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Dois falsos 9, laterais pontas, show de Isco. O “caos ordenado” da Espanha
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André Rocha

A Itália de Gianpiero Ventura resolveu encarar de peito aberto a Espanha no Santiago Bernabéu. De Rossi plantado à frente da retaguarda, Verratti na armação; Candreva e Insigne pelas pontas, Belotti e Immobile na frente. Bem diferente do sistema com três zagueiros, linhas próximas, rapidez e objetividade nas transições ofensivas dos tempos de Antonio Conte que acabaram na grande vitória por 2 a 0 sobre os espanhois nas oitavas de final da Eurocopa 2016.

A Espanha de Julen Lopetegui respondeu com a radicalização da fórmula da vitória na final continental de 2012. Se há cinco anos Cesc Fábregas era o falso nove nos 4 a 0 em Kiev que deram o bicampeonato para a “Roja”, desta vez havia dois: Iniesta e David Silva, os mais veteranos do setor ofensivo, ficavam mais adiantados quando a equipe perdia a bola e se transformavam nos articuladores quando a recuperava.

A dupla era ultrapassada por Asensio e Isco, os pontas que se alternavam pelos lados e voltavam para formar a segunda linha de quatro com Busquets e Koke. Na retomada, buscavam as diagonais ou os espaços entre as linhas. Carvajal e Jordi Alba também passavam voando pelos flancos. Abrindo o campo e confundindo ainda mais a espaçada marcação da Azzurra.

O resultado foi um espetáculo de posse de bola com verticalidade, mobilidade, tabelas e triangulações efetivas. Qualidade ocupando o campo de ataque ou jogando nos contragolpes. Mesmo que o conceito de “falso nove” moderno seja do Barcelona de Pep Guardiola com Messi, ficou clara a mudança de bastão para o Real Madrid de Zinedine Zidane no modelo de jogo da seleção.

Especialmente por causa de Isco, o melhor jogador em atividade no planeta entre os “terráqueos” – ou seja, tirando Messi e Cristiano Ronaldo do debate. Impressionante a evolução técnica e tática do meia. A naturalidade com que circula às costas dos volantes adversários, sai da ponta para dentro servindo os companheiros ou finalizando. Com bola parada ou rolando. Golaços em cobrança de falta e jogada individual.

O destaque absoluto dos 3 a 0 – com Morata, que entrou na vaga de Iniesta e o time voltou a ter uma referência na frente – que encaminham a vaga direta para o Mundial na Rússia e podem sinalizar o futuro da Espanha que domina o cenário entre os clubes e tem potencial para voltar a ser protagonista entre as seleções. O “caos ordenado” atacando por todos os lados e tirando a referência da retaguarda do oponente. A Itália não faz a mínima ideia do que a atropelou.


O recital de Iniesta e a irresponsabilidade de Benítez na goleada do Barça
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André Rocha

A escalação de Rafa Benítez foi uma irresponsabilidade. Ponto. Não é uma análise no calor do pós-jogo.

Você leu AQUI que o técnico do Real Madrid no início da temporada testou um 4-2-3-1 que posicionava James Rodríguez à direita  e centralizava Bale na linha de três meias. Com Cristiano Ronaldo aberto pela esquerda, criava um problema defensivo: o português não volta para auxiliar Marcelo e provoca um “efeito dominó”, porque Kroos ou Modric e Sergio Ramos precisam abrir e auxiliar na cobertura e deixam espaços no meio.

As lesões obrigaram Benítez a mudar. Com todos disponíveis, o treinador arriscou o quarteto ofensivo contra o Barcelona no Santiago Bernabéu, com três que não vinham atuando recentemente, por lesão: Bale, Benzema e James. Um risco pelo ritmo de jogo. Só há três leituras para esta formação: plena convicção, o que seria loucura, interferência externa (leia-se Florentino Pérez) ou transferência de responsabilidade – “escalei os melhores, está aí o time ofensivo que o torcedor quer”. De qualquer forma, um erro. Ou tragédia anunciada.

O plano era adiantar a marcação, sufocar a transição ofensiva do rival e isolar Suárez e Neymar. Com cinco minutos, Bale foi para a esquerda e Ronaldo se juntou a Benzema na frente. Durou exatos dez minutos, com boa jogada de Ronaldo pela direita. Até Sergi Roberto, o substituto de Messi no 4-3-3 culé, aproveitar o buraco entre Modric e Sergio Ramos e, infiltrar em diagonal para acionar Luís Suárez no espaço deixado pela saída de Ramos.

Sergi Roberto entra em diagonal entre Ramos e Modric e acionando Suárez no espaço criado para abrir o placar (Reprodução Fox Sports).

Sergi Roberto entra em diagonal entre Ramos e Modric e acionando Suárez no espaço criado para abrir o placar (Reprodução Fox Sports).

Acabou a disputa, começou o espetáculo de Iniesta. Ditando o ritmo com passes curtos e longos, trabalhando com Jordi Alba à esquerda e permitindo que Neymar procurasse Suárez, como na tabela que Varane salvou sobre a linha. Por lesão, Luis Enrique foi obrigado a trocar Mascherano por Mathieu.

O time merengue seguiu adiantando a marcação e até fazendo Bravo trabalhar. O problema era quando o Barça, com bola no chão, ultrapassava essa pressão. Sobravam espaços entre o meio e a defesa madridista. Impedido por muito pouco, Neymar ampliou ainda no primeiro tempo. Passe de Iniesta. Na segunda etapa, o artilheiro do Espanhol com 12 gols participou da jogada espetacular que terminou no golaço do camisa oito, o melhor em campo.

A senha para Luis Enrique mandar Messi a campo, muito mais para ganhar ritmo. Ainda houve mais um de Suárez, fechando os 4 a 0. A terceira goleada em apenas seis anos, se juntando aos 6 a 2 de 2009, também no Bernabéu, e 5 a 0 no Camp Nou. É a história do maior clássico do planeta sendo escrita diante dos nossos olhos.

Desta vez com as tintas do pecado letal de Benítez e do recital de Iniesta.

Com Sergi Roberto aberto à direita no 4-3-3, o Barcelona aproveitou os espaços cedidos pelo Real Madrid exposto pela formação irresponsável de Rafa Benítez.

Com Sergi Roberto aberto à direita no 4-3-3, o Barcelona aproveitou os espaços cedidos pelo Real Madrid exposto pela formação irresponsável de Rafa Benítez.

 


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