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Colômbia paga por erros, mas não tira méritos do Japão da posse de bola
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André Rocha

Escalar Carlos Sanchez, volante essencialmente marcador, violento e um tanto atabalhoado é ir contra as tendências do futebol atual. Ainda mais com Barrios no banco. E Cuéllar no Brasil…Pelas características é difícil entender a opção de José Pekerman no meio-campo colombiano. Independentemente de qualquer questão extra-campo ou de liderança.

O Japão tinha Hasebe e o ótimo Shibasaki ditando o ritmo entre as intermediárias com passes curtos e longos, se apresentando sempre como opção para fluir as ações ofensivas da equipe de Akira Nishino. Baseada em posse de bola, só acelerando os ataques mais próximo da área adversária.

Com inteligência para mudar a dinâmica. Inicialmente com Sakai mais fixo pela direita e Nagatomo saindo para o jogo do lado oposto. Depois invertendo a lógica, até pela movimentação de Haraguchi, ponteiro pela direita no 4-2-3-1 dos asiáticos, saindo do flanco para dentro e abrindo o corredor para Sakai. Pela esquerda, Inui era mais incisivo, infiltrando em diagonal buscando as finalizações. Também se aproximando para tabelas com Kagawa e Osako, o centroavante que deixou no banco a estrela Okazaki do Leicester City, ainda se recuperando de fadiga muscular.

O jogo na Arena Mordovia foi condicionado pelo pênalti com expulsão de Carlos Sanchez logo aos cinco minutos de jogo. O primeiro erro grave da Colômbia em sua estreia. Kagawa cobrou no centro do gol e o Japão, mesmo com a vantagem no placar, continuou executando seu modelo de jogo. Rodando a bola com paciência tentando cansar o adversário.

Pekerman reorganizou seu time em um 4-4-1 básico, mas precisou trocar Cuadrado por Barrios para não perder o meio-campo de vez. Quintero, meia do River Plate, foi ocupar o lado direito da segunda linha de quatro. Mais organizada, a seleção sul-americana teve chance com Falcao García e empatou na cobrança de falta à la Ronaldinho Gaúcho, por baixo da barreira, de Quintero.

Jogo equilibrado até que no segundo tempo Pekerman tirou Quintero e colocou James Rodríguez. Craque do país, artilheiro do último Mundial, mas que ainda não está 100% fisicamente. Substituição até óbvia, mas que na prática desestruturou a Colômbia taticamente.

Porque James, que até já cumpriu função pelo lado na própria seleção e também no Bayern de Munique, passou a jogar centralizado, deixando o lateral Arias solitário no trabalho defensivo pela direita. Os japoneses fizeram a leitura correta e passaram a atacar mais pela esquerda. Por este lado saiu o escanteio que encontrou a cabeça de Osako. 2 a 1.

Sim, a Colômbia sofreu um gol de cabeça na bola parada dos japoneses. E James Rodríguez perdeu a chance de empate em ótima chance dentro da área. Equívocos cruciais: escalação inicial, alteração tática, erros técnicos. Em uma Copa do Mundo não se pode vacilar tanto.

O Japão aproveitou e fez história, em sua primeira vitória em Mundiais sobre sul-americanos. Não sem méritos. 59% de posse de bola, 86% de efetividade nos passes, 14 finalizações – seis na direção da meta de Ospina. No ritmo de seus bons meio-campistas.

O Grupo H que já parecia o mais equilibrado da Copa agora fica ainda mais imprevisível. E interessante.

(Estatísticas: FIFA)

 


Fim dos 100% do Brasil de Tite é compensado pelo valor do teste
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André Rocha

O calor e a umidade em Barranquilla foram obstáculos tão grandes quanto a boa atuação da Colômbia no segundo tempo, não por acaso coincidindo com a maior produção de James Rodríguez, o meia central do 4-2-3-1 armado por Jose Pekerman. Na jogada bem trabalhada do camisa dez com Arias contra Filipe Luís sem o suporte de Renato Augusto, o cruzamento na cabeça de Falcao García, que se antecipou a Marquinhos para empatar.

Um raro vacilo brasileiro dentro de uma atuação segura de acordo com o contexto. Tite acertou ao acrescentar Fernandinho e Roberto Firmino às mudanças obrigatórias – Thiago Silva no lugar do lesionado Miranda e Filipe Luís no lugar do suspenso Marcelo. Descansou Casemiro e guardou Gabriel Jesus para a segunda etapa na vaga de Firmino, que não brilhou mas novamente contribuiu coletivamente. Mais importante: experimentou sua equipe.

Manteve Willian entre os titulares e o ponteiro pela direita do 4-1-4-1 correspondeu com bom trabalho no setor, em dupla com Daniel Alves. E ainda apareceu no centro para receber passe de Neymar, após lançamento preciso de Fernandinho, para acertar um chutaço no ângulo de Ospina. Golaço único da primeira etapa, logo depois da parada para a retirada de um cachorro do gramado.

A assistência de Neymar foi o ápice de uma atuação mais solidária. No esforço na recomposição e, principalmente, por soltar mais rapidamente a bola e fazer o jogo fluir. Quando tentou as jogadas individuais era o único recurso, como na bela arrancada desde a intermediária brasileira até a área colombiana no segundo tempo. O craque voltando aos eixos, mesmo sem desequilibrar, foi uma boa notícia.

Também a confiança do treinador ao arriscar novamente Philippe Coutinho no lugar de Renato Augusto, mudando o desenho tático para o 4-2-3-1 com o recuo de Paulinho, novamente atuando mais avançado na linha de meias. O Brasil nunca abdicou de jogar e isto é sempre positivo e merece reconhecimento.

Assim como a manutenção do desempenho, mesmo com quase meio time alterado. O fim dos 100% de aproveitamento com Tite nas Eliminatórias era esperado, até pelo peso zero do resultado na classificação. Importante foi o valor do teste e a boa resposta de maturidade de uma seleção que parece pronto, mas ainda está em formação.


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