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Viva a “Velha Guarda”! Abelão e Renato Gaúcho na liderança do Brasileiro
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André Rocha

Foto: Divulgação Grêmio.

São apenas duas rodadas e a última incompleta, ainda faltando São Paulo x Avaí no Morumbi. A história mostra que qualquer posicionamento inicial na tabela de classificação significa muito pouco. Em 2016, Internacional e Santa Cruz chegaram a disputar a liderança da Série A, para terminarem rebaixados.

Mas não deixa de ser simbólico que Fluminense e Grêmio, comandados por Abel Braga e Renato Gaúcho, exceções à renovação no mercado de treinadores do país, sejam os únicos com 100% de aproveitamento e, por isso, ocupem a liderança – vantagem para o tricolor gaúcho pelo saldo de gols.

E não foram vitórias fáceis, sobre equipes sem maiores aspirações na temporada. O Flu superou Santos no Maracanã e Atlético Mineiro no Independência; o Grêmio venceu o Botafogo em casa e o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. Quatro times disputando Libertadores, todos classificados para as oitavas-de-final do torneio continental.

O fato de não pertencerem à escola “atualizada” de técnicos não impede que suas equipes apresentem um futebol moderno. Abel Braga não permite que suas equipes mudem a ideia de jogo quando atuam fora de casa. Em Belo Horizonte, o Fluminense nunca abdicou do ataque, mesmo diante do volume do time da casa.

Fez 2 a 0 no primeiro tempo com as armas de sempre: velocidade pelos flancos, troca de passes com bola no chão no meio-campo, que ganhou Gustavo Scarpa como ponta articulador para auxiliar Sornoza e Wendel, mais o trabalho de pivô de Henrique Dourado, autor do primeiro gol e artilheiro do campeonato com três e da assistência para Richarlison ampliar de cabeça.

Depois sofreu pressão na segunda etapa e resistiu com a bela atuação do jovem zagueiro Nogueira. Sem dinheiro para reforços, a diretoria tricolor convenceu Abel a usar a garotada e vem funcionando. A falta de um elenco mais robusto vem sendo compensando pelas surpresas oriundas de Xerém.

Já Renato Portaluppi fez o Grêmio ressurgir depois da frustração no Estadual, tratado como prioridade mesmo disputando Libertadores – motivado, é claro, pela fragilidade do grupo do time gaúcho no torneio continental.

Arthur foi um achado no meio-campo, com bons passes, poder de marcação e aparições no ataque com qualidade, como no golaço sobre o próprio Fluminense pela Copa do Brasil, após tabelar com Luan e Barrios. Dupla de ataque que vai se afinando no 4-2-3-1 que cada vez mais se trasforma em 4-4-2. Autores dos gols em Curitiba.

Com Ramiro mais meio-campista pela direita apoiando o redivivo Léo Moura e Pedro Rocha mais intenso e vertical, buscando as diagonais a partir do lado esquerdo. O sistema defensivo comandado por Geromel que faz marcação individual, mas novamente Renato consegue que seus comandados estejam tão preparados física e mentalmente que compensem com muito vigor físico.

No duelo pela Copa do Brasil, vantagem de Renato Gaúcho em Porto Alegre. 3 a 1 de virada na melhor partida da quarta-feira, porém um tanto eclipsada por outros confrontos do próprio torneio e, especialmente, pela Libertadores.

Não esperem dos dois treinadores discursos rebuscados, com os termos atualizados dentro da ciência esportiva. Talvez terminem bem longe da disputa pelo título nas 36 rodadas restantes. Em campo, porém, a resposta é mais que positiva no que o esporte tem de eterno: quem joga bem sempre estará mais perto da vitória, por mais caótico que seja o jogo em si.

A diversidade sempre é bem vinda, a experiência nunca deve ser desprezada. Ainda mais quando vem acoplada ao carisma que conquista e convence. Abelão e Renato na ponta de um Brasileiro no ano da graça de 2017. Viva a “Velha Guarda”!


No primeiro ato, vitória da concentração defensiva absoluta do Flamengo
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André Rocha

Os 3 a 3 da final da Taça Guanabara, com derrota nos pênaltis, deixou claro para o Flamengo que enfrentar o jovem Fluminense de Abel Braga, time de intensidade, volume de jogo e ímpeto ofensivo, exigiria concentração absoluta no trabalho defensivo.

O resultado prático no Maracanã foi o Fla de Zé Ricardo novamente no 4-1-4-1, desta vez com Berrío pela direita na vaga de Gabriel. Depois Rômulo sairia com lesão no joelho para a entrada de Mancuello que, por características e limitações físicas, por vezes ficava mais adiantado, com a equipe voltando ao 4-2-3-1.

Primeiro tempo de controle da posse e postura ofensiva, com Willian Arão atento à saída de bola do jovem Wendel, bloqueando as descidas de Lucas, que se manda sem posição física e deixa o volante Orejuela guardando sua posição. Muita atenção no cerco aos pontas Richarlison e  Wellington Silva e Márcio Araújo ágil no auxílio aos zagueiros e ligado nos movimentos de Sornoza.

Ofensivamente, jogo pelos flancos, com os pontas Berrío e Everton buscando as diagonais e Mancuello e Arão se aproximando de Guerrero. Passes simples, jogadores próximos e encontrando soluções diante da pressão dos adversários sobre o oponente com a bola. Aproveitando nos primeiros 45 minutos o nítido nervosismo dos garotos tricolores em uma final.

Nas jogadas aéreas, forte do Flu nos jogos mais duros, atuações esplêndidas de Réver, Rafael Vaz e Guerrero, o mais sacrificado na execução do modelo de jogo sem Diego. Precisando recuar para ser o armador, fazer o pivô, disputar com os zagueiros adversários nas ligações diretas e ainda acelerar os contragolpes, especialmente na segunda etapa.

Porque o Flamengo que sofre para ir às redes ganhou de presente no primeiro tempo a furada grotesca de Renato Chaves que Everton não desperdiçou. Gol único de uma vitória construída por um trabalho coletivo que é mérito do quase sempre contestado Zé Ricardo. Equipe que soube sofrer, mas criou  alguns contragolpes que Leandro Damião e Matheus Sávio, substitutos de Guerrero e Berrío, não aproveitaram.

É evidente que a final está aberta, até pelo jogo decisivo do Flamengo na quarta-feira pela Libertadores contra a Universidad Católica. Porque a concentração defensiva terá peso ainda maior. No primeiro ato de noventa minutos da final carioca foi a diferença.


Fluminense mostra com se administra uma vantagem de empate: atacando!
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André Rocha

Abel Braga avisou na coletiva depois da vitória sobre o Goiás pela Copa do Brasil que o seu time não abriria mão de suas características. Natural para quem marcara 51 vezesem 23 partidas antes da semifinal estadual – o ataque mais efetivo do país em 2017.

Mesmo com vantagem do empate pela melhor campanha no Carioca. Apesar do desgaste no meio da semana, enquanto o rival focaria na única competição em que ainda estava envolvido no primeiro semestre.

O Fluminense partiu para o ataque no Maracanã. No 4-3-3 habitual, com toque fácil no meio-campo que ganhou dinamismo com o jovem Wendel se juntando aos equatorianos Sornoza e Orejuela. Mas desequilibra os rivais acelerando pelos flancos com os laterais Lucas e Léo apoiando os ponteiros. Desta vez com Richarlison pela direita e Wellington Silva à esquerda.

A postura ofensiva complicou o Vasco que novamente se posicionou atrás com duas linhas de quatro para deixar Nenê e Luís Fabiano sem funções de marcação. Só que os ponteiros Yago Pikachu e Guilherme Costa, a novidade na vaga de Andrezinho, precisavam voltar muito na recomposição e ainda tinham que ser as referências de velocidade para os contragolpes.

Não funcionou. Melhorou quando a equipe cruzmaltina passou a fazer um jogo mais direto, investindo em ligações diretas e bolas paradas. Assim criou as três melhores chances da primeira etapa, com Gilberto, Nenê e Luís Fabiano.

Escancarando o efeito colateral da vocação ofensiva do Flu: a exposição da última linha da retaguarda, que sofre no combate direto aos atacantes. Também porque tem volume, mas controla pouco o jogo. Terminou o primeiro tempo com 57% de posse, porém muito mais pela iniciativa e a ideia de propor o jogo. Mas sempre com pé no acelerador.

Intensidade fundamental para resolver o jogo na segunda etapa. Assim como na vitória sobre o Goiás, a jogada aérea foi fundamental. No primeiro gol, de Richarlison, que encaminhou a vitória. Ainda mais seguido da expulsão do mais que promissor Douglas Luiz, 18 anos. Envolvido pelo meio do Flu, perdeu a cabeça com sequência de dribles abusados de Wellington.

O árbitro Rodrigo Nunes de Sá exagerou na expulsão, podia ter mostrado o amarelo. Até porque minutos depois Nenê entrou de forma ainda mais truculenta no ponta do Flu e não levou o vermelho.

Mas o Flu nem precisou da vantagem de mais um homem em campo. A disputa se resolveu com o golaço de letra de Wellington, em rara incursão pela direita, após linda jogada de Lucas.

O gol de cabeça de Léo em novo cruzamento na bola parada foi o golpe final no Vasco que mostrou a fragilidade do seu elenco ao buscar a reação com Manga Escobar, mais um ponta que é veloz, mas tem enormes dificuldades nos fundamentos. Ou seja, produz quase nada de útil.

Pior ainda é testemunhar a forma física de Thalles. Chocante ver um atacante promissor tão acima do peso a ponto de ser percebido no visual, de longe.

Ao Vasco resta o Brasileiro. Hoje é difícil vislumbrar aspiração maior que a manutenção na Série A do Brasileiro. Os jogos contra um Fluminense rápido e envolvente deixaram bem nítidas as limitações para uma disputa em alto nível.

O time de Abel é o favorito, pelo desempenho, ao título carioca. Também pela dedicação de Flamengo e Botafogo à Libertadores. Na semifinal, deu uma aula de como administrar uma vantagem de empate: nem pensando nela. Finalizando 16 vezes contra nove do Vasco.

Atacando e impondo seu estilo, sem apego ao resultado. Que sirva de exemplo.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vasco cumpre metade da rota para o tri. Não jogar pode ser uma vantagem
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André Rocha

Você leu AQUI que o fato de não estar envolvido em outras competições, embora não fosse o cenário desejado pelo clube, poderia ser um trunfo para o Vasco na reta final do Carioca.

Competição que o clube valoriza na gestão Eurico Miranda, que puxou o tradicional grito de “Casaca!” até na classificação com empate sem gols contra o Flamengo na semifinal do returno. Rubro-negro que jogaria na quarta-feira contra o Atlético Paranaense pela Libertadores.

No Engenhão, a conquista da Taça Rio com a vitória no Engenhão sobre um Botafogo repleto de reservas comandado por um Jair Ventura que voltou da Colômbia para comandar o time e depois partir rumo ao Equador para a sequência do torneio continental, prioridade desde o início da temporada.

Faz diferença o foco total em uma competição. Ainda que seja a menos relevante na hora da avaliação ao fim da temporada. O Vasco de Milton Mendes vai ganhando corpo, com melhor coordenação no trabalho defensivo, aproximando duas linhas de quatro e dando liberdade para Nenê criar e acionar Luis Fabiano. Ou seja, faz o simples.

A cereja do bolo até aqui é o futebol do jovem Douglas Luiz. 18 anos, meio-campista que joga de área a área, autor do primeiro gol. Mesmo não finalizando tão bem, algo para aprimorar no trabalho diário. Ajuda Jean na proteção da defesa, desafoga Nenê e os ponteiros na criação.

Outra promessa da base que pode ser mais aproveitada é Guilherme Costa. Entrou, adicionou habilidade e criação onde Pikachu e Andrezinho pouco acrescentaram. Ainda provocou a expulsão de Marcelo Conceição que ajudou a construir o triunfo consolidado com o primeiro gol de Luis Fabiano com a camisa cruzmaltina, completando passe de Manga Escobar.

A conquista, embora nada signifique em termos esportivos, ajuda financeiramente e transfere confiança para a equipe remodelada pelo novo técnico. Na semifinal que vale, contra o Fluminense, mesmo com o rival levando a vantagem do empate, o Vasco chega mais forte que no final da fase de grupos.

Também porque o tricolor é mais um adversário envolvido em outra competição durante a semana. Pega o Goiás no Maracanã pela Copa do Brasil precisando vencer. Mesmo sem viagem, há a logística, o desgaste, foco no clássico só a partir da quinta-feira, possibilidade de desfalque por lesão. Enquanto o time de Milton Mendes concentra esforços, não dispersa.

O Vasco não é o favorito ao título regional. Nem é absurdo ser considerado, pelo desempenho, a quarta força carioca. Precisa de ajustes e reforços para o Brasileiro. Certamente sua torcida adoraria estar disputando ao menos Sul-Americana e Copa do Brasil.

No Carioca, porém, o contexto favorece. A primeira metade da rota do tri foi cumprida, ganhando taça e moral. Por incrível que pareça, no futebol atual cada vez mais intenso e que exige tanto de corpo e mente, não jogar pode ser uma vantagem.

 


O passado e o presente no Flu de Abel. O mais belo futebol do país em 2017
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André Rocha

Abel Braga não fala em amplitude, mas manda abrir o jogo. Para ele, profundidade é buscar o cruzamento mais perigoso, do fundo para trás. Intensidade é “atitude”. Desequilibrar no último terço é “partir para cima”. Valorizar a base é “botar a garotada”.

E daí? Nenhum time brasileiro em 2017 joga mais bonito que o Fluminense. Pode não ganhar o Carioca ou o Brasileiro, talvez nem se classificar para a próxima fase da Sul-Americana. Porque é um time em formação, suscetível a oscilações naturais. Três meses de trabalho.

Mas como é bom ver o volume de jogo tricolor. Ainda mais no remodelado gramado do Maracanã. Mesmo sem Gustavo Scarpa. Mas com Wellington Silva e Richarlison fazendo o que os melhores treinadores do planeta esperam de seus ponteiros: partir para cima e desmontar na base do drible e da criatividade a retaguarda postada e marcando por zona.

No 4-3-3 que Abel enxerga, embora o observador tenda a ver um 4-1-4-1 pela recomposição da dupla pelos flancos. Mas no ritmo do jogo atual é mesmo um esquema com três atacantes. À moda antiga, com um centroavante típico como Henrique Dourado

Também meio-campistas que sabem jogar. Orejuela e Sornoza, dois achados equatorianos que variam tão bem os passes, curtos ou longos, e aumentam essa impressão de um estilo plástico e vistoso. Com os laterais Lucas e Léo descendo alternadamente. O jogo brasileiro nas veias.

Posse de bola sempre acima de 60%, mesmo antes da expulsão de Gonzalo Freitas que desmanchou o organizado 4-4-2 do Liverpool com última linha posicional, como a do Corinthians de Tite e agora de Carille. Aberta pela precisão das inversões de jogo e por conta da habilidade dos ponteiros.

Na jogada de Wellington, gol de Dourado. Bela virada de Richarlison, dois a zero no primeiro tempo. Placar talvez insuficiente para a volta. Barato para as 25 finalizações, cinco no alvo. Os 43 cruzamentos também foram um exagero, era possível trabalhar mais pelo centro.

Mas também foi agradável às retinas ver Lucas Fernandes, Pedro e Marquinhos Calazans, todos jovens, entrando no segundo tempo com ousadia. Time leve e solto, arriscando as jogadas. É possível que falte mais competitividade ou consistência defensiva em um jogo decisivo. O foco, porém, está no desempenho. Ainda que Abel fale em caráter e respeito às cores tricolores.

Pouco importam os termos. Passado ou presente. Porque o Fluminense joga o futebol mais bonito do país e isso é mais que promissor.

(Estatísticas: Footstats)


Vasco pode buscar tri carioca no “vácuo” do calendário dos rivais
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André Rocha

A imagem de Milton Mendes gritando e discutindo com Nenê à beira do campo em Moça Bonita na vitória por 2 a 0 sobre o Nova Iguaçu reflete a tensão do treinador que já percebeu que será complicado impor suas ideias, como pressão na saída de bola e muita velocidade na transição ofensiva.

Pelas características e por conta da faixa etária das duas estrelas do elenco, o Vasco tende a ser uma equipe que se recolhe em duas linhas de quatro, deixa Nenê solto circulando atrás de Luís Fabiano. Mas tem soluções interessantes, como Kelvin ou Yago Pikachu fazendo dupla com Gilberto pela direita – ainda que o melhor ponteiro seja o jovem Guilherme Costa, voltando de lesão.

Outro garoto que entrou e tomou conta do meio-campo é Douglas Luiz. Joga de área a área e viabiliza a execução do 4-4-1-1. Até pela presença de Andrezinho, poupado nesta última rodada, como um ponteiro articulador. O Vasco de hoje circula mais a bola que o dos tempos de Jorginho.

Mas ainda depende muito da criatividade e da precisão nos cruzamentos, com bola parada ou rolando, de Nenê. Assistências para Rafael Marques e Pikachu nos gols da vitória. O camisa dez reclama de Douglas, discute com Milton Mendes…mas resolve.

Seja como for, o Vasco pode crescer no Carioca, única competição a disputar até o início do Brasileiro. Buscando um tricampeonato. Importante para o presidente Eurico Miranda, que contratou Milton Mendes exatamente para obter uma resposta rápida do time.

Ainda mais pelo fato dos rivais estarem envolvidos em competições sul-americanas. A semifinal da Taça Rio nada vale objetivamente, mas pode transferir confiança em caso de vitória sobre o Flamengo – ou empate, já que a primeira colocação no grupo deu a vantagem que foi do rival na mesma semifinal da Taça Guanabara. O rubro-negro também terá semana livre, mas com atenções voltadas para o jogo contra o Atlético-PR no dia 12 de abril no Maracanã. Zé Ricardo novamente poupará titulares?

Na outra semifinal, o Botafogo encara um Fluminense que enfrenta na quarta o Liverpool do Uruguai pela Copa Sul-Americana, também no Maracanã. O alvinegro terá semana livre e vantagem do empate. Mas caso chegue à final no dia 16 terá um problema logístico: enfrenta Atlético Nacional e Barcelona de Guayaquil fora de casa na Libertadores nos dias 13 e 20 de abril. Poderia chegar ao Equador com antecedência para se preparar, mas terá que voltar ao Rio. Ou jogar com os reservas que não viajarem e estão inscritos no Carioca.

O título do segundo turno para o Vasco pode ter o simbolismo de uma recuperação na temporada. E ganhar moral para a semifinal da fase final do estadual. O duelo é com o Fluminense, no dia 23. Aí, sim, com o tricolor livre, sem compromissos pela Sul-Americana, já que o jogo de volta é só no dia 10 de maio. Confronto dificílimo, até pela vantagem do empate do Flu em jogo único.

Mas se chegar à decisão contra Flamengo ou Botafogo, nos dias 30 de abril e 7 de maio, novamente terá semanas livres para treinar enquanto o rubro-negro encara o Atlético-PR fora de casa no dia 26 e o Universidad Católica no Rio de Janeiro no dia 3. Já o Botafogo tem confronto com o Barcelona de Guayaquil no dia 2 de maio. Exatamente no meio das finais.

Milton Mendes trabalha para o Vasco evoluir e buscar o tri carioca por seus próprios méritos. Mas no vácuo do calendário dos rivais “continentais” o cruzmaltino pode se fortalecer na disputa pelo título.

 


Para que servem mesmo os estaduais?
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André Rocha

Um dos argumentos em defesa dos estaduais é que dá a chance ao time de menor investimento de receber os grandes em seus estádios, movimentar a cidade e renovar as gerações de torcedores locais.

O Linense, com problemas no “Gilbertão”, aceitou jogar as duas partidas das quartas de final contra o São Paulo no Morumbi para faturar com a divisão da renda líquida das duas partidas. Também pensando no segundo semestre sem a certeza de ter uma competição para disputar.

Fruto exatamente da nossa estrutura federativa que incha os torneios regionais e não se preocupa em permitir que todos os clubes tenham uma divisão a disputar, ainda que regionalizada numa fase inicial.

Uma escolha que abre um precedente perigoso. Se o jogo tiver apelo para o grande e certeza de estádio cheio, o clube de menor investimento pode fazer barganha com algo que faz parte da essência da competição:  a chance de vencer em seus domínios.

Outro argumento para a manutenção desse elefante branco no calendário nacional é a emoção dos clássicos, reforçando as rivalidades e garantindo confrontos que podem não acontecer nos campeonatos nacionais.

Pois o esdrúxulo regulamento do Carioca pode fazer com que as semifinais da Taça Rio signifiquem absolutamente nada para os clubes, sem influenciar na classificação final que define os semifinalistas do campeonato. Basta que Vasco e Botafogo confirmem suas vagas no fim de semana. Inclusive a ordem das equipes não seria alterada.

Isso sem contar o absurdo do Fluminense vencer também o segundo turno e não ser declarado o campeão. O tricolor já declarou que a Copa Sul-Americana é prioridade, Flamengo e Botafogo estão envolvidos com Libertadores e o Vasco só não tem outra competição para dar mais importância porque foi eliminado da Copa do Brasil pelo Vitória. Só resta a busca do tricampeonato como prêmio de consolação.

Em 2017 o estadual não tem servido nem para dar uma ilusão de força ao time grande rebaixado à Série B. O Internacional conseguiu a “proeza” de se classificar em sétimo na primeira fase do campeonato gaúcho.

Pode até conquistar o hepta no mata-mata, até porque o Grêmio prioriza a Libertadores, mas a equipe de Antonio Carlos Zago comandada em campo por D’Alessandro não transmite a mínima confiança para seu torcedor. Nem forçando muito a barra dá para se enganar.

Para que servem mesmo os estaduais?


A aula de futebol coletivo do Fluminense que só se concretizou nos pênaltis
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André Rocha

A leitura do clássico do Engenhão que, em futebol e emoção, redime o futebol carioca depois de tantas crises e agruras e não merecia torcida única ou portões fechados parece bem clara: com o suspenso Douglas e o lesionado Gustavo Scarpa em campo, dificilmente o Flamengo teria levado a decisão da Taça Guanabara para os pênaltis.

Você viu primeiro AQUI que o Fluminense de Abel Braga já sinalizava um futebol envolvente, ainda que os adversários no Carioca e na Copa do Brasil se mostrassem muito frágeis. As ações ofensivas do 4-1-4-1 tricolor aconteciam naturalmente com mobilidade, triangulações, o jogo entre linhas chamava atenção.

No Fla-Flu, os desfalques apresentaram uma vantagem na prática: com Wellington Silva invertendo o lado para a entrada de Richarlison e sendo transferido para o setor direito, o time ganhou uma dupla de velocidade e intensidade para cima de Trauco sem o auxílio constante de Everton.

Mas Wellington começou a desequilibrar no primeiro contragolpe que deixou claro que seria muito complicado para a retaguarda do Fla conter a rapidez das transições ofensivas do rival. Especialmente na recomposição das bolas paradas a favor. Arrancada, Pará escorregou e o ponteiro saiu na cara de Muralha.

A resposta do Flamengo acontecia nos cruzamentos. A equipe de Zé Ricardo foi a antítese do Flu. Lenta, engessada, sem profundidade e criação. Diego novamente foi importante pela experiência, liderança, personalidade. Mas é difícil criar espaços com um meia que não tenta um passe vertical furando linhas de marcação.

Restavam os cruzamentos. Assim saiu a virada, com Arão e Everton. A defesa do Flu ainda não havia sido vazada no Estadual, mas em outras partidas, principalmente na semifinal contra o Madureira, mostrara muitos problemas com o jogo aéreo.

Mas curiosamente foi num cruzamento despretensioso que o Flu achou um pênalti no toque de Guerrero, quando a atmosfera no Engenhão era favorável ao rival. Henrique converteu e inverteu as forças. Em nova recomposição lenta e desorganizada, a defesa rubro-negra viu Lucas aparecer à frente de Muralha. Passe vertical de Wellington que Diego e Mancuello não encaixaram, sequer tentaram ao longo da partida. Virada.

O segundo tempo foi de controle tricolor, fechado num 4-1-4-1 com entrega e concentração sem a bola e saídas rápidas pelos flancos, no ritmo da dupla equatoriana Sornoza e Orejuela, atuando mais adiantado com a entrada de Pierre na vaga de Douglas.

As trocas de Zé Ricardo demonstravam mais desespero que um plano de jogo. Berrío e Gabriel nas pontas, depois Vizeu na área do Flu com Paolo Guerrero e Everton deslocado para a lateral esquerda. Rondou a área, mas com um paradoxo: jogadores velozes, mas pouco (ou nada) criativos, para abrir a defesa. E Diego mais recuado na articulação. Com espaços, apareceu em chutes de longe e alguns bons passes. Mas nenhum que quebrasse o bloqueio.

Abel tentou minimizar a pressão e acelerar os contragolpes reoxigenando o meio e o ataque com Calazans, Marquinho e Marcos Junior. O desgaste da viagem a Sinop, da volta de ônibus e da necessidade de buscar a virada por 3 a 1 na Copa do Brasil era nítido.

A bola parada salvou o Fla. O goleiro Julio César, seus companheiros, o Engenhão e quem estava assistindo na TV esperava a cobrança de Rafael Vaz. Guerrero surpreendeu com um toque magistral, digno dos melhores no ofício.

Empate que não refletiu o que foi o jogo. Ainda que o Fla tenha controlado a posse (53%) finalizado 16 vezes contra 12 – sete a seis no alvo. O Fluminense teve fluência, jogadas mais agudas, trabalho coletivo. Chances mais cristalinas. Ideias.

Uma aula de futebol moderno que só se concretizou nos pênaltis. Quatro cobranças precisas do lado tricolor. Do rubro-negro, algo atípico: este blogueiro não se recorda de uma equipe escalando os dois zagueiros para bater penalidades na primeira série. Coincidência ou não, Rever atrasou para Julio César e Rafael Vaz bateu para fora.

Fluminense campeão do primeiro turno. A má notícia é que desta vez se vencer o returno, mesmo assim haverá fase final. Obra do regulamento esdrúxulo. O Flamengo agora deve focar na Libertadores. E há muito a melhorar para a estreia contra o San Lorenzo na reabertura do Maracanã na quarta-feira.

(Estatísticas: Footstats)

 


A insanidade que é um Fla-Flu com torcida única para o carioca
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André Rocha

Este que escreve mora na cidade do Rio de Janeiro desde que nasceu, com um breve hiato de seis meses em outro município do estado. Conhece o subúrbio, as zonas sul e oeste e alguma coisa da baixada fluminense.

Fã de futebol acima de qualquer clube, já foi a jogos no Maracanã, nas Laranjeiras, na Gávea, em São Januário…até em Marechal Hermes, quando o Botafogo jogou por lá. Conhece a cultura, a contracultura e a anarquia carioca. Já andou, por coincidência, em ônibus e trens com torcidas organizadas de todos os clubes grandes. Conhece pessoalmente ou “de vista” alguns membros.

Por isso tudo pode afirmar com segurança: Fla-Flu decidindo a Taça Guanabara com torcida única em Engenho de Dentro é uma insanidade! A cidade inteira está em risco, principalmente num cenário de crise geral, inclusive na segurança pública. Mesmo com o interesse cada vez menor do carioca pelo futebol e pelo cada vez mais esquálido Campeonato Estadual.

Ainda pior sem o Maracanã, símbolo maior e casa dos grandes duelos. Sempre com o estádio disponível para as torcidas. Com lados das arquibancadas definidos, inclusive. É da cultura carioca.

Infelizmente, a tendência é que os bandidos – e não há outro termo a ser usado – de sempre vão usar a proibição, ou a exclusividade, ou o acesso à torcida rival circulando pelas ruas como pretexto para os confrontos em vários pontos da cidade. Avenida Brasil, Vila Isabel, Baixada, estações de trem, entorno do Estádio Nilton Santos…Inclusive com emboscadas e encontros marcados pela internet.

Esta medida só faz sentido para a PM, que se isenta da responsabilidade no local do jogo e para a emissora de TV que detém os direitos da partida e quer imagens do estádio cheio mas sem chances de tumulto. Uma paz fictícia.

Também para a direção do Botafogo, que administra o estádio e transformou o rival Flamengo em inimigo para fazer média com os fãs mais radicais e “vingar” a perda na Justiça do volante Willian Arão. Lamenta o torcedor do clube assassinado, mas alimenta o clima hostil e perde oportunidades de arrecadação numa gestão que se propõe a ser profissional – e de fato é em outros aspectos.

Mais um elemento para o contexto que pode ser explosivo e atingir o cidadão que nada tem a ver com a final do primeiro turno do Carioca. À dupla Fla-Flu cabe definir em conjunto o que fazer, mas, acima de tudo, organizar uma campanha de paz na cidade e não só no estádio. Mostrar que estão juntos e a rivalidade ficará apenas no campo. Quebrar a corrente de ódio e incompetência.

Porque o Rio de Janeiro está a perigo. E este que escreve só espera estar errado.


Flamengo na final da Taça GB com controle de jogo, mas podia ter goleado
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André Rocha

Os menos de dez mil pagantes nas semifinais da Taça Guanabara em Volta Redonda e Xerém, com toda a relativização da ausência do Maracanã e inviabilidade do Engenhão, é o símbolo da falência do campeonato carioca e da crise em que se enfiou a sede das Olimpíadas há menos de seis meses.

No Raulino de Oliveira, o início teve o roteiro de praticamente todos os grandes clássicos brasileiros nos últimos tempos: jogadores mais preocupados em mostrar truculência, pressionar arbitragem para mostrar ao torcedor e ao adversário que está “pilhado”. Só esquecem de jogar futebol.

O Flamengo, com trabalho consolidado e vantagem do empate, entrou primeiro na disputa tática e técnica. Com calma, trocou passes desde a defesa para sair da marcação adiantada do Vasco de Cristóvão Borges que só tinha uma jogada: Kelvin para cima de Trauco, cortando para dentro e batendo de canhota.

Ainda na primeira etapa, Zé Ricardo voltou ao 4-2-3-1 com pontas velocistas depois da saída de Mancuello, com desconforto muscular, e a entrada de Gabriel. A equipe ainda se sente mais confortável desta forma e cresceu no jogo até o pênalti sobre Everton. Falha da dupla de zaga cruzmaltina: Rodrigo deu condições errando a tática de impedimento, Luan chegou depois do atacante rubro-negro e o toque desequilibrou. Cobrança corajosa e precisa de Diego.

O segundo tempo teve Cristóvão demorando a mexer e fazendo errado. Douglas Luiz era um dos melhores do Vasco em campo e saiu para a entrada de Guilherme, recuando Wagner. O meio-campo fez água e passou a sobrar espaços para o adversário, também pela nítida queda física do time.

Com Berrío na vaga de Everton e depois Filipe Vizeu no lugar de Guerrero, o Flamengo empilhou chances aproveitando os espaços generosos. A mais bela jogada com Diego, Guerrero e conclusão de Willian Arão por cima. Foram nove finalizações, pelo menos três oportunidades claras, mais o chute na trave de Diego. Não conseguiu ampliar, porém.

Em um cenário de nove jogos sem vencer o arquirrival, o risco de sofrer o empate e recolocar o adversário no jogo foi desnecessário. Cristóvão ainda tentou com Muriqui e Escudero. Mas Nenê se arrastava em campo e Rever e Rafael Vaz cortaram todas as tentativas. O Vasco precisa de tempo para igualar todos fisicamente e adquirir um mínimo de entrosamento – e ainda falta entrar Luis Fabiano e Bruno Paulista.

O Fla de Zé Ricardo quebra a sequência de insucessos no clássico e se apresenta como uma equipe consciente e fria. Mas podia ter goleado. Em confrontos mais parelhos, como na final do primeiro turno contra o Fluminense, a falta de contundência pode pesar.

Ainda assim, o trabalho sério no futebol é um ponto de contraste com o combalido futebol carioca. Por isso leva o favoritismo para o Fla-Flu.

(Estatísticas: Footstats)