Blog do André Rocha

Arquivo : jo

As lições da coletiva de Vagner Mancini em Itaquera
Comentários Comente

André Rocha

Vagner Mancini cometeu três erros na coletiva depois do jogo em que o seu Vitória tirou a invencibilidade de 34 partidas do Corinthians em Itaquera:

O primeiro ao insinuar que o colega Felipe Garrafa, da Rádio Bandeirantes, seria corintiano por uma informação equivocada, de fato. Mas mesmo que seja não justifica o erro na análise das estatísticas da partida. Depois por afirmar que o jornalista tem que ser imparcial, algo que não existe. Todos temos nossas convicções, princípios, paixões e influências do meio. Nossa missão é ter isenção, na análise, opinião ou informação. E terceiro e último, embora seja direito dele, ao encerrar a entrevista tirando o direito de outros repórteres fazerem questionamentos, por conta de sua indignação.

No mais, foi perfeito e suas colocações fazem refletir. Ao analisar o jogo, enumerar as oportunidades do time baiano e dar luz a um dado fundamental e que muitas vezes é distorcido ou mal interpretado: a chance clara de gol. Ou seja, a jogada construída ou originada na falha do adversário que permite a conclusão em posição privilegiada, com liberdade e clara condição de ir às redes.

Porque é natural que o Corinthians em sua casa e na liderança absoluta do Brasileiro jogue no campo de ataque, fique com a bola – chegou a ter 75% e terminou com 65%, segundo o Footstats – e ronde a área. Neste cenário é óbvio que as finalizações acontecerão. Foram 14 no total, cinco na direção da meta de Fernando Miguel. A missão do oponente é impedir a jogada trabalhada que encontre alguém livre para marcar.

Foi o que o time paulista fez contra Grêmio e Palmeiras como visitante, o próprio tricolor gaúcho diante do Flamengo na Ilha do Governador e tantos outros nesta edição do Brasileiro que tem premiado quem não fica com a bola. A rigor, o Vitória só permitiu duas cabeçadas com liberdade: de Balbuena e Jô, uma em cada tempo. As demais sempre tinha um jogador de vermelho e preto para dificultar. É o que chamamos de controle de espaços.

Mancini acertou também ao afirmar que o Corinthians não jogou mal. Talvez tenha faltado mais mobilidade e triangulações, prejudicadas pela ausência de Jadson ou de um meia jogando na ponta para circular e dificultar o bloqueio. Com Romero e Clayson a equipe de Fabio Carille ficou engessada. Talvez as duas semanas sem jogos, ao menos neste retorno, tenham mais prejudicado que auxiliado.

Melhor para o adversário na zona de rebaixamento, mas em recuperação. Que cresce ao se fechar com duas linhas de quatro e acelerar com Tréllez, autor do gol único da partida, e Neilton, que fez a assistência, porém perdeu chance cristalina na segunda etapa à frente de Cássio. O Vitória também pode reclamar de gol mal anulado do zagueiro Kanu na segunda etapa. O mesmo que chutou Jô em pênalti ignorado pela arbitragem comandada por Eduardo Tomaz de Aquino.

Mas o treinador visitante foi preciso mesmo ao tocar o dedo numa ferida de todos nós: o hábito de analisar o jogo sob a ótica de apenas uma equipe. A mais forte, popular. A que dá mais audiência, gera mais cliques. Ou a local, tantas vezes desprezando o futebol jogado em outra praças. Por mais que se possa considerar indefensável uma derrota do líder do campeonato em sua casa para um time na zona de rebaixamento, os méritos do rival não podem ser esquecidos.

Muito menos menosprezados. Ninguém vai a Itaquera enfrentar o Corinthians de peito aberto, atacando e deixando jogar, ofertando espaços generosos. Imagine uma equipe de capacidade de investimento bem inferior e com dificuldades no campeonato. O Vitória traçou sua estratégia, executou e foi mais feliz. Se vencesse por 2 a 0 não seria nenhum absurdo.

Jogou bem dentro de sua proposta. É dever esclarecer mais uma vez que o que se condena como jogar mal é a pobreza de ideias e de repertório das equipes que podem entregar mais. Ou absurdos como times fortes abrirem mão de atacar em seus estádios, exagerando no pragmatismo.

O Corinthians pagou pelo status que sua própria competência o fez alcançar. Antes estava em um pelotão secundário de favoritos, agora é o grande candidato ao título. Natural ser mais estudado e motivar mais os adversários a batê-lo.

O Vitória conseguiu o que tantos desejavam por suas virtudes. Não “jogou por uma bola”, assim como o Corinthians não “massacrou”. Mancini mandou bem dentro e fora de campo. Que fique a lição para quem quiser aprender.


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
Comentários Comente

André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
Comentários Comente

André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)


É difícil vencer esse Corinthians. E também a barbárie
Comentários Comente

André Rocha

São 34 partidas oficiais em 2017 e apenas duas derrotas. Só vinte gols sofridos. Porque é difícil vencer esse Corinthians.

Mesmo sem Jadson, poupado, e perdendo Marquinhos Gabriel ainda no primeiro tempo. Entrou Clayson, pela esquerda, e Romero inverteu de lado. Sem mexer na estrutura do 4-2-3-1 sem a bola que mantém Rodriguinho mais próximo de Jô e do 4-1-4-1 quando ataca em bloco e Maycon se adianta para ficar alinhado ao meia.

O camisa oito serviu Jô atrás da linha da bola no gol mal anulado na segunda etapa que podia ter dado a sétima vitória corintiana consecutiva em oito rodadas. Sobre um Coritiba que vinha se caracterizando pela proposta ofensiva. Mas Pachequinho mudou para enfrentar o líder.

Sem Kléber, suspenso, a opção por Alecsandro no centro do ataque. Mas mantendo Tiago Real e Tomas Bastos no banco, invertendo o lado de Rildo e posicionando Mateus Galdezani pelo lado esquerdo para fechar o setor de Fagner. Com auxílio de Henrique Almeida, que teve a melhor oportunidade da equipe no primeiro tempo.

Eis o problema para vencer esse Corinthians. Quando consegue superar os setores compactos, a última linha de defesa posicional com movimentação quase perfeita dentro do conceito de “bola coberta x descoberta” – ou seja, adianta se há alguém pressionando a bola e dificultando o passe do adversário ou recua quando este tem liberdade – lá está Cássio, novamente em forma, para garantir a meta invicta. Ainda que nos números a defesa menos vazada da Série A seja a do Coxa.

Empate que pode custar a liderança se o Grêmio vencer o Cruzeiro na segunda-feira, mas mantém a equipe com a capacidade de competir dentro ou fora de casa.

Difícil é conseguir conter a violência. Ou a barbárie que aconteceu no entorno do Couto Pereira. O valor da vida está tão relativizado que a divulgação de uma morte, que vai atingir em cheio uma mãe e uma família, não precisa de certeza absoluta para ser feita de forma oficial.

Dentro deste contexto, pedir trabalho inteligente e preventivo é utopia. Mais uma tragédia anunciada. Tão previsível quanto a dificuldade de vazar e vencer o Corinthians de Fabio Carille.

 


Início do Corinthians é de quem pode terminar muito bem
Comentários Comente

André Rocha

Os 13 pontos em quinze possíveis no início do Brasileiro, igualando a campanha do título de 2011, podem funcionar como curiosidade e um agente motivador.

Mas o que vale mesmo para o Corinthians é que o roteiro deste começo vem sendo o melhor possível. As circunstâncias colocaram no caminho cinco adversários acessíveis. O melhor deles na abertura do campeonato, quando não há muita noção do que está por vir.

Depois do duro empate em Itaquera com a Chapecoense, líder até o início da quinta rodada, triunfos sobre Vitória, Atlético-GO, Santos e agora os 5 a 2 sobre o Vasco em São Januário. 100% de aproveitamento como visitante. Três times que vão lutar para se manter na Série A e o clássico com um rival combalido, na despedida de Dorival Júnior.

Oponentes que permitem uma evolução gradual, sem abalo na confiança depois de um título paulista contrastando com a eliminação precoce na Copa do Brasil para o Internacional. Fabio Carille trabalha para acrescentar criatividade e contundência à equipe organizada defensivamente, identidade construída por Mano Menezes e Tite.

Ainda difícil quando é preciso criar espaços, mas que já flui melhor quando o adversário os cede. Como o Vasco, que criou problemas e aproveitou a desconcentração geral no início da segunda etapa e a fragilidade de Pablo nas disputas com Luis Fabiano para empatar o jogo.

Na maior parte do jogo, porém, assumiu o papel de dono da casa, adiantou as linhas e sofreu com a rapidez na transição ofensiva deste incrível Jô e mais Clayson, Jadson e Marquinhos Gabriel, com suporte de Maycon. Depois Clayton, autor dos dois últimos gols. Compensando as ausências de Fagner, Rodriguinho e Romero no absurdo que é jogar em datas FIFA.

Corinthians que já varia naturalmente do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 com o movimento do meia mais adiantado, ora se aproximando de Jô, ora se alinhando a Maycon na construção. Com saída pelos dois lados, por Fagner e Guilherme Arana. Que triangula, movimenta Jadson. Cria e finaliza mais e melhor. Ganha opções, que entram no time em alta, sem pressão.

Em um campeonato equilibrado, no qual a trinca de favoritos antes da bola rolar ocupam as três posições logo acima da zona de rebaixamento – Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras -, pontuar nas primeiras rodadas sempre é melhor. Aumenta a confiança, dá leveza ao ambiente.

Nada garante em 38 rodadas e falar em junho do título no final do ano, ainda com Copa Sul-Americana a disputar, é utopia. Mas avaliando potencial e margem de evolução, um começo forte pode, sim, terminar muito bem para a equipe de Fabio Carille.

 


Análise tática – São Paulo 1×1 Corinthians: a última linha e o terço final
Comentários Comente

André Rocha

A arbitragem comandada por Vinicius Furlan no Morumbi foi pluripatética, embora menos que a do clássico carioca no Mané Garrincha. Mas o Majestoso reforçou impressões sobre os times neste início de temporada, mesmo com desfalques importantes.

A começar pela fragilidade defensiva do São Paulo de Rogério Ceni que já virou clichê – agora são surreais 20 gols sofridos em 10 partidas no estadual. O duelo com o arquirrival se colocou como um desafio para enfim não ter a meta vazada. O treinador tentou proteger com Jucilei mais plantado, Cícero recuado para garantir mais posse (terminou com 59%) e controle com volante passador.

Velocidade e intensidade no quarteto ofensivo. Tanto para pressionar no momento da perda da bola quanto para acelerar. Thiago Mendes e Wellington Nem alternando entre o lado direito e o centro, Gilberto na referência e Luiz Araújo pela esquerda. Faltou mais visão de jogo e o toque fácil. Também a conclusão precisa do melhor ataque da competição com 24 gols. Desta vez faltou Cueva. E Pratto.

Quando Nem, centralizado, acertou a assistência que fura a defesa, Luiz Araújo parou em Cássio no escanteio que Maicon colocou nas redes e comemorou provocando a torcida corintiana.

Mas depois falhou grosseiramente no posicionamento no gol de Jô. Nem cobriu Araruna no combate a Arana, nem ficou no centro da área junto com Rodrigo Caio na disputa com o centroavante do oponente. Ainda criou uma indefinição para o companheiro de zaga, que não sabia se saía em Rodriguinho ou ficava no centroavante. Nem ao menos se manteve num setor em que pudesse interceptar o cruzamento. Numa zona “morta”, assistiu ao empate e viu seu time murchar.

Maicon não cobriu Araruna, nem interceptou o cruzamento. Ainda criou uma indefinição para Rodrigo Caio – sair em Rodriguinho ou ficar em Jô? Na falha da última linha, o gol corintiano (reprodução TV Globo).

O Corinthians só não aproveitou para construir a virada porque segue sem criatividade e mobilidade na frente com a bola em movimento. Até houve mais revezamento, com os jovens Maycon e Pedrinho trocando de lado, Jadson e Rodriguinho circulando. Mas sem aquele deslocamento que gera superioridade numérica, as triangulações e a infiltração do terço final.

Tudo muito previsível. Piorou com a entrada de Leo Jabá, atacante que parece involuir cada vez que aparece entre os titulares. Já Pedrinho merece mais oportunidades, mesmo perdendo algumas disputas no físico. O time visitante finalizou dez vezes, seis no alvo. Sem chances cristalinas, porém.

Corinthians no último terço: mesmo com os jogadores da linha de meias trocando de posição, o time é previsível no ataque, isolando Jô (reprodução TV Globo).

Mais uma vez, diante do maior volume do adversário, o que garantiu o time de Fabio Carille foi a última linha de defesa bem posicionada. Apesar de um ou outro vacilo de Léo Príncipe, que entrou na vaga de Fagner. Sem os movimentos assimilados, se complicou em algumas coberturas por dentro. Balbuena teve que compensar saindo de sua posição.

Mesmo com espaços às costas do meio-campo por conta de falhas de Gabriel na proteção, o quarteto ofensivo são-paulino teve dificuldades de infiltrar na última linha corintiana quase sempre bem posicionada (reprodução TV Globo).

Mas mesmo com algumas dificuldades de Gabriel na proteção, a defesa conseguiu conter os lances mais agudos. Só não tem os melhores números do Paulista por conta de falhas individuais, como a de Cássio no gol de Maicon. Bem diferente da desorganização são-paulina.

A impressão é de que Ceni pensa futebol com a sua equipe adiantada, fazendo pressão e forçando a ligação direta do rival. Se este consegue transpor esse cerco no próprio campo, tudo fica por conta da rapidez, da qualidade e da intuição de seus defensores. Por isso sofre na última linha.

Sò não penou mais porque o Corinthians tem dificuldades no terço final do campo. Na zona de decisão, onde é preciso ter ideias. Mesmo diante de um sistema defensivo tão caótico. Não por acaso tem média de um gol marcado por jogo na temporada. Ajuda a explicar o 1 a 1. Empate entre os diferentes.

(Estatísticas: Footstats)

 


Valeu a pena, Palmeiras?
Comentários Comente

André Rocha

Este que escreve não é do tipo que considera tudo de ruim que acontece num estádio de futebol, dentro ou fora do campo, reflexo de nossa sociedade. Um caso público de homofobia, racismo, xenofobia, corrupção não significa que todos somos assim. Afinal, para que existe livre arbítrio?

O blogueiro também não defende a ideia do jogador do time beneficiado por uma infração qualquer tentar corrigir a arbitragem. No mundo ideal, o juiz seria parte da busca do consenso com jogadores e treinadores, como na pelada entre amigos. Mas, ora bolas, isso é futebol profissional. Se no mundo jurídico ninguém é obrigado a produzir provas contra si, qual o sentido do atleta interferir na decisão da arbitragem para se prejudicar?

Até porque ele pode estar errado. Achar que não sofreu pênalti, mas a TV mostra o toque que o árbitro viu. Quantas vezes um jogador antes de comemorar um gol olhou antes para o assistente por achar que podia estar impedido, mas não era o caso? Por mais honesta que seja a intenção, ela não deve ser a definitiva. Afinal, para que a equipe de arbitragem que não pára de crescer está ali?

Tudo é discutível. Mas o que aconteceu na Arena do Corinthians, logo no primeiro duelo nos 100 anos do dérbi paulista, era questão de consciência. Decência. Houve um engano do árbitro, tão grosseiro quanto bobo. E profundamente infeliz. Gabriel, com cartão amarelo, sequer participa da jogada que termina com Maycon puxando Keno.

Thiago Duarte Peixoto se enganou visualmente. Com convicção, a ponto de não mudar a decisão, mesmo com dez minutos de paralisação e o quarto árbitro, Alessandro Darcie, informando o erro, como mostrou a TV. Um absurdo que pode custar sua carreira e justifica as lágrimas de desespero do apitador depois da partida.

O que fizeram os jogadores do Palmeiras? Raphael Veiga aplaudiu, Dudu cobrou que o árbitro não mudasse sua decisão e até tentou evitar que este tivesse acesso a alguma informação externa. Alguns saíram de perto, nitidamente constrangidos.

Ali era o caso de se intrometer, pois não havia interpretação alguma. O jogador expulso não fez a falta simplesmente porque não estava na disputa direta pela bola. Informar, mudar o cartão para o Maycon e seguir o jogo.

Não foi assim. E com dez homens o Corinthians se agigantou ao se sentir prejudicado, trouxe a torcida que andava distante para jogar junto e arrancou a vitória improvável sobre o rival, mais vencedor e poderoso no momento, no gol de Jô aos 42 minutos do segundo tempo. Sem muito tempo para reação. Letal.

Agora imaginemos, talvez num exercício de pura ingenuidade, os jogadores palmeirenses se juntando aos corintianos para convencer o árbitro do erro. Thiago Duarte Peixoto corrige, mantém o time mandante com onze homens. Mesmo com toda a rivalidade que sempre tangencia o ódio entre os mais radicais, que não são poucos, a atitude certamente seria aplaudida pela torcida. Ou boa parte dela.

E quem garante que não seria o Palmeiras a se agigantar? Com a sensação ótima que todos já sentiram um dia de ter feito a coisa certa. E quem garante que o jovem Maycon, com cartão amarelo ainda no primeiro tempo, não receberia o vermelho e, assim, não estaria em campo para roubar a bola no vacilo de Guerra para servir Jô?

O placar poderia ter sido o mesmo, até. Mas com uma história diferente. Que entraria para a galeria de grandes momentos do clássico centenário, dos mais tradicionais e importantes do país. Para as duas torcidas. Agora só vai ser guardada na memória dos corintianos como um grande momento de superação.

Valeu a pena, Palmeiras?

 


Por enquanto, organização do 4-1-4-1 é a boa notícia no Corinthians
Comentários Comente

André Rocha

Estreia no Paulista, gramado molhado e difícil em Sorocaba, elenco incompleto. Muito a relativizar na análise do desempenho do Corinthians, agora comandado por Fabio Carille.

Mas se ainda falta criatividade, algo a ser resolvido com o retorno de Jadson, a organização baseada nos princípios de Tite é uma boa notícia. Um 4-1-4-1 com setores bem coordenados, reforçando a impressão da pré-temporada nos Estados Unidos e do amistoso contra a Ferroviária.

Defensivamente, o posicionamento está bem mais cuidadoso do que nos tempos de Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. Gabriel na proteção da última linha de quatro, os quatro meias acompanhando os movimentos. Precisando de um ou outro ajuste na compactação, mas normal pelo início de trabalho.

Na transição ofensiva ainda falta mais mobilidade em progressão, com os ponteiros buscando o jogo por dentro, o apoio dos meias interiores Fellipe Bastos e Rodriguinho, a passagem dos laterais Fagner e Moisés, abertos ou por dentro para desarticular a marcação.

Jô também colaborou pouco abrindo espaços e se colocando em condições de finalizar. O centroavante só apareceu cavando e cobrando o pênalti que definiu a vitória sobre o São Bento por 1 a 0.  Marlone também podia entregar mais nas infiltrações em diagonal para dar opções.

É cedo, mas os progressos não podem tardar. Se a ideia de efetivar Carille é trazer um pouco de Tite de volta, a organização defensiva é necessária, mas também a criatividade e a mobilidade na frente. Por ora ainda lembra mais o Corinthians do treinador da seleção brasileira antes da reciclagem de 2015.

Uma equipe ainda engessada, mas com lastro de evolução em todos os aspectos. Mesmo sem o elenco estelar de outros tempos pode ser forte na temporada. De qualquer forma, já é melhor que o tempo perdido em 2016.

 


“Declínio técnico”? O Corinthians caiu tanto que precisa de um Drobga
Comentários Comente

André Rocha

O nosso Dassler Marques trouxe a informação de que o Corinthians está se movimentando para trazer Didier Drogba. A ação agrada ao departamento de marketing, mas os profissionais do futebol estão resistindo à ideia alegando “declínio técnico”.

Físico também, mas este é óbvio para um jogador que vai completar 39 anos em março. O curioso é o clube que em um ano perdeu praticamente toda a comissão técnica e o elenco campeão brasileiro de 2015, efetivou o técnico Fabio Carille sem a mínima convicção depois da aventura com Oswaldo de Oliveira e que até aqui anunciou para o ataque nomes como Jô, Luidy e Kazim usar critérios técnicos para descartar um atacante que já foi um dos melhores do planeta.

De fato, o marfinense já não tem muito a entregar no mais alto nível do futebol mundial. Mas na MLS, enquanto teve foco, mostrou desempenho: 11 gols em 11 partidas pelo Montreal Impact. Depois quase voltou ao Chelsea, enfrentou problemas com a grama sintética, discutiu com torcedores e se recusou a ficar no banco. Ainda assim marcou dez gols. Só Romero, com 13, foi às redes mais vezes em 2016.

A personalidade forte faz parte do “combo”. Em campo, a equipe precisaria de uma referência de velocidade no ataque pois Drogba já não tem a mobilidade e o vigor de outros tempos. Mas o que Jô produziu desde o título da Libertadores com o Galo em 2013? Passagens sem brilho e conquistas por Al-Shabab e Jiangsu Suning. São nove anos a menos em relação ao avante africano, mas as perspectivas não são tão melhores.

Usar os jovens da base poderia ser solução, mas para quem tem o promissor Maycon para o meio-campo e contrata Fellipe Bastos, o aproveitamento das crias da casa não parece ser prioridade. Só William Pottker, um dos artilheiros do Brasileiro com 14 gols e ainda no radar corintiano, seria um atacante com boas perspectivas de corresponder.

Em um time estruturado, com base sólida e ídolos no auge, de fato o marfinense seria uma peça totalmente descartável. Mas para a nau à deriva que é o Corinthians, fora da Libertadores e até aqui sem notícias muito animadoras para 2017, pode ser nome interessante, dentro e fora de campo. Com parcerias, sem complicar o orçamento e usando com inteligência o potencial de marketing de um astro internacional.

O Corinthians caiu tanto que precisa de um craque, mesmo decadente.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>