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River Plate “arame liso” salva um Flamengo ciente do seu tamanho na América
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André Rocha

O Flamengo celebrou com a vitória sobre o Emelec no Maracanã a classificação para as oitavas de final da Libertadores que não vinha desde 2010 e cada minuto da disputa no Monumental de Nuñez deixava cada vez mais nítido que o objetivo era terminar a fase de grupos sem derrota. De preferência sem ser vazado no jogo mais complicado, em tese, desta etapa da competição.

Algo inútil na busca da primeira colocação que garantiria a decisão da vaga nas quartas de final no Rio de Janeiro. Mas importante para Mauricio Barbieri, um treinador em busca de resultados que garantam seu emprego na parada para a Copa do Mundo. O preço que o clube paga por demorar a efetivar o profissional.

Mas é óbvio que a postura rubro-negra em Buenos Aires passa também pelo temor em um jogo grande do torneio, diante de um tricampeão, vencedor da edição de 2015. A ausência dos suspensos Diego e Barbieri e dos lesionados Rever e Juan tiveram peso, mas o comportamento em partida fora de casa não é inédito. Foi assim também no empate sem gols com o Santa Fé.

Muito pela incapacidade de Henrique Dourado de reter a bola na frente e dar sequência às jogadas. No 4-1-4-1 com Jean Lucas alinhado a Lucas Paquetá por dentro na linha de meias, o time foi empurrado por um River forte na pressão logo após a perda da bola e na valorização da posse. Ponzio coordenando a saída para o ataque sem pressão do adversário e acionando os meias Enzo Pérez, Ignacio Fernández e Palacios. Chamando o apoio dos laterais Montiel e Saracchi para tentar fazer a bola chegar a Lucas Pratto e Scocco.

Volume de jogo que sufocou o Flamengo em vários momentos, porém faltou contundência. O River foi “arame liso”, cercando a área, rodando a bola, controlando a posse – terminou com 60%. Mas finalizando apenas oito vezes, cinco no alvo. Duas chances cristalinas com Scocco e o voleio de Borré no travessão de Diego Alves no final. Pouco para tamanho domínio. Ainda permitiu oito finalizações do time brasileiro, três no alvo. Só descendo na boa. Salvo pelas circunstâncias.

A imagem da TV Globo no apito final mostrou o treinador argentino Marcelo Gallardo lamentando o resultado diante de um oponente sem ambição. Perdendo a chance de ter uma das melhores campanhas na fase de grupos. Mesmo na liderança. Um contraste com o tom satisfeito das palavras de Rhodolfo e Vinicius Júnior. Ainda que a partida de ida seja em casa e sem Paquetá, suspenso.

Compreensível pelo contexto. O retrospecto recente do Flamengo no principal torneio do continente justifica o pensamento bem pequeno. Do tamanho atual do clube na América do Sul.

(Estatísticas: Footstats) 


Flamengo nas oitavas da Libertadores com boa atuação para superar o trauma
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André Rocha

É obrigatório contextualizar a situação do Flamengo para analisar a atuação da equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Emelec no Maracanã. Valia vaga nas oitavas da Libertadores depois de três eliminações seguidas e vexatórias na fase de grupos.

A última traumática, no ano passado, para San Lorenzo e Atlético Paranaense. Ostentando com alguma sobra o maior orçamento do grupo, que ainda tinha a Universidad Católica. Vencendo o time chileno na despedida do Maracanã e saindo na frente com o gol de Rodinei no Nuevo Gasometro. Virada na Argentina e o Atlético vencendo no Chile. Misto de incompetência e muita falta de sorte.

Tudo isso foi levado para o Maracanã cheio. Com a massa apoiando, mas a tensão sendo transferida de dentro para fora do campo. Era obrigatório vencer um adversário que também precisava dos três pontos para seguir vivo. Se deixasse para definir no Monumental de Nuñez contra o River Plate as chances diminuiriam drasticamente.

Dito isto, por tudo que envolveu o jogo, a atuação do time de Mauricio Barbieri pode ser considerada boa. Por incrível que pareça, o treinador com menos grife e experiência consegue o que parecia impossível: combinar as características dos jogadores.

Rodinei é o lateral de ataque, de buscar o fundo. Renê segura mais e vai se especializando no trabalho defensivo. Tanto no um contra um como no posicionamento, fazendo diagonais de cobertura cada vez mais precisas. Desce na boa e dá liberdade a Vinicius Júnior para buscar jogadas individuais e infiltrações em diagonal. E o garoto ganha cada vez mais confiança e vivência entre os profissionais.

No meio-campo, Cuéllar protege, mas também passa. Lucas Paquetá faz tudo, embora ainda erre na circulação da bola prendendo muito em momentos inadequados. Mas se multiplica como o segundo homem de suporte ao volante na contenção e dos meias na articulação.

Everton Ribeiro merece um parágrafo à parte. Ou dois. O meia finalmente se encontrou em campo e passou a ter as companhias que precisa: do lateral passando no corredor quando ele corta da direita para dentro com a canhota e de um colega dando opção para tabela ou entrando exatamente no espaço deixado pelo ponta que vem para dentro. Com jogadores para dialogar no passe curto e não nos toques sem ideias buscando o lado para os cruzamentos seguidos, o futebol do camisa sete cresce demais.

Os gols da vitória foram a cereja do bolo de uma atuação que só não foi perfeita por um vacilo na saída e a perda da bola que gerou um contragolpe do Emelec que só não causou estragos pela presença de Rever. Este sim, numa noite sem erros e consertando vários equívocos dos companheiros. Perdendo Juan, que colocou duas bolas nas traves, no final do primeiro tempo e transmitindo segurança a Leo Duarte na segunda etapa.

Diego alternou passes de primeira que aceleraram ataques para Vinicius Júnior e a insistência em reter a bola e atrasar a transição ofensiva. Barbieri pode insistir para que ele recue menos e se posicione mais como um companheiro na frente de Henrique Dourado.

O centroavante é que destoou mais uma vez. Simplesmente não consegue dar sequência às jogadas e peca pela ansiedade na hora de finalizar – impressiona o contraste com a incrível segurança na cobrança de pênaltis. A ampliação da suspensão de Paolo Guerrero de seis para 14 meses é um duro golpe para o Fla. Com este ajuste crescente nas peças e mais volume de jogo a tendência era o peruano acrescentar muito com sua técnica e movimentação. Dourado terá que compensar com posicionamento e precisão no último toque. Faltou mais uma vez.

Vale a classificação antecipada, ainda que com sofrimento. Compreensível pelo histórico recente. Era preciso quebrar a barreira e a missão foi cumprida. A tarefa agora é seguir evoluindo, ganhar consistência. Com o jovem Barbieri, mesmo com seus erros normais de “pato novo”, parece haver uma luz mais à frente. Um rumo. No Flamengo do final da gestão Bandeira de Mello isto não é pouco.

 

 


Entra técnico, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Está repetitivo
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André Rocha

Você já leu aqui neste blog:

1 – Que Diego é importante na bola parada, como na cobrança de escanteio que terminou gol de Henrique Dourado, logo aos sete minutos no empate do Flamengo por 1 a 1 com o Independiente Santa Fé no Maracanã com portões fechados. Mas atrapalha demais a fluência do time ao prender demais a bola e não arriscar passes que quebram as linhas da defesa adversária. De novo: domina, gira, dá mais um toque e toca para o lado. Atrasa tudo;

2 – Que no momento de dificuldade, quando o oponente nega espaços – como o Santa Fé do treinador interino Agustín Julio, armado num 4-2-3-1 – o time rubro-negro abusa dos cruzamentos. Ou depende deles para criar as melhores oportunidades. Jogadas aleatórias, nada pensadas. Desta vez foram 28, nem tantos em relação a outros jogos, mas simplesmente não há repertório;

3 – Quando acontece algo novo e surpreendente, como a bela tabela entre Diego e Paquetá logo aos dois minutos de jogo, a conclusão não é precisa. Desta vez foi Diego a desperdiçar. A primeira das 15 finalizações, seis no alvo. O Fla, porém, segue “arame liso”. Já o Santa Fé concluiu sete vezes, três no alvo. Na chance mais cristalina, Anderson Plata aproveitou contragolpe iniciado com passe errado de Diego e serviu Wilson Morelo, artilheiro da Libertadores com oito gols. Empate;

4 – No momento em que a coisa complica, os garotos precisam resolver. Ou assumem esta responsabilidade. Mas Vinicius Júnior e Lincoln, muito meninos, pecam pela afobação e Paquetá apela para as jogadas individuais. Mas insiste e na Libertadores o jogo é menos parado com faltas. Armou vários contragolpes do time colombiano na segunda etapa. Continua sendo o melhor da equipe, mas contribui pouco na construção, em fazer a bola circular mais rapidamente;

5 – E Dourado não pode exercer a mesma função de Guerrero. Não sabe fazer pivô, a bola bate e volta. É jogador de último toque e só. Saiu fazendo cara feia para o jovem treinador Maurício Barbieri, mas fora o gol nada produziu. Lincoln entrou com outras características, não é pivô. Assim como Filipe Vizeu. Fla ficou órfão deste suporte na frente e não encontra soluções para criar de outras formas.

Porque entra treinador, sai jogador…e o Flamengo não sai do lugar. Os mesmos erros, recursos semelhantes. O treinador assume, mantém praticamente os mesmos jogadores esperando resultados diferentes. Foi Rueda sucedendo Zé Ricardo, depois Carpegiani e agora Barbieri, que sem resultados não deve permanecer.

Qual será o próximo a sofrer com um time ancorado, sempre prestes a afundar? A equipe pode até inverter a lógica de 2017 e obter a classificação para o mata-mata da Libertadores com vitórias fora de casa. Mas se não subverter tudo e buscar novas saídas continuará previsivel, engessada. Com Maracanã lotado como no treino da véspera ou sem torcida.

O torcedor vai falar de garra, espírito…Talvez os jogadores pudessem até se posicionar exigindo uma ruptura. Mas como, se Diego, um dos principais líderes, é uma das causas do fraco desempenho coletivo? Em campo, o Fla tenta, mas não funciona. Por isso o desânimo. Não dá para vencer sempre na fibra.

Este time deve futebol e seguirá devendo se não houver um fato novo consistente. Com a atual diretoria comandada por Eduardo “Vamos Levando” Bandeira de Mello é improvável. Desculpe, está repetitivo. Mas é simples assim.

(Estatísticas: Footstats)


Botafogo acerta um ataque e está na final. Flamengo não tem repertório
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André Rocha

Trinta e oito minutos do primeiro tempo. Rodrigo Lindoso, substituto de João Paulo como articulador no 4-2-3-1 do Botafogo de Alberto Valentim, acerta passe nas costas de Paquetá para Marcinho. O lateral chegou ao fundo e rolou para trás. Luiz Fernando apareceu às costas de Everton e antecipando a Rhodolfo para tirar de Diego Alves. Na comemoração, o atacante provocou o rival ironizando o “cheirinho”.

Objetivamente, foi a única jogada bem engendrada pelas equipes em mais de noventa minutos. O gol da classificação do Botafogo. Dentro de uma atuação com mais intensidade na marcação, especialmente na primeira etapa. Foram 12 desarmes corretos contra dez do Flamengo, mas nove dos alvinegros contra apenas um rubro-negro nos primeiros 45 minutos.

A derrota no estadual não deveria ser trágica para um time disputando a Libertadores. O que é preocupante e muito no Flamengo é o desempenho. A atuação foi pluripatética. Infelicidade desde a escolha de Jonas e Willian Arão como os volantes para a mudança do sistema para o 4-2-3-1, deixando Cuéllar no banco. Um absurdo.

Passando pelo impasse entre Paulo César Carpegiani e Vinícius Júnior. O treinador queria o jovem atacante pela direita, mas o menino se sente mais à vontade do lado oposto. O resultado é que muitas vezes Paquetá e Vinícius, que deviam ocupar os flancos, ficavam no mesmo lado abandonando Pará à própria sorte pela direita.

Nas redes sociais houve muitos protestos de flamenguistas contra o post deste blog sobre a classificação do Fluminense na semifinal da Taça Rio. O texto afirmava que o time de Abel Braga tem mais repertório que o rival, ainda que este tenha finalizado muito mais vezes e permanecido no campo de ataque por mais tempo depois do gol de Gum que abriu o placar no Estádio Nílton Santos.

O que é difícil de fazer entender é que um time que fique com a bola, mesmo que rode, rode, rode até levantar na área, inevitavelmente vai conseguir finalizar. No abafa, na vitória do atacante na impulsão, no corte para dentro e chute. Mas não significa que há jogada. Repertório. Não existe.

O Flamengo é um deserto de ideias. O time que vivia do pivô de Paolo Guerrero para dar sequência às jogadas e sofria porque não tinha o centroavante na área para finalizar agora tem Henrique Dourado sem a mínima qualificação técnica para fazer a parede e mesmo finalizar. Mesmo cabeceando na trave na segunda etapa.

Um dos 45 cruzamentos do time na semifinal. Treze de Diego. Três corretos, sempre na bola parada. Impressiona como Tite pode pensar no camisa dez como um meio-campista organizador. Desde o ano passado saltava aos olhos a total falta de criatividade do meia. Repetindo pela enésima vez: domina, gira, dá mais um toque e, com a marcação do adversário montada, o passe para o lado ou para trás. Quando arrisca algo mais objetivo vem o erro.

O ensaio do início da temporada com mobilidade dos meias no 4-1-4-1 foi abandonado pela falta de sequência com qualidade. O time continua vivendo de cruzamentos e lampejos. O mesmo da segunda metade do trabalho de Zé Ricardo e no período sob o comando de Reinaldo Rueda.

Uma carga muito pesada para os ombros de Paquetá e Vinícius Júnior. Jovens precisam de um trabalho coletivo para potencializar o talento. Tudo que o Flamengo não tem. Realidade dura para quem investe tanto. Mas é preciso aceitar. E mudar o quanto antes.

O Botafogo nada tem a ver com isso. Lutou, buscou pressionar mais o adversário com a bola, bloqueou de forma organizada com duas linhas de quatro e contou com Jefferson, substituto de Gatito Fernández a serviço da seleção paraguaia, para suportar a pressão aleatória do rival. Faltou coordenar mais contragolpes para tirar o oponente um pouco da própria área. Não conseguiu, mesmo com a entrada de Rodrigo Pimpão na vaga de Leo Valencia.

Finalizou 12 vezes, três no alvo. A única bola na rede no clássico. A solitária jogada bem pensada e executada. O melhor estava por vir depois da fratura de João Paulo: a final do Carioca que parecia improvável.

(Estatísticas: Footstats)


Que relação complicada entre Flamengo e Libertadores nos últimos tempos!
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André Rocha

Cuéllar é expulso na premiação da decisão da Sul-Americana. Clube é punido pela selvageria de parte da torcida no Maracanã e tem que estrear na Libertadores no Nílton Santos com portões fechados. Arbitragem complicada, com pênalti claro não marcado a favor no primeiro tempo e sofrendo gol logo depois de abrir o placar com o adversário claramente impedido.

Para piorar, o treinador Paulo César Carpegiani foi infeliz na última substituição, trocando Everton por Willian Arão. O time perdeu velocidade nos contragolpes e não ganhou solidez na proteção da defesa. E Vinícius Júnior estava no banco…

Que relação complicada entre Flamengo e Libertadores nos últimos tempos! Desde a noite de Cabañas e Joel Santana em 2008, a eliminação para o Emelec em 2012 com os jogadores à beira do campo esperando o apito final. No ano passado a combinação da derrota no final para o San Lorenzo e a vitória do Atlético-PR sobre a Universidad Católica e agora um grupo complicadíssimo com River, Santa Fé e Emelec. Tudo parece conspirar contra.

Ainda que a atuação coletiva tenha ficado bem longe do satisfatório. A equipe estava nitidamente insegura na estreia em uma competição tratada como prioridade contra um adversário tradicional. Pouca pressão no oponente com a bola e muita lentidão na circulação da bola na saída para o ataque. Desde a defesa com Rever, Juan e Jonas, o substituto de Cuéllar.

Carpegiani optou por Pará na lateral direita, muito provavelmente pela preocupação com De La Cruz, o meia aberto pela esquerda no 4-1-4-1 armado por Marcelo Gallardo, mesmo sistema do time brasileiro. Com isso a equipe rubro-negra só conseguia dar profundidade às ações ofensivas com Everton e Paquetá pela esquerda. À direita faltava a ultrapassagem do lateral no espaço deixado pelas trocas entre Everton Ribeiro e Diego.

No centro do ataque, Dourado tentava descomplicar tocando simples e de primeira, mas sem acrescentar muito. Do lado argentino, Lucas Pratto, mesmo demonstrando desentrosamento, fazia um trabalho de pivô mais eficiente e inteligente.

Mesmo em má fase, o River mostrava mais personalidade e um plano de jogo claro. Faltava a fluência nas jogadas. Por isso um primeiro tempo fraco, com muitas faltas – 22, 14 cometidas pelo River e 8 pelo Fla. Só quatro finalizações do mandante e duas do time argentino – dois a um no alvo. Mas não teve a chance clara. Só o pênalti no toque no braço de Zuculini na disputa com Rever que o fraquíssimo árbitro peruano Michael Espinoza ignorou.

Gols na segunda etapa. No pênalti de Ponzio em Diego, Henrique Dourado manteve sua incrível precisão na cobrança. Na saída de bola, falta pela esquerda para o River e Mora aproveitou, impedido, para empatar. Na inversão de lado dos meias, Paquetá pela direita achou Everton e o meia novamente compensou com gol uma atuação com muitos erros nas tomadas de decisão.

Jonas saiu lesionado e entrou Rômulo, que, ao contrário do Fla-Flu, não comprometeu. Mas o Fla exagerou no recuo para administrar a vantagem e a troca de Everton por Arão foi trágica. O volante estava mal posicionado e Camilo Mayada chutou forte, mas de longe. Diego Alves aceitou. Décima segunda finalização do River contra dez do mandante, que teve 58% de posse e nem cruzou tanto desta vez, apenas 18.

Empate que soa cruel para o Fla pelos erros de arbitragem. Mas o time não se ajuda. Agora, para não repetir 2017 terá que pontuar fora do Rio de Janeiro. Incrível como tudo parece mais difícil no principal torneio da América do Sul.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo está mais móvel, mas com Diego e Dourado ainda vive de cruzamentos
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André Rocha

Foram praticamente 70 minutos de domínio absoluto do Flamengo na vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo em Volta Redonda pela semifinal da Taça Guanabara. Aproveitando as limitações e a queda brusca de confiança do Botafogo depois de ser eliminado pela Aparecidense na Copa do Brasil.

Com titulares e a estreia de Henrique Dourado, o time de Paulo César Carpegiani repetiu a mobilidade do 4-1-4-1 da vitória por 1 a 0 sobre o Nova Iguaçu. Everton Ribeiro e Diego alternando à direita e por dentro, o mesmo com Lucas Paquetá e Everton do lado oposto. Cuéllar mais plantado e Dourado na referência.

A movimentação chama atenção porque não há inversões no posicionamento apenas quando a bola sai e os jogadores fazem a troca, mas também com o time em progressão. Em vários momentos envolveu com relativa facilidade o sistema defensivo do rival com bola no chão, tabelas, triangulações e ultrapassagens.

Apesar de mais móvel, fica nítido que o Fla ainda vive de cruzamentos, com bola parada ou rolando. Em especial de Diego, o jogador que mais levantou bolas na área no clássico: 13 dos 31. Recorde do Fla na temporada. Foram 21 contra Volta Redonda e Cabofriense e 22 contra o Bangu com a garotada. 23 diante do Vasco, 24 contra o Nova Iguaçu já com Diego. Mas sem uma típica referência com boa estatura na frente.

Porque o meia ainda é lento para fazer a bola circular. Domina, gira, dá mais um toque. Com isso o adversário tem tempo para se reorganizar defensivamente. Sem opções e segurança para um passe mais vertical, acaba jogando na área. Como é o responsável pelas bolas paradas, natural que seja o que mais cruza.

Com o “Ceifador”, só no primeiro tempo foram 18. Natural que se busque o centroavante eficiente no jogo aéreo, mas para um time que em 2017 basicamente viveu das jogadas aéreas e Carpegiani busca mudar esse perfil, o número não deixou de ser alto.

Valeu pelos gols, um em cada tempo. No primeiro, centro de Diego e Everton cabeceou livre em mais uma falha grotesca da defesa do Bota que vacilou pelo alto nos dois gols da Aparecidense. No segundo, novo cruzamento do camisa dez para Paquetá servir Dourado.

Destaque novamente para o jovem meia que terminou a temporada passada como o grande destaque do time. Dinâmica para ir e voltar, consciência, lucidez e intensidade tanto para articular por dentro ou buscar o fundo como ponteiro. Um recital até cansar e sair para dar lugar a Vinícius Júnior.

Mas paradoxalmente o gol do Botafogo, primeiro sofrido pelo Fla no ano, começou em um erro de passe de Paquetá. Contragolpe, Réver sentiu o desgaste em sua primeira partida na temporada e não acompanhou Kieza. Com o centroavante, Ezequiel e Renatinho, o alvinegro ensaiou uma reação na chuva e aproveitando o cansaço dos titulares rubro-negros no segundo jogo neste Carioca.

Vinícius Júnior resolveu no último contragolpe do jogo em bela finalização. Para deixar claro o abismo entre os rivais neste momento. Também tornar o Flamengo ainda mais favorito para a final contra o Boavista.

O mais importante, porém, foi sinalizar que o time rubro-negro busca um novo modelo de jogo com Carpegiani. Mais móvel, envolvente. Falta ser mais criativo e insistir menos nos cruzamentos. Algo a ser trabalhado até a Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Sai Vizeu e chega Dourado no Flamengo. Afinal, a base é só para vender?
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André Rocha

Este blogueiro se lembra de ver Romário surgindo no Vasco em 1984 e Djalminha no Flamengo em 1990 nas preliminares do Maracanã. Era visível a ansiedade doa torcedores para vê-los nos profissionais e imaginando trajetórias de sucessos nos clubes. Um estreou nos profissionais em 1985 e foi negociado com o PSV em 1988, o outro subiu depois de ser o craque da Copa SP de 1990 e foi saído da Gávea em 1993.

Dois casos com desfechos bem diferentes, mas que em comum entregaram três anos de futebol no profissional a quem o revelou. Saíram, mas ao menos permitiram que o apaixonado pelo clube sonhasse com a possibilidade de construir uma história, mesmo não tão longa.

Hoje esse sonho é ilusão. O garoto surge antes mesmo do sub-20 já com a obsessão de jogar no exterior, os clubes europeus monitoram e contratam na primeira oportunidade. A única chance que resta é o comprador permitir que fique um tempo para ganhar cancha e minutos entre os adultos.

É o que acontece com Vinícius Júnior no Flamengo. Negociado com o Real Madrid e motivo de orgulho para os dirigentes porque o valor que receberam bancaria o orçamento das divisões de base por anos. Mas e o retorno técnico tão curto, com o jogador saindo aos 18 anos?

Ninguém calcula. E acha natural que agora o Flamengo negocie o atacante Vizeu, 20 anos, com a Udinese e contrate o rodado Henrique Dourado, 28, para a mesma função.

Sim, há um cálculo compreensível nesta combinação. Até junho o elenco terá Vizeu e Dourado, além do garoto Lincoln, como centroavantes e depois Paolo Guerrero, caso renove o contrato que vai até agosto, retorna de suspensão no lugar do atleta negociado que parte para a Itália.

Mas não parece loucura o clube vender o jovem promissor para trazer um jogador mais velho que pelas oscilações na carreira não passa de uma grande incógnita? É uma inversão de valores ou este que escreve quer uma utopia?

É óbvio que existe a possibilidade de Vizeu bater, voltar e não vingar como jogador em alto nível e o “Ceifador” empilhar gols e ganhar títulos no novo clube. No futebol tudo pode. Mas cabe a reflexão sobre as divisões de base: é só formar para vender mesmo? Tipo exportação e cada vez mais cedo?

O Santos resistiu com Neymar. Surgiu em 2009, partiu para Barcelona quatro anos depois deixando uma Copa do Brasil e a terceira Libertadores na sala de troféus. Se a negociação não deu o retorno esperado por questões legais, ao menos em campo a resposta foi ótima. Vizeu não é Neymar, talvez nem Vinicius Jr. chegue ao mesmo patamar, mas a lógica teria que ser a mesma.

Se a vontade do jogador tem que prevalecer, por que não buscar um plano de carreira que convença o garoto a ficar mais um pouco? Ou falta vontade para alimentar a criatividade e o único alvo são as cifras?

O futebol evolui e se torna mais complexo em todos os seus aspectos, mas essa nova ordem nacional de vender o jovem para contratar o experiente sempre vai soar muito estranha. Um paradoxo. Desta vez foi o Flamengo. Quem será o próximo?

 


Apesar da crise, estreia indica que Abel deve manter Flu rápido e ofensivo
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André Rocha

O pior de uma crise profunda é quando a falta de confiança internamente parece maior que a de quem está de fora. Quem observa o Fluminense perdendo alguns jogadores e abrindo mão de outros por não ter condições de arcar com os custos não vislumbra um 2018 promissor.

A estreia no Torneio da Flórida aumentou esta impressão, principalmente pela escolha inusitada de Abel Braga, montando sua equipe num 5-3-2. Temendo um PSV muito alterado por Phillip Cocu. Mesmo considerando que o time holandês está no meio da temporada, com mais ritmo de competição, pareceu uma cautela exagerada.

Talvez Abel estivesse correto, com uma visão realista. Mas o que se viu foi uma equipe descoordenada no trabalho sem a bola. Na transição ofensiva os laterais Gilberto e Marlon demoravam a recompor a última linha obrigando os zagueiros a ficarem mais espaçados. Na proteção, Douglas e Richard permitiam espaços às costas e sofriam com a habilidade do brasileiro Mauro Júnior.

Para piorar, a saída para o ataque que precisa ser rápida e intensa não encontrava o passe vertical de Sornoza, muito menos a velocidade de Henrique Dourado para acompanhar Marcos Júnior. O Flu roubava a bola, mas não conseguia sair da pressão do adversário logo após a perda da bola e surpreender a defesa mais adiantada do Ajax.

De tanto insistir, o PSV abriu o placar com lindo gol de Sam Lammers. 20 anos, um metro e noventa, mas habilidade para limpar a marcação e técnica para tirar do alcance do goleiro Júlio César. Consequência natural da produção das equipes nos primeiros 45 minutos.

Na segunda etapa, as muitas alterações que descaracterizam qualquer amistoso, mas úteis no trabalho de observação e para dar ritmo à maioria dos jogadores. Funciona melhor para análises de desempenho individual.

Ainda assim, serviu para Abel notar que, mesmo com o elenco despedaçado, sem Diego Cavalieri, Lucas, Henrique, Wendel, Orejuela, Gustavo Scarpa e Wellington Silva, vale mais seguir o instinto do treinador e dos jovens atletas: um estilo mais leve, rápido e com vocação ofensiva. O Flu correu riscos, porém ocupou o campo de ataque com mais volume, especialmente pela direita com Matheus Alessandro. O grande destaque  que acabou saindo contundido.

Robinho, outro que entrou na segunda etapa, compensou com mais um golaço no jogo. Saída em velocidade, troca de passes, mais gente na frente e a bela conclusão do ponteiro. Empate e derrota nos pênaltis por 5 a 4. Romarinho foi o único a desperdiçar sua cobrança.

O resultado foi o menos importante. Valeu mais para Abel iniciar o trabalho de reconstrução da equipe. Mesmo em meio ao caos e ao pessimismo pelas sérias dificuldades financeiras que devem fazer o clube perder também Henrique Dourado, o Flu sempre rende melhor tentando jogar. Mesmo correndo riscos. Ainda que falte confiança dentro e fora do campo.


O campeão carioca deu as caras no Fla-Flu da Sul-Americana
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André Rocha

Não foi só apenas a coincidência da repetição do placar da primeira final do Carioca, também com gol de Everton. O Flamengo da partida de ida das quartas-de-final da Sul-Americana lembrou o campeão estadual.

E neste bolo é possível incluir também a semifinal contra o Botafogo na Copa do Brasil. Diante dos rivais locais em disputas de mata-mata o time rubro-negro apresenta a fibra e a concentração que faltaram em tantos outros momentos da temporada. A rivalidade mais uma vez é o que move o Fla, seja com Zé Ricardo ou Reinaldo Rueda.

Concentração defensiva com duas linhas de quatro compactas para conter o volume ofensivo tricolor e organização para atacar. Desta vez com a criatividade de Everton Ribeiro, que percebeu a infiltração de Willian Arão e serviu com precisão em tempo e espaço. Finalização do camisa cinco e, no rebote de Diego Cavalieri, o gol de Everton.

Construção da vitória no primeiro tempo de controle e eficiência, mesmo com a saída de Rever, lesionado, para a entrada de Rhodolfo. Seis finalizações, duas no alvo. O Fluminense terminou com 52% de posse, cinco conclusões, mas apenas uma na direção da meta de Diego Alves, com Henrique Dourado batendo cruzado. Foram 13 desarmes corretos rubro-negros contra oito do rival.

Reação do time de Abel no segundo tempo, com bola na trave de Marcos Júnior, grande defesa de Diego Alves em chute de Gustavo Scarpa e pressão depois das entradas de Wendell e Wellington Silva nas vagas de Orejuela e Marcos Júnior. 13 finalizações e 57% de posse. Mas encontrou um Fla atento, encerrando a partida com 24 desarmes corretos. Podia ter ampliado em cabeçada de Juan. Entrega de Diego, Everton Ribeiro, sacrifício de Lucas Paquetá, novamente o substituto de Paolo Guerrero. Mudança de espírito.

Vantagem mínima, porém considerável. Valeu na primeira decisão estadual para confirmar na volta – triunfo por 2 a 1. O Flu está vivo, mas a má notícia é que não terá pela frente o Flamengo apático e disperso de boa parte da temporada. Nos clássicos fica claro que o time é outro.  O campeão carioca que deu as caras na Sul-Americana.

(Estatísticas: Footstats)

 


Fluminense sai da “zona morta’, vê Z-4 mais perto e terá que fazer escolhas
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André Rocha

Foto: Fluminense (Divulgação)

Desde o início do 2017, o Fluminense de Abel Braga vem recebendo um tratamento mais paciente e tolerante de torcida e imprensa. Muito por conta do carisma e da moral do treinador, ainda mais com a comoção pelo drama pessoal da morte trágica do filho João Pedro.

Também pela simpatia que desperta a vocação ofensiva do time de garotos, montado por conta dos problemas financeiros do clube. Chegou a ser o ataque mais positivo do país e, no Brasileiro, marcou 34 gols. Só é superado por Grêmio (41), Corinthians e Palmeiras (36).

Venceu a Taça Guanabara, perdeu o Carioca para o milionário Flamengo com arbitragem polêmica na final. Chegou a disputar a liderança do Brasileiro bem no início, depois caiu naturalmente. Segue, porém, com Henrique Dourado na artilharia, com 14 gols. Foi eliminado na Copa do Brasil pelo Grêmio no melhor momento deste na temporada. Continua vivo na Sul-Americana.

No meio do caminho perdeu Sornoza, destaque do time no estadual articulando as jogadas, e a estrela Gustavo Scarpa. Só agora tem os dois disponíveis simultaneamente. Elenco curto, com os problemas naturais do desgaste pela sequência de partidas. Mas a equipe flutuava numa zona intermediária. Vencia e se aproximava do G-6, depois era derrotado e caía para a segunda página da tabela. Mas nunca correndo maiores riscos de Z-4.

Até somar apenas cinco pontos em sete rodadas do returno. Três derrotas seguidas -Atlético-PR, Palmeiras e Grêmio – e última vitória sobre o Atlético Mineiro por 2 a 1, na 21ª. Só Coritiba e Sport, em queda livre, pontuaram menos.

Com 32 pontos, está em 15º, apenas um à frente do Avaí, 17º. Se a Ponte Preta, 18ª,  vencer o Flamengo no fechamento da rodada amanhã, segunda feira,no Moisés Lucarelli, a vantagem sobre o time de Campinas será apenas no saldo de gols. Nunca esteve tão próximo.

A jovem dupla de zaga com Reginaldo e Frazan que sofre sem proteção com a queda de rendimento de Orejuela fez Diego Cavalieri ressurgir na Arena do Grêmio com uma atuação que lembrou a melhor fase da carreira: Brasileiro de 2012, quando foi o único caso de goleiro do time campeão que também foi o mais acionado da competição.

Pelo menos que cinco grandes intervenções. Mas não conseguiu evitar o gol do jovem atacante Beto da Silva. O 36º sofrido, deixando o saldo negativo em dois gols. A oitava derrota do tricolor carioca no Brasileiro. Metade no returno.

Para piorar, Abel não tem sido feliz em suas decisões. No revés para o Palmeiras no Maracanã, o próprio comandante admitiu que devia ter poupado atletas depois da sofrida classificação para as quartas-de-final contra a LDU em Quito.

Em Porto Alegre, arriscou uma formação com Sornoza no meio, Wendell pela esquerda na linha de meias do 4-1-4-1. Sem uma referência de velocidade para os contragolpes que seriam necessários diante da equipe de Renato Gaúcho que, independentemente da formação, sempre adianta as linhas e propõe o jogo. Marcos Júnior só entrou na segunda etapa. Robinho ficou no banco. Difícil entender.

Assim como será complicado definir prioridade com um Fla-Flu definindo vaga na semifinal da Sul-Americana. Além da rivalidade, o objetivo do clube de enfim vencer um torneio continental vai pesar. E não há opções para dividir esforços. Será obrigatório escolher.

Se considerar o  mata-mata mais relevante pela chance de terminar o ano com vaga na Libertadores, pode sair da “zona morta” no Brasileiro e entrar no inferno do risco de rebaixamento. Para sair com um elenco jovem e com a confiança em baixa será ainda mais complicado.

O que fazer? Um dilema para Abel e seus pupilos na reta final de uma temporada que parecia tranquila e de transição.

 


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