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Grêmio sofre sem Arthur, mas cumpre sua missão. Agora o que vier é lucro
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André Rocha

O Grêmio sentiu demais a falta de Arthur  na maior parte do jogo. Mas quando o Pachuca começou a sentir o esforço dos 120 minutos da vitória sobre o Wydad Casablanca, Renato Gaúcho compensou o meio-campo menos qualificado com força e velocidade na frente. Mais uma feliz alteração na iluminada temporada 2017.

O campeão da CONCACAF surpreendeu com Jara, mais centroavante, na vaga do rápido Sagal no ataque. Imaginava-se o time mexicano especulando mais e acelerando os contragolpes diante do campeão da Libertadores, mas sobrou coragem para montar um 4-1-4-1 com Urretaviscaya pela direita e Guzmán mais adiantado, alinhado a Honda na articulação.

A mudança do treinador Diego Alonso empurrou os volantes Jaílson e Michel para o campo gremista e dificultou ainda mais as transições ofensivas do time brasileiro, sobrecarregando Luan. O Grêmio também nitidamente sentia a tensão da estreia. Mas o Pachuca, assim como no jogo anterior, controlou a posse no primeiro tempo (58%), mas finalizou pouco – apenas duas vezes contra cinco. Nenhuma no alvo em 45 minutos.

O jogo seguiu na mesma toada na segunda etapa, até o Pachuca dar os primeiros sinais de cansaço. A senha para Renato Gaúcho trocar o cuidado na proteção da defesa pela velocidade e mais presença ofensiva em busca da vitória ainda nos 90 minutos: tirou Barrios e Michel e colocou Jael e Everton. Ramiro recuou para jogar com Jaílson, Fernandinho inverteu o lado e Everton foi para o lado esquerdo, com Jael como referência na frente. Na prorrogação, Leonardo Moura substituiu Edilson para o time seguir atacando pela direita. Proposta ofensiva atrás do gol.

Não foi possível no tempo normal, mas diante de um adversário ainda mais exaurido, sobraram espaços para Everton receber pela esquerda, cortar para dentro e fazer um belo gol, o da classificação. Confirmada sem sustos depois da expulsão de Guzmán.

O Grêmio cumpriu sua missão, não sendo frustrado na intenção de enfrentar o campeão europeu, como aconteceu com Internacional, Atlético Mineiro e Atlético Nacional. Agora o que vier é lucro, a menos que o Real Madrid protagonize um vexame sem precedentes sendo eliminado na semifinal pelo Al Jazira de Romarinho.

Na mais que provável decisão de sábado contra o time merengue, o Grêmio encontrará o cenário mais confortável: de franco atirador, sem maiores responsabilidades. Se perder, até de goleada, a disparidade de investimento, aliada ao cansaço pela prorrogação e a ausência de Arthur, serão “álibis” mais que válidos. Mas se vencer não é absurdo dizer que o feito de Renato Gaúcho será maior do que os dois gols sobre o Hamburgo em 1983.

O clichê é inevitável: será a luta Davi x Golias. Mas é sempre mais prudente não duvidar do Grêmio.

(Estatísticas: FIFA)

 


Flamengo: a lenta agonia do time que não dá liga
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André Rocha

A derrota para o Coritiba no Couto Pereira foi mais uma típica do Flamengo no Brasileiro 2017: domina a posse de bola (65%), finaliza mais que o adversário – 11 a 5, 4 a 1 no alvo – mas não consegue traduzir em gols o controle do jogo.

As críticas sobre jogadores e o treinador Reinaldo Rueda giram em torno do comodismo, de aceitar a derrota com um discurso conformado, de uma apatia que se mistura à indiferença. Protestos com alguma razão, mas os problemas vão um pouco além disso.

O fato é que o time não dá liga. Ou seja, as características dos jogadores não combinam entre si, por mais que Zé Ricardo e depois Rueda tentassem e ainda tentem um encaixe.

É um efeito dominó. Everton Ribeiro foi contratado para ser o ponta articulador. O meia que sai do lado do campo para se movimentar às costas do volante, criar superioridade no meio e criar as jogadas. Mas para isso o ideal é que, como Ricardo Goulart fazia no Cruzeiro bicampeão brasileiro com o próprio Everton, o meia central no 4-2-3-1 que não se alterou com a mudança no comando técnico se aproxime mais do centroavante e se comporte como uma espécie de segundo atacante.

Diego Ribas não faz isso. Por costume, recua para ajudar na armação ou procura os lados do campo. Quando pisa na área sempre é mais útil, mas prefere voltar à intermediária. Pior: prende demais a bola, dá sempre um ou dois toques a mais e quase sempre atrasa a transição ofensiva. Tenta compensar com vontade, liderança positiva e qualidade nas cobranças de faltas e escanteios, mas coletivamente o saldo quase sempre é negativo.

Para aproveitar o espaço que o camisa sete deixa à direita, um lateral de velocidade daria uma opção interessante para buscar a linha de fundo. Não é Pará. Seria Rodinei, mas este tem sérios problemas de leitura de jogo e, principalmente, no posicionamento defensivo.

Porque os zagueiros, embora experientes e de bom nível técnico, são lentos. Para evitar os muitos gols sofridos nas costas da última linha no final do trabalho de Zé Ricardo, Rueda prefere os laterais com um posicionamento mais conservador.

Também para encaixar Cuéllar no meio-campo, à frente da retaguarda. Mas o colombiano, embora tenha bom passe, não é o organizador que o setor precisa nesta ideia de ser protagonista, jogar no campo adversário e controlar as partidas com posse de bola. Nem ele, nem Willian Arão, que eventualmente até acerta alguns passes em profundidade, mas tem como principal virtude a infiltração. O camisa cinco, porém, é um atleta que nitidamente se permite afetar pelas instabilidades do time e sente as cobranças. Sem contar a dispersão no trabalho defensivo.

Por isso Márcio Araújo acaba jogando mais do que deveria. Com Zé Ricardo e agora ganhando chances com Rueda em algumas partidas. No Couto Pereira, o gol de Cléber logo aos sete minutos fez com que a presença do volante se tornasse ainda mais desnecessária por sua nulidade na construção das jogadas. Só deixou o campo aos 13 minutos da segunda etapa. Joga porque defende melhor que Arão e protege a zaga sem velocidade. Romulo não justificou a contratação e o jovem Ronaldo, sem oportunidades, foi ganhar rodagem no Atlético-GO.

Na frente, outro problema: Guerrero não é o típico centroavante, que fica na área e finaliza com bom aproveitamento. O peruano sempre foi muito mais de circular e trabalhar coletivamente. No Fla se destaca pelo trabalho de pivô, por conta de todos os problemas do meio-campo na criação. Recua, faz a parede e procura os ponteiros. Muitas vezes não dá tempo de chegar na área. E dificilmente recebe a bola com chance clara de concluir com liberdade porque as jogadas não fluem, há poucas infiltrações em diagonal.

Porque os ponteiros não têm essa característica. Nem Berrío, agora lesionado, nem Everton. O ponta pela esquerda até vem aparecendo na área e já fez dez gols na temporada. Mas poderia ter feito bem mais se nas muitas vezes em que Guerrero recuou ele penetrasse no espaço certo. Não tem o hábito.

Assim como Filipe Vizeu, o substituto de Guerrero, parece não ter aprendido nas divisões de base a fazer a proteção da bola para a aproximação dos companheiros. Nem fazer a leitura do espaço que precisa atacar para chegar em melhores condições para finalizar. Não é o centroavante para a proposta rubro-negra. Por isso a improvisação de Lucas Paquetá, que não é exatamente um goleador e, apesar da luta, desperdiça oportunidades cristalinas como a que o goleiro Wilson salvou no primeiro tempo em Curitiba.

O encaixe mais promissor foi quando Rueda utilizou Orlando Berrío pela direita com Pará e Everton Ribeiro à esquerda. Se Trauco e Renê também não são laterais rápidos na chegada ao fundo, ao menos a movimentação do meia abria espaços para o deslocamento de Guerrero, que prefere buscar aquele setor e não faz o mesmo movimento à direita. Mas o colombiano teve grave lesão e só volta em 2018 e o peruano está suspenso por doping e também só deve retornar no ano que vem.

Todo esse cenário desfavorável, sem que os treinadores encontrem soluções, é que parece ser o responsável por esse desânimo que se vê em campo. Os jogadores percebem que não combinam entre si e se acomodam. Começa a se espalhar a ideia de “fazer o seu e, se não dá certo, a culpa não é sua”. A desclassificação na fase de grupos na Libertadores foi um golpe na confiança que vinha em alta com a boa campanha no Brasileiro do ano passado e o título estadual.

As críticas e protestos de torcida e parte da mídia, porém, são justas porque nos clássicos cariocas, por conta de uma mentalidade provinciana que impera no clube há algum tempo, aparece a indignação com a derrota. Algo fundamental quando as coisas não vão bem. Um nível mais alto de concentração, fibra e entrega para compensar os problemas. Em jogos “comuns”, ainda mais numa competição por pontos corridos e que nunca foi tratada como prioridade ao longo da temporada, volta a apatia.

Quem deve ser responsabilizado? Todos no clube, mas principalmente a direção. Por erros de planejamento, como ter apenas Alex Muralha e Thiago como goleiros em boa parte da temporada, escolha que acabou prejudicando demais o time na final da Copa do Brasil. Diego Alves chegou tarde.

Também por não perceber as necessidades reais da equipe e contratar Berrío, sendo que o pedido de Zé Ricardo tinha sido um ponteiro driblador e com bom poder de finalização para deixar o ataque menos “arame liso” – cerca, mas não fura – em jogos grandes ou confrontos mais parelhos.  Vinícius Júnior pode até vir a ser este atacante rápido, criativo e com boa finalização, mas é injusto cobrar de um menino de 17 anos, já negociado com o Real Madrid, que seja o pilar ofensivo de um time grande recheado de jogadores experientes e rodados.

O ambiente acaba se tornando um tanto permissivo e morno. Uma falsa sensação de estabilidade, sem grandes cobranças. Talvez por não ter entregado o seu melhor, a direção não se sinta confortável para exigir. Mesmo com salários em dia e melhor estrutura no CT. Vez ou outra ecoa uma voz dissonante, como Juan ou Everton Ribeiro, que na saída de campo no Couto Pereira reclamou que “todo jogo é assim”.

Rueda tem perfil mais administrador, não de ruptura, criativo, ousado para encontrar saídas. A impressão é de que vai tentar o título da Sul-Americana, mas já pensa em reestruturar o elenco para 2018 dentro do que pensa sobre futebol. A dúvida é se será suficiente. Nas coletivas diz não conseguir encontrar explicações para o mau momento. Será que enxerga?

Por tudo isso o Flamengo vive essa lenta agonia em 2017. Ainda com chances de conseguir pelo Brasileiro a vaga nas fases preliminares na Libertadores – insatisfatório diante de tanto investimento. Vivo na semifinal do torneio continental contra o Junior Barranquilla.

Mas que não desperta confiança. Porque os jogadores não combinam e parecem cansados fisicamente e sem força mental para buscar algo que não veio durante toda a temporada. Restam a frustração e a revolta da maior torcida do país. Um desperdício.

(Estatísticas: Footstats)


O campeão carioca deu as caras no Fla-Flu da Sul-Americana
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André Rocha

Não foi só apenas a coincidência da repetição do placar da primeira final do Carioca, também com gol de Everton. O Flamengo da partida de ida das quartas-de-final da Sul-Americana lembrou o campeão estadual.

E neste bolo é possível incluir também a semifinal contra o Botafogo na Copa do Brasil. Diante dos rivais locais em disputas de mata-mata o time rubro-negro apresenta a fibra e a concentração que faltaram em tantos outros momentos da temporada. A rivalidade mais uma vez é o que move o Fla, seja com Zé Ricardo ou Reinaldo Rueda.

Concentração defensiva com duas linhas de quatro compactas para conter o volume ofensivo tricolor e organização para atacar. Desta vez com a criatividade de Everton Ribeiro, que percebeu a infiltração de Willian Arão e serviu com precisão em tempo e espaço. Finalização do camisa cinco e, no rebote de Diego Cavalieri, o gol de Everton.

Construção da vitória no primeiro tempo de controle e eficiência, mesmo com a saída de Rever, lesionado, para a entrada de Rhodolfo. Seis finalizações, duas no alvo. O Fluminense terminou com 52% de posse, cinco conclusões, mas apenas uma na direção da meta de Diego Alves, com Henrique Dourado batendo cruzado. Foram 13 desarmes corretos rubro-negros contra oito do rival.

Reação do time de Abel no segundo tempo, com bola na trave de Marcos Júnior, grande defesa de Diego Alves em chute de Gustavo Scarpa e pressão depois das entradas de Wendell e Wellington Silva nas vagas de Orejuela e Marcos Júnior. 13 finalizações e 57% de posse. Mas encontrou um Fla atento, encerrando a partida com 24 desarmes corretos. Podia ter ampliado em cabeçada de Juan. Entrega de Diego, Everton Ribeiro, sacrifício de Lucas Paquetá, novamente o substituto de Paolo Guerrero. Mudança de espírito.

Vantagem mínima, porém considerável. Valeu na primeira decisão estadual para confirmar na volta – triunfo por 2 a 1. O Flu está vivo, mas a má notícia é que não terá pela frente o Flamengo apático e disperso de boa parte da temporada. Nos clássicos fica claro que o time é outro.  O campeão carioca que deu as caras na Sul-Americana.

(Estatísticas: Footstats)

 


O toque de midas de Renato Gaúcho no Grêmio
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André Rocha

Everton substituiu o lesionado Lucas Barrios aos 14 minutos da segunda etapa na Arena Condá. Aos 15 marcou o terceiro gol, no minuto seguinte o quarto e, depois do gol de pênalti de Reinaldo, transformou em goleada um jogo duríssimo até então, definido em bola parada e falhas dos goleiros Jandrei e Marcelo Grohe, aproveitadas por Michel (um golaço!) e Luiz Antonio.

Mais gols de Arthur Caike e Luan para fechar os 6 a 3. O Grêmio chega aos 12 pontos, supera a Chape e está atrás do Corinthians na tabela da Série A. Mas os titulares alcançam 100% de aproveitamento. Os reservas até abriram 2 a 0 sobre o Sport em Recife, mas acabaram sofrendo a virada. A intenção era guardar energias para a volta da Copa do Brasil no Maracanã contra o Fluminense. Nem foi preciso, no primeiro tempo o confronto já estava definido.

Porque Renato Gaúcho parece estar vivendo uma fase de Rei Midas, depois da frustração no Gauchão – o treinador chegou a poupar titulares na Libertadores para priorizar o torneio estadual, mas sequer chegou à decisão. Com tempo para treinar, preparou a equipe resgatando virtudes da arrancada que chegou ao título da Copa do Brasil.

Segue a impressão de que o encaixe do estilo do maior ídolo do clube ao trabalho que Roger Machado deixou foi perfeito. Ficaram os conceitos, o trabalho coletivo, o jogo entre linhas de Luan, o gosto pela troca de passes. Chegou o que faltava: gestão de vestiário, eficiência nas bolas paradas ofensivas e defensivas e mais efetividade no ataque.

O resultado é o melhor futebol praticado no país nos últimos 30 dias. Com Leonardo Moura e Cortez, típicos alas, fazendo o trabalho como laterais, primeiro defendendo e depois atacando. Achando em Michel e Arthur os volantes que compensam as ausências de Walace e Maicon e por vezes até superam em desempenho a dupla do ano passado.

Tem Ramiro como chave tática como um volante aberto pela direita que auxilia Michel e Arthur, abre espaço para Léo Moura e os deslocamentos de Barrios e Luan às costas do lateral esquerdo adversário. Na esquerda, Pedro Rocha voando, infiltrando em diagonal.

Um jogo fluido, bonito de ver, que acelera e cadencia conforme a necessidade. Time inteligente, que encontra soluções de acordo com o que o jogo exige. Ataque mais positivo do Brasileirão, com média de três gols por rodada.

Mérito de Renato, que mantém o discurso boleiro e fanfarrão. Mas em campo há um jogo pensado, que não é construído em coletivos e rachões, na base da intuição. E aí entram a comissão técnica, o setor de inteligência e análise de desempenho. Trabalho em equipe.

Sim, são cinco rodadas. O Grêmio tem Libertadores e Copa do Brasil para desgastar física e mentalmente na sequência da temporada. Mas hoje o que Renato Portaluppi toca vira ouro. Como a entrada de Everton em Chapecó.


No primeiro ato, vitória da concentração defensiva absoluta do Flamengo
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André Rocha

Os 3 a 3 da final da Taça Guanabara, com derrota nos pênaltis, deixou claro para o Flamengo que enfrentar o jovem Fluminense de Abel Braga, time de intensidade, volume de jogo e ímpeto ofensivo, exigiria concentração absoluta no trabalho defensivo.

O resultado prático no Maracanã foi o Fla de Zé Ricardo novamente no 4-1-4-1, desta vez com Berrío pela direita na vaga de Gabriel. Depois Rômulo sairia com lesão no joelho para a entrada de Mancuello que, por características e limitações físicas, por vezes ficava mais adiantado, com a equipe voltando ao 4-2-3-1.

Primeiro tempo de controle da posse e postura ofensiva, com Willian Arão atento à saída de bola do jovem Wendel, bloqueando as descidas de Lucas, que se manda sem posição física e deixa o volante Orejuela guardando sua posição. Muita atenção no cerco aos pontas Richarlison e  Wellington Silva e Márcio Araújo ágil no auxílio aos zagueiros e ligado nos movimentos de Sornoza.

Ofensivamente, jogo pelos flancos, com os pontas Berrío e Everton buscando as diagonais e Mancuello e Arão se aproximando de Guerrero. Passes simples, jogadores próximos e encontrando soluções diante da pressão dos adversários sobre o oponente com a bola. Aproveitando nos primeiros 45 minutos o nítido nervosismo dos garotos tricolores em uma final.

Nas jogadas aéreas, forte do Flu nos jogos mais duros, atuações esplêndidas de Réver, Rafael Vaz e Guerrero, o mais sacrificado na execução do modelo de jogo sem Diego. Precisando recuar para ser o armador, fazer o pivô, disputar com os zagueiros adversários nas ligações diretas e ainda acelerar os contragolpes, especialmente na segunda etapa.

Porque o Flamengo que sofre para ir às redes ganhou de presente no primeiro tempo a furada grotesca de Renato Chaves que Everton não desperdiçou. Gol único de uma vitória construída por um trabalho coletivo que é mérito do quase sempre contestado Zé Ricardo. Equipe que soube sofrer, mas criou  alguns contragolpes que Leandro Damião e Matheus Sávio, substitutos de Guerrero e Berrío, não aproveitaram.

É evidente que a final está aberta, até pelo jogo decisivo do Flamengo na quarta-feira pela Libertadores contra a Universidad Católica. Porque a concentração defensiva terá peso ainda maior. No primeiro ato de noventa minutos da final carioca foi a diferença.


Segundo tempo no Maracanã deixa claro: Flamengo é o time dos pontas
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André Rocha

Flamengo no 4-2-3-1 com Berrío na vaga de Mancuello. Com ponteiros rápidos, time fica mais previsível, porém ganha volume de jogo. Com gol logo aos três minutos e o desgaste do San Lorenzo que abriu brechas no 4-1-4-1 armado por Aguirre, o time construiu a goleada (Tactical Pad).

O gol de falta de Diego logo aos três minutos e o fato do San Lorenzo não estar em plena competição na Argentina por conta da greve no país condicionaram a disputa no segundo tempo e ajudam a explicar os 4 a 0 na estreia da Libertadores no Maracanã.

Mas ficou claro desde a entrada de Berrío na vaga de Mancuello que o jogo rubro-negro flui melhor quando o 4-2-3-1 tem jogadores rápidos pelos flancos. Zé Ricardo até tentou encaixar o meia argentino como um ponta articulador, mas a experiência em jogos mais parelhos não deu certo.

Muito pela falta de mobilidade em progressão do quarteto ofensivo. Ou seja, quando o time tem a bola e ataca. Esse meia na ponta vem para o centro, alguém se desloca e ocupa o espaço, o lateral faz a ultrapassagem no corredor. Não funciona pelas características de Diego e Mancuello, que são jogadores que correm mais em direção à bola que atacam os espaços à frente.

O primeiro tempo foi de erros de passe, falta de intensidade e alguns sustos do San Lorenzo de Diego Aguirre armado no 4-1-4-1 e atacando pela direita com Cerutti e o suporte de Belluschi. Ainda assim, Everton teve chance clara e carimbou a trave de Torrico.

Com os velocistas se projetando, os jogadores do meio e Guerrero têm opções mais fáceis de passe. O jogo fica mais previsível e isso é um problema diante de times mais organizados e compactos. Algo que poderia melhorar com Diego tocando de primeira e arriscando passes mais verticais e os pontas buscando as diagonais. Mas é inegável que a equipe ganha volume.

Foi às redes ainda com um chutaço de Trauco, que voltou a se aventurar pelo centro. Depois Rômulo em mais uma jogada de bola parada – escanteio cobrado por Diego – e finalizou com Gabriel, que sofreu pênalti que Guerrero desperdiçou, mas depois o ponta que substituiu Everton acertou o ângulo, quando o time argentino estava entregue.

Foram 15 finalizações contra seis apesar da posse de bola praticamente igual. Também quinze cruzamentos, número bem inferior ao das partidas anteriores. Muito porque o time não precisou partir para o “abafa” na segunda etapa.

A goleada é importante pelo reencontro com o Maracanã para resgatar confiança depois da má atuação e do revés nos pênaltis na final da Taça Guanabara. O time, porém, ainda precisa de ajustes. Mesmo com a sequência invicta de 18 partidas, a maior do país entre os clubes da Série A. Com Everton e, bem provável, Berrío na vaga de Mancuello.

Pelo que se viu até aqui na temporada, Zé Ricardo não terá como aguardar Conca com um “dublê” fazendo a função que  espera do argentino. Porque o Flamengo é o time dos pontas.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo é 100% em resultado, mas não evoluiu o desempenho em jogos grandes
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André Rocha

Os três primeiros jogos oficiais contra equipes de menor expressão no Carioca deixaram a impressão de que o objetivo maior de Zé Ricardo na temporada começava a ser alcançado: tornar o Flamengo mais criativo, imprevisível.

Por isso a escalação de Mancuello como ponta articulador para tornar o 4-2-3-1 mais móvel e criar espaços dentro de uma ideia de propor o jogo, ocupando o campo de ataque com posse de bola.

Foram 11 gols marcados e um sofrido em três partidas. Protagonismo, trocas de passes, mobilidade, pressão na saída de bola dos adversários. Mancuello saindo da ponta e Pará, Arão, Diego e até Guerrero aparecendo pela direita. Um repertório mais amplo.

Mas bastou enfrentar dois times grandes, com elencos mais qualificados e com postura defensiva por conta do contexto para o time rubro-negro repetir um equívoco dos momentos mais complicados do Brasileiro de 2016: a insistência em tocar a bola até abrir o jogo e levantar na área.

Foram 25 cruzamentos diante do Grêmio nos 2 a 0 pela estreia na Primeira Liga no Mane Garrincha e mais 31 nos 2 a 1 sobre o Botafogo no Engenhão que garantiram classificação para as semifinais da Taça Guanabara e os 100% de aproveitamento na temporada.

Mesmo considerando que é um reinício de trabalho com pouco mais de um mês e jogos seguidos, sem muito tempo para treinamentos, não deixa de ser algo a ser observado e corrigido. Principalmente porque sem espaços e diante de oponentes mais atentos e bem posicionados, Mancuello apareceu pouco.

Porque o time, na dificuldade, ainda procura o flanco para efetuar o cruzamento. Usando pouco as diagonais, as tabelas no centro. Sem ideias. Toca, toca, toca e joga na área. Neste cenário, a função de Mancuello perde o sentido e a equipe uma peça para as combinações com Pará e Arão.

Não por acaso, o argentino deu lugar a Berrío no segundo tempo das duas partidas e Everton seguiu em campo. Confortável com a proposta antiga, o ponta velocista foi destaque com dois gols e boas jogadas.

Diego segue com liderança, inteligência, presença de área e bons passes. Mas o toque de primeira para fazer o jogo fluir, furar as linhas de marcação e acionar o companheiro que se desloca em situação mais confortável não acontece. Na proposta de Zé Ricardo é fundamental para criar a brecha na retaguarda postada. Missão para o meia criativo.

Há também falhas defensivas de quem joga com a última linha adiantada e não consegue ter intensidade para manter a pressão sobre o adversário com a bola em boa parte do tempo. Contra o Bota, erros de posicionamento em cruzamentos que ocasionaram duas finalizações no travessão de Leandrinho poderiam custar o empate com os reservas do rival que só pensa em Libertadores.

As cinco vitórias transmitem confiança e tranqüilidade para o trabalho seguir. Mas a seqüência precisa de evolução. Nos dois jogos maiores até aqui o Flamengo que se viu foi o estagnado, que sofreu e, na reta final, deixou de disputar o título nacional do ano passado. O que Zé Ricardo não quer ver em 2017.


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