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Botafogo x Flamengo: caminhos opostos que se cruzam na semifinal nacional
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André Rocha

Um time que, ao menos em tese, pode tudo no futebol brasileiro. Mas que parece não fazer muita questão, ou não saber muito bem como chegar ao topo. Outro que constrói suas vitórias e só tem chance de ir longe exatamente por querer muito.

O Flamengo do elenco milionário, ainda que não possa escalar as contratações mais recentes na Copa do Brasil. O Botafogo dos recursos limitados, perdendo peças e se virando com o que tem. Os rubro-negros que venceram o Carioca e estão fora da Libertadores. Alvinegros que pelejaram no torneio continental desde as fases preliminares e, por isso, foram obrigados a priorizá-lo, deixando o estadual um pouco de lado.

A equipe de Jair Ventura achou no gol de Joel Carli logo aos quatro minutos de jogo no Nilton Santos a solução para não ser obrigado a propor o jogo e fugir da maneira de atuar com a qual se sente mais confortável. Início com intensidade, marcação no campo de ataque e apoio da torcida para sair na frente o mais rápido possível.

Deu certo. Ainda mais contra um Atlético Mineiro exposto, que adiantou as linhas, teve 62% de posse e efetuou 34 cruzamentos. Mas de 11 finalizações apenas duas foram na direção da meta de Jefferson. Já o Botafogo teve 22 desarmes corretos contra apenas oito do oponente e acertou quatro finalizações no alvo, num total de dez.

Assim construiu os 3 a 0 com gols de Roger e Gilson, um em cada tempo, já perto do final para não dar chances de reação ao adversário. Até quando vai às redes o time parece fazer na hora certa, sabendo o que quer.

O Flamengo também deu essa impressão, ao abrir o placar cedo na Vila Belmiro com o gol de Berrío completando belo passe de Diego – mais um que ele encaixa com precisão em contragolpe, com espaço. Mas, ao contrário de Jair Ventura, Zè Ricardo não consegue compensar coletivamente as limitações de seus comandados.

Ou dos que escolhe, como a inexplicável opção pelo retorno de Alex Muralha no gol, deixando Thiago no banco. Como se os 2 a 0 da Arena da Ilha não fossem reversíveis. Ou a Copa do Brasil, já nas quartas de final, fosse um torneio menos importante para um time que está 12 pontos atrás do líder Corinthians no Brasileiro.

Mesmo fazendo o segundo gol com Guerreiro no início da segunda etapa, após sofrer o empate com Bruno Henrique e ter corrido o risco de levar a virada no pênalti assinalado por Leandro Vuaden e depois invalidado com a ajuda do quarto árbitro, que observou que Rever tocou na bola na disputa com Bruno Henrique, o Flamengo conseguiu se complicar.

Porque a reunião de elos fracos sempre pode comprometer, ou ao menos complicar. Rafael Vaz vacilou e cedeu escanteio bobo, empate com Copete. Márcio Araújo perdeu duas disputas na proteção da retaguarda, a bola sobrou para Victor Ferraz marcar 3 a 2 e fazer a remontada parecer possível no modo “briga de rua” do time de Levir Culpi. Jogo aberto com 29 finalizações – 16 do Santos e 13 do Fla.

A noite na Vila Belmiro só não foi histórica para o alvinegro praiano pelo cansaço de quem sempre teve que subir a ladeira na partida e porque o gol de Copete, em nova hesitação de Muralha, saiu no último minuto dos quatro de acréscimo. No 39º cruzamento na área do time carioca, que perdeu força nos contragolpes com a entrada de mais um elo fraco: Gabriel. Com Mancuello e Vinicius Júnior no banco. A vaga veio mesmo no gol “qualificado”. Ou por não ter sido vazado no Rio de Janeiro. Com Thiago na meta.

Mesmo classificado, o Flamengo novamente deixou o campo num jogo eliminatório exalando fragilidade, sem transmitir a mínima confiança. O que os argentinos chamam de “pecho frio”. Exatamente o contrário do “cascudo” Botafogo. De Jefferson que voltou com autoridade à meta, de Matheus Fernandes, 19 anos com a serenidade de um veterano no meio-campo. Do Roger da bela história de vida com Giulia, sua filha deficiente visual. Do incansável Pimpão.

De uma força mental que parece inabalável no mata-mata. Na semifinal da Copa do Brasil e com classificação encaminhada para as quartas da Libertadores. Subindo e descendo no Brasileiro, mas com campanha digna, na disputa do G-6. Sem recursos generosos, sem holofotes. Mas com aquilo que é difícil definir e, na falta de um nome, chamam de alma.

O que o Flamengo vai precisar tirar de onde até agora não se viu para chegar à sua sétima final de Copa do Brasil. Porque, até pela rivalidade fortalecida recentemente nos bastidores, o Botafogo vai deixar tudo em campo nas duas partidas. E não é pouco.

Os caminhos opostos vão se cruzar no clássico carioca que vale vaga numa decisão nacional. No papel há um favorito. No espírito, outro. Como balanços e relatórios de finanças não entram em campo, o Bota hoje parece mais forte.

(Estatísticas: Footstats)


Precisamos falar sobre a arbitragem de Flamengo x Palmeiras
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André Rocha

Sim, o Flamengo novamente esbarrou em suas próprias deficiências – nulidade de Márcio Araújo na construção das jogadas que sobrecarrega Diego, que conduz demais a bola e se desgasta e sacrifica Everton Ribeiro, que não encontra um companheiro para dialogar e nitidamente sente a sequência de jogos a cada três dias.

Sem contar a proposta de jogo previsível e que, mesmo vencendo, insistiu em adiantar as linhas, ficar com a bola e novamente não transformar a superioridade nítida no primeiro tempo em mais gols além do chute de Pará e da vitória de Guerrero contra Luan depois de uma ligação direta para empatar o primeiro tempo.

Porque o time da casa levou a virada na Ilha do Governador em dois contragolpes com a última linha de defesa adiantada e espaçada. Melhor para Roger Guedes e Willian. Novamente Zé Ricardo foi infeliz nas substituições e o time caiu de produção. Na chance que teve para alcançar a vitória, Diego cobrou mal o pênalti e Jailson, surpresa de Cuca na escalação barrando Fernando Prass, fez bela defesa.

Sim, o Palmeiras mais uma vez sofreu com os encaixes e as perseguições individuais, marcas da ideia de jogo de seu treinador. Muito do domínio dos rubro-negros na primeira etapa foi pela fragilidade e espaçamento do sistema defensivo alviverde. Facilitando o principal ponto de distribuição do quarteto ofensivo do oponente: o pivô de Paolo Guerrero. O peruano recuava, atraía os zagueiros Mina e Luan e servia seus companheiros de ataque, em vantagem na velocidade sobre seus marcadores.Especialmente Michel Bastos no primeiro tempo, atuando como lateral. Uma avenida.

Mas Cuca foi perspicaz no segundo tempo. Trocou o posicionamento de Bastos e Zé Roberto, que mesmo servindo Willian no primeiro gol saiu do meio-campo para a lateral  guardar seu posicionamento e fechar o setor do apoio de Pará. Armou duas linhas de quatro, liberando Dudu, que não voltou com o lateral do Fla no primeiro gol, para jogar mais solto, fazendo “sombra” em Márcio Araújo e se aproximando de Borja.

O substituto do lesionado Willian perdeu a chance da vitória no final em novo contragolpe com a retaguarda adversária adiantada e mal posicionada. Thiago, que não foi bem no enfrentamento com os atacantes palmeirenses no primeiro tempo, salvou o Fla no chute cruzado do colombiano. Antes de ceder em breve o lugar a Diego Alves. Mais uma contratação que parece chegar tarde na temporada.

No saldo final, o empate acabou sendo o resultado mais adequado para o que foi a partida. Mas o jogo na Ilha do Governador teve um grande derrotado: Jailson Macedo Freitas. Uma típica arbitragem desastrosa do futebol brasileiro.

No primeiro tempo prejudicou demais o Flamengo. Na origem dos dois gols do Palmeiras, faltas claras de Mina sobre Guerrero. O peruano ainda foi derrubado pelo colombiano na área do time visitante em pênalti claro ignorado por Jailson. Sem contar uma disputa em que Everton Ribeiro caiu na área adversária. Lance duvidoso.

O mais absurdo, porém, foi parar o jogo para punir Bruno Henrique com cartão amarelo por agarrar Rafael Vaz antes e mesmo quando Diego bateu na bola. Ou seja, puniu o infrator antes que a falta dentro da área pudesse ser marcada. Este que escreve não se lembra de ver algo parecido em uma partida de futebol profissional

Muitos protestos de flamenguistas no estádio e nas redes sociais. Arbitragem mal intencionada?

O segundo tempo escancarou a incompetência e a vontade de compensar com outros erros os equívocos que não podiam mais ser corrigidos. Os palmeirenses cometeram 12 faltas na primeira etapa e dez na segunda. Apenas Bruno Henrique levou amarelo nos 45 minutos iniciais. Depois do intervalo, Mina, Borja, Luan, Jailson, Tche Tche, Michel Bastos, Dudu e Thiago Santos foram advertidos. Márcio Araújo e Mancuello pelo Flamengo.

Pendurou mais da metade do time do Palmeiras, passou a não marcar as faltas para os visitantes que assinalou anteriormente e na primeira queda de um jogador rubro-negro na área marcou pênalti de Michel Bastos sobre Geuvânio. Falta clara, mas menos que a de Mina sobre Guerrero no primeiro tempo. Qual o critério, afinal?

É óbvio que os erros de Jailson foram mais danosos ao Flamengo, mas já passou da hora de questionarmos compensações que muitas vezes são usadas como atenuantes por alguns comentaristas de arbitragem. O apitador erra e tenta equilibrar a balança acumulando interpretações absurdas que só irritam os dois lados e nada acrescentam.

Sim, temos um cenário em que o árbitro é pressionado demais, precisa ser profissionalizado, ainda não usufrui dos recursos tecnológicos para minimizar seus erros e muitas vezes é usado como muleta ou cortina de fumaça para atuações ruins dos times e bobagens de treinadores e dirigentes. Se acomodar na incompetência, porém, é a maior das falhas. Por isso precisamos falar de arbitragem, ainda que se prefira abordar o jogo.

Jailson Macedo Freitas estragou um clássico nacional, entre as equipes que disputaram a liderança em boa parte da última edição da Série A do Brasileiro. O mais trágico é a certeza de que não será a última vez.

(Estatísticas: Footstats)

 


A melhor atuação do Flamengo, e de Diego, no Brasileiro
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André Rocha

No Brasil, este país tão pouco democrático, a crítica quase sempre é mal vista e confundida com perseguição. Nunca como algo construtivo, que só deseja a melhora ou o despertar do objeto das observações.

Diego fez a diferença com dois gols e uma assistência para Guerrero, que marcou três. A eficiência nas finalizações do meia já é conhecida e o primeiro foi uma conclusão espetacular. Já o passe teve a precisão que se espera de um jogador dotado tecnicamente. Ainda não é o toque criativo, aquele que abre o espaço, o que se pede no texto. Mas talvez não seja mesmo para ele, por característica. No elenco do Flamengo agora há Conca e Everton Ribeiro.

A melhor atuação do Flamengo no Brasileiro, porém, foi no estilo de 2016: na velocidade com os ponteiros. Desta vez Berrío e Everton. Com dificuldades na saída de bola ainda com Márcio Araújo e Willian Arão, compensadas com bons passes de Trauco. Com a falha de Thiago no gol de Victor Ramos em cobrança de lateral na área que ensaiou trazer a Chapecoense de novo para o jogo.

Mas fazendo as transições ofensiva e defensiva com velocidade partindo dos flancos para encontrar Diego e Guerrero que desta vez desequilibraram. Melhorando consideravelmente a relação finalizações x gols da equipe de Zé Ricardo. Cinco bolas nas redes em 17 conclusões. Dez no alvo.  Com menor posse (48%) e jogo mais vertical depois de construída a vantagem no placar.

Mais um triunfo na Arena da Ilha, a casa que o Flamengo não teve no ano passado. Para mudar a atmosfera e aliviar a pressão, mas partir para o salto de qualidade que se espera. Com Everton Ribeiro, o ponta articulador. Depois Geuvânio, o atacante agudo e finalizador. Sem a visão cômoda de que a equipe está acostumada a atuar desta forma. O elenco foi reforçado para mudar de patamar.

Assim como Diego apresentou nítida evolução em relação às demais partidas desde sua volta de lesão e merece elogios. Puxando junto o Flamengo para o desempenho mais consistente no campeonato. O desafio agora é construir uma sequência.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Flamengo passa com louvor por seu “batismo de fogo” na Libertadores
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André Rocha

O futebol é dinâmico. O Botafogo, que conseguiu sua classificação para a fase de grupos da Libertadores em duas etapas, foi considerado um time com vantagem por ter passado por disputas eliminatórias bem duras.

Mas no momento de confirmar a classificação no Grupo 1, hesitou no Engenhão contra o Barcelona de Guayaquil. A derrota por 2 a 0 não é nenhuma tragédia, mas abalou a imagem de time sólido mentalmente e fortíssimo em casa.

Já o Flamengo vem sendo consistente em desempenho dentro de casa e fora. Mas só pontua no Maracanã. A terceira partida com estádio lotado, porém, era decisiva. Com os surpreendentes 3 a 0 do San Lorenzo sobre o Atlético Paranaense na Arena da Baixada, não conseguir os três pontos significaria levar a decisão para a última rodada exatamente contra os argentinos. Fora de casa.

Foi o “batismo de fogo” do Flamengo, que nas últimas edições do torneio continental costumava se complicar em jogos com estas características. Também se dispersava quando as partidas se alternavam com decisões estaduais, priorizando a disputa regional.

Não desta vez. Torcida e time sintonizados no clima de final. Cientes da dificuldade diante da Universidad Católica que era organizada no 4-2-3-1 e com bons valores individuais, como Fuenzalida, Buonanotte, Kalinski. Mais Santiago “El Taque” Silva na frente.

Cabia ao Flamengo atacar com paciência e sem perder a concentração defensiva, grande virtude na vitória sobre o Fluminense na primeira final estadual. No primeiro tempo, alguma afobação e um dilema na execução do 4-1-4-1 proposto por Zé Ricardo: Guerrero era o único jogador capaz de um passe diferente quando recuava para articular. Mas também é o finalizador mais eficiente do quinteto ofensivo.

Sacrificado, o peruano não se escondeu. Pelo contrário. Das 23 finalizações, tentou nada menos que 13. Na primeira etapa, porém, a única oportunidade cristalina foi completando passe de Willian Arão e chutou em cima do goleiro Toselli. A mais clara, no entanto, foi de Fuenzalida infiltrando livre entre Rafael Vaz e Trauco.

No segundo tempo, a surpresa com Rodinei na vaga do apagado Mancuello, que desta vez não tem desculpa pelo mau rendimento. Foi escalado na função para a qual foi contratado no início de 2016 e não deu sequência às jogadas.

Com cinco minutos, golaço de canhota do lateral reserva transformado em ponteiro. Rodinei seguiu voando pela direita, fazendo dupla com Pará. Gabriel, centralizado, mesmo com todas as suas limitações, confundiu a marcação adversária circulando às costas dos volantes. Mas novamente faltou contundência para matar o jogo.

Pagou com a única finalização de Santiago Silva no jogo. Cabeceando entre Rever e Vaz. Em três conclusões do centroavante nas duas partidas entre as equipes, dois gols. Silêncio no Maracanã, massa preocupada, time tenso.

Entrou em cena Guerrero, para marcar exatamente na finalização mais complicada: com o marcador em cima, o chute cruzado entre as pernas do defensor e no canto de Toselli. Depois de onze tentativas. Haveria mais uma, no final, bloqueada.

Mas a vitória a esta altura já estava definida pelo gol de Trauco. Lateral que virou meia de novo, com a entrada de Renê no lugar de Gabriel. Mas centralizado, porque aparentava cansaço e Everton seguiu recompondo no setor esquerdo que a Católica atacava seguidamente.

Gol de perseverança, na sequência de chutes que podia ter virado um passe para Arão livre. Mas a conclusão de direita entrou e resolveu a questão da penúltima rodada. Não garante a classificação e envolve até um certo risco, já que a derrota na Argentina combinada com a vitória atleticana no Chile elimina o time carioca.

A rigor, um time que finalizou 40 vezes no campeonato, média de oito por jogo, já deveria estar com a vaga garantida, 100% de aproveitamento. Ainda falta contundência, que pode fazer falta mais à frente na temporada.

Mas valeu pela liderança do Grupo 4 e, principalmente, por seu simbolismo. Por não se entregar nem se desesperar depois do empate. Por manter o foco na competição que é prioridade em 2017.

Pelas mudanças do treinador que, mesmo questionáveis para quem não entende a diferença entre posição e função, deram certo na prática. Sem Diego, Donatti, Romulo e Berrío. Fora Conca. Com bela atuação de Marcio Araújo na proteção da retaguarda.

Na prova mais difícil até aqui, o Flamengo passou com louvor.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


“Três volantes”, “retranca”? Vitória do Flamengo chuta longe os clichês
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André Rocha

O 4-1-4-1 montado por Zé Ricardo sem Diego: Márcio Araújo na proteção da defesa e força pelas laterais com triangulações. Mais efetivo pela esquerda, atacando o lado fragilizado do Botafogo no habitual 4-3-1-2 que se desmembra em duas linhas de quatro sem a bola (Tactical Pad).

A semana inteira de preparação do Flamengo foi de expectativa para a solução que Zé Ricardo encontraria para repor o lesionado Diego. Ao sinalizar a entrada de Rômulo, surgiu a velha confusão de conceitos. Misturando função e posição.

“Três volantes”, “Flamengo vai jogar pelo empate”, “técnico retranqueiro”. Foi o debate que se viu e ouviu sobre o time rubro-negro antes da bola rolar. Até pela vantagem de empate na semifinal do Carioca por conta da melhor campanha.

No Maracanã molhado pela chuva, o que se viu foi o time “cauteloso” propondo o jogo. No 4-1-4-1, desenho tático “de cabeceira” de Zé Ricardo, desmanchado pela presença de Diego, típico meia central de um 4-2-3-1.

Trabalhando a bola, adiantando as linhas e apertando a marcação no campo adversário. Se não tinha o meia criativo, fazia as jogadas pelos flancos com triangulações. À direita, Pará, Arão e Gabriel; pela esquerda, Trauco, Romulo e Everton.

Guerrero voltava para fazer o pivô e distribuir as jogadas. Complicando um Botafogo que nitidamente buscou dosar energias no primeiro tempo para compensar o desgaste da viagem ao Equador e apenas um dia de treinamento para o clássico.

Só que tinha problemas além do cansaço, em função dos desfalques. Especialmente no meio-campo: Aírton, ainda lesionado, e Bruno Silva, suspenso pela estúpida expulsão depois do apito final da inútil decisão da Taça Rio. Fora Montillo.

Na lateral direita, mais uma improvisação: o volante Fernandes, que se juntava a João Paulo, o volante-meia do 4-3-1-2 armado por Jair Ventura que abria à direita para formar a linha de quatro no meio. Deixando Rodrigo Pimpão pela esquerda. Pelo contexto, parecia mais razoável inverter seu melhor ponteiro e atacar o setor mais forte do Fla, o esquerdo.

Acabou defendendo mal e o Flamengo teve o controle do jogo. Nem tanto nos números do primeiro tempo – 51% de posse e as mesmas cinco finalizações do rival, três a zero no alvo. Mas principalmente por sempre parecer mais próximo do gol.

Mas bolas nas redes só na segunda etapa. Com Guerrero, chegando aos nove no Carioca. Participando da construção pela esquerda e aparecendo para completar o corte errado de Victor Luís e abrir o placar. Depois a cobrança de pênalti segura e forte no meio do gol com o campo molhado.

A chance mais cristalina para o peruano acabou sendo desperdiçada em jogada de Pará para Berrío, substituto de Romulo, e passe para o chute fraco de Guerrero. De novo faltou ao Flamengo em um jogo grande a contundência no ataque para construir a vitória com mais autoridade.

O pênalti tolo de Rever sofrido e bem cobrado por Sassá, que entrara na vaga de Roger, transferiu uma emoção ao final do jogo, com o Botafogo, mesmo exausto, se lançando ao ataque, que não reflete o que foi a semifinal.

Posse de bola praticamente dividida, Flamengo finalizando 13 vezes, uma a mais que o Bota. Seis, porém, na direção da meta de Gatito Fernández contra apenas duas do alvinegro. O time de Zé Ricardo não foi brilhante, mas também não era com Diego em campo na maioria dos jogos. Em nenhum momento, porém, jogou fechado, especulando, dando a bola ao rival.

Com três volantes de ofício, mas na prática apenas um: Márcio Araújo, que cumpriu boa atuação. A tendência é manter o desenho tático e a proposta para a decisão. Um Fla-Flu que não valia o título regional desde 1995. Numa final em dois jogos como agora, desde 1991.

Pelo desempenho na temporada, o tricolor parece mais forte. E o Flamengo ainda tem um jogo decisivo contra o Atlético-PR na quarta, antes da primeira decisão. Favorito ou não, é improvável que o time de Zé Ricardo se acovarde no clássico. Com ou sem volantes, chutando pra longe os clichês.

(Estatísticas: Footstats)


A aula de futebol coletivo do Fluminense que só se concretizou nos pênaltis
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André Rocha

A leitura do clássico do Engenhão que, em futebol e emoção, redime o futebol carioca depois de tantas crises e agruras e não merecia torcida única ou portões fechados parece bem clara: com o suspenso Douglas e o lesionado Gustavo Scarpa em campo, dificilmente o Flamengo teria levado a decisão da Taça Guanabara para os pênaltis.

Você viu primeiro AQUI que o Fluminense de Abel Braga já sinalizava um futebol envolvente, ainda que os adversários no Carioca e na Copa do Brasil se mostrassem muito frágeis. As ações ofensivas do 4-1-4-1 tricolor aconteciam naturalmente com mobilidade, triangulações, o jogo entre linhas chamava atenção.

No Fla-Flu, os desfalques apresentaram uma vantagem na prática: com Wellington Silva invertendo o lado para a entrada de Richarlison e sendo transferido para o setor direito, o time ganhou uma dupla de velocidade e intensidade para cima de Trauco sem o auxílio constante de Everton.

Mas Wellington começou a desequilibrar no primeiro contragolpe que deixou claro que seria muito complicado para a retaguarda do Fla conter a rapidez das transições ofensivas do rival. Especialmente na recomposição das bolas paradas a favor. Arrancada, Pará escorregou e o ponteiro saiu na cara de Muralha.

A resposta do Flamengo acontecia nos cruzamentos. A equipe de Zé Ricardo foi a antítese do Flu. Lenta, engessada, sem profundidade e criação. Diego novamente foi importante pela experiência, liderança, personalidade. Mas é difícil criar espaços com um meia que não tenta um passe vertical furando linhas de marcação.

Restavam os cruzamentos. Assim saiu a virada, com Arão e Everton. A defesa do Flu ainda não havia sido vazada no Estadual, mas em outras partidas, principalmente na semifinal contra o Madureira, mostrara muitos problemas com o jogo aéreo.

Mas curiosamente foi num cruzamento despretensioso que o Flu achou um pênalti no toque de Guerrero, quando a atmosfera no Engenhão era favorável ao rival. Henrique converteu e inverteu as forças. Em nova recomposição lenta e desorganizada, a defesa rubro-negra viu Lucas aparecer à frente de Muralha. Passe vertical de Wellington que Diego e Mancuello não encaixaram, sequer tentaram ao longo da partida. Virada.

O segundo tempo foi de controle tricolor, fechado num 4-1-4-1 com entrega e concentração sem a bola e saídas rápidas pelos flancos, no ritmo da dupla equatoriana Sornoza e Orejuela, atuando mais adiantado com a entrada de Pierre na vaga de Douglas.

As trocas de Zé Ricardo demonstravam mais desespero que um plano de jogo. Berrío e Gabriel nas pontas, depois Vizeu na área do Flu com Paolo Guerrero e Everton deslocado para a lateral esquerda. Rondou a área, mas com um paradoxo: jogadores velozes, mas pouco (ou nada) criativos, para abrir a defesa. E Diego mais recuado na articulação. Com espaços, apareceu em chutes de longe e alguns bons passes. Mas nenhum que quebrasse o bloqueio.

Abel tentou minimizar a pressão e acelerar os contragolpes reoxigenando o meio e o ataque com Calazans, Marquinho e Marcos Junior. O desgaste da viagem a Sinop, da volta de ônibus e da necessidade de buscar a virada por 3 a 1 na Copa do Brasil era nítido.

A bola parada salvou o Fla. O goleiro Julio César, seus companheiros, o Engenhão e quem estava assistindo na TV esperava a cobrança de Rafael Vaz. Guerrero surpreendeu com um toque magistral, digno dos melhores no ofício.

Empate que não refletiu o que foi o jogo. Ainda que o Fla tenha controlado a posse (53%) finalizado 16 vezes contra 12 – sete a seis no alvo. O Fluminense teve fluência, jogadas mais agudas, trabalho coletivo. Chances mais cristalinas. Ideias.

Uma aula de futebol moderno que só se concretizou nos pênaltis. Quatro cobranças precisas do lado tricolor. Do rubro-negro, algo atípico: este blogueiro não se recorda de uma equipe escalando os dois zagueiros para bater penalidades na primeira série. Coincidência ou não, Rever atrasou para Julio César e Rafael Vaz bateu para fora.

Fluminense campeão do primeiro turno. A má notícia é que desta vez se vencer o returno, mesmo assim haverá fase final. Obra do regulamento esdrúxulo. O Flamengo agora deve focar na Libertadores. E há muito a melhorar para a estreia contra o San Lorenzo na reabertura do Maracanã na quarta-feira.

(Estatísticas: Footstats)

 


Testes valem mais que a goleada do Flamengo na estreia do Carioca
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André Rocha

No primeiro teste com a maioria dos titulares em campo durante os noventa minutos, o Flamengo apresentou novidades. Entre as previstas, a utilização de Mancuello como ponta armador pela direita – o “dublê” de Conca – e a estreia de Romulo como volante ao lado de Willian Arão no 4-2-3-1 que segue como o desenho tático rubro-negro.

As surpresas foram do lado esquerdo: Adryan como o ponteiro mais agudo à esquerda no lugar de Everton, vetado minutos antes por problema estomacal, e Trauco, lateral contratado para herdar a vaga de Jorge, negociado ao Monaco na quinta-feira. Poderia ser mais à frente, maduro e valorizado. A boa notícia é que estava no planejamento, sem desespero.

No primeiro tempo, Trauco não econtrava espaços para descer, pois Adryan guardava o posicionamento mais aberto, sem buscar as diagonais. Diante do 4-1-4-1 armado por Joel Santana no Boavista, o Fla sofria para criar espaços e tinha problemas com os contragolpes adversários. Romulo e Arão precisam de tempo para acertar a proteção da retaguarda.

Mancuello ainda precisa de tempo para se adaptar à nova função.  Com o time acostumado a jogar pelos flancos, triangular e cruzar, não é fácil se acostumar a trabalhar por dentro. Pará não tem a característica de buscar o fundo com velocidade e os companheiros têm que criar opções de passe.

Passes de primeira. Uma dificuldade de Diego em toda carreira. É meia de condução de bola e finalização. Sem espaços, não consegue acelerar na zona de criação, fazer o jogo fluir. Como joga adiantado, Willian Arão fica mais preso e não aparece como surpresa.

Trauco começou a ser destaque e personagem quando Adryan abriu o corredor e o lateral acertou centro perfeito para Guerrero no primeiro gol do jogo na Arena das Dunas. Mas também foi notável o erro de posicionamento na jogada do lado oposto que encontrou Mosquito livre às suas costas. Vacilos que se repetiram na segunda etapa.

Compensadas pelo gol marcado na segunda etapa, com bela assistência de Mancuello. O lateral peruano é mais agudo que Jorge, porém menos habilidoso e seguro atrás. Pode evoluir e ser muito útil. Assim como Rodinei, que entrou na vaga de Adryan. Mais adiantado, fazendo dupla com Pará. Talvez para ser o “dublê” de Berrio, atacante colombiano contratado para ser o ponta mais vertical. Um “upgrade” em relação a Marcelo Cirino.

O Boavista cedeu espaços, o jogo rubro-negro ficou mais fluido, com volume. Centro preciso de Rodinei, mais um gol de Guerrero. Diego completou os 4 a 1 no final, em outra assistência de Trauco. Mais que a goleada na primeira partida do Carioca, valeram os testes para Zé Ricardo preparar a equipe com base mantida e as contratações com o propósito de suprir as carências.

Para um início de trabalho, o saldo no desempenho foi positivo.

 

 


A incoerência na escalação de Guerrero e a incrível virada de Riascos
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André Rocha

O Flamengo é o clube que mais reclama do desgaste pela seqüência de jogos e viagens em 2016. Escalou um atleta menos de 24 horas depois de atuar por noventa minutos em um jogo duro de Eliminatórias. Nem o pedido e o esforço do jogador justificavam, até porque a decisão final não pode caber a ele.

Incoerência que cobrou seu preço em campo com um Guerrero desorientado, perdendo dois gols feitos no mesmo lance e mais uma vez caindo na provocação de Rodrigo. Até um juvenil sabe que não se responde um beliscão com cotovelada.

O peruano se livrou de uma expulsão, assim como Márcio Araújo por duas faltas duras seguidas. No segundo tempo, Rodrigo também mereceu o vermelho por um pisão em Guerrero. Disputa tensa no gramado, em paz nas arquibancadas do Mané Garrincha.

O Vasco novamente deve a Martín Silva um clássico sem derrota. O uruguaio justificou o esforço para escalá-lo com defesas importantes. Fruto da superioridade do adversário, com boa movimentação, especialmente de Ederson às costas de Marcelo Mattos.

A equipe de Jorginho isolou Nenê muito adiantado e pelos flancos, perdendo transição, apesar da boa atuação de Andrezinho e da posse de 52% no primeiro tempo. Cinco finalizações contra oito, nenhuma no alvo contra seis. A melhor oportunidade com Madson, que não escapou da saída precisa de Paulo Victor.

Flamengo superior no primeiro tempo com Ederson mais avançado, circulando às costas de Marcelo Mattos; Vasco acuado e com Nenê isolado, procurando os flancos (Tactical Pad).

Flamengo superior no primeiro tempo com Ederson mais avançado, circulando às costas de Marcelo Mattos; Vasco acuado e com Nenê isolado, procurando os flancos (Tactical Pad).

Antes do intervalo, a troca de Jorge Henrique por Caio Monteiro. Depois Diguinho entrou na vaga de Julio dos Santos. Mas para jogar plantado à frente da defesa, protegendo e ajudando na saída de bola, liberando Marcelo Mattos à direita no losango do meio-campo.

O Vasco controlou até Muricy perceber e trocar Ederson por Alan Patrick, desfazendo a espécie de 4-2-3-1 para o 4-3-3 desde o início da temporada. Com o meio novamente encorpado, a saída de Emerson, de novo inócuo pela esquerda, para a entrada de Cirino transferiu Gabriel para a esquerda e fez o time recuperar domínio.

Até Rodrigo falhar no posicionamento, Patrick acionar Cirino e o Fla voltar a ir às redes depois de quatro jogos. A chance de vencer o rival após sete clássicos.

Mas Riascos entrara no lugar de Thalles. Vindo de lesão. Artilheiro do cruzmaltino na temporada. Agora com sete gols, porque aproveitou mais uma falha de posicionamento da retaguarda do rival em jogada de bola parada. Empate.

Incrível virada do atrapalhado atacante colombiano, que vai superando suas muitas limitações técnicas. As chances de renovar contrato em maio só aumentam, embora continue não sendo suficiente para o ataque vascaíno, mesmo na Série B.

A última das 18 finalizações rubro-negras foi de Willian Arão. Livre na pequena área, não dominou e a bola tocou na trave. Impressionante a felicidade do Vasco nos últimos duelos que em outros tempos pendiam para o lado vermelho e preto.

Vasco recuperou o meio-campo com Diguinho plantado e Marcelo Mattos liberado à direita do losango e empatou com Riascos; Flamengo voltou a dominar com as entradas de Alan Patrick e Cirino.

Vasco recuperou o meio-campo com Diguinho plantado e Marcelo Mattos liberado à direita do losango e empatou com Riascos; Flamengo voltou a dominar com as entradas de Alan Patrick e Cirino (Tactical Pad).

O time de Jorginho segue líder da Taça Guanabara e sem derrotas na temporada. Só não pode focar na invencibilidade e oscilar no desempenho. Com a escalação de Guerrero, Muricy perde o argumento do cansaço, mas sua equipe sinaliza recuperação em técnica e tática. Não bastou para voltar a vencer em Brasília.


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