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As diferenças entre ferrolho, catenaccio, retranca e linha de handebol
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André Rocha

Como previsto neste blog antes mesmo da bola rolar na Rússia, a Copa do Mundo de 2018 vem trazendo nesta primeira rodada da fase de grupos e especialmente nas atuações da Islândia no empate com a Argentina por 1 a 1 e na do Irã, derrotada pela Espanha por 1 a 0, a marca de sistemas defensivos sólidos e organizados numa linha que costuma proteger a área com cinco, seis ou até sete jogadores.

Nas redes sociais e nos debates em TV, internet, rádio e na mesa de bar surge logo o termo “retranca”, normalmente reduzindo a estratégia das seleções que se fecham como um amontoado de jogadores guardando “covardemente” a própria meta.

Muito comum também recorrem a termos que orbitam o “glossário” habitual do futebol como “ferrolho” e “catenaccio” como sinônimos de estilos que privilegiam o trabalho defensivo. Como se fosse tudo a mesma coisa.

Não é. Até porque são práticas de épocas diferentes, com todas as suas particularidades. Seu “zeitgeist”, ou espírito do tempo. São de uma época que não volta mais, ainda que o legado de todos os eles sempre ajude a construir o que se pratica hoje.

Tudo começa no reconhecimento de que se um time tentar encarar o adversário de frente sendo inferior tecnicamente as chances de ser derrotado e até goleado aumentam exponencialmente. Jogar mal e deixa o oponente à vontade é um convite ao fracasso.

Não foi exatamente o que pensou Karl Rappan ao chegar ao Servette no final dos anos 1920 para ser jogador-técnico. Sua preocupação maior era a questão física, já que seu time era semiprofissional e iria enfrentar adversários totalmente dedicados ao esporte. Mas a questão técnica também era importante.

Por isso criou o “verrou”, ou “ferrolho”. Nada mais era que uma evolução diferente do 2-3-5 para o WM (3-2-2-3). Um defensor protegendo a linha de três zagueiros, um centro-médio à frente de dois meias, dois pontas e um centroavante. Uma espécie de 4-3-3 com líbero. Encaixando no sistema rival. Cada um marca o seu e um homem sobra. Com o olhar de hoje, nada demais.

O “ferrolho” da Suíça em 1938 que chamou atenção pela solidez defensiva. Basicamente um 4-3-3 com líbero (Tactical Pad).

Mas chamou atenção na época especialmente na Copa do Mundo de 1938, a última antes da Segunda Guerra Mundial. A Suíça de Rappan venceu a Inglaterra em um amistoso pré-Copa e na estreia superou os alemães. Acabou vencido pelos húngaros e voltaram para casa. Marcaram época, porém.

E o que marcaria o conceito de “retranca” também estava lá na Suíça. Não exatamente com quantos se defende, mas como se ataca. O time poderia jogar em qualquer sistema, mas se atacasse apenas em velocidade com bolas longas para seus atacantes, chegando com apenas três ou quatro na área adversária e marcasse poucos gols já era chamado de time “covarde”.

Como o Fluminense nos anos 1950, cujo grande destaque era o goleiro Castilho e vencia seus jogos por placares magros em tempos de gols em profusão. Por isso ganhou o apelido de “timinho”. Mas vencia.

Multicampeão foi Helenio Herrera, argentino que comandou a Internazionale de 1960 a 1968, mas com passagens pelas seleções de Espanha e Itália. O treinador que atualizou o “catenaccio”, a porta trancada. Estratégia que teve seu primeiro ensaio no “Método” de Vittorio Pozzo, bicampeão mundial de 1934 e 1938 pela Itália e a consolidação com Nereo Rocco, vice-campeão italiano de 1948 com o Triestina e que depois se consagraria no Milan dos anos 1960.

Herrera contestava o rótulo defensivista para sua estratégia que adaptou o volante Picchi como líbero para que Fachetti tivesse liberdade para atacar pela esquerda como o “terzino fluidificante”. O armador espanhol Luís Suárez, chamado de “regista”, acionava o trio de ataque em contragolpes. O conceito ofensivo de Herrera não podia ser mais atual: poucos toques na bola e velocidade. “Se você toca verticalmente e perde a bola, o prejuízo é pequeno. Mas se perder tocando horizontalmente pode levar um gol”, explicava.

Helenio Herrera armou o “catenaccio” na Internazionale com líbero para permitir que Facchetti tivesse liberdade para apoiar pela esquerda. Time de toques rápidos e velocidade no ritmo do “regista” Luis Suárez (Tactical Pad).

A estratégia da Itália campeã mundial em 1982 que eliminou o lendário Brasil de Telê Santana até hoje é chamada erroneamente de “catenaccio”. A seleção do treinador Enzo Bearzot praticava mesmo o “gioco”. Com o líbero Scirea, o “terzino” Cabrini, o “regista” Antognoni e Bruno Conti, o “ala tornante”, ou o ponta que retorna para transformar o 4-3-3 em 4-4-2. A proposta, porém, embora reativa contra equipes superiores tecnicamente, valorizava mais a bola e tinha alguma preocupação estética, com o jogar. A marcação era mista, por zona ou encaixe para a maioria dos jogadores e individual com o grande talento do adversário. Quem não lembra de Gentile perseguindo Zico e Maradona por todo o campo?

No Brasil, as retrancas sempre foram tratadas como o único recurso para o time inferior. Algo inconcebível para times grandes. Os quatro da defesa mais o volante, o meia-armador e o “falso ponta” recuados para que a equipe atacasse apenas com três homens. Viviam de uma “bola vadia” para vencer. Era o que faziam os times médios e pequenos contra esquadrões como o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, a Academia do Palmeiras, o Cruzeiro de Tostão, o Flamengo de Zico, entre outros tantos.

Milton Buzzeto, Paulinho de Almeida e Pinheiro foram “retranqueiros” célebres, comandando times pequenos que se fechavam e tomavam pontos dos grandes. Muitas vezes apelando para faltas violentas e esburacando os gramados para dificultar a vida das equipes mais técnicas.

Há, porém, uma diferença clara entre os métodos citados e as atuais linhas “de handebol”. Enquanto o “ferrolho”, o “catenaccio” e a retranca tinham o jogador adversário como referência com perseguições individuais, o trabalho sem a bola na atualidade, na grande maioria dos casos, procura fechar espaços de acordo com a região em que está a bola. Marcação por zona.

O “marco zero” surgiu por necessidade. José Mourinho perdeu Thiago Motta expulso no Camp Nou contra o Barcelona de Pep Guardiola na semifinal da Liga dos Campeões 2009/10 precisando administrar uma vantagem de dois gols, mas que pela vitória por 3 a 1 da Internazionale em Milão podia escapar com uma derrota por 2 a 0.

Com a desvantagem numérica, Mourinho abriu mão totalmente da posse de bola e da possibilidade de contra-atacar e plantou seu time na frente da área. Mas não de forma desordenada. Criou uma linha de seis ou sete jogadores para ao mesmo tempo negar espaços para as arrancadas de Lionel Messi e também as infiltrações por dentro, mas sem deixar de cuidar dos jogadores abertos que eram um dos segredos do esquadrão blaugrana para abrir as defesas adversárias.

José Mourinho armou a “linha de handebol” com sete homens, inclusive Samuel Eto’o protegendo a própria área do Barcelona de Guardiola. E o futebol começou a mudar. (Reprodução ESPN)

Sofreu apenas um gol e ainda viu o Barça apelar para Piqué como centroavante nos minutos finais. Já que não havia como infiltrar, a saída foi levantar bolas na área. Mourinho tirou o Barça de seu conforto, alcançou uma classificação heroica para a final da Liga dos Campeões que terminaria em título. O último da Champions do clube e do treinador. Mais que isto, sua resposta a Guardiola mudou o futebol mundial.

Alguns treinadores tentaram copiar os conceitos do catalão, mas a maioria, quando necessário, assimilou mesmo o “ônibus” de Mourinho. Já que o jogo passou a ser feito em 20, 30 metros, o time concentra o maior número de corpos nos espaços certos perto da própria área para impedir que o adversário entre. Como no handebol.

O desenho tático pode variar. Uma linha de quatro defensores pode ganhar mais dois pelos lados e passar a ser formada, na prática, por seis homens. Ou sete, se a linha for de cinco ganhando mais um zagueiro. Mas dois jogadores para impedir os chutes de fora da área com liberdade e um único atacante.

Mourinho tirou a vergonha e colocou a inteligência na retranca. Junto com outros treinadores foram aprimorando os conceitos ao longo do tempo. Sem deslealdade ou jogo sujo, apenas posicionamento e concentração. É claro que no mais alto nível fica difícil competir com equipes mais versáteis e talentosas – e Mourinho vem sofrendo com isso nos últimos anos.

Mas para confrontos como o dos iranianos comandados por Carlos Queiroz diante dos favoritos espanhois é uma estratégia legítima e até lógica. Embora não agrade as retinas deste que escreve, muitos conseguem até enxergar beleza na prática.

Irã com seis jogadores protegendo a própria área: quatro defensores e os dois pontas voltando como laterais para conter a Espanha (reprodução TV Globo).

Só não é tudo igual. As linhas de handebol podem até ser consideradas uma evolução de “ferrolho”, “catenaccio” e “retranca”. Mas as práticas e os princípios são bem distintos. Basta ter olhos de ver.

 

 


A “retranca handebol” do Irã que exigiu da Espanha a força de Diego Costa
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André Rocha

Pelo histórico recente de Espanha e Irã e o que aconteceu na primeira rodada era esperado o maior duelo ataque x defesa da Copa do Mundo até agora. E o jogo confirmou a previsão, especialmente pela postura do Irã.

Uma estratégia que não é novidade há tempos no futebol mundial. Vem de José Mourinho na classificação da Internazionale para a final da Liga dos Campeões de 2009/10 segurando com um homem a menos o Barcelona de Pep Guardiola ao alinhar em vários momentos sete jogadores na última linha de defesa impedindo as infiltrações.

O próprio Irã resistiu a Argentina de Messi o quanto pôde na Copa de 2014 no Brasil trabalhando da mesma forma. Aproxima bastante os quatro defensores da última linha fechando as infiltrações pelo centro e recuando os dois meias pelos flancos negando a chegada ao fundo dos laterais adversários. Ou seja, formando uma linha de seis homens e mais três à frente deixando apenas um atacante. Ou seja, a “retranca handebol”.

A Espanha respondeu como sabe: com posse de bola, invertendo o lado do campo, criando espaços com a movimentação e a inteligência de Iniesta, David Silva e Isco, abrindo o campo com Carvajal e Jordi Alba. O “corpo estranho” era Lucas Vázquez, que no Real Madrid atua como ponta, mas no jogo circulou tentando se associar com os meias. Para isto seria melhor manter Koke ou encaixar Thiago Alcântara.

Foram 69% de posse, 89% de efetividade nos passes. 17 finalizações, mas apenas três na direção da meta de Beiranvand. Um tanto pela imprecisão espanhola, mas muito pela competência da seleção de Carlos Queiroz, no comando desde 2011. Movimentos perfeitos no bloqueio de passes, cruzamentos e chutes. Um muro ou ônibus guardando a própria meta.

Quem resolveu? Diego Costa, à sua maneira. Enrosco, disputa física, dividida e bola na rede. A sofisticação espanhola ganhou um toque “ogro” no ataque para arrancar um gol à forceps. Talvez a Espanha campeã mundial em 2010 achasse o gol num passe genial de Xavi para David Villa ou na cabeçada de Puyol, mas alguns problemas poderiam ter sido resolvidos pelo típico centroavante que tem força física, posicionamento e qualidade suficiente para dialogar com os meias talentosos.

Mas não há nada resolvido no Grupo B. Porque a Espanha provavelmente terá mais espaços contra Marrocos, mas também sofrerá mais na defesa, ainda que o adversário da última rodada seja “arame liso”. Porque Hierro conta com Carvajal e Alba como laterais ofensivos, mas Piqué e Sergio Ramos não são tão rápidos na cobertura e Sergio Busquets é lento na proteção da retaguarda. Mesmo tão fechado, o Irã criou problemas e poderia ter empatado. Mas num universo de seis finalizações não acertou nenhuma no alvo. Ou apenas o gol bem anulado de Saeid Ezatolahi.

Se melhorar este desempenho ofensivo pode criar problemas para Portugal, que sofre bem mais na construção que a Espanha. Missão novamente para Cristiano Ronaldo. Este problema ao menos os espanhois tiraram do caminho.

(Estatísticas: FIFA)


Empate no jogaço entre a Espanha do estilo coletivo e CR7, o gênio goleador
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André Rocha

A Espanha demonstrou incrível capacidade de recuperação na estreia do Mundial na Rússia depois da crise pela demissão de Lopetegui. Sofreu dois golpes duríssimos em Sochi. O primeiro no pênalti sofrido e convertido por Cristiano Ronaldo logo aos quatro minutos. Depois no frangaço do goleiro De Gea no segundo gol do gênio português.

Mesmo sem treinador e com Hierro escolhido como sucessor para gerir o vestiário e garantir o piloto automático na execução do modelo de jogo já assimilado pela seleção, a Roja se impôs em campo pela inigualável qualidade no meio-campo. Busquets, Koke, Iniesta, David Silva, Isco. Ainda entrou Thiago Alcântara para manter o jogo de posse.

Na frente, Diego Costa. Enfim encaixado no estilo da seleção. O homem que chama lançamentos e tem presença física na área adversária. Assim ganhou de Pepe no físico – sem falta para este que escreve – e depois, na qualidade, limpou a marcação e bateu forte no canto de Rui Patrício. No segundo tempo, completou jogada muito bem ensaiada e executada na cobrança de falta de Silva e a assistência de Busquets na segunda trave.

Portugal tentava compactar as linhas de quatro, agredir a marcação sobre o adversário com a bola e acelerar as transições ofensivas acionando Gonçalo Guedes e Cristiano Ronaldo, que sempre cresce quando não fica isolado na frente. Mas a equipe de Fernando Santos sofria com o volume de jogo e a pressão depois da perda da bola do rival.

Os espanhois tocavam e rodavam a bola, porém não tinham profundidade pelos flancos. Jordi Alba bem vigiado pelo lateral Cédric e Nacho, zagueiro improvisado, sem velocidade para surpreender nas infiltrações como Carvajal. Foi decisivo, porém, ao aparecer no momento certo e acertar belo chute que marcaria a virada para 3 a 2.

Consolidando o domínio que terminou com 62% de posse e 12 finalizações contra oito – cinco a três no alvo.

As três de Cristiano Ronaldo. Nas redes. Porque o camisa sete é daqueles que ficam indignados com derrota, ainda mais em jogo grande. Chamou a responsabilidade, sofreu e cobrou falta no ângulo. Desta vez De Gea sequer teve como reagir. O melhor finalizador desta era já é artilheiro do Mundial, dobrando seus números em Copas. Agora está a três dos nove de Eusébio em 1966. Mais um recorde à vista.

Tem tudo para alcançá-lo contra Marrocos e Irã e garantir Portugal nas oitavas. Disputando no saldo a primeira vaga com a Espanha. As favoritas do Grupo B confirmaram as expectativas e fizeram o melhor jogo da Copa do Mundo até aqui.

(Estatísticas: FIFA)

 


Lopetegui demitido! Surreal crise espanhola aumenta favoritismo do Brasil
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André Rocha

Bastava deixar tudo encaminhado com transparência e bater o martelo depois da Copa do Mundo para o Real Madrid anunciar Julen Lopetegui como o sucessor de Zidane no comando técnico.

Na Europa não costuma ser tão problemático esses anúncios que no Brasil poderiam provocar crises demolidoras. Como Pep Guardiola anunciado no Bayern de Munique e no Manchester City com a temporada rolando e Jupp Heynckes e Manuel Pellegrini ainda treinando as equipes. Ou Antonio Conte acertado com o Chelsea ainda comandando a Itália na última Eurocopa ou Louis Van Gaal fechado com o Manchester United disputando a Copa do Mundo de 2014.

Mas desta vez criou uma quebra de confiança dentro do grupo da seleção espanhola, que já tem suas tensões naturais entre jogadores de Real e Barcelona. Uma inacreditável falta de tato e sensibilidade. Do Real por ter acertado com o treinador sem avisar à Federação Espanhola e anunciado oficialmente às vésperas do Mundial e, principalmente, de Lopetegui por ter aceitado a proposta depois de esconder a negociação, tendo o contrato renovado recentemente até 2020. Atitude infeliz que  ejetou o treinador do comando da Roja. Demissão anunciada na véspera da abertura da Copa.

Algo inédito, que abala muito o favoritismo espanhol. A seleção que apresentou melhor futebol em 2018. Consolidando os dois anos do ciclo de sucessão de Vicente Del Bosque. Praticamente o mesmo tempo de trabalho de Tite. Mas suficiente para resgatar o estilo e o espírito que se esvaiu depois da conquista da Eurocopa 2012. Agora se transforma em um enorme ponto de interrogação.

Pensando com o olhar brasileiro, é um forte concorrente que, ao menos em tese, se enfraquece para a disputa do Mundial. E já estreando contra Portugal de Cristiano Ronaldo. No pior dos cenários de uma derrota no primeiro jogo, ainda assim não deve ser problema conseguir a classificação disputando vaga com Irã e Marrocos. Mas num hipotético duelo nas oitavas contra um Uruguai ou até diante da anfitriã Rússia já pode se complicar.

Porque é uma troca de comando traumática e sem tempo para buscar uma solução bem pensada. Rubiales está no cargo há poucos meses sucedendo Angel Villar. Prometeu anunciar um nome amanhã. Tão caótico quanto surreal.

Perde o Mundial, ganha o Brasil de Tite. Uma possível final pode ter outro adversário. O futuro dirá.

 


Copa do Mundo deve combinar características da última Euro e da Champions
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André Rocha

A Copa do Mundo tem sua abertura na quinta-feira com a anfitriã Rússia diante da Arábia Saudita. O primeiro duelo já deve dar a tônica do que provavelmente será a fase de grupos na maioria das partidas.

Uma seleção favorita pela camisa, história, tradição e/ou um grupo mais qualificado de jogadores contra uma equipe tratada como “zebra” fechando espaços no próprio campo. Com a cada vez mais frequente linha de cinco ou mesmo a tradicional com quatro defensores, porém com os pontas recuando como laterais formando um cinturão guardando a própria área. Todos os movimentos estudados por departamentos de inteligência cada vez mais equipados e qualificados.

Então o time que ataca busca uma jogada individual mais perto da área do oponente, ou uma virada de bola rápida que surpreenda o sistema defensivo. Se não for possível, os chutes de média e longa distância, a jogada aérea com bola rolando ou parada e o desarme no campo de ataque com transição rápida viram as possíveis soluções para ir às redes. Tudo isso atento ao balanço defensivo para não dar ao rival os espaços tão desejados às costas da retaguarda.

Fica tudo muito condicionado ao primeiro gol. Se a seleção que defende marca aí o bloqueio fica ainda mais sólido, com todos os jogadores num espaço de 20 metros em linhas quase chapadas, como no handebol. Já se o favorito abre o placar aumenta exponencialmente a chance do jogo mudar e os espaços e mais gols aparecerem.

Foi o que aconteceu na última Eurocopa, na França em 2016, com algumas partidas de fato entediantes para quem aprecia uma trocação de ataques e gols e se apega ao esporte mais pela emoção que pelo jogo em si. Apenas oito placares com vantagens iguais ou superiores a dois gols num total de 36 partidas. Média de 1,2 por jogo.

Sim, desta vez haverá Messi, Neymar, Suárez, James Rodríguez, Salah, Guerrero, o jovem Mbappé que surgiu ano passado na França e outros talentos desequilibrantes. Mas também um trabalho defensivo ainda mais concentrado e aprimorado para bloquear a técnica e o improviso.

Por outro lado, se os favoritos em cada grupo conseguirem suas classificações o torneio tende a passar por uma transformação, como a que ocorre quase todo ano na Liga dos Campeões. A partir da primeira “seleção natural” o nível já sobe bastante. Mesmo com a presença de algumas surpresas que se conseguem a vaga a partir das quartas é porque houve mérito.

Imaginemos a partir das oitavas os duelos envolvendo as favoritas Alemanha, Brasil, Espanha e França, mais os talentos belgas, o Uruguai de Cavani, Suárez e agora meio-campistas mais qualificados. Inglaterra, Colômbia, Croácia…A Polônia de Lewandowski e a promissora Dinamarca do meia Eriksen. E ainda Messi e Cristiano Ronaldo no Mundial que provavelmente será o último da dupla de extraterrestres jogando no mais alto nível. Conduzindo Argentina e Portugal. Mas ao contrário do universo dos clubes sem o favoritismo de Barcelona e Real Madrid, o que torna tudo mais imprevisível e eletrizante. Mesmo sem o peso de Holanda e Itália, esta a única ausente do seleto grupo de campeãs. Em jogo único. Segue ou vai para casa.

A torcida é para que este que escreve esteja enganado em sua previsão da primeira fase e os jogos eliminatórios sejam acima das ótimas expectativas. Mas caso o blogueiro tenha razão viveremos uma montanha russa de impressões. Para o deleite dos saudosistas – como se nas décadas anteriores os Mundiais não tivessem peladas homéricas, inclusive com a seleção brasileira – e reclamões de plantão na “chata” primeira fase e depois a apoteose de jogaços na reta final deixando a média positiva.

Seja como for, Copa do Mundo é como pizza. Até quando é ruim é boa e vale a pena. O maior evento esportivo do planeta que felizmente acontece de quatro em quatro anos e não se banaliza, ao menos por enquanto. Que tudo enfim comece na Rússia!


Iniesta, o melhor coadjuvante que um time pode querer, vai fazer falta
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André Rocha

Foto: Divulgação/Barcelona

34 anos, 22 no Barcelona. 32 títulos no clube, mais três pela seleção espanhola. O mais importante, da Copa do Mundo em 2010, fazendo o gol da conquista na prorrogação. Algo que já valeria respeito e reverência em toda Espanha, mesmo dos madridistas.

Mas Iniesta é muito mais que isto. Cidadão consciente. De seu tamanho e do que representa, mas também dos valores que são importantes. Foi o que se viu principalmente no campo de jogo. No clube ou na seleção, sempre foi o melhor coadjuvante que um time pode ter.

Conviveu tranquilamente com o protagonismo de Ronaldinho Gaúcho e Messi no Barça e de Xavi como símbolo maior do estilo da seleção espanhola. Nunca deu entrevistas cobrando Bola de Ouro, até quando mereceu em 2012. Total consciência de ser um facilitador.

Um gênio da simplicidade e do senso coletivo. Se o mais adequado é o passe curto, de lado, para manter o controle da bola e o time no campo de ataque sem riscos, ele não vai inventar algo diferente tentando ser mais do que o necessário.

Heroismo só quando for essencial. Como no gol sobre o Chelsea na semifinal da Liga dos Campeões 2008/09 ou no chute decisivo do Mundial da África do Sul. Ou liderando uma Espanha já iniciando a curva descendente na Eurocopa 2012. O grand finale da geração mais vitoriosa do país. Coletiva, sem uma estrela maior. E ainda tem a Copa da Rússia como uma possibilidade de cereja do bolo.

Iniesta é digno até na hora de se retirar. Ao perceber que o time precisa de mais intensidade e vigor abre espaço com humildade, sem deixar o clube na saia justa de manter mais pela história que por conta do desempenho. Sim, havia negócios para conciliar na China e agora podem surgir oportunidades também fora de campo no Japão.

Mas o camisa oito nos gestos e exemplos nunca simbolizou ganância. Pelo contrário, apenas generosidade. Como na passagem da braçadeira para Lionel Messi. Por isto vai fazer tanta falta ao futebol mundial no seu mais alto nível. Como lembrou a torcida no Camp Nou em camisas e bandeiras na vitória sobre a Real Sociedad por 1 a 0, golaço de Philippe Coutinho, jogadores e pessoas como ele são infinitos. Ou deveriam ser.


Sampaoli deve visitar Simeone. Argentina precisa de paixão e humildade
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André Rocha

Foto: Álex Marín

Jorge Sampaoli já disse que sente o futebol diferente de Diego Simeone. De fato, basta olhar para o campo e ver ideias de jogo bem distintas. Ambos intensos, mas um querendo a bola e se arriscando mais preenchendo o campo de ataque e outro mais focado no erro do adversário e abnegado na tarefa de defender a própria meta.

Mas pelo momento da seleção argentina, com menos de um ano de trabalho e as perspectivas na Copa do Mundo, já começando por um Grupo D longe de ser fácil com Islândia, Croácia e Nigéria, o atual treinador da albiceleste deve olhar para o trabalho de seu compatriota, novamente campeão no Atlético de Madri com a conquista da Liga Europa ao vencer o Olympique de Marselha por 3 a 0. Até visitá-lo para trocar impressões e adaptar convicções.

Porque está claro que não será possível seguir a linha de Sampaoli, fortemente influenciada pela dinâmica de Marcelo Bielsa. Da “soberania argentina”. O que deu certo no Chile. Faltando um mês para o Mundial na Rússia é preciso ser pragmático. Os 6 a 1 impostos pela Espanha, mesmo com todo o contexto e a ausência de Messi, deram um recado claro, cristalino: a trajetória tortuosa até aqui e o material humano pedem cuidados para ao menos honrar a camisa duas vezes campeã mundial e presente em cinco finais.

O 4-4-2 ou 4-4-1-1 de Simeone no Atlético é um bom início. Até pela semelhança com o de Alessandro Sabella no Brasil. Para diminuir os espaços dos adversários com linhas compactas e principalmente deixar Messi bastante confortável. Como nesta temporada no Barcelona campeão espanhol e da Copa do Rei comandado por Ernesto Valverde.

Porque é desperdício prender o gênio argentino pela direita ou deixá-lo como único atacante, a menos que seja um “falso nove” com dois ponteiros agudos infiltrando em diagonal. Melhor deixá-lo solto com uma referência na frente para tabelas e passes em profundidade. Pode ser Higuaín ou Aguero. Este que escreve apostaria em Mauro Icardi, mais jovem, rápido e sanguíneo, sem o peso do retrospecto negativo dos outros dois na seleção em jogos grandes.

A escolha dos demais nomes ficaria por conta dos treinamentos e da condição física depois de uma temporada europeia desgastante. Há uma base com Romero na meta, Otamendi na zaga, Biglia na proteção da retaguarda e Di María em um dos flancos na linha de meio-campo.

Mas duas características do Atlético de Simeone não podem faltar neste Mundial à albiceleste: paixão e humildade. A primeira para buscar o título que não vem desde a Copa América de 1993 e também jogar por Messi. Para a única grande conquista que falta a um dos melhores e maiores da história do esporte.

Mesmo que não se compare em idolatria a Maradona, até pelas personalidades diametralmente opostas, mas digno de um momento marcante, histórico. Para isto é fundamental colocar sangue nos olhos dos companheiros e do próprio Messi, com seu comportamento indecifrável em alguns momentos decisivos.

Por isso a humildade é essencial. Para entender limites e possibilidades. Compreender que ter a bola sem um plano bem assimilado e executado aumenta exponencialmente os riscos. Pressionar o tempo todo no campo de ataque sem coordenação e ainda contando com um Messi que costuma caminhar sem a bola é convidar o oponente para aproveitar espaços entre os setores. Humildade em Sampaoli para entender que será preciso ser mais Carlos Bilardo que César Menotti ou Bielsa. Mais Simeone. É o que o momento pede.

O sucesso dos treinadores argentinos na Europa é ótimo, mas provoca um efeito colateral: o melhor não está a serviço da seleção. Sampaoli aceitou interromper o sonho no Velho Continente para servir seu país. Agora precisa colocar de lado a vaidade de assinar um estilo.

A Argentina clama por um plano de emergência. Mesmo com todos os problemas da AFA, o da última Copa só negou o título na prorrogação da decisão. Com Higuaín perdendo uma chance no primeiro tempo que podia ter mudado a história. Por que não repetir, incluindo a entrega e o “correr até a morte” de Simeone como o toque final para buscar a redenção com tons de drama, como bem gosta o seu povo?

 


Espanha é a melhor seleção e pinta como a favorita. Bom até para o Brasil!
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André Rocha

A história mostra que a Copa do Mundo consagra a melhor seleção durante aquele mês de disputa. Às vezes coincide ser também a grande equipe daquele ciclo que consegue chegar ao auge no momento certo.

Há pouco menos de três meses da disputa na Rússia, a Espanha é a que apresenta o melhor futebol. Não só pelos 6 a 1, fora o baile, na Argentina sem Messi. O desempenho médio do último ano considerando amistosos e eliminatórias a credencia como grande candidata ao segundo título.

Julen Lopetegui consegue dosar a experiência e a rodagem de jogadores como Piqué, Sergio Ramos, Busquets e Iniesta com a juventude de Asensio e a maturidade de Carvajal, Jordi Alba e Isco. É time pronto para aguentar a pressão de uma Copa.

Na proposta de jogo, ainda a posse de bola. No empate em 1 a 1 com a Alemanha colocou a campeã mundial dentro de um grande “rondo” em alguns momentos. Já na goleada histórica sobre a albiceleste a Espanha mostrou o seu melhor: o domínio do futebol por demanda. Alternando controle da bola e um jogo mais vertical. Sempre a partir da retomada da bola no campo de ataque.

Assim constroi volume de jogo e vai minando as forças dos adversários. É óbvio que não há perfeição. Quando o oponente consegue sair da pressão e encontra espaços para o contragolpe, Piqué e Sergio Ramos têm problemas para conter velocidade. Higuaín perdeu uma chance cristalina no primeiro tempo. A jogada aérea continua sendo um sofrimento, como no gol de Otamendi.

Mas funciona muito bem a ideia de abrir o campo com os ofensivos laterais Carvajal e Jordi Alba e rodar a bola e as peças que transbordam qualidade no meio-campo usando um centroavante como referência na frente – Diego Costa, Rodrigo ou Iago Aspas. Acelerando e desacelerando. Desequilibrando com Isco, autor de três gols sobre a Argentina.

Jogo inteligente. A Espanha aparece como a melhor representante do futebol 2.0 no universo das seleções. E merece respeito. Basta olhar para o campo: Carvajal, Sergio Ramos e Isco do Real Madrid; Piqué, Alba, Busquets e Iniesta do Barcelona. Sete jogadores dos times que dominam o futebol europeu desde a última Copa. Mais outros tantos talentos de Atlético de Madri, Bayern de Munique e das equipes de Manchester.

É um timaço! Ótimo também para diminuir o tradicional “oba oba” brasileiro depois de vitória em amistoso. Mesmo contra um mistão da Alemanha. Então, por justiça e para tirar o peso, que a Espanha seja tratada como a favorita.

 


Fernandinho na vaga de Renato Augusto é Tite definindo seus 15 “titulares”
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André Rocha

A Espanha foi campeã do mundo em 2010 utilizando 15 jogadores por ao menos três partidas em sete – de início ou saindo do banco de reservas. Seguindo este mesmo critério, Joachim Low trabalhou com 16 na campanha do tetra alemão no Brasil há três anos.

É a tônica nas Copas, não só entre as seleções que vencem. Um time titular inicial, quase sempre modificado ao longo do torneio em uma ou duas posições e outros dois ou três reservas utilizados na maioria das partidas. Ou seja, no mínimo sete jogadores entram em um ou dois jogos, no máximo. Normalmente naquela partida já definida ou no terceiro jogo da fase de grupos com o país já classificado.

Em 2010, Dunga utilizou 13 em pelo menos duas partidas num total de cinco. No Brasil, Luiz Felipe Scolari trabalhou com 17 em no mínimo três jogos. Ou seja, mesmo em seleções com irregularidade no desempenho e indefinição do treinador, a média não muda.

Tite sinaliza a entrada de Fernandinho na vaga de Renato Augusto para o amistoso de sexta-feira contra o Japão em Lille, na França. Ou seja, o volante que, em tese, seria o reserva de Casemiro entra na vaga de um dos meias por dentro no 4-1-4-1 brasileiro.

Nenhuma novidade para o meio-campista do Manchester City, que já atuou mais adiantado em outros momentos da carreira, inclusive no próprio clube inglês. Mas, principalmente, é o reconhecimento de Tite a um jogador marcado pelos 7 a 1 – injustamente, porque atuou mal porque ficou praticamente sozinho na intermediária brasileira levando botes seguidos de Khedira, Kroos e Schweinsteiger dentro de um time totalmente desorganizado – que evoluiu demais desde que passou a trabalhar com Pep Guardiola.

Na leitura de jogo, em especial. Inteligência para se posicionar, distribuir o jogo e ainda aparecer à frente, mesmo dividindo o setor com meias essencialmente ofensivos como Kevin De Bruyne e David Silva. Sabe mudar o comportamento no momento da perda da bola, logo pressionando e fechando linhas de passe. Acima de tudo, entende a necessidade de se apresentar como opção de apoio para os companheiros.

Com Casemiro, pode recuar para fazer a saída de bola e liberar o volante do Real Madrid, como Kroos e Modric fazem no plano de jogo de Zidane. Nada tão diferente do que Renato Augusto realiza, mas Tite tem razão em se preocupar com seu jogador de confiança que tem mostrado intensidade abaixo dos companheiros por disputar a liga chinesa, de menor exigência.

Para o próximo amistoso faz ainda mais sentido pela ausência de Diego Ribas, com dores musculares. O meia do Flamengo é tratado como reposição a Renato Augusto, mas a impressão que fica é de que se nada de excepcional acontecer até o Mundial, caso esteja na lista final fará parte dos sete ou oito que entrarão em campo poucas vezes ou nenhuma.

Porque o time base parece definido, com dúvidas no gol entre Alisson e Ederson, na zaga entre Marquinhos, Miranda e Thiago Silva e no meio-campo, exatamente pela inconstância de Renato Augusto, com Fernandinho correndo por fora.

Ou seja, 14 jogadores disputando posições. A outra opção que vem sendo frequentemente usada e não deve mudar é Willian. Sempre pela direita. No lugar de Philippe Coutinho, como deve ocorrer na sexta, ou de Renato Augusto, com Coutinho centralizando e o desenho tático variando para um 4-2-3-1. Ou até na vaga de Neymar, numa emergência. Neste caso, Coutinho inverteria o lado e atuaria pela esquerda.

Quinze “titulares” para o Mundial. Como o mais provável é que um goleiro seja definido como titular, pode ser que outro jogador durante a Copa seja um reserva utilizado com frequência para descansar titulares. Talvez Giuliano ou Roberto Firmino. Os outros oito apenas numa necessidade ou queda brusca de produção de um ou outro atleta entre os que iniciam as partidas.

Preocupante por essa consolidação tão precoce e pelo risco de precisar de jogadores sem muitos minutos com Tite e, em alguns casos, desempenho confiável para entrar no time em momentos decisivos. Mas é compreensível para um trabalho curto e com pouco tempo de maturação até a estreia na Rússia. O treinador deve monitorar e estimular ainda mais obsessivamente seus escolhidos para que o rendimento não caia.

Principalmente os 15 homens de Tite.

 


A Espanha está na Copa do Mundo da Rússia e é bom ficar de olho nela
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André Rocha

A Espanha enfrentou a Albânia em Alicante no meio de uma turbulência política com a Catalunha e Piqué no olho do furacão. Entrou em campo sem Carvajal, Busquets, Iniesta e Morata. Mais Diego Costa, sem ritmo de jogo. O adversário é o terceiro colocado do Grupo G e chegou à penúltima rodada das eliminatórias ainda com chances de superar a Itália, a outra favorita. Disputou a fase final da Eurocopa 2016, um feito inédito.

Pois a equipe de Julen Lopetegui não tomou conhecimento e impôs seu estilo que mantém a valorização da posse de bola, mas ganha volume e aceleração quando entra na área do oponente. E a contundência na frente que faltou em vários momentos, mesmo na equipe bicampeão europeia e campeã do mundo.

Num 4-1-4-1 com o ótimo Saúl Níguez no lugar de Busquets, Rodrigo – brasileiro naturalizado, filho de Adalberto, ex-lateral do Flamengo nos anos 1980 e campeão mundial sub-20 em 1983, como único atacante. Intensa movimentação do quarteto Koke-Thiago Alcântara-David Silva-Isco. Com direito a recital dos dois últimos.

A Roja que deu espetáculo contra a Itália atuando sem uma referência no ataque também sabe jogar com pivô. Abre o campo com os laterais. Jordi Alba pela esquerda e o jovem Odriozola da Real Sociedad à direita. Autor do cruzamento para Thiago Alcântara marcar o último gol dos 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

Com o empate da Itália em 1 a 1 com a Macedônia, a confirmação matemática da classificação em primeiro lugar. Invicta. Oito vitórias, um empate fora de casa com a Itália. 35 gols marcados, três sofridos. A Espanha tem renovação e maturidade, tem Isco vivendo o auge da carreira. País dos clubes que dominam o futebol mundial nos últimos anos, mesmo considerando o “fator” Messi e Cristiano Ronaldo, além dos outros estrangeiros das seleções mundiais que são Real Madrid e Barcelona.

O grupo parece mais vivido e homogêneo, com mais opções confiáveis para uma realidade de Copa do Mundo que o da Alemanha. Tem mais tempo de trabalho que o Brasil de Tite e conquistas recentes que transferem mais respeito que a França, vice em casa da Eurocopa, pode conseguir. É bom ficar de olho nesta Espanha.