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Corinthians, hepta de 1990 a 2017. Um título a cada quatro anos não é acaso
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André Rocha

Heptacampeão brasileiro. Maior vencedor de 1971 para cá. Ou desde 1990, na conquista do time de Nelsinho Baptista e Neto. Passando pelo bi de 1998/1999 com a equipe de Vanderlei Luxemburgo herdada por Oswaldo de Oliveira. O tetra com Tevez, Mascherano, Nilmar, Roger e Antonio Lopes recebendo o time de Marcio Bittencourt em 2005. Depois a “Era Tite”, começando em 2011 mais pragmático, quatro anos depois com criatividade e um futebol mais envolvente.

A conquista do time de Fabio Carille pode ser incluída neste período, já que o ex-auxiliar seguiu princípios de jogo e de gestão de elenco do atual treinador da seleção brasileira. Mais ou menos como Oswaldo de Oliveira e Luxemburgo há 19 anos.

A primeira vez que a CBF foi buscar no clube o melhor treinador do país. Depois de Luxa, Parreira em 2003 pela relação sempre próxima do campeão mundial de 1994 com a entidade, mas também pela temporada vencedora no ano anterior – campeão do Rio-São Paulo, Copa do Brasil e vice brasileiro. Mano Menezes em 2010 pelas conquistas de Paulista e Copa do Brasil. Por último, Adenor Leonardo Bacchi. Com dois anos de atraso, perdidos com Dunga.

Não é por acaso. Se fora de campo a gestão nunca foi exemplar, mesmo com sonhos realizados como o CT Joaquim Grava e o estádio próprio em Itaquera, dentro de campo o Corinthians teve excelência. Em técnica e tática.

Desde 2008, com Mano a partir do inferno na Série B, construiu uma identidade. Coisa rara no país. Baseada em organização defensiva, intensidade, concentração e mentalidade vencedora. O ápice em 2012 com Tite e o sonhado título da Libertadores e o último Mundial Interclubes conquistado por um sul-americano. Os dois comandantes se revezaram até Tite deixar o clube para investir no sonho de dirigir a seleção.

Um hiato com Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira, retomada da linha de trabalho e de conduta com Carille. Do turno invicto e quase perfeito com 82% de aproveitamento, a queda brusca a partir da vigésima rodada e a confirmação da conquista na reta final. Com três rodadas de antecedência, desde a quinta no topo da tabela. Líder por 30 rodadas, ilustrando a superioridade durante todo o campeonato. Se os concorrentes priorizaram outras competições, que aplaudam o vencedor.

Nos últimos quatro triunfos para o título, a vantagem mínima em três partidas para agradar o “maloqueiro sofredor”. Sem brilho, mas com fibra. E a confiança de quem venceu tanto recentemente e confia em sua ideia de jogo. Mesmo recheada com muito pragmatismo na reta final.

Contra o Fluminense, a primeira virada, a mais importante. Em casa, para celebrar com sua gente.

Susto com Henrique abrindo o placar no primeiro ataque tricolor, gols de Jô para consagrar o artilheiro do campeonato com 18 gols e o grande protagonista na campanha inteira. Sustentando o ataque e o time quando a defesa vacilou, Rodriguinho oscilou, Romero cansou, Jadson e Maycon despencaram em desempenho e perderam espaços para Clayson e Camacho. Mas o camisa dez ressurgiu para marcar o gol dos 3 a 1.

Apesar da campanha de extremos, foi o melhor pelos gramados do país na principal competição nacional. Mais uma vez. Com uma maneira de jogar e levar a taça para casa. O sétimo título em 28 edições, um a cada quatro anos. Que sirva de exemplo para os demais. Até porque se continuarem dormindo, o domínio vira dinastia.

 

 


O “jogo para ganhar” do Corinthians. Falta pouco para o grito de alívio
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André Rocha

De novo o Corinthians sofreu com a posse de bola, que rondou quase sempre os 60%, e a responsabilidade de criar espaços jogando como favorito. Depois de duas vitórias sendo atacado, sem obrigação de protagonismo.

Terminou com 33 cruzamentos, 25 no primeiro tempo. Só não chegou aos 50 porque o de Guilherme Arana aos cinco minutos da segunda etapa encontrou as redes de Douglas depois de esbarrar no peito de Kazim. Substituto de Jô, suspenso pelo STJD. Na meta, o terceiro goleiro Caíque para suprir a ausência do titular Cássio, na seleção, e do lesionado Walter, heroi na Arena da Baixada contra o Atlético Paranaense.

Pelo contexto e por conta do cenário desconfortável é aceitável que o time de Fabio Carille assuma o pragmatismo e a praga do “jogo para ganhar”. Ou seja, o foco no resultado maior que no desempenho. Porque depois de um turno de sonho e um returno pífio com duas vitórias redentoras o foco precisa ser a confirmação do título.

Mesmo que a equipe com Romero e Clayson nas pontas não consiga ser criativa e precise de um Jadson vindo do banco e em má fase para acrescentar uma chama criativa no lugar de Camacho. Embora nem tenha tido tempo de acrescentar algo até o gol salvador.

Com o terceiro goleiro, ao menos a concentração defensiva, especialmente dos homens da última linha, foi alta e a equipe sofreu poucos sustos de um Avaí vivendo de contragolpes esporádicos e tentando algo na bola parada do veterano Marquinhos.

No final, os gritos de “É campeão!” para o hepta que se aproxima e nada parece ser capaz de detê-lo. Mesmo com o anticlímax de atuações fracas na reta final. Porque pela vantagem construída e o misto de desinteresse e incompetência dos concorrentes o título virou obrigação.

Agora é contagem regressiva para a matemática concretizar o que parecia tão certo há tempos, despertou dúvidas e na base do futebol de resultados se aproxima. Não precisava ser assim, mas dá para entender.

Falta pouco para o grito de alegria. Ou de alívio.

(Estatísticas: Footstats)


Hernanes, Bruno Henrique e Jô: destaques no Brasil, descartáveis na seleção
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André Rocha

Bruno Henrique chegou a 11 assistências com os dois passes para gols nos 3 a 1 sobre o Atlético Mineiro na Vila Belmiro. Um em cada tempo, um de cada lado do campo. É também o melhor driblador do Brasileiro. Jô agora é artilheiro do campeonato com 16 gols, igualando Henrique Dourado. Não perdeu uma no jogo aéreo contra os zagueiros palmeirenses no dérbi. Hernanes marcou seu nono gol em 16 partidas no triunfo são-paulino fora de casa sobre o Atlético-GO que praticamente garante o tricolor na primeira divisão e muda a equipe de patamar, sonhando até com vaga na Libertadores.

Destaques indiscutíveis que merecem elogios pelo desempenho e pela capacidade de desequilibrar. Mas que Tite pode tranquilamente descartar nas convocações da seleção brasileira.

O motivo é simples, embora magoe e ofenda os defensores do futebol jogado no país cinco vezes campeão do mundo: a nossa liga é fraca, medíocre. Nossas equipes são formadas por atletas medianos, jovens buscando espaço, refugos de experiências mal sucedidas em grandes centros, veteranos na reta final de carreira.

Bruno Henrique, com 26 anos, até teve alguns bons momentos do Wolfsburg, o mais notável na vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid nas quartas de final da Liga dos Campeões, dando um calor em Marcelo. Mais não fez e voltou ao Brasil. Hernanes estava na China, depois de sete anos no futebol italiano. Aos 32 anos, seu tempo já passou no futebol em alto nível. Suas Copas seriam as de 2010 ou 2014. Jô esteve no Mundial do Brasil, mas na reserva. Aos 30 anos, também passou pela China e agora é protagonista no Corinthians. Mas a curva também é descendente, não tem mais mercado na Europa.

Todos merecem respeito por suas trajetórias profissionais. Se Tite der oportunidades – como sinaliza com Hernanes, até pela carência de um articulador no meio-campo como reposição a Renato Augusto – podem até render. Não só pela motivação, mas por estar inserido em um grupo qualificado. O fato, porém, é que há opções mais confiáveis atuando em ligas mais competitivas.

Como seria Jorginho, destaque do Napoli, convocado pela seleção italiana. Joga à frente da defesa, mas tem o perfil de organizador. Meio-campista que pensa o jogo todo e não apenas na sua função em campo. Artigo raro, disputando a Série A do Calcio e Liga dos Campeões. Descartado sabe-se lá o porquê. Mas no setor da equipe de Maurizio Sarri ainda temos Allan, outro pedindo passagem.

No centro do ataque, Gabriel Jesus e Roberto Firmino, que disputam Premier League e Champions. Ponto, sem maiores discussões. Na ausência de um dos dois, pela carência no setor até seria possível pensar em um nome atuando no país. Nada mais que isso. Soa até como piada o menosprezo ao atacante do Liverpool em defesa de Jô, Fred e outros centroavantes mais “midiáticos”.

Nas pontas, a concorrência para Bruno Henrique é cruel: Willian, Coutinho, Neymar, Douglas Costa. Mesmo Taison ou Bernard do Shakhtar Donetsk seria mais interessante. Tite ainda tem os jovens Malcom, do Bordeaux, e Richarlison, do Watford, como alternativas jogando em ligas mais competitivas.

Sim, a Ligue 1, hoje, está acima do Brasileirão. Só pela simples presença de uma seleção mundial como o PSG. Mesmo o Monaco desmanchado, mas já na segunda colocação e ainda forte, com remanescentes do semifinalista da última Liga dos Campeões. Até os times de nível intermediário jogam um futebol mais atual e conectado aos principais centros que o nosso.

Além do orgulho de bater no peito e repetir a falácia do “país do futebol”, muitos ainda confundem o pertencimento, a identificação e o equilíbrio de forças com qualidade. Nosso jogo até evoluiu no trabalho defensivo. Mas ainda é espaçado, lento e fraco tecnicamente. A intensidade ainda fica abaixo.

É compreensível que a mídia incense os jogadores atuando nos clubes daqui. Afinal, a presença deles entre os convocados atrai a audiência nas datas FIFA. Ainda mais agora que o campeonato tem uma pausa, o que motiva ainda mais o torcedor a exigir a presença do melhor jogador do seu time do coração, já que não será desfalque como antes. De novo a questão da identidade: uma seleção com jogadores atuando na Europa, ainda que as emissoras de TV fechada e eventualmente a aberta transmitam as partidas, parece “estrangeira”.

Não por acaso, os escretes que construíram o tricampeonato mundial, além da de 1982, habitam o imaginário popular até hoje e na época criaram uma comunhão com o povo. Todos estavam aqui. A da Copa da Espanha, então, com ídolos dos times mais populares do país, uniu ainda mais os torcedores. Outros tempos, outro contexto.

Hoje a lógica é clara, até óbvia: os países com mais capacidade financeira contratam os melhores jogadores e treinadores. Por consequência praticam futebol com mais qualidade. Em técnica e tática. Admitir isso não é ter complexo de vira-latas ou menos valia. Pelo contrário. Se temos brasileiros atuando nos principais campeonatos nacionais do planeta com desempenho satisfatório, estes devem ser os escolhidos por Tite. Para o bem da seleção.

A menos que surja um talento como Neymar ou Gabriel Jesus para assumir protagonismo ainda atuando aqui. Com projeção para se destacar na Espanha e na Inglaterra com rapidez. Hoje quem parece mais pronto para ser o prodígio a vestir a camisa verde e amarela e se afirmar, ainda com 21 anos e jogando no Grêmio, é Arthur.

Fora isso é aposta. Como os citados acima, os convocados Cássio, Rodrigo Caio e os Diegos, Souza e Ribas. Ou Luan, Geromel, Lucas Lima, Vanderlei, Dudu, Moisés, Gustavo Scarpa, Fagner, Thiago Neves, Fabio e outros.  Porque o protagonismo no Brasil não é credencial segura. Há algum tempo. Por mais que doa reconhecer isso.

(Estatisticas: Footstats)

 


Corinthians encaminha título com primeiro tempo de decisão, não G-4
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André Rocha

Concentração, eletricidade, sintonia com a massa no estádio lotado e precisão. O primeiro tempo do Corinthians em Itaquera foi de um time que tinha noção de que decidia sua vida no Brasileiro. Uma vitória para abrir oito pontos sobre o maior rival ou a derrota que manteria a equipe na liderança, mas desabaria emocionalmente e seria praticamente impossível manter os dois pontos de vantagem em seis partidas.

O resgate do desempenho do primeiro turno passa pelos méritos do time de Fabio Carille. Especialmente a movimentação de Rodriguinho às costas de Bruno Henrique e Tche Tche, o trabalho de pivô de Jô ganhando quase todas no alto de Mina e Edu Dracena e atenção absoluta sem a bola, com duas linhas de quatro bem próximas e muita dedicação de Romero e Clayson sem a bola.

Mas as falhas do Palmeiras também não podem ser descartadas nesta equação. Baixa intensidade e pouca pressão sem a bola, brechas entre os setores, Dudu abandonando Egídio contra Fágner e Romero e, principalmente, a última linha de defesa muito adiantada, com Mayke, Egídio e Edu Dracena como elos fracos. O jogo ficou à feição do Corinthians.

Rodriguinho recebeu livre e serviu Romero, impedido por centímetros, para abrir o placar. Depois o contragolpe em que o meia serviu Jô com lindo passe que gerou o escanteio do gol de Balbuena. Quando o Palmeiras buscava uma reação após o gol de Mina em falha de Rodriguinho no bloqueio e mérito do zagueiro colombiano na jogada aérea, novo contragolpe e pênalti de Dracena em Jô, que cobrou tirando do alcance de Fernando Prass.

Foram 12 desarmes certos corintianos contra sete. Oito faltas cometidas contra apenas duas. Mostras da diferença na fibra, na entrega. Talvez os jogadores alviverdes tenham acreditado no discurso de buscar apenas o G-4 e não deram ao dérbi o peso real. Tiveram 55% de posse, mas apenas seis finalizações. Uma no alvo. O Corinthians foi muito mais efetivo: oito conclusões, seis delas na direção da meta de Prass. Metade nas redes.

Segunda etapa de Roger Guedes e Guerra nas vagas de Keno e Bruno Henrique, Palmeiras no campo do rival, que controlava os espaços com cuidado, mas perdeu vigor e rapidez nos contragolpes.

Em novo escanteio, golaço de Moisés numa virada espetacular. Carille evitou a expulsão de Gabriel, com amarelo e visado pela polêmica de supostamente ter voltado a campo sem autorização, com a entrada de Maycon. Depois trocou Camacho por Fellipe Bastos e Jadson na vaga de Clayson.

Valentim trocou Tche Tche por Deyverson para buscar um abafa final, mas sem a chance cristalina. Subiu a posse para 57%, mas apenas seis finalizações, uma a mais o Corinthians. Para complicar, Deyverson foi expulso no minuto final por cotovelada em Bastos. No lance derradeiro, Cássio garantiu interceptando um cruzamento.

Para confirmar os três pontos mais importantes do campeonato, que encaminham o hepta pela vantagem e por resgatar a confiança perdida. A diferença no jogaço foi a postura de final do Corinthians no primeiro tempo. Deve valer taça no final.

(Estatísticas: Footstats)

 


Queda do Corinthians tem um “pecado original”: a desmobilização
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André Rocha

Foto: Nelson Almeida (AFP/Getty Images)

Em entrevista ao programa “Esporte Espetacular” na TV Globo, Cicinho, ex-lateral do São Paulo e da seleção brasileira, ao abordar a depressão que o levou ao alcoolismo, disse que tudo começou quando chegou ao Real Madrid e se viu sem metas na carreira e na vida. “E agora, o que faço?”

Ou seja, tudo começou com a desmobilização, que é diferente de relaxamento ou indolência, preguiça…É se perceber com o objetivo alcançado e perder o foco, permitir que aquela energia concentrada em busca de uma meta se dissipe. Exatamente por se sentir sem ter pelo que lutar.

O Corinthians se considerou campeão brasileiro antes da hora. Não é uma crítica oportunista, porque este que escreve também pensou o mesmo. Afinal, a vantagem era confortável e, principalmente, os concorrentes pareciam mais concentrados nos torneios mata-mata – Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana. E cada vez que um era eliminado vinha a ressaca e a perda de pontos.

Depois de um turno perfeito, o sonho era ser campeão invicto. Vieram as derrotas, mas nunca uma ameaça real. Renato Gaúcho disse que o líder despencaria, mas o próprio Grêmio, antes o candidato mais sério a disputar o topo da tabela, deixou pontos pelo caminho utilizando reservas.

A consequência natural pôde ser percebida em declarações e entrevistas: Fabio Carille apresentando o ex-treinador René Simões como uma espécie de “guru”, jogadores com discurso nas entrelinhas como se o título já estivesse garantido. Diretoria já falando em 2018, sobre possíveis reforços. O contexto favorecia, com as rodadas passando e a distância na tabela praticamente intacta.

Tudo isso se refletiu no campo com uma equipe burocrática, engessada. Lenta. Não na velocidade dos jogadores em si, mas no jogo. As triangulações e deslocamentos perderam fluência e sincronia. Muito pela queda técnica e física de quem fazia a bola girar: Jadson, Maycon e Rodriguinho. O time hoje depende fundamentalmente de bolas esticadas para Jô. Também porque Romero nitidamente sentiu o desgaste de meia temporada jogando sempre e de uma linha de fundo à outra.

A compactação não é mais a mesma e a última linha de defesa passou a ficar mais exposta, fazendo Cássio trabalhar. Pior: passou a sofrer com as jogadas aéreas, com bola parada ou rolando. Onze dos 20 gols sofridos no segundo turno. Inclusive os dois  na derrota por 2 a 1 para o Botafogo no Estádio Nilton Santos. Exatamente a maior, ou única, virtude ofensiva da maioria das equipes.

A equipe que tinha a concentração como seu grande pilar perdeu força mental. Afinal, bastava apenas administrar a vantagem e confirmar o título. Não havia mais o rótulo de “quarta força” para lutar contra. Só restava um favoritismo imenso. Uma certeza.

Mas o futebol é dinâmico. Com cinco derrotas em 11 partidas no returno e um pífio aproveitamento de 36%, em contraste com os 82% das primeiras 19 rodadas, a vantagem cai para seis pontos. Ainda considerável, mas o problema é a tendência de queda.

Depois da ressaca das eliminações, Palmeiras e Santos passaram a priorizar o Brasileiro. Cuca saiu e, com Alberto Valentim, o alviverde emendou três vitórias. O Santos oscilou mais e, ainda assim, também recuperou terreno. Mas quem parece se apresentar como grande ameaça é justo o maior rival, que ainda tem um confronto direto em Itaquera.

Por isso o cenário torna-se menos confortável, ainda que não dramático. Porque a confiança está abalada e a pressão fica maior para que não deixe o título escapar e o Palmeiras faturar o bi, o que seria o maior “flop” da história do Brasileiro em pontos corridos. Pelo contexto, maior até que o do próprio rival em 2009, quando desabou da liderança para uma quinta colocação que tirou até a vaga na Libertadores. Agora a disputa do torneio continental no ano que vem está garantida, mas perder o hepta será um vexame sem precedentes.

A solução? Primeiro, a calma. Afinal, ainda há duas rodadas de vantagem sobre os rivais. O duelo com o Palmeiras é em sua arena. Nada está perdido, contanto que o desempenho seja retomado, ainda que não em 100%. Não pode é apelar para os chavões “futebol de resultados”, “jogar por uma bola”, “vencer jogando feio”. Até porque o Corinthians do returno não é nada bonito.

É preciso retomar as triangulações, voltar à “cartilha” de Tite. Talvez retornar ao 4-1-4-1 do início da temporada recuando Rodriguinho, plantando Gabriel entre as linhas de quatro e voltar a unir três jogadores pelos flancos para tocar mais curto. E rápido. Errar menos passes por jogar mais agrupado. Proteger a retaguarda, mas sem abdicar do ataque. Mexer na formação se Carille achar que deve. Por que o talentoso e promissor Pedrinho vem sendo descartado? Difícil entender.

Acima de qualquer outra questão, é urgente resgatar a mobilização. O foco no título. Deixar isto se esvanecer foi o “pecado original” do Corinthians no Brasileiro 2017.


Gol de braço só diminui saldo negativo da arbitragem com o Corinthians
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André Rocha

Imagem: Reprodução TV Globo

O esporte preferido do brasileiro, em geral, não é o futebol, mas desmerecer as conquistas alheias, em todas as áreas. Sempre há um porém, um asterisco, uma crítica depreciativa. No esporte bretão, quando a conquista é do maior rival, então, vem invariavelmente com um selo de “roubado”. E quanto maior a torcida, mais ódio desperta nas demais.

Mesmo para o torcedor, que não tem nenhum compromisso com a verdade na conversa de boteco, qualquer tentativa de colocar uma mancha na liderança do Corinthians até aqui no Brasileiro só por causa do gol irregular de Jô na vitória sobre o Vasco em Itaquera soa absurda.

A campanha espetacular e invicta no primeiro turno poderia ter ganhado mais dois pontos não fosse o impedimento inexistente de Jô anotado pela arbitragem no empate sem gols fora de casa contra o Coritiba.

No 1 a 1 com o Flamengo, o impedimento de Jô, que estava por três metros em condição legal e colocou nas redes até pode ser relativizado em termos de resultado porque o próprio atacante em seguida faria o gol e não há como garantir que o time marcaria os dois, até pelo recuo excessivo e a pressão do time carioca na segunda etapa. Mas não deixou de ser um equívoco grave.

Graças à competência do time de Fabio Carille outros erros grosseiros não custaram pontos, como o gol de Luis Fabiano a favor do próprio Vasco visivelmente utilizando o braço na vitória corintiana por 5 a 2 em São Januário.

Falhas inquestionáveis dos apitadores e suas equipes, sem margem para interpretação. Não contando lances discutíveis, como o pênalti sobre Jô no primeiro tempo do triunfo sobre os cruzmaltinos em São Paulo. Outros também que poderiam ter sido marcados contra o líder absoluto do Brasileiro.

Ainda assim, se a partida tivesse terminado empatada em 0 a 0, o Corinthians seguiria no topo da tabela e aumentaria sua vantagem para oito pontos.

O que se questiona disso tudo é como a arbitragem, cada vez com mais auxiliares no campo para minimizar os erros, é capaz de vacilar num lance que nem precisa de replay para ser constatado. E a polêmica só cresceu porque o envolveu Jô, que discursou em favor do fair play de Rodrigo Caio e não foi coerente na atitude quando teve a chance.

Fora isso, o saldo da arbitragem com o Corinthians nesta edição do Brasileiro segue negativo. Se o “mimimi” de favorecimento ao líder não costuma fazer sentido, desta vez soa como puro choro de perdedor.


Alguém achou que o Caso Rodrigo Caio deixaria algum legado?
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André Rocha

“Me joguei na bola e não sei onde bateu”, disse Jô ao final da vitória corintiana sobre o Vasco em Itaquera.

Jô que defendeu Rodrigo Caio e pediu mais honestidade dos jogadores.

Jô que perdeu uma grande chance de servir de exemplo.

Até porque o empate do Corinthians manteria a equipe na liderança no Brasileiro. Com oito pontos de vantagem.

Jô preferiu fingir que não viu o gol que marcou e definiu a partida.

Erro grosseiro da arbitragem que tem cada vez mais gente para interferir e segue falhando miseravelmente. Na maioria das vezes a favor do time da casa. É assim no mundo todo.

Alguém achou que o Caso Rodrigo Caio deixaria algum legado?

No Brasil das decisões judiciais desproporcionais, das notas oficiais ratificando mentiras deslavadas, mesmo com imagens comprovando? Do media training, do eterno “meu pirão primeiro” mesmo que haja estoque de farinha?Das malas com milhões, das delações suspeitas?

Haja retidão para ser sincero no lance duvidoso. É para poucos. Pelo visto, não para Jô.


As lições da coletiva de Vagner Mancini em Itaquera
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André Rocha

Vagner Mancini cometeu três erros na coletiva depois do jogo em que o seu Vitória tirou a invencibilidade de 34 partidas do Corinthians em Itaquera:

O primeiro ao insinuar que o colega Felipe Garrafa, da Rádio Bandeirantes, seria corintiano por uma informação equivocada, de fato. Mas mesmo que seja não justifica o erro na análise das estatísticas da partida. Depois por afirmar que o jornalista tem que ser imparcial, algo que não existe. Todos temos nossas convicções, princípios, paixões e influências do meio. Nossa missão é ter isenção, na análise, opinião ou informação. E terceiro e último, embora seja direito dele, ao encerrar a entrevista tirando o direito de outros repórteres fazerem questionamentos, por conta de sua indignação.

No mais, foi perfeito e suas colocações fazem refletir. Ao analisar o jogo, enumerar as oportunidades do time baiano e dar luz a um dado fundamental e que muitas vezes é distorcido ou mal interpretado: a chance clara de gol. Ou seja, a jogada construída ou originada na falha do adversário que permite a conclusão em posição privilegiada, com liberdade e clara condição de ir às redes.

Porque é natural que o Corinthians em sua casa e na liderança absoluta do Brasileiro jogue no campo de ataque, fique com a bola – chegou a ter 75% e terminou com 65%, segundo o Footstats – e ronde a área. Neste cenário é óbvio que as finalizações acontecerão. Foram 14 no total, cinco na direção da meta de Fernando Miguel. A missão do oponente é impedir a jogada trabalhada que encontre alguém livre para marcar.

Foi o que o time paulista fez contra Grêmio e Palmeiras como visitante, o próprio tricolor gaúcho diante do Flamengo na Ilha do Governador e tantos outros nesta edição do Brasileiro que tem premiado quem não fica com a bola. A rigor, o Vitória só permitiu duas cabeçadas com liberdade: de Balbuena e Jô, uma em cada tempo. As demais sempre tinha um jogador de vermelho e preto para dificultar. É o que chamamos de controle de espaços.

Mancini acertou também ao afirmar que o Corinthians não jogou mal. Talvez tenha faltado mais mobilidade e triangulações, prejudicadas pela ausência de Jadson ou de um meia jogando na ponta para circular e dificultar o bloqueio. Com Romero e Clayson a equipe de Fabio Carille ficou engessada. Talvez as duas semanas sem jogos, ao menos neste retorno, tenham mais prejudicado que auxiliado.

Melhor para o adversário na zona de rebaixamento, mas em recuperação. Que cresce ao se fechar com duas linhas de quatro e acelerar com Tréllez, autor do gol único da partida, e Neilton, que fez a assistência, porém perdeu chance cristalina na segunda etapa à frente de Cássio. O Vitória também pode reclamar de gol mal anulado do zagueiro Kanu na segunda etapa. O mesmo que chutou Jô em pênalti ignorado pela arbitragem comandada por Eduardo Tomaz de Aquino.

Mas o treinador visitante foi preciso mesmo ao tocar o dedo numa ferida de todos nós: o hábito de analisar o jogo sob a ótica de apenas uma equipe. A mais forte, popular. A que dá mais audiência, gera mais cliques. Ou a local, tantas vezes desprezando o futebol jogado em outra praças. Por mais que se possa considerar indefensável uma derrota do líder do campeonato em sua casa para um time na zona de rebaixamento, os méritos do rival não podem ser esquecidos.

Muito menos menosprezados. Ninguém vai a Itaquera enfrentar o Corinthians de peito aberto, atacando e deixando jogar, ofertando espaços generosos. Imagine uma equipe de capacidade de investimento bem inferior e com dificuldades no campeonato. O Vitória traçou sua estratégia, executou e foi mais feliz. Se vencesse por 2 a 0 não seria nenhum absurdo.

Jogou bem dentro de sua proposta. É dever esclarecer mais uma vez que o que se condena como jogar mal é a pobreza de ideias e de repertório das equipes que podem entregar mais. Ou absurdos como times fortes abrirem mão de atacar em seus estádios, exagerando no pragmatismo.

O Corinthians pagou pelo status que sua própria competência o fez alcançar. Antes estava em um pelotão secundário de favoritos, agora é o grande candidato ao título. Natural ser mais estudado e motivar mais os adversários a batê-lo.

O Vitória conseguiu o que tantos desejavam por suas virtudes. Não “jogou por uma bola”, assim como o Corinthians não “massacrou”. Mancini mandou bem dentro e fora de campo. Que fique a lição para quem quiser aprender.


Quanto maior o desafio, mais forte e concentrado é o Corinthians
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André Rocha

Mineirão com bom público (45.529 presentes), Atlético Mineiro buscando afirmação, de novo o time desfalcado – embora menos que o esperado, com Guilherme Arana e Maycon em campo. O cenário era relativamente perigoso para o líder Corinthians. A invencibilidade estava em risco.

Mas o que não foi bem entendido no post sobre o empate contra o Flamengo ficou bem claro em Belo Horizonte: quanto maior é o obstáculo, ao menos na aparência, mais concentrado fica o Corinthians. No domingo, o jogo em Itaquera parecia controlado com facilidade pelos problemas técnicos e táticos do adversário. Houve uma desmobilização natural e com as substituições que melhoraram o desempenho do Fla, não era mais possível retomar a força mental. Por isso o sufoco no segundo tempo.

Desta vez um Galo se propondo a resgatar a intensidade na estreia de Rogerio Micale no Mineirão, com Pablo e Gustavo Blanco mantidos depois do triunfo de 2 a 0 sobre o Coritiba, deixou a equipe de Carille atenta e minimizando erros. Como de costume fora de casa neste campeonato – eram seis vitórias e dois empates como visitante.

Até quando o quase sempre preciso Balbuena errou, Fagner estava ligado e dificultou a finalização de Rafael Moura no primeiro tempo. Já quando Arana vacilou no posicionamento pela esquerda, Cássio precisou de sorte para o chute cruzado de Robinho, que entrou na vaga de Elias, não vencer sua meta na segunda etapa.

O Corinthians já vencia o jogo com o 11º gol de Jô em incursão rápida pela direita de Fagner que Maycon preparou para o artilheiro do campeonato. O jovem camisa oito é uma das chaves do equilíbrio e da produção ofensiva. Meio-campista que marca e joga.

Rodriguinho é que não vinha rendendo desde que voltou da seleção e parecia sem mobilidade como o meia central do 4-2-3-1. Sem Jadson e Romero, apesar das atuações mais consistentes de Giovanni Augusto e Clayson em relação ao empate contra o Flamengo, o quarteto ofensivo precisava do desempenho do autor do segundo gol deixando Leonardo Silva no chão.

Uma típica vitória corintiana fora de casa: apenas 42% de posse de bola, mas até finalizando mais, por conta dos espaços proporcionados pelo oponente: 12, quatro no alvo. Também permitiu mais conclusões atleticanas: 15, quatro no alvo. Chance cristalina, porém, só uma. Aquela de Robinho.

Retrato de um time focado, levando tão a sério o já batido discurso de pensar jogo a jogo que a emblemática 19ª rodada chegou e, se não for superado pelo Sport em casa no sábado, será o primeiro “campeão” invicto do turno por pontos corridos com 20 clubes, superando também os 44 do Palmeiras no returno do ano passado.

Não dá para duvidar de mais nada de bom que este Corinthians possa realizar. Quanto mais desafiado, mais forte fica.

(Estatísticas: Footstats)


Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
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André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)