Blog do André Rocha

Arquivo : Guardiola

De Conte para Guardiola, mais uma aula de Premier League
Comentários Comente

André Rocha

Primeiro tempo de eficiência do Chelsea na frente com Hazard, mas problemas pela direita com Sané ganhando na velocidade de Zouma às costas de Azpilicueta, de volta à lateral direita (Tactical Pad).

O Stamford Bridge não viu uma grande atuação técnica ou arrasadora nos contragolpes como as que o Chelsea protagonizou para construir sua liderança absoluta no Campeonato Inglês.

Mas foi mais uma aula de Premier League que Antonio Conte, em sua primeira temporada, concede ao colega, também “debutante”, Pep Guardiola.

A palavra é eficiência. Mesma virtude dos 3 a 1 no Etihad Stadium, o triunfo que consolidou o time londrino como favorito ao título. Os Blues tiveram 40% de posse, finalizaram 10 vezes. Quatro no alvo. Três terminaram em gols. O primeiro de Hazard, em chute que desviou em Kompany e Caballero aceitou. No segundo do craque belga, a cobrança do pênalti – tolo, de Fernandinho em Pedro – que o goleiro argentino deu rebote e o próprio camisa dez aproveitou.

Outra lição é a de leitura de jogo para mexer no time, mesmo vencendo e não sendo a prática habitual do técnico que menos faz substituições na liga. Como Zouma sofria para conter a velocidade de Sané, Conte voltou Azpilicueta para sua função de zagueiro e recuou Pedro como ala. O zagueiro francês deu lugar a Matic, que foi preencher o meio com Kanté e Fábregas, que abria à direita apenas para conter os avanços esporádicos de Clichy.

Enquanto isso, Guardiola apostou na sua ideia de controlar a bola, trocar passes, buscar superioridade numérica no meio. Sem o passe vertical, porém. Finalizou 17 vezes, sete na direção da meta de Courtois. Mas, a rigor, chances reais foram apenas quatro: o gol de Kun Aguero no rebote do chute de David Silva em falha de Courtois na saída de bola; a infiltração de Sané às costas de Zouma que certamente influenciou a mexida de Conte na volta do intervalo.

Na segunda etapa, toques e mais toques dos citizens rondando a área. Mesmo sem criatividade e perspectivas de reação, só fez a primeira substituição aos 34 minutos da segunda etapa – Sterling na vaga do decepcionante De Bruyne. E oportunidades claras só nos acréscimos, com Aguero e o incrível gol perdido de Stones.

Muito pouco para quem ocupou o campo de ataque. Porque o controle do jogo foi do Chelsea, mesmo sem a bola. A última linha bem posicionada com um David Luiz mais uma vez chamando a atenção, paradoxalmente, pela discrição. Pouco aparece, para o bem e para o mal. Joga simples, como nunca.

A troca de Zouma por Matic devolveu Azpilicueta à zaga para cobrir Pedro contra Sané e preencher mais o meio com Fabregas fechando o centro e abrir eventualmente para cobrir os avanços esporádicos de Clichy. O s Blues controlaram o jogo sem a bola e Guardiola só mexeu no time no final (Tactical Pad).

O Chelsea não dá espetáculo e desta vez pouco acionou o pivô e artilheiro Diego Costa. Deixou o domínio, ainda que inócuo, para o adversário e foi pragmático para vencer, não permitir a aproximação do Tottenham depois da derrota na última rodada para o Crystal Palace em casa. A vantagem no topo da tabela segue nos sete pontos.

Pep Guardiola volta para Manchester com muito para pensar. Parece claro que não confia no elenco do City – a ponto de improvisar Jesús Navas na ala direita e deixar Zabaleta mofando no banco. Na próxima temporada, além da reformulação no grupo de jogadores, valem as lições de Conte: na “loucura” da Premier League, quando ataca é preciso ir às redes e no trabalho defensivo precisa controlar e negar espaços na zona de decisão.

O italiano aprendeu bem rápido. Ou já chegou pronto para dominar a liga.

(Estatísticas: BBC)

 

 


Viva o Monaco! E Guardiola volta para casa com duas substituições a fazer
Comentários Comente

André Rocha

O Monaco repetiu em casa a estratégia da partida em Manchester: intensidade máxima e volume sufocante no primeiro tempo. Com muita gente no campo de ataque e a qualidade de Mendy, Fabinho, Lemar, Bernardo e Mbappé, mesmo sem o lesionado Falcao, abriu os 2 a 0 que precisava.

Finalizou seis vezes, três na direção da meta de Caballero. Contra zero do City que não jogou. Sequer conseguiu mais posse – terminou com 49%. David Silva parecia jogar uma rotação abaixo.

Tudo mudou na segunda etapa. O time francês comandado por Leonardo Jardim dá a impressão de não saber controlar jogo, é muito vertical. O desgaste veio naturalmente e o City começou a se impor.

Mas Aguero perdeu duas chances cristalinas. Foi preciso Sané entrar em cena para os visitantes alcançarem o gol que parecia encaminhar a classificação. Mbappé e Fabinho, autores dos gols, sumiram exaustos na segunda etapa. O jovem atacante, inclusive, deu lugar a João Moutinho para segurar a vantagem.

Construída na bola parada letal, complicadíssima de ser bloqueada. Bakayoko foi preciso no deslocamento e no movimento para o cabeceio. Aí valeu a fibra, a vontade de fazer história, de repetir a trajetória da temporada 2003/04 se metendo entre os grandes do continente.

A classificação dos franceses é um sopro de renovação. Em termos de proposta de jogo ultraofensiva, mas especialmente nos nomes que devem ser disputados a tapa na próxima janela de transferências. O Monaco jogou para se classificar, dentro e fora.

Mas a pergunta do título do post não quer calar. Por que Guardiola trocou apenas Clichy por Iheanacho? O City jogou quarta-feira pela Premier League, no sábado pela Copa da Inglaterra. Lutou demais na segunda etapa, terminando com 59% de posse e equilibrando nas finalizações. Era preciso, no mínimo, reoxigenar o time.

Tentar para não se arrepender por não ter arriscado. Era sua primeira eliminação antes das semifinais. Quem sabe Yaya Touré na área adversária, ou tentando um chute de fora? Qualquer coisa para mudar o cenário desfavorável. Nada justifica, nem um elenco sem o potencial dos que comandou anteriormente.

Na última tentativa, De Bruyne, com a camisa encharcada, exausto, bateu fraco a falta nas mãos do goleiro Subasic.

O Monaco se junta ao Leicester como as novidades nas quartas da Liga dos Campeões. E Guardiola volta para casa. Indecifrável.

(Estatísticas: UEFA)

 


City 5×3 Monaco – O melhor da Premier League na Liga dos Campeões
Comentários Comente

André Rocha

Intensidade máxima, perde e pressiona, ritmo alucinante, transições ultrarápidas, reviravoltas na disputa e no placar. Jogaço imprevisível. O que se viu no Etihad Stadium foi o melhor que há na liga nacional mais competitiva do mundo dentro do maior torneio de clubes do planeta.

Méritos do Monaco de Leonardo Jardim. Time corajoso, organizado num 4-4-2 e que nunca abdicou do ataque. Nem quando o placar era favorável e a classificação mais próxima. Quando Falcao García compensou o pênalti perdido com golaço de cobertura. O segundo do colombiano na partida.

Monaco também do ótimo português Bernardo Silva, meia organizador canhoto aberto à direita e do incrível Kylian Mbappé, atacante rápido, vertical e técnico. O brasileiro Fabinho, lateral direito atuando no meio, colaborando na organização e também chegando na frente.

Só não resistiu ao volume de jogo do Manchester City, especialmente na segunda etapa. Com Sané imparável, seja buscando o fundo ou infiltrando em diagonal. O meio com Yaya Touré, De Bruyne e Silva com muita técnica e entrega e Aguero lembrando a todos por que é o maior artilheiro da história dos citizens e não o reserva de Gabriel Jesus.

Sim, o primeiro em um frango de Subasic. Mas o que empatou em 3 a 3 e pavimentou o caminho para a virada foi uma finalização espetacular de primeira completando escanteio. Ainda serviu Sané no quinto e último, depois do gol de Stones aproveitando o grande pecado francês na partida: o jogo aéreo defensivo deixou muito a desejar.

Simbólica a atuação do City combinando a posse de 62% com uma verticalidade que Guardiola não reproduziu sequer no Bayern de Munique, de cultura semelhante à inglesa. Repete a pressão no campo de ataque dos tempos de Barcelona, gosta da bola, mas ataca em ritmo alucinante, ainda que perca a posse defensiva e controle do jogo. E não se importa em jogar a bola na área quando necessário.

Deu certo na ida nas oitavas e os dois gols de vantagem são fundamentais. Só não garantem nada porque o Monaco é o ataque mais efetivo da Europa e também sabe ser forte, intenso e sufocante. Devemos ter mais um jogaço na França.

(Estatísticas: UEFA)


City se afirma como o anti-Chelsea. Mas Blues têm duas grandes vantagens
Comentários Comente

André Rocha

Quando Gabriel Jesus saiu lesionado aos 14 minutos de jogo em Bournemouth e Guardiola não perdeu tempo para colocar Aguero em campo, duas coisas ficaram claras: a importância do brasileiro para o treinador e a força do elenco do Manchester City.

A vitória por 2 a 0, com o 12º gol do argentino na Premier League, e a atuação consistente em boa parte do jogo alçam os citizens à segunda colocação e afirmam a equipe como a grande candidata a buscar o Chelsea no topo da tabela. São oito pontos de diferença.

Além da distância na matemática, a equipe de Antonio Conte tem duas grandes vantagens para administrar a liderança. A primeira é ter menos clássicos a disputar: Manchester United fora na 33ª rodada e a “decisão” contra o City duas rodadas antes. Em casa.

Já o time de Guardiola enfrenta uma sequência pesada antes de encarar os Blues: Liverpool em casa e Arsenal fora. Sem contar o clássico de Manchester com data a definir. Na penúltima rodada ainda encara o atual campeão Leicester, que luta contra o rebaixamento e pode chegar com a corda no pescoço.

Além dos duelos, em tese, mais complicados nas treze rodadas que faltam, o City ainda tem a Champions League para dividir atenções. A começar pelo ofensivo Monaco, líder do campeonato francês. O Chelsea adoraria estar nas oitavas do torneio continental, mas a campanha pífia na temporada passada entrega agora um foco que pode ser decisivo. Inclusive para faturar a taça com algumas rodadas de antecedência.

Seja como for, a recuperação no desempenho do City que se reflete nos resultados é um alento para Guardiola. Sua equipe se ajustou no 4-3-3 com laterais mais fixos ou apoiando por dentro e dando liberdade para o quinteto ofensivo que cresce com Sterling e Sané nas pontas, De Bruyne e David Silva na articulação e Jesus ou Aguero no centro do ataque. Mais Yaya Touré chegando de trás.

A missão de entregar um time competitivo, com estilo definido, ofensivo e combinando intensidade e posse de bola começa a ser cumprida. O City está forte. Com ou sem Gabriel Jesus.


Apocalipse de Fábregas é “mimimi” pelo banco no Chelsea e não faz sentido
Comentários Comente

André Rocha

Fabregas_Chelsea

“Hoje em dia é mais difícil para um jogador talentoso ter sucesso. Não sou forte a nível físico, não sou o mais rápido, não sou o mais forte, pelo que tenho de tentar estar à frente de outro modo. Sei que para ter sucesso hoje em dia é preciso ser muito forte, correr muito e isso não é fácil. O futebol está a mudar e cada dia que passa vemos menos talento e mais poder físico”.

Palavras de Cesc Fábregas à televisão oficial do Chelsea. Um nítido incômodo por estar na reserva de Matic e Kanté no 3-4-3 de Antonio Conte no time londrino. Uma crítica que se mostra sem sentido na prática. Como se o seu problema fosse o de todos os meio-campistas das principais equipes.

Como se o atual campeão europeu não tivesse Modric, Kroos ou mesmo Casemiro entre os titulares. Ou a recuperação do Manchester City na Premier League não fosse marcada pela efetivação no meio-campo de Yaya Touré, De Bruyne e David Silva. No meio-campo do Barcelona e do Bayern de Munique não há nenhum Kanté.

Tudo depende da proposta de jogo. No Chelsea de Conte, os zagueiros, especialmente David Luiz, são os responsáveis pelos passes longos de trás. Na frente, a criatividade fica por conta de Eden Hazard. Em contragolpes ou trabalhando em pequenos espaços quando os Blues ocupam o campo de ataque.

Com este estilo vertical, não há a necessidade de um meio-campista com características de “regista”, como Pirlo na própria Juventus de Conte, nem o “trequartista”, o meia criativo. Ou seja, não há vaga para Fábregas.

Mas o meia espanhol, antes de partir para a crítica direta, deveria refletir e lembrar que no Barcelona de Guardiola, Xavi e Iniesta, que privilegiava o talento, Fábregas também oscilou e não se firmou como titular absoluto e importante. E o treinador bem que tentou, inclusive tirando Messi da função de “falso nove”.

A equipe caiu de produção e os reveses para o Real Madrid de Mourinho desgastaram Guardiola. Sim, soa cruel responsabilizar Fábregas pela fase sem títulos. Mas, coincidência ou não, a equipe catalã voltou a vencer a Liga dos Campeões e a tríplice coroa exatamente na temporada depois da saída do meia para o Chelsea.

Há espaço para o talento e sempre haverá. Mas sem intensidade e consistência, a qualidade é praticamente inútil. Vide Ganso sem espaço no Sevilla. Fábregas não é tão lento, mas no modelo de jogo do Chelsea tem que aceitar, ao menos por enquanto, em ser uma opção de variação tática.

Sem apocalipse ou”mimimi”. Fica feio.


Como Guardiola pode aproveitar Gabriel Jesus no Manchester City
Comentários Comente

André Rocha

Gabriel Jesus City apresentacao

Gabriel Jesus estreou no time profissional do Palmeiras com 17 anos. Como grande promessa e esperança. Era um jogo do Paulista de 2015, 1 a 0 no Bragantino em uma noite de sábado, a sexta vitória seguida da equipe de Oswaldo de Oliveira. Mas a torcida exigiu a presença da joia da base, o treinador atendeu e o garoto respondeu com personalidade.

Na seleção olímpica encarou a cobrança de uma torcida carente pós 7 a 1 e tratando como obrigação a medalha de ouro em casa. Sofreu no início complicado, mas encarou e terminou como um dos destaques, marcando três gols. Missão cumprida com o título.

Caminho aberto para se afirmar na seleção principal. Estreia no primeiro jogo sob o comando de Tite. Camisa nove diante do Equador em Quito com o país cinco vezes campeão mundial na sexta colocação das eliminatórias. Uma tremenda fria que Jesus aqueceu com dois gols e bela atuação nos 3 a 0.

Agora o garoto que chega a Manchester como um talento a ser lapidado com calma por Pep Guardiola está pronto para estrear no City, logo no momento mais complicado na temporada. Tratado como solução aos 19 anos. Exatamente no confronto com a equipe que começou a situar o técnico catalão na Inglaterra: o ótimo Tottenham de Mauricio Pochettino, que encerrou a sequência de seis vitórias dos citizens no início da Premier League e está na vice-liderança.

É bem provável que Gabriel Jesus não inicie a partida no Etihad Stadium. Mas se o treinador precisar do brasileiro tem várias opções de posicionamento para o atacante.

A começar pela mais básica: no centro do ataque, como alternativa a Kun Aguero, que sofre com as oscilações da equipe. Jesus pode acrescentar mobilidade e visão de jogo. O passe para Neymar marcar o segundo gol brasileiro sobre a Argentina nos 3 a 0 do Mineirão é ótimo exemplo. O entendimento com Kevin De Bruyne, David Silva e ponteiros como Sterling, Sané e Nolito pode ser rápido.

É possível também fazer dupla com Aguero, circulando entre a defesa e o meio-campo, trocando com o argentino para confundir a retaguarda adversária. Mas Guardiola teria que abrir mão dos ponteiros para alargar o campo e usar De Bruyne e Silva como meias abertos e articuladores num 4-4-2.

A hipótese mais provável, ao menos para este início, é Jesus na ponta esquerda, como na Olimpíada, infiltrando em diagonal. O brasileiro também atuou assim com Marcelo Oliveira, antes da chegada de Cuca. Só necessitaria de uma adaptação às ideias de Guardiola para os pontas, inclusive na pressão no campo de ataque e na recomposição.

Difícil é entender por que Guardiola, sem Fernando, Fernandinho e Gundogan, não resgata a ideia do início da liga com Bruyne e Silva como meio-campistas de área a área. Marcando e jogando. Para acionar o ataque, inclusive Jesus.

Tudo questão de tempo, paciência e trabalho com um técnico que tem muito a acrescentar ao enorme potencial do jovem avante. A camisa 33 pode começar a fazer história em Manchester já neste sábado.

Pep Guardiola pode utilizar Gabriel Jesus atuando pela esquerda , como no Palmeiras antes de Cuca e na seleção olímpica. Infiltrando em diagonal e voltando para fechar espaços na recomposição (Tactical Pad).

Pep Guardiola pode utilizar Gabriel Jesus atuando pela esquerda , como no Palmeiras antes de Cuca e na seleção olímpica. Infiltrando em diagonal e voltando para fechar espaços na recomposição (Tactical Pad).

 


Ritmo da Premier League é o maior inimigo de Guardiola na Inglaterra
Comentários Comente

André Rocha

Guardiola_City_crise

No eterno Fla-Flu do “Guardiolismo”, os detratores dirão que acabou a moleza, o campeonato inglês é mais equilibrado, tem melhores times e Barcelona e Bayern sobravam porque jogavam contra equipes bem mais fracas. E talvez tenham alguma razão.

Já os fãs incondicionais do técnico catalão defenderão alegando que a culpa é do pouco tempo de trabalho para implementar sua filosofia e dos erros individuais dos jogadores do Manchester City, que não estão no mesmo nível de excelência dos atletas que o técnico comandou anteriormente. Não estão errados.

Difícil encontrar apenas uma razão para justificar o mau momento do City de Guardiola na Inglaterra depois do ótimo início, de seis vitórias seguidas e a liderança da liga. Mas ao cruzar a visão de futebol do treinador e o que se vê nos campos da Inglaterra é possível afirmar que o maior inimigo até aqui é o ritmo da Premier League.

É algo difícil de quantificar mas que salta aos olhos. O jogo na Inglaterra tem técnica e variações táticas, mas não permite tanta fluidez. É naturalmente caótico. As transições são muito rápidas, saindo das zonas de perigo no próprio campo. Induz as disputas físicas. A pressão no homem da bola é constante. Há mais choques e a arbitragem não marca falta em qualquer contato.

Guardiola constroi seu jogo posicional com passes desde a defesa, com calma, até se instalar no campo de ataque com praticamente todos os jogadores. Na perda da bola, pressão imediata para retomar a posse em não mais que dez segundos.

Como fazer isso se o fluxo é quebrado na pressão, no choque ou na bola longa mais bem planejada e executada, focada no rebote? A saída de bola fica “suja”, os setores não se aproximam. Ou seja, é praticamente impossível ditar este ritmo. A essência do plano de Guardiola.

No Barça era Xavi quem controlava o tempo do jogo. As sístoles e diástoles do coração da equipe. No Bayern era Lahm. Primeiro no meio, depois como um lateral que jogava por dentro, participando na articulação. No City, Guardiola tentou com Fernandinho, Gundogan, David Silva, Yaya Touré. Sem sucesso, porém. E a questão não é a qualidade individual dos meio-campistas.

Simplesmente não há controle. No início, o time azul de Manchester surpreendeu com as novas ideias e pelo ritmo intenso que impôs, até pela necessidade de uma resposta rápida nos playoffs da Liga dos Campeões contra o Steaua Bucareste. Depois o time passou a ser estudado e o ritmo alucinante da Premier League acompanhou a intensidade do City.

Guardiola vai tentando se adaptar. Primeiro buscando criar superioridade numérica no meio com três zagueiros e Fernandinho e Gundogan qualificando o início da construção das jogadas. Na virada sobre o Barcelona pela Champions, a pressão absurda no campo de ataque e o contragolpe letal.

Nas derrotas para Chelsea, Leicester e agora Everton, os erros técnicos prejudicaram. Especialmente no passe que vira assistência ou na finalização. Mas a saída de bola continua sendo a questão mais complexa. Guardiola tenta acelerar, fazer a bola chegar mais rapidamente no campo de ataque para então fazer o jogo posicional.

Mas para isso é preciso espaçar mais os setores. Os laterais e os meio-campistas se adiantam para tornar o processo menos suscetível a erros. Só que deixam os zagueiros desprotegidos. Um equívoco e a retaguarda está exposta.

Qual a saída? Voltar à essência de suas ideias ou ceder totalmente e virar um técnico comum dentro do contexto da Premier League? Afinal, para que Guardiola foi contratado? Impor estilo ou aceitar a impotência diante do ritmo do jogo na Inglaterra?

Antonio Conte começou mantendo o padrão do Chelsea e fez sua equipe voar até a liderança colocando suas ideias. Só que a filosofia do treinador italiano é mais simples e flexível. Gosta de bolas longas, disputas físicas e na velocidade em todos os pedaços do campo. A solidez da linha de cinco atrás é uma diferença a favor.

O catalão está emparedado. Para piorar, a pressão e a visibilidade sobre o técnico mais estudado do planeta em um clube sem a história gloriosa de Barcelona e Bayern. Com mais equilíbrio, menos craques. Pouco tempo de trabalho. Fãs e detratores não deixam de ter razão.

Difícil é encontrar uma saída para Pep Guardiola voltar a acertar.

 

 

 


Os extremismos no Brasil do Fla-Flu quando o assunto é Guardiola
Comentários Comente

André Rocha

Guardiola_City_2016

No país em que quase sempre se avalia unicamente o resultado final, onde o segundo colocado é o “primeiro dos últimos”, fica bastante complicado elogiar algum profissional por ter colaborado com a evolução do futebol nos últimos anos. Ainda mais quando ele também conseguiu grandes resultados, o que “contamina” a análise.

Pep Guardiola já está na história. Não por ter reinventado o esporte, mas pela coragem de atualizar e combinar ideias de Cruyff, Van Gaal, Sacchi, Bielsa, La Volpe, Lillo e tantos outros logo em seu primeiro trabalho num grande clube. Com o sucesso imediato do Barcelona com modelo de jogo posicional, baseado na posse de bola e na marcação por pressão no campo de ataque, provocou os demais a encontrarem antídotos ou novas combinações que levaram o jogo a outro nível.

Mas por aqui a discussão costuma terminar em “ganhar ou perder”. E a valorização do treinador catalão mexe com alguns preconceitos. O raciocínio básico: como no esporte dos craques, em que o técnico só precisa distribuir as camisas e não atrapalhar, o treinador pode ter tanta visibilidade? E logo vindo da Espanha, que até outro dia não tinha nenhum título relevante.

Para piorar, a lenda urbana que Pep roubou as ideias da essência do nosso jogo. Porque na cabeça de muita gente ninguém pode se propor a praticar um futebol de troca de passes e ofensivo sem copiar o brasileiro. A velha arrogância que tanto trava o nosso progresso.

A ponto de distorcerem uma declaração diplomática depois da surra sobre o Santos no Mundial de 2011 –  um breve comentário sobre o Brasil a que seus pais e avós se referiam – e dizer que o Brasil é sua referência. Não é, nunca foi. Leia mais AQUI.

E aí quando Renato Gaúcho aparece dizendo que não precisa estudar e que treinar os times milionários da Europa é fácil há uma vibração incontida, inclusive de colegas jornalistas. Com todo respeito que todos merecem, é como se pensassem que eles também nada precisam aprender e podem seguir vendo e analisando o futebol com a lógica de 20 ou 30 anos atrás.

Não podem, ou ao menos não deveriam. E Guardiola é o “culpado”. Por isso o êxtase coletivo nas redes sociais a cada derrota ou má fase dos times do treinador.

Em resposta, os admiradores dos conceitos do técnico, diante de tanta perseguição de quem normalmente não entende o mínimo da evolução do jogo, construíram uma espécie de trincheira de defesa incondicional. Guardiola não erra, não fracassa. Criam uma aura de infalibilidade e transferem a responsabilidade para time, clube, imprensa. Menos quem toma as decisões em relação ao que se faz dentro de campo.

Para este que escreve, Guardiola é genial, o melhor treinador do mundo desde sua primeira temporada e tem enorme mérito por permanecer inquieto, aprendendo, se adaptando. Mas ele também se equivoca.

No Bayern, fracassou ao não vencer a Champions em três temporadas. É importante lembrar o contexto de sua contratação pelo time bávaro, em janeiro de 2013: derrotas doídas no torneio continental, inclusive uma final em casa para o Chelsea e perda da hegemonia na Alemanha para o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp.

Depois venceram tudo com Jupp Heynckes e o plano original, de mudar a ideia de futebol do clube para voltar a ser vencedor, teve que ser repensada. E aí vem outra crítica injusta: a de que é um “engenheiro de obra pronta”.

Como se o Barcelona que recebeu de Rijkaard em 2008 fosse uma máquina. Como se ele não tivesse defenestrado Ronaldinho e Deco do clube para proteger Messi. Como se o argentino não tivesse evoluído brutalmente sob seu comando, assim como Xavi, Iniesta, Daniel Alves e outros. O mesmo no Bayern com Robben, Douglas Costa, Xabi Alonso, Lahm…

A meta em Munique, porém, era conquistar o continente. Chegou às semifinais nas três edições e não caiu para times ordinários: o Real do trio BBC, o Barça de Messi, Suárez e Neymar, o Atlético de Madrid de Simeone. Venceu e sobrou na Bundesliga, influenciou e foi afetado pelo jeito alemão de pensar futebol. Cresceu, amadureceu. Mas saiu sem cumprir integralmente o projeto.

Agora no Manchester City pena para ajustar suas ideias ao ritmo e à intensidade da Premier League. Testa, experimenta, acerta e erra. Como foi infeliz no primeiro tempo da vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal no Etihad Stadium. Optou de início por abrir Sané pela direita, fazer David Silva circular a partir da esquerda e enfiar Sterling como o atacante mais avançado.

O velocista inglês perdeu gol feito que podia ter empatado logo depois do tento de Walcott que abriu o placar. Os citizens ocuparam o campo de ataque e tiveram mais posse de bola. Faltou efetividade na frente e mais volume de jogo.

Depois de 45 minutos praticamente perdidos em termos de produção ofensiva, as mudanças óbvias: Sterling foi enviado à ponta direita, Sané trocou de lado e o centro da articulação ficou para De Bruyne, David Silva e a aproximação de Yaya Touré. O mais lógico.

O meio ganhou qualidade e os ponteiros espaços para explorar as diagonais. Uma de Sané, outra de Sterling após passe primoroso de Kevin De Bruyne. Dois gols e a virada. Todos cresceram com a nova distribuição em campo, três pontos fundamentais para não permitir que o Chelsea dispare tanto na ponta da tabela.

Guardiola experimentou sem sucesso e teve o mérito de corrigir a tempo. Assim como reconsiderou a utilização de um Yaya Touré recondicionado fisicamente e disposto a mostrar que ainda pode ser útil. Errou, corrigiu a rota. Simples assim.

Nem “puro marketing”, nem gênio da raça, uma santidade. Apenas um treinador. Humano, cheio de dúvidas como o próprio afirmou em entrevista recente. Que não tem seu valor condicionado apenas aos títulos.

Sem extremismos no Fla-Flu nosso de cada dia, até quando o assunto é o catalão Pep Guardiola.


Futebol “líquido” e calendário inchado. Esta conta não vai fechar
Comentários Comente

André Rocha

gianni infantino

A proposta deste post é cruzar informações para provocar a reflexão.

Está no ótimo blog FastFut, de Celso Miranda, o protesto de Pep Guardiola contra a proposta de Gianni Infantino de aumentar de 32 para 48 o número de seleções na disputa da Copa do Mundo e a confirmação da UEFA, inclusive com divulgação do regulamento, da Liga das Nações: competição envolvendo 55 seleções europeias a ser disputada de quatro em quatro anos a partir de 2018.

E ainda podemos ter a ampliação do Mundial Interclubes para 16 ou 32 times. Sem contar a prática cada vez mais habitual dos clubes de levar os jogadores para períodos de pré-temporada com amistosos e torneios para cumprir os compromissos comerciais de clubes globais.

Com isso, podemos ter as principais estrelas do futebol mundial entrando em campo, dependendo do desempenho de seus clubes e seleções, mais de 80 partidas em uma temporada.

É legítimo pensar que profissionais que faturam milhões e vivem essa rotina por no máximo vinte anos têm mais é que trabalhar muito mesmo. Mas há algo acontecendo em paralelo dentro de campo que será um fator complicador.

Quem traz a ideia à tona é Marti Perarnau, catalão que escreveu “Guardiola Confidencial” e agora lança “Pep Guardiola – La Metamorfosis”.

Segundo a visão do jornalista, corroborada por Paco Seirul lo, ex-preparador físico do Barcelona e agora responsável pela metodologia de treinamento do clube, o Barcelona não seria um time sólido, mas “líquido”.

As aspas estão na coluna de André Kfouri para a Editora Grande Área: “Os líquidos são menos vulneráveis do que os sólidos. Do sólido, pode-se conhecer tudo, inclusive seus pontos débeis. Você golpeia um ponto débil e o quebra. O líquido, não”. Leia o texto completo AQUI.

Líquido tem a ver com fluidez. E para fluir no futebol atual precisa ser jogado de memória, com movimentos mecanizados e numa velocidade cada vez maior. Um jogo mais rápido através de passes e deslocamentos. Sem a bola, reação imediata: “perde e pressiona”. A resposta cada vez mais rápida e intensa.

Esse futebol “líquido”, alucinante já se vê na Premier League e na Bundesliga com o Liverpool de Jurgen Klopp, o Borussia Dortmund de Thomas Tuchel, o Chelsea de Antonio Conte, o surpreendente Leipzig e outros.

O ponto não está na quilometragem percorrida pelos atletas. Não deve ultrapassar os 15 quilômetros por partida. A complexidade é aumentar exponencialmente as ações de alta intensidade. Ou seja, os sprints, a explosão da mudança de comportamento no momento com a bola e, logo após a perda, o pique para abafar a saída do adversário. Também a movimentação, a mudança de direção para fugir da marcação, entre outras.

No último parágrafo, Kfouri aborda a preparação física: “Além dos conceitos avançados e de sua aplicação em treinamentos que devem acompanhar a necessidade de novos objetivos, uma das fronteiras do jogo do futuro é a questão física. O nível de exigência para que jogadores sejam capazes de “liquidificar” times é brutal. Talvez seja por isso que técnicos como Guardiola, Klopp, Tuchel e Antonio Conte sejam obsessivos com a preparação nutricional e o descanso de seus atletas. O futebol líquido exigirá máquinas para processá-lo”.

Descanso. Preocupação dos técnicos com a QUALIDADE do jogo que vai de encontro aos interesses das federações que fazem política e querem aumentar a QUANTIDADE de partidas.

Por isso o protesto de Guardiola, que também quer o seu Manchester City com fluidez no jogo. Para fluir precisa treinar e memorizar. Exercício também mental. Mas como, sendo obrigado a viajar e dividir ainda mais a atenção com as seleções envolvidas em mais competições?

Tudo isso temperado com pressão cada vez maior por resultados. Jogadores milionários e midiáticos não devem ser mimados nem tratados como vítimas. Só que a exigência está desproporcional.

Porque com a evolução do esporte no mais alto nível não há mais a menor chance de usarmos aquela tese de mesa de bar: “Amadores jogam seis peladas por semana e não se cansam”. O futebol “líquido” já está aumentando exponencialmente a distância competitiva entre jogos e brincadeiras entre amigos.

Ou seja, esta conta não vai fechar. Guardiola sugere o aumento do número de substituições para rodar o elenco. Ajudaria, mas não parece o suficiente.

Como será o amanhã? Com clubes se rebelando contra FIFA e UEFA a ponto de partir para a desfiliação, organizando as próprias competições e negociando com mais autonomia a cessão de seus jogadores para as seleções? Difícil prever.

A única certeza é que o cenário que se apresenta com mais jogos cada vez mais intensos fica nebuloso para atletas e, consequentemente, para o espetáculo em si, que precisa de bilheteria e grana da TV. Se jogadores já se arrastam nas disputas de Copa do Mundo, Copa América e Eurocopa logo depois das temporadas europeias, a tendência é piorar.

Porque jogadores não são máquinas. Voltando ao  FastFut, palavras de Guardiola: “Os jogadores não descansam e vivem constantemente sobre pressão, ninguém pode ser saudável e ter um bom desempenho dessa forma.”

Será preciso alguém morrer em campo para que eles enfim sejam a prioridade como protagonistas e não engravatados no conforto de suas salas com ar condicionado? Tomara que não.


O campeão tem sempre razão?
Comentários Comente

André Rocha

Renato Gaucho Gremio campeao

Final da Copa do Mundo de 1954 no Estádio Wankdorf em Berna, Suíça. 43 minutos do segundo tempo. A lenda húngara, Ferenc Puskas, mesmo com o tornozelo inchado que quase o tirou da final por uma pancada na goleada por 8 a 3 sobre a mesma Alemanha da decisão, marca o gol que seria do empate.

A arbitragem marca impedimento. Para muitos inexistente, inclusive o saudoso jornalista Luiz Mendes, presente no estádio como único locutor brasileiro. Podia ter evitado o “Milagre de Berna” e quem sabe o que aconteceria depois?

Estádio Sarriá, Barcelona. Último lance de Itália 3×2 Brasil. Jogando pelo empate, a seleção de Telê Santana parte para o abafa derradeiro. Cobrança de falta de Eder, o zagueiro Oscar sobe mais que todos e acerta um golpe de cabeça no canto. Seria o gol da classificação da equipe que encantou o mundo na Copa de 1982.

Não foi por uma das mais impressionantes defesas da história das Copas. A mais incrível sem rebote. Dino Zoff pegou de um jeito inusitado, parando a bola num movimento de cima para baixo e evitou que ela cruzasse a linha e também a chegada de Sócrates e Zico.

Stamford Bridge, maio de 2009. O Chelsea vencia o Barcelona por 1 a 0 e, com o empate sem gols no Camp Nou, se classificaria para a final da Liga dos Campeões não fosse um golaço de Iniesta já nos acréscimos.

Jogo com uma das arbitragens mais polêmicas de todos os tempos, com pelo menos três pênaltis claros não marcados para os Blues, que colocou o time de Guardiola e Messi na decisão do torneio continental que garantiria a tríplice coroa e o início da trajetória de um dos maiores times de todos os tempos.

Três entre tantos exemplos de partidas definidas em detalhes, em fatos aleatórios. Uma bola que separou campeões e derrotados. Que criou ou destruiu legados, fez heróis, mudou a história do esporte.

Corte para 2016. O Grêmio de Renato Gaúcho conquista a Copa do Brasil e encerra um duro período de 15 anos sem títulos nacionais. Campanha sólida, especialmente fora de casa na reta final. Melhor equipe da competição. Incontestável.

Na comemoração, o sempre bravateiro Renato Gaúcho chamou para si todas as atenções ao afirmar: “quem sabe, sabe; quem não sabe vai para a Europa estudar”. Gerou enorme polêmica, mas nem ele deve acreditar nisso. Sem contar que o propósito de estudar e se aperfeiçoar é algo pessoal, de foro íntimo. Uma escolha.

O blog prefere um outro recorte da fala do maior ídolo gremista: “Disseram que estavam trazendo um treinador que estava jogando futevôlei. E agora? E aí?”

Eis o ponto: a taça encerra qualquer discussão? O campeão tem sempre razão? Renato é um fanfarrão desde os tempos de jogador, um personagem sensacional que nunca se levou muito a sério nem devemos dissecar o que ele diz, ainda mais no calor da conquista. Mas vale a reflexão.

E o contexto da base montada pelo trabalho de Roger? E a importância de Valdir Espinosa e outros profissionais? E a prioridade que o Palmeiras deu ao Brasileiro tornando a disputa nas quartas-de-final menos complicada? E a desorganização do Atlético Mineiro com Marcelo Oliveira no jogo de ida da decisão em Belo Horizonte?

Aliás, cabe um parêntese: o técnico mais vencedor do futebol brasileiro nos últimos quatro anos, com dois títulos brasileiros e uma Copa do Brasil, deixou o Galo coberto de críticas e com cinco minutos de jogo em Porto Alegre já foi possível perceber uma equipe com setores mais bem coordenados pelo jovem técnico Diogo Giacomini.

Em um esporte absolutamente imprevisível, por isso tão arrebatador, no qual vitórias e glórias se definem numa bola que bate no travessão e cruza ou não a linha, numa decisão da arbitragem em fração de segundos e em tantos outros mínimos detalhes, o troféu, ainda que seja o objetivo final de qualquer competição, é sempre um argumento sem resposta?

A história mostra que alguns derrotados no placar final colaboraram mais com a evolução do futebol e são mais lembrados que os campeões. Alguns vencedores são até hoje questionados por seus métodos. Multicampeões pragmáticos quando citados nada mais têm a oferecer do que as conquistas. É suficiente?

Renato merece respeito por sua história e faz mesmo jus a uma estátua na Arena do Grêmio. Que vá comemorar com amigos, a filha Carol e curtir as férias. O torcedor mais motivos ainda tem para celebrar, zoar os rivais. Vencer é delicioso e fundamental na formação de novos torcedores. Sem contar a visibilidade, novas receitas e tantas outras coisas.

Mas futebol não é só isso. Nem pode ser. Por isso o post se encerra com trecho de uma reflexão de Marcelo Bielsa no livro “Los 11 caminos ao gol”, de Eduardo Rojas, muito bem resgatada pelo colega Gustavo Carratte no perfil do seu ótimo Conexão Fut no Twitter. Um técnico com um currículo mais recheado de ensinamentos que títulos.

“Na vida há muito mais derrotas que vitórias e é preciso entender isso. Portanto, endeusar alguém que acaba de triunfar, alçando-o a um patamar acima dos demais acaba confundindo quem o vê fazendo isso. As pessoas são indecisas sobre as coisas e quando forem questionadas sobre como alcançar os êxitos elas só saberão que é preciso vencer, sendo incapazes de dizer quais valores cultivar e o que fazer para chegar até lá”.