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Gol de braço só diminui saldo negativo da arbitragem com o Corinthians
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André Rocha

Imagem: Reprodução TV Globo

O esporte preferido do brasileiro, em geral, não é o futebol, mas desmerecer as conquistas alheias, em todas as áreas. Sempre há um porém, um asterisco, uma crítica depreciativa. No esporte bretão, quando a conquista é do maior rival, então, vem invariavelmente com um selo de “roubado”. E quanto maior a torcida, mais ódio desperta nas demais.

Mesmo para o torcedor, que não tem nenhum compromisso com a verdade na conversa de boteco, qualquer tentativa de colocar uma mancha na liderança do Corinthians até aqui no Brasileiro só por causa do gol irregular de Jô na vitória sobre o Vasco em Itaquera soa absurda.

A campanha espetacular e invicta no primeiro turno poderia ter ganhado mais dois pontos não fosse o impedimento inexistente de Jô anotado pela arbitragem no empate sem gols fora de casa contra o Coritiba.

No 1 a 1 com o Flamengo, o impedimento de Jô, que estava por três metros em condição legal e colocou nas redes até pode ser relativizado em termos de resultado porque o próprio atacante em seguida faria o gol e não há como garantir que o time marcaria os dois, até pelo recuo excessivo e a pressão do time carioca na segunda etapa. Mas não deixou de ser um equívoco grave.

Graças à competência do time de Fabio Carille outros erros grosseiros não custaram pontos, como o gol de Luis Fabiano a favor do próprio Vasco visivelmente utilizando o braço na vitória corintiana por 5 a 2 em São Januário.

Falhas inquestionáveis dos apitadores e suas equipes, sem margem para interpretação. Não contando lances discutíveis, como o pênalti sobre Jô no primeiro tempo do triunfo sobre os cruzmaltinos em São Paulo. Outros também que poderiam ter sido marcados contra o líder absoluto do Brasileiro.

Ainda assim, se a partida tivesse terminado empatada em 0 a 0, o Corinthians seguiria no topo da tabela e aumentaria sua vantagem para oito pontos.

O que se questiona disso tudo é como a arbitragem, cada vez com mais auxiliares no campo para minimizar os erros, é capaz de vacilar num lance que nem precisa de replay para ser constatado. E a polêmica só cresceu porque o envolveu Jô, que discursou em favor do fair play de Rodrigo Caio e não foi coerente na atitude quando teve a chance.

Fora isso, o saldo da arbitragem com o Corinthians nesta edição do Brasileiro segue negativo. Se o “mimimi” de favorecimento ao líder não costuma fazer sentido, desta vez soa como puro choro de perdedor.


As lições da coletiva de Vagner Mancini em Itaquera
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André Rocha

Vagner Mancini cometeu três erros na coletiva depois do jogo em que o seu Vitória tirou a invencibilidade de 34 partidas do Corinthians em Itaquera:

O primeiro ao insinuar que o colega Felipe Garrafa, da Rádio Bandeirantes, seria corintiano por uma informação equivocada, de fato. Mas mesmo que seja não justifica o erro na análise das estatísticas da partida. Depois por afirmar que o jornalista tem que ser imparcial, algo que não existe. Todos temos nossas convicções, princípios, paixões e influências do meio. Nossa missão é ter isenção, na análise, opinião ou informação. E terceiro e último, embora seja direito dele, ao encerrar a entrevista tirando o direito de outros repórteres fazerem questionamentos, por conta de sua indignação.

No mais, foi perfeito e suas colocações fazem refletir. Ao analisar o jogo, enumerar as oportunidades do time baiano e dar luz a um dado fundamental e que muitas vezes é distorcido ou mal interpretado: a chance clara de gol. Ou seja, a jogada construída ou originada na falha do adversário que permite a conclusão em posição privilegiada, com liberdade e clara condição de ir às redes.

Porque é natural que o Corinthians em sua casa e na liderança absoluta do Brasileiro jogue no campo de ataque, fique com a bola – chegou a ter 75% e terminou com 65%, segundo o Footstats – e ronde a área. Neste cenário é óbvio que as finalizações acontecerão. Foram 14 no total, cinco na direção da meta de Fernando Miguel. A missão do oponente é impedir a jogada trabalhada que encontre alguém livre para marcar.

Foi o que o time paulista fez contra Grêmio e Palmeiras como visitante, o próprio tricolor gaúcho diante do Flamengo na Ilha do Governador e tantos outros nesta edição do Brasileiro que tem premiado quem não fica com a bola. A rigor, o Vitória só permitiu duas cabeçadas com liberdade: de Balbuena e Jô, uma em cada tempo. As demais sempre tinha um jogador de vermelho e preto para dificultar. É o que chamamos de controle de espaços.

Mancini acertou também ao afirmar que o Corinthians não jogou mal. Talvez tenha faltado mais mobilidade e triangulações, prejudicadas pela ausência de Jadson ou de um meia jogando na ponta para circular e dificultar o bloqueio. Com Romero e Clayson a equipe de Fabio Carille ficou engessada. Talvez as duas semanas sem jogos, ao menos neste retorno, tenham mais prejudicado que auxiliado.

Melhor para o adversário na zona de rebaixamento, mas em recuperação. Que cresce ao se fechar com duas linhas de quatro e acelerar com Tréllez, autor do gol único da partida, e Neilton, que fez a assistência, porém perdeu chance cristalina na segunda etapa à frente de Cássio. O Vitória também pode reclamar de gol mal anulado do zagueiro Kanu na segunda etapa. O mesmo que chutou Jô em pênalti ignorado pela arbitragem comandada por Eduardo Tomaz de Aquino.

Mas o treinador visitante foi preciso mesmo ao tocar o dedo numa ferida de todos nós: o hábito de analisar o jogo sob a ótica de apenas uma equipe. A mais forte, popular. A que dá mais audiência, gera mais cliques. Ou a local, tantas vezes desprezando o futebol jogado em outra praças. Por mais que se possa considerar indefensável uma derrota do líder do campeonato em sua casa para um time na zona de rebaixamento, os méritos do rival não podem ser esquecidos.

Muito menos menosprezados. Ninguém vai a Itaquera enfrentar o Corinthians de peito aberto, atacando e deixando jogar, ofertando espaços generosos. Imagine uma equipe de capacidade de investimento bem inferior e com dificuldades no campeonato. O Vitória traçou sua estratégia, executou e foi mais feliz. Se vencesse por 2 a 0 não seria nenhum absurdo.

Jogou bem dentro de sua proposta. É dever esclarecer mais uma vez que o que se condena como jogar mal é a pobreza de ideias e de repertório das equipes que podem entregar mais. Ou absurdos como times fortes abrirem mão de atacar em seus estádios, exagerando no pragmatismo.

O Corinthians pagou pelo status que sua própria competência o fez alcançar. Antes estava em um pelotão secundário de favoritos, agora é o grande candidato ao título. Natural ser mais estudado e motivar mais os adversários a batê-lo.

O Vitória conseguiu o que tantos desejavam por suas virtudes. Não “jogou por uma bola”, assim como o Corinthians não “massacrou”. Mancini mandou bem dentro e fora de campo. Que fique a lição para quem quiser aprender.


Força no mata-mata não torna Grêmio superior ao Corinthians
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André Rocha

A prioridade que as equipes têm dado à competição nacional e às internacionais de mata-mata vem induzindo à conclusão de que o Grêmio, por estar nas quartas de final da Libertadores e na semifinal da Copa do Brasil, além de ocupar a segunda colocação do Brasileiro, seria a melhor equipe do país.

Se o parâmetro fosse o futebol praticado, uma análise subjetiva baseada na preferência pessoal, seria até aceitável, embora ainda discutível. Afinal, o time de Renato Gaúcho tem um estilo envolvente e postura ofensiva. Agrada as retinas, de fato. Mas considerar apenas os resultados, atribuindo pesos aos campeonatos e concluindo que a média das campanhas é superior, gera algumas distorções.

O Grêmio enfrentou um grupo na Libertadores mais que acessível, com o Guarani paraguaio, Deportes Iquique e Zamora. Teve uma única derrota por 2 a 1 para o Iquique na desértica Calama, com arbitragem questionável, e chegou a poupar titulares no empate com o Guarani fora de casa priorizando o estadual que não conquistou. Mas ao menos viu o Internacional não alcançar o heptacampeonato ao ser derrotado nos pênaltis pelo Novo Hamburgo, o algoz tricolor na semifinal.

Nas oitavas do torneio continental, superou o Godoy Cruz, argentino que aproveitou a carona da campanha do Atlético Mineiro, a melhor da fase anterior, para alcançar a vaga. Duas vitórias apertadas, com susto em Porto Alegre pelo gol sofrido logo no início. Ou seja, cumpriu sua obrigação de favorito absoluto.

Na Copa do Brasil, classificação automática para as oitavas de final e atuações consistentes com 100% de aproveitamento contra Fluminense e Atlético Paranaense. Mas, convenhamos, o time de garotos de Abel Braga e a irregular equipe rubro-negra que só agora consegue uma sequência de boas atuações sob o comando de Fabiano Soares não representaram grandes desafios para o time de Renato Gaúcho a ponto de alçá-lo à condição de melhor equipe do país.

Nem a vitória em casa por 1 a 0 sobre o Cruzeiro na semifinal. Resultado que nada garante para a volta no Mineirão, apesar do favoritismo natural diante do time de Mano Menezes que não consegue inspirar confiança na temporada.

No duelo que colocou de fato o seu poder à prova, o Grêmio falhou. Foi derrotado e controlado dentro de sua arena pelo Corinthians. Líder absoluto do Brasileiro, campeão do estadual mais forte do país. Ainda vivo na Sul-Americana. O porém foi a eliminação precoce na Copa do Brasil. Sem derrotas em 180 minutos e revés nos pênaltis. Para o Internacional, que mesmo em um ano infernal de Série B, também não foi derrotado pelo arquirrival – empate em 2 a 2 no único confronto, pela primeira fase do Gaúcho.

O time paulista, porém, mostra consistência em toda a temporada. Porque apesar do desprezo dos que clamam pela volta do mata-mata até no Brasileiro, é na liga por pontos corridos que o mais forte se impõe. Pela regularidade, sem pagar por uma noite ruim ou apenas infeliz numa disputa de pênaltis.

Aproveitamento de 82,5%, melhor campanha em um turno na fórmula atual com 20 clubes. Invicto. Melhor mandante, superando inclusive o próprio Grêmio na décima rodada. Com gol de Jadson, cobrança de pênalti de Luan que Cássio defendeu. Grande atuação do time de Fabio Carille, especialmente no primeiro tempo, com destaque para Paulo Roberto, substituto do volante Gabriel. Triunfo do melhor jogo coletivo do país.

Emblemático para marcar a distância entre as mais fortes equipes do Brasil em 2017. Hoje o Corinthians está à frente.

 

 


Na vitória do recorde, as duas faces do Corinthians invicto e absoluto
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André Rocha

O primeiro tempo dos 3 a 1 sobre o Sport em Itaquera que consolidaram o recorde de 47 pontos em um turno de Brasileiro com 20 clubes foi um símbolo da trajetória invicta do Corinthians.

Vanderlei Luxemburgo tentou alargar a última linha da defesa de Fabio Carille abrindo Everton Felipe e Osvaldo nas extremas e enfiando André e Diego Souza praticamente num 4-2-4. A solução corintiana foi recuar Romero como lateral pela direita e manter os quatro defensores bem próximos.

Mas foi o cruzamento de duas estatísticas que demonstra a evolução defensiva que, dentro do caos que é o futebol, vai tangenciando a perfeição. Com apenas 38% de posse de bola, o time paulista acertou 13 desarmes e não cometeu faltas. Isso mesmo, ZERO.

Só foi cometer a primeira aos nove minutos da segunda etapa. De Jô no campo de ataque. Já com 2 a 0 no placar. O primeiro com Arana completando cruzamento de Fagner. Ou seja, os dois laterais que sabem se comportar como defensores foram os protagonistas do gol que abriu o placar.  Na saída do segundo tempo, bola recuperada, Rodriguinho disparou e marcou um golaço. Na quinta finalização, terceira na direção da meta de Magrão.

Depois jogou mais solto, focado no desempenho e tentando proporcionar espetáculo ao seu torcedor. Só cometeu mais uma falta. E, lógico, permitiu que o Sport criasse oportunidades. Praticamente impossível não cedê-las num jogo tão dinâmico. Mas o Corinthians trabalha para sempre dificultar a finalização do oponente. Quando nem isso é possível, ainda que por mérito do outro lado, Cássio aparece para garantir a meta. Só não pôde evitar o chute impressionante de Thallyson. O nono gol sofrido em um turno.

Campanha fantástica pelo desempenho coletivo que faz Pedro Henrique superar suas limitações como substituto de Pablo para não comprometer atrás e ainda aparecer no ataque para aproveitar a cobrança de escanteio de Clayson, outro que entrou no time organizado e confiante e manteve o alto rendimento.

Recordes ficam para a história, ainda mais se o título coroá-los no final. Mas o Corinthians do primeiro tempo, perfeito defensivamente, deu a impressão de que começava muito cedo a se agarrar a um pragmatismo resultadista. Depois da vantagem construída, porém, procurou mostrar futebol. Tabelou, triangulou, arriscou algumas jogadas plásticas.

Mesmo dando espaços que podiam ter sido mais bem aproveitados pela equipe pernambucana se André não tivesse perdido três chances claras. Os visitantes finalizaram 12 vezes contra nove do vencedor – sete a quatro no alvo. O Corinthians colocou três nas redes. Eficiência é a outra chave para o domínio corintiano. Aliada à concentração.

A vantagem na tabela deve transmitir confiança para jogar ao natural e buscar evolução. Não aderir ao pensamento medíocre de definir “jogos para ganhar e não jogar”. O melhor sempre é jogar bem para merecer os resultados. O Corinthians mostra suas duas faces para construir com méritos inquestionáveis a liderança absoluta em 19 rodadas.

(Estatísticas: Footstats)


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
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André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
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André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)


Vitória do Corinthians no dérbi é o triunfo do presente sobre o passado
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André Rocha

Antes do início da 13ª rodada da Série A, o líder Corinthians era o segundo ataque mais positivo, a equipe que mais acerta passes e a quarta em posse de bola. Mas no Allianz Parque aproveitou a estatística que lidera e, na prática, é a mais importante: só precisa de seis finalizações, na média, para fazer um gol.

Na casa do Palmeiras esta eficiência foi ainda maior: dois gols em três conclusões. Jadson no pênalti sobre Guilherme Arana, que marcou o da vitória na segunda etapa. Ambos iniciados com passes espetaculares de Romero, o destaque absoluto do triunfo de uma ideia de jogar.

Atual, que se adapta de acordo com o que pede o jogo. Diante de um mandante tão forte, como o Grêmio há três rodadas, não fazia sentido partir de peito aberto. Principalmente pela consciência de que o rival viria no desespero para buscar a vitória e descontar os 13 pontos de desvantagem.

Organizou duas linhas de quatro compactas, executou com concentração absoluta seu modelo de jogo que baseia o trabalho defensivo na marcação por zona e no controle dos espaços. Fagner, Balbuena, Pablo e Arana parecem chegar à perfeição dos movimentos de corpo para tirar as opções do atacante que está com a bola. E quando o oponente consegue ultrapassá-los, aparece Cássio novamente no ápice físico e técnico.

Na transição ofensiva, inteligência para triangular e atacar os espaços na hora certa. Mesmo sem o brilho de Jô e de Jadson, que só apareceu na cobrança de pênalti. O forte é o coletivo, com eficiência absurda. Um relógio preciso.

Bem diferente do Palmeiras de Cuca, que diante das dificuldades impostas pelo Corinthians apelou para o que se convencionou chamar de “Cucabol” e nunca foi bem entendido. Na necessidade de criar os espaços em uma retaguarda bem posicionada, o time desde o ano passado apela para os cruzamentos sucessivos. Não há ideias.

Antes da partida, a média era de 22 bolas levantadas. Só no primeiro tempo foram 28. Chegou a 47 no final. No desespero, Cuca empilhou atacantes tirando volantes, adiantou o zagueiro Mina com centroavante e…tome bola na área! Teve 61% de posse, finalizou 18 vezes, mas faltou a chance cristalina, a ação ofensiva bem trabalhada.

Cuca tem razão ao lamentar as ausência de Vitor Hugo, Moisés e Gabriel Jesus em relação ao time campeão brasileiro do ano passado. O zagueiro que compensava todos os problemas ocasionados pelos ultrapassados encaixes individuais com velocidade, concentração e vigor físico. O meio-campista que acertava passes, chutes e as cobranças de lateral na área. E o melhor atacante atuando no país em 2016. Sem as individualidades resta muito pouco de uma ideia de jogo pobre e anacrônica.

Por isso o Corinthians sobra. Não é exemplo de gestão nem ostenta patrocínio forte, mas tem identidade dentro do campo. Uma ideia que vai sendo aprimorada por Fabio Carille, auxiliar dos “construtores” Mano Menezes e Tite. 35 pontos em 39 possíveis. Invicto, não sofre gols há sete partidas. Ataca quando precisa e chega a 23 gols marcados, igualando o Grêmio que ainda joga na rodada.

Campanha histórica em 13 rodadas. É o grande favorito ao título. Mas mesmo que a taça não venha, que o modelo de jogo alinhado ao que de mais atual se pratica nos principais centros e base de ideias da seleção brasileira líder das eliminatórias sul-americanas seja a referência para um futebol mais bem jogado no país.

No dérbi, o presente venceu o passado.

(Estatísticas: Footstats) 


Concentração e cultura da vitória: o Corinthians de Tite volta com Carille
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André Rocha

Foto: Instagram de Fabio Carille

O Corinthians é o time brasileiro desta década – para não deixar dúvidas, de 2011 até agora. Tem dois títulos brasileiros como o Cruzeiro, uma Libertadores como Santos e Atlético Mineiro. Um Mundial como nenhum outro desde 2006. Mais dois paulistas de lambuja.

Acima de tudo, criou uma identidade futebolística, com Mano Menezes e Tite. Uma marca. Organização, solidez defensiva. Tudo executado com um mantra do atual treinador da seleção brasileira: concentração. Leia mais AQUI.

Com as conquistas vem uma cultura de vitória. Aquela confiança no modelo e nos métodos que faz a equipe forte e fragiliza o oponente. Uma certeza de que se o trabalho for feito com correção tudo vai dar certo. Um temor do outro lado quando percebe a competência do adversário.

Foi este o Corinthians que venceu o Grêmio em Porto Alegre e abriu quatro pontos na liderança do Brasileiro. Se o Botafogo vencer o Avaí a distância para o terceiro colocado cairá para oito. Ainda assim, vantagem considerável.

Ainda mais consistente e importante porque o time comandado por Fabio Carille não perde. Já são 23 partidas consecutivas sem derrota. Muitos jogos sem brilho, coletivo ou individual, mas na maioria deles também com pouquíssimos erros.

Foi o que minou aos poucos a confiança gremista e foi calando a Arena. O time de Renato Gaúcho rondava a área, mas não conseguia infiltrar, nem criar a chance cristalina. Por isso os 32 cruzamentos de uma equipe acostumada a jogar com bola no chão.

Luan teve sua área de atuação bem reduzida pela compactação e por um dos “segredos” corintianos há alguns anos: a última linha de defesa com movimentos praticamente perfeitos, jogando próximos e atentos, guardando a região central. É difícil furar.

Mas quando vem a rara chance, é obrigação matar. E aí falhou Geromel na primeira etapa em jogada ensaiada. Depois Luan. Na oportunidade dentro da pequena área com chute fraco e, pouco depois, na cobrança de pênalti mais que hesitante. Uma paradinha insegura e o chute fraco para defesa de Cássio. O destaque do jogo, ainda que não tenha feito nenhuma intervenção espetacular.

Porque o Corinthians tem o foco no erro zero e não perdoa o equívoco ou a infelicidade. Como quando Luan, o personagem do duelo como os gremistas não desejavam e esperavam, facilitou com um toque a infiltração de Paulo Roberto. O substituto de Gabriel de atuação correta atrás e corajosa nas descidas ao ataque, com incrível chance perdida na primeira etapa. O centro da esquerda que Jô não dominou, mas Jadson completou entre as pernas de Marcelo Grohe. Outro trunfo a falhar do desafiante ao líder.

Força coletiva que potencializa o talento, outro lema de Tite. Por mais méritos que Carille demonstre, especialmente na flexibilidade do sistema tático que varia do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 conforme a necessidade e na utilização de jovens da base, é impossível não lembrar de quem aprimorou as ideias de Mano, formou um Corinthians sólido e depois, em 2015, acrescentou criatividade. Continua bem sucedido a serviço da CBF, com a mesma filosofia.

Carille segue a receita e acrescenta os toques pessoais. A vitória em Porto Alegre é simbólica. Com uma competição paralela a menos que Grêmio, Flamengo, Botafogo e Palmeiras para disputar, não é absurdo dizer que já temos um forte candidato ao título. Ou o mesmo dos últimos seis anos.

(Estatísticas: Footstats)


Luan na zona desfalcada do rival pode ser a chave de Grêmio x Corinthians
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André Rocha

Nenhum campeonato de pontos corridos com 20 clubes é decidido na décima rodada. Nem o espanhol, se Barcelona e Real Madrid se enfrentarem, um vença e abra dez pontos na liderança. Mas pode sinalizar tendências.

O Corinthians está invicto há 22 jogos. O Grêmio marcou gols em todos os jogos de 2017 e tem 100% de aproveitamento em sua arena no Brasileiro. Só a disputa no topo da tabela já seria motivo para chamar todos os holofotes para si no fim de semana.

Mas também será um duelo em tática e estratégia. Com um desfalque chave: Gabriel, expulso contra o Bahia. Porque uma mudança sempre altera o entrosamento. Neste caso, das ações com Maycon na proteção da defesa e da própria retaguarda no sistema de coberturas.

Logo contra Luan. Quatro gols e líder em assistências, com seis. O atacante que é meia e joga entre as linhas. Ou seja, se movimenta nos espaços deixados entre a defesa e o meio-campo do adversário. Mais ainda com a presença de Lucas Barrios no centro do ataque do 4-2-3-1 montado por Renato Gaúcho.

Luan que tem seu trabalho facilitado pelo jogo fluido no meio-campo com Michel, Arthur – segundo melhor passador da competição, com 96% de acerto –  e Ramiro, o volante-meia pela direita que abre espaços para o apoio de Léo Moura, agora Edilson com a lesão do lateral veterano. Também facilita a movimentação de Luan e Barrios que atacam aquela brecha e indefinem a marcação.

Time gaúcho que constroi muito volume de jogo atuando em seus domínios. E vai precisar diante do melhor sistema defensivo do país. Com Fabio Carille, que mantém a identidade corintiana construída por Mano Menezes e Tite e foi praticamente pulverizada por Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira.

Que terá Paulo Roberto no lugar de Gabriel e certamente Maycon mais fixo na proteção, dando liberdade a Rodriguinho para se aproximar de Jô. Equipe que apostará forte na compactação, no erro zero com concentração absoluta e na tática da “bola coberta”: pressão no gremista que estiver com a pelota e adiantar as linhas. Se o oponente conseguir sair da dificuldade, a última linha de defesa recua, protege a meta, não se expõe.

Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana. Entrosados e sintonizados nos movimentos que cedem poucos espaços no “funil”, com chamam os treinadores. Ou seja, a área mais central da zona de decisão. Por onde são feitas as diagonais dos ponteiros para finalizar, as tabelas pelo meio e as penetrações de quem vem de trás.

Ofensivamente, o time paulista tem buscado ser mais criativo. Aposta em triangulações, toques rápidos e mobilidade. Com Jadson saindo da direita para dentro, Romero infiltrando em diagonal a partir da esquerda, Rodriguinho e Maycon aparecendo nos espaços vazios, Fagner e Arana intensos no apoio ao ataque.

Na referência, Jô. Em plena forma para reter a bola na frente, fazer o pivô, aproveitar o jogo aéreo e chamar lançamentos para usar a velocidade adquirida com a dedicação ao condicionamento físico. Centroavante decisivo até aqui em clássicos e jogos grandes e que pode ser fundamental.

Ainda mais se Renato Gaúcho perder Kannemann, dúvida por lesão. Impacto no entrosamento com Geromel na defesa titular que só foi vazada nos 3 a 3 contra o Cruzeiro, melhor jogo da Série A em 2017 até aqui. O Grêmio terá postura ofensiva, mas com cuidados. Ramiro e Pedro Rocha fechando com Michel e Arthur uma segunda linha de quatro bem próxima à defesa na recomposição. Guardar o setor de Cortez, que pode ter problemas com o apoio de Fagner e a movimentação dos companheiros quando Jadson sai da direita do ataque.

Em estatísticas, o Corinthians é superior em posse de bola e acerto de passes. Já o Grêmio é mais objetivo, precisa de cinco finalizações para marcar um gol. É o ataque mais positivo, com 23 bolas nas redes adversárias em nove partidas.

Mas a tendência é que os donos da casa tenham a bola e rondem a área corintiana com paciência e acerto nos passes esperando surgir a brecha. A pressa na definição da jogada pode dar o contragolpe que o rival espera. Até porque, objetivamente, a partida, pelo mando de campo e por buscar a liderança, vale mais para o Grêmio. A volta será em Itaquera, sabe lá em quais condições e em que posição na tabela.

Há um favorito, natural pelo mando de campo e por ter em Luan uma peça chave numa zona do rival enfraquecida por uma ausência. Sem desmerecer Paulo Roberto, a falta de Gabriel pode ser decisiva. Não por uma suposta marcação individual sobre o grande destaque gremista, mas pela perda nos movimentos coletivos dentro de um bloqueio por zona que vem sendo executado quase com perfeição. Por isso é a defesa menos vazada, com apenas cinco bolas nas redes de Cássio.

É difícil vencer esse Corinthians. Mas hoje, no país, se há uma equipe capaz da façanha é o Grêmio.

Prováveis formações, ainda com a dúvida de Kannemann na zaga gremista: times no 4-2-3-1, donos da casa propondo mais o jogo e tendo a chance de criar problemas para o Corinthians pela movimentação de Luan buscando espaços às costas do meio-campo e explorar o desentrosamento de Paulo Roberto, substituto do suspenso Gabriel (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Início do Corinthians é de quem pode terminar muito bem
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André Rocha

Os 13 pontos em quinze possíveis no início do Brasileiro, igualando a campanha do título de 2011, podem funcionar como curiosidade e um agente motivador.

Mas o que vale mesmo para o Corinthians é que o roteiro deste começo vem sendo o melhor possível. As circunstâncias colocaram no caminho cinco adversários acessíveis. O melhor deles na abertura do campeonato, quando não há muita noção do que está por vir.

Depois do duro empate em Itaquera com a Chapecoense, líder até o início da quinta rodada, triunfos sobre Vitória, Atlético-GO, Santos e agora os 5 a 2 sobre o Vasco em São Januário. 100% de aproveitamento como visitante. Três times que vão lutar para se manter na Série A e o clássico com um rival combalido, na despedida de Dorival Júnior.

Oponentes que permitem uma evolução gradual, sem abalo na confiança depois de um título paulista contrastando com a eliminação precoce na Copa do Brasil para o Internacional. Fabio Carille trabalha para acrescentar criatividade e contundência à equipe organizada defensivamente, identidade construída por Mano Menezes e Tite.

Ainda difícil quando é preciso criar espaços, mas que já flui melhor quando o adversário os cede. Como o Vasco, que criou problemas e aproveitou a desconcentração geral no início da segunda etapa e a fragilidade de Pablo nas disputas com Luis Fabiano para empatar o jogo.

Na maior parte do jogo, porém, assumiu o papel de dono da casa, adiantou as linhas e sofreu com a rapidez na transição ofensiva deste incrível Jô e mais Clayson, Jadson e Marquinhos Gabriel, com suporte de Maycon. Depois Clayton, autor dos dois últimos gols. Compensando as ausências de Fagner, Rodriguinho e Romero no absurdo que é jogar em datas FIFA.

Corinthians que já varia naturalmente do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 com o movimento do meia mais adiantado, ora se aproximando de Jô, ora se alinhando a Maycon na construção. Com saída pelos dois lados, por Fagner e Guilherme Arana. Que triangula, movimenta Jadson. Cria e finaliza mais e melhor. Ganha opções, que entram no time em alta, sem pressão.

Em um campeonato equilibrado, no qual a trinca de favoritos antes da bola rolar ocupam as três posições logo acima da zona de rebaixamento – Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras -, pontuar nas primeiras rodadas sempre é melhor. Aumenta a confiança, dá leveza ao ambiente.

Nada garante em 38 rodadas e falar em junho do título no final do ano, ainda com Copa Sul-Americana a disputar, é utopia. Mas avaliando potencial e margem de evolução, um começo forte pode, sim, terminar muito bem para a equipe de Fabio Carille.