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Cruzeiro bi e maior campeão da Copa do Brasil, com a marca de Mano Menezes
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André Rocha

O mais impressionante da campanha cruzeirense na sexta conquista da Copa do Brasil, o primeiro a vencer duas vezes consecutivas, foi a campanha fora de casa. Atlético-PR, Santos, Palmeiras e Corinthians. 100% de aproveitamento.

Porque é um time frio e “cascudo”, mas, acima de tudo, organizado por Mano Menezes. Sempre compacto e com setores bem coordenados. Ataca pronto para defender, se posta atrás preparado para as rápidas transições ofensivas. Muita concentração na execução do plano de jogo, além da mentalidade vencedora. Desta vez com desempenho mais consistente do que em 2017, mesmo com alguns problemas jogando no Mineirão.

Na final em Itaquera, um primeiro tempo quase perfeito taticamente. Mesmo com Rafinha sacrificado para auxiliar Lucas Romero, improvisado na lateral esquerda. Além do gol de Robinho, no rebote do chute na trave de Barcos aproveitando falha de Léo Santos, uma cabeçada na trave de Dedé, o melhor da final. Oito finalizações, quatro no alvo. Não permitiu nenhuma na direção de Fabio em 45 minutos.

Sofreu na segunda etapa com o pênalti, mais que discutível assinalado pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães com auxílio do VAR, de Thiago Neves sobre Ralf e convertido por Jadson. Compensado pela falta, também muito questionável e novamente utilizando árbitro de vídeo, de Jadson em Dedé no lance que terminou no golaço de Pedrinho que levaria para a decisão por pênaltis. Este que escreve não teria marcado nenhuma das duas.

Time e torcida da casa esfriaram, o Cruzeiro se reagrupou num 4-1-4-1 com Henrique entre as linhas de quatro, Lucas Silva no lugar de Thiago Neves e Raniel e De Arrascaeta,substitutos de Barcos e Rafinha, prontos para os contragolpes. Na saída rápida, passe do atacante e gol do uruguaio que cruzou o mundo depois de servir sua seleção e fez valer o investimento com belo toque por cima de Cássio.

O Corinthians fez o que pôde dentro de seu contexto de dificuldade financeira e desmanche de elenco e comissão técnica. Jair Ventura foi infeliz na formação inicial num 4-2-3-1 com Emerson Sheik e Jonathas na tentativa de tornar sua equipe ofensiva. Sacrificou Jadson na organização e criou pouco. Na segunda etapa foi na fibra, no grito. Não deu.

Porque o Cruzeiro é forte e um visitante indigesto no mata-mata nacional. Com a marca de Mano Menezes, treinador tricampeão do torneio. Um dos melhores do Brasil no trabalho mais longevo entre os grandes do país. Terminou em taça mais uma vez.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo de Dorival faz mais gols com menos cruzamentos e finalizações
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André Rocha

Desde o início do Fla-Flu no Maracanã estava claro que o lado forte ofensivamente do time rubro-negro seria o esquerdo, com Renê, Lucas Paquetá e Vitinho para cima de Mateus Norton, volante tricolor improvisado na direita substituindo o suspenso Léo, titular depois da lesão de Gilberto.

Marcelo Oliveira tentou compensar abrindo Marcos Júnior no setor para auxiliar e Ibañez na cobertura. Um 3-4-2-1 que até começou bem, com finalização de longe de Luciano, aproveitando falha de Rever que proporcionou o contragolpe.

Mas depois o time de Dorival Júnior dominou inteiramente o primeiro tempo. Posse de bola, volume de jogo e intensidade na marcação em contraste com a postura passiva do rival. Criou chances, teve posse girando em torno de 60% – terminou os primeiros 45 minutos com 58%.

Finalizou 11 vezes, quatro no alvo. Mas gols apenas nas jogadas aéreas. Duas assistências de Vitinho, novamente um dos destaques. A primeira na jogada característica, cortando para dentro e levantando com efeito. Para Uribe desviar, a bola bater no zagueiro Digão e sair do alcance de Julio César. Depois a cobrança de escanteio pela direita que passou por Réver e encontrou Léo Duarte.

Dez cruzamentos, sete corretos. No total foram 21, nova certos. Menos que a média total de 24 e quase o dobro dos cinco que encontram os companheiros. Melhora também na relação finalização/gol: 15 nos 90 minutos, seis no alvo. Três gols. Uma a cada cinco. Contra o Corinthians, também três gols em 12. Quatro conclusões para ir às redes.

Eficiência que Uribe enfim demonstrou com a camisa do Fla: três finalizações, todas na direção da meta de Julio César, duas nas redes. A última um tanto atabalhoada, mas aproveitando de novo um ataque pela esquerda. Mesmo com Marcelo Oliveira trocando no intervalo Mateus Norton por Danielzinho, deslocando Jadson para a ala direita.

Depois os rubro-negros controlaram o jogo, ganharam velocidade nos contragolpes com a entrada de Berrío na vaga de Everton Ribeiro. Rever, contundido, já havia saído para a entrada de Rhodolfo e Dorival trocou Uribe por Rômulo para reforçar a marcação no meio.

Também para dar um refresco para Willian Arão, que levou cartão amarelo por falta dura em Ayrton Lucas e flertou com o vermelho na segunda etapa. O volante até apareceu como opção pela direita e por dentro em alguns momentos, entrando no espaço certo, mas errou demais nas finalizações.

Destoou na boa atuação coletiva do Fla. Mostrando evolução além do “fato novo” na mudança de treinador. Até aqui, a melhora no desempenho é reflexo também do tempo maior para treinamentos. Os cruzamentos não são a esmo, as finalizações não são tão truncadas. Há mais fluência nas ações ofensivas.

Dorival vai corrigindo deficiências, dando confiança a jogadores desacreditados. Fazendo o Flamengo sonhar com uma arrancada na reta final do Brasileiro.

(Estatísticas: Footstats)

 


Fluminense ganha corpo e goleia Paraná com força ofensiva de seus volantes
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André Rocha

O virtual rebaixado Paraná não é parâmetro para avaliações mais profundas, mas foi ao Maracanã para complicar através da retranca. Claudinei Oliveira plantou cinco homens na última linha, por vezes seis. Guardando com muito cuidado o seu setor direito.

Porque Ayrton Lucas e Everaldo são as melhores opções ofensivas do Fluminense de Marcelo Oliveira que preservou boa parte das ideias de Abel Braga. Depois de experimentar linha de quatro, resolveu voltar aos três zagueiros. Mas num 3-4-1-2 mais móvel com a entrada de Luciano na vaga do lesionado Pedro. Mesmo desequilibrado ao deixar o lado direito apenas com o ala Léo e apoio eventual de alguém do meio ou do zagueiro Ibañez.

Como acontece com a maioria dos times brasileiros,  o Flu sofreu para trabalhar a bola e buscar as infiltrações. Trocava passes e batia no muro, depois ensaiou apelar para os cruzamentos, mas sem uma referência no ataque com boa estatura ficou claro que seria arma interessante apenas nas bolas paradas, com os zagueiros aparecendo na área adversária.

A solução que resolveu o jogo nos 4 a 0 que alçam o Flu à oitava colocação – pelo menos até o Cruzeiro, com a mesma pontuação, enfrentar o Ceará no jogo adiado por conta do jogo na quinta pela Libertadores emendado com eleições gerais no país e final da Copa do Brasil – foi atacar com os volantes. Dois gols de Jadson, um de Richard. Jogando de área a área.

Na dificuldade para penetrar, os chutes mesmo diante de um forte bloqueio. O de Everaldo que desviou e encontrou Jadson no primeiro, o de Richard que desviou na defesa e saiu do alcance do goleiro Richard Costa. No início do segundo tempo, outro de Jadson. Pisando na área adversária. Em ritmo de treino no final, com Paulo Ricardo, Calazans e  Danielzinho ganhando minutos, mais um de Luciano consolidando a goleada.

Imposição do estilo com 61% de posse de bola e 15 finalizações. Quatro de Jadson, duas de Richard, metade no alvo. 32 cruzamentos, número alto. Mas definiu com bola no chão e arriscando de fora. Atacando com os volantes. Recursos que não são tão habituais para abrir retrancas. Funcionou também pelas muitas fragilidades do Paraná.

O Fluminense cumpriu sua missão e ganha corpo. Se afasta do Z-4 para se concentrar nas quartas de final da Copa Sul-Americana contra o Nacional. Mas antes vai mais forte para o clássico contra o Flamengo sábado no Maracanã.

(Estatísticas: Footstats)


Romero é a marca da “identidade Corinthians” em mais uma reconstrução
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André Rocha

Fabio Carille teve oportunidades como interino antes de ser efetivado como treinador do Corinthians em 2017. Quando saiu com status de vencedor, o sucessor Osmar Loss não desfrutou de tempo para “estágio”. Mesmo em um time campeão brasileiro e bi do Paulista não é uma transição simples.

Para piorar, a continuação de mais um desmanche por conta dos problemas financeiros do clube. Antes Pablo, Jô e Guilherme Arana, depois Balbuena, Sidcley, Maycon. Por último, Rodriguinho. Protagonista e melhor finalizador. Como único contraponto, a permanência de Jadson.

A solução foi manter a identidade de organização e concentração defensiva, mesmo com muitos erros individuais e natural desentrosamento na última linha da retaguarda, e buscar a melhor reposição possível. Na lateral esquerda, Danilo Avelar vai ganhando confiança e encaixe. No meio, Douglas tem passe mais qualificado que Renê Júnior e melhora a dinâmica e a construção de jogadas.

Na frente, com Roger lesionado e Jonathas ainda se adaptando, Loss recorreu ao 4-4-2 sem centroavante dos tempos de Carille. Na frente, o retorno de Jadson e liberdade para o grande personagem desta tentativa de reação no Brasileiro com as vitórias por 2 a 0 sobre o Cruzeiro em Itaquera e 4 a 1 contra o Vasco no Mané Garrincha.

Ángel Romero marcou cinco dos seis gols da equipe, mas não só isso. Muita mobilidade quando atua solto na frente, sempre rondando a área adversária, e a já conhecida eficiência nas finalizações. Ainda a volta pela direita para compensar a intensidade e a resistência não tão altas de Pedrinho para fazer a função pelo lado. Dá liberdade ao jovem talentoso, mas não deixa de participar das ações ofensivas.

No segundo tempo em Brasília, a melhor atuação corintiana sob o comando de Loss. Com algumas marcas da maneira de jogar construída por Mano Menezes e Tite e ratificada por Carille: apenas 47% de posse e nove finalizações. Seis no alvo, quatro gols. Apenas oito desarmes certos contra 23 do Vasco. Mas oito interceptações corretas e nenhuma do adversário. Consequência de um time melhor posicionado. A “identidade Corinthians”.

Evolução importante para um momento fundamental da temporada, com as disputas de mata-mata na Copa do Brasil e na Libertadores chegando. Com tantas mudanças recentes é difícil vislumbrar regularidade suficiente para ser competitivo em três frentes. Mas a impressão é de que mais uma vez o Corinthians pode minimizar em campo os problemas crônicos de gestão.

Com mais um que “herda” protagonismo: já foi Jadson, depois Jô, Rodriguinho… Agora é a vez de Romero. Antes desprezado e até motivo de chacota, agora a estrela de mais uma reconstrução do atual campeão brasileiro.

(Estatísticas: Footstats)


A “identidade Corinthians” resiste, mas até quando?
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André Rocha

A goleada por 7 a 2 sobre o Deportivo Lara, talvez pela profunda crise na Venezuela, fez lembrar os confrontos com os times semiamadores do país de décadas passadas. Mas o Corinthians cumpriu seu papel goleando e, com o resultado, garantindo a vaga nas oitavas de final da Libertadores e encaminhando a liderança do Grupo 7.

O que segue impressionando é a capacidade de reinvenção da equipe dentro da já decantada “identidade Corinthians”. Até Mantuan, inseguro e hesitante na reposição ao lesionado Fagner, vai ganhando confiança pela direita. Tanto na composição da linha de quatro quanto no aproveitamento do corredor deixado por Pedrinho. Joia da base enfim alçada ao profissional e acrescentando drible e inventividade ao quarteto ofensivo.

Ataque que perdeu Jô, pivô eficiente e que fazia a equipe jogar, e se adapta à dinâmica sem centroavante. Na Venezuela, a veia de artilheiro ficou com Jadson e seus três gols. Rodriguinho, melhor finalizador, parece fadado aos gols decisivos, não em jogos fáceis. Sidcley entrou na vaga deixada por Guilherme Arana e é mais um que rende no time ajustado. Gol e assistência para Jadson.

O modelo é a chave que os concorrentes começam a entender e buscar. Se há uma maneira de jogar que não é definida de acordo com o treinador da vez fica mais fácil assimilar os movimentos. Desde a posição corporal na hora de defender a meta de Cássio. Balbuena ensina Mantuan, Henrique e Sidcley e são protegidos pela linha de quatro mais à frente, porém compacta, com os volantes e ponteiros.

Na saída para o ataque, a busca pelas triangulações e a já famosa concentração para não desperdiçar oportunidades. Por isso, mesmo com o decréscimo no nível técnico com a perda de peças o desempenho médio não cai.

Ao menos por enquanto. Porque a proposta do Al-Hilal por Fabio Carille pode levar também alguns titulares. Maycon vai para o Shakhtar Donetsk depois da Copa do Mundo, Cássio e Fagner estarão no período de preparação da seleção brasileira com o Brasileiro rolando e a janela europeia também pode fazer um estrago no elenco.

O Corinthians sofre ao não transferir a organização e a competência dentro de campo para a gestão. Ainda que seja complicado, em qualquer cenário, competir com a moeda e a economia mais fortes de outros centros, o clube deveria resistir mais. Tem receitas para isto. Mas a dificuldade de gerir as finanças com um estádio caro para pagar é obstáculo para um domínio que podia ser maior e corre o risco de evaporar a qualquer momento.

A alternância de poder no Brasil costuma ser implacável. A concorrência aprende com quem está dominando e o time vencedor do período se acomoda nas velhas fórmulas ou paga a conta de um investimento sem sustentação do orçamento. O São Paulo tricampeão brasileiro e hoje decadente é o exemplo mais clássico e duradouro.

O Corinthians respira e segue vencendo. Os sustos, porém, devem vir pelo caminho. Osmar Loss pode ser a nova solução caseira e o elenco ser reciclado mais uma vez. Ao menos o clube aprendeu com o hiato de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira o que não deve fazer. Mas até quando resiste a identidade do maior vencedor do país nesta década?


Taça Rio é detalhe! Fluminense tem o melhor jogo coletivo do Carioca
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André Rocha

Flamengo e Vasco estão na Libertadores e o rubro-negro conta com elenco mais qualificado no papel, até pelo abismo que vai se criando no poder de investimento em relação aos demais grandes do Rio de Janeiro.

Mas o melhor jogo coletivo entre os times cariocas no momento é do Fluminense. Não só pelos 3 a 0 sobre o Botafogo na decisão da Taça Rio. Apesar da eliminação até vexatória da Copa do Brasil com duas derrotas para o Avaí – compreensível pelas oscilações de um elenco com muitos garotos dentro de um clube com sérios problemas financeiros que aproveita a garotada como única opção.

O campo mostra que é a equipe que apresenta mais soluções para resolver os jogos. A execução do 3-4-2-1/5-4-1 vai evoluindo jogo a jogo. Muita fluência pelos flancos com Gilberto, Jadson e Marcos Juníor à direita e Ayrton Lucas, Richard e Sornoza pela esquerda. Circula a bola com rapidez e objetividade pelo centro sempre procurando os lados.

Na referência do ataque, o jovem Pedro está cada vez mais à vontade. Fez o primeiro e serviu de peito Marcos Júnior no segundo. Ambos artilheiros do campeonato, com seis gols. Jadson fechou o placar no último ataque, atuando mais avançado dentro de um 5-4-1 bem organizado tirando espaços e negando oportunidades claras ao rival que partiu para cima com Pimpão, Renatinho e Luis Ricardo na segunda etapa.

O Flu aproveitou os muitos espaços deixados pelo Botafogo de Alberto Valentim que marca “com os olhos”, sem pressão no adversário com a bola. Teve 58% de posse e finalizou 18 vezes contra 16 do tricolor. Mas falhou nas finalizações e no trabalho defensivo. Algo a se corrigir com urgência até quarta para a semifinal contra o Flamengo.

No outro confronto há um favorito claro. O Flu pode até jogar mal na quinta contra o Vasco e, mesmo com vantagem do empate, ficar fora da grande decisão. É time jovem, com claras limitações e sujeito a uma noite ruim. Mas hoje no Rio de Janeiro ninguém joga um futebol mais consistente que a equipe de Abel Braga. A conquista do returno é apenas um detalhe. Ou mera consequência.

(Estatísticas: Footstats)

 


Rodriguinho de “falso 9” no dérbi conecta Corinthians 2011/12 ao de 2015
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André Rocha

Foto: Rivaldo Gomes/FolhaPress

Fabio Carille despistou ao dizer que Romero começaria no centro do ataque contra o Palmeiras na Arena Corinthians. Mas se o próprio treinador campeão brasileiro tem boa memória certamente lembrou dos 6 a 1 sobre o São Paulo em 2015.

Era auxiliar de Tite, que escalou reservas e começou com Romero centralizado e o veterano Danilo deslocado pelo lado direito. Rapidamente trocou o posicionamento ao notar que o ataque perdera rapidez e capacidade de abrir o jogo e buscar o fundo. O atual comandante da seleção resgatou a ideia de Danilo “falso nove” dos títulos brasileiro de 2011 e da Libertadores no ano seguinte.

Jorge Henrique e Emerson pelas pontas, Danilo e Alex no centro à frente da dupla de volantes Ralf-Paulinho. Sem referência no ataque. Ou só quando Emerson e Danilo trocavam e o camisa 11 ficava mais adiantado, como na final da Libertadores contra o Boca Juniors. Dois gols e a história que hoje rende uma vaga ao Sheik no elenco corintiano.

2011/12 e 2015. Até 2018. Passado e presente se conectaram no dérbi quando Romero seguiu pela direita e no centro Rodriguinho atuou como “falso nove”. Sem a bola era o jogador mais adiantado da equipe e nas ações ofensivas procurava os espaços entre a defesa e o meio-campo do Palmeiras confundindo os zagueiros Antônio Carlos e Thiago Martins, que não sabiam se guardavam o posicionamento ou saíam para pressionar.

Como no golaço que abriu o placar. Com o falso nove da primeira Era Tite, mas também a troca de passes e a fluência que foi marca da conquista de 2015: 28 passes em um minuto e 23 segundos até Rodriguinho receber às costas de Felipe Melo, indefinir a marcação, cortar Borja e Antonio Carlos e colocar no canto de Jailson.

Rodriguinho recebe às costas de Felipe Melo, indefine o comportamento dos zagueiros pela presença de Jadson. Na sequência, o golaço do “falso nove” que abriu o placar no clássico paulista (Reprodução Premiere).

Goleiro expulso na polêmica do clássico: o pênalti sobre Renê Júnior marcado depois da conclusão da jogada. O árbitro Raphael Claus usou as marcas na coxa do volante corintiano para configurar força excessiva do infrator e justificar a punição. Explicação plausível, ainda que a orientação seja de evitar mostrar o vermelho já que houve a penalidade máxima do esporte.

Mas Jadson bateu para fora tirando muito de Fernando Prass. Com um a mais, o Corinthians ficou mais forte e envolvente até Rodriguinho sofrer o segundo pênalti e Clayson bater no meio do gol para finalizar os 2 a 0 que encerra a invencibilidade do Palmeiras de Roger em 2018.

Também sinaliza o futuro. Seja para a estreia na Libertadores ou vislumbrando a entrada de Alex Teixeira. Contratação ousada considerando os problemas financeiros do Corinthians, mas que pode dar muito certo pela técnica e leitura de jogo do atacante que foi bem no Shakhtar Donetsk, teve propostas de Liverpool e Chelsea, mas seu clube preferiu a grana farta da China. Pode ser um atacante móvel mais adiantado ou atuar pelos flancos neste sistema com “falso nove”.

A julgar pelo desempenho no clássico, Carille deve pensar com carinho nesta segunda opção. Unindo passado e presente para manter o Corinthians forte. Com a cultura de vitória que sempre aparece nos grandes jogos e deu as caras no dérbi mais uma vez.


Cultura da vitória ajuda Corinthians quando falta futebol
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André Rocha

Não deixou de ser decepcionante que o Corinthians, logo quando escalou de início Júnior Dutra de início na vaga de Kazim junto à base titular, tenha apresentado um desempenho coletivo pouco satisfatório.

Muito por méritos do Novorizontino de Doriva, bem organizado, negando espaços a Rodriguinho e Jadson e atacando o setor de Fágner com a velocidade de Juninho, especialmente no primeiro tempo. Com Clayson errando até jogadas simples, Romero era o único escape pelo flanco na execução do 4-1-4-1. Mas quando o paraguaio serviu Rodriguinho na primeira jogada bem trabalhada, o meia perdeu gol feito.

Já Pedro Henrique não desperdiçou sua chance na bola parada. Típico gol da vitória sofrida, administrada com calma e, claro, a confiança adquirida com os títulos recentes. Quando falta futebol, o atual campeão brasileiro e paulista se impõe na mentalidade vencedora, na segurança que transmite e no respeito que desperta nos adversários.

Três pontos apesar dos 52% de posse e das oito finalizações do time da casa contra seis dos visitantes. Mesmo com a impressão durante boa parte dos 90 minutos que o gol do Novorizontino estava “maduro”. Ainda que Emerson Sheik pouco tenha contribuído quando entrou na segunda etapa. Virou moda dizer que o Corinthians “sabe sofrer”. Na prática, não passa de experiência em jogar controlando os espaços.

Ainda há muito a evoluir – clichê inevitável pelo ridículo período de pré-temporada. A equipe de Fabio Carille já mostra organização e movimentos assimilados desde o ano passado. Falta mais fluência, consistência, regularidade. Deve vir com o tempo.

Por ora, quando falta futebol a cultura da vitória ajuda a descomplicar jogos como em Novo Horizonte.

 


Golaço é a mostra de que vale o “risco Jadson-Rodriguinho” no Corinthians
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André Rocha

Foto: Gazeta Press

Juninho Capixaba conduz a bola aberto pela esquerda. Kazim não está na referência do ataque, mas Rodriguinho, que recebe o passe do novo titular da lateral e serve Jadson. Um golaço pela jogada coletiva logo no primeiro minuto do Majestoso no Pacaembu. Com seis jogadores chegando ao ataque.

Flagrante da jogada iniciada pela esquerda com Juninho Capixaba e a bola chegando em Rodriguinho mais na referência do que Kazim. Jadson infiltra pela meia esquerda para marcar o primeiro gol no Majestoso. Seis corintianos no campo de ataque (Reprodução Premiere)

A vitória corintiana por 2 a 1 foi decretada na impulsão e no golpe certeiro de Balbuena após o empate tricolor com Brenner. Em um universo de 62% de posse e dez finalizações são-paulinas contra sete. Mas o time de Fabio Carille teve momentos de belas trocas de passes e jogadas que envolveram o sistema defensivo do rival. Apesar dos erros grosseiros, até bizarros, de Kazim.

Porque o Corinthians agora tem mais qualidade entre as intermediárias com a dupla de meias. Não só na articulação como nas infiltrações por dentro, pelo “funil”. Mais difíceis de conter do que as diagonais dos ponteiros Romero e Clayson, peças fundamentais na compensação dessa perda na proteção da defesa pelo meio com a saída de um volante e a presença de meias não tão intensos no trabalho sem a bola.

O esperado nesta execução do 4-1-4-1 é que os pontas joguem de uma linha de fundo à outra para permitir que a última linha de defesa fique mais estreita, com os laterais Fagner e Capixaba próximos aos zagueiros Balbuena e Pedro Henrique. Bloqueando mais o meio que os flancos. Com isso, Gabriel pode ficar mais fixo no centro, sem tantos deslocamentos para as coberturas.

Mas há efeitos colaterais, como no gol de Brenner, que completou o centro de Militão, em mais uma jogada no setor de Capixaba, com a bola encontrando o atacante fechando apenas para concluir. Fagner estava mais por dentro e não conseguiu alcançar. Mérito do ataque, mas também falha da retaguarda.

No gol do São Paulo, última linha do Corinthians estreita bloqueando o lado direito do ataque do São Paulo, mas o passe de Militão encontrou Brenner mais aberto e Fagner, por dentro, não conseguiu alcançar. Mérito do ataque do São Paulo, mas também um problema de posicionamento que necessita de ajuste (Reprodução Premiere)

Questão de acerto no posicionamento e na dinâmica da transição defensiva. Mas o ganho no volume e na fluência do jogo corintiano já é sensível. Como já dito neste blog, esta formação equilibra passe e velocidade. O campeão brasileiro joga melhor. E pode render ainda mais se encaixar um atacante com um mínimo de sintonia com os dois meias. Entre as peças disponíveis hoje deve ser Júnior Dutra.

Carille já afirmou que a volta ao 4-2-3-1 pode acontecer a qualquer momento, especialmente em jogos fora de casa pela Libertadores. Mas está provado que vale o “risco Jadson-Rodriguinho”. Não para “jogar bonito”, mas sim por representar uma evolução do atual treinador, se aproximando mais do modelo de jogo de Tite no Corinthians em 2015.

(Estatísticas: Footstats)


Corinthians volta ao 4-1-4-1 equilibrando melhor passe e velocidade
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André Rocha

O resultadismo é algo tão sério no Brasil que o Corinthians sofreu críticas por ter sofrido a virada de 4 a 2 para os Rangers com um time reserva e repleto de improvisações que, pelo desentrosamento, sofre mais a falta de ritmo de competição que o adversário no meio da temporada. Tantas vezes a análise se restringe ao placar e não mais que isto.

Valem os dois primeiros períodos de 45 minutos para observar o que pretende Fabio Carille neste início de temporada. E tanto no empate contra o PSV por 1 a 1 com vitórias nos pênaltis e na derrota para o time escocês, a resposta do atual campeão brasileiro foi positiva. Não por ter “vencido” os dois períodos, mas pelo desempenho.

A equipe volta ao 4-1-4-1 consagrado por Tite em 2015 e rascunhado no início do ano passado até Rodriguinho passar a atuar mais adiantado. Mas desta vez com uma alteração que mudou alguns jogos decisivos na reta final do Brasileiro: Jadson no meio-campo e Clayson na ponta esquerda, com Romero sendo transferido para o lado direito. Na frente, Kazim ocupando a vaga de Jô.

A primeira impressão é de um jogo mais fluido e que equilibra melhor o passe e a velocidade nas ações ofensivas. Com Jadson pela direita e Maycon ou Camacho fazendo dupla com Gabriel à frente da defesa num 4-2-3-1, o meio-campo era mais preenchido, porém faltava uma infiltração mais rápida pela direita além das descidas de Fagner.

Lembrando 2015, quando Jadson cortava para dentro, Elias ou Vagner Love apareciam naquele espaço para surpreender a defesa com uma rapidez de deslocamento que não havia em Rodriguinho ou Jô no ano passado. O time ficou menos ágil, especialmente no momento da queda de produção de Maycon.

Agora a equipe tem o passe no meio com Rodriguinho e Jadson, que se movimentam ora recuando para qualificar o toque na intermediária, ora buscando os espaços entre a defesa e o meio-campo do adversário. Os pontas Romero e Clayson aceleram buscando o fundo ou as infiltrações em diagonais e Kazim vem surpreendendo com mobilidade e um trabalho de pivô  eficiente, ainda que longe do nível alcançado por Jô.

Nos três gols marcados, duas assistências de Jadson para Rodriguinho, na estreia com bola parada e na segunda partida em jogada bem trabalhada. Mais um chute cruzado de Kazim após se desmarcar pelo lado direito. O centroavante saiu da área em vários momentos e os companheiros tentaram aproveitar o espaço deixado. Em alguns momentos faltou sincronia, o que absolutamente natural.

Sem a bola, compactação dos setores, responsabilidade dos ponteiros fechando os flancos no auxílio aos laterais Fagner e Juninho Capixaba ou Guilherme Romão. O do setor atacado recua mais e o do lado oposto fica pronto para o contragolpe. Gabriel ajuda os zagueiros Balbuena e Pedro Henrique a bloquear as penetrações pelo centro. Nos 90 minutos com os titulares a meta de Cássio não foi vazada.

Corinthians de volta ao 4-1-4-1 com Gabriel entre as linhas de quatro e o ponteiro do lado atacado – na imagem, Clayson fechando o setor esquerdo – fica mais recuado que o do lado oposto (Reprodução Sportv).

Pouco importa o placar final. A informação preciosa para os corintianos é que o equipe manteve a base, tem modelo de jogo assimilado, mesmo com a mudança no desenho tático. Também entrosamento e apresentou um repertório até interessante no ataque para um início de trabalho. O resultado é o que menos importa no Torneio da Flórida.