Blog do André Rocha

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Vitória do Corinthians no dérbi é o triunfo do presente sobre o passado
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André Rocha

Antes do início da 13ª rodada da Série A, o líder Corinthians era o segundo ataque mais positivo, a equipe que mais acerta passes e a quarta em posse de bola. Mas no Allianz Parque aproveitou a estatística que lidera e, na prática, é a mais importante: só precisa de seis finalizações, na média, para fazer um gol.

Na casa do Palmeiras esta eficiência foi ainda maior: dois gols em três conclusões. Jadson no pênalti sobre Guilherme Arana, que marcou o da vitória na segunda etapa. Ambos iniciados com passes espetaculares de Romero, o destaque absoluto do triunfo de uma ideia de jogar.

Atual, que se adapta de acordo com o que pede o jogo. Diante de um mandante tão forte, como o Grêmio há três rodadas, não fazia sentido partir de peito aberto. Principalmente pela consciência de que o rival viria no desespero para buscar a vitória e descontar os 13 pontos de desvantagem.

Organizou duas linhas de quatro compactas, executou com concentração absoluta seu modelo de jogo que baseia o trabalho defensivo na marcação por zona e no controle dos espaços. Fagner, Balbuena, Pablo e Arana parecem chegar à perfeição dos movimentos de corpo para tirar as opções do atacante que está com a bola. E quando o oponente consegue ultrapassá-los, aparece Cássio novamente no ápice físico e técnico.

Na transição ofensiva, inteligência para triangular e atacar os espaços na hora certa. Mesmo sem o brilho de Jô e de Jadson, que só apareceu na cobrança de pênalti. O forte é o coletivo, com eficiência absurda. Um relógio preciso.

Bem diferente do Palmeiras de Cuca, que diante das dificuldades impostas pelo Corinthians apelou para o que se convencionou chamar de “Cucabol” e nunca foi bem entendido. Na necessidade de criar os espaços em uma retaguarda bem posicionada, o time desde o ano passado apela para os cruzamentos sucessivos. Não há ideias.

Antes da partida, a média era de 22 bolas levantadas. Só no primeiro tempo foram 28. Chegou a 47 no final. No desespero, Cuca empilhou atacantes tirando volantes, adiantou o zagueiro Mina com centroavante e…tome bola na área! Teve 61% de posse, finalizou 18 vezes, mas faltou a chance cristalina, a ação ofensiva bem trabalhada.

Cuca tem razão ao lamentar as ausência de Vitor Hugo, Moisés e Gabriel Jesus em relação ao time campeão brasileiro do ano passado. O zagueiro que compensava todos os problemas ocasionados pelos ultrapassados encaixes individuais com velocidade, concentração e vigor físico. O meio-campista que acertava passes, chutes e as cobranças de lateral na área. E o melhor atacante atuando no país em 2016. Sem as individualidades resta muito pouco de uma ideia de jogo pobre e anacrônica.

Por isso o Corinthians sobra. Não é exemplo de gestão nem ostenta patrocínio forte, mas tem identidade dentro do campo. Uma ideia que vai sendo aprimorada por Fabio Carille, auxiliar dos “construtores” Mano Menezes e Tite. 35 pontos em 39 possíveis. Invicto, não sofre gols há sete partidas. Ataca quando precisa e chega a 23 gols marcados, igualando o Grêmio que ainda joga na rodada.

Campanha histórica em 13 rodadas. É o grande favorito ao título. Mas mesmo que a taça não venha, que o modelo de jogo alinhado ao que de mais atual se pratica nos principais centros e base de ideias da seleção brasileira líder das eliminatórias sul-americanas seja a referência para um futebol mais bem jogado no país.

No dérbi, o presente venceu o passado.

(Estatísticas: Footstats) 


Concentração e cultura da vitória: o Corinthians de Tite volta com Carille
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André Rocha

Foto: Instagram de Fabio Carille

O Corinthians é o time brasileiro desta década – para não deixar dúvidas, de 2011 até agora. Tem dois títulos brasileiros como o Cruzeiro, uma Libertadores como Santos e Atlético Mineiro. Um Mundial como nenhum outro desde 2006. Mais dois paulistas de lambuja.

Acima de tudo, criou uma identidade futebolística, com Mano Menezes e Tite. Uma marca. Organização, solidez defensiva. Tudo executado com um mantra do atual treinador da seleção brasileira: concentração. Leia mais AQUI.

Com as conquistas vem uma cultura de vitória. Aquela confiança no modelo e nos métodos que faz a equipe forte e fragiliza o oponente. Uma certeza de que se o trabalho for feito com correção tudo vai dar certo. Um temor do outro lado quando percebe a competência do adversário.

Foi este o Corinthians que venceu o Grêmio em Porto Alegre e abriu quatro pontos na liderança do Brasileiro. Se o Botafogo vencer o Avaí a distância para o terceiro colocado cairá para oito. Ainda assim, vantagem considerável.

Ainda mais consistente e importante porque o time comandado por Fabio Carille não perde. Já são 23 partidas consecutivas sem derrota. Muitos jogos sem brilho, coletivo ou individual, mas na maioria deles também com pouquíssimos erros.

Foi o que minou aos poucos a confiança gremista e foi calando a Arena. O time de Renato Gaúcho rondava a área, mas não conseguia infiltrar, nem criar a chance cristalina. Por isso os 32 cruzamentos de uma equipe acostumada a jogar com bola no chão.

Luan teve sua área de atuação bem reduzida pela compactação e por um dos “segredos” corintianos há alguns anos: a última linha de defesa com movimentos praticamente perfeitos, jogando próximos e atentos, guardando a região central. É difícil furar.

Mas quando vem a rara chance, é obrigação matar. E aí falhou Geromel na primeira etapa em jogada ensaiada. Depois Luan. Na oportunidade dentro da pequena área com chute fraco e, pouco depois, na cobrança de pênalti mais que hesitante. Uma paradinha insegura e o chute fraco para defesa de Cássio. O destaque do jogo, ainda que não tenha feito nenhuma intervenção espetacular.

Porque o Corinthians tem o foco no erro zero e não perdoa o equívoco ou a infelicidade. Como quando Luan, o personagem do duelo como os gremistas não desejavam e esperavam, facilitou com um toque a infiltração de Paulo Roberto. O substituto de Gabriel de atuação correta atrás e corajosa nas descidas ao ataque, com incrível chance perdida na primeira etapa. O centro da esquerda que Jô não dominou, mas Jadson completou entre as pernas de Marcelo Grohe. Outro trunfo a falhar do desafiante ao líder.

Força coletiva que potencializa o talento, outro lema de Tite. Por mais méritos que Carille demonstre, especialmente na flexibilidade do sistema tático que varia do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 conforme a necessidade e na utilização de jovens da base, é impossível não lembrar de quem aprimorou as ideias de Mano, formou um Corinthians sólido e depois, em 2015, acrescentou criatividade. Continua bem sucedido a serviço da CBF, com a mesma filosofia.

Carille segue a receita e acrescenta os toques pessoais. A vitória em Porto Alegre é simbólica. Com uma competição paralela a menos que Grêmio, Flamengo, Botafogo e Palmeiras para disputar, não é absurdo dizer que já temos um forte candidato ao título. Ou o mesmo dos últimos seis anos.

(Estatísticas: Footstats)


Luan na zona desfalcada do rival pode ser a chave de Grêmio x Corinthians
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André Rocha

Nenhum campeonato de pontos corridos com 20 clubes é decidido na décima rodada. Nem o espanhol, se Barcelona e Real Madrid se enfrentarem, um vença e abra dez pontos na liderança. Mas pode sinalizar tendências.

O Corinthians está invicto há 22 jogos. O Grêmio marcou gols em todos os jogos de 2017 e tem 100% de aproveitamento em sua arena no Brasileiro. Só a disputa no topo da tabela já seria motivo para chamar todos os holofotes para si no fim de semana.

Mas também será um duelo em tática e estratégia. Com um desfalque chave: Gabriel, expulso contra o Bahia. Porque uma mudança sempre altera o entrosamento. Neste caso, das ações com Maycon na proteção da defesa e da própria retaguarda no sistema de coberturas.

Logo contra Luan. Quatro gols e líder em assistências, com seis. O atacante que é meia e joga entre as linhas. Ou seja, se movimenta nos espaços deixados entre a defesa e o meio-campo do adversário. Mais ainda com a presença de Lucas Barrios no centro do ataque do 4-2-3-1 montado por Renato Gaúcho.

Luan que tem seu trabalho facilitado pelo jogo fluido no meio-campo com Michel, Arthur – segundo melhor passador da competição, com 96% de acerto –  e Ramiro, o volante-meia pela direita que abre espaços para o apoio de Léo Moura, agora Edilson com a lesão do lateral veterano. Também facilita a movimentação de Luan e Barrios que atacam aquela brecha e indefinem a marcação.

Time gaúcho que constroi muito volume de jogo atuando em seus domínios. E vai precisar diante do melhor sistema defensivo do país. Com Fabio Carille, que mantém a identidade corintiana construída por Mano Menezes e Tite e foi praticamente pulverizada por Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira.

Que terá Paulo Roberto no lugar de Gabriel e certamente Maycon mais fixo na proteção, dando liberdade a Rodriguinho para se aproximar de Jô. Equipe que apostará forte na compactação, no erro zero com concentração absoluta e na tática da “bola coberta”: pressão no gremista que estiver com a pelota e adiantar as linhas. Se o oponente conseguir sair da dificuldade, a última linha de defesa recua, protege a meta, não se expõe.

Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana. Entrosados e sintonizados nos movimentos que cedem poucos espaços no “funil”, com chamam os treinadores. Ou seja, a área mais central da zona de decisão. Por onde são feitas as diagonais dos ponteiros para finalizar, as tabelas pelo meio e as penetrações de quem vem de trás.

Ofensivamente, o time paulista tem buscado ser mais criativo. Aposta em triangulações, toques rápidos e mobilidade. Com Jadson saindo da direita para dentro, Romero infiltrando em diagonal a partir da esquerda, Rodriguinho e Maycon aparecendo nos espaços vazios, Fagner e Arana intensos no apoio ao ataque.

Na referência, Jô. Em plena forma para reter a bola na frente, fazer o pivô, aproveitar o jogo aéreo e chamar lançamentos para usar a velocidade adquirida com a dedicação ao condicionamento físico. Centroavante decisivo até aqui em clássicos e jogos grandes e que pode ser fundamental.

Ainda mais se Renato Gaúcho perder Kannemann, dúvida por lesão. Impacto no entrosamento com Geromel na defesa titular que só foi vazada nos 3 a 3 contra o Cruzeiro, melhor jogo da Série A em 2017 até aqui. O Grêmio terá postura ofensiva, mas com cuidados. Ramiro e Pedro Rocha fechando com Michel e Arthur uma segunda linha de quatro bem próxima à defesa na recomposição. Guardar o setor de Cortez, que pode ter problemas com o apoio de Fagner e a movimentação dos companheiros quando Jadson sai da direita do ataque.

Em estatísticas, o Corinthians é superior em posse de bola e acerto de passes. Já o Grêmio é mais objetivo, precisa de cinco finalizações para marcar um gol. É o ataque mais positivo, com 23 bolas nas redes adversárias em nove partidas.

Mas a tendência é que os donos da casa tenham a bola e rondem a área corintiana com paciência e acerto nos passes esperando surgir a brecha. A pressa na definição da jogada pode dar o contragolpe que o rival espera. Até porque, objetivamente, a partida, pelo mando de campo e por buscar a liderança, vale mais para o Grêmio. A volta será em Itaquera, sabe lá em quais condições e em que posição na tabela.

Há um favorito, natural pelo mando de campo e por ter em Luan uma peça chave numa zona do rival enfraquecida por uma ausência. Sem desmerecer Paulo Roberto, a falta de Gabriel pode ser decisiva. Não por uma suposta marcação individual sobre o grande destaque gremista, mas pela perda nos movimentos coletivos dentro de um bloqueio por zona que vem sendo executado quase com perfeição. Por isso é a defesa menos vazada, com apenas cinco bolas nas redes de Cássio.

É difícil vencer esse Corinthians. Mas hoje, no país, se há uma equipe capaz da façanha é o Grêmio.

Prováveis formações, ainda com a dúvida de Kannemann na zaga gremista: times no 4-2-3-1, donos da casa propondo mais o jogo e tendo a chance de criar problemas para o Corinthians pela movimentação de Luan buscando espaços às costas do meio-campo e explorar o desentrosamento de Paulo Roberto, substituto do suspenso Gabriel (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Início do Corinthians é de quem pode terminar muito bem
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André Rocha

Os 13 pontos em quinze possíveis no início do Brasileiro, igualando a campanha do título de 2011, podem funcionar como curiosidade e um agente motivador.

Mas o que vale mesmo para o Corinthians é que o roteiro deste começo vem sendo o melhor possível. As circunstâncias colocaram no caminho cinco adversários acessíveis. O melhor deles na abertura do campeonato, quando não há muita noção do que está por vir.

Depois do duro empate em Itaquera com a Chapecoense, líder até o início da quinta rodada, triunfos sobre Vitória, Atlético-GO, Santos e agora os 5 a 2 sobre o Vasco em São Januário. 100% de aproveitamento como visitante. Três times que vão lutar para se manter na Série A e o clássico com um rival combalido, na despedida de Dorival Júnior.

Oponentes que permitem uma evolução gradual, sem abalo na confiança depois de um título paulista contrastando com a eliminação precoce na Copa do Brasil para o Internacional. Fabio Carille trabalha para acrescentar criatividade e contundência à equipe organizada defensivamente, identidade construída por Mano Menezes e Tite.

Ainda difícil quando é preciso criar espaços, mas que já flui melhor quando o adversário os cede. Como o Vasco, que criou problemas e aproveitou a desconcentração geral no início da segunda etapa e a fragilidade de Pablo nas disputas com Luis Fabiano para empatar o jogo.

Na maior parte do jogo, porém, assumiu o papel de dono da casa, adiantou as linhas e sofreu com a rapidez na transição ofensiva deste incrível Jô e mais Clayson, Jadson e Marquinhos Gabriel, com suporte de Maycon. Depois Clayton, autor dos dois últimos gols. Compensando as ausências de Fagner, Rodriguinho e Romero no absurdo que é jogar em datas FIFA.

Corinthians que já varia naturalmente do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 com o movimento do meia mais adiantado, ora se aproximando de Jô, ora se alinhando a Maycon na construção. Com saída pelos dois lados, por Fagner e Guilherme Arana. Que triangula, movimenta Jadson. Cria e finaliza mais e melhor. Ganha opções, que entram no time em alta, sem pressão.

Em um campeonato equilibrado, no qual a trinca de favoritos antes da bola rolar ocupam as três posições logo acima da zona de rebaixamento – Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras -, pontuar nas primeiras rodadas sempre é melhor. Aumenta a confiança, dá leveza ao ambiente.

Nada garante em 38 rodadas e falar em junho do título no final do ano, ainda com Copa Sul-Americana a disputar, é utopia. Mas avaliando potencial e margem de evolução, um começo forte pode, sim, terminar muito bem para a equipe de Fabio Carille.

 


Carille, Zé Ricardo, Roger, Beto Campos: o legado de Tite nos estaduais
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André Rocha

Objetivamente, nenhum dos quatro treinadores que conquistaram os títulos estaduais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul utilizou o 4-1-4-1 que virou o desenho tático “de cabeceira” de Tite no Corinthians campeão brasileiro de 2015 e agora na seleção brasileira.

Mas as ideias de Adenor Leonardo Bacchi estão lá. As mais marcantes: última linha de defesa posicional no Corinthians de Fabio Carille, ex-auxiliar de Tite. O jogo apoiado, baseado em triangulações pelos lados do campo, mesmo sem tantas incursões por dentro dos ponteiros, no Flamengo de Zé Ricardo, outro que sempre cita o técnico 100% com a seleção brasileira como inspiração.

No Atlético Mineiro de Roger, a capacidade de se adaptar às circunstâncias, propondo ou sendo mais reativo, encaixando um terceiro volante para liberar Elias e tentando dar pausas ao “Galo Doido”. Por fim, um Beto Campos no supreendente Novo Hamburgo que sempre cita o técnico da seleção como referência e faz sua equipe se defender bem, mas também não abdicar do jogo.

Nos quatro discursos, sempre a palavra “mágica”: desempenho. E outra quase tão importante: concentração. Entrar focado nos movimentos coletivos para o time não se espaçar. Força mental para se adequar às dificuldades e ao contexto dos jogos. Ter sempre um norte: jogar bem sempre será o melhor caminho para conseguir vitórias e títulos.

Com méritos, sem atalhos ou subterfúgios, jogando ao natural. Equilibrando ataque e defesa. Entregando mais que só o resultado. Falando do jogo em si, transmitindo conceitos, abertos ao novo. Cada um à sua maneira.

É inspirador ver os pilares de Tite se espalhando entre os treinadores no futebol brasileiro. Nos quatro principais estaduais, o legado do melhor do país terminou em taças.


Análise tática: Ponte Preta e Corinthians desconstroem a “moda” do 4-1-4-1
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André Rocha

Com o sucesso da seleção brasileira sob o comando de Tite, veio a impressão de que o 4-1-4-1 se consolidaria como tendência no futebol brasileiro. Como um dia foi o 4-2-3-1.

Ponte Preta e Corinthians até utilizaram o desenho tático com um volante entre duas linhas de quatro e mais um atacante durante a campanha na fase de grupos do Paulista. Mas bastou chegar os confrontos mais importantes para os treinadores Gilson Kleina e Fabio Carille alterarem o sistema.

Agora são duas linhas de quatro sem a bola que deixam dois jogadores mais adiantados. Para pressionar a saída de bola do adversário, mas também servir como referência para a transição rápida do campo de defesa.

De maneiras distintas, porém. Nos surpreendentes 3 a 0 sobre o favorito Palmeiras no Moisés Lucarelli, a Ponte compactou bem as linhas e não deu refresco ao palmeirense que estivesse com a bola. Pressão para tomar rápido e acelerar buscando o artilheiro William Pottker e Clayson, que saiu da direita para formar uma dupla na frente e criar problemas circulando às costas de Felipe Melo.

Mas sem enfraquecer o setor “abandonado”. Porque Jadson abria para fechar a segunda linha e atacava por dentro, deixando o corredor para as descidas de Jeferson, substituto de Nino Paraíba. Para cima de Zé Roberto, que não contava com o suporte de Dudu.

O Palmeiras de Eduardo Baptista dá a impressão de que confia na posse de bola e no temor que pode causar no oponente por conta de seu elenco de alto nível para o futebol que se joga na América do Sul para não ser atacado.

Só que o time de Campinas atacou e contra-atacou. No ritmo de Fernando Bob, volante elegante que distribui o jogo e aparece na frente. Com Lucca, infiltrando em diagonal para receber linda assistência de Pottker e marcar o segundo gol aos nove.

Porque o primeiro não precisou nem de um minuto para acontecer, com Pottker. Uma blitz na área palmeirense até o desvio do goleador do Paulista ao lado do são-paulino Giberto, com nove. O terceiro com Jeferson após falha grotesca de Zé Roberto. Seis finalizações, cinco no alvo. Três gols. Tudo isso em 33 minutos.

As linhas de quatro da Ponte Preta com todos defendendo no próprio campo, inclusive Clayson e Pottker. Jadson abrindo para bloquear o lado direito e Fernando Bob na proteção da última linha (reprodução TV Globo).

O Corinthians precisou de 45, mais três de acréscimo, no Morumbi para se impor com as mesmas linhas de quatro que adiantaram Rodriguinho para desequilibrar. Primeiro no passe preciso para Jô marcar seu sexto gol na temporada, quatro em clássicos. Depois o chute que Renan Ribeiro não impediu que chegasse às redes no lance final da primeira etapa. Ambos em vacilos de Jucilei, muito lento para a função que exerce na proteção da retaguarda.

A equipe de Carille confia mais no posicionamento. Nem precisa pressionar tanto a bola, porque em seu próprio campo tem os espaços como referência. Permite até o controle da pelota, mas nega brechas ao rival, especialmente na última linha defensiva.

Fabio Carille dá mais liberdade a Rodriguinho no novo desenho tático corintiano. A última linha de defesa segue posicional atrás de outra com quatro jogadores para negar espaços aos adversários (reprodução Premiere).

Bola roubada, a saída em velocidade e em bloco para aproveitar os espaços deixados pelo tricolor que parecia acertar o sistema defensivo. Mas era só a fragilidade dos adversários mesmo.

Rogério Ceni vai sofrendo com a “síndrome do caderno em branco”. Toda experiência como treinador é a primeira. Não foi o primeiro clássico Majestoso, mas este vale vaga na decisão. E seu time falhou. Continua mal posicionado atrás. Só valeu pela honestidade de Rodrigo Caio na anulação do amarelo para Jô, que sequer tocou em Renan Ribeiro. Questão de índole.

No segundo tempo subiu a posse para 62%, fez Cássio trabalhar com oito finalizações contra uma e criou espaços e chances até para empatar. Só que não é fácil vazar o melhor sistema defensivo do país até aqui em 2017 e que deve confirmar em Itaquera a vaga na final estadual.

O Palmeiras diminuiu os estragos na segunda etapa em Campinas. Também porque a Ponte preferiu controlar o jogo sem a posse (terminou com 44%) e administrar ótima vantagem para a volta no Allianz Parque. Mas não irreversível.

Para a volta, a melhor receita parece a mesma da ida: marcar e jogar. Com as duas linhas de quatro que fizeram Corinthians e Ponte mais sólidos e objetivos. Desconstruindo a “moda” do 4-1-4-1. Quarenta anos depois do gol histórico de Basílio, podem fazer novamente a final do Paulista.

(Estatísticas: Footstats)

 


Solta o Jadson, Carille! Corinthians cria pouco porque não mexe as peças
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André Rocha

Quando este blogueiro entrevistou Tite em 2015, logo após a conquista do título brasileiro, o treinador concordou com a tese de que sua grande evolução em termos ofensivos era que antes o seu time mexia nas peças apenas com a bola parada.

Ou seja, num lateral ou tiro de meta um jogador saía de seu posicionamento original e trocava com um colega. Como Danilo e Emerson Sheik na final da Libertadores, com o meia que atuava como uma espécie de “falso nove” se transferindo para o lado esquerdo e o atacante saindo da ponta e indo para o comando do ataque para fazer os dois gols decisivos sobre o Boca Juniors no Pacaembu.

Depois do ano sabático do técnico, a mobilidade dos jogadores passou a se dar com a bola em movimento. Deslocamentos na ação de ataque para criar espaços, sem respeitar tanto o sistema. Jadson saía da ponta direita e era visto do lado oposto, com Elias ou mesmo Vagner Love infiltrando no espaço deixado. Sempre alguém se apresentando para o passe curto ou a bola longa. Na perda, pressão para quebrar o passe e retomar ou se reorganizar no próprio campo.

Mesmo com a volta de Jadson, é o que vem faltando ao Corinthians de Fabio Carille em 2017. O ex-auxiliar de Tite, embora tenha trabalhado com o atual técnico da seleção brasileira em 2015, tem a visão anterior.

Seu time já teve Jadson no meio, Maycon na ponta esquerda, Romero na direita. Mas sempre no mesmo 4-1-4-1 com Jô na referência. Não “bagunça” as peças quando ataca porque quer seu time organizado na recomposição. Cada um no seu pedaço.

Por isso a dificuldade quando é preciso criar espaços diante de um sistema defensivo bem fechado. Não é só questão de talento, das peças tecnicamente inferiores às de dois anos atrás. O problema está na dinâmica. Não se mexe, cria pouco.

Porque o jogo é coletivo. Se o atleta se desloca e oferece opção, o passe do companheiro com a bola não precisa ser tão complexo. Se uma peça sai do seu “quadrado” e outra se projeta no espaço deixado quando a jogada acontece, as chances de surpreender o adversário aumentam exponencialmente.

Mas se Jadson só sai da direita para o meio quando a bola está parada e Romero vai para o seu lugar com Maycon ocupando o lado esquerdo, onde está a surpresa? A marcação adversária continuará distribuída esperando os quatro meias e mais o centroavante. Não gira, não quebra.

Quando roda funciona bem melhor. Como no primeiro gol sobre a Universidad de Chile, “La U”, pela Copa Sul-Americana. Jô chegou um pouco para a esquerda, abriu o corredor para Guilherme Arana e estavam na área Romero, Jadson, Maycon e Rodriguinho, o autor do gol na sequência do lance após uma balbúrdia na frente do goleiro Johnny Herrera. Nada tão revolucionário, mas o suficiente para desestabilizar a retaguarda.

Jô sai da referência, abre espaço pela esquerda para o apoio de Arana e deixa a área para os quatro meias infiltrarem para desestabilizar a defesa da Universidad de Chile no gol de Rodriguinho na estreia da Copa Sul-Americana (reprodução Fox Sports).

No gol sobre o Botafogo, todos nas suas posições. Ou quase, já que Arana estava mais adiantado pela esquerda que Romero na saída para o contragolpe. Então foi necessária uma inversão de jogo rápida para Jadson à direita e o cruzamento para o desvio de Rodriguinho que tirou do alcance do goleiro Neneca. Aí, sim, vai precisar mais da técnica e do talento que hoje é mais escasso.

No gol contra o Botafogo de Ribeirão Preto, Jadson teve que ser preciso no centro para Rodriguinho desviar porque a única projeção no espaço vazio foi a do meia entrando na área adversária (reprodução Premiere).

Por isso fica um conselho a Fabio Carille: solte o Jadson! Deixe ele circular mais, sem tanta preocupação com a perda da bola. É o mais criativo do setor ofensivo e já mostrou que faz com perfeição a função de ponta articulador que entra nas costas dos volantes, cria superioridade numérica, fura as linhas de marcação. Se ele girar, os demais vão procurar os espaços naturalmente.

Com Fagner, Balbuena, Pablo e Arana cada vez mais entrosados na defesa, mais o suporte de Gabriel, não é preciso tanto rigor na organização da linha de quatro no meio. Com mais rotação não é obrigatório ter Elias, Renato Augusto, Love e Malcom para criar mais e, consequentemente, fazer mais gols.

Vale o risco para melhorar o desempenho e os números no ataque. O torcedor corintiano adora dizer que gosta de vencer com sofrimento, mas certamente se lembra com mais carinho das goleadas em 2015 do que da fileira de vitórias por 1 a 0 de 2011 a 2013. Como os sete triunfos pelo placar mínimo nas onze vezes em que o Corinthians saiu de campo com os três pontos em 2017.

É pouco, pode melhorar. Ainda que Carille não seja Tite, nem Rodriguinho um Renato Augusto.


Análise tática – São Paulo 1×1 Corinthians: a última linha e o terço final
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André Rocha

A arbitragem comandada por Vinicius Furlan no Morumbi foi pluripatética, embora menos que a do clássico carioca no Mané Garrincha. Mas o Majestoso reforçou impressões sobre os times neste início de temporada, mesmo com desfalques importantes.

A começar pela fragilidade defensiva do São Paulo de Rogério Ceni que já virou clichê – agora são surreais 20 gols sofridos em 10 partidas no estadual. O duelo com o arquirrival se colocou como um desafio para enfim não ter a meta vazada. O treinador tentou proteger com Jucilei mais plantado, Cícero recuado para garantir mais posse (terminou com 59%) e controle com volante passador.

Velocidade e intensidade no quarteto ofensivo. Tanto para pressionar no momento da perda da bola quanto para acelerar. Thiago Mendes e Wellington Nem alternando entre o lado direito e o centro, Gilberto na referência e Luiz Araújo pela esquerda. Faltou mais visão de jogo e o toque fácil. Também a conclusão precisa do melhor ataque da competição com 24 gols. Desta vez faltou Cueva. E Pratto.

Quando Nem, centralizado, acertou a assistência que fura a defesa, Luiz Araújo parou em Cássio no escanteio que Maicon colocou nas redes e comemorou provocando a torcida corintiana.

Mas depois falhou grosseiramente no posicionamento no gol de Jô. Nem cobriu Araruna no combate a Arana, nem ficou no centro da área junto com Rodrigo Caio na disputa com o centroavante do oponente. Ainda criou uma indefinição para o companheiro de zaga, que não sabia se saía em Rodriguinho ou ficava no centroavante. Nem ao menos se manteve num setor em que pudesse interceptar o cruzamento. Numa zona “morta”, assistiu ao empate e viu seu time murchar.

Maicon não cobriu Araruna, nem interceptou o cruzamento. Ainda criou uma indefinição para Rodrigo Caio – sair em Rodriguinho ou ficar em Jô? Na falha da última linha, o gol corintiano (reprodução TV Globo).

O Corinthians só não aproveitou para construir a virada porque segue sem criatividade e mobilidade na frente com a bola em movimento. Até houve mais revezamento, com os jovens Maycon e Pedrinho trocando de lado, Jadson e Rodriguinho circulando. Mas sem aquele deslocamento que gera superioridade numérica, as triangulações e a infiltração do terço final.

Tudo muito previsível. Piorou com a entrada de Leo Jabá, atacante que parece involuir cada vez que aparece entre os titulares. Já Pedrinho merece mais oportunidades, mesmo perdendo algumas disputas no físico. O time visitante finalizou dez vezes, seis no alvo. Sem chances cristalinas, porém.

Corinthians no último terço: mesmo com os jogadores da linha de meias trocando de posição, o time é previsível no ataque, isolando Jô (reprodução TV Globo).

Mais uma vez, diante do maior volume do adversário, o que garantiu o time de Fabio Carille foi a última linha de defesa bem posicionada. Apesar de um ou outro vacilo de Léo Príncipe, que entrou na vaga de Fagner. Sem os movimentos assimilados, se complicou em algumas coberturas por dentro. Balbuena teve que compensar saindo de sua posição.

Mesmo com espaços às costas do meio-campo por conta de falhas de Gabriel na proteção, o quarteto ofensivo são-paulino teve dificuldades de infiltrar na última linha corintiana quase sempre bem posicionada (reprodução TV Globo).

Mas mesmo com algumas dificuldades de Gabriel na proteção, a defesa conseguiu conter os lances mais agudos. Só não tem os melhores números do Paulista por conta de falhas individuais, como a de Cássio no gol de Maicon. Bem diferente da desorganização são-paulina.

A impressão é de que Ceni pensa futebol com a sua equipe adiantada, fazendo pressão e forçando a ligação direta do rival. Se este consegue transpor esse cerco no próprio campo, tudo fica por conta da rapidez, da qualidade e da intuição de seus defensores. Por isso sofre na última linha.

Sò não penou mais porque o Corinthians tem dificuldades no terço final do campo. Na zona de decisão, onde é preciso ter ideias. Mesmo diante de um sistema defensivo tão caótico. Não por acaso tem média de um gol marcado por jogo na temporada. Ajuda a explicar o 1 a 1. Empate entre os diferentes.

(Estatísticas: Footstats)

 


O “segredo” de Tite que Carille retoma com sucesso no Corinthians
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André Rocha

A vitória por 2 a 0 sobre o Luverdense na Arena Pantanal encaminha a classificação do Corinthians para a quarta fase da Copa do Brasil. Também dá a chance do técnico Fabio Carille rodar o elenco no jogo da volta.

Se o desempenho ofensivo vai aos poucos ganhando criatividade e fluência com o encaixe de Jadson pelo lado direito na linha de meias no 4-1-4-1, salta aos olhos os números defensivos.

Nas três partidas pelo torneio nacional, nenhum gol sofrido. Sim, adversários frágeis. Mas a retaguarda também não foi vazada nos clássicos contra Palmeiras, Santos e São Paulo, este no torneio amistoso na Flórida. No Paulista, só quatro gols sofridos. Contra Santo André e Mirassol. Cinco partidas sem Cássio ser batido.

A solidez dos tempos de Tite, mesmo em 2013, ano do declínio antes do período sabático, voltou depois de fortes oscilações sob o comando de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. Porque Carille resgatou uma solução que ajudou o atual técnico da seleção brasileira a se destacar no cenário nacional.

É o que o próprio chama de “última linha posicional”. Ou seja, a defesa com os zagueiros mais próximos dos laterais. Marcando por zona, tendo a bola e o espaço como as referências, não o jogador.

A grande sacada é criar uma espécie de cinturão à frente do goleiro. Uma adaptação da escola italiana, que Tite foi estudar na década passada. Nem tão adiantada, exposta e espaçada como a da escola espanhola, que depende demais da pressão sobre o jogador com a bola para “quebrar” o passe. Muito menos semelhante à brasileira, com marcação individual e zagueiros afundados, muito próximos da própria área e que precisam do desarme salvador ou da cobertura do zagueiro de sobra.

O bloqueio é estreito. Quando o adversário ataca por um lado, a linha faz uma espécie de diagonal. O lateral se adianta para marcar, o zagueiro fica atento na cobertura, o do outro lado fica pronto para cortar o cruzamento e o lateral do lado oposto recua e faz a diagonal de cobertura ou espera uma possível inversão da jogada.

Flagrante da linha de quatro do Corinthians no dérbi guardando a própria área: Arana fecha o lado atacado, Pablo fica ligado numa possível cobertura, Balbuena guarda a área e Fagner espera uma eventual inversão ou faz a diagonal de cobertura (reprodução TV Globo).

A ideia é evitar a bola longa pelo centro ou na diagonal que proporciona a conclusão. Assim induz o lançamento mais aberto e o lateral tem tempo para bloquear a ação ofensiva menos perigosa. O posicionamento compensa também eventuais erros de compactação dos homens do meio-campo.

O atacante brasileiro, mesmo o sul-americano, fica desconfortável com o cerco que espera o momento do bote. Na tomada de decisão costuma se atrapalhar e facilitar o defensor. Não é receita infalível, mas minimiza os gols sofridos e as chances criadas pelos adversários.

Na final da Libertadores de 2012 contra o Boca Juniors, a linha formada por Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fabio Santos mantém o posicionamento, mesmo com o buraco deixado pelos volantes permitindo o jogo entre as linhas do time argentino (Reprodução TV Globo).

Desde Alessandro, Chicão, Leandro Castán (depois Paulo André) e Fabio Santos em 2012, passando por Fagner, Felipe, Gil e Uendel no ano passado. Agora, Fagner, Balbuena, Pablo e Arana vão ganhando entrosamento, assimilando os movimentos que não são simples. Exigem inteligência, noção de espaços e concentração. Até aqui a resposta tem sido positiva. Também pelas orientações de Cássio, que conhece toda a mecânica defensiva.

Tite foi estudar e se reciclar em 2014. Voltou apostando em criatividade, movimentação e triangulações para criar superioridade numérica no setor em que está a bola. Uma mudança notável de conceitos ofensivos. Mas o trabalho sem a bola não muda. Nem no Corinthians campeão brasileiro de 2015, nem na seleção brasileira líder das Eliminatórias.

Setores compactos, “perde e pressiona”…e a última linha de defesa posicionada. O “segredo” de Tite que Carille, ex-auxilar que colaborava exatamente na montagem da retaguarda, retoma com sucesso neste início de temporada.


Por pouco Jadson não paga o pato. Não é, nem pode ser Sassá Mutema
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André Rocha

Jadson perdeu a sua cobrança na decisão por pênaltis e podia ter sido o vilão de uma eliminação precoce na Copa do Brasil. Mesmo com o bom momento em resultados e a busca da evolução no desempenho do Corinthians de Fabio Carille, o tratamento dado ao meia veterano, de volta ao clube depois da fantástica jornada no Brasileiro de 2015, é do mágico que vai resolver.

O raciocínio é óbvio – eu diria simplista: Se o time vence apertado e sofre para criar jogadas, coloca lá o “dez” e…SHAZAN! Tudo resolvido.

Não vai solucionar todos os problemas ofensivos. Porque Carille tem o perfil do Tite antes do ano sabático de estudos, observações e reflexões. Ou seja, um treinador que quer seu time organizado (ou engessado) com a bola para, na perda da posse, estar ordenado na recomposição.

Tite notou que era melhor ganhar mobilidade e criatividade, mesmo que isso provocasse mais riscos atrás, que podem ser minimizados com pressão na perda e trabalho coletivo. Mas isso é conquista de um treinador experiente e antenado. Carille está no início do voo solo. Vai aprender.

Menos mal para ele que não foi com um vexame que seria a eliminação para o Brusque na segunda fase da Copa do Brasil. Como o Tolima foi para Tite em 2011. O Corinthians jogou mal, sofreu atrás e foi previsível nas ações ofensivas. Melhorou um pouco com a entrada do camisa 77 na segunda etapa.

Mas não é justo cobrar de Jadson a criatividade de meia central e único responsável pela articulação se seu melhor momento foi pela direita, com liberdade de movimentação e companheiros mais qualificados dando opções.

A articulação não pode ficar por conta de um só jogador. O tempo de Alex e Riquelme, os típicos meias centrais jogando à frente dos volantes “carimbando” todas as bolas, passou. Em 2017 o trabalho precisa ser dividido.

Jadson não é, nem pode ser Sassá Mutema, personagem de Lima Duarte na novela “O Salvador da Pátria”. Por pouco ele não pagou o pato em Brusque.