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A análise possível e o protesto necessário na estreia do Botafogo em 2018
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André Rocha

Não existe um time entrar em campo para um jogo oficial com 12 dias de preparação. Doze. Não pode no futebol que se diz profissional. É impossível abrir o post sem este protesto. É necessário.

Por mais que o Botafogo, por todas as diferenças possíveis, carregue a obrigação de se impor contra a Portuguesa da Ilha do Governador em qualquer cenário, mesmo com o adversário treinando há 75 dias, a análise precisa ser relativizada.

É óbvio que o time comandado por Felipe Conceição é um grande incógnita, desde o elenco até o novo treinador em sua primeira experiência no profissional. Parece mais fraco sem Victor Luís na lateral esquerda, Bruno Silva no meio-campo e Roger no ataque. A busca por contratações é complexa pelas sérias limitações no orçamento.

Mas não dá para cobrar muita coisa além de fibra e a indignação com a derrota. A vontade para tentar no abafa se impor pela camisa. Para compensar a falha coletiva na jogada parada que terminou no primeiro gol de Sassá e o erro grosseiro de Jefferson no segundo do camisa 11.

Diminuiu no pênalti no toque (bizarro!) no braço de Romarinho e cobrado por Brenner e insistiu na variação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 com as cinco substituições até empatar na assistência do centroavante para o gol de Marcos Vinicius no lance final.

Apresentou um rascunho de novas ideias, com mais aproximações e triangulações, tentando valorizar a posse de bola para ocupar o campo de ataque e criar espaços. Mas o hábito de definir rapidamente a jogada dos tempos de Jair Ventura persiste e atrapalha quando surge a obrigação de atacar. Por isso a insistência com os cruzamentos procurando Brenner. Algo que é absolutamente natural.

Porque não existe futebol sério e profissional com 12 dias de preparação. Só na “lógica” da estrutura federativa do futebol brasileiro que incha o calendário e enche a programação dos detentores dos direitos de transmissão. Com a conivência da direção do Botafogo, alinhada à FFERJ. Que devia ser alvo dos protestos da torcida, mais do que os jogadores. Atletas que não podem ser tratados como vítimas porque deviam se organizar como um foco importante de resistência ao status quo.

Mas a bola rolou. E para o alvinegro já tem clássico contra o Fluminense no sábado. Algo tão aleatório e sem sentido quanto a estreia do Bota em 2018.

 

 


Empate é o retrato do Atlético Mineiro na temporada. Na hora de decolar…
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André Rocha

Roger Machado seguiu o planejamento traçado para o jogo contra o Botafogo no Nílton Santos: deixou Cazares e Fred, desgastados pela viagem a Cochabamba, no banco de reservas. Também Alex Silva, titular na Libertadores, mas permitindo o retorno do titular Marcos Rocha.

No entanto, com a rodada favorável que poderia dar oportunidade de subir da oitava para a quinta posição, com a mesma pontuação do Palmeiras, e a proposta do Botafogo de, mesmo em casa e com a maioria dos titulares, manter a ideia de jogar reagindo à iniciativa do adversário, tomou conta da partida.

Com Elias ao lado de Rafael Carioca à frente da defesa, Yago e Marlone nas pontas e Robinho solto como atacante circulando pelos flancos e se aproximando de Rafael Moura, o Atlético Mineiro teve a chance de definir o jogo no primeiro tempo com o gol de Marlone em chute que desviou em Emerson Silva e no pênalti desperdiçado por Rafael Moura.

Ou defendido por Jefferson, ídolo alvinegro vindo de inatividade de 14 meses substituindo Gatito Fernández. Melhor em campo e protagonista de um Botafogo sem ideias quando ficou em desvantagem no placar. Ficou com a posse de bola, teve Camilo no início do segundo tempo e depois Guilherme na vaga do extenuado Pimpão e Marcos Vinicius no lugar de Lindoso, mantendo a estrutura tática, porém com jogadores mais ofensivos que se aproximavam de Roger.

Mas criou muito pouco. Se limitou ao abafa com lançamentos e cruzamentos a esmo, rebatidos pela defesa atleticana, que ganhou consistência com Adilson no lugar de Yago – Elias voltou para o lado direito – e desafogo com a dupla Cazares e Fred saindo do banco para qualificar os contragolpes. Só que desta vez o equatoriano entrou descansado fechando o setor esquerdo e mantendo Robinho livre na frente.

Exatamente os dois que desperdiçaram contragolpes no final e consagraram o nome de Jefferson. Também deram a sensação de que o Galo havia dado chances demais ao time da casa, que não costuma desistir. No pênalti sobre Marcos Vinicius, Victor ainda fez a defesa na cobrança de Roger, mas nada pôde fazer no rebote que sua retaguarda não conseguiu afastar. Outro vacilo. Nos acréscimos.

Foi a terceira finalização no alvo do Bota em dez tentativas. O Galo chutou seis que fizeram Jefferson brilhar, num total de nove. Claro que houve muitos méritos do arqueiro veterano, ainda mais retornando depois de tanto tempo. Mas é impressionante como o Galo de Roger perde oportunidades de se afirmar na temporada.

Mesmo com título estadual, melhor campanha na fase de grupos da Libertadores e com vantagem para a volta das quartas da Copa do Brasil contra o próprio Botafogo (se repetir o 1 a 1 estará classificado), não desperta confiança no desempenho. É capaz de oscilar dentro das partidas. A combinação técnico promissor + elenco qualificado ainda não conseguiu dar a liga que prometia.

O Atlético podia entrar no G-6 – o Santos venceu o São Paulo na Vila Belmiro e subiu para quarto. Ficou em oitavo com o gosto amargo de dois pontos perdidos pelas circunstâncias da disputa em Engenho de Dentro. Um retrato da equipe em 2017.

(Estatísticas: Footstats)


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