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Arquivo : França

Balanço final da Copa (craque, seleção, surpresa, revelação…)
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André Rocha

Foto: AP

Seleção da Copa do Mundo 2018 para este blog:

Courtois (Bélgica)

Trippier (Inglaterra)

Thiago Silva (Brasil)

Umtiti (França)

Laxalt (Uruguai)

Kanté (França)

Modric (Croácia)

De Bruyne (Bélgica)

Mbappé (França)

Hazard (Bélgica)

Perisic (Croácia)

Treinador: Roberto Martínez (Bélgica)

 

Melhor jogo: Brasil 1×2 Bélgica

Pior jogo: França 0x0 Dinamarca

Surpresa: Rússia chegar até às quartas

Decepção: Alemanha, atual campeã, caindo na fase de grupos

Melhor atuação coletiva: Croácia, nos 3 a 0 sobre a Argentina

Pior atuação coletiva: Alemanha, na derrota por 2 a 0 para a Coréia do Sul

Melhor atuação individual: Mbappé, nos 4 a 3 da França sobre a Argentina

Pior atuação individual: Fernandinho, na derrota do Brasil para a Bélgica

Gol mais bonito: Pavard, na vitória da França sobre a Argentina

Craque e revelação: Kylian Mbappé

 


Campanha campeã é maior que a bola jogada pela França pragmática
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André Rocha

Como esperado, o início de jogo em Luzhniki foi marcado pela tensão costumeira de uma final de Copa do Mundo e também pelo encaixe previsto dos desenhos táticos. França e Croácia marcando por zona, porém com duelos bem definidos. Especialmente no meio-campo: Kanté x Modric, Pogba x Rakitic e Griezmann x Brozovic. No 4-2-3-1 “torto” de Didier Deschamps, Matuidi esperava as descidas de Vrsaljko e auxiliava no combate a Modric. No 4-1-4-1 de Zlatko Dalic, Strinic até descia pela esquerda, mas tinha como maior preocupação a velocidade de Mbappé.

Mas os franceses encontravam dificuldade para acionar seu principal atacante. Recuavam as linhas, mas não encontravam espaços para acelerar. Muito pelos méritos do oponente. A Croácia adiantou as linhas, marcou e ocupou o campo de ataque e rodou a bola em busca de espaços.

Até Griezmann cavar uma falta inexistente. Na cobrança, Pogba, em posição legal, disputou com Mandzukic, que desviou marcando o primeiro gol contra em finais de Copa do Mundo. Os croatas teriam que subir a ladeira novamente. Mas a bola parada novamente ajudou na recuperação. Golaço de Perisic depois de limpar Kanté.

De novo a França recuou, novamente sofreu para encaixar um contragolpe. Outra vez foi salva pela bola parada. Pênalti de Perisic. Marcável como praticamente qualquer toque no braço segundo as novas e confusas orientações da FIFA para a arbitragem. O VAR entrou em cena e ajudou na interpretação de Nestor Pitana. Cobrança precisa de Griezmann.

A única finalização francesa em 45 minutos. Os croatas que tiveram 61% de posse tentaram sete vezes, só uma na direção da meta de Lloris. Nas redes. Primeiro tempo de superioridade croata.

Mas a França mais uma vez foi pragmática e letal. Coordenando melhor os contragolpes com o avanço e os sinais de desgaste físico e mental do adversário, acelerou pela direita com Mbappé, que serviu Pobga, meio-campista que iniciou a jogada com belo lançamento.

Depois a revelação da Copa, e também o craque para este que escreve, fez um gol de “ilusionista”. Mbappé posicionou o corpo para bater com efeito no ângulo esquerdo e acertou um chute rasteiro no canto direito de Subasic. Poderia ter fechado 4 a 1 como o Brasil de 1970 sobre a Itália. No entanto, Lloris vacilou e Mandzukic desviou para as redes. Mas certamente o atacante croata trocaria seus três gols pelo título mundial.

Que também é de Giroud. Virou titular por suas funções em campo: estatura nas disputas pelo alto na defesa e no ataque. Fundamental na Copa da bola parada. Também um pivô facilitando o trabalho de Mbappé e Griezmann. Forte e alto, empurra a defesa para trás e cria espaços às costas dos volantes para seus companheiros. Uma lição para quem parou no tempo e acha que o camisa nove só presta se fizer gol. Giroud não marcou nenhum e é o campeão.

A Croácia foi até o limite. Terminou com 61% de posse, 83% de efetividade nos passes contra apenas 74% dos fraceses. Finalizou 15 vezes contra oito – seis a três no alvo. Modric eleito melhor da Copa. Na decisão, porém, a Copa também foi da bola parada e da precisão técnica. Em disputas tão parelhas, o futebol não perdoa o “arame liso”.

França absoluta, mas com campanha melhor que o desempenho em campo. Maior que a bola jogada. Invencibilidade, vitórias em confrontos com os campeões Argentina e Uruguai. Superando a talentosa geração belga e goleando os croatas por 4 a 2. Sem prorrogação nem decisão por pênaltis.

Fica a impressão de que a obsessão pelo título depois da decepção em casa na Eurocopa em 2016 engessou um pouco a equipe. Pouca mobilidade ao atacar para garantir a organização na perda da bola, não desguarnecendo nenhum setor. Solidez defensiva para aumentar a competitividade.

Deu certo. E consagrou Deschamps, agora se juntando a Zagallo e Beckenbauer como os únicos campeões como jogador e treinador. Mesmo sem espetáculo, a missão foi cumprida.

(Estatisticas: FIFA)

 

 

 


Prévia tática de França x Croácia: quem sairá do “encaixe perfeito”?
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André Rocha

Pelo esforço absurdo de três prorrogações seguidas é impossível saber se Zlatko Dalic vai manter a formação titular da Croácia para a grande final. Mas também é improvável que algum jogador, a menos que esteja com uma lesão muscular grave por conta do esforço, queira ficar de fora do “filé” depois de roer o osso em 360 minutos, mais duas decisões por pênaltis.

Partindo do 4-1-4-1 da semifinal e da melhor atuação da seleção na Copa, os 3 a 0 sobre a Argentina, e do 4-2-3-1 da França que ganhou corpo desde a vitória sobre o Peru com Matuidi pela esquerda mais compondo o meio que formando o quarteto ofensivo, temos uma espécie de “encaixe perfeito” das equipes. Tanto no desenho tático quanto nas características dos atletas.

Ainda que Kanté e Brozovic tenham perseguido Messi em muitos momentos dos jogos, o volante do Chelsea tenha feito o mesmo com De Bruyne e Pogba sofrido com Fellaini na semifinal, França e Croácia marcam essencialmente por zona. Mas, de acordo com o posicionamento básico, os jogadores de cada setor acabam se encontrando e duelando ao longo da partida.

Ambas contam com laterais que não são brilhantes, mas equilibram bem as funções de ataque e defesa e se adequam caso precisem guardar posição ou descer pelo corredor. No embate de domingo é bem provável que Strinic fique mais atento à movimentação de Mbappé e Vrsaljko apoie mais, já que não há um atacante agudo pelo seu setor.

No meio-campo, os duelos mais prováveis são Kanté x Modric, Pogba x Rakitic e Griezmann x Brozovic. Pavard espera Perisic e Hernández faz o mesmo contra Rébic. Os zagueiros Lovren e Vida cuidam de Giroud e Varane e Umtiti ficam atentos aos movimentos de Mandzukic.

É óbvio que o futebol não acontece numa imagem estática como no campinho abaixo. Mas mesmo com o dinamismo da disputa, uma palavra será chave para desequilibrar o oponente: mobilidade.

Os franceses têm guardado mais o posicionamento, talvez pelo temor de serem pegos com as linhas desorganizadas na perda da bola. Um desperdício, já que este 4-2-3-1 “torto” tem como principal arma ofensiva o deslocamento de outros jogadores para o lado em que há um volante ou meia e não um ponteiro. Ou seja, o espaço deixado por Matuidi poderia ser melhor explorado por Griezmann, Giroud ou até mesmo Mbappé invertendo o flanco. Nos jogos apenas o lateral Hernández se projeta pela esquerda. Uma inversão entre Griezmann e Mbappé também pode ser interessante para deixar o jovem atacante do PSG mais solto para aproveitar na velocidade o trabalho de pivô de Giroud.

Já a Croácia na execução de seu modelo permite apenas como surpresa a inversão dos pontas Rébic e Perisic que buscam as diagonais aproveitando o espaço deixado pelo móvel Mandzukic, que sabe atuar como referência ou pelo lado. Modric e Rakitic também costumam trocar o posicionamento por dentro, de acordo com as características dos volantes adversários.

As estatísticas apontam a Croácia com maior posse de bola e efetividade nos passes, mas é a quarta que mais utiliza os cruzamentos, média de 26 por jogo – potencializada, logicamente, pelas prorrogações que disputou. Luka Modric é o meia que mais acerta passes e vai encontrar Kanté, o líder absoluto de desarmes e interceptações. Mbappé é o finalista que mais acerta dribles, Griezmann o que mais finaliza. Rakitic está no topo entre os que mais acertam inversões de jogo, fundamentais para desarticular sistemas defensivos organizados como o do oponente.

A França sofreu apenas quatro gols em 540 minutos – três da Argentina e um, de pênalti, da Austrália na estreia. A Croácia cinco em 630 – um de pênalti da Islândia (com time repleto de reservas), Dinamarca, em cobrança de lateral na área, e Inglaterra (falta), dois da Rússia, o de Mário Fernandes na típica jogada de bola parada que gerou tantos gols neste Mundial. A previsão, não o desejo, é de uma final com poucos gols, definida no detalhe, na precisão técnica. Talvez até mais uma prorrogação para os croatas.

A resistência física deve ser um fator preponderante. Didier Deschamps pode optar por uma proposta de maior intensidade na pressão pós perda da bola, velocidade na transição ofensiva para desgastar ainda mais o adversário, que tende a aproveitar seus talentosos meio-campistas para adicionar pausas ao ritmo do jogo que façam a equipe respirar e acelerar no momento certo.

O palpite do blog é vitória francesa. Em 120 minutos. Porque a Croácia mentalmente é dura de se curvar, mesmo com os músculos extenuados. Só que desta vez encontrará um rival que foi implacável até aqui com as fragilidades e oscilações de quem cruzou o seu caminho. Na Copa da força mental é um trunfo para definir quem leva a taça para casa.

França no 4-2-3-1 que deve ter mais mobilidade de Griezmann, Mbappé e Giroud aproveitando o espaço à esquerda deixado pelo recuo de Matuidi; Croácia no 4-1-4-1 com os ponteiros Rebic e Perisic invertendo o posicionamento e Modric e Rakitic tentando ditar o ritmo contra Kanté e Pogba. Nos sistemas que encaixam, a mobilidade pode fazer a diferença (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Croácia é um belo “case de caos”. Mas não deve ser exemplo mesmo que vença
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André Rocha

Foto: Yuri Cortez/AFP

O último título mundial do Brasil em 2002 foi um curioso caso, talvez único, no qual a conquista ficou parecendo a consolidação de um trabalho que vinha do título em 1994, passando pelo vice quatro anos depois. Mas a trajetória de fato foi caótica: Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Emerson Leão até chegar a Luiz Felipe Scolari.

Sofrimento nas Eliminatórias, vergonha na Copa América contra Honduras. Tudo deu certo mesmo apenas na Ásia – com seus percalços, como a estreia contra a Turquia vencida no pênalti “mandrake” sobre Luisão e nas oitavas, quando a arbitragem também interferiu no triunfo sobre a Bélgica.

Curiosamente, depois do título veio um período de esperança e prosperidade. Amadurecimento de Kaká e Adriano Imperador, surgimento de Robinho e Diego no Santos campeão brasileiro ainda naquele ano. Com Parreira no comando, títulos da Copa América, Copa das Confederações e liderança nas Eliminatórias. A queda pós ascensão veio logo no Mundial na Alemanha.

Depois o Brasil não mais se impôs. Com ciclo completo de Dunga em 2010, os nas mudanças de Mano Menezes para Felipão em 2014 e agora saindo de Dunga para Tite. Pelas mais variadas circunstâncias, inclusive a aleatoriedade em jogos eliminatórios.

A classificação da Croácia para a final contra a França despertou aqui e ali uma tese bastante presente em nosso país: planejamento e organização não garantem sucesso, que se resume ao título. Ainda mais em tempos de Flamengo e Palmeiras equacionando dívidas e sem conseguir alcançar os troféus desejados justamente no momento em que os investimentos aumentaram.

Devia ser óbvio defender uma linha de trabalho com ideias claras e objetivos bem definidos. Que no futebol não pode ser atrelada tão diretamente a algo sem controle como o resultado final. Muito menos em uma Copa do Mundo. Torneio que conta com sorteio e chaveamentos. No qual a ordem de adversários e as circunstâncias são totalmente aleatórias. Premia o melhor daquele mês, não necessariamente o do ciclo inteiro.

O trabalho sério é para garantir a competitividade. Sair de um papel de coadjuvante, desclassificado na primeira fase, para brigar no topo ou no mais próximo disto. Assim foi com Espanha, França, Alemanha e Bélgica. Assim pensa o Brasil ao vislumbrar mais quatro anos com Tite.

Porque a Croácia pode até ser campeã mundial. Mas correu sérios riscos de ficar de fora da Copa. Quando contratou Zlatko Dalic às pressas depois de demitir Ante Cacic precisava vencer a Ucrânia fora de casa para ir à repescagem, já que a Islândia garantira o primeiro lugar do grupo na eliminatória. Conseguiu um 2 a 0. A ventura no sorteio com a Grécia. O resto é história.

Que podia nem ter chegado a Rússia. Como aconteceu com Itália e Holanda. Uma renegou a formação de talentos, a outra encontra-se presa numa escola de futebol que tanto ofereceu ao mundo, mas parou no tempo. Risco que o Brasil correu com Dunga. Agora é fácil dizer que independentemente do treinador o país sempre vai à Copa. Era sexto colocado, atrás do Chile, bicampeão da Copa América que não se repaginou após a saída de Jorge Sampaoli e o espasmo com Pizzi na conquista do torneio Centenário nos Estados Unidos e ficou fora.

A Croácia é um “case de caos” para virar filme. Admirar a força mental dos jogadores, invejar a presença de meio-campistas talentosos como Modric e Rakitic e reconhecer a capacidade de mobilização e trabalhar no improviso de Dalic, que chega a seu 14º jogo no comando da seleção em uma final. Mas não pode servir de exemplo.

Melhor a França, que manteve o contestado Didier Deschamps depois do decepcionante revés em casa na final da Eurocopa contra Portugal e, sem tantos tempos extras e sofrimento, também está na decisão de domingo. Com favoritismo pelo menor desgaste e por contar com um trabalho mais consolidado.

Carrega, porém, o peso da responsabilidade de vencer. Exatamente o que sangra tantas equipes. Os croatas não têm absolutamente nada a perder. A campanha já é histórica, superando a geração de 1998. O cansaço já é um álibi até em caso de derrota por goleada. Se num último esforço conseguirem a vitória serão heróis eternos de um país.

Posição cômoda na Copa do Mundo da força mental. Mas até chegar lá esbarrou em muitas variáveis que podiam fazer tudo dar errado. Sem contar que é uma geração que não deve deixar legado para 2022. Porque há talento, sorte e muita fibra. Mas pouco trabalho e estrutura pensando a longo prazo. É a exceção à regra, como o Brasil da “Família Scolari” há 16 anos. Não pode ser referência para ninguém.


A França difícil de bater e ser batida está na final
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André Rocha

A única vitória francesa por mais de um gol até aqui na Copa do Mundo foi sobre o Uruguai nas quartas. Dois a zero graças à fantástica defesa de Lloris no primeiro tempo e à falha grotesca de Muslera na segunda etapa aceitando chute de Griezmann.

Sim, o placar de 4 a 3 contra a Argentina foi um tanto mentiroso. Na melhor atuação da equipe de Didier Deschamps, a seleção de Messi virou para 2 a 1 sem controle do jogo e marcou no final diminuindo para um gol a grande distância na bola jogada. Graças a Mbappé na grande atuação individual da Copa.

A França é essencialmente competitiva. O 4-2-3-1 com Matuidi como “ponta volante” pela esquerda deu liga contra o Peru e foi se assentando em um modelo de jogo sem grande controle através da posse. Organização defensiva e paciência para acelerar com Pogba conduzindo, Griezmann tocando rápido e fácil e Mbappé disparando.

Giroud é o pivô, o facilitador para os demais. Com força e estatura empurra a linha de defesa para trás e cria espaços às costas dos volantes. Se desloca e trabalha sem bola. Reforça o jogo aéreo. Chega à final sem gols, mas com utilidade.

A França não tem tanta fluidez e parece se preocupar mais com a organização ofensiva. Se movimenta pouco quando desce para não se descoordenar na volta. O espaço deixado por Matuidi só vem sendo aproveitado pelas descidas do lateral Lucas Hernández. Griezmann flutua pouco por ali, Mbappé também podia aparecer mais.

A antítese da Bélgica versátil, móvel e mutante. Sem o suspenso Meunier, Roberto Martínez colocou Dembele no meio-campo e posicionou Chadli pela direita, defendendo como lateral e atacando bem aberto. Do lado oposto, Vertonghen era lateral sem a bola e o zagueiro pela esquerda em um trio quando a equipe descia em bloco. Hazard abria o campo como ponta esquerda.

Em números, um 3-2-4-1 atacando e um 4-2-3-1 na recomposição que se movia de acordo com a perseguição de Fellaini a Pogba. A França respondia com Kanté ligado em De Bruyne partindo da direita, mas com liberdade.

Desta vez Lukaku foi centroavante. E sofreu contra a melhor zaga do Mundial na Rússia: Varane impecável na técnica e posicionamento e Umtiti implacável no vigor e na velocidade. Também no deslocamento e no movimento de ataque à bola para completar escanteio de Griezmann. De novo a bola parada decidindo.

Gol único e decisivo. Apesar da luta de Hazard e da pressão belga. A França negou espaços, mas não foi fulminante nos contragolpes. Com apenas 40% de posse, finalizou 19 vezes. Só cinco no alvo. Porque não cria chances cristalinas. Falta a jogada diferente com mais frequência. Há potencial, mas na prática acontece poucas vezes.

Também não cede. Os belgas rodaram a bola, mas a concentração defensiva dos Bleus permitiu apenas nove conclusões. Três na direção da meta de Lloris. Sofrimento só no início da semifinal em São Petersburgo e na pressão final, incluindo a defesa do arqueiro francês em chute de Witsel.

Beleza só no giro com calcanhar de Mbappé para o chute de Giroud. A França encarnou o papel da favorita pragmática que não quer desperdiçar a chance do título, o segundo da história. Depois do vice da Eurocopa em casa.

É time duro de bater no rival, mas ainda mais difícil de ser batido. Por isto está na final. A terceira da França nos últimos seis mundiais. Uma potência que merece respeito.

(Estatísticas: FIFA)


Plano “alemão” da Inglaterra impede clima de final antecipada do outro lado
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André Rocha

Inglaterra e Bélgica viveram um cenário único na fase de grupos da Copa do Mundo na Rússia. Eram favoritas destacadas contra Tunísia e Panamá e cumpriram a missão matematicamente com duas vitórias. O confronto da última rodada, no penúltimo dia de disputa, permitiu que se olhasse para os chaveamentos a partir das oitavas de final e projetasse um caminho no torneio.

O Grupo H não apresentava nenhum favorito destacado, até porque a cabeça de chave Polônia já estava eliminada. O resultado prático foi um duelo entre ingleses e belgas repleto de jogadores reservas. Compreensível pela oportunidade de rodar o grupo, descansar titulares e evitar suspensões. Mas a partida mostrou claramente que nenhum dos dois fazia muita questão de vencer.

O golaço de Januzaj deu a liderança com 100% de aproveitamento aos belgas. Para as oitavas, um duelo teoricamente mais tranquilo contra o Japão. Mas depois Portugal de Cristiano Ronaldo e os campeões Argentina, França, Uruguai e Brasil poderiam cruzar o caminho até a grande decisão.

Já para os ingleses a tarefa era mais complicada por enfrentar a Colômbia, líder do grupo e que chegou às quartas de final em 2014 com o artilheiro James Rodríguez. Se conseguisse a vaga nas quartas, porém, na sequências os possíveis adversários seriam Suíça, Suécia, Rússia, Croácia, Dinamarca e a Espanha como única campeã mundial e, em tese, favorita.

Ambas estão nas semifinais. Com sofrimento e desgaste, ainda que a Bélgica não tenha disputado prorrogação, enquanto a Inglaterra viveu um drama até a disputa por penalidades contra os colombianos. Nas quartas, como esperado, triunfo mais tranquilo sobre a Suécia por 2 a 0.

Confirmando a força do jogo físico e a eficiência nas jogadas aéreas. São cinco gols neste tipo de ação dos 11 marcados até aqui. Com os zagueiros Stones e Maguire aparecendo na área adversária aproveitando a estatura. Mas também iniciando a construção desde a defesa, auxiliando Henderson e fazendo a bola chegar a Trippier e Ashley Young, os alas do 5-3-2 inglês. Ou diretamente a Dele Alli, Lingard e Sterling. O trio que se movimenta com rapidez e intensidade em torno de Harry Kane, artilheiro da Copa com seis gols, mas também um centroavante que recua para trabalhar com os meias e abre espaços para as infiltrações dos companheiros.

Chegou como candidata ao título, mas no segundo pelotão. Agora está a um jogo da final que não disputa desde a conquista do título em 1966 como anfitriã. Pegando um “atalho” que lembrou o pragmatismo alemão. Em 1974, mesmo jogando em casa e contando com a fantástica geração de Maier, Beckenbauer, Overath e Gerd Muller, preferiu ser derrotada pela Alemanha Oriental, num duelo com vários significados naqueles tempos de Muro de Berlim. Tudo para fugir de um grupo com o então campeão Brasil, a Argentina e a sensação Holanda, o Carrossel de Rinus Michels e Cruyff. Na disputa em outro grupo com Polônia, Suécia e Iugoslávia se classificou para a grande decisão. Com mais moral e em jogo único e decisivo, a vitória por 2 a 1 sobre os holandeses e a festa em casa.

A Inglaterra disputa a semifinal como favorita não pela tradição, que contou bem pouco nesta edição da Copa. Mas principalmente por chegar mais inteira que a Croácia sofrida e exaurida por duas prorrogações e disputas de pênaltis contra Dinamarca e Rússia que exigiram demais física e mentalmente. A maneira de jogar da seleção de Gareth Southgate exige concentração e vigor do oponente e, mesmo com a experiência e a capacidade de controlar o tempo e o espaço de Modric e Rakitic, os croatas devem sofrer. E se vencerem mais este obstáculo chegarão fortalecidos demais à decisão.

Por isso tratar o duelo entre França e Bélgica como uma espécie de final antecipada por serem os sobreviventes de uma disputa entre gigantes parece um tanto irreal. Até pelo cenário imprevisível desta semifinal, que pode se definir apenas nos penais e exaurir as equipes para a decisão.

A ausência do suspenso Meunier certamente será sentida por Roberto Martínez, mas o treinador espanhol pode transformar o desfalque numa chance de novamente surpreender o adversário. Pode enviar Chadli para o lado direito, fazer Carrasco retornar à ala esquerda e voltar ao 3-4-3 da primeira fase ou simplesmente deslocar Alderweireld para a lateral e colocar Vermaelen na zaga ao lado de Kompany mantendo o 4-3-3 da vitória sobre o Brasil.

Outra dúvida é se manterá o posicionamento de Lukaku pela direita e De Bruyne como “falso nove” fazendo companhia a Hazard no tridente ofensivo sem participar do trabalho sem a bola e apostar tudo no talento e na capacidade de desequilibrar na frente. Mesmo defendendo com apenas sete homens, cedendo espaços e obrigando o fantástico goleiro Courtois a trabalhar.

Um risco diante de uma França que se encontrou no 4-2-3-1 com um “ponta volante” pela esquerda. Aliás, é a única dúvida de Didier Deschamps: mantém Tolisso, que cumpriu bela atuação nos 2 a 0 sobre o Uruguai, ou faz Matuidi retornar naturalmente depois da suspensão. Quem entrar será a “liga” entre a dupla Kanté e Pogba e os três jogadores mais adiantados.

A “exterminadora de sul-americanos” vem mostrando maturidade no Mundial. Com a “casca” da derrota em casa para Portugal na final da Eurocopa há dois anos. Contra os uruguaios aproveitou bem os erros do adversário para se impor. Com Giroud atuando mais coletivamente, como um elemento a prender a defesa adversária, fazer pivô e abrir espaços para Mbappé e Griezmann, os grandes destaques individuais da nova favorita ao título. Um perigo nesta edição da Copa do Mundo.

Teremos uma final inédita e europeia. Emblemática. E justamente pelo equilíbrio é que não se pode garantir nada. Apenas alguma vantagem física da Inglaterra. Que executou seu plano “alemão” e encarou um chaveamento menos exigente. Pelo desempenho coletivo e de nomes surpreendentes como Trippier e o goleiro Pickford vem sendo consistente. Mesmo acusada de simular faltas e escolher adversários, algo distante da imagem ligada à fidalguia e elegância. Ao fair play.

Desta vez o English Team quer ganhar ou chegar o mais longe possível. A Croácia que se prepare e franceses ou belgas não celebrem tanto assim o triunfo amanhã. A final será dura.


França não perdoa instabilidade dos sul-americanos. Uruguai foi o terceiro
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André Rocha

Primeiro foi o Peru, que jogou melhor na soma dos 90 minutos, mas pagou com a eliminação na fase de grupos pelo ataque “arame liso”. A Argentina alternou ritmos e humores, errou na formação inicial com Messi como “falso nove” e sem presença física no ataque. as fragilidades defensivas cobraram o preço contra Mbappé.

O Uruguai nitidamente entrou com a confiança abalada pela ausência de Cavani – no banco de reservas, mas claramente sem condições, tanto que não entrou em campo. Stuani entrou para dar o primeiro combate a Kanté e auxiliar o meio-campo na execução do 4-3-1-2 que Óscar Tabárez repetiu no duelo nas quartas-de final. Mas com Suárez muito isolado, praticamente sem chances contra Varane e Umtiti.

Jogo grande, três títulos mundiais em campo. A França também não estava tão confortável. Quanto maior a responsabilidade, mais temor de errar e, com isso, a perda da naturalidade em campo. Os franceses rodavam a bola, com Tolisso no lugar do suspenso Matuidi no mesmo 4-2-3-1 com um “ponta volante” pela esquerda. Mas arriscavam pouco.

58% de posse no primeiro tempo e 80% de efetividade nos passes. Mas a rigor o trabalho ofensivo se limitava a trocar passes, abrir no flanco e levantar na área procurando Giroud. Para variar, descomplicou na bola parada com Varane. Cáceres também foi preciso no golpe de cabeça do outro lado. A diferença foi a defesa portentosa de Lloris. A mais emblemática da Copa até aqui. Uma das quatro finalizações no alvo da Celeste num total de sete. Uma a mais que os Bleus. A única na direção de Muslera entrou.

Goleiro uruguaio que foi o personagem da segunda etapa. Ele e Griezmann. Primeiro uma tentativa de drible do goleiro que o atacante desarmou, mas a bola foi para a linha de fundo. Depois o frango que definiu a vaga nas semifinais com os 2 a 0. Sem precisar desta vez do brilho de Mbappé. Porque a França não tem perdoado a instabilidade dos sul-americanos na Rússia.

Não faltou suor, nem fibra. Mas erraram e oscilaram mais que os franceses. Se o Brasil passar pela Bélgica, a vice-campeã europeia só não enfrentará a Colômbia entre os classificados pela América do Sul. Uma coincidência que até aqui tem sido feliz para a seleção de Didier Deschamps.

(Estatísticas: Footstats)


Mbappé em tarde de Ronaldo Fenômeno encerra Era Messi na Argentina
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André Rocha

Podia ter sido bem mais tranquila a classificação francesa para as quartas de final. Mas o jogo parecia tão fácil e controlado depois do gol de pênalti de Griezmann pelos muitos problemas argentinos que a inteligência se transformou em acomodação, baixa intensidade.

Jorge Sampaoli – ou Mascherano ou Messi, como saber? – resolveu fazer uma mudança profunda na estrutura ofensiva da Albiceleste. Sacou Higuaín e abriu Pavón pela direita. Messi voltava a ser “falso nove”. Talvez para criar indefinição entre Kanté e os zagueiros Varane e Umtiti.

O problema era o entorno. O 4-3-3 com “falso nove” do Barcelona, desde Rinus Michels e Johan Cruyff nos anos 1970 e atualizado por Pep Guardiola, necessita de movimentos muito coordenados para funcionar na frente. Quando Messi atrai os zagueiros e circula às costas dos volantes, os ponteiros precisam infiltrar em diagonal. Ou um dos meio-campistas se apresentar na frente.

A Argentina avançava as linhas, rodava a bola, tocava, tocava…e ninguém na área francesa. Bola roubada, a estratégia da equipe de Didier Deschamps era clara: bola longa procurando Mbappé entrando entre Rojo e Tagliafico. Defensivamente, o 4-2-3-1 tinha novamente Matuidi como “ponta volante” pela esquerda, mais próximo de Kanté e Pogba negando espaços a Messi e dando liberdade a Griezmann para circular atrás de Giroud na referência.

França novamente no 4-2-3-1 com Matuidi como “ponta volante” pela esquerda dando liberdade e Griezmann e Mbappé. A mudança argentina para o 4-3-3 com Messi como “falso nove” não funcionou na prática, apesar dos gols de Di María e Mercado (Tactical Pad).

Cobrança de falta de Griezmann no travessão, o pênalti de Rojo em Mbappé que abriu o placar. Por um passo, a joia do PSG não sofreu outro em seguida. Como uma locomotiva, atropelando os defensores com velocidade espantosa. Na falta, a cobrança ruim de Pogba. Meio-campista talentoso, mas um tanto indolente sem a bola.

Jogo à feição para a França. Mas numa cobrança de lateral pela esquerda, Pogba ficou “marcando” ninguém e abriu um buraco na entrada da área, ampliado pelo recuo excessivo de Kanté e Matuidi para bloquear com os quatro defensores apenas três adversários. Liberdade para Di María e um chutaço de rara felicidade.

No golaço de Di María, sete franceses bloqueando apenas três argentinos, Pogba fora da imagem marcando ninguém pela direita e toda liberdade para o argentino acertar chute de rara felicidade (reprodução TV Globo).

Para fechar um primeiro tempo de 64% de posse praticamente inócua da Argentina. Três finalizações francesas, duas dos sul-americanos. Apenas uma para cada lado no alvo. Os gols. Saída para o intervalo com os argentinos aliviados e confiantes.

Mais ainda com o gol de virada, em chute de Messi que desviou em Mercado. Parecia que desmancharia mentalmente a França com muitos jovens, apesar de rodados e jogando em alto nível na Europa. Mas bastou voltar a atacar em bloco e com intensidade para os defeitos argentinos, mesmo com a entrada de Fazio no lugar de Rojo, inseguro e já com amarelo, voltarem a saltar aos olhos.

Primeiro na jogada dos contestados laterais franceses. Hernández aproveitou o corredor deixado por Matuidi e centrou para Pavard se antecipar a Di María, aproveitar o rebote e conseguir um chute mais feliz e belo que a “chicotada” do espanhol Nacho na estreia contra Portugal.

Confiança restabelecida, Mbappé entrou em ação novamente. Dois gols decisivos. Um de recurso para criar espaços dentro da área argentina e finalizar. Para resolver, o contragolpe rápido, a infiltração em diagonal e o chute preciso finalizando assistência de Giroud. Uma tarde para lembrar mais Ronaldo Fenômeno que Thierry Henry, com quem o garoto quase sempre é comparado em seu país.

No final, uma dura e irônica mostra para Sampaoli – ou Mascherano ou Messi, como saber? – que não deviam ter descartado o uso de um centroavante na área. Centro de Messi, gol de Aguero, que entrara na vaga de Enzo Pérez. E ainda um sufoco no final, com a França novamente acomodada. A ponto de tirar Mbappé para receber os aplausos ao ser substituído por Thauvin. Um 4 a 3 que podia ter sido com menos sustos para os Bleus.

Provavelmente é o fim da Era Messi na seleção em Copas do Mundo. Difícil ver o gênio do Barcelona com forças, física e mentalmente, para superar um novo ciclo para ir ao Qatar com praticamente 35 anos. O futebol lamenta que apenas em 2014 ele contou com uma seleção minimamente organizada que potencializasse seu talento. Fica também a crítica à falta de poder de decisão do camisa dez quando a seleção mais precisou. E neste Mundial foi difícil entender as decisões de Sampaoli e as raríssimas oportunidades para o talentoso Dybala. Muitos problemas para compensar. Nem Messi.

A França segue, agora com status de favorita depois de se impor num jogaço. Porque parece ter encontrado a melhor formação. Que potencializa seu maior talento emergente. Kylian Mbappé, 19 anos. Candidato a gênio, melhor do mundo na era pós Messi x Cristiano Ronaldo. Uma atuação fenomenal que definiu o maior confronto das oitavas de final na Rússia.

(Estatísticas: FIFA)

 


Peru eliminado jogando bem de novo, mas França parece encontrar o time
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André Rocha

O Peru de Ricardo Gareca não repetiu o domínio na estreia contra a Dinamarca, nem teve a bola do jogo como no pênalti desperdiçado por Cueva. Mas jogou bem novamente. 56% de posse, boas oportunidades, chute no travessão. Força pela direita com Advíncula e Carrillo. Mas das dez finalizações acertou apenas duas na direção da meta de Lloris.

É o problema de ter Paolo Guerrero. Artilheiro da seleção peruana, mas repete uma dificuldade que sempre o acompanhou na carreira: precisa finalizar muito para fazer gol. Em um jogo mais parelho complica. Pior foi perder a bola na pressão francesa logo após a perda. Pogba roubou, acionou Giroud e, no rebote de Gallese, gol de Mbappé.

Para consolidar o bom primeiro tempo francês. Ganhou consistência com as mudanças. Didier Deschamps desfez o 4-3-3 da estreia e montou um 4-2-3-1 com Giroud na referência e Matuidi executando uma função importante pelo posicionamento. “O ponta-volante”. Ou seja, o que Ramiro executa no Grêmio. Joga pelo lado, mas atua mais próximo da dupla de meio-campistas que dos seus companheiros do quarteto ofensivo.

A entrada deu o corredor para o lateral Hernández, que apareceu bem na frente em alguns momentos e desperdiçou boa oportunidade aparecendo no ataque. Também liberou a mobilidade de Mbappé e Griezmann em torno de Giroud. Arredondou o modelo de jogo com mais solidez atrás e verticalidade na frente. Com 44% de posse finalizou 12 vezes, metade no alvo. Destaque para os cinco desarmes, as duas interceptações e apenas dois passes errados em 46 de Kanté.

Sofreu na segunda etapa e não conseguiu melhorar a transição ofensiva com Dembelé e Fekir, que substituíram Mbappé e Griezmann. Mas passa também pelo volume de jogo do adversário. Algo a ser ajustado contra a Dinamarca já pensando nas oitavas de final. Ainda assim, fica a impressão de que Deschamps encontrou uma formação que pode e deve ser repetida mais vezes. Para enfim confirmar no campo a força da França no papel.

França no 4-2-3-1 com Giroud na frente e Matuidi como “ponta-volante” pela esquerda dando liberdade para Griezmann e Mbappé, abrindo o corredor para Hernández e fechando o setor forte do Peru com Advíncula e Carrillo. A seleção de Gareca novamente teve volume de jogo, mas perdeu chances e falhou atrás (Tactical Pad).

(Estatísticas: FIFA)

 


É preciso falar mais de Deschamps que da tecnologia na estreia da França
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André Rocha

O tema principal dos 2 a 1 da França sobre a Austrália na estreia em Cazã será o uso da tecnologia para auxiliar a arbitragem de Andres Cunha na marcação do pênalti que Griezmann sofreu e cobrou para abrir o placar através do VAR e do gol de Pogba, com a bola cruzando a linha da meta do goleiro Ryan.

Para este que escreve, decisões tão corretas quanto marcar o toque de mão sem sentido de Umtiti na área francesa. Jedinak empatou na cobrança de pênalti. Um prêmio àquela altura para a atuação australiana.

A equipe do holandês Bert Van Marwijk, treinador vice-campeã em 2010, mostrou que a ocupação física dos espaços corretos sem erros técnicos grosseiros pode causar muitos problemas para um adversário atuando no campo de ataque na condição de favorito. Jogo simples, duas linhas de quatro bem compactas.

Sofreu no início até ajustar o posicionamento e negar brechas para Dembelé, Griezmann e Mbappé. Três atacantes que dependem fundamentalmente dos espaços entre a defesa e o meio-campo do adversário. Por isso em suas equipes sempre precisaram de um centroavante ao lado para atrair a atenção da zaga. Aubameyang, Suárez, Diego Costa, Falcao García, Cavani…

Sem o “nove” é fundamental se movimentar, contar com passes verticais dos meio-campistas e laterais que abram o campo, esgarcem as linhas de marcação do oponente e busquem a linha de fundo. Tudo que Didier Deschamps não ofereceu a seus atacantes.

Pavard e Lucas Hernandez atacam menos que Sidibé e Mendy, reservas por não estarem no auge do desempenho físico. Kanté precisa estar em campo para roubar bolas por Pogba, talentoso mas pouco intenso e que sofre quando pressionam a marcação. Tolisso não é um armador.

O resultado prático é que depois de um início animador, os franceses foram sendo encaixotados pelo bom sistema de marcação liderados por Jedinak e Aaron Mooy na proteção da retaguarda. O gol de pênalti parecia descomplicar tudo, mas o empate australiano deixou tudo em suspenso.

Foi então que Deschamps resolveu mexer e mandou a campo Olivier Giroud. O pivô sem a técnica e a mobilidade de Griezmann, mas com a presença física e o trabalho de preparação para quem vem de trás. No recuo do centroavante, o passe para Pogba disputar a bola que bateu no travessão e cruzou a linha. O gol da vitória.

Fekir e Matuidi também saíram do banco, mas pouco contribuíram. A França venceu, mas sai da estreia com mais perguntas que respostas. Quem sai para encaixar Giroud? É possível escalar um meio sem Kanté com Pogba? Deschamps não parece ter as soluções para combinar melhor as características de seus jogadores para enfrentar equipes fechadas.

Dúvidas que são mais importantes para o futuro dos Bleus que o debate sobre o árbitro de vídeo que chegou para ficar.