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Liga Europa, vamos! Ao seu estilo, Mourinho volta a ganhar o continente
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André Rocha

Foto: Darren Staples, Reuters

O garoto-propaganda do patrocinador da Liga dos Campeões estará de volta ao maior torneio de clubes do planeta. Se não conseguiu a vaga para o Manchester United via Premier League, o título da Liga Europa aumenta a lista de taças conquistadas por José Mourinho.

No continente é a quarta, se juntando à antiga Copa da UEFA e às duas Champions Leagues, com Porto e Internazionale. Com os Red Devils, na primeira temporada, o terceiro título, se juntando às Supercopa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa.

Vitória sobre o Ajax em Estocolmo bem ao seu estilo. Diante de um time jovem e sem vivência em jogos grandes, aproveitou a pior faceta da atual escola holandesa: a falta de mobilidade e variações do tradicional 4-3-3 de manual.

Mourinho sabia que a fluência da equipe do treinador Peter Bosz partia do trio de meio-campistas acionando os ponteiros Traoré e Younes para buscar Dolberg, centroavante dinamarquês de 19 anos. A solução foi encaixar o 4-2-3-1 no engessado desenho tático do adversário.

Resultado: o meio-campo não jogou. Ander Herrera pegava Ziyech, Pobga grudava em Klaassen e Fellaini impedia a saída limpa do volante Schone. Os pontas Mata e Mkhitaryan acompanhavam os laterais Veltman e Riedewald, que não davam profundidade e Rashford dificultava a saída do zagueiro De Ligt.

Sobrava o zagueiro colombiano Davinson Sánchez, que entristeceria Johan Cruyff se ainda estivesse entre nós. Para este, o defensor é o primeiro construtor das jogadas. Sánchez conduzia a bola…e entregava ao adversário, que saía em transição rápida.

Assim o United controlou o jogo sem posse, com apenas 34%. A armadilha visava acelerar os contragolpes com o jovem Rashford e aproveitar a chegada forte pela direita de Valencia, descendo pelo corredor deixado pela movimentação de Mata.

No entanto, o gol saiu no vacilo de Klaassen, que deixou Pogba livre para bater de fora e contar com o desvio para deixar o jovem time holandês ainda mais tenso. Só Traoré saía do lado direito e buscava o centro ou a infiltração em diagonal para tentar quebrar a marcação na vitória pessoal.

O encaixe do 4-2-3-1 do Manchester United sobre o engessado 4-3-3 do Ajax que sofria na saída de bola com o zagueiro colombiano Sánchez. Bola roubada, contragolpe e eficiência nas finalizações (Tactical Pad).

O Ajax finalizou seis vezes contra quatro do United, mas apenas uma no alvo contra duas. Os números importantes dos primeiros 45 minutos, porém, foram os de bolas recuperadas: 32 da equipe inglesa contra 19 dos holandeses. Emblemático.

O caminho para o primeiro título da Liga Europa, a primeira taça internacional depois da saída de Alex Ferguson, foi pavimentado pelo gol de Mkhitaryan completando desvio de Smalling em mais uma falha defensiva do adversário. Na bola parada. Bosz tentou mexer com a marcação adversária, inclusive com o brasileiro David Neres. Um pouco mais de mobilidade, com Traoré circulando. Muito pouco.

O United deixou a marcação individual, compactou duas linhas de quatro com Herrera entre elas e deixou Lingard e Martial abertos para a saída dos contragolpes. Podia ter ampliado com Lingard, mas nem foi necessário. Valeu para Rooney sair do banco para substituir Mata, comemorar mais um título com a camisa do clube e levantar a taça como capitão.

Um mimo de Mourinho, campeão mais uma vez à sua maneira. O United terminou com 33% de posse e seis finalizações contra 15 do Ajax. Eficiência com quatro na direção da meta de André Onana e apenas duas que deram trabalho ao goleiro Romero.

Assim como o cãozinho Salsicha, a Liga Europa também vai com José Mourinho. Título importante para afirmar o português no comando do maior campeão inglês. Apesar dos problemas, em especial o sentido desfalque de Ibrahimovic, que celebrou de muletas em sua Estocolmo. Para amenizar a dor da tragédia em Manchester.

Na próxima temporada, Mourinho voltará a sentir o gostinho de “Match Day” na UEFA Champions League. Não só na propaganda.

(Estatísticas: UEFA)


Real Madrid campeão! A revolução de simplicidade e discrição de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane assumiu o Real Madrid no início de 2016, salvando a pele de Florentino Pérez, que emendou duas decisões para lá de controversas: demitir Carlo Ancelotti mais pela frustração de ver o Barcelona faturar a tríplice coroa do que propriamente por uma avaliação do trabalho do treinador italiano que comandou o time que conquistou a sonhada “La Decima”.

Pior ainda foi trazer Rafa Benítez, em baixa na carreira, para liderar seu elenco estelar. Não podia dar certo, até por não se identificar com o clube e ter a petulância de tentar ensinar jogadores como Cristiano Ronaldo e Toni Kroos a bater na bola, se intrometendo até nos gestos técnicos dos atletas.

Algo que Zidane, um dos maiores e mais técnicos jogadores da história, poderia se aventurar a impor. Pelo contrário. Transmitiu confiança, usou o respeito que desperta sem fazer força para deixar o ambiente mais leve, trouxe as lideranças para perto. Na gestão do grupo, também manteve todos motivados, mudou de patamar jogadores como Lucas Vázquez. Investiu no condicionamento físico.

Na parte tática e estratégica, começou resgatando as ideias de Ancelotti, de quem era auxiliar. Variação do 4-3-3 para o 4-4-2 sem a bola. Com a má fase de James Rodríguez e a dificuldade de encontrar o meia para atacar centralizado, na articulação, e voltar pela esquerda, além dos problemas defensivos, fez o simples mais uma vez: plantou Casemiro na proteção da defesa e deu liberdade a Kroos.

Trabalhando jogo a jogo, descansando quem precisava e valorizando os substitutos sem lamentar as ausências foi arrumando a casa. Realista, jogou a toalha na liga na derrota para o Atlético de Madrid no Santiago Bernabéu. Paradoxalmente, o foco na Champions e a sensação de “o que vier é lucro” ajudou a construir um retrospecto de 12 vitórias seguidas, inclusive os 2 a 1 sobre o Barcelona no Camp Nou.

Campanha que manteve a confiança alta e ajudou a pavimentar o 11º título da Liga dos Campeões. Conquista que pode ser atribuída um tanto à sorte por conta dos cruzamentos menos complicados que os rivais e superar o Atlético novamente, desta vez nos pênaltis. Sem muito brilho, mas fazendo história.

Para a temporada 2016/17, o aprimoramento das virtudes: elenco mais forte, com Morata e Asensio formando uma equipe reserva capaz de manter a competitividade enquanto descansa os titulares. E atento ao desempenho para fazer ajustes por meritocracia.

Isco foi o beneficiado pelo senso de justiça na reta final. Voando nas vitórias dos reservas e entrando bem quando solicitado, virou titular na vaga de Bale, em uma nova alteração tática. Do 4-3-3 para o 4-3-1-2, com o meia atuando como “enganche” à frente de Modric e Kroos e deixando Cristiano Ronaldo praticamente como um atacante próximo à área adversária, com liberdade de movimentação.

Poupado em nove partidas na liga, o português estava pronto para ser decisivo na reta final do campeonato nacional e do torneio continental. Se antes o genial finalizador tentava duelar com Messi nos números, agora entendeu que as taças são mais importantes que as bolas na rede. Até porque ele sempre será o artilheiro e a estrela da equipe, mesmo sem jogar todas.

O resultado prático é uma campanha memorável no Espanhol: 29 vitórias, seis empates, apenas três derrotas. 82% de aproveitamento. O ataque mais positivo e a defesa menos vazada são do Barcelona. Mas nos pontos foi soberano durante toda a liga.

Futebol prático e simples, respeitando as características dos jogadores. Os laterais Carvajal e Marcelo abrem o campo, ainda que o brasileiro infiltre muito por dentro, quase como meia. O meio-campo marca e joga, com Kroos e Modric alternando passes longos e curtos e qualificando a saída desde a defesa auxiliando Casemiro. Na frente, o trabalho de coadjuvante de Benzema e o poder de decisão de Cristiano Ronaldo. Se necessário, há a qualidade na reposição para manter desempenho e a média na conquista de pontos.

Um time “camaleão”, que joga com posse de bola ou nas transições velozes, sem deixar de valorizar o momento das jogadas aéreas com bola parada. Algo lógico quando se tem a precisão de Kroos e a fantástica presença na área adversária do já lendário Sergio Ramos.

Acima de tudo, respeitando a história do clube. Porque o torcedor madridista não quer exatamente espetáculo. Exige vitórias, mas que de preferência sejam construídas com futebol ofensivo e liberdade para os craques “galácticos” contratados a peso de ouro colocarem o talento a serviço da equipe. Sem amarras táticas. Com mentalidade vencedora.

Título confirmado fora de casa nos 2 a 0 sobre o Málaga. Um gol de Cristiano Ronaldo em contragolpe letal, outro de Benzema na bola parada sempre tão eficiente. Mais simbólico, impossível. Completando 64 partidas consecutivas fazendo gols. Pela primeira vez com campanha mais efetiva em pontos fora de casa do que no Bernabéu: 47 x 46.

Nada muito inovador, embora moderno. Zidane respeita as características e as qualidades dos jogadores. Não tenta ser a estrela mais reluzente e midiática. Valoriza o jogo, o futebol em todas as suas vertentes. Se Zidane revolucionou o Real Madrid, foi pela discrição e simplicidade.

Agora parte para o ato final e mais importante: nova final de Champions, desta vez contra a Juventus em Cardiff. Decisão sem favoritos, até pelo tempo que ambos terão para se preparar e com a confiança das ligas conquistadas. Agora com o Real enfrentando os cruzamentos mais complicados: Napoli, Bayern de Munique e Atlético de Madrid.

A Juventus tem mais “fome”, já que o título europeu não vem desde 1996. Já o Real carrega a “casca” de uma base que disputou duas finais recentes. Se vier a décima segunda, todos os holofotes estarão sobre Cristiano Ronaldo e sua quinta Bola de Ouro.

No banco, aplaudindo os protagonistas, o grande mentor. O Zidane que em campo fazia tudo parecer tão trivial e agora, na beira do gramado, trabalha com o mesmo semblante tranquilo de quem sabe o que quer.


Pimpão é o símbolo do Botafogo no limite, mas classificado
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André Rocha

Botafogo novamente no 4-3-1-2 variando para as duas linhas de quatro que sacrifica Pimpão pela esquerda, mas é forte nos contragolpes exatamente com a referência de velocidade. Faltou contundência ao Atlético Nacional que rondou a área adversária e forçou pelos flancos com Quiñonez e Ibargüen (Tactical Pad).

A pré-temporada apressada e intensa para quem precisa passar pelas fases iniciais da Libertadores sempre cobra o preço em algum momento do ano. Precisa ser competitivo muito rapidamente e tem jogos duríssimos no momento em que o ideal é ganhar força gradativamente.

O Botafogo foi de entrega total diante de Colo Colo e Olimpia. Depois um grupo duro, com o atual campeão Atlético Nacional, mais Estudiantes e Barcelona de Guayaquil. Sem respiro.

Natural oscilar em desempenho. Quando tentou propor jogo se complicou no Engenhão contra o Barcelona. Era preciso vencer para não ter que pontuar na rodada final contra os argentinos. O desafio era encarar o time colombiano em recuperação, de bela atuação na volta da decisão da Recopa Sul-Americana atropelando a Chapecoense.

Era preciso sacrifício. E jogar no limite é com Rodrigo Pimpão. No 4-3-1-2 armado por Jair Ventura, é o atacante de velocidade com piques seguidos. Só que também precisa voltar pela esquerda para compor a segunda linha do 4-4-2 que é a variação tática para bloquear os flancos.

Primeiro tempo sofrido. Gol perdido por Roger em contragolpe puxado por Pimpão logo no início. Atlético Nacional no habitual 4-2-3-1 que dá liberdade a Macnelly Torres na articulação e força pelos flancos, desta vez com Quiñonez e Ibargüen.

60% de posse, sete finalizações a cinco de quem precisava dos três pontos para sobreviver. O Botafogo tentava controlar o jogo sem a bola para acelerar a transição ofensiva. Mas pecava nos passes. Muitas bolas longas e inversões. Ficou menos com a bola e errou mais: 23 a 20.

Quando trabalhou no chão com passe mais curto que permitiu descer em bloco, Lindoso encontrou Pimpão em seu primeiro deslocamento saindo do lado esquerdo. Arranque e finalização precisa. O quarto no torneio continental.

O gol no início da segunda etapa para afirmar a maneira de jogar e minar as forças dos colombianos, que seguiram insistindo pelos lados, mas sem contundência. Até pela atuação impecável do jovem zagueiro Igor Rabello. Reinaldo Rueda arriscou um 4-4-2 com o atacante Luis Carlos Ruiz na vaga do volante Aldo. Jair respondeu com velocidade: Guilherme no lugar de Roger.

Mas sem poupar as energias de Pimpão, que seguia indo e voltando pela esquerda. Até sair exausto para entrar Gilson. Guilherme perdeu a chance de ampliar, assim como Carli desviando cobrança de escanteio. Foram 12 finalizações, uma a menos que os visitantes. Nada menos que 23 desarmes certos contra dez. Seguiu errando mais passes, porém compensou com fibra e a eficiência na conclusão.

O símbolo de todas as virtudes é Pimpão. Deixando 100% no campo. O prêmio veio em forma de vaga nas oitavas-de-final na Libertadores. A competição mais importante que foi priorizada. Desde o início, com todos os sacrifícios. Um exemplo.

(Estatísticas: Footstats)


A incrível capacidade do Flamengo de passar vergonha na Libertadores
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André Rocha

Aconteceu de novo. Em 2007 e 2008, eliminações vexatórias nas oitavas-de-final. Contra o Defensor pela fragilidade do time uruguaio, apesar da terrível arbitragem de Hector Baldassi no Maracanã. No ano seguinte, o provincianismo patético de usar um jogo eliminatório de Libertadores para comemorar título estadual e se despedir de Joel Santana. Cabañas não perdoou.

Em 2012 e 2014, nem isso. Despedidas ainda na fase de grupos, com adversários acessíveis. Sempre fraquejando em jogos decisivos. Exceto em 2012, o Fla foi campeão estadual. Como nesta temporada.

Entre as nove combinações de resultados, apenas uma eliminava o então líder do Grupo 4. Exatamente a vitória do Atlético Paranaense no Chile sobre a Universidad Católica e a derrota em Buenos Aires para o redivivo San Lorenzo.

Aconteceu pela fé inabalável do time argentino, que teve 58% de posse, efetuou 50 cruzamentos e finalizou 13 vezes. Empatou com gol do zagueiro Angeleri, virou no ataque derradeiro com Belluschi. No “abafa” que só conseguira impor no início do jogo. Depois o Fla controlou sem posse de bola, fechando os espaços.

Abriu o placar com Rodinei. Com o gol de Santiago Silva em Santiago, tudo parecia sereno. Até entrar em campo o maior pecado rubro-negro na temporada, ou desde o ano passado: a fragilidade ofensiva.

A maior contratação para o ataque, Orlando Berrío, foi um enorme erro de avaliação de diretoria e comissão técnica. Porque não é driblador, nem finalizador como desejava o clube. Pior: tropeça na bola, comete erros técnicos grosseiros e não consegue levar vantagem no um contra um. Desperdiçou contragolpes simples. Assim como Everton, Gabriel. Antes Cirino…

Por último, Matheus Sávio, que entrou na vaga de Gabriel e foi frágil nas divididas nos lances dos dois gols. O jogo ficou grande demais para o jovem da base. Uma prova de que o elenco tem carências e desta vez a organização e a concentração defensiva não compensaram.

Zé Ricardo foi corajoso na formação inicial, mas a entrada de Romulo também foi profundamente infeliz. A troca de Everton por Juan um recado a Diego Aguirre que o Flamengo temia o que só não aconteceu um minuto antes por causa de uma grande defesa de Muralha em cabeçada de Caruzzo.

Mas no lance final foi inevitável. Com a virada atleticana por 3 a 2 com o gol do heroi improvável Carlos Alberto veio a punição ao clube que novamente superdimensionou um título estadual, desgastou o elenco na competição que não era prioritária.

San Lorenzo e Atlético conseguiram vencer fora de seus domínios. O Flamengo somou os nove pontos disputados no Maracanã. Não foi suficiente. Em 2017, porém, não foi o pecado capital. Sem qualidade para transformar oportunidades em gols, o Flamengo que podia ter chegado a Buenos Aires classificado ficou sujeito às aleatoriedades no futebol.

E, claro, à sua incrível capacidade de passar vergonha na Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


O ponto em comum entre Pep Guardiola e a seleção brasileira de 1982
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André Rocha

Foto: Reprodução ESPN Brasil

Em entrevista ao repórter João Castelo-Branco, da ESPN Brasil, Pep Guardiola mostrou-se feliz e honrado, até emocionado, ao ser informado que, na gravação de um documentário sobre os 35 anos da derrota da seleção brasileira para a Itália em 1982, todos os jogadores daquela geração afirmaram que veem no futebol atual as equipes do treinador catalão com algo do time comandado por Telê Santana.

“É, provavelmente, o maior título que um treinador pode conquistar. As pessoas estão muito enganadas em pensar que só é título quando se ergue a taça. Não há coisa mais bonita que ver que uma geração de jogadores que jogou bola como esse Brasil de 1982 pode dizer coisas boas de uma pessoa ou dos times que ela treinou”, afirmou Pep em entrevista exclusiva.

No entanto, ao ser questionado duas vezes pelo entrevistador se aquele time foi uma influência na maneira de armar suas equipes, novamente foi político ao elogiar e concordar sobre o impacto que ela lhe causou, mas sem citá-la como referência em tática, estratégica ou modelo de jogo.

Impressão que vai ao encontro do que disse Martí Perarnau, autor dos livros “Guardiola Confidencial” e “A Metamorfose”, quando perguntado por este blogueiro se Guardiola tinha a escola brasileira como modelo:

“É verdade que depois de dois anos seguidos conversando com Guardiola sobre todo tipo de futebol, nunca houve um comentário de que o Brasil fosse uma referência tática para ele. Conversamos, sim, sobre aquela maravilhosa seleção de 1982, mas da mesma forma que qualquer um faz: aquela maravilha de Sócrates e companhia, uma pena que perdessem pelo que significou aquela derrota depois. Nada mais do que isso.”

De fato, basta uma pesquisa em entrevistas do treinador para perceber que suas referências são Marcelo Bielsa, Van Gaal, César Luis Menotti, Arrigo Sacchi, Juan Manuel Lillo e Johan Cruyff.

Mas é na Holanda que se encontra o ponto de encontro entre o Brasil de 1982 e Pep Guardiola: Rinus Michels e a sua seleção vice-campeã da Copa na Alemanha em 1974.

Porque Guardiola foi jogador de Cruyff no “Dream Team” do Barcelona no início dos 1990. Sempre teve o treinador como mestre. A maioria de suas ideias e de seus conceitos vêm da escola holandesa: pressão, movimentação, busca da superioridade numérica, qualidade na saída de bola e triangulações.

As mesmas que influenciaram Telê Santana em 1982. Pouco antes do início da segunda fase da Copa do Mundo contra Argentina e Itália, o treinador afirmou em entrevista ao Jornal do Brasil: “Temos um toque de bola e deslocamentos que desnorteiam os adversários, como a Holanda fez em 1974. Mas temos, acima de tudo, o que eles não tinham: a malícia, o toque perfeito e principalmente a criatividade”.

Não era raro ver a seleção brasileira no Mundial da Espanha fazendo pressão no campo adversário, recuando Falcão para qualificar ainda mais a saída desde a defesa e com muitos deslocamentos. A opção de Telê por não ter um ponta pela direita criou um problema defensivo que não foi corrigido – e o primeiro gol de Paolo Rossi no Sarriá deixa isso bem claro.

Por outro lado, nos jogos contra Argentina e Itália, a movimentação de Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico pelo setor renderam três dos cinco gols marcados. Primeiro Zico lançando, Falcão infiltrando como ponta e cruzando para Serginho marcar o segundo nos 3 a 1 sobre a Argentina. Diante da Itália, Zico limpou Gentile e lançou Sócrates às costas de Cabrini no primeiro; Falcão recebe, Cerezo passa como lateral, o meio-campista da Roma corta para dentro e marca um dos mais belos e emocionantes gols da história das Copas.

Sem contar as tabelas e triangulações em todo o campo. Com Éder aberto pela esquerda e Junior apoiando por dentro. O mesmo com Leandro do lado oposto com qualquer um do “quadrado mágico” no meio-campo que, na prática, formava um 4-2-3-1 meio “torto”, já que Éder era um ponteiro que recuava bastante para participar da articulação das jogadas. Futebol moderno dentro do contexto da época.

Mas perdeu. Para a Itália comandada por Enzo Bearzot, que também via influência da vice-campeã mundial de 1974 no time canarinho: “O futebol dos brasileiros está cada vez mais se aperfeiçoando. Parece a Holanda, com todos os jogadores trabalhando para o conjunto, sem destaque individual”, exaltou o treinador.

A última grande revolução do futebol mundial. O time de Rinus Michels comandado em campo por Cruyff. Com Krol, Neeskens, Van Hanegem, Rep e Rensenbrink. Do “arrastão” com dez jogadores correndo na direção do adversário com a bola. Da “pelada organizada”, como definiu João Saldanha pelo fato dos jogadores não atuarem fixos em suas posições. Craques técnicos e táticos, executando múltiplas funções.

O maior deles, Johan Cruyff, modelo para Guardiola. Treinado por Michels, exemplo para Telê. Eis a interseção, a conexão. Mais que isso, só a arrogância de ter certeza que tudo de bom que se faz no futebol mundial em todos os tempos foi invenção nossa.

Não foi, não é. Guardiola quer brasileiros no seu ataque para desequilibrar: pediu Neymar no Barcelona, levou Douglas Costa para o Bayern de Munique e hoje cobre Gabriel Jesus de elogios. Mas quer todo esse talento no último terço do campo.

Os alicerces de seu jogo vêm de outros pontos do mundo. Porque não se joga bola só por essas terras. Por mais que o Brasil de 1982 seja uma deliciosa lembrança.

 


Semifinal confirma: Real Madrid é maior porque o Atlético se apequena
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André Rocha

A impressão mais forte do jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões no Vicente Calderón é de que Simeone e seus jogadores planejaram e executaram uma pressão inicial para tentar descontar a desvantagem de três gols, mas não contavam com duas bolas na rede em 16 minutos.

Primeiro Saúl Ñíguez na jogada aérea, depois Griezmann cobrando (mal) o pênalti de Varane sobre Fernando Torres. Era hora de incendiar o estádio e aproveitar o rival tonto para igualar o confronto ainda no primeiro tempo.

O resultado prático foi o Atlético de Madri repetindo a estratégia que deu tão errado no Bernabéu: recolheu a equipe, compactou as duas linhas de quatro, marcou com Griezmann e Torres no próprio campo e aceitou a posse do time merengue sem adiantar mais a marcação.

Para piorar, a postura juvenil da retaguarda, quase sempre tão sólida e intensa no combate, permitindo a jogada individual pela esquerda de Benzema, que serviu Kroos e, no rebote do chute do meia alemão, o gol de Isco. Novamente o elo entre o trio de meio-campistas e a dupla de ataque num 4-3-1-2.

A disputa acabou ali. A massa manteve o apoio, mas sem pulsar, sem ferver. Para quem precisava atacar e criar, os 70% de aproveitamento nos passes dificultavam o domínio para buscar outros três gols. E o paradoxo: o Atlético cometeu 23 faltas contra sete do Real. Mas quando foi preciso parar Benzema, Giménez, Savic e Godín falharam.

Letal. Porque o Real Madrid é o maior da capital também pelo apequenamento do rival em momentos decisivos. Duas finais, mais duas eliminações. Em todas a camisa pesou. Algo que parece lenda, mas se manifesta em momentos como o gol de Sergio Ramos no ato final no estádio da Luz em 2014, na chance desperdiçada pelo time de Simeone de definir em 120 minutos no Giuseppe Meazza, dois anos depois. Fora o pênalti perdido por Griezmann.

Desta vez, na sequência do segundo gol. Se havia uma chance, era a de nocautear um oponente vivido e vencedor, mas assustado na casa do rival. Os colchoneros falharam mais uma vez.

O Real Madrid está na final para buscar a 12ª taça, o primeiro bicampeonato europeu depois do Milan 1989-90. Em Cardiff, jogo único e a tensão comum em finais, a experiência recente da maioria dos comandados de Zidane pode pesar. A tradição também.

Mas a Juventus parece mais concentrada e equilibrada em seu modelo de jogo. Sem contar a trajetória com mais folga na liga italiana para confirmar o hexa, enquanto o Real tem um Barcelona no retrovisor e a pressão de voltar a ser campeão espanhol depois de cinco anos.

Pode fazer diferença. Mas é uma decisão muito igual. Talvez definida nos pênaltis mais uma vez. Que três de junho chegue logo!

 


A Juventus está pronta para tudo. Um timaço na acepção da palavra
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André Rocha

Foi difícil entender a opção de Leonardo Jardim por espelhar o sistema com três zagueiros da Juventus, deixando Fabinho e Lemar, pilares do meio-campo, no banco. O Monaco perdeu volume de jogo e presença ofensiva no primeiro tempo. Bernardo foi o mais prejudicado, isolado na articulação.

Melhor para o time italiano em sua arena, que novamente variou o desenho tático de acordo com os movimentos de Daniel Alves e Barzagli pela direita. Com a vantagem de dois gols, permitiu que o adversário tivesse a posse, mas controlou o jogo e criou as oportunidades mais claras.

Gol de Mandzukic em jogada bem trabalhada iniciada com um contragolpe. O centroavante típico de 30 anos que fecha o setor esquerdo na segunda linha, à frente de Alex Sandro e ainda infiltra em diagonal na velocidade para finalizar e se juntar a Higuaín.

Tão surreal quanto a fase de Daniel Alves. De novo foi lateral, meia e ponta. Colocou no bolso o ótimo Mendy, transformado em ala por Jardim. Passador na jogada do primeiro gol. Também finalizador preciso em um golaço no rebote que praticamente sacramentou a classificação para a final da Liga dos Campeões, contra Real Madrid ou Atlético de Madri.

Mesmo com o segundo tempo mais que digno do time francês. Com Fabinho e Lemar em campo. Com Mbappé, jovem candidato a gênio, tirando o lacre do sistema defensivo da Vecchia Signora no mata-mata. Mantendo superioridade na posse e aumentando o número de finalizações.

Mas não havia o que fazer. Porque a Juventus de Massimiliano Allegri tem um nível de concentração absurdo na execução de seu modelo de jogo complexo e completo, que sabe variar posse de bola e jogo em transição, na velocidade. De solidez impressionante, que sabe exatamente o que quer em todos os momentos.

Um timaço na acepção da palavra que irá a Cardiff no dia 3 de junho para buscar o título que não vem desde 1996. Venha quem vier. Coletivamente e na força mental, nunca pareceu tão pronto.


Flamengo passa com louvor por seu “batismo de fogo” na Libertadores
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André Rocha

O futebol é dinâmico. O Botafogo, que conseguiu sua classificação para a fase de grupos da Libertadores em duas etapas, foi considerado um time com vantagem por ter passado por disputas eliminatórias bem duras.

Mas no momento de confirmar a classificação no Grupo 1, hesitou no Engenhão contra o Barcelona de Guayaquil. A derrota por 2 a 0 não é nenhuma tragédia, mas abalou a imagem de time sólido mentalmente e fortíssimo em casa.

Já o Flamengo vem sendo consistente em desempenho dentro de casa e fora. Mas só pontua no Maracanã. A terceira partida com estádio lotado, porém, era decisiva. Com os surpreendentes 3 a 0 do San Lorenzo sobre o Atlético Paranaense na Arena da Baixada, não conseguir os três pontos significaria levar a decisão para a última rodada exatamente contra os argentinos. Fora de casa.

Foi o “batismo de fogo” do Flamengo, que nas últimas edições do torneio continental costumava se complicar em jogos com estas características. Também se dispersava quando as partidas se alternavam com decisões estaduais, priorizando a disputa regional.

Não desta vez. Torcida e time sintonizados no clima de final. Cientes da dificuldade diante da Universidad Católica que era organizada no 4-2-3-1 e com bons valores individuais, como Fuenzalida, Buonanotte, Kalinski. Mais Santiago “El Taque” Silva na frente.

Cabia ao Flamengo atacar com paciência e sem perder a concentração defensiva, grande virtude na vitória sobre o Fluminense na primeira final estadual. No primeiro tempo, alguma afobação e um dilema na execução do 4-1-4-1 proposto por Zé Ricardo: Guerrero era o único jogador capaz de um passe diferente quando recuava para articular. Mas também é o finalizador mais eficiente do quinteto ofensivo.

Sacrificado, o peruano não se escondeu. Pelo contrário. Das 23 finalizações, tentou nada menos que 13. Na primeira etapa, porém, a única oportunidade cristalina foi completando passe de Willian Arão e chutou em cima do goleiro Toselli. A mais clara, no entanto, foi de Fuenzalida infiltrando livre entre Rafael Vaz e Trauco.

No segundo tempo, a surpresa com Rodinei na vaga do apagado Mancuello, que desta vez não tem desculpa pelo mau rendimento. Foi escalado na função para a qual foi contratado no início de 2016 e não deu sequência às jogadas.

Com cinco minutos, golaço de canhota do lateral reserva transformado em ponteiro. Rodinei seguiu voando pela direita, fazendo dupla com Pará. Gabriel, centralizado, mesmo com todas as suas limitações, confundiu a marcação adversária circulando às costas dos volantes. Mas novamente faltou contundência para matar o jogo.

Pagou com a única finalização de Santiago Silva no jogo. Cabeceando entre Rever e Vaz. Em três conclusões do centroavante nas duas partidas entre as equipes, dois gols. Silêncio no Maracanã, massa preocupada, time tenso.

Entrou em cena Guerrero, para marcar exatamente na finalização mais complicada: com o marcador em cima, o chute cruzado entre as pernas do defensor e no canto de Toselli. Depois de onze tentativas. Haveria mais uma, no final, bloqueada.

Mas a vitória a esta altura já estava definida pelo gol de Trauco. Lateral que virou meia de novo, com a entrada de Renê no lugar de Gabriel. Mas centralizado, porque aparentava cansaço e Everton seguiu recompondo no setor esquerdo que a Católica atacava seguidamente.

Gol de perseverança, na sequência de chutes que podia ter virado um passe para Arão livre. Mas a conclusão de direita entrou e resolveu a questão da penúltima rodada. Não garante a classificação e envolve até um certo risco, já que a derrota na Argentina combinada com a vitória atleticana no Chile elimina o time carioca.

A rigor, um time que finalizou 40 vezes no campeonato, média de oito por jogo, já deveria estar com a vaga garantida, 100% de aproveitamento. Ainda falta contundência, que pode fazer falta mais à frente na temporada.

Mas valeu pela liderança do Grupo 4 e, principalmente, por seu simbolismo. Por não se entregar nem se desesperar depois do empate. Por manter o foco na competição que é prioridade em 2017.

Pelas mudanças do treinador que, mesmo questionáveis para quem não entende a diferença entre posição e função, deram certo na prática. Sem Diego, Donatti, Romulo e Berrío. Fora Conca. Com bela atuação de Marcio Araújo na proteção da retaguarda.

Na prova mais difícil até aqui, o Flamengo passou com louvor.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Juventus, o time de verdade que o Monaco ainda não tinha enfrentado
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André Rocha

O jovem e ofensivo Monaco encanta na temporada europeia pela volúpia ofensiva, o estilo leve e solto nas duas linhas de quatro que se transformam num 4-2-2-2 à brasileira quando os meias Bernardo Silva e Lemar ganham liberdade para criar por dentro.

A equipe de Leonardo Jardim tem todos os méritos por voltar a uma semifinal de Liga dos Campeões depois de 13 anos. Mas, a rigor, tinha enfrentado até aqui no mata-mata do torneio continental dois times jovens, que também têm seus momentos de encanto. Mas oscilam demais.

Só que o Manchester City de Pep Guardiola pecou pela irregularidade e pelos gols perdidos de Kun Aguero e o Borussia Dortmund, no mundo ideal e alheio ao “the show must go on”, não podia ter encarado partida decisiva um dia depois de sofrer o atentado que mandou seu zagueiro Bartra para o hospital. Não há força mental que resista.

Concentração foi exatamente a arma da Juventus no jogo de ida. Alternando o 5-3-2 com as duas linhas de quatro e Dybala se aproximando de Higuaín. Com Daniel Alves sendo lateral, meia e ponta. Também o assistente que consagrou Messi no Barcelona. Desta vez, dois passes espetaculares para Higuaín enfim ser decisivo na reta final da Liga dos Campeões.

O trio Barzagli-Bonucci-Chiellini teve algum trabalho com Falcão e Mbappé, mas quando foram superados havia Buffon pela frente. Explica muito os míseros dois gols sofridos pela Juve na Champions. Nenhum no mata-mata.

Mas não só. Coletivamente é fortíssima. Com e sem a bola. Melhor exemplo é a jogada construída desde a defesa no primeiro gol até a assistência de calcanhar de Daniel Alves para o argentino que se atrapalhou em dois lances grotescos. Mas decidiu.

Mesmo. É praticamente impossível o Monaco reverter em Turim. Só não é 100% porque estamos falando de futebol. E de um Monaco que marcou 95 gols em 34 partidas na liga francesa. Mas desta vez enfrentou um time de verdade. Sólido, vivido, consciente. Envolvente e quase intransponível.

Se não houver nenhuma aberração na volta, que final teremos em Cardiff entre Real Madrid e Juventus!

 


Melhor atuação coletiva do Real Madrid, um presente para Cristiano Ronaldo
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André Rocha

Os primeiros 30 minutos da primeira semifinal da Liga dos Campeões no Bernabéu apresentaram o que se espera de eficiência e beleza do Real Madrid desde que Zinedine Zidane assumiu e armou uma equipe competitiva, porém sem brilho.

Atuação consistente que passa fundamentalmente pela movimentação de Isco na ponta do losango do 4-3-1-2 que surpreendeu Simeone e seu Atlético de Madrid. O meia circulava entre as duas linhas de quatro e ninguém sabia como parar.

O desequilíbrio no meio, com superioridade numérica em vários momentos de quatro homens contra dois, produziu um volume de jogo impressionante. Foram nada menos que dez finalizações e 66% de posse de bola. Podia ter saído, pelo menos, mais dois gols além do marcado por Cristiano Ronaldo completando centro de Casemiro.

Até o final da primeira etapa, o time de Zidane finalizou mais uma vez. Seis na direção da meta de Oblak. Contra uma dos colchoneros, para fora. Depois do gol sofrido o Atlético nitidamente se desmanchou mentalmente. Depois de três vitórias e um empate na casa do rival. Deu espaços generosos, o que não é comum, e praticamente não atacou. Gameiro cumpriu atuação pluripatética.

Real Madrid no 4-3-1-2 com Isco circulando entre as linhas de quatro do Atlético. Superioridade numérica no meio-campo fez o time de Zidane construir volume de jogo impressionante, principalmente nos primeiros 30 minutos (Tactical Pad).

Disputa mais equilibrada na segunda etapa, com o Real guardando mais o setor direito, que tinha Nacho na vaga de Carvajal, que saiu lesionado no intervalo. A equipe merengue esperava o momento para matar o jogo diante de um Atlético mais agressivo com Fernando Torres e Nico Gaitán na frente.

Isco cansou e Zidane mandou a campo Asensio, voltando para compor no meio, mas atacando em velocidade pela esquerda, para cima do frágil Lucas Hernández, o substituto de Juanfran. O Real recuperou volume e o rival voltou a murchar.

Time colchonero equilibrou um pouco as ações no segundo tempo com Gaitán e Fernando Torres. Mas Zidane foi preciso na entrada de Asensio no lugar de Isco. Acelerando os contragolpes pela esquerda e fechando espaços pelo meio, ajudou o time a se impor no final e matar o jogo – e provavelmente o confronto pela semifinal da Champions – com mais dois gols de Cristiano Ronaldo (Tactical Pad).

Mortal contra o maior finalizador da história. Mais dois de Cristiano Ronaldo. Era possível prever o gol quando o português dominou a bola antes de marcar o segundo. Depois, como o fantástico centroavante que vem se transformando nos últimos anos, foi implacável à frente de Oblak completando centro da direita de Lucas Vázquez, que entrou no lugar de Benzema.

Nada menos que oito gols nas últimas três partidas. Decisivas no principal torneio de clubes do mundo. Contra Bayern de Munique e Atlético de Madrid, potências europeias nas últimas temporadas. Uma máquina de colocar bolas nas redes. Agora 103 na Liga dos Campeões. Fenômeno.

Maior candidato à Bola de Ouro. Messi só tem alguma chance de evitar o empate em cinco premiações para cada se Cristiano não ganhar nenhum título e o Barcelona conseguir a virada no Espanhol, além da Copa do Rei. Aí valeria a grande atuação do gênio argentino no Bernabéu.

Parece improvável. Até porque encaminhando a vaga na final da Champions com os 3 a 0 é possível mirar os últimos quatro jogos no campeonato nacional. Tudo parece luzir para Zidane.

E para Cristiano Ronaldo, que depende tanto do time para brilhar nas conclusões. Ganhou de presente a melhor atuação coletiva do Real Madrid na temporada para fazer ainda mais história.

(Estatísticas: UEFA)