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Real Madrid se sai melhor que o Liverpool nos clássicos antes de Kiev
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André Rocha

Havia muito em jogo para Real Madrid e Liverpool contra Barcelona e Chelsea, respectivamente, na reta final das ligas nacionais, impedindo que os times pudessem se dedicar exclusivamente à final da Liga dos Campeões no dia 26 em Kiev.

Para os Reds era a chance de confirmar a vaga na próxima edição do principal torneio do continente. No Stamford Bridge contra um adversário direto na Premier League. Já o time merengue entraria no Camp Nou com a missão de impedir o título espanhol invicto do rival Barcelona e ainda “carimbar” a despedida de Iniesta do clássico.

Tirando tudo que foi desnecessário no duelo entre os últimos campeões espanhois e europeus, desde o Real se recusando a recepcionar em campo o adversário que confirmou a conquista na rodada anterior até as brigas, chutes e pontapés que tiraram muito da beleza de um jogo sempre especial, não é absurdo dizer que a equipe de Zinedine Zidane deu mais uma demonstração de força.

Por iniciar pressionado pela dupla Messi-Suárez mais acesa que o habitual e pelo gol do uruguaio logo aos nove minutos em saída rápida bem engendrada com assistência de Sergi Roberto. Mas responder rapidamente com jogada coletiva ainda mais bela: calcanhar de Cristiano Ronaldo para Kroos, centro do alemão para Benzema preparar e o gênio português finalizar a obra que iniciou. O 25º do vice artilheiro da competição.

Real com uma “velha novidade” de Zidane: o trio “BBC”, fazendo a variação do 4-3-3 para as duas linhas de quatro sem a bola com o recuo de Gareth Bale pela direita. Na transição ofensiva, muita movimentação dos três, enchendo mais a área adversária. Ao menos por 45 minutos, já que Cristiano Ronaldo, por precaução, teve que sair no intervalo, substituído por Asensio.

Não só porque sentiu uma entrada dura, aparentemente maldosa, de Piqué justamente no lance do gol que empatou a disputa. Também por conta da pancadaria que tomou conta do jogo, muito mal conduzido pelo árbitro Alejandro José Hernandez, que culminou na expulsão de Sergi Roberto, que ingenuamente agrediu Marcelo na frente do juiz.

Desta vez o Real pode reclamar muito das decisões da arbitragem. Principalmente pela falta clara de Suárez na disputa com Varane que terminou no golaço de Messi quanto na falta dentro da área do Barça não menos nítida de Jordi Alba em Marcelo. Podia ter mudado o clássico e complicado a vida e a invencibilidade do time da casa muito mais que o golaço de Bale, completando assistência de Asensio. Foram 17 finalizações contra 11 do time blaugrana.

Mesmo com os 2 a 2, a força mental e a cultura de vitória se fizeram presentes. O desempenho geral também foi satisfatório. Confirmando algo que já virou senso comum: é difícil superar este Real Madrid em jogo grande.

O Liverpool também costuma crescer neste tipo de confronto, mas não foi o caso do duelo em Londres. Porque o time de Jurgen Klopp, ainda que mantenha a proposta ofensiva longe do Anfield Road, não consegue reproduzir o “arrastão” num ciclo de pressão pós-perda, acelerar a circulação da bola e acionar o seu trio de ataque.

Salah, Firmino e Mané também pagam um pouco o preço do sucesso e da visibilidade. Estão mais estudados e, consequentemente, vigiados em campo. Ainda mais contra o time de Antonio Conte com sua linha de cinco defensores e mais Kanté e Bakayoko na proteção.

Deram algum trabalho ao goleiro Courtois na primeira etapa, mas nos minutos finais apelaram para os muitos cruzamentos procurando Solanke, que entrou na vaga do lateral esquerdo Robertson, e o zagueiro Van Dijk, que se transformou em um segundo centroavante. Sem ideias, sem brilho. Os torcedores podem até desdenhar, mas quando os espaços diminuem o fato é que Philippe Coutinho faz muita falta aos Reds.

Assim como a equipe se ressente de uma maior solidez defensiva, especialmente pelo alto. No centro da direita, Giroud subiu mais que Lovren para marcar o gol único do duelo, ainda no primeiro tempo. Na ausência do lesionado Oxlade-Chamberlain, Klopp deixou Henderson no banco e arriscou uma formação com Alexander-Arnold formando o meio-campo com Wijnaldum e Milner e Clyne entrando na lateral direita. Podia ter sido melhor.

Apesar dos 68% de posse, foram apenas dez finalizações dos visitantes contra 12 dos Blues, que também foram superiores em desarmes e no jogo aéreo. Resultado coerente com o que foi a partida disputada com a intensidade típica do Campeonato Inglês.

Agora é obrigatório vencer o Brighton em Anfield para chegar aos 75 pontos e garantir ao menos a quarta colocação. A menos que venha a apoteose na Ucrânia com o sexto título da Champions. Depois de onze anos sem chegar a uma decisão e treze da última conquista.

Missão que já era complicada por enfrentar o atual bicampeão e maior vencedor da história. Depois dos clássicos fica a impressão de que a tarefa ficou ainda mais difícil.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 


A pobreza do “Mourinhobol” e a mentalidade vencedora do Real de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane deixou no banco Cristiano Ronaldo, voltando de férias depois da participação na Copa das Confederações. Colocou Bale em seu lugar e manteve a equipe campeã espanhola e da Liga dos Campeões para a disputa da Supercopa da Europa na Macedônia. Com Isco novamente fazendo a ligação do meio com o ataque.

Com Casemiro, Modric e Kroos ajudaram o Real Madrid a jogar fácil. Nada revolucionário nos conceitos. Zidane quer aproximação, troca de passes, movimentação e simplicidade. E explora a grande virtude da equipe merengue: a qualidade na execução das jogadas. Precisão. Mesmo com erros incomuns, mas compreensíveis para um início de temporada. Como Kroos errar feio numa saída de bola.

Contra o Manchester United de José Mourinho assumiu naturalmente o protagonismo, ocupou o campo de ataque e com os avanços de Carvajal, que busca mais o fundo em velocidade que Marcelo do lado oposto, fez Lingard recuar como lateral formando com Valencia, Lindelof, Smalling e Darmian uma linha de cinco na defesa.

Acabou superado pela infiltração de Casemiro, impedido por centímetros ao receber passe de Carvajal para abrir o placar. Ampliou na bela combinação de Bale e Isco, que tocou na saída do goleiro De Gea. Toques rápidos e objetivos.

O United permitia que o Real tivesse a bola, mas as transições em velocidade criaram problema para o sistema defensivo espaçado do time espanhol por conta da proposta ofensiva e do condicionamento físico ainda em evolução no fim da pré-temporada.

Rashford, que entrou na vaga de Lingard, e Lukaku, grande contratação da temporada, perderam chances cristalinas. O atacante belga ao menos aproveitou o rebote de Keylor Navas para diminuir e ao menos criar a expectativa de reação.

Mas um time com tamanho poder de investimento não pode recorrer a Fellaini e um jogo físico e limitado às bolas aéreas em um jogo grande. Um “Mourinhobol” que pode até funcionar, mas é um enorme desperdício.

O Real, mesmo cansado, teve chances de matar o jogo nos contragolpes com Lucas Vázquez, Cristiano Ronaldo e Asensio. Mas nem foi preciso, porque controlou a partida aproveitando a pobreza do repertório dos Red Devils.

Também usando algo subjetivo, mas que no caso da equipe de Zidane fica bem nítido, quase palpável: a mentalidade vencedora. A certeza de que é melhor e pode ganhar. Por isso soma mais um título, sua quarta Supercopa europeia. O primeiro ato de um time pronto para seguir fazendo história.

 


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