Blog do André Rocha

Arquivo : fluminense

Cruzeiro de Mano passa o Grêmio e pode repetir Flu 2007, de Renato Gaúcho
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Denis Dias/Gazeta Press

O Cruzeiro foi o primeiro campeão brasileiro da era dos pontos corridos. O primeiro e único a vencer também a Copa do Brasil, no 2003 mágico da “tríplice coroa”. Quase repetiu o feito em 2014, mas o arquirrival Atlético impediu vencendo a final mineira da Copa do Brasil.

2017 foi o ano do penta no grande torneio nacional de mata-mata, nos pênaltis contra o Flamengo.  Pode também ser o de uma nova grande campanha no Brasileiro depois de duas edições após o bicampeonato flertando mais com Z-4 que com título ou vaga na Libertadores.

Com a vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre, gol de Rafael Sóbis, eterno ídolo do Internacional, maior rival do adversário, o time de Mano Menezes ultrapassa Santos e o próprio time gaúcho para dormir na vice-liderança do Brasileiro. Se mantiver os bons resultados abrirá uma vaga na Libertadores dentro da competição por pontos corridos.

O mesmo que conseguiu o Fluminense em 2007. Campeão da Copa do Brasil em 6 de junho vencendo o Figueirense em Florianópolis, gol de Roger Machado, hoje treinador. Antecessor de Renato Gaúcho no Grêmio, comandante do tricolor carioca há uma década. O eterno falastrão que no ano seguinte diria que “brincaria” no Brasileiro se vencesse a Libertadores e, com a derrota nos pênaltis para a LDU no Maracanã, terminou o ano sem conquistas. Como corre o risco agora depois de tantas bravatas e autoelogios ao longo da temporada – mas também bom futebol, que parece cada vez mais perdido em funções de tantas alterações na equipe base.

Naquele 2007, porém, Renato conseguiu manter o Flu alerta e, mesmo com vaga assegurada no torneio continental e vendo o São Paulo disparar para o então bicampeonato que viraria tri no ano seguinte, fez ótimo segundo turno. Vencendo, inclusive, o incrível Flamengo de Joel Santana que acabou uma posição acima, pelo número de vitórias. Com isso abriu uma vaga na Libertadores que acabou caindo no colo…do Cruzeiro, à época comandado por Dorival Júnior.

Há uma década, o Grêmio, então sob o comando de Mano Menezes, chegou à final da Libertadores contra o Boca Juniors de forma até surpreendente. Foi, porém, superado pela equipe de Juan Roman Riquelme e não pôde retornar no ano seguinte. Por pouco, já que terminou o Brasileiro em sexto lugar. Dois pontos atrás… do Cruzeiro.

Em dez anos o mundo da bola girou e agora encontra clubes, personagens e contextos parecidos. Como será o desfecho desta vez? O Cruzeiro de Mano Menezes está sereno, o Grêmio de Renato tem motivos para se preocupar. Mas ainda pode virar o jogo bonito em 2017, inclusive encarando o Real Madrid nos Emirados Árabes Unidos. Quem vai saber?


Fluminense sai da “zona morta’, vê Z-4 mais perto e terá que fazer escolhas
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Fluminense (Divulgação)

Desde o início do 2017, o Fluminense de Abel Braga vem recebendo um tratamento mais paciente e tolerante de torcida e imprensa. Muito por conta do carisma e da moral do treinador, ainda mais com a comoção pelo drama pessoal da morte trágica do filho João Pedro.

Também pela simpatia que desperta a vocação ofensiva do time de garotos, montado por conta dos problemas financeiros do clube. Chegou a ser o ataque mais positivo do país e, no Brasileiro, marcou 34 gols. Só é superado por Grêmio (41), Corinthians e Palmeiras (36).

Venceu a Taça Guanabara, perdeu o Carioca para o milionário Flamengo com arbitragem polêmica na final. Chegou a disputar a liderança do Brasileiro bem no início, depois caiu naturalmente. Segue, porém, com Henrique Dourado na artilharia, com 14 gols. Foi eliminado na Copa do Brasil pelo Grêmio no melhor momento deste na temporada. Continua vivo na Sul-Americana.

No meio do caminho perdeu Sornoza, destaque do time no estadual articulando as jogadas, e a estrela Gustavo Scarpa. Só agora tem os dois disponíveis simultaneamente. Elenco curto, com os problemas naturais do desgaste pela sequência de partidas. Mas a equipe flutuava numa zona intermediária. Vencia e se aproximava do G-6, depois era derrotado e caía para a segunda página da tabela. Mas nunca correndo maiores riscos de Z-4.

Até somar apenas cinco pontos em sete rodadas do returno. Três derrotas seguidas -Atlético-PR, Palmeiras e Grêmio – e última vitória sobre o Atlético Mineiro por 2 a 1, na 21ª. Só Coritiba e Sport, em queda livre, pontuaram menos.

Com 32 pontos, está em 15º, apenas um à frente do Avaí, 17º. Se a Ponte Preta, 18ª,  vencer o Flamengo no fechamento da rodada amanhã, segunda feira,no Moisés Lucarelli, a vantagem sobre o time de Campinas será apenas no saldo de gols. Nunca esteve tão próximo.

A jovem dupla de zaga com Reginaldo e Frazan que sofre sem proteção com a queda de rendimento de Orejuela fez Diego Cavalieri ressurgir na Arena do Grêmio com uma atuação que lembrou a melhor fase da carreira: Brasileiro de 2012, quando foi o único caso de goleiro do time campeão que também foi o mais acionado da competição.

Pelo menos que cinco grandes intervenções. Mas não conseguiu evitar o gol do jovem atacante Beto da Silva. O 36º sofrido, deixando o saldo negativo em dois gols. A oitava derrota do tricolor carioca no Brasileiro. Metade no returno.

Para piorar, Abel não tem sido feliz em suas decisões. No revés para o Palmeiras no Maracanã, o próprio comandante admitiu que devia ter poupado atletas depois da sofrida classificação para as quartas-de-final contra a LDU em Quito.

Em Porto Alegre, arriscou uma formação com Sornoza no meio, Wendell pela esquerda na linha de meias do 4-1-4-1. Sem uma referência de velocidade para os contragolpes que seriam necessários diante da equipe de Renato Gaúcho que, independentemente da formação, sempre adianta as linhas e propõe o jogo. Marcos Júnior só entrou na segunda etapa. Robinho ficou no banco. Difícil entender.

Assim como será complicado definir prioridade com um Fla-Flu definindo vaga na semifinal da Sul-Americana. Além da rivalidade, o objetivo do clube de enfim vencer um torneio continental vai pesar. E não há opções para dividir esforços. Será obrigatório escolher.

Se considerar o  mata-mata mais relevante pela chance de terminar o ano com vaga na Libertadores, pode sair da “zona morta” no Brasileiro e entrar no inferno do risco de rebaixamento. Para sair com um elenco jovem e com a confiança em baixa será ainda mais complicado.

O que fazer? Um dilema para Abel e seus pupilos na reta final de uma temporada que parecia tranquila e de transição.

 


O golaço e o recado de Ramon na vitória para iniciar novo ciclo no Vasco
Comentários Comente

André Rocha

Zé Ricardo estava no camarote, Valdir Bigode à beira do campo no comando interino. Um Vasco diferente com Nenê jogando mais solto no 4-2-3-1, Wagner pela esquerda e a surpresa: o argentino Andrés Rios no centro do ataque.

É possível atribuir a boa atuação cruzmaltina na vitória sobre o Fluminense por 1 a 0 à motivação natural pela mudança de treinador. Reservas que se motivam, titulares que não querem perder o lugar. Todos mais atentos e dispostos.

E o principal, dentro do contexto do Brasileiro: pôde jogar sem propor, ficar com a bola e ocupar o campo de ataque. Tarefa de um Fluminense em tese favorito antes da bola rolar, porém sem ideias para criar espaços. Armado por Abel Braga num 4-3-3 que tentava acelerar pelos flancos com os laterais Lucas e Léo se juntando a Wellington Silva e Gustavo Scarpa, que se alternavam nas pontas.

O problema era o meio-campo muito “duro”, sem um passe diferente ou a condução com qualidade. Seja de Orejuela ou Wendel. Muito menos de Marlon Freitas, que junto com Lucas falharam ao deixar espaços para Ramon acertar um chutaço no ângulo de Julio Cesar.

Lateral vascaíno que na entrevista na saída para o intervalo foi certeiro ao ressaltar a necessidade de jogar futebol com mais naturalidade. Talvez fosse uma alfinetada ou indireta para Milton Mendes, mas numa análise macro do que se joga no país é algo fundamental e urgente. Fala-se muito em intensidade, garra, entrega, compactação sem bola, mas pouco em qualidade técnica.

O que novamente faltou ao Flu na segunda etapa. Abel empilhou atacantes: Peu, Matheus Alessandro e Romarinho nas vagas de Marlon Freitas, Lucas e Wendel. Mas só aos 36 minutos o artilheiro Henrique Dourado apareceu com bela jogada, mas finalização pífia. Sintomático em uma atuação decepcionante para quem vinha em recuperação no campeonato.

Do outro lado, Rios foi boa surpresa fazendo interessante trabalho de pivô e dando sequência às jogadas. Algo para Zé Ricardo considerar como opção para a formatação do ataque. Mesmo desperdiçando oportunidades com Guilherme Costa e Paulinho, os substitutos de Wagner e Nenê, o desempenho foi seguro. Sem maiores sustos.

Mais uma derrota de quem teve a posse, ainda que a diferença tenha sido pequena (52%). O Vasco foi mais objetivo, finalizou 19 vezes, dez a mais que o rival. E 24 desarmes certos, o dobro do Flu. Entrega e organização, com a simplicidade de Valdir Bigode. Boa herança para o novo treinador.

Vida nova para o Vasco, que terminou o clássico na primeira página da tabela. Graças ao golaço de Ramon. Que os recados do lateral dentro e fora de campo tenham sido bem entendidos por um Vasco que pode jogar mais e terminar 2017 sem sustos.

(Estatísticas: Footstats)


Foco, tempo e até desespero devem nortear segundo turno do Brasileirão
Comentários Comente

André Rocha

O Corinthians está com o Brasileiro nas mãos. Até aqui, pelo menos, é aquele caso em que tudo conspira a favor. Inclusive a pausa entre um turno e outro para recuperar e treinar a equipe por conta da viagem da Chapecoense. Com Grêmio, Santos e Flamengo envolvidos em outras competições e Palmeiras na ressaca da eliminação da Libertadores com 14 pontos atrás que podem virar 17, o atual líder disparado pode até se planejar para buscar também o título da Sul-Americana.

Competição que ainda envolve outros cinco brasileiros. Com dois confrontos nacionais  – Sport x Ponte Preta e Flamengo x Chapecoense – que podem reduzir a quarto para as quartas de final. Mesmo número de times na disputa das semifinais da Copa do Brasil. Um a mais que nas quartas da Libertadores.

Dez times dividindo atenções, outros dez disputando somente o Brasileiro. Com apenas quatro rodadas de dezenove no meio da semana. Parece claro que o foco e o tempo para treinar têm grandes chances de fazer a diferença e até superar o nível técnico e tático das equipes.

Sem contar o desespero. Aquele que, pela dificuldade na tabela, torna o adversário difícil de ser batido. Sim, a fuga do Z-4. Que parece ter o Atlético-GO condenado, mas ainda matematicamente vivo, dependendo de uma arrancada que hoje soa improvável. Um olhar mais atento à tabela, porém, revela que o Fluminense, disputando a Sul-Americana, está apenas cinco pontos à frente da Chapecoense, 17ª colocada e com um jogo a menos.

Qualquer vacilo será fatal. É onde mora a esperança são-paulina. Mesmo com todos os equívocos e com a equipe oscilando até psicologicamente, há qualidade, especialmente de Hernanes desequilibrando nas últimas vitórias, e agora tempo para se preparar. O que Dorival Júnior mais precisava. E nada mais para distrair. Uma sequência de bons resultados e pode até sobrar uma vaga na Sul-Americana.

A disputa pelas seis primeiras colocações ganha novos postulantes, como os Atléticos, mineiro e paranaense. Os únicos junto com o Palmeiras entre os onze primeiros com foco absoluto na Série A. Uma vantagem considerável em meio a tanto equilíbrio, com exceção do Corinthians.

A Primeira Liga não deu certo pelo servilismo dos clubes à CBF e agora se encontra soterrada pelos demais torneios. Para muitos será um engodo, um problema de logística. Hoje soa como um prêmio de consolação, uma taça para não deixar 2017 de mãos abanando. Vale menos que o estadual.

O maior desafio, sem dúvida, é o do Botafogo. Com elenco não tão robusto, um clássico carioca no torneio nacional e um duelo brasileiro na Libertadores contra o Grêmio, uma das melhores equipes do país. A um ponto do G-6, que seria a garantia de volta ao torneio continental independentemente do desempenho no mata-mata. Mas a seis da zona de rebaixamento, o que exige um certo cuidado.

Neste cenário, o returno reserva alguns jogos que serão esvaziados pela utilização de reservas e outros que podem ganhar contornos épicos, com times até com tempo para se preparar, mas tão envolvidos emocionalmente que não resistirão ao maldito “jogo para ganhar e não para jogar”. Valendo a vida. Para quem gosta de emoção e não torce o nariz para a fórmula de pontos corridos será um prato cheio.

Se nos dois extremos da tabela os destinos de Corinthians e Atlético-GO parecem selados, todo o resto carrega suas dúvidas e um contexto construído jogo a jogo. Dependente de outras competições, que agora contemplam toda temporada. Vejamos o que o novo calendário reservará à nossa liga neste primeiro ano.


A falácia de que Diego é o meia criativo do Flamengo
Comentários Comente

André Rocha

Diego Ribas chegou ao Flamengo em julho do ano passado. Recebido com festa no aeroporto, alcançou rapidamente a condição de ídolo com gol na estreia contra o Grêmio, mais cinco bolas nas redes adversárias, três passes para gols e participação importante na campanha que levou o time ao terceiro lugar, disputando o topo da tabela em bola parte do Brasileiro.

Com a camisa dez na Libertadores, foi fundamental nas duas vitórias em casa, contra San Lorenzo e Atlético-PR, e fez muita falta no fatídico jogo da eliminação no Nuevo Gasometro. Quando se lesionou era considerado o melhor jogador do torneio continental. No seu retorno de lesão, continua contribuindo com liderança positiva e técnica nas conclusões e nas bolas paradas em uma equipe que peca pela pouca contundência.

Desde que surgiu no Santos, Diego é um meia habilidoso e bom finalizador. Já foi criativo também, mas agora dentro de um cenário de jogo mais intenso, com pressão constante sobre quem tem a bola, linhas compactas e marcação por zona na maior parte do tempo, vem enfrentando problemas.

Porque tem o hábito de dominar, girar, dar mais um toque e só depois tomar a decisão do que fazer com a bola. Normalmente gasta segundos preciosos para a fluência do jogo. Por isso perdeu espaço na Europa e acabou retornando. Mas mesmo por aqui, com a evolução tática gradual, especialmente no trabalho sem a bola, ele sofre na construção de jogadas.

Compensa com experiência, muita preparação física e mental, entrega absoluta e inteligência para procurar os flancos e fugir do bloqueio mais forte. Ainda assim, são raros os passes de primeira. Mais ainda as bolas que os portugueses costumam chamar de “passes de morte”. Ou seja, aqueles que furam as linhas de marcação e encontram os companheiros nas melhores condições para finalizar.

Como Scarpa achou Wendel no gol que abriu o placar do Fla-Flu e na enfiada para Richarlison infiltrar e sofrer pênalti de Juan nos 2 a 2 no Maracanã. Diego foi às redes em um gol de “abafa”, com Everton impedido na origem do lance. Nos acréscimos, Trauco empatou em chute forte que contou com uma irregularidade no gramado para sair do alcance do goleiro Julio César.

Dentro das propostas de jogo, o Fluminense foi superior. Porque joga mais fácil e o Fla faz muita força para atacar. Normalmente a bola gira, roda de um lado para o outro até encontrar espaço num flanco para fazer o cruzamento. Um estilo monocórdico.

As tabelas e infiltrações que marcaram a equipe rubro-negra comandada por Zé Ricardo nos seus melhores momentos desapareceram com a queda de produção do meio-campista que tem o passe mais vertical: Willian Arão. Confirmado pelo próprio treinador. Tite convoca Diego para a seleção, porém admite que ele tem características diferentes das de Lucas Lima, seu concorrente, agora junto com Rodriguinho, por uma vaga no meio-campo.

O Santos empatou sem gols com a Ponte Preta no Pacaembu no sábado. Mas criou oportunidades mais cristalinas que o Flamengo na vitória sobre o mesmo adversário na estreia da Arena da Ilha no meio da semana. Porque Lucas Lima acertou passes verticais que Bruno Henrique, Kayke e Copete não aproveitaram. Já o Fla viveu de bolas alçadas e marcou seus gols em cruzamentos de Diego e Vinicius Júnior para Rever e Leandro Damião.

É pouco. O repertório empobreceu. Por isso a busca desde o ano passado de um meia que parta da ponta e auxilie na articulação. Alan Patrick e Mancuello não funcionaram, o clube trouxe Conca, uma incógnita no aspecto físico, e agora espera ter encontrado a solução em Everton Ribeiro. Este, sim, um meia da linhagem de Jadson, Scarpa, Lucas Lima. Do toque surpreendente.

É inegável o valor de Diego, que deve seguir no time que pena tanto para fazer gols. Mas parte da responsabilidade do Fla só ficar atrás do Atlético-MG como o time que mais cruza na competição – média de quase 28 por partida, cinco de Diego – é de seu meia mais valioso. Mesmo com a atenuante do período de inatividade e estar disputando apenas a sua quarta partida desde o início após o seu retorno, e reconhecendo que ele fica sobrecarregado pela indigência de ideias de seus companheiros no setor.

A questão central é que o problema não é recente. Como Diego consegue ser decisivo de outras formas acaba passando despercebido e alimenta a falácia de que é um meia criativo. Mas Zé Ricardo espera o melhor condicionamento de Conca e a estreia de Everton Ribeiro para tornar o Flamengo menos previsível e mais eficiente no restante da temporada.

(Estatísticas: Footstats)

 


Luan, o jogador do mês no Brasil. Protagonista do Grêmio 100% com titulares
Comentários Comente

André Rocha

Fosse em uma empresa, teria sua foto na parede ou no elevador. Ninguém jogou mais bola nos últimos 30 dias no Brasil que Luan.

Antes criticado, até perseguido. Hoje o protagonista da ascensão gremista desde o início do Brasileiro. É possível definir sua função, enquanto o time teve Lucas Barrios na referência do ataque, como meia central do 4-2-3-1 armado por Renato Gaúcho depois da lesão de Douglas. Na prática, porém, o camisa sete é o jogador entrelinhas.

Inteligente para circular às costas dos volantes, tabelar com Barrios, infiltrar no espaço deixado por Ramiro na direita e aparecendo como opção pelos flancos para criar superioridade numérica. Com técnica, habilidade e faro de gol, desequilibra.

Já foi às redes quatro vezes. Mais quatro assistências. Ou seja, participação em quase metade dos 18 gols marcados pela equipe. Com a lesão de Barrios, voltou a atuar como “falso nove”. Não rende tanto por falta de companhia na frente além de Pedro Rocha, mas definiu a vitória sobre o Fluminense por 2 a 0 no Maracanã na bela cobrança de falta. Com confiança, decide também na bola parada.

Se mantiver o rendimento deve ganhar oportunidade na seleção brasileira. No ouro olímpico mostrou sintonia fina com Neymar e Gabriel Jesus. A má notícia para o Grêmio é que certamente já tem clube europeu atento a este crescimento no desempenho. Tem boa leitura de jogo, fundamental para adaptação rápida às grandes ligas.

Enquanto está a serviço do tricolor gaúcho, Luan é o fator de desequilíbrio. O jogador do mês. Não fosse a derrota dos reservas para o Sport, o resultado seria a liderança em sete jogos com 100% de aproveitamento. Com vitórias recentes mais duras e menos espetáculo. Mas ainda o melhor futebol jogado no país.


Viva a “Velha Guarda”! Abelão e Renato Gaúcho na liderança do Brasileiro
Comentários Comente

André Rocha

Foto: Divulgação Grêmio.

São apenas duas rodadas e a última incompleta, ainda faltando São Paulo x Avaí no Morumbi. A história mostra que qualquer posicionamento inicial na tabela de classificação significa muito pouco. Em 2016, Internacional e Santa Cruz chegaram a disputar a liderança da Série A, para terminarem rebaixados.

Mas não deixa de ser simbólico que Fluminense e Grêmio, comandados por Abel Braga e Renato Gaúcho, exceções à renovação no mercado de treinadores do país, sejam os únicos com 100% de aproveitamento e, por isso, ocupem a liderança – vantagem para o tricolor gaúcho pelo saldo de gols.

E não foram vitórias fáceis, sobre equipes sem maiores aspirações na temporada. O Flu superou Santos no Maracanã e Atlético Mineiro no Independência; o Grêmio venceu o Botafogo em casa e o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. Quatro times disputando Libertadores, todos classificados para as oitavas-de-final do torneio continental.

O fato de não pertencerem à escola “atualizada” de técnicos não impede que suas equipes apresentem um futebol moderno. Abel Braga não permite que suas equipes mudem a ideia de jogo quando atuam fora de casa. Em Belo Horizonte, o Fluminense nunca abdicou do ataque, mesmo diante do volume do time da casa.

Fez 2 a 0 no primeiro tempo com as armas de sempre: velocidade pelos flancos, troca de passes com bola no chão no meio-campo, que ganhou Gustavo Scarpa como ponta articulador para auxiliar Sornoza e Wendel, mais o trabalho de pivô de Henrique Dourado, autor do primeiro gol e artilheiro do campeonato com três e da assistência para Richarlison ampliar de cabeça.

Depois sofreu pressão na segunda etapa e resistiu com a bela atuação do jovem zagueiro Nogueira. Sem dinheiro para reforços, a diretoria tricolor convenceu Abel a usar a garotada e vem funcionando. A falta de um elenco mais robusto vem sendo compensando pelas surpresas oriundas de Xerém.

Já Renato Portaluppi fez o Grêmio ressurgir depois da frustração no Estadual, tratado como prioridade mesmo disputando Libertadores – motivado, é claro, pela fragilidade do grupo do time gaúcho no torneio continental.

Arthur foi um achado no meio-campo, com bons passes, poder de marcação e aparições no ataque com qualidade, como no golaço sobre o próprio Fluminense pela Copa do Brasil, após tabelar com Luan e Barrios. Dupla de ataque que vai se afinando no 4-2-3-1 que cada vez mais se trasforma em 4-4-2. Autores dos gols em Curitiba.

Com Ramiro mais meio-campista pela direita apoiando o redivivo Léo Moura e Pedro Rocha mais intenso e vertical, buscando as diagonais a partir do lado esquerdo. O sistema defensivo comandado por Geromel que faz marcação individual, mas novamente Renato consegue que seus comandados estejam tão preparados física e mentalmente que compensem com muito vigor físico.

No duelo pela Copa do Brasil, vantagem de Renato Gaúcho em Porto Alegre. 3 a 1 de virada na melhor partida da quarta-feira, porém um tanto eclipsada por outros confrontos do próprio torneio e, especialmente, pela Libertadores.

Não esperem dos dois treinadores discursos rebuscados, com os termos atualizados dentro da ciência esportiva. Talvez terminem bem longe da disputa pelo título nas 36 rodadas restantes. Em campo, porém, a resposta é mais que positiva no que o esporte tem de eterno: quem joga bem sempre estará mais perto da vitória, por mais caótico que seja o jogo em si.

A diversidade sempre é bem vinda, a experiência nunca deve ser desprezada. Ainda mais quando vem acoplada ao carisma que conquista e convence. Abelão e Renato na ponta de um Brasileiro no ano da graça de 2017. Viva a “Velha Guarda”!


No primeiro ato, vitória da concentração defensiva absoluta do Flamengo
Comentários Comente

André Rocha

Os 3 a 3 da final da Taça Guanabara, com derrota nos pênaltis, deixou claro para o Flamengo que enfrentar o jovem Fluminense de Abel Braga, time de intensidade, volume de jogo e ímpeto ofensivo, exigiria concentração absoluta no trabalho defensivo.

O resultado prático no Maracanã foi o Fla de Zé Ricardo novamente no 4-1-4-1, desta vez com Berrío pela direita na vaga de Gabriel. Depois Rômulo sairia com lesão no joelho para a entrada de Mancuello que, por características e limitações físicas, por vezes ficava mais adiantado, com a equipe voltando ao 4-2-3-1.

Primeiro tempo de controle da posse e postura ofensiva, com Willian Arão atento à saída de bola do jovem Wendel, bloqueando as descidas de Lucas, que se manda sem posição física e deixa o volante Orejuela guardando sua posição. Muita atenção no cerco aos pontas Richarlison e  Wellington Silva e Márcio Araújo ágil no auxílio aos zagueiros e ligado nos movimentos de Sornoza.

Ofensivamente, jogo pelos flancos, com os pontas Berrío e Everton buscando as diagonais e Mancuello e Arão se aproximando de Guerrero. Passes simples, jogadores próximos e encontrando soluções diante da pressão dos adversários sobre o oponente com a bola. Aproveitando nos primeiros 45 minutos o nítido nervosismo dos garotos tricolores em uma final.

Nas jogadas aéreas, forte do Flu nos jogos mais duros, atuações esplêndidas de Réver, Rafael Vaz e Guerrero, o mais sacrificado na execução do modelo de jogo sem Diego. Precisando recuar para ser o armador, fazer o pivô, disputar com os zagueiros adversários nas ligações diretas e ainda acelerar os contragolpes, especialmente na segunda etapa.

Porque o Flamengo que sofre para ir às redes ganhou de presente no primeiro tempo a furada grotesca de Renato Chaves que Everton não desperdiçou. Gol único de uma vitória construída por um trabalho coletivo que é mérito do quase sempre contestado Zé Ricardo. Equipe que soube sofrer, mas criou  alguns contragolpes que Leandro Damião e Matheus Sávio, substitutos de Guerrero e Berrío, não aproveitaram.

É evidente que a final está aberta, até pelo jogo decisivo do Flamengo na quarta-feira pela Libertadores contra a Universidad Católica. Porque a concentração defensiva terá peso ainda maior. No primeiro ato de noventa minutos da final carioca foi a diferença.


Fluminense mostra com se administra uma vantagem de empate: atacando!
Comentários Comente

André Rocha

Abel Braga avisou na coletiva depois da vitória sobre o Goiás pela Copa do Brasil que o seu time não abriria mão de suas características. Natural para quem marcara 51 vezesem 23 partidas antes da semifinal estadual – o ataque mais efetivo do país em 2017.

Mesmo com vantagem do empate pela melhor campanha no Carioca. Apesar do desgaste no meio da semana, enquanto o rival focaria na única competição em que ainda estava envolvido no primeiro semestre.

O Fluminense partiu para o ataque no Maracanã. No 4-3-3 habitual, com toque fácil no meio-campo que ganhou dinamismo com o jovem Wendel se juntando aos equatorianos Sornoza e Orejuela. Mas desequilibra os rivais acelerando pelos flancos com os laterais Lucas e Léo apoiando os ponteiros. Desta vez com Richarlison pela direita e Wellington Silva à esquerda.

A postura ofensiva complicou o Vasco que novamente se posicionou atrás com duas linhas de quatro para deixar Nenê e Luís Fabiano sem funções de marcação. Só que os ponteiros Yago Pikachu e Guilherme Costa, a novidade na vaga de Andrezinho, precisavam voltar muito na recomposição e ainda tinham que ser as referências de velocidade para os contragolpes.

Não funcionou. Melhorou quando a equipe cruzmaltina passou a fazer um jogo mais direto, investindo em ligações diretas e bolas paradas. Assim criou as três melhores chances da primeira etapa, com Gilberto, Nenê e Luís Fabiano.

Escancarando o efeito colateral da vocação ofensiva do Flu: a exposição da última linha da retaguarda, que sofre no combate direto aos atacantes. Também porque tem volume, mas controla pouco o jogo. Terminou o primeiro tempo com 57% de posse, porém muito mais pela iniciativa e a ideia de propor o jogo. Mas sempre com pé no acelerador.

Intensidade fundamental para resolver o jogo na segunda etapa. Assim como na vitória sobre o Goiás, a jogada aérea foi fundamental. No primeiro gol, de Richarlison, que encaminhou a vitória. Ainda mais seguido da expulsão do mais que promissor Douglas Luiz, 18 anos. Envolvido pelo meio do Flu, perdeu a cabeça com sequência de dribles abusados de Wellington.

O árbitro Rodrigo Nunes de Sá exagerou na expulsão, podia ter mostrado o amarelo. Até porque minutos depois Nenê entrou de forma ainda mais truculenta no ponta do Flu e não levou o vermelho.

Mas o Flu nem precisou da vantagem de mais um homem em campo. A disputa se resolveu com o golaço de letra de Wellington, em rara incursão pela direita, após linda jogada de Lucas.

O gol de cabeça de Léo em novo cruzamento na bola parada foi o golpe final no Vasco que mostrou a fragilidade do seu elenco ao buscar a reação com Manga Escobar, mais um ponta que é veloz, mas tem enormes dificuldades nos fundamentos. Ou seja, produz quase nada de útil.

Pior ainda é testemunhar a forma física de Thalles. Chocante ver um atacante promissor tão acima do peso a ponto de ser percebido no visual, de longe.

Ao Vasco resta o Brasileiro. Hoje é difícil vislumbrar aspiração maior que a manutenção na Série A do Brasileiro. Os jogos contra um Fluminense rápido e envolvente deixaram bem nítidas as limitações para uma disputa em alto nível.

O time de Abel é o favorito, pelo desempenho, ao título carioca. Também pela dedicação de Flamengo e Botafogo à Libertadores. Na semifinal, deu uma aula de como administrar uma vantagem de empate: nem pensando nela. Finalizando 16 vezes contra nove do Vasco.

Atacando e impondo seu estilo, sem apego ao resultado. Que sirva de exemplo.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vasco cumpre metade da rota para o tri. Não jogar pode ser uma vantagem
Comentários Comente

André Rocha

Você leu AQUI que o fato de não estar envolvido em outras competições, embora não fosse o cenário desejado pelo clube, poderia ser um trunfo para o Vasco na reta final do Carioca.

Competição que o clube valoriza na gestão Eurico Miranda, que puxou o tradicional grito de “Casaca!” até na classificação com empate sem gols contra o Flamengo na semifinal do returno. Rubro-negro que jogaria na quarta-feira contra o Atlético Paranaense pela Libertadores.

No Engenhão, a conquista da Taça Rio com a vitória no Engenhão sobre um Botafogo repleto de reservas comandado por um Jair Ventura que voltou da Colômbia para comandar o time e depois partir rumo ao Equador para a sequência do torneio continental, prioridade desde o início da temporada.

Faz diferença o foco total em uma competição. Ainda que seja a menos relevante na hora da avaliação ao fim da temporada. O Vasco de Milton Mendes vai ganhando corpo, com melhor coordenação no trabalho defensivo, aproximando duas linhas de quatro e dando liberdade para Nenê criar e acionar Luis Fabiano. Ou seja, faz o simples.

A cereja do bolo até aqui é o futebol do jovem Douglas Luiz. 18 anos, meio-campista que joga de área a área, autor do primeiro gol. Mesmo não finalizando tão bem, algo para aprimorar no trabalho diário. Ajuda Jean na proteção da defesa, desafoga Nenê e os ponteiros na criação.

Outra promessa da base que pode ser mais aproveitada é Guilherme Costa. Entrou, adicionou habilidade e criação onde Pikachu e Andrezinho pouco acrescentaram. Ainda provocou a expulsão de Marcelo Conceição que ajudou a construir o triunfo consolidado com o primeiro gol de Luis Fabiano com a camisa cruzmaltina, completando passe de Manga Escobar.

A conquista, embora nada signifique em termos esportivos, ajuda financeiramente e transfere confiança para a equipe remodelada pelo novo técnico. Na semifinal que vale, contra o Fluminense, mesmo com o rival levando a vantagem do empate, o Vasco chega mais forte que no final da fase de grupos.

Também porque o tricolor é mais um adversário envolvido em outra competição durante a semana. Pega o Goiás no Maracanã pela Copa do Brasil precisando vencer. Mesmo sem viagem, há a logística, o desgaste, foco no clássico só a partir da quinta-feira, possibilidade de desfalque por lesão. Enquanto o time de Milton Mendes concentra esforços, não dispersa.

O Vasco não é o favorito ao título regional. Nem é absurdo ser considerado, pelo desempenho, a quarta força carioca. Precisa de ajustes e reforços para o Brasileiro. Certamente sua torcida adoraria estar disputando ao menos Sul-Americana e Copa do Brasil.

No Carioca, porém, o contexto favorece. A primeira metade da rota do tri foi cumprida, ganhando taça e moral. Por incrível que pareça, no futebol atual cada vez mais intenso e que exige tanto de corpo e mente, não jogar pode ser uma vantagem.