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Real Madrid recupera rapidamente o foco. E segue o mistério de Diego Alves
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André Rocha

A derrota para o Barcelona em casa foi daquelas sofridas, doídas. Com um a menos, minutos depois de alcançar o empate que encaminharia o título da liga. Levando gol de contragolpe em casa.

Seria até compreensível perder o rumo, até porque não havia muito tempo para reflexões, já que na quarta-feira tinha jogo fora de casa contra o La Coruña. Era a esperança do time catalão para se firmar na liderança, contando também com a superioridade no confronto direto.

Mas aí valeu o trabalho de Zidane mantendo os reservas atuando em bom nível. Descansou os titulares física e mentalmente, enfiou 6 a 2 com atuação sólida. Mostrando a força do elenco e que o treinador tem soluções para seguir competitivo nos dois torneios.

Na sequência, duelo sempre complicado contra o Valencia, que venceu os merengues no Mestalla por 2 a 1 no turno. Precisando de entrega para buscar os três pontos, mas já vislumbrando o primeiro clássico de Madrid diante do Atlético pela semifinal da Liga dos Campeões. Como se comportar?

Fazendo o melhor. Com James Rodríguez na vaga de Gareth Bale. Jogando como protagonista, ocupando o campo de ataque. Com Toni Kroos auxiliando os zagueiros na saída de bola e dando liberdade a Marcelo. Alternando o posicionamento da segunda linha de quatro quando a equipe se defende: Modric sai do centro e abre à direita, Kroos ajudando Casemiro no meio e James invertendo o lado e fechando o setor esquerdo. Liberando Cristiano Ronaldo próximo a Benzema.

Mas com dificuldades para infiltrar nas compactas duas linhas de quatro do Valencia que defendia com todos os jogadores no próprio campo. Sem abdicar do jogo, porém. Eventualmente adiantando a marcação e forçando pelos flancos: à direita com Montoya e Munir; pela esquerda com Nani e o jovem lateral Lato.

Quando a disputa parecia mais equilibrada, Cristiano Ronaldo descomplicou. Centro preciso de Carvajal, que não para de crescer de produção, e movimento perfeito do português para marcar seu vigésimo gol no Espanhol. Bem longe dos 33 de Messi, mas nitidamente focado nas conquistas coletivas, que, no fundo, são o que decidem os prêmios individuais ao final da temporada.

A segunda etapa foi de controle do Real e chances desperdiçadas. Inclusive chute na trave de Benzema. A melhor no pênalti de Parejo sobre Modric. Cristiano Ronaldo na cobrança para resolver a partida. Mas havia um Diego Alves pelo caminho.

Cobrança no canto esquerdo, defesa do goleiro brasileiro. A 25ª vez em 53 cobranças que ele impediu um gol de pênalti. O maior pegador da história da liga espanhola. Um goleiraço. Para um torneio como Copa do Mundo, em que as decisões por pênaltis são mais frequentes, devia ser obrigação ao menos tê-lo no grupo convocado.

Tite prefere Weverton, Ederson, Alisson. Até Muralha. Difícil entender a ausência na seleção brasileira de um arqueiro de altíssimo nível e com experiência internacional. O que falta? Um time de grife, mais visibilidade? Um mistério.

Curiosamente, o jogo não mudou com a penalidade desperdiçada. O Real seguiu com a bola e equilíbrio.  Zidane não usou Isco e deixou a impressão de que a ideia era poupá-lo para a Champions. Mandou a campo Asensio e Morata para ficar mais rápido nos contragolpes.

O Valencia parecia cansado pelo trabalho desgastante sem a bola. Mas achou o empate na cobrança de falta de Parejo. Aos 37 do segundo tempo. Para um time pressionado pelo rival e depois de dominar praticamente toda a partida, seria até natural baixar a guarda, bater um desânimo.

Não para este Real Madrid. Que não dá espetáculos, mas é forte mentalmente e sabe o que quer. Vacilou no clássico pelo excesso de confiança, não por se desmanchar em campo. Voltou ao ataque e aí de novo valeu a presença de jogadores desequilibrantes.

Desta vez foi Marcelo. Corte para dentro com a canhota, chute de direito fora do alcance de Diego Alves. Belo gol do brasileiro, muita vibração. Sangue nos olhos. A prova de que os merengues não perderam o foco na liga. A obsessão por encerrar a sequência de títulos nacionais do Barça segue intacta.

Agora é virar a chave para o torneio continental. Atlético de Madrid no Bernabéu. A pedra no sapato recente. O único adversário que o time de Zidane não conseguiu vencer em casa. Um novo desafio a exigir força mental. Mas como duvidar desse Real Madrid?


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