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City 2×1 Napoli – O “segredo” de Guardiola faz a diferença num grande jogo
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André Rocha

Nos primeiros 20 minutos do jogo no Etihad Stadium, o Manchester City conseguiu reproduzir a grande virtude do Barcelona e do Bayern de Munique comandados por Pep Guardiola: a dinâmica do “homem livre”.

Ou seja, a capacidade de ter superioridade numérica em todas as fases do jogo. Seja no início da construção das jogadas desde o goleiro Ederson, passando pelos laterais Walker e Delph ora descendo por dentro e deixando os pontas Sterling e Sané abrindo o campo, ora o inverso. Com Fernandinho recuando para auxiliar os zagueiros Stones e Otamendi.

A saída correta com passes limpos faz a equipe entrar na intermediária do oponente com mais jogadores no setor em que está a bola. Seja pelos flancos, com Walker, De Bruyne e Sterling à direita e Delph, David Silva e Sané do lado oposto, ou pelo centro com Fernandinho, De Bruyne, Silva, um dos laterais atacando por dentro e ainda o trabalho de pivô cada vez mais apurado de Gabriel Jesus. Sempre tem alguém livre dando opção para fazer o jogo fluir.

O resultado prático disso tudo contra o ótimo Napoli de Maurizio Sarri, líder da Série A italiana com 100% de aproveitamento em oito rodadas, foi um volume de jogo absurdo que criou pela esquerda com David Silva para encontrar Walker na área como atacante e Sterling abrindo o placar. Depois a jogada pela direita para mais uma assistência do meia De Bruyne como ponta para o toque simples e preciso de Jesus. 2 a 0 em 13 minutos.

Podia ter virado goleada num universo de onze finalizações e 63% de posse de bola. Mas os citizens não estavam jogando contra qualquer um e o Napoli, depois de compreender o que estava acontecendo, passou a se proteger melhor, vigiar os flancos, acertar a marcação por pressão no campo de ataque e, enfim, sair para jogar.

Teve a chance de equilibrar no placar com o pênalti de Walker sobre Albiol, mas Mertens bateu mal e Ederson pegou. Na segunda etapa de Napoli com seu 4-1-4-1 mais ajustado com Hamsik encontrando no brasileiro Allan, que entrou na vaga de Insigne, um companheiro mais qualificado para a articulação no meio. Até o pênalti tolo de Fernandinho sobre o lateral esquerdo Ghoulam que Diawara não desperdiçou.

Guardiola teve a humildade de reconhecer a qualidade do adversário e recuar linhas, compactar num 4-1-4-1 para buscar as transições em velocidade. Em seguida tentou recuperar posse e o controle de jogo com Gundogan e Bernardo Silva nas vagas de David Silva e Sterling. Depois tirou Jesus e colocou Danilo para administrar o resultado. Um pragmatismo mais que compreensível pelo contexto.

Reação do Napoli que se refletiu nos números. Chegou a oito finalizações. Metade das do City, mas muito melhor que na primeira etapa, assim como os 45% de posse. O início avassalador da equipe inglesa foi a diferença em um grande jogo, graças ao “segredo” de Guardiola que parece cada vez mais assimilado pelo time que no momento apresenta o melhor futebol da Europa.

(Estatísticas: UEFA)


Carta aberta a Cuca: vá a Nápoles ver Sarri, não para a Cidade do Galo
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André Rocha

Caro Alexi Stival,

Não nos conhecemos, mas acompanho sua carreira há bastante tempo. Desde o Goiás em 2003. Devo reconhecer que o seu Botafogo chegou a me encantar em 2007. Sua inquietação e vontade de fazer diferente chamaram a minha atenção.

Só que o futebol mudou muito de lá para cá. No mundo todo e no Brasil um pouquinho atrasado. E a solução que você, Cuca, encontrou para colocar no currículo os títulos que faltavam para torná-lo mais pesado foi na contramão do que se faz nos principais centros.

Em termos, porque a tão decantada intensidade sempre esteve presente nas suas equipes. A pressão na saída de bola também. O resto, porém, ficou anacrônico. Marcação por encaixe, perseguições individuais nos setores. Ofensivamente, muitas ligações diretas e foco exagerado nas jogadas de bola parada.

Assim venceu a Libertadores com o Atlético Mineiro em 2013. Mas tente fazer um exercício: compare a qualidade técnica dos jogadores que tinha disponível, de primeira prateleira na América do Sul, com o enorme sofrimento para conseguir as classificações e o triunfo final.

O “São” Victor desde a defesa na cobrança de Riascos contra o Tijuana e a enorme felicidade naquele apagão no Estádio Independência contra o Newell’s Old Boys que deu tempo para uma última mobilização, inclusive com a torcida, para buscar o gol salvador que levou a disputa para os pênaltis. Você correu muitos riscos, talvez desnecessários para uma equipe com Leonardo Silva e Marcos Rocha em plena forma e um quarteto ofensivo com Bernard, Tardelli, Ronaldinho Gaúcho e Jô.

Não acredite nessa lenda urbana espalhada nas torcidas brasileiras de que “sofrido é mais gostoso”. Para você que já confessou que gosta de ter tudo sob controle, viver no fio da navalha é oscilar entre vitória e derrota o tempo todo.

Como aconteceu ano passado com o Palmeiras campeão brasileiro. Muitas das vitórias apertadas no returno, quando você assumiu uma postura mais pragmática pela disputa da liderança com o Flamengo, podiam ter se transformado em empates ou mesmo reveses. Lembra do sufoco que levou no Independência do Galo? Ou do coelho que Gabriel Jesus precisou tirar da cartola para achar o empate em casa contra o Fla?

Ali deu tudo certo. Mas era possível fazer bem mais. Com esses seus métodos tudo precisa dar muito certo. Quando saem um pouco do planejado acontece o que ocorreu agora em 2017. Sem desempenho e resultado. Porque um é consequência do outro. Essa sua fórmula muito focada no placar final perde a essência do jogo.

Dizem que às vezes os inimigos trazem os melhores conselhos. Não que eu seja um, sou apenas um crítico. Nada a ver com clubismo, como muitos palmeirenses me acusam. Tenho enorme respeito e carinho pelo clube alviverde, que proporcionou a quem ama o esporte grandes espetáculos de times fantásticos. Muito menos fiquei frustrado com a perda do título pelo Flamengo. Quem acompanhava o clube, inclusive conversando com profissionais, sabia que a sequência de viagens cobraria o preço no fim da temporada. E sempre achei esse papo de “cheirinho” uma tolice – aliás, você deve ter agradecido muito esse combustível para manter seus jogadores focados.

Entenda: o jornalista que trabalha com futebol, mergulhado no tema como este que escreve, desenvolve convicções e teses. E a vaidade humana faz ele torcer mais por elas do que por qualquer time, inclusive o de coração. Tanto que agora em 2017 preferia o Corinthians do primeiro turno na liderança do Brasileiro do que o Fla de Zé Ricardo, um time sem imaginação e apelando demais para os cruzamentos.

Por tudo isso deixo uma sugestão: faça o que você sinalizou na virada do ano e vá a Nápoles acompanhar o trabalho de Maurizio Sarri. Aproveite a chance de intercâmbio. No Brasil reza a lenda de que para jogar bonito é preciso ter grandes craques. Sarri subverte isso com um orçamento bem distante da que a milionária Juventus ostenta. Aposta na troca de passes com qualidade desde a defesa, passando pelos brasileiros Allan e Jorginho no meio, se instalando no campo do adversário e deixando para acelerar no último terço  com Callejón, Hamsik, Mertens e Insigne. Muita mobilidade sem um típico centroavante desde a saída de Higuaín e um estilo bonito de ver.

Não conquista porque a Juve domina o futebol na Itália e no continente a concorrência é ainda mais cruel. Mas imagine você com respaldo para trabalhar trazendo esses novos conceitos. Mostrando que se reciclou, buscou aprimoramento. Ainda que o Brasil seja o incrível país que não valoriza o estudo, sua chance de sucesso é imensa. Seria um olho atento na terra dos “cegos”.

Com sua obsessão por trabalho e ensaio parecida com a de Sarri, os movimentos do seu time seriam precisos. E marcando por zona, como se faz no mundo todo, não teria um problema grave que encarou em 2017: a dificuldade dos jogadores em se adaptar a este sistema de marcação antiquado, em desuso.

É bem possível que o Atlético queira de volta o estilo “Galo Doido”, até porque virou algo cultural e nenhum treinador depois de você conseguiu desconstruir. Chegará como rei, com carta branca para trabalhar do seu jeito. Mas não será um momento para reflexão? Porque se repetir o insucesso voltará á vala comum dos treinadores brasileiros. Deixará o topo e a linha de sucessão de Tite na seleção brasileira.

Tite que é um belo exemplo de pausa para aprimoramento e volta em outro patamar. Hoje reconhecido como um dos melhores do planeta. Perdoe o clichê, mas seria um passo para trás e uns dez à frente em seguida. Por que não?

Desejo a você muita felicidade na escolha e lamento sua saída do Palmeiras. Se não como analista de futebol, mas como pessoa. Sei bem o que é ficar sem fazer o que se gosta e não desejo a ninguém. Mas torço de todo coração que aproveite a saída do olho do furacão para pensar bem e fazer a melhor escolha para sua carreira.  O futebol brasileiro merece e até precisa.

Deixo aqui um forte e respeitoso abraço.


Vitória à prova de clichês reforça: Brasil será sério sempre até a Rússia
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André Rocha

A seleção brasileira tinha todo direito de escalar reservas e não se preocupar com o resultado que beneficiaria o Chile e poderia complicar a grande rival Argentina na última rodada das Eliminatórias.

Tite podia ter sacado Philippe Coutinho e Neymar no intervalo de uma disputa tensa, especialmente para o adversário, por estarem com um cartão amarelo, para evitar a expulsão e a suspensão para a estreia do Mundial na Rússia.

As 41 mil pessoas no Allianz Parque podiam ter testemunhado uma despedida em ritmo de treino do líder absoluto nas Eliminatórias. Mas esse Brasil de Tite é à prova de clichês. Refuta o comodismo, a indolência. O jogar só se for para valer.

Não está pronto para ser favorito ao hexa. É um dos candidatos pelos motivos de sempre: maior campeão, único presente em todas as edições. Tem qualidade e comando. Mas perdeu dois anos de gestão, processos, experiências, jogos. Nunca podemos esquecer o objetivo inicial quando a CBF enfim se curvou ao óbvio e deu a chance que Tite esperava desde 2014: não ficar de fora da Copa.

Mas ninguém pode dizer que essa equipe, incluindo comissão e jogadores, não entrega 100%. Cada um em seu ofício. Teve a melhor atuação brasileira na altitude de La Paz pelas eliminatórias que este que escreve lembra ter visto, superior até à última vitória na Bolivia (Santa Cruz de La Sierra) – 2 a 0 em 1985, gols de Casagrande. Só faltou o gol, porém não manchou o bom desempenho.

Na despedida, triunfo com autoridade e profissionalismo que manda para casa o campeão das últimas edições da Copa América. Paulinho para descomplicar na segunda etapa um primeiro tempo difícil no rebote da bola parada, Gabriel Jesus ganhando presentes na volta ao estádio do Palmeiras. De Neymar e Willian em contragolpes  de manual. No primeiro, lançamento primoroso de Coutinho. No último, defendendo a meta do estreante Ederson como se valesse a vida, a vaga no Mundial. Seriedade máxima.

Uma carta de intenções para a sequência de trabalho até a Copa. O Brasil pode voltar sem taça, mas será forte e sério. Sempre. Melhor assim.

 


Se é momento para testes, por que não um Brasil à la Real Madrid?
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André Rocha

Foto: Ricardo Botelho (FolhaPress)

Para o jogo contra a Bolívia em La Paz na quinta-feira, Tite confirma a mudança forçada – Alex Sandro no lugar dos lesionados Marcelo e Filipe Luís na lateral esquerda – e uma por opção: Thiago Silva na vaga de Marquinhos, formando a zaga com Miranda.

A outra alteração em relação à última rodada das Eliminatórias é o retorno de Philippe Coutinho ao lado direito da linha de meias do 4-1-4-1 à frente de Casemiro. Com a saída de Willian, a mudança de perfil, como afirma o próprio treinador: “Tenho um mais vertical e agudo, que ataca os espaços (Willian), e outro mais construtor (Coutinho)”.

Coutinho constroi porque é meia. Dos bons. Mas costuma render melhor partindo da esquerda ou do centro. Na própria seleção, seus grandes momentos, incluindo o golaço sobre a Argentina, foi saindo do lado direito para circular às costas dos volantes adversários. Quando abre ainda fica desconfortável, não tem o timing para as combinações com Daniel Alves.

Tite deixa claro que sua convicção é na qualificação deste 4-1-4-1 até a Copa, com a variação do desenho tático para o 4-2-3-1 com Coutinho por dentro e Willian pela direita. Legítimo, até pelo pouco tempo de trabalho até aqui e menos ainda até o Mundial da Rússia.

Mas por que não um teste para ter um coelho na cartola, algo para surpreender os rivais que certamente depois de confirmarem suas vagas na Copa vão dissecar um dos candidatos ao título? E isto é possível sem mexer na formação titular.

O Real Madrid conquistou Espanhol e Liga dos Campeões na temporada europeia passada e cresceu na reta final quando Zinedine Zidane, sem o lesionado Gareth Bale, colocou Isco em seu lugar. Com isso mudou também o sistema: de um 4-3-3 rígido, com Casemiro na proteção e dois meio-campistas mais organizadores – Modric e Kroos – e o trio “BBC” na frente. para um 4-3-1-2 mais flexível, com ou sem a bola.

Porque Isco ganhou liberdade para circular e também permitiu que Cristiano Ronaldo não fosse nem centroavante, nem ponteiro, mas atacante numa dupla com Benzema. Trocando de lado, buscando as diagonais, tabelando. A  troca deu liberdade aos laterais Carvajal e Marcelo para apoiarem ao mesmo tempo, abrindo o sistema defensivo adversário.

Sem a bola, duas linhas de quatro. A do meio-campo bastante móvel,em função do posicionamento de Isco no retorno. Se ele volta pela direita, Casemiro e Modric fecham o meio e Kroos abre à esquerda; se retorna pela esquerda é Modric quem abre pela direita e Kroos se junta ao volante brasileiro no centro. Quando Isco recompõe centralizado, Casemiro se adianta na compactação e Modric e Kroos fecham os flancos.

O 4-3-1-2 com Isco se aproximando da dupla Cristiano Ronaldo-Benzema e voltando na recomposição formando uma linha de quatro móvel com Casemiro, Modric e Kroos, de acordo com o posicionamento do camisa 22 na recomposição (Tactical Pad).

Tudo executado com naturalidade e inteligência, como atua o time merengue, especialmente nos jogos grandes, decisivos. É uma equipe que se adapta às necessidades da disputa e sabe jogar com posse, instalado no campo de ataque, ou em transições ofensivas rápidas, aproveitando os espaços às costas da defesa do oponente.

Na seleção, Coutinho pode ser Isco, jogando solto, sem a obrigação de ficar ou partir do setor direito. Com isso se aproximaria mais da dupla Gabriel Jesus-Neymar, todos com autonomia para circular e procurar espaços para surpreender as retaguardas com tabelas, triangulações, infiltrações em diagonal dos atacantes.

Tite não gosta de tirar Neymar do setor esquerdo. De fato, é onde a estrela brasileira mais rende. Mas a liberdade para o talento nunca é improdutiva e as trocas com Gabriel Jesus, as diagonais mais curtas, mesmo saindo da esquerda, podem tornar o camisa dez ainda mais letal. Mais próximo da meta adversária.

Sem a bola, a lógica seria a mesma do atual bicampeão europeu: Coutinho se juntaria a Casemiro, Paulinho e Renato Augusto e a distribuição dos quatro na linha à frente da defesa se daria de acordo com o camisa onze, No caso da seleção poderia haver outra referência: o posicionamento de Paulinho e Renato Augusto, que costumam trocar muito. De lado e de função. Paulinho recua para usar seu poder de marcação. Já com Renato mais atrás o objetivo é ganhar um organizador e qualificar a saída de bola.

O meio-campo em losango na seleção teria a mesma dinâmica do Real Madrid, com Philippe Coutinho como meia de ligação e referência para a composição da segunda linha de quatro no momento defensivo. Na frente, Gabriel Jesus e Neymar com liberdade e nas laterais Daniel Alves e Marcelo aproveitando os corredores abertos (Tactical Pad).

Tite tem Casemiro e Marcelo, quando este voltar, para obter ainda mais detalhes sobre a execução. Sem contar que a referência continua sendo o seu amigo Carlo Ancelotti, já que a base do modelo de jogo, ainda que tenha amadurecido e se aprimorado, vem do italiano, que tinha Zidane como auxiliar em sua passagem pelo clube, de 2013 a 2015. Ou seja, não seria algo a surgir “do nada”.

Até porque o sistema não seria algo inédito para o comandante canarinho. Com outra dinâmica, o 4-4-2 com o meio-campo em losango já foi utilizado. O mais marcante no Internacional campeão da Copa Sul-Americana em 2008 e vice da Copa do Brasil no ano seguinte. Com Sandro ou Edinho plantado à frente da defesa, Magrão e Guiñazu pelos lados e D’Alessandro como “enganche”, articulando para a dupla Taison-Nilmar. Tempos de menos compactação e mais encaixes e perseguições individuais, mas ainda um 4-3-1-2.

Uma possibilidade, nada complexa. Algo para sair um pouco do plano original e da sua variação mais conhecida. Sem mudar a escalação ou afetar o entrosamento. Porém mexendo nas peças para ter uma alternativa. Por que não um Brasil à la Real Madrid?


A primeira vitória de Guardiola sobre o Chelsea, com a marca De Bruyne
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André Rocha

Com a suspensão de David Luiz, Antonio Conte perdeu a peça fundamental em sua saída da defesa, que com passes longos faz a bola chegar mais rapidamente ao ataque, sem riscos da pressão adversária se transformar em bolas roubadas e contragolpes. Quase um “quarterback” de futebol americano.

Diante do Manchester City de Pep Guardiola, que adianta a marcação e propõe o jogo mesmo no Stamford Bridge, a dificuldade ficou clara. Ainda obrigou Fábregas, escalado para atuar mais avançado, a recuar e tentar qualificar o passe. O mesmo com Eden Hazard.

O resultado em campo era um time com os jogadores mais qualificados lá atrás e Kanté, Bakayoko e Azpilicueta, escalado na ala direita do 3-4-1-2 de Conte, na área dos visitantes. Alonso, ala esquerdo que joga solto, na “função Sorín” sempre presente na área adversária, desta vez não pôde se arriscar tanto por ter Sterling atacando o seu setor.

A lesão de Morata ainda no primeiro tempo induziu Conte a não colocar Batshuayi e mandar Willian a campo. Fazia algum sentido: se não tinha o homem da bola longa, não fazia sentido ter o pivô para reter na frente. Era melhor ganhar qualidade na construção. Os Blues, porém, na prática ficaram ainda mais desconfortáveis.

O Manchester City de Guardiola se defendeu atacando, ocupando o campo de ataque e adiantando e pressionando a marcação, dificultando a vida do Chelsea de Antonio Conte sem David Luiz e depois perdeu Morata, entrando Willian (Tactical Pad)

Porque mais uma vez a equipe de Guardiola se defendeu atacando. Com Walker e Delph, novamente improvisado na lateral esquerda, ora atacando por dentro ou abertos. Nas pontas, Sterling e Sané trocando de lado, buscando as diagonais ou ficando quase colados nas laterais para esgarçar a linha de cinco defensores do rival.

A solução do treinador para seguir tendo a bola, mas sem ser vítima das transições seguidas e insanas dos times ingleses, foi acelerar a troca de passes assim que entra no campo adversário. Sem a paciência dos toques até se instalar no campo de ataque e praticar o jogo de posição.

É aí que entra Kevin De Bruyne. O belga é a referência de toque veloz no campo de ataque. Marca, articula e finaliza. Também homem das bolas paradas. Completo. Novamente decisivo no golaço vencendo Courtois completando pivô de Gabriel Jesus.

O atacante brasileiro, jogando no centro como referência com a ausência de Aguero por conta de um acidente automobilístico na Holanda, teve dificuldades contra Rudiger, Christensen e Cahill, não deu sequência a algumas ações ofensivas importantes e só cresceu com espaços após o gol. Quase deixou o seu em bela finalização, não fosse as costas de Rudiger, com o goleiro já batido.

No final, com Pedro e Batshuayi nas vagas de Bakayoko e Hazard, o Chelsea tentou um abafa nas jogadas aéreas, mas o City estava prevenido com Stones e Otamendi e podia ter ampliado nos contragolpes. Atuação segura da equipe de Manchester com 62% de posse e nada menos que 17 finalizações contra quatro dos donos da casa.

Primeiro triunfo em 90 minutos de Guardiola sobre o Chelsea – vencera nos pênaltis em 2013 a Supercopa da Europa. O único time a vencer em turno e returno uma equipe do treinador catalão em uma liga nacional. Feito da temporada passada, de título. Desta vez os citizens, em plena disputa pela liderança com o rival United, estavam mais prontos e aproveitaram as ausências sentidas no time londrino.

Com a marca De Bruyne, cada vez mais desequilibrante. O meio-campista dos sonhos de qualquer time. Mais um a mudar de patamar nas mãos de Pep.

(Estatísticas: BBC)

 


No “clássico brasileiro” na Champions, o melhor em campo é da geração belga
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André Rocha

No Etihad Stadium, três brasileiros do lado do Manchester City entre os titulares – Ederson, Fernandinho e Gabriel Jesus – mais Danilo no banco de reservas. No Shakhtar Donetsk, a legião de sempre: Ismailly, Fred, Marlos, Taison e Bernard na formação inicial e Dentinho, Márcio Azevedo e Alan Patrick como suplentes.

A novidade de Pep Guardiola foi o meio-campista Fabian Delph improvisado no lugar do lateral esquerdo Mendy. Mas apoiando por dentro, enquanto Sané, mantido entre os titulares, ficava bem aberto para esgarçar o sistema defensivo adversário. No lado oposto, a lógica inversa: o lateral Walker abrindo o campo e Gabriel Jesus procurando infiltrar em diagonal e se juntar a Aguero no centro do ataque. Variações por características dentro da proposta de jogo na execução do 4-3-3.

O time ucraniano se fechava com duas linhas de quatro compactas mantendo Taison mais adiantado, próximo ao argentino Facundo Ferreyra, atacante único do 4-2-3-1 armado pelo português Paulo Fontes. Fred, convocado por Tite na última lista, era o responsável por fazer a bola chegar ao quarteto ofensivo. Pelas pontas, o canhoto Marlos pela direita e Bernard, destro, à esquerda.

Shakthar que em nenhum momento abdicou de jogar, terminando com 46% de posse. Mas no início foi amassado pela pressão intensa do time inglês na saída de bola e muito volume de jogo de uma equipe que ataca por todos os lados. Especialmente pela qualidade no meio-campo. Fernandinho comandando a saída de bola, David Silva distribuindo e triangulando com ponteiro e lateral, normalmente à esquerda.

O destaque absoluto, porém, foi Kevin De Bruyne. Mais uma vez. Com seu passe vertical, sua visão de jogo privilegiada, a movimentação inteligente sempre dando opção para o passe. Faz o time de Guardiola jogar. Nem tão feliz na finalização quando Gabriel Jesus iniciou contragolpe veloz interceptando passe e arrancando até servir o belga, que colocou mal e permitiu defesa de Pyatov.

Mas quando foi o meia quem interrompeu a saída para o ataque do Shakhtar, a transição ofensiva rápida encontrou o camisa 17, que colocou no ângulo para abrir o placar e descomplicar o jogo. Consolidando o amplo domínio do time azul de Manchester na segunda etapa.

Inclusive com pênalti – que este que escreve não marcaria por considerar normal o choque entre Sané e o zagueiro Ivan Ordets – cobrado por Aguero para defesa de Pyatov. Sterling substituiu Jesus, de atuação sem brilho mas importante na movimentação e no trabalho coletivo, e definiu os 2 a 0 no final em mais um contra-ataque letal. Assistência de Bernardo Silva, que substituiu Aguero e trabalhou como uma espécie de “falso nove”. Outra experiência do treinador catalão.

Desta vez não houve goleada, mas pelas estatísticas não seria nenhum absurdo. Foram 14 finalizações, oito no alvo. Apenas quatro do Shakhtar, metade na direção da meta de Ederson. De qualquer forma, os três pontos colocam o City na liderança do Grupo F e confirmam o ótimo início de temporada. No ritmo de Kevin De Bruyne.

No “clássico brasileiro” na Liga dos Campeões, o melhor em campo foi um grande talento da geração belga que costuma ser alvo de chacota pela falta de grandes títulos. Como se o país fosse da primeira prateleira do futebol mundial em termos de conquistas.

Não é, mas conta com um meia raro, que o Brasil, por exemplo, só tem em Philippe Coutinho um jogador do mesmo nível no futebol mundial. Exaltado por Guardiola e admirado por quem ama o esporte sem preconceitos.

(Estatísticas:: Footstats)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Campeonato inglês com cheiro de volta para Manchester. Pep ou Mou?
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André Rocha

Fica claro a cada partida do campeão Chelsea, inclusive no empate sem gols contra o Arsenal no Stamford Bridge, que Antonio Conte não encontrou em Morata uma reposição para Diego Costa no que o brasileiro naturalizado espanhol fazia de melhor, além dos gols: a capacidade de reter na frente as ligações diretas e passes longos.

O 5-4-1 esvazia o meio-campo e não sustenta construção de jogo com posse de bola. Sem Hazard, que volta para ajudar na articulação, fica ainda mais complicado. Por isso a superioridade do Arsenal de Arsene Wenger, que emulou o desenho tático do rival londrino e teve em Xhaka e Ramsey meio-campistas que combinaram qualidade técnica e dinâmica melhor que Kanté e Fábregas – apesar do passe precioso do espanhol para o compatriota Pedro perder à frente de Cech na melhor chance do jogo, ainda no primeiro tempo.

Com Liverpool e Tottenham oscilando mais que o esperado e o Newcastle não mostrando força até aqui para repetir a surpresa do Leicester em 2016, a Premier League começa a ganhar um aroma bem conhecido da Premier League nos últimos dez anos. Mesmo com apenas cinco rodadas.

Desde 2007, quando o Chelsea não foi campeão a taça rumou para Manchester. O United de Alex Ferguson faturou cinco, o City conquistou dois. Agora, não é exatamente a tradição que parece pesar a favor das equipes da cidade, mas a força de seus elencos e, principalmente, a capacidade de seus treinadores.

Pep Guardiola já sinaliza que o “curso” de um ano de campeonato inglês foi útil para o aprendizado. Entender o ritmo, o jogo físico, o “bate-volta” e tentar se adaptar. Jogo a jogo, demanda a demanda. Por isso a variação no desenho tático com linha de quatro ou cinco defensores, porém mantendo a ideia de jogo.

Abrir o campo com os novos laterais/alas Walker e Mendy, controlar o jogo no meio-campo alternando posse e aceleração com De Bruyne e David Silva e garantindo presença de área e poder de finalização mantendo Aguero e Gabriel Jesus no ataque, ainda que o brasileiro parta da ponta para dentro.

Como nos 6 a 0 sobre o Watford fora de casa, mas protagonista em campo atacando com volume, mas sabendo usar as jogadas aéreas com bola parada ou rolando e também explorar os espaços às costas da retaguarda adversária. Um City híbrido e inteligente. Um Guardiola mais conectado à lógica da liga mais forte do mundo.

Algo que o tricampeão Mourinho conhece tão bem. Por isso os Red Devils sob seu comando iguala a campanha do rival local: quatro vitórias e um empate, dezesseis gols marcados e dois sofridos. Mas trajetória construída de maneira bem diferente.

Um estilo baseado na força física e nas jogadas aéreas, ao menos até abrir vantagem. Depois muita velocidade nas transições e fôlego nos minutos finais, como nos 3 a 0 sobre o Everton no reencontro com Wayne Rooney dentro do Old Trafford, matando o jogo com os gols de Mkhitaryan e Lukaku depois do golaço de Valencia logo no início da partida.

Sem grande preocupação com a posse de bola, apostando sempre nos ataques verticais. Na ausência de Pogba, lesionado, Fellaini é mais um para cortar ou completar cruzamentos. Juan Mata é o ponta articulador que garante mobilidade e criação de espaços diante de adversários fechados. Um 4-2-3-1 compacto, rápido, intenso.

A retaguarda ainda não inspira confiança, mas foi vazada apenas no empate contra o Southampton. Graças às intervenções do goleiro De Gea. A do City também precisa de ajustes e sofre menos porque consegue manter a bola mais longe da meta de Ederson.

É muito cedo para qualquer prognóstico, ainda mais com tanto equilíbrio de forças e as equipes mais poderosas envolvidas em torneios continentais, fora as copas nacionais sempre desgastantes. Mas já é possível sentir um cheiro de Manchester voltando ao domínio na Inglaterra.

Ou um novo duelo Pep x Mou para atrair os olhos do mundo.


Dupla Jesus-Aguero, Danilo e Mendy. Guardiola parece ter achado melhor City
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André Rocha

A expulsão de Sadio Mané ainda no primeiro tempo após entrada imprudente e violenta sobre o goleiro Ederson praticamente definiu o jogo no Etihad Stadium. Mas o Manchester City já era superior ao Liverpool, inclusive no placar – 1 a 0, gol de Kun Aguero completando passe preciso em profundidade de Kevin De Bruyne.

O belga foi um dos destaques da formação que Pep Guardiola mandou a campo. Com Danilo como lateral-zagueiro pela direita, como Azpilicueta no Chelsea de Antonio Conte. Liberando Walker como ala, acelerando as coberturas e qualificando a saída de bola. Fora a versatilidade para mudar o desenho sem mexer nas peças.

No segundo tempo o brasileiro inverteu o lado e foi praticamente outro meio-campista no auxílio a Fernandinho. Dando suporte a Mendy que voava à esquerda para cima de Trent Alexander-Arnold, fragilizado na lateral direita da equipe de Jurgen Klopp, que de início tentou adiantar linhas e duelar pela posse de bola na execução de seu 4-3-3 sem Philippe Coutinho até no banco.

Perdeu capacidade de criação e flexibilidade. Eram três meio-campistas sem tanta qualidade no passe, dois ponteiros velozes e Firmino girando e tentando abrir espaços. Por isso teve a grande oportunidade na partida com Salah em contragolpe cedido pelo City mesmo com 1 a 0 no placar.

Efeito colateral da confiança em uma maneira de jogar que parece ter encontrado a melhor formação. O 5-3-2 que se transforma em 3-1-4-2 na retomada. Trabalhando a posse, pressionando no campo de ataque. Movimentando a dupla de ataque e abrindo o campo com os alas.

Passeio na segunda etapa com o segundo de Jesus cedido por Aguero depois de passe em profundidade letal de Fernandinho. O primeiro do atacante brasileiro saiu de cabeça, logo após a expulsão, em nova assistência do meia De Bruyne. Cruzamento cirúrgico da esquerda. O belga foi outro destaque individual em uma bela atuação coletiva.

Fica a dúvida em relação ao comportamento desta equipe diante de adversários bem fechados e com linhas compactas, de “handebol”. Porque induz o jogo posicional a abrir a jogada e fazer o cruzamento buscando a dupla de atacantes. Com espaços fica mais fácil alternar por dentro e pelo flanco.

Por isso Sané, que entrou na vaga de Jesus, também deu espetáculo com dois gols. O último golaço nos acréscimos para fechar em 5 a 0. Antes completou mais um centro de Mendy no passeio pelo setor esquerdo. Num universo de 66% de posse de bola e 12 finalizações, nove no alvo. A mira também estava afiada.

Placar histórico, que só não é a maior dos citizens no confronto porque em 1936 houve um 6 a 0.  Mais importante que o número de gols, porém, foi o desempenho. Guardiola parece ter encontrado o melhor caminho para enfim se impor na Premier League.

(Estatísticas: BBC)


Philippe Coutinho para descomplicar o jogo e mexer com a cabeça de Tite
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André Rocha

O individualismo de Neymar travou a seleção brasileira por quase 60 minutos na Arena do Grêmio. Porque com Willian, e não Philippe Coutinho, o camisa dez jogou mais solto, com liberdade de movimentação e recuando para buscar a bola. Assumiu o papel de ponta articulador e não infiltrador.

Renato Augusto recuava para auxiliar a saída de bola e espetar Marcelo – como Toni Kroos faz no Real Madrid, sem nenhuma comparação entre os meio-campistas organizadores. Faltava, porém, rapidez na circulação da bola. Só Paulinho conseguiu a vitória pessoal e concluiu com perigo. Uma das quatro finalizações contra apenas uma dos equatorianos, três a zero no alvo. Em um universo de 75% de posse de bola. Pouco.

Também pela organização defensiva do Equador com duas linhas de quatro, Antonio Valencia e Fidel Martínez fechando os flancos e Fernando Gaibor tentando se aproximar de Enner Valencia, a referência de velocidade que fez Marquinhos e Miranda, depois Thiago Silva, trabalharem.

Neymar também atrapalhou prendendo a bola deixando o jogo mais tenso, violento. Sem fluência e com a conivência da arbitragem, que deixou de anotar faltas claras. Jogo duro.

Até Renato Augusto dar lugar a Coutinho e o Brasil se reorganizar num 4-2-3-1 tão esperado como alternativa. Móvel e fluido. Com toque mais fácil e veloz, até porque Neymar passou a trabalhar mais adiantado, longe da zona de criação. E também mais espaço depois de Paulinho abrir o placar completando escanteio e acalmando a Arena que pedia Luan.

Então veio o espetáculo com jogadas mais plásticas e o golaço de Coutinho após lindo chapéu de Gabriel Jesus. Mesmo sem ritmo do meia do Liverpool e o Barcelona na cabeça. Com 2 a 0, a brecha para testar Luan no lugar de Willian e agradar o torcedor do Grêmio. Neymar seguiu jogando sozinho e errando muito. Mas sem se omitir jamais. Como deve ser.

Nona vitória seguida em jogos oficiais, liderança garantida até o final das Eliminatórias. Mas o que valeu mesmo foi Coutinho descomplicar o jogo e mexer com a cabeça de Tite. A disputa pediu uma experiência e a resposta foi positiva. O 4-1-4-1 não pode ser um dogma.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


City vence, mas ideias confusas de Guardiola sacrificam Gabriel Jesus
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André Rocha

Gabriel Jesus apareceu mais no primeiro tempo da estreia do Manchester City no Campeonato Inglês, fora de casa contra o Brighton, de volta à primeira divisão inglesa depois de 34 anos. Deu lençol, tocou a mão na bola em gol bem anulado que lhe rendeu um amarelo injusto. Depois não testou firme e permitiu bela defesa do goleiro Ryan completando cruzamento de Kun Aguero.

Na segunda etapa, só foi notado ao disputar com o zagueiro Dunk, que acabou marcando gol contra em um golpe de cabeça mais que estranho. O segundo gol, já que o primeiro foi de Aguero no primeiro contragolpe cedido pelo time da casa enquanto a partida estava empatada.

Assim como o Barcelona de Guayaquil na quarta feira contra o Palmeiras no Allianz Parque, o Brighton pagou por se empolgar com a atuação medíocre do adversário favorito, avançar suas linhas e ceder espaços entre as linhas.

Porque diante do 4-4-2 compacto armado pelo treinador Chris Hughton, que recuava os “wingers” como laterais e formava uma última linha defensiva com seis homens foi difícil entender a proposta de Pep Guardiola. Mandou a campo um 3-3-2-2, com Danilo improvisado na ala esquerda e Gabriel Jesus fazendo dupla de ataque com Aguero.

O resultado prática na maior parte do tempo foi uma posse de bola acima de 70%, porém estéril. Walker e Danilo bem abertos, David Silva e Kevin De Bruyne sacrificados na articulação, precisando de muita movimentação para dar opções de passe aos zagueiros Kompany, Stones e Otamendi e a Fernandinho, o único volante. Os que mais tocavam na bola.

O goleiro brasileiro Ederson assistiu ao jogo no primeiro tempo e teve um pouco mais trabalho depois do intervalo. Acabou falhando na saída da meta e foi apenas correto no trabalho com os pés. Vale observar a evolução na sequência da temporada.

Aguero e Jesus tentavam alternar na mobilidade e no trabalho de referência na frente, mas participavam pouco na zona de decisão porque os citizens tocavam, tocavam…até Danilo, isolado pela esquerda, cortar para o pé direito e jogar na área ou Walker buscar a linha de fundo. Ou as bolas frontais levantadas por De Bruyne, a maioria inócuas.

Contraproducente. Ainda que todos os princípios de jogo do treinador catalão estivessem lá. Difícil entender, ainda mais com Bernardo e Sané no banco de reservas. Aguero acabou se saindo melhor. Já Gabriel Jesus, mesmo finalizando quatro vezes, taticamente foi sacrificado, subaproveitado. Atuação apenas razoável. Não por sua culpa.

Guardiola segue indecifrável. Ao menos o seu City, na loucura que está sendo a primeira rodada da Premier League, conseguiu a vitória. Mas é preciso clarear as ideias na intenção de adaptar seu estilo ao futebol jogado na Inglaterra. O primeiro ato, apesar dos 2 a 0, pareceu bem confuso.