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Taça Guanabara não pode ser ilusão mais uma vez para o Flamengo
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André Rocha

Foram 33 cruzamentos em 90 minutos, mais os acréscimos. No vigésimo sétimo, o centro de Diego para Rever tocar e Kadu fazer contra. O gol para descomplicar um jogo em que o Boavista negou espaços com duas linhas de quatro  – Fellype Gabriel e Erick Flores voltando pelos lados com Pará e Renê.

O problema do Flamengo novamente foi a falta de jogadas mais criativas. Infiltrações em diagonal, tabelas por dentro. Difícil surpreender o adversário. Muito por causa de Diego. Parece perseguição, mas não é o caso. Inegável a importância do camisa dez pela liderança positiva, pela entrega absoluta, a concentração para auxiliar sem a bola na execução do 4-1-4-1. Em especial, a técnica nos cruzamentos e chutes, com bola rolando ou parada.

Mas repare que sempre que Diego recebe a bola e alguém se projeta para a jogada que vai furar as linhas de marcação o meia hesita. Domina, gira, dá mais um toque. Tempo suficiente para a marcação adversária se armar e só restar duas jogadas: abrir para um companheiro levantar a bola na área ou ele mesmo cruzar.

Para um time que planeja se instalar no campo de ataque e trabalhar a bola – terminou com 61,5% de posse – essa lentidão na circulação da bola na zona de decisão ou último terço atrapalha a criação de espaços. Não é o caso de barrar o camisa dez, mas tentar orientá-lo a soltar a bola mais rapidamente. Pode ajudá-lo, inclusive, na dura concorrência por uma vaga entre os 23 de Tite para a Copa do Mundo.

Em Cariacica, a tarde infeliz de Henrique Dourado até em jogadas simples complicou ainda mais. Mas pela disparidade entre as equipes , o time de Paulo César Carpegiani finalizou 20 vezes, cinco no alvo contra nenhuma do Boavista na direção da meta de César em um total de nove.

Com Rodinei e Vinícius Júnior, o time rubro-negro buscou mais o fundo na segunda etapa, ganhou velocidade pela direita e habilidade no um contra um do lado oposto. Com o cansaço do adversário a reta final foi de domínio absoluto e o segundo gol que definiu a conquista do primeiro turno do Carioca no lançamento de Everton Ribeiro que Vinícius Júnior raspou para tirar do goleiro Rafael.

21º título da Taça Guanabara e vaga garantida no quadrangular final do estadual. Mas não pode mais uma vez iludir pensando nas ambições do clube para a temporada, a começar pela disputa dura já na fase de grupos da Libertadores. Para a proposta de jogo de Carpegiani, nitidamente insatisfeito à beira do campo, há muito a evoluir. Na lógica do futebol brasileiro, os resultados ao menos ajudam a aumentar a confiança. Mas não bastam.

(Estatísticas: Footstats)

 


Flamengo está mais móvel, mas com Diego e Dourado ainda vive de cruzamentos
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André Rocha

Foram praticamente 70 minutos de domínio absoluto do Flamengo na vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo em Volta Redonda pela semifinal da Taça Guanabara. Aproveitando as limitações e a queda brusca de confiança do Botafogo depois de ser eliminado pela Aparecidense na Copa do Brasil.

Com titulares e a estreia de Henrique Dourado, o time de Paulo César Carpegiani repetiu a mobilidade do 4-1-4-1 da vitória por 1 a 0 sobre o Nova Iguaçu. Everton Ribeiro e Diego alternando à direita e por dentro, o mesmo com Lucas Paquetá e Everton do lado oposto. Cuéllar mais plantado e Dourado na referência.

A movimentação chama atenção porque não há inversões no posicionamento apenas quando a bola sai e os jogadores fazem a troca, mas também com o time em progressão. Em vários momentos envolveu com relativa facilidade o sistema defensivo do rival com bola no chão, tabelas, triangulações e ultrapassagens.

Apesar de mais móvel, fica nítido que o Fla ainda vive de cruzamentos, com bola parada ou rolando. Em especial de Diego, o jogador que mais levantou bolas na área no clássico: 13 dos 31. Recorde do Fla na temporada. Foram 21 contra Volta Redonda e Cabofriense e 22 contra o Bangu com a garotada. 23 diante do Vasco, 24 contra o Nova Iguaçu já com Diego. Mas sem uma típica referência com boa estatura na frente.

Porque o meia ainda é lento para fazer a bola circular. Domina, gira, dá mais um toque. Com isso o adversário tem tempo para se reorganizar defensivamente. Sem opções e segurança para um passe mais vertical, acaba jogando na área. Como é o responsável pelas bolas paradas, natural que seja o que mais cruza.

Com o “Ceifador”, só no primeiro tempo foram 18. Natural que se busque o centroavante eficiente no jogo aéreo, mas para um time que em 2017 basicamente viveu das jogadas aéreas e Carpegiani busca mudar esse perfil, o número não deixou de ser alto.

Valeu pelos gols, um em cada tempo. No primeiro, centro de Diego e Everton cabeceou livre em mais uma falha grotesca da defesa do Bota que vacilou pelo alto nos dois gols da Aparecidense. No segundo, novo cruzamento do camisa dez para Paquetá servir Dourado.

Destaque novamente para o jovem meia que terminou a temporada passada como o grande destaque do time. Dinâmica para ir e voltar, consciência, lucidez e intensidade tanto para articular por dentro ou buscar o fundo como ponteiro. Um recital até cansar e sair para dar lugar a Vinícius Júnior.

Mas paradoxalmente o gol do Botafogo, primeiro sofrido pelo Fla no ano, começou em um erro de passe de Paquetá. Contragolpe, Réver sentiu o desgaste em sua primeira partida na temporada e não acompanhou Kieza. Com o centroavante, Ezequiel e Renatinho, o alvinegro ensaiou uma reação na chuva e aproveitando o cansaço dos titulares rubro-negros no segundo jogo neste Carioca.

Vinícius Júnior resolveu no último contragolpe do jogo em bela finalização. Para deixar claro o abismo entre os rivais neste momento. Também tornar o Flamengo ainda mais favorito para a final contra o Boavista.

O mais importante, porém, foi sinalizar que o time rubro-negro busca um novo modelo de jogo com Carpegiani. Mais móvel, envolvente. Falta ser mais criativo e insistir menos nos cruzamentos. Algo a ser trabalhado até a Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Sai Vizeu e chega Dourado no Flamengo. Afinal, a base é só para vender?
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André Rocha

Este blogueiro se lembra de ver Romário surgindo no Vasco em 1984 e Djalminha no Flamengo em 1990 nas preliminares do Maracanã. Era visível a ansiedade doa torcedores para vê-los nos profissionais e imaginando trajetórias de sucessos nos clubes. Um estreou nos profissionais em 1985 e foi negociado com o PSV em 1988, o outro subiu depois de ser o craque da Copa SP de 1990 e foi saído da Gávea em 1993.

Dois casos com desfechos bem diferentes, mas que em comum entregaram três anos de futebol no profissional a quem o revelou. Saíram, mas ao menos permitiram que o apaixonado pelo clube sonhasse com a possibilidade de construir uma história, mesmo não tão longa.

Hoje esse sonho é ilusão. O garoto surge antes mesmo do sub-20 já com a obsessão de jogar no exterior, os clubes europeus monitoram e contratam na primeira oportunidade. A única chance que resta é o comprador permitir que fique um tempo para ganhar cancha e minutos entre os adultos.

É o que acontece com Vinícius Júnior no Flamengo. Negociado com o Real Madrid e motivo de orgulho para os dirigentes porque o valor que receberam bancaria o orçamento das divisões de base por anos. Mas e o retorno técnico tão curto, com o jogador saindo aos 18 anos?

Ninguém calcula. E acha natural que agora o Flamengo negocie o atacante Vizeu, 20 anos, com a Udinese e contrate o rodado Henrique Dourado, 28, para a mesma função.

Sim, há um cálculo compreensível nesta combinação. Até junho o elenco terá Vizeu e Dourado, além do garoto Lincoln, como centroavantes e depois Paolo Guerrero, caso renove o contrato que vai até agosto, retorna de suspensão no lugar do atleta negociado que parte para a Itália.

Mas não parece loucura o clube vender o jovem promissor para trazer um jogador mais velho que pelas oscilações na carreira não passa de uma grande incógnita? É uma inversão de valores ou este que escreve quer uma utopia?

É óbvio que existe a possibilidade de Vizeu bater, voltar e não vingar como jogador em alto nível e o “Ceifador” empilhar gols e ganhar títulos no novo clube. No futebol tudo pode. Mas cabe a reflexão sobre as divisões de base: é só formar para vender mesmo? Tipo exportação e cada vez mais cedo?

O Santos resistiu com Neymar. Surgiu em 2009, partiu para Barcelona quatro anos depois deixando uma Copa do Brasil e a terceira Libertadores na sala de troféus. Se a negociação não deu o retorno esperado por questões legais, ao menos em campo a resposta foi ótima. Vizeu não é Neymar, talvez nem Vinicius Jr. chegue ao mesmo patamar, mas a lógica teria que ser a mesma.

Se a vontade do jogador tem que prevalecer, por que não buscar um plano de carreira que convença o garoto a ficar mais um pouco? Ou falta vontade para alimentar a criatividade e o único alvo são as cifras?

O futebol evolui e se torna mais complexo em todos os seus aspectos, mas essa nova ordem nacional de vender o jovem para contratar o experiente sempre vai soar muito estranha. Um paradoxo. Desta vez foi o Flamengo. Quem será o próximo?

 


Vitórias com a garotada dão respaldo ao trabalho correto do Flamengo
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André Rocha

Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo

Não há como garantir uma temporada bem sucedida do Flamengo em 2018. É até provável que com Paulo César Carpegiani no comando o time titular siga com as mesmas dificuldades do ano passado. Principalmente por ter um grupo de jogadores para privilegiar o jogo mais direto, de contragolpes, e não dentro da proposta do clube de propor o jogo no campo de ataque com posse de bola.

Mas uma coisa é inegável: o início de temporada é correto no planejamento e tem conseguido um saldo positivo na execução. O elenco voltou às atividades no dia 13 de janeiro com estreia no Carioca marcada para o dia 17.

A solução foi utilizar a garotada sub-20 e aos poucos inserir os profissionais já dando minutos em ritmo de competição. Uma escolha arriscada pelo resultadismo característico do nosso futebol, ainda mais com a urgência da maior torcida do país e a repercussão de tudo que acontece na Gávea e no Ninho do Urubu. O São Paulo estreou com derrota poupando os titulares e a pressão começou cedo.

Mas os meninos responderam bem, em desempenho e resultado. Na Copa São Paulo, chegando à final contra o São paulo, e nos primeiros jogos do estadual. Três vitórias, quatro gols marcados e nenhum sofrido. Ainda que Volta Redonda, Cabofriense e Bangu não sejam parâmetro de avaliação, ser testado com visibilidade dá “casca” aos garotos.

Também aumentaram a confiança de Vinicius Júnior. Já com cinco gols no profissional ao ir às redes diante da Cabofriense, novamente na Arena da Ilha. A joia do Real Madrid ainda a serviço do Fla também serviu Lincoln no gol da vitória sobre o Bangu após bela jogada individual. Na partida que marcou o retorno do jovem de maior destaque em 2017: Lucas Paquetá.

Léo Duarte voltou muito bem na zaga, Jean Lucas vai ganhando cancha, Ronaldo retornou com o espaço que tanto pediu antes de partir para o Atlético-GO. E ainda Lucas Silva, Vítor Gabriel, Klébinho, Thuler, o goleiro Gabriel Batista…Todos aproveitando o estadual para consolidar um dos momentos decisivos na carreira de qualquer jogador: a transição da base para o profissional.

A grande questão a resolver é que os garotos, por características, também precisam de espaço para acelerar, não trabalham com toques rápidos e deslocamentos para abrir defesas mais fechadas. Algo a ser trabalhado por titulares e reservas, já que o time, em qualquer competição, entrará com a responsabilidade de atacar na maioria das partidas.

A boa notícia para Carpegiani é que o treinador ganha opções. Se o titular não corresponder já terá um jovem menos verde para lançar num jogo maior, em um momento mais importante da temporada. O torcedor conhece, sabe o que esperar. A “grife” sem desempenho ganha uma sombra real que pode minimizar a ida do clube mais tímida ao mercado até aqui.

Como deve ser. Como é tradição nos momentos mais vencedores do Flamengo. As vitórias dão respaldo ao técnico, aos meninos e tranquilidade aos titulares na volta, já pensando em Libertadores. Não assegura o sucesso, mas já é um bom início.

 


Pressionar qualquer time brasileiro agora é covardia. Cenário é dramático!
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André Rocha

Foto: Marcello Zambrana/AGIF

O ano virou com a constatação de que nossos times estavam atualizando seus conceitos no trabalho defensivo. Sem a bola vemos compactação, coordenação dos setores, concentração e preocupação em negar espaços ao adversário. Algo já ficando parecido com o que se vê pela TV nos grandes campeonatos do mundo.

Mas é nítido que falta organização para atacar. Tudo ainda fica entregue à intuição e ao talento. Vemos pouco jogo associativo, deslocamentos para dar opção ao companheiro, ultrapassagens apenas para atrair a marcação. Trabalho coletivo, fundamental exatamente para criar espaços em retaguardas sólidas e bem fechadas.

Começa 2018 com suas não mais que duas semanas de pré-temporada e já temos times pressionados. Por torcida, imprensa, dirigentes… Ainda que a maioria dos adversários nos estaduais não joguem a Série A do Brasileiro e muitos sequer tenham divisão para disputar no segundo semestre, os treinadores também têm acesso às informações para qualificar o trabalho sem a bola. Aproximar setores ou mesmo estacionar um ônibus na frente da própria área.

Em 15, 20 dias de treinos e jogos não foi possível resolver os problemas de 2017. Ainda mais para quem trocou de treinador e mudou a base titular. Logo, o sofrimento para abrir defesas está lá. Muitas vezes em gramados ruins, com o calor do verão, etc.

É covardia cobrar demais agora. Não é passar pano ou blindar. Apenas ser razoável. Qualidade com regularidade neste início é utopia. Quem conseguir agora tem que se preocupar, porque pode faltar nos momentos mais importantes. Ainda que se trate como relevante a reta final dos estaduais.

Agora é o momento de testar, oscilar. Errar. Pedir a cabeça de Dorival Júnior no São Paulo pela estreia com derrota utilizando reservas no Paulista contra o São Bento só porque o time flertou com o Z-4 em 2017 e não ganha um título desde 2012 beira a insanidade. Ganhar do Novorizontino no Morumbi virou obrigação. Com o empate sem gols, vaias e mais cobranças. Dorival já sinaliza uma mudança no planejamento. Como questionar alguém que já se sente ameaçado em um ambiente já conturbado por conflitos políticos e outras particularidades?

O mesmo vale para todos os clubes, uns mais e outros nem tanto. Palmeiras, Flamengo e Internacional começaram com duas vitórias. Cada um com seu contexto. Mas também não estão isentos das mazelas de um calendário inchado, irresponsável. Inclusive podem pagar mais à frente pelo sucesso inicial. Porque não há tempo.

É obrigação vencer o pequeno. No clássico não pode perder. No Brasileiro todo jogo é importante. Libertadores é prioridade, Copa do Brasil é mata-mata, tiro curto, tem que dar tudo. Por mais que se alegue que na elite do futebol do país os salários estão muito acima da média do trabalhador comum e que muitos dariam a vida para ter como ofício algo tão prazeroso como jogar bola, a exigência é desproporcional. Massacrante.

Com o problema para criar espaços tudo fica ainda mais complexo. Então tome cruzamentos, na bola parada ou com ela rolando (ou voando)! Resultadismo para atender o imediatismo e seguir empregado, poder sair na rua, viver em paz.

Muitos dirão “quem não quer pressão que vá trabalhar em outra coisa”. Não estão de todo errados, é o ônus de tantas vantagens e privilégios. O que se questiona é a pouca inteligência de não entender os processos, exigir soluções mágicas e duradouras. Vencer sempre. Sem trégua. Se não atender, troca. E troca até “dar certo”.

Sem tempo não há trabalho, entrosamento e o produto final que pode resolver essa carência de ideias quando se está com a bola. A pressão por mudanças é o veneno tratado como remédio. Treinadores e jogadores não precisam de salvo conduto, cabide de emprego ou estabilidade de serviço público. Só de um pouco de paz. Sem gente histérica perseguindo, com ou sem microfone – ou teclado do computador ou celular com acesso às redes sociais.

O cenário já é dramático no final de janeiro! Pelo visto, serão mais onze meses no mesmo dilema.


Ronaldinho: cabeça de artista esmagada pelo pragmatismo do futebol
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André Rocha

Ronaldinho, então apenas Ronaldo, chamou atenção deste blogueiro no Mundial Sub-17 em 1997. Talento, habilidade, aquela fagulha dos gênios. Confirmada mais nos dribles sobre Dunga no Grenal do que no golaço sobre uma Venezuela já entregue na Copa América em 1999. Aos 19 anos.

Saída polêmica e explosão do talento que ganhou força no Paris Saint-Germain. Coadjuvante de luxo no título mundial em 2002 e a fase de ouro no Barcelona. Sempre com sorriso no rosto, samba no pé além da magia quando uma bola se aproximava. Parecia viver num mundo de sonho, proporcionado por sua genialidade e viabilizada pelo irmão Assis, que cuidava das coisas práticas enquanto ele vivia o sonho.

Esta história tem seu momento chave em 2006. A questão no primeiro semestre deste ano era: até onde Ronaldinho Gaúcho pode chegar? Se vencesse a Copa do Mundo na Alemanha como protagonista de um Brasil estelar e favorito como nunca ao título seria bicampeão. Aos 26 anos. Para muitos, subiria ao topo do Olimpo com Pelé, Maradona e outros poucos.

Todos os olhos voltados para ele. Bicampeão espanhol e dando ao Barcelona a sua segunda Liga dos Campeões. O auge em um clube. Mas mal pôde comemorar. Sua alma de artista não teve como respirar de uma enorme pressão. Ele precisava de férias. Mais para a mente do que para o corpo. Como um cantor depois de gravar um disco genial ou cumprir uma turnê consagradora.

Ronaldinho partiu para Weggis. E para seu azar – talvez achasse sorte na época – o clima não era de concentração, mas de permissividade. O diagnóstico errado de que com tantos talentos reunidos e depois de vencer tanto bastava entrar em campo e cumprir o protocolo para levar o hexa.

Não foi. E ao notar as dificuldades, perceber que não tinha corpo nem mente para o tamanho do desafio ele viveu uma depressão. No campo. Sem reação. Com alguns espasmos, porque o futebol transbordava pelos pés. Parou na França. De um Zidane focado, adiando jogo a jogo o fim de sua carreira. Depois de uma temporada sem títulos e grande desgaste. O oposto.

Ali algo se quebrou. O gênio que havia chegado tão longe ao ver Cannavaro receber a Bola de Ouro percebeu que teria que escalar a montanha de novo. E aí faltou a disciplina, o foco na carreira para seguir adiante. Deixou de ser atleta, virou jogador.

Ainda com talento para ter momentos brilhantes em Milan, Flamengo e Atlético Mineiro, este em especial com o último título relevante: a Libertadores 2013. Nem tanto no Fluminense e no Querétaro. Porque o Pep Guardiola que o descartou no Barcelona em 2008 levou o futebol para um caminho de intensidade e espírito competitivo que empurrou Ronaldinho para fora do cenário no mais alto nível. Ele era de outro tempo.

Bons tempos, muitos dirão. Mas tudo passa. O Gaúcho passou e agora se despede oficialmente. Deixando mágica por onde caminhou. A cabeça de artista foi esmagada pelo pragmatismo do futebol. Mas paradoxalmente o esporte ficou marcado por ele. Dois prêmios de melhor do mundo e inspiração para Lionel Messi, um dos grandes da história.

Maior que Ronaldinho por encarar o esporte como trabalho, com a disciplina exigida. O mundo disse que o R10 tinha que ser o maior. Ele só queria ser feliz. Que seja agora, mais longe do nosso imediatismo e de nossas exigências muitas vezes descabidas. Só um superhomem para suportar o moedor de carne, cérebro e alma.

Ronaldinho desistiu em 2006. Uma pena. Ou sorte dele. Vai saber…


Você rejeitaria Tite depois da Copa do Mundo ou só vale para os “gringos”?
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André Rocha

Reinaldo Rueda conduziu mal a saída do Flamengo para comandar a seleção chilena. Agora não vem mais ao caso, mas, observando à distância, havia várias maneiras, em tese, de ser mais transparente com o clube brasileiro.

Só que o caso de mais um treinador sul-americano deixando o país para aceitar uma proposta de seleção, se juntando a Osório, que saiu do São Paulo para o México, e Bauza, do mesmo clube para a Argentina, está construindo uma imagem de que os técnicos estrangeiros não cumprem  contratos e usam o Brasil como “trampolim”.

O nome disso, sem meias palavras, é xenofobia. Um pouco de reserva de mercado por parte dos treinadores daqui, tema que volta sempre que surge uma oportunidade. No caso de Rueda, na chegada e na saída – será por ter “tomado” um emprego tão cobiçado como ser o treinador do time de maior torcida do país?

Muito também pela visão de que treinadores de outros países do continente nada tem a acrescentar por aqui, enfrentam a barreira do idioma e não apresentam grande vantagem nos aspectos táticos e estratégicos. Talvez pela falta de tempo para trabalhar num calendário inchado, com imediatismo, resultadismo e pressão desproporcional. Os que já estão aqui se acostumaram com o ciclo. Para o “forasteiro” requer mais tempo.

Simplesmente não faz sentido. Principalmente a acusação de não cumprirem contrato. Quem cumpre? Os clubes, que demitem por qualquer sequência de resultados ruins? Como esquecer da demissão de Jorge Fossati do Internacional classificado para a semifinal da Libertadores de 2010? Ou Ricardo Gareca do Palmeiras, Diego Aguirre do Atlético Mineiro e Paulo Bento do Cruzeiro? Nem é questão de discutir cada caso, mas os clubes não hesitaram na hora de descartar os profissionais.

Os treinadores brasileiros, que cansados de levar um pé no traseiro agora deixam os clubes por qualquer proposta mais vantajosa estão errados também? Como Guto Ferreira, da Chapecoense para o Bahia e deste para o Internacional? Ou Fernando Diniz, sem disputar um jogo sequer pelo Guarani e partindo para o Atlético Paranaense?

Sem contar os casos dos brasileiros que saíram para seleções. Como Joel Santana em 2008, deixando o Flamengo para comandar a África do Sul que seria anfitriã da Copa do Mundo dois anos depois. Se pensarmos em “seleções” mundiais como o Real Madrid, como esquecer Vanderlei Luxemburgo abandonando o Santos campeão brasileiro em 2004 para comandar o Real Madrid?

E Tite? Ele mesmo admite e pede perdão ao Corinthians por ter “deixado o clube na mão” no ano passado para comandar a seleção brasileira. Não deixa de ser o mesmo caso: treinador que encerra seu contrato com um clube para acertar com uma federação. No caso, a CBF, entidade que o próprio Tite via com reservas e assinou manifesto de repúdio às suas práticas. E como ficou o ano do então campeão brasileiro, que já havia sofrido um desmanche no início da temporada?

Questão de ponto de vista. Este que escreve até discordou na época da decisão do melhor treinador brasileiro, mas depois compreendeu que era a realização de um sonho. O contexto também mostrou que acabou sendo melhor para a seleção, já que o risco de ficar de fora do Mundial era real.

Mas se ele deixar a CBF ao final da Copa da Rússia você ficaria com um pé atrás ou mesmo rejeitaria no caso do seu time de coração fechar contrato com Tite por ele não ter cumprido o acordo com o Corinthians? Foi exatamente o mesmo caso de Bauza, que foi servir ao futebol do seu país. Ou a crítica só vale para os “gringos”?

Rueda foi mal no fim do ciclo do Flamengo, mas daí a generalizar e rotular o caráter de profissionais estrangeiros vai uma distância enorme. Do tamanho do preconceito de tantas vozes que estão gritando desde o anúncio da saída do colombiano. Tudo muito conveniente.


Carpegiani no Flamengo em 2018 é aposta maior que em 1981
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André Rocha

Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Reinaldo Rueda disse que foram irresponsáveis e precipitados os que divulgaram a negociação em curso com a federação do Chile. Para horas depois confirmar a saída do Flamengo para comandar a seleção campeã das últimas Copas América.

Se esperou demais pela resposta do treinador colombiano, ao menos o clube agiu rápido e anunciou seu substituto: Paulo César Carpegiani.

68 anos, vindo de um trabalho até interessante no Bahia, embora tenha assumido a equipe na 14º e entregado na 12ª no Brasileiro. Mas nem esta passagem, nem a também curta pelo Coritiba em 2016/17, ambas com a missão de livrar as equipes do rebaixamento, são parâmetros para a sua nova empreitada.

Os motivos são óbvios: visibilidade tão grande quanto as cobranças e maior capacidade de investimento. Mas principalmente a obrigação de jogar como protagonista, no campo de ataque e com posse de bola. Por mais que Coxa e o tricolor baiano tivessem uma proposta ofensiva em muitos momentos, não é o mesmo que carregar a responsabilidade de se impor.

A passagem vitoriosa em 1981/1982 serve ainda menos como referência. Estreante na nova função com apenas 32 anos, comandando aqueles que tinham sido seus companheiros de treinos, jogos e concentrações poucos meses antes. Sucedendo Dino Sani para resgatar os conceitos e a maneira de jogar consagrada por Cláudio Coutinho. A única mudança significativa foi a escalação de Lico montando uma equipe móvel e de toque curto liderada por Zico e com conceitos avançados para a época: sem pontas de ofício, com os laterais Leandro e Júnior liberados para apoiar ao mesmo tempo e um centroavante, Nunes, que não ficava fixo na área e abria espaços para os companheiros que chegavam de trás.

Time que em maio de 1982 “unificou” os títulos, algo só alcançado pelo Santos de Pelé vinte anos antes. Era o último campeão estadual, brasileiro, sul-americano e mundial. Todas as conquistas com Carpegiani. Mas era outro esporte se comparado com o atual. Mais lento, menos intenso e dinâmico.

A segunda passagem, em 2000, foi polêmica pela demissão inexplicável de Carlinhos, campeão estadual e da Copa Mercosul no ano anterior e querido por todos na Gávea. Os jogadores não derrubaram Carpegiani, mas sentiam falta do antigo comandante e, mesmo com o investimento da ISL, um 5 a 1 aplicado pelo Vasco na rodada final da Taça Guanabara com show de Romário num domingo de Páscoa resultou em demissão e fez voltar Carlinhos, que seria bicampeão carioca.

Alguns bons trabalhos, como no Cerro Porteño que o credenciou a comandar a seleção paraguaia na Copa de 1998. Mas também a fama de “Professor Pardal” por improvisações mal sucedidas. Participou da campanha do rebaixamento do Corinthians em 2007. Último título em 2009, o estadual pelo Vitória. Com as transformações recentes no esporte, ainda que no Brasil elas aconteçam de forma bem mais vagarosa, não há como vislumbrar a linha de trabalho do velho/novo treinador rubro-negro.

Carpegiani aprecia jogadores versáteis e exige mobilidade e agilidade na frente. Mas seus times costumam render aproveitando o espaço cedido pelo adversário e não criando brechas para infiltração. Assim foi na execução do 4-1-4-1/4-2-3-1 no Bahia. Ou seja, o mesmo problema dos tempos de Zé Ricardo que Rueda não conseguiu encontrar uma solução.

Sua vantagem em relação à maioria de seus contemporâneos é ser mais antenado com a dinâmica do futebol atual. No Flamengo, o risco de ser tratado com desdém pela lógica boleira de “ganhou o quê?” é menor por ter sido o comandante nas conquistas mais importantes do clube. Foi companheiro no meio-campo e depois treinador de Zico. Certamente terá a aprovação e críticas mais brandas dos ídolos daquela geração, sempre chamados a opinar sobre os rumos do futebol.

Ainda assim, hoje é uma aposta maior do que era há quase 37 anos. Naquele período, sua missão era dar continuidade ao que funcionava. Agora é transformar o jogo burocrático, sem ideias, em algo criativo e moderno. O Flamengo precisava de ruptura, uma guinada de 180 graus na visão de futebol. Na urgência resolveu olhar para o passado, o mais glorioso de sua história.

Uma incógnita do tamanho da missão de Carpegiani.

 


Palmeiras e Flamengo, decepções em 2017 com caminhos opostos no novo ano
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André Rocha

Para o tamanho do investimento e a expectativa gerada, Palmeiras e Flamengo tiveram desempenho e resultados decepcionantes em 2017. Por mais que se compreenda que não basta ter dinheiro para construir um bom time de futebol, em nenhum momento as equipes apresentaram rendimento que as colocassem como favoritas na prática aos títulos que disputaram. Especialmente a Libertadores, tratada como prioridade. Apesar do vice brasileiro do alviverde e da Copa do Brasil pelos rubro-negros.

Portanto, o fim da temporada deveria servir para reflexões e ajustes na rota para o novo ano. Por força das circunstâncias, os clubes acabaram tomando caminhos opostos.

O Palmeiras agiu rápido. Manteve o interino Alberto Valentim até o fim da competição nacional, mas, antes disto, anunciou Roger Machado como treinador e começou o planejamento. Desta vez sem loucuras. Manutenção da base e reforços nas carências detectadas: laterais com Marcos Rocha e Diogo Barbosa e articulação com Lucas Lima.

O elenco ainda não se apresentou, mas é possível vislumbrar, dentro da visão do novo comandante, o Palmeiras num 4-2-3-1 com um meio-campista fazendo o lado direito da linha de meias. Como Giuliano no Grêmio e Elias no Atlético Mineiro. Para este que escreve Tchê Tchê seria interessante, por já ter atuado na lateral e a possibilidade de formar boa dupla com Marcos Rocha.

Do lado oposto, Dudu seria o ponteiro mais vertical, buscando as infiltrações em diagonal para se aproximar do centroavante que pode ser Borja, até porque todo treinador que chega fica tentado a buscar uma solução para a contratação milionária que não vingou antes dele. Deyverson e Willian seriam opções.

Na zaga quem estiver melhor faz dupla com Mina, ao menos até o meio do ano. Na frente da defesa, Moisés deve ser recuado para que Lucas Lima atue na função em que se sente mais confortável. Mais fixo na proteção, Felipe Melo e Bruno Henrique devem disputar a titularidade em uma proposta baseada em protagonismo pela posse de bola, setores próximos e movimentação ofensiva.

Tudo ainda numa análise baseada em hipóteses, mas que já deixa claro que o time paulista pode até não conseguir resultados melhores e as conquistas esperadas. Desta vez, porém, o trabalho foi feito de forma mais racional e o grupo de jogadores parece mais homogêneo. Inclusive com as chegadas de Weverton e Emerson Santos. A melhor notícia é ter praticamente tudo definido na reapresentação.

Eis o dilema do Flamengo, que fechou 2017 em 13 de dezembro, perdendo a final da Copa Sul-Americana. Desde então convive desconfortavelmente com a indefinição do treinador Reinaldo Rueda, que ainda não confirmou se fica no clube em meio a sondagens e propostas de clubes e seleções sul-americanas.

Rueda tem o direito de resolver seu futuro com calma, mesmo com contrato em vigor. O problema mais grave é a insegurança da direção do clube no momento de contratar ou dispensar. Pode perder o timing na ida ao mercado.

Ainda que a base seja mantida, por convicção ou necessidade. A informação oficial é de que, no momento, só há cinco milhões de reais disponíveis para contratações. Os nomes de Zeca e Pablo surgem no noticiário como bem encaminhados, mas tudo parece em suspenso.

É possível pensar numa estrutura com Diego Alves na meta, Réver e Juan na zaga, Cuéllar no meio-campo, as incógnitas Diego Ribas e Everton Ribeiro na articulação, Lucas Paquetá e Vinícius Júnior pedindo passagem nas pontas do 4-2-3-1 e outra grande questão: quando Paolo Guerrero poderá retornar ao time? Sem ele, suspenso por doping até maio, Filipe Vizeu e Lincoln parecem verdes para assumir a responsabilidade no ataque.

Ainda assim, segue como um time que pode ser forte com Rueda ou outro treinador que consiga combinar melhor as características dos jogadores e fazer o time deixar de ser dependente das jogadas pelos flancos e dos muitos cruzamentos. É preciso sair do dilema de se obrigar a propor o jogo como filosofia – pela tradição do clube, exigência da torcida e por conta do investimento realizado – e ter atletas com estilo mais reativo, que necessitam do espaço para criar. A impressão é de que o Fla precisa de ruptura, um giro de 180 graus, e Rueda tem um estilo mais administrador, que faz ajustes sem alterar o modelo de jogo.

Em meio aos altos e baixos naturais no calendário brasileiro, ainda mais com uma Copa do Mundo no meio, trabalhar certo em janeiro não garante felicidade em dezembro, mas ajuda bastante. O Palmeiras sai na frente com inteligência e agilidade. Perder tempo era tudo que o Flamengo não precisava para começar 2018.

 


Adriano Imperador e a síndrome do “ah, se ele quisesse…”
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André Rocha

O leitor deste blog nunca se deparou com uma linha sequer por aqui sobre Adriano Imperador. Simplesmente porque o espaço existe desde 2015 e o atacante não joga profissionalmente, com muito boa vontade, desde a passagem de quatro jogos e um gol pelo Atlético Paranaense em 2014 – ano passado atuou pelo Miami United por duas partidas e fez um gol, mas é difícil incluir seriamente no currículo.

A rigor, o último ato relevante de Adriano foi o gol pelo Corinthians sobre o Atlético Mineiro na virada por 2 a 1 que ajudou demais na conquista do Brasileiro em 2011. Portanto, tecnicamente é um ex-jogador. Como o blog não costuma caçar cliques através da espetacularização de uma história de vida recente que não pertence ao esporte,  não há razão para falar dele. Para o bem ou para o mal.

Mas ele voltou à pauta. A festa de Zico no Maracanã e a presença do “Didico”, mesmo com atraso na chegada, voltou a despertar em muitos a esperança de vê-lo novamente em ação. Com 35 anos e sem jogar regularmente desde 2010. A fé embalada pela nostalgia de um jogo amistoso, com senhores se divertindo no campo, muitas vezes caminhando, numa brincadeira com um fim muito nobre, de solidariedade. Mas que não pode ser levada a sério pensando no mundo real e competitivo.

É claro que Adriano pode construir uma reviravolta épica, um último ato grandioso caso alguém queira pagar pra ver. Mas racionalmente é muito improvável.  Porque ele é mais um grande personagem cuja biografia merece ser transformada em livro e filme. Mas objetivamente não escapa da síndrome brasileira do “ah, se ele quisesse…”

Este que escreve cresceu ouvindo que Garrincha foi melhor que Pelé porque quando a seleção brasileira precisou em 1962 na ausência do camisa dez, o ponta das pernas tortas desequilibrou na conquista do bicampeonato no Chile. Mas uma breve pesquisa do jornalista avaliando feitos, conquistas, regularidade e até o confronto direto nos duelos entre Santos e Botafogo desconstrói o discurso. Porque pelos mais variados motivos Pelé quis mais que Garrincha.

Mas o Mané é mais fácil de ser idolatrado por ser o lado mais fraco na história. O que não exorcizou seus fantasmas, mas naquele breve despertar foi o heroi das massas, identificadas com a trajetória de mais perdas e tropeços que redenções. De fato, é uma história mais sedutora, com doses de drama e humor.

Não destroi, porém, a sensação de talento mal aproveitado, que com foco e profissionalismo poderia ter produzido muito mais. Guardando as devidas proporções e respeitando os contextos, o mesmo poderia ser dito sobre Ronaldinho Gaúcho, Renato Portaluppi, Edmundo, Romário, Sócrates e até Maradona. Todos com algo em comum: em um determinado momento da carreira resolveram levar o futebol a sério, entregando 100%, e naqueles espasmos, uns mais longos e outros nem tanto,  brilharam intensamente.

Por causa disso são colocados em pedestais quase intangíveis, como se caso eles levassem a carreira sempre a sério teriam aquele desempenho do auge até o fim. Sem oscilações. “Se ele quisesse…” ou “se comparar no talento é imbatível”.

Só que talento sem realizações, sem a transpiração para ajudar a inspiração, é estéril. O que o craque inconstante poderia ter produzido só existe na cabeça de cada um. Vale mais a seriedade de Pelé, Zico, Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Bebeto e outros exemplos de profissionais – também com cada um em seu patamar e em comparação com seus pares contemporâneos. Ainda que a história para contar não seja tão romântica. Afinal, enquanto os “malditos” viviam suas aventuras e vidas erráticas, os trabalhadores estavam treinando ou em repouso.

Adriano parece querer viver uma utopia: passar os dias com seus amigos nas favelas e praias do Rio de Janeiro e no fim de semana se materializar no Maracanã com a camisa do Flamengo fazendo gols e partindo para o abraço dos que o amam. Só que há um processo, como tudo na vida. Muito suor para banhar a magia.

Assim ele parece não querer, ou conseguir. Só resta mesmo a imaginação. “Se ele quisesse…”