser marcada. Este que escreve não se lembra de ver algo parecido em uma partida de futebol profissional

Muitos protestos de flamenguistas no estádio e nas redes sociais. Arbitragem mal intencionada?

O segundo tempo escancarou a incompetência e a vontade de compensar com outros erros os equívocos que não podiam mais ser corrigidos. Os palmeirenses cometeram 12 faltas na primeira etapa e dez na segunda. Apenas Bruno Henrique levou amarelo nos 45 minutos iniciais. Depois do intervalo, Mina, Borja, Luan, Jailson, Tche Tche, Michel Bastos, Dudu e Thiago Santos foram advertidos. Márcio Araújo e Mancuello pelo Flamengo.

Pendurou mais da metade do time do Palmeiras, passou a não marcar as faltas para os visitantes que assinalou anteriormente e na primeira queda de um jogador rubro-negro na área marcou pênalti de Michel Bastos sobre Geuvânio. Falta clara, mas menos que a de Mina sobre Guerrero no primeiro tempo. Qual o critério, afinal?

É óbvio que os erros de Jailson foram mais danosos ao Flamengo, mas já passou da hora de questionarmos compensações que muitas vezes são usadas como atenuantes por alguns comentaristas de arbitragem. O apitador erra e tenta equilibrar a balança acumulando interpretações absurdas que só irritam os dois lados e nada acrescentam.

Sim, temos um cenário em que o árbitro é pressionado demais, precisa ser profissionalizado, ainda não usufrui dos recursos tecnológicos para minimizar seus erros e muitas vezes é usado como muleta ou cortina de fumaça para atuações ruins dos times e bobagens de treinadores e dirigentes. Se acomodar na incompetência, porém, é a maior das falhas. Por isso precisamos falar de arbitragem, ainda que se prefira abordar o jogo.

Jailson Macedo Freitas estragou um clássico nacional, entre as equipes que disputaram a liderança em boa parte da última edição da Série A do Brasileiro. O mais trágico é a certeza de que não será a última vez.

(Estatísticas: Footstats)

 


Grêmio restabelece a verdade do campeonato. Hoje é mais time que o Flamengo
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André Rocha

O Grêmio vive um dilema na temporada. A alma de “copero y peleador” tende a privilegiar Libertadores e Copa do Brasil, mas o desempenho no Brasileiro mostra que é possível fazer ótima campanha e ainda buscar o título.

A derrota para o líder Corinthians em casa na décima rodada abalou a convicção e veio o revés em São Paulo, com os reservas, para o Palmeiras. Na sequência, a atuação espetacular do goleiro Douglas do Avaí que combinada com dois contragolpes dos visitantes impôs mais um jogo em sua arena sem pontuar.

Ainda assim, parecia claro que em meio às tantas oscilações dos candidatos a “anti-Corinthians” o time de Renato Portaluppi ainda era o mais qualificado. Provou isso na Arena da Ilha do Governador.

Sofrendo, sim. Porque enquanto teve um mínimo de organização o Flamengo pressionou, rondou a área. Terminou com 56% de posse e finalizou 21 vezes, nove no alvo. Ainda a bomba de Everton no travessão. Mas sem a chance cristalina. Também pela falta de Guerrero, mais como o pivô que dá sequência aos ataques do que propriamente como finalizador. Leandro Damião novamente decepcionou entrando de início.

O Grêmio cometeu 19 faltas contra onze da equipe mandante. Finalizou apenas quatro vezes, três no alvo. Teve no goleiro Léo, substituto de Marcelo Grohe, um dos destaques na disputa.

Mas não o maior. Porque Luan fez a diferença no gol único da partida. Quinto dele no campeonato. Ganhou dos volantes Márcio Araújo e Cuéllar, “tabelou” com Trauco e bateu fraco, no canto do jovem goleiro Thiago que não defendeu. O camisa sete desequilibrou, mesmo perdendo chance cristalina de matar o jogo na segunda etapa.

Contragolpe iniciado por um erro grosseiro de Diego, que cumpriu sua pior atuação com a camisa do Flamengo. Além da falta dos passes criativos que este blog tanto cobra do meia, também falhou em lances bobos, simples. Atrapalhou ainda mais com a vontade de ajudar e moral que tem no elenco. Continuou sendo o responsável pelas bolas paradas e não foi substituído.

Erro de Zé Ricardo, que repetiu as “soluções” de Cuca no dérbi paulista de ontem. Empilhou atacantes e esvaziou o meio-campo com as entradas de Filipe Vizeu, Mancuello e do estreante Geuvânio nas vagas de Cuéllar, Márcio Araújo e Trauco. Levantou 23 bolas na área na segunda etapa, 35 no total. De novo os cruzamentos quando não há espaços. Faltam ideias, fica tudo entregue às individualidades.

Desorganização controlada pelo time gaúcho. Renato, que usou essa prática costumeira no futebol brasileiro contra o Corinthians, desta vez reoxigenou o meio-campo com Jailson no lugar do extenuado Arthur e depois trocou Barrios por Everton para acelerar os contragolpes. Nem foi preciso.

Porque o Flamengo, assim como o Palmeiras, tem poder de investimento, mas o dinheiro não garante boas escolhas dentro de campo. Cai da vice-liderança porque não consegue dar o salto de desempenho. Sobrecarregado na criação, Everton Ribeiro desta vez não rendeu. Também errou muito no time que pecou coletivamente por falhas individuais.

O Grêmio restabelece a verdade do Brasileiro. Ainda que mais à frente priorize outras competições e perca a segunda colocação. Hoje é mais time que o Flamengo e só fica abaixo do líder absoluto.

(Estatísticas: Footstats)


A melhor atuação do Flamengo, e de Diego, no Brasileiro
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André Rocha

No Brasil, este país tão pouco democrático, a crítica quase sempre é mal vista e confundida com perseguição. Nunca como algo construtivo, que só deseja a melhora ou o despertar do objeto das observações.

Diego fez a diferença com dois gols e uma assistência para Guerrero, que marcou três. A eficiência nas finalizações do meia já é conhecida e o primeiro foi uma conclusão espetacular. Já o passe teve a precisão que se espera de um jogador dotado tecnicamente. Ainda não é o toque criativo, aquele que abre o espaço, o que se pede no texto. Mas talvez não seja mesmo para ele, por característica. No elenco do Flamengo agora há Conca e Everton Ribeiro.

A melhor atuação do Flamengo no Brasileiro, porém, foi no estilo de 2016: na velocidade com os ponteiros. Desta vez Berrío e Everton. Com dificuldades na saída de bola ainda com Márcio Araújo e Willian Arão, compensadas com bons passes de Trauco. Com a falha de Thiago no gol de Victor Ramos em cobrança de lateral na área que ensaiou trazer a Chapecoense de novo para o jogo.

Mas fazendo as transições ofensiva e defensiva com velocidade partindo dos flancos para encontrar Diego e Guerrero que desta vez desequilibraram. Melhorando consideravelmente a relação finalizações x gols da equipe de Zé Ricardo. Cinco bolas nas redes em 17 conclusões. Dez no alvo.  Com menor posse (48%) e jogo mais vertical depois de construída a vantagem no placar.

Mais um triunfo na Arena da Ilha, a casa que o Flamengo não teve no ano passado. Para mudar a atmosfera e aliviar a pressão, mas partir para o salto de qualidade que se espera. Com Everton Ribeiro, o ponta articulador. Depois Geuvânio, o atacante agudo e finalizador. Sem a visão cômoda de que a equipe está acostumada a atuar desta forma. O elenco foi reforçado para mudar de patamar.

Assim como Diego apresentou nítida evolução em relação às demais partidas desde sua volta de lesão e merece elogios. Puxando junto o Flamengo para o desempenho mais consistente no campeonato. O desafio agora é construir uma sequência.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


A falácia de que Diego é o meia criativo do Flamengo
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André Rocha

Diego Ribas chegou ao Flamengo em julho do ano passado. Recebido com festa no aeroporto, alcançou rapidamente a condição de ídolo com gol na estreia contra o Grêmio, mais cinco bolas nas redes adversárias, três passes para gols e participação importante na campanha que levou o time ao terceiro lugar, disputando o topo da tabela em bola parte do Brasileiro.

Com a camisa dez na Libertadores, foi fundamental nas duas vitórias em casa, contra San Lorenzo e Atlético-PR, e fez muita falta no fatídico jogo da eliminação no Nuevo Gasometro. Quando se lesionou era considerado o melhor jogador do torneio continental. No seu retorno de lesão, continua contribuindo com liderança positiva e técnica nas conclusões e nas bolas paradas em uma equipe que peca pela pouca contundência.

Desde que surgiu no Santos, Diego é um meia habilidoso e bom finalizador. Já foi criativo também, mas agora dentro de um cenário de jogo mais intenso, com pressão constante sobre quem tem a bola, linhas compactas e marcação por zona na maior parte do tempo, vem enfrentando problemas.

Porque tem o hábito de dominar, girar, dar mais um toque e só depois tomar a decisão do que fazer com a bola. Normalmente gasta segundos preciosos para a fluência do jogo. Por isso perdeu espaço na Europa e acabou retornando. Mas mesmo por aqui, com a evolução tática gradual, especialmente no trabalho sem a bola, ele sofre na construção de jogadas.

Compensa com experiência, muita preparação física e mental, entrega absoluta e inteligência para procurar os flancos e fugir do bloqueio mais forte. Ainda assim, são raros os passes de primeira. Mais ainda as bolas que os portugueses costumam chamar de “passes de morte”. Ou seja, aqueles que furam as linhas de marcação e encontram os companheiros nas melhores condições para finalizar.

Como Scarpa achou Wendel no gol que abriu o placar do Fla-Flu e na enfiada para Richarlison infiltrar e sofrer pênalti de Juan nos 2 a 2 no Maracanã. Diego foi às redes em um gol de “abafa”, com Everton impedido na origem do lance. Nos acréscimos, Trauco empatou em chute forte que contou com uma irregularidade no gramado para sair do alcance do goleiro Julio César.

Dentro das propostas de jogo, o Fluminense foi superior. Porque joga mais fácil e o Fla faz muita força para atacar. Normalmente a bola gira, roda de um lado para o outro até encontrar espaço num flanco para fazer o cruzamento. Um estilo monocórdico.

As tabelas e infiltrações que marcaram a equipe rubro-negra comandada por Zé Ricardo nos seus melhores momentos desapareceram com a queda de produção do meio-campista que tem o passe mais vertical: Willian Arão. Confirmado pelo próprio treinador. Tite convoca Diego para a seleção, porém admite que ele tem características diferentes das de Lucas Lima, seu concorrente, agora junto com Rodriguinho, por uma vaga no meio-campo.

O Santos empatou sem gols com a Ponte Preta no Pacaembu no sábado. Mas criou oportunidades mais cristalinas que o Flamengo na vitória sobre o mesmo adversário na estreia da Arena da Ilha no meio da semana. Porque Lucas Lima acertou passes verticais que Bruno Henrique, Kayke e Copete não aproveitaram. Já o Fla viveu de bolas alçadas e marcou seus gols em cruzamentos de Diego e Vinicius Júnior para Rever e Leandro Damião.

É pouco. O repertório empobreceu. Por isso a busca desde o ano passado de um meia que parta da ponta e auxilie na articulação. Alan Patrick e Mancuello não funcionaram, o clube trouxe Conca, uma incógnita no aspecto físico, e agora espera ter encontrado a solução em Everton Ribeiro. Este, sim, um meia da linhagem de Jadson, Scarpa, Lucas Lima. Do toque surpreendente.

É inegável o valor de Diego, que deve seguir no time que pena tanto para fazer gols. Mas parte da responsabilidade do Fla só ficar atrás do Atlético-MG como o time que mais cruza na competição – média de quase 28 por partida, cinco de Diego – é de seu meia mais valioso. Mesmo com a atenuante do período de inatividade e estar disputando apenas a sua quarta partida desde o início após o seu retorno, e reconhecendo que ele fica sobrecarregado pela indigência de ideias de seus companheiros no setor.

A questão central é que o problema não é recente. Como Diego consegue ser decisivo de outras formas acaba passando despercebido e alimenta a falácia de que é um meia criativo. Mas Zé Ricardo espera o melhor condicionamento de Conca e a estreia de Everton Ribeiro para tornar o Flamengo menos previsível e mais eficiente no restante da temporada.

(Estatísticas: Footstats)

 


Há 40 anos, a paciência foi de ouro para o Flamengo. Vale o mesmo agora
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André Rocha

Foto: Acervo O Globo

Em 1977, o estadual tinha o mesmo peso, ou até maior, que o campeonato brasileiro na temporada. O Flamengo tinha nova diretoria, com Márcio Braga em seu primeiro mandato no clube. Liderando a FAF – Frente Ampla pelo Flamengo. Na época vista por muitos rubro-negros como pessoas que entendiam muito de Direito, Televisão e Marketing, mas nada de futebol.

Contava também com uma geração promissora e um jovem treinador: Claudio Coutinho, em sua primeira experiência no comando de um time profissional. Mas que não conseguia um título desde o Carioca de 1974. Na final da Taça Guanabara de 1976, derrota nos pênaltis. Com Zico desperdiçando sua cobrança.

Bicampeonato da máquina do Fluminense armada por Francisco Horta. No ano seguinte, nova derrota na disputa das penalidades. No segundo turno. Como o Vasco vencera também o primeiro, ficou com o título. Desta vez, o vilão foi Tita, então um garoto com potencial que entrara exatamente para participar da disputa de pênaltis.

Depois da partida, o grupo se encontrou em um bar para demonstrar união, apoiar Tita e firmar um pacto de vitórias. Os conselheiros que tomaram conhecimento da reunião criticaram os jogadores, como se eles fossem indiferentes ao sofrimento da torcida, que pressionou por mudanças.

Agora é simples imaginar que era mais fácil apoiar aqueles jogadores talentosos. Na época, só Zico e alguns poucos foram poupados. Talvez hoje fossem lançados à fogueira como “amarelões”, “pipoqueiros” ou “time sem vergonha”. E lembre-se: o clube na época não tinha sequer um título nacional, mesmo antes de 1971.

A diretoria manteve elenco e treinador, avaliou o trabalho como bom e que era questão de tempo, tranquilidade para trabalhar e reforços pontuais para que os resultados aparecessem. O resto está na história como a fase mais vencedora e marcante do time mais popular do país.

Corte para 2017. Não há um Zico vestindo a camisa dez. Nem uma geração vinda da base tão talentosa. Mas está lá uma diretoria que revolucionou o clube, saneando finanças e mudando a imagem de mau pagador. Que pecou por decisões no futebol, algumas intempestivas, seguindo os humores da torcida.

Massa que hoje tem vários canais para se manifestar. Mas continua resultadista, imediatista, instável. Com três vitórias seguidas é o melhor time da galáxia; em caso de derrota, todos devem ser demitidos, do presidente ao funcionário mais humilde. Os surtos foram para as redes sociais. Do “cheirinho” ao “Fora todo mundo!”

A eliminação na Libertadores instaurou um clima de caos, logo depois da conquista estadual que criou uma ilusão de “melhor elenco do Brasil”, favoritíssimo a todos os títulos. A confiança se dissolveu e jogadores marcados, como Muralha, Rafael Vaz e Márcio Araújo passaram a errar demais.

O time segue organizado, mas não tem coragem para arriscar. Pior, joga com medo. De errar, de ser perseguido por uma turba insana. Isso tudo com desfalques, os últimos Trauco e Guerrero, a serviço da seleção peruana. Não há relativização de mais nada.

A derrota para o Sport com má atuação foi tratada como o fim dos tempos. A diferença em relação a do ano passado, na abertura do returno, foi um gol a mais do time pernambucano. Talvez com desempenho abaixo daquela vez. Mas o time disputava a liderança, então foi logo esquecida.

Agora há Donatti para voltar, Conca e Everton Ribeiro e Rhodolfo para estrear e ainda a possibilidade de contratar Geuvânio. Rafael Vaz foi barrado, agora Muralha perdeu a vaga para Thiago. Sobra Márcio Araújo, que segue jogando para compensar com velocidade as suas próprias limitações e a lentidão dos zagueiros e dos concorrentes na função.

Contra o Avaí, novamente faltou confiança. Mas mesmo na casa do adversário a equipe teve mais posse de bola (55%) e as mesmas dez finalizações do adversário na Ressacada. Uma a mais no alvo. Novamente sofreu um gol por falhas individuais – Leandro Damião que perdeu a bola, Juan que errou na tática de impedimento e deu condições a Romulo para abrir o placa.

Podia ter saído derrotado por conta do pênalti absurdo de Everton em Diego Tavares que a arbitragem confirmou, depois voltou atrás – mais um caso de acerto que deixou a nítida impressão de ter sido influenciado por uma interferência externa, de quem viu a imagem e notou que não houve a infração. Novo erro em uma regra que já devia ter sido alterada para minimizar os equívocos.

O Flamengo teve chances com Mancuello e Vinicius Júnior para ir às redes. Empatou com um golaço de bicicleta do mesmo Damião, que deixou a equipe em um dilema: se habituou, na ausência de Diego, a trabalhar ofensivamente a partir do pivô de Guerrero. Agora teve a volta do meia, que já mostrou mais desenvoltura, mas Damião tem dificuldades para dar sequência às jogadas. É atacante do último toque.

Zé Ricardo foi infeliz na troca de Vinicius Júnior, irregular entrando de início, por Filipe Vizeu. A equipe perdeu o lado direito, com e sem a bola. Tentou corrigir no final com Ederson na vaga de Damião. Mas teve a chance de uma vitória fora de casa. Com uma sequência que está por vir no Rio de Janeiro e um elenco mais encorpado em breve.

Ou seja, há lastro de evolução. O Flamengo de Zé Ricardo continua sendo uma equipe que perde pouco. Precisa de mais criatividade e efetividade na frente e segurança atrás. Questão de ajuste, algum tempo para treinar – inviável em junho, com rodadas de três em três dias – e peças mais qualificadas.

Acima de tudo, uma questão de paciência. Sem se deixar seduzir pela solução mais fácil: o “fato novo” que sempre é demitir o treinador. Às vezes funciona, como em 2007 na troca de Ney Franco por Joel Santana. Da zona de rebaixamento à vaga na Libertadores. Na maioria das vezes, porém, é uma solução de curtíssimo prazo. Dura o tempo da “chacoalhada” no elenco.

É a chance de fazer diferente. Não com conformismo, mas cobrando no tom certo. Sem apocalipse ou megalomania. Avaliando o trabalho e acertando internamente. Sem alarde, nem populismo. Há quatro décadas, a paciência foi de ouro para o Flamengo. Vale o mesmo agora.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Everton Ribeiro é o ponta articulador que o Flamengo procurava
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André Rocha

Foto: Divulgação Flamengo

“Pensando até no time em que atua nos Emirados Árabes (Al Ahli), ele pode atuar nas três posições atrás do centroavante num 4-2-3-1. Ou mesmo num 4-1-4-1, até porque ele foi lateral quando surgiu na base do Corinthians”.

Palavras do treinador Zé Ricardo em entrevista a este blog quando perguntado sobre Everton Ribeiro. O questionamento não foi gratuito. O interesse do Flamengo já era público e havia a informação da negociação bem encaminhada por conta da então iminente venda de Vinícius Júnior para o Real Madrid. Ele só não veio antes porque não havia os recursos para gerar a proposta que convenceu os árabes – seis milhões de euros, cerca de 22 milhões de reais.

Anúncio oficial realizado, apresentação marcada para esta terça-feira, a questão agora é como encaixá-lo na equipe rubro-negra. Everton chega para preencher uma lacuna dentro da proposta de jogo de Zé Ricardo: o ponta articulador, ou o meia que joga aberto e parte do flanco para ajudar na armação das jogadas e criar superioridade numérica no meio-campo, circulando às costas dos volantes adversários.

Zé Ricardo tentou Alan Patrick, depois Mancuello. Sem sucesso, por isso a insistência com os pontas velocistas. Com a vinda de Conca, planejava um teste na função com Diego. Ambos já atuaram como meias pelos lados em outros clubes – o argentino no Fluminense em 2014 e o brasileiro no mesmo ano com Simeone pelo Atlético de Madri. Mas seria uma experiência com jogadores que nunca passaram uma temporada inteira desempenhando a função.

Everton Ribeiro foi o melhor jogador das edições 2013 e 2014 da Série A do Brasileiro pelo Cruzeiro atuando pela direita. Uma jogada forte do time mineiro era o movimento do meia para dentro, abrindo o corredor para a passagem em velocidade do jovem lateral Mayke. No Flamengo é possível até imaginar, por características, Rodinei fazendo essa combinação melhor que Pará, por ser mais rápido.

Everton Ribeiro em ação no Cruzeiro bicampeão brasileiro 2013/2014: meia aberto pela direita, cortando para dentro com o pé canhoto e abrindo o corredor para a passagem do jovem e rápido lateral Mayke (flagrante Sportv)

O mais provável é Everton formar o trio de meias atrás de Guerrero com Diego centralizado e o garoto Vinicius Júnior pela esquerda. A jóia das divisões de base vem mostrando maturidade, desenvoltura e ganhando minutos. Mesmo tão jovem, é disparado no elenco o mais próximo do ponteiro desejado: driblador e que busca a diagonal para finalizar.

A tendência é virar titular em breve, até pela exigência do Real Madrid de vê-lo em campo para chegar pronto na Espanha no ano que vem ou em 2019. A menos que Geuvânio seja mesmo contratado e se firme entre os titulares de imediato. Uma hipótese, por enquanto.

Everton Ribeiro deve atuar aberto pela direita num 4-2-3-1, usando seu pé canhoto para articular as jogadas com Diego e alimentar Guerrero. Do lado oposto, Vinicius Júnior seria o ponteiro das infiltrações em diagonal (Tactical Pad).

Mas Zé Ricardo, como ele mesmo afirmou, também pode encaixar Conca neste trio de meias, ainda que perca uma opção de velocidade, ou até mesmo em uma proposta ousada, mantendo Vinicius Júnior ou outro ponteiro e atuando num 4-1-4-1.

Improvável, até pela explicação do treinador quando já vislumbrava a equipe com Conca e Diego: um volante ficaria mais fixo na proteção da retaguarda e o outro sairia para um trabalho com o lateral pelo flanco, compensando a menor contribuição defensiva do meia criativo. Com apenas um volante poderia expor demais a última linha de defesa. Talvez uma alternativa para algumas partidas, dependendo da necessidade. Tudo vai depender da forma física dos atletas.

Um ofensivo 4-1-4-1 com Everton, Diego, Conca e Vinicius atrás de Guerrero. Uma alternativa para alguns jogos, por necessidade (Tactical Pad).

Eis o paradoxo que vive o comandante rubro-negro: a cobrança por resultados imediatos e a esperança do melhor cenário um pouco mais à frente: os três meias criativos em forma e a revelação do clube mais pronta para brilhar.

O Flamengo tem seis pontos na Série A, na segunda página da tabela, a quatro pontos dos líderes Chapecoense e Corinthians. Encara duas partidas fora de casa contra adversários próximos da zona de rebaixamento: Sport e Avaí. Há a chance de se recuperar na tabela com, no mínimo, quatro pontos. Mas duas derrotas podem desencadear uma crise que prejudicaria muito a sequência do trabalho.

Para complicar, junho é o mês das rodadas a cada três dias. Menos tempo para treinamentos e a necessidade de ajustar o time nas partidas de um campeonato mais que equilibrado. Um desafio, sem dúvida.

A boa notícia para Zé Ricardo é que ganha a peça que tanto queria. No setor ofensivo, ele nunca teve tanto talento à disposição.


Pelas circunstâncias, Botafogo ganha um ponto contra Flamengo “arame liso”
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André Rocha

A intensidade do Botafogo no primeiro tempo em Volta Redonda parecia uma clara tentativa de buscar o gol no início, aproveitando um Flamengo improvisado e com mais qualidade no banco que em campo, para depois administrar a vantagem dosando as energias e compensando o desgaste de viagem e jogo eliminatório no meio de semana pela Copa do Brasil.

Mesmo sem Camilo, Jair Ventura manteve a estrutura tática e a ideia de jogo com João Paulo mais adiantado e Matheus Fernandes no meio-campo. A equipe dobrava e pressionava a marcação pelos flancos e saía em velocidade.

O Flamengo sofria com Willian Arão totalmente perdido atuando aberto pela direita e Cuéllar responsável pela saída de bola com os zagueiros – Juan na vaga de Rafael Vaz – errando passes. Só melhorou um pouco a fluência quando Ederson, o meia central do 4-2-3-1, procurou o lado direito e deu opções de passe.

Muito pouco em um primeiro tempo muito fraco e contaminado pela rivalidade nada saudável fora de campo entre os clubes. O time alvinegro foi recuando as linhas, até por conta das lesões de Victor Luís e Aírton em lances com Arão, mas sem maldade do rubro-negro na do volante, bem mais séria. Entraram Gilson e Dudu Cearense, atrapalhando os planos do treinador.

Estava claro que o segundo tempo seria complicado para o Bota. E foi. O time foi definhando fisicamente com o calor e um Flamengo que ganhou qualidade e intensidade com Diego e Vinicius Jr. nas vagas de Cuéllar e Ederson. Arão, o pior do primeiro tempo, melhorou um pouco voltando à sua função no meio.

No entanto, os comandados de Zé Ricardo esbarraram em um velho problema: a dificuldade em transformar oportunidades em gols. Guerrero duas vezes e Everton perderam chances cristalinas. Vinicius Júnior acertou o travessão em bela conclusão. Foram 17 finalizações rubro-negras, mas apenas três no alvo.

O Bota concluiu quatro, uma na direção da meta de Muralha. E podia ter saído com a vitória se Roger não perdesse gol feito. No final, o time “cascudo” fez tudo para ganhar tempo e conter a pressão do rival que foi para o abafa no final com Leandro Damião na vaga de Arão. Pelas circunstâncias, ponto ganho no Raulino de Oliveira.

O Flamengo tem lastro de evolução com Diego recuperando ritmo de competição e Vinicius Júnior ainda mais confiante – teve sua melhor atuação entre os profissionais. Ainda tem Conca para estrear e as peças que podem chegar. Mas é urgente ser mais eficiente e contundente no ataque.

Porque time “arame liso”, que cerca mas não fura, não pontua. Uma invencibilidade de três empates em quatro partidas é prejuízo.

(Estatísticas: Footstats)


Zé Ricardo, exclusivo: “Meta no Brasileiro é tornar Flamengo mais criativo”
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André Rocha

De campeão da Copa São Paulo a técnico interino, de efetivado à vaga direta na Libertadores pelo Brasileiro que não vinha desde o título em 2009. Agora campeão carioca. Com o empate sem gols contra o Atlético-GO pela Copa do Brasil utilizando um time repleto de reservas, são 65 partidas. 37 vitórias, 17 empates e 11 derrotas. 65% de aproveitamento.

Mais que números, Zé Ricardo entrega desempenho de um Flamengo difícil de ser batido. Organizado e concentrado. Que levanta taça mesmo sem Diego, a principal estrela. Não se acomoda e, mirando o Campeonato Brasileiro que começa no fim de semana,  já pensa mais à frente, quando Conca estiver pronto. “Nosso primeiro pensamento é tornar o time mais criativo”.

Confira a entrevista exclusiva com o treinador, que fala também de Márcio Araújo como exemplo de força mental, aproveitamento da base, cabeça fervilhando de ideias e o que vê de bom no futebol pelo mundo. Inclusive confessando sua torcida na final da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Juventus.

 

BLOG – Zé, é absurdo afirmar que a marca da trajetória do Flamengo sob seu comando, culminando com o título carioca, é a força mental – do técnico novato para lidar com pressão, do Marcio Araújo suportando as críticas, de todos para compensar a ausência do Diego, etc.?

ZÉ RICARDO – A concentração é nosso mantra. Eu nem preciso lembrar muito, os próprios atletas se cobram, porque todos se precisam. O jogador precisa saber o que fazer em qualquer circunstância, inclusive a mais inesperada.

Sobre o Márcio Araújo, sem dúvida é um exemplo para todos nós. A personalidade dele é impressionante! Não liga para críticas e elogios e faz isso sem esforço. É totalmente focado no campo. Quando o Rômulo chegou, eu disse ao Márcio que não era para barrá-lo. Com o Diego sendo convocado, eu imaginava trabalhar com os dois, mais o Willian Arão. Era uma possibilidade e aconteceu.

BLOG – E a utilização dos laterais Rodinei e Trauco em funções diferentes, também gerou pressão por usar quatro jogadores da mesma posição?

ZÉ RICARDO – O importante é ter convicção. Pelas características, eles se encaixam bem nessas funções e abrem espaço, por exemplo, para o Renê ganhar seqüência na lateral. Como o Marcelo Cirino estava para sair para o Internacional, e depois acabou saindo, trabalhei com o Rodinei como externo pela direita já no primeiro jogo oficial, contra o Boavista.

Mas tem que acreditar muito nos atletas, confiar. Porque é difícil passar pelas cobranças de quem não compreende a diferença entre posição e função. E eu sei que se não tivesse conseguido os resultados talvez eu não estivesse aqui hoje como técnico do Flamengo. Mas, assim como o Márcio, eu procuro agir com convicção para ter a consciência tranquila.

BLOG – O Márcio Araújo tem se arriscado mais à frente, fazendo inversões de jogo com passes longos. Isto é mais confiança ou treinamento?

ZÉ RICARDO – É trabalho. Um complemento desde a pré-temporada para a saída de bola não ser sempre curta. Também queria um passe mais profundo de trás para acionar a velocidade do Berrío, fazer o colombiano acelerar. Ele trabalhou e ganhou confiança. Antes era o passe de segurança, até para se preservar. Hoje ele já se projeta à frente dos outros dois meio-campistas. Como diz o Bielsa, com treinamento e confiança, dá para fazer tudo em termos táticos e estratégicos.

BLOG – Dá para encaixar o Diego na volta dele num 4-1-4-1, sem retornar ao 4-2-3-1?

ZÉ RICARDO – Perfeitamente. A opção de colocar Diego mais avançado foi para aproveitar todo seu potencial mais próximo do Guerrero. Conversei com ele para entrar na área, fazer gols. Mas é uma questão de conscientizar na fase sem posse de bola, no trabalho defensivo, e isso ele faz muito bem. Também pode ajudar na saída de bola, atuando mais recuado, na mesma linha do Arão.

BLOG – No início da temporada, você encaixou Mancuello como um meia atuando pela ponta visando preparar a equipe para receber Conca. Com a lesão de Diego, você voltou aos ponteiros velocistas. Qual o plano para quando tiver todos disponíveis? Ainda há o propósito de escalar Diego e Conca juntos?

ZÉ RICARDO – É o nosso primeiro e principal pensamento. A meta no Brasileiro é tornar o time mais criativo no último terço, quebrar as linhas de marcação. Coloquei, sim, o Mancuello pensando no Conca, também porque a concorrência no meio-campo era bem dura para ele. Foi até bem pelo lado. Depois foi para o meio, agora está machucado.

Com Diego e Conca disponíveis, eu tenho diversas possibilidades, a cabeça até fervilha (risos). Se o Conca jogar pelo lado direito, eu posso compor com Pará e Arão fechando em um trabalho mais forte de cobertura. Mas também posso abrir o Diego pela esquerda, com Berrío à direita e Conca centralizado, mais solto. Aí o Márcio junto com o Trauco fechariam mais o setor. O Diego já atuou assim, inclusive no Atlético de Madri, com o Simeone. São ideias, os treinamentos e jogos é que vão mostrar a melhor forma de aproveitar todo esse potencial.

Uma das possibilidades na cabeça de Zé Ricardo: Diego aberto pela esquerda, Conca mais livre no centro e Márcio Araújo dando suporte defensivo ao meia que mudaria de função para o encaixe do argentino vindo de longa inatividade. Tudo para dar mais criatividade ao setor ofensivo (Tactical Pad).

BLOG – Sei que você não fala em jogadores que não fazem parte do elenco que comanda, então farei uma pergunta genérica: quando você pensa em Everton Ribeiro num time qualquer, o visualiza na mesma função executada no Cruzeiro – ponta articulador pela direita jogando com pé invertido, o canhoto?

ZÉ RICARDO – Pensando até no time em que atua nos Emirados Árabes (Al Ahli), ele pode atuar nas três posições atrás do centroavante num 4-2-3-1. Ou mesmo num 4-1-4-1, até porque ele foi lateral quando surgiu na base do Corinthians.

BLOG – Se você tiver três meias de qualidade técnica, em plena forma, pode até abrir mão dos ponteiros?

ZÉ RICARDO – Como disse, tudo depende dos treinamentos, dos jogos, até das características dos adversários. Na base eu trabalhei com Cafu, Matheus Sávio e Paquetá atrás do Vizeu. Nenhum velocista típico. Você pode perder de um lado, mas ganhar de outro.

BLOG – Você reconhece que se tivesse Conca desde o início da temporada para testar durante o Carioca seria mais fácil do que tentar encaixá-lo agora, com Brasileiro e jogos decisivos em Libertadores e Copa do Brasil, caso o time se classifique?

ZÉ RICARDO – É óbvio. Mas foi uma oportunidade de mercado, contar com um jogador que dispensa maiores explicações sobre seu potencial técnico. Eu sei que haverá pressão. Eu vi pessoas exigindo a escalação do Ederson assim que o Diego se lesionou. Coloquei contra o Atlético-GO e todo mundo viu a dificuldade, natural pela falta de ritmo de jogo.

O Conca vai passar pelo mesmo, é quase um ano sem jogar. Felizmente a conquista do Carioca tira um pouco do peso das cobranças e há mais tranqüilidade e confiança para trabalhar e fazer testes, mesmo em meio a jogos tão duros. Mas isto acontece em toda temporada. O Brasileiro nem começou e tivemos cinco partidas decisivas em 15 dias!

BLOG – Eu tenho a impressão de que você, por conviver com todas essas pressões tendo subido há pouco das divisões de base como treinador, tem uma cautela até excessiva com os jovens que comandou, com temor que se queimem por conta de uma atuação ruim. Estou errado?

ZÉ RICARDO – Não. Eu reconheço o cuidado, que às vezes passa até do ponto. Me preocupo com a pressão. Porque há torcedores e jornalistas que têm uma paciência maior com quem vem da base. Mas também existem outros que acham que o garoto tem que dar resposta imediata e não é assim que funciona. Não dá para lançar todos ao mesmo tempo.

BLOG – Para finalizar, o que tem chamado sua atenção no futebol mundial?

ZÉ RICARDO – Ah, a Juventus! Como bom italiano (risos). Sem dúvida terá minha torcida na final da Liga dos Campeões. Nos meus estudos e observações noto que cada vez mais os times têm duas formas de controlar o jogo: pela posse ou pelo espaço. Contra o Barcelona no Camp Nou, eles negaram o meio para o adversário trabalhar, fecharam até com seis na última linha e não deram brecha. Mas também sabem ficar com a bola, se necessário. Aliás, esta é a maior mudança do futebol atual, porque culturalmente o italiano prioriza muito a defesa.

Me chama atenção também a intensidade do futebol alemão, a posse dos espanhóis, que admiro muito, e o 5-4-1 mais “duro” do Chelsea, que se sustenta muito na frente com o Diego Costa, que retém bem a bola e é ótimo finalizador.