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Vitória em jogaço traz a resposta para o Palmeiras: faltava confiança
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André Rocha

Foi o melhor jogo do Brasileirão 2018 até aqui. Mesmo com a queda de qualidade na segunda etapa com a saída de Maicon. O Grêmio, que vem sofrendo sem Ramiro, perdeu ainda mais força no meio-campo. E Arthur também deixou o campo, restando ao time de Renato Gaúcho partir para o “abafa” nos minutos finais.

Nada que tire o mérito da vitória do Palmeiras por 2 a 0, no reencontro de Roger Machado com a Arena do tricolor. Com sua equipe em nenhum momento se limitando a defender. Apostando nos movimentos de Hyoran e Dudu cortando da ponta para dentro e Willian se movimentando e finalizando muito. Além dos dois gols, duas finalizações nas traves de Marcelo Grohe no primeiro tempo. Agora tem seis e é artilheiro da competição junto com Roger Guedes.

O grande destaque da segunda vitória seguida do alviverde, depois da virada por 3 a 1 sobre o São Paulo. Trazendo a resposta para a dúvida que persistia. Time mal treinado ou falta de confiança? A pressão sobre Maicon e Arthur prejudicando a fluência gremista e a velocidade nas ações ofensivas, desde os passes no meio com Felipe Melo e Bruno Henrique, mostraram claramente a estratégia para o duelo. Ainda que 29 faltas, nove sobre Luan, tenha sido um exagero. O desempenho coletivo, porém, foi consistente.

Foram oito finalizações, mas cinco no alvo. Posse dividida e acertou apenas vinte passes a menos que o adversário. Desarmou, interceptou e driblou mais. Jogando de igual para igual contra uma equipe que mesmo desfalcada seguia intimidando em seus domínios.

Resgatando a força mental para se impor e encerrar uma sequência de 15 partidas sem derrotas em casa do campeão da Libertadores. Também se recolocar matematicamente na condição natural de um dos favoritos ao título. E, o mais importante, ganhar confiança e créditos para o momento de pressão absurda que vem a cada derrota. Algo desproporcional, sem propósito e que pouco ajuda na evolução do desempenho. Ainda mais no Brasileirão do perde-ganha. Que sirva de aprendizado para a sequência da temporada.

(Estatísticas: Footstats)

[Em tempo: SIM, o Palmeiras também tinha desfalques – Antonio Carlos, Edu Dracena, Diogo Barbosa, Keno, Borja… É importante deixar claro, ainda que o texto seja só elogios à atuação palmeirense e a menção às ausências gremistas tenha um contexto dentro da frase. Afinal, no Brasil do pensamento binário para muitos torcedores o que não é elogio só pode ser perseguição ou coisa de “anti”.]


Primeira vitória do São Paulo fora passa por Araruna, o “ponta-volante”
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André Rocha

No Brasileiro que em sete rodadas apresenta um cenário de apenas três pontos separando o líder Flamengo do Sport, nono colocado, vencer fora de casa pode ser a chave para brigar no topo e não se contentar com o final da primeira página da tabela. Ou nem isso.

Por isso a importância do triunfo do São Paulo sobre o América por 3 a 1 no Estádio Independência. Também foi o primeiro revés do time mineiro em seus domínio. Podia estar em quarto, caiu para 11º.

O protagonista foi Nenê, com dois gols de bola parada, mas fundamental não só tecnicamente, mas também na liderança em campo que influi na transformação anímica da equipe desde a chegada de Diego Aguirre. A invencibilidade é apenas uma indicação nos resultados que hoje não é fácil se impor diante do tricolor como em outros tempos.

Diego Souza abriu o placar completando assistência de Everton. Com Nenê formaram o trio ofensivo que vai ganhando liga. Antes fechando o quarteto com Marcos Guilherme pela direita. Ponteiro que tem contrato até 30 de junho e, sem acordo com o Atlético Paranaense, dosa as partidas para não chegar a sete e ele não poder mais atuar pelo Brasileiro. Em Belo Horizonte entrou Araruna, titular depois de quatro meses. Um volante aberto pela direita.

Com Araruna, São Paulo preencheu melhor o meio-campo no 4-2-3-1 com um “ponta-volante” pela direita no auxilío a Militão e, principalmente, deu liberdade ao trio Nenê-Everton-Diego Souza (Tactical Pad).

Não é novidade. No momento em que o 4-2-3-1 virou moda no mundo e chegou ao Brasil, uma das grandes preocupações dos treinadores era com o preenchimento do meio-campo. Um meia de criação, dois ponteiros e o centroavante. Um volante mais fixo na proteção da defesa e sobrava um imenso pedaço de campo a ser preenchido pelo volante mais adiantado.

Dunga e Jorginho encontraram uma solução com Elano para auxiliar Gilberto Silva e Felipe Melo e dando liberdade a Kaká e Robinho se juntando a Luis Fabiano. Ramires era a reposição em função que se tornou fundamental na execução do misto de 4-2-3-1 com o losango no meio-campo. Ou um 4-3-1-2 sem sacrificar tanto os laterais, motivo pelo qual o desenho caiu em desuso.

Até hoje Dunga lamenta não ter sacado Ramires com a vitória garantida sobre o Chile nas oitavas. Cartão amarelo, suspensão e, com Daniel Alves, o meio enfraquecido que sucumbiu diante da Holanda.

Ficou o legado desta variação tática, que Dunga colocou em prática na sua passagem pelo Internacional em 2013. Com Fred, hoje na seleção brasileira e de partida para o Manchester United. Fez eco em outras equipes e hoje é uma das marcas do rival colorado, o Grêmio.

Ramiro é o “ponta volante” de Renato Gaúcho. Que tem função parecida com a do ponteiro “armador”, que parte do flanco para o centro, porém é menos ofensivo. Participa da construção um pouco mais recuado, perto da dupla de volantes. Tem liberdade de movimentação e abre o corredor para o lateral, além de liberar o meia central e o ponta do lado oposto para se juntar ao centroavante. Também deixa um espaço para que alguém infiltre como elemento surpresa.

Na prática, a lógica é a mesma da origem da inclusão de um terceiro homem no meio-campo que ganhou o mundo com Zagallo mais claramente na Copa de 1962, embora já se fizesse notar quatro anos antes na Suécia. Reforça o meio-campo ao lado de Zito e Didi e o espaço pela esquerda é aproveitado por alguém do trio ofensivo. Na Copa realizado no Chile, Amarildo, o substituto do lesionado Pelé, foi quem apareceu por ali, inclusive para marcar o primeiro gol dos 3 a 1 na final sobre a Tchecoslováquia.

Voltando ao São Paulo em 2018, Araruna ajudou Militão a fechar o setor direito e equilibrou o meio-campo com Jucilei e Hudson. Nada especial, até pela falta de costume na função e o desentrosamento com os companheiros. Segundo o Footstats, acertou 13 passes, errou dois. Nenhum desarme correto, nenhuma interceptação. Dois cruzamentos errados. Não finalizou nenhuma jogada.

Importante foi o posicionamento em campo que deu um encaixe melhor ao time e facilitou o trabalho do trio da frente. No primeiro gol, o contragolpe é trabalhado por Nenê, que aciona Everton e este serve Diego Souza aparecendo pela direita para completar.

No contragolpe do primeiro gol, Nenê aciona Everton, que vai servir Diego Souza aparecendo do lado oposto. Na imagem, Araruna chega por trás porque estava mais próximo dos volantes que dos companheiros do setor ofensivo (reprodução Premiere).

Aguirre é adepto do rodízio e das mudanças táticas de acordo com o adversário e dependendo do contexto. Mas pode usar  mais vezes Araruna ou outro jogador como o “ponta-volante” que equilibra o time e distribui melhor as peças em campo.

(Estatísticas: Footstats)


Atlético-MG, líder e livre para o Brasileiro. Será o Corinthians de 2018?
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André Rocha

No dia 8 de maio, o Atlético Mineiro foi eliminado da Copa Sul-Americana no zero a zero contra o San Lorenzo no Estádio Independência – perdera no Nuevo Gasômetro por 1 a 0. Oito dias depois, novo revés em mata-mata, desta vez nos pênaltis após dois empates sem gols contra a Chapecoense. Ainda que tenha utilizado reservas na competição continental e o presidente Sette Câmara chamado o torneio de “segunda divisão” da América do Sul, não deixam de ser eliminações um tanto prematuras de duas das três frentes do time em nível nacional e internacional na temporada.

Mas pode ter um lado bom, por mais paradoxal que possa parecer. E este novo cenário já se fez presente no clássico contra o Cruzeiro no Independência. Pensando na disputa da primeira vaga do Grupo 5 da Libertadores no Mineirão contra o Racing, o rival mandou a campo um time repleto de reservas.

Um deles, o argentino Mancuello, acabou expulso aos três minutos da segunda etapa. Aumentando o domínio atleticano de 64% de posse e 16 finalizações, seis no alvo. A mais precisa de Roger Guedes, artilheiro do Brasileiro com cinco gols. Vitória por 1 a 0 e liderança provisória em seis rodadas, esperando que o Corinthians não vença o Sport na Arena Pernambuco e salte na frente pelo saldo de gols.

Mas mesmo que o atual campeão termine o fim de semana no topo da tabela, mais à frente certamente terá que optar por um time “alternativo”. Porque a equipe paulista já está nas quartas da Copa do Brasil e nas oitavas da Libertadores. Assim como outros favoritos, confirmados ou quase lá. Todos enfrentarão um calendário atropelado, com jogos seguidos, depois da parada para a Copa do Mundo.

Sem as semanas cheias de trabalho e o foco do título corintiano em 2017 – definindo a prioridade desde o início e, por conta da vantagem construída na liderança do turno, tratando a Sul-Americana como uma competição secundária. Deve ser a arma do Galo a partir de agora. Com o jovem treinador Thiago Larghi podendo afirmar sua maneira de jogar que preza a posse de bola e o jogo construído desde a defesa, mas acelera no ataque com Luan, Cazares, Otero e Roger Guedes. Os quatro que se alternam no trio de meias que se junta a Elias na aproximação de Ricardo Oliveira.

Já é o time que mais finaliza, o terceiro em acerto de passes, o quarto em posse de bola. Também o terceiro que mais acerta desarmes. Haverá tempo para aprimorar, potencializando virtudes e minimizando defeitos. Porque serão menos viagens e mais dias de treinamento. Mesmo com todos se nivelando durante o Mundial da Rússia, a vantagem é inegável.

Consequência do novo calendário que vai criando dilemas no futebol brasileiro. A cultura nacional de mata-mata e a visão de que em outras competições o clube precisa de menos partidas para lutar pelo título acaba esvaziando o campeonato que devia ser mais valorizado. Na hora de escolher entre o jogo decisivo agora e o que pode ter os pontos recuperados mais à frente, a opção no nosso imediatismo de todo dia é clara.

É neste “vácuo” que o Atlético Mineiro pode crescer. Quem sabe se transformar no Corinthians versão 2018. Se terminar com a taça que não vem desde 1971, a impressão de temporada ruim de agora será esquecida. Pode até ser o time brasileiro do ano caso algum compatriota não vença a Libertadores. Estranho, não? Mas na prática é assim que funciona.

(Estatísticas: Footstats)


É o melhor Grêmio que vi jogar, mesmo que não se torne o maior da história
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André Rocha

Renato Gaúcho costuma dizer que o Grêmio em que jogou nos anos 1980 era melhor que o atual porque na época havia mais craques. Opinião que merece respeito. Afinal, ele atuou em um e dirige o outro. Mas este que escreve viu, inclusive em estádio, jogar a equipe campeã da Libertadores em 1983, finalista do torneio continental do ano seguinte e do Brasileiro em 1982.

Podia ser competitiva, guerreira, eficiente. Mas na bola jogada a equipe atual sobra. Inclusive em comparação com outras, com a também campeã da América em 1995. Começando pelo meio-campo, com Maicon, Arthur e Luan. Jogadores muito melhores que China, Bonamigo, Osvaldo, Vilson Tadei, Tita…Também Dinho, Emerson, Arilson, Luis Carlos Goiano, Carlos Miguel…

É bonito ver o atual campeão sul-americano jogar. E que bom quando Renato Gaúcho coloca os titulares também no Brasileiro. Infelicidade do Santos, que saiu da Arena em Porto Alegre com um 5 a 1, fora o baile.

Não que a equipe de Jair Ventura tenha se entregado desde o início. Procurou fechar bem os espaços, com duas linhas de quatro compactas e deixando Gabigol e a joia Rodrygo mais adiantados. Conseguiu relativamente bem, apesar da dificuldade para sair jogando diante da pressão do time da casa.

Até Maicon colocar no ângulo de Vanderlei em chute de fora da área, mais um recurso de uma equipe cada vez mais completa. Infelicidade no gol de Jean Motta logo na sequência, em chute que desviou em Kannemann. Mas tranquilidade e confiança para seguir jogando e construir a goleada na segunda etapa.

Everton, outra vez Maicon em cobrança de falta, André e Arthur. Jogando ao natural. Tocando, girando, dando opção para o jogador que está com a bola. Execução do 4-2-3-1 cada vez mais ajustada. Acelerando e desacelerando quando preciso. 61% de posse, 18 finalizações – metade na direção da meta de Vanderlei. 574 passes, com 93% de acertos.

O Grêmio gosta da bola e o futebol agradece. Se renderá mais taças o futuro dirá. Mas é o melhor Grêmio que vi jogar, mesmo que não se torne o maior da história.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Liderança do Flamengo significa quase nada além do topo da tabela
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André Rocha

Vitória, América e Ceará. Três rodadas, Duas vitórias, um empate. Sete pontos. Primeiro lugar na tabela de classificação.

Se fosse Corinthians ou Grêmio a ocupar esta colocação significaria pouco além da afirmação da autoridade da dupla formada pelo campeão brasileiro e o da Libertadores através de suas identidades de jogo. Confirmadas com as conquistas estaduais superando seus maiores rivais.

No caso do Flamengo, que terminou 2017 com uma conquista estadual, dois vices e a última vaga direta na fase de grupos do principal torneio continental e que no Carioca deste ano construiu a melhor campanha nos dois turnos vencendo apenas clássicos contra o Botafogo, mas perdendo e sendo eliminado pelo mesmo rival no confronto mais importante, significa quase nada.

Não só pelas muitas fragilidades dos adversários, que neste momento da temporada podem vislumbrar apenas a luta para seguir na Série A. Principalmente por conta da turbulência política, dos problemas no comando do futebol, da inexperiência do treinador Mauricio Barbieri e da própria inconstância tática do time. Sem contar as oscilações no aspecto mental em grandes jogos.

As três partidas até aqui tiveram seus simbolismos. Primeiro a estreia oficial do time sob comando de Barbieri, cercada de expectativas depois de um período de 17 dias sem jogos valendo três pontos. Empate em 2 a 2 contra o Vitória no Barradão com arbitragem polêmica. Na segunda rodada, despedida de Julio César em um Maracanã cheio e nostálgico. E a equipe precisou de intervenções importantes do goleiro para segurar os 2 a 0 sobre o América.

No Castelão, o apoio da massa cearense em contraste com o clima hostil no aeroporto ainda no Rio de Janeiro criou um ambiente positivo para o jogo. Ajudado pelo “efeito Paquetá”. Com o jovem no meio-campo, auxiliando Cuéllar no combate e na construção e dando liberdade a Diego para jogar mais próximo de Henrique Dourado em um 4-1-4-1 que na prática se transformava num 4-2-3-1, a equipe rubro-negra cresceu coletivamente. Mesmo ainda insistindo nos cruzamentos na primeira etapa, colocou mais a bola no chão e construiu os 3 a 0 com naturalidade.

Vinícius Júnior foi outro destaque com um gol fazendo a infiltração em diagonal que se espera dele desde a promoção para o profissional e também o posicionamento perfeito na área para completar a assistência de Rodinei. No terceiro gol, a imagem da rodada com Diego, que confirmou ter sofrido agressão na sexta, comemorando nos braços da torcida. Gesto que pode ser o início de redenção se for acompanhado de evolução no desempenho em campo.

Enfim, um alento. Também a esperança de dias de paz e de que enfim as peças encontrem encaixe – o lado direito com Everton Ribeiro abrindo o corredor para o apoio de Rodinei demonstrou uma sintonia ainda não vista. Necessita, porém, de sequência. Consistência. Começando pelo duelo contra a Ponte Preta pela Copa do Brasil.

Assim como no ano passado, o destino na Libertadores será decisivo para a sequência da temporada. Se cumprir a missão de passar da fase de grupos a atmosfera será outra. Mas se novamente for eliminado tudo se transforma numa grande incógnita para depois da Copa do Mundo.

Por enquanto, a liderança no Brasileiro vale apenas pelo simbolismo de alcançar o topo da tabela, algo que não acontecia desde 2011. Com o time de Vanderlei Luxemburgo, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves. O de 2018 tem muito mais a provar.


Grêmio e Atlético-PR: um zero a zero para só se falar de futebol
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André Rocha

A maior prova de respeito do Renato Gaúcho campeão da América por Fernando Diniz e seu Atlético Paranaense foi o Grêmio completo, concentrado e repetindo a marcação implacável no campo de ataque da final da Libertadores contra o Lanús.

Só assim para impor a superioridade de quase dois anos de trabalho do atual treinador. Mais de três se pensarmos em um estilo que veio com Roger Machado e ganhou polimento, consciência e objetividade com Renato. Não porque Diniz seja um gênio ou mago. Apenas quer seu time jogando futebol durante noventa minutos, em qualquer estádio.

A atuação mais consistente do time que pratica o melhor futebol do país terminou sem gols, apesar das 20 finalizações – apenas seis na direção da meta do goleiro Santos. O Atlético Paranaense se recuperou na segunda etapa e só não impôs mais dificuldades pela expulsão de Camacho.

Com inferioridade numérica e atletas já desgastados por uma disputa intensa, Diniz não foi romântico nem suicida. Priorizou o ponto na Arena do Grêmio. Porque isso faz parte do futebol competitivo. Assim como a revolta pela primeira etapa de domínio absoluto do adversário. E certamente o discurso de Renato exaltando o grande jogo seria bem diferente se fosse numa partida de ida de um mata-mata sem gol qualificado, por exemplo. O pragmatismo também faz parte do jogo. Só não precisa ser o elemento único.

Algumas ideias básicas precisam ser resgatadas no Brasil. A primeira é de que a busca por um futebol ofensivo, capaz de envolver o adversário e chegar à meta do oponente nada tem de romântico ou idealista. Muito menos é algo condicionado a quanto o clube pode gastar contratando os mais valiosos jogadores. Ou seja, um privilégio das potências europeias. É apenas uma das muitas formas de se praticar o esporte bretão e buscar o objetivo final que é a vitória. Com suas virtudes, defeitos e riscos.

Diniz vai um pouco além, quer seus jogadores resgatando aquele prazer original de ter a bola e se divertir dentro da responsabilidade de um trabalho. Algo que tantos fazem nas mais diversas atividades humanas em todo o planeta. E está provado que o rendimento aumenta exatamente quando no exercício profissional o indivíduo nem lembra que é pago para fazer aquilo. Faria até de graça se não tivesse contas para quitar.

Um contraponto nesse ambiente em que parece que tudo tem que ser sofrido. Nesta mesma segunda rodada do Brasileirão tivemos um clássico nacional entre Palmeiras e Internacional no Pacaembu. Gol único de Dudu no primeiro tempo. Celebração? Para o jogador não havia clima para isto diante de tanta tensão e cobrança. O momento máximo do mais emocionante dos esportes não passava de uma obrigação. Onde estava o prazer?

A mentalidade imediatista e que trata o resultado como um fim em si mesmo dificulta o entendimento de que o jogo é um processo. Eventualmente acontece num clique, na reunião e identificação imediata dos talentos. Também é possível vencer trabalhando mal e na base do sofrimento. Mas o que o Grêmio consegue fazer não se constroi de uma hora para outra. O Atlético está no início de sua trajetória.

Precisa ter margem de erro para o aprendizado e a correção. No Brasil parece um pecado mortal. A urgência é tão grande que se o time gaúcho tivesse vencido por um a zero com o chute de Luan no primeiro tempo que parou no travessão depois de um equívoco na saída de bola atleticana para muitos já seria motivo para demitir Diniz. A perda de um ponto dentro de um campeonato com 38 rodadas é mais importante que a consolidação de um modelo de jogo que pode render mais vitórias e pontos lá na frente. Que já conquistou quatro em duas rodadas.

Talvez por isso o zero a zero. Para que seja lembrado apenas pelo futebol praticado. Sem a arbitragem ou qualquer outra questão periférica como protagonista. Onde os desenhos táticos foram quase irrelevantes diante da dinâmica, da mobilidade e também da simplicidade de alguns movimentos que mostraram o óbvio: se um companheiro dá opção, o passe fica mais fácil. E passando o time progride em direção à meta adversária de forma mais coordenada. Não precisa ser gênio, nem craque. Apenas querer e saber fazer.

A partida parou pouco e o tempo passou rápido para quem assistiu com olhos de ver. Sem a ânsia do gol. Do “jogaço” em que não há uma bola na rede como consequência de jogada construída. Para muitos, se houver oito gols, quatro para cada lado, marcados de forma aleatória, na ligação direta ou na furada grotesca do zagueiro é o que vale. Legítimo apreciar apenas a emoção instantânea do futebol. Extrair só a adrenalina.

O que se pede aqui não é unanimidade nem ditadura de uma maneira de jogar. Há várias e todas com seu valor. O post só espera respeito à essência do esporte que é o jogo. O que Grêmio e Atlético Paranaense praticaram com excelência em Porto Alegre. Mesmo sem os maiores orçamentos do país. Mesmo sem bolas nas redes.

(Estatísticas: Footstats)


São Paulo e Internacional: gigantes ancorados no passado precisam despertar
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André Rocha

Em 2006, Internacional e São Paulo decidiram a Libertadores. Dois anos depois, o tricolor paulista era tricampeão brasileiro e o Colorado vencia uma Copa Sul-Americana com Tite no comando técnico.

Uma década se passou desde então e a eliminação da dupla na Copa do Brasil antes das oitavas de final, quando entram os times envolvidos com Libertadores, é emblemática. Ainda que os méritos de Atlético Paranaense e Vitória sejam enormes.

Simbolizam clubes que depois de um período muito vitorioso acreditaram na utopia de ostentarem uma fórmula vencedora no cíclico futebol brasileiro. Confundiram manutenção da linha de trabalho com “continuismo”. Hoje se veem dando voltas em torno do próprio rabo.

No Internacional, de 2002 a 2016 orbitaram no comando Fernando Carvalho, Giovanni Luigi e Vitório Piffero, culminando com a página mais triste da história do clube: o rebaixamento. Só assim para vingar uma candidatura de oposição. Mas nem tanto assim, já que Marcelo Medeiros, o atual presidente, trabalhou na direção das categorias de base na gestão de Fernando Carvalho.

É claro que a década não pode ser considerada perdida. Além do bem sucedido plano de sócio-torcedor e a modernização do Beira-Rio, o Inter conquistou outra Libertadores em 2010 e impôs um domínio estadual com oito conquistas, seis consecutivas. A importância dada ao Gauchão até se entende pela rivalidade com o Grêmio.

O período sem conquistas relevantes do tricolor, incluindo um rebaixamento em 2005, talvez tenha acomodado ainda mais o Colorado. Só com a virada na “Era Renato Gaúcho” desde a Copa do Brasil em 2016, coincidindo com o próprio rebaixamento,  para a constatação do mau momento vir forte. Mas mudar a direção do olhar não é fácil. Mais simples continuar tratando o passado como referência e ainda depender do talento de Andrés D’Alessandro aos 37 anos.

O mesmo vale para o São Paulo. De 2006 a 2014 com Juvenal Juvêncio. Depois Carlos Miguel Aidar até a renúncia e a chegada de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Sempre os mesmos cardeais no poder, blindados por um estatuto antiquado e protecionista.

Ultrapassado por Corinthians e Palmeiras com suas arenas e pelo Santos na Era Neymar. Sem o poder do Morumbi como único grande palco na cidade para jogos e espetáculos. Mas principalmente pela fé de que bastava seguir a mesma receita de bolo para tudo voltar aos “bons tempos”.

Nestes dez anos, apenas a Sul-Americana de 2012 como conquista com alguma relevância. Nenhum estadual. Ainda a seca histórica na Copa do Brasil, que em 2019 completa 30 anos. Pior é a sensação de que um gigante de seis títulos brasileiros, três Libertadores e três Mundiais está, na prática, se tornando um time médio.

As trocas seguidas de treinadores e jogadores demonstram uma incerteza quanto ao futuro. Paradoxalmente, o clube sempre parece mirar o passado atrás de um porto seguro. Contar com Raí, Ricardo Rocha e Lugano na diretoria é um exemplo claro. Só que eles não entram mais em campo. E as decisões nestes primeiros meses não parecem muito diferentes das práticas dos antecessores.

É preciso despertar. Também ter a humildade de aprender com os rivais. Se Corinthians e Grêmio hoje possuem uma identidade no futebol, São Paulo e Internacional continuam sem face. Ou com um rosto envelhecido desejando o vigor do passado. Sem ruptura ou reinvenção.

Só ficou a grandeza da história. Mas de gigantes ancorados, que ainda não se convenceram que o tempo não pára e é preciso seguir em frente, sem o olhar fixo no retrovisor.


A arte de Arthur no Mineirão e o “desperdício” do Grêmio no Brasileiro
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André Rocha

Foto: Daniel Coelho/Agência PressDigital/GFBPA)

Arthur acertou 96 passes e errou apenas dois na vitória do Grêmio sobre o Cruzeiro por 1 a 0 no Mineirão abrindo a Série A do Brasileiro 2018. Números que dizem menos que a arte do jovem meio-campista de 21 anos, já negociado ao Barcelona, de controlar e ditar o ritmo de jogo.

Com Maicon e Ramiro e mesmo sem Luan, substituído por Cícero, fez o time de Renato Gaúcho atuar como protagonista fora de casa diante de um dos candidatos em potencial ao título nacional. Chegou a ter 70% de posse e fechou a primeira etapa com 61%. Finalizou pouco, apenas cinco vezes, duas no alvo, contra 13 do adversário – só três na direção da meta de Marcelo Grohe.

Na bela ação de Ramiro, o desvio de Cícero e o gol do estreante André. Ratificando no placar uma superioridade clara do campeão da Libertadores e gaúcho sobre o da Copa do Brasil e mineiro que, mais uma vez, ficou devendo futebol em um grande desafio. O tricolor tem uma maneira definida de jogar que vai se aprimorando com o entrosamento de uma base pouco mexida ao longo do tempo. Mesmo sem Geromel, gripado, e depois Kannemann, expulso, a retaguarda sofreu pouco.

Também porque conta com o meio-campista mais completo e promissor do país. Arthur é um luxo em campo. Passes curtos e longos. Para trás criando espaços, para o lado mantendo o controle e para a frente acelerando os ataques. É para Tite olhar com carinho e pensar. Na seleção brasileira não há ninguém com as mesmas características. O mais próximo é Renato Augusto, que perdeu espaço por não acompanhar a competitividade dos demais atuando na China.

O futebol jogado no Brasil pode não ser parâmetro. Mas a inteligência de Arthur em campo é um norte seguro para o Grêmio. Depois que voltou à equipe titular o desempenho coletivo só cresce. Não é por acaso que o gigante catalão, com tradição em meio-campistas talentosos da estirpe de Xavi e Iniesta, tenha desembolsado cerca de 30 milhões de euros acreditando ter um jogador pronto e com um grande lastro de evolução.

Arthur fica no Rio Grande do Sul até o final do ano. Ou seja, poderia disputar o todo Brasileirão. Com chances reais de título ao lado do atual campeão Corinthians e mais alguém que surgir forte no caminho. O problema é que o clube tem uma cultura que despreza os pontos corridos.

Quando foi vice em 2008 e 2013, o tricolor gaúcho não disputou Copa do Brasil ou Libertadores em paralelo. Agora, na primeira rodada, Renato Gaúcho já poupou Luan e afirmou o discurso de dar descanso a atletas ao longo da competição. Mesmo garantindo que entra em todos os campeonatos para vencer, está claro que quando for preciso novamente mandará a campo reservas nos pontos corridos. O foco será manter uma colocação que garanta a vaga para a próxima edição do torneio continental no caso de não vencer as outras competições.

Parece pouco. O Grêmio é um caso único entre os clubes do país: possui mais conquistas da Libertadores que do Brasileiro. Três a dois. O último em 1996, ainda com a fórmula de etapas eliminatórias. Agora, pelo visto, só há alguma chance se ficar de fora dos outros torneios a tempo de uma arrancada nos pontos corridos. Ou conseguir o feito de se manter competitivo em todas as frentes. Improvável.

O Grêmio é copeiro e deve se orgulhar muito desta cultura. Mas não deixa de ser um “desperdício” imaginar que ficaremos privados do melhor do campeão sul-americano em vários jogos da principal competição nacional. Inclusive do talento de Arthur.

(Estatísticas: Footstats)


Qualquer projeção para o Brasileirão é chute, puro e simples
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André Rocha

Todo ano era a mesma tortura. Fim dos estaduais e logo aparecia alguém pedindo projeções para o Brasileirão. Título, vagas na Libertadores, rebaixados. Em maio. Para um campeonato que acaba no fim de novembro. Com uma janela de transferências que parece nunca fechar. Agora Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil durando o ano todo.

E quem é pago para analisar tinha que recorrer ao tiro no escuro. Para ser cobrado depois porque para muita gente quem trabalha com futebol tem que ser adivinho e cravar o que vai acontecer, mesmo com tantas variáveis possíveis. Como se jornalistas de Economia ou Política tivessem que prever todas as oscilações de mercado ou diplomáticas e traçar um cenário preciso até o fim do ano para serem considerados minimamente competentes.

Na era dos memes e da zoeira que sempre carrega um pouco de covardia, mas dá para tirar de letra, o que é dito ou escrito tem que valer por seis meses. Se errar logo vêm os mantras “tá fácil ser jornalista”, “por isso não exigem diploma” e outras pérolas dos “jênios” da internet. Os profetas do acontecido que ficam calados no conforto do anonimato para garantirem que sabiam lá atrás e quem é pago para isso tinha que carregar a mesma certeza.

Mas como imaginar o que virá? Mesmo descontando toda a imprevisibilidade do esporte, no Brasil é ainda mais complicado. Imaginem os guias da competição já furados com as prováveis saídas de Everton do Flamengo para o São Paulo, de Maycon do Corinthians para o Shakhtar Donetsk e de Roger do Internacional para o Corinthians.

Sem contar que o time que joga o melhor futebol do país, o Grêmio, até por sua cultura copeira, deve novamente poupar jogadores na competição por pontos corridos e priorizar Libertadores e Copa do Brasil. E o Corinthians, atual campeão e favorito natural, desta vez não terá o respiro do ano passado e também dividirá esforços. Com elencos mexidos o tempo todo.

E os grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, regidos pelos humores e arroubos de dirigentes-torcedores, embalados por redes sociais? Com escolhas mais políticas que técnicas. Sem ideias ou norte, ao menos por enquanto. Só agora começam a entender a importância de ter uma identidade, como o Cruzeiro de Mano Menezes vai tentando implementar, mas também muito condicionado a resultados, até pelo alto investimento na formação do elenco.

São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Vitória e o Atlético Paranaense de Fernando Diniz formam um “blocão” de incógnitas que podem circular entre zona de Libertadores e Z-4. Como de costume, Ceará, Paraná e América-MG, os times que subiram além do “gigante redimido”, são cantados como bolas da vez para cair pela famosa dificuldade de se manter depois do acesso. Ainda que Enderson Moreira e Marcelo Chamusca tenham trabalhos consolidados em seus clubes e possam, sim, tornar suas equipes competitivas. Quem vai saber?

Para completar, um campeonato com seus desequilíbrios por forças das circunstâncias. Como um time encarar os reservas do Grêmio e outro sofrer diante da equipe principal de Renato Gaúcho focada naquela rodada específica. Ou o time beneficiado pela perda do mando de campo do adversário. Três pontos que podem fazer toda diferença. Na tabela ou no estado de ânimo de uma equipe.

Por isso o equilíbrio que gera a emoção que muitos confundem como qualidade ou virtude. Será que nossos times vão usar a concentração e a organização não só para defender e teremos times atacando melhor? Ou será novamente o campeonato do futebol reativo, de contragolpe? Nenhum time vive e viverá mais este dilema do que o Santos do DNA ofensivo, mas agora comandado pelo pragmático Jair Ventura.

Com pressão por resultados, viagens e mais viagens e pouco tempo em campo para treinar é difícil imaginar algo mais elaborado. Por mais que os treinadores da nova safra tentem. E ainda tem o vestiário, ambiente sempre espinhoso e que diz muito da verdade do campo. Por isto a lacuna ainda não preenchida pelos jovens comandantes buscando afirmação para substituírem de vez os da “Velha Guarda”.

A sorte está lançada. Vejamos quem será o mais competente, contando também com a proteção tão bem-vinda do acaso. Palpites? Ainda bem que desta vez ninguém pediu nada ao blogueiro. Projeção a esta altura é chute, puro e simples. Melhor analisar rodada a rodada. Até porque quem pensa jogo a jogo sempre está mais perto da taça nesta loucura que é o Brasileirão.

 


Palmeiras e Grêmio começam a sobrar no país e tudo parte do meio-campo
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André Rocha

Independentemente do que acontecer nas decisões estaduais em São Paulo e no Rio Grande do Sul e também das campanhas invictas até aqui na Libertadores, a análise de desempenho, com mais ênfase nas atuações recentes, sinalizam que Palmeiras e Grêmio começam a se desgarrar dos demais como os melhores times do país.

Equipes que alternam posse de bola para controle do jogo e intensidade nas transições ofensivas e defensivas e na pressão logo após a perda da bola. Times inteligentes. Consciência que parte do meio-campo.

Reunir Arthur, Maicon e Luan de um lado e Felipe Melo, Bruno Henrique ou Moisés e Lucas Lima do outro, para o nível do futebol jogado no Brasil, é garantir eficácia nos passes desde o início da construção das jogadas e variação de ritmos de acordo com a necessidade.

O entrosamento e a combinação de características fazem o trio do Grêmio render mais e protagonizar belos lances. Sem contar a confiança pelos títulos recentes e o trabalho de Renato Gaúcho já bem assimilado. Roger Machado ainda está no início de seu trabalho e, por consequência, está um passo atrás.

Aliás, curioso observar que os treinadores acabaram influenciando um no trabalho do outro, direta ou indiretamente. Renato recebeu o Grêmio de Roger, manteve a ideia e o modelo de jogo a partir da posse de bola e das triangulações e efetuou ajustes tornando o time mais rápido e contundente na frente, intenso no trabalho defensivo e atento nas bolas paradas.

Exatamente o que Roger vem alterando em seu repertório, agora no Palmeiras. Até pela urgência de resultados para se estabilizar no comando do time mais pressionado do país em 2018. Na impossibilidade de contar com tempo para fazer com que a marcação por zona não seja passiva como aconteceu especialmente diante do Corinthians na fase de grupos do Paulista, o comandante agora estimula os encaixes e algumas perseguições individuais mais longas para garantir a concentração dos atletas.

Um pouco de Renato, outro tanto de Cuca, último técnico campeão no alviverde. Para evitar problemas como os que Alberto Valentim passou. Basicamente, adiantar a última linha de defesa, mas sem fazer pressão no adversário sem a bola e fechar as linhas de passe.

Com a posse, o Palmeiras roda a bola , concentra jogadores de um lado, preferencialmente o esquerdo, até a bola chegar a Felipe Melo ou Lucas Lima quando este recua e acontece a inversão rapidamente buscando o ponteiro do lado oposto. Normalmente Dudu, que vem crescendo de produção no setor direito. Com mais volume de jogo e ações de ataque com profundidade, Borja também cresce como o artilheiro do time no ano.

Assim como Jael, substituto de Lucas Barrios e a mudança mais significativa na virada do ano, aproveita o momento positivo para arriscar cobranças de falta, assistências de letra. Mais os gols, completando as jogadas bem articuladas. O entrosamento com Everton, que infiltra em diagonal para se juntar ao centroavante, só torna os ataques mais fluidos e com momentos de beleza. Coisa rara por aqui.

É óbvio que há ainda muita margem de evolução e alguns jogos pelo estadual – no caso do Grêmio, mesmo na final – não servem como parâmetro seguro para avaliações mais profundas. Ainda assim, a proposta e a execução parecem mais alinhadas, potencializando o talento através do trabalho coletivo. Com o toque diferente no meio-campo.

Domingo ambos podem levantar taças. Para o Grêmio significaria o fim de um período de oito anos sem conquistas na competição. Já o Palmeiras ganharia mais confiança para seguir a sua saga na temporada em que todos não aceitam menos que o máximo em conquistas.

O que se espera é que se algo der errado em termos de resultado o trabalho até aqui não seja descartado. Seria um desperdício. Mais um na terra do futebol de resultados.