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Flamengo comprova sua força, Palmeiras segue na “montanha russa” de emoções
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André Rocha

O Flamengo sem seus três zagueiros experientes e também o lesionado Diego claramente sentiu a pressão do ambiente nos primeiros minutos no Allianz Parque. O treinador Mauricio Barbieri também sacou Henrique Dourado para aproveitar Filipe Vizeu o máximo de minutos antes da partida para a Udinese. O resultado foi um time bastante jovem, com seis oriundos das divisões de base. Por isso, assustado nos primeiros vinte minutos.

Mas quem errou foi Rodinei, que tinha várias opões para cortar um cruzamento da direita e tomou a pior decisão: um golpe de cabeça fraco, no pé de Dudu. Longe do adversário, deu espaços para o cruzamento que encontrou Bruno Henrique e deste para Willian ir às redes aos seis minutos.

Um time confiante e seguro teria amassado o líder do campeonato até os 15 minutos. O Palmeiras, também com desfalques importantes, até tentou, pressionando muito Lucas Paquetá, que novamente prendeu demais a bola, e atacando com volume, fazendo Diego Alves trabalhar muito. Mas quando a equipe de Roger Machado é obrigada a diminuir a pressão o time controla mal o jogo. Murcha. E a torcida, que também não confia muito, deixa a arena morna.

Foi o suficiente para que o organizado time de Barbieri, novamente no 4-1-4-1, encontrasse no lado direito com Rodinei e a aproximação de Jean Lucas a válvula de escape, enquanto Everton Ribeiro passou a aproveitar os espaços às costas de Felipe Melo e Bruno Henrique, os volantes do 4-2-3-1 alviverde, que estavam muito concentrados em não dar brechas a Paquetá.

O primeiro tempo terminou com 53% de posse do Fla e seis finalizações, quatro na direção da meta de Jailson. Destaque para o Palmeiras nos 12 desarmes certos, o dobro do adversário. Foi o que sustentou a vantagem.

De novo a intensidade e a torcida quente no início do segundo tempo. Mas foi esfriando, esfriando…E o Flamengo tomou conta. Empatou no gol do jovem zagueiro Matheus Thuler subindo mais que Thiago Martins pregado no chão e completando escanteio de Rodinei. Podia ter virado não fosse o individualismo de Paquetá e um chute fraco sem goleiro de Vinícius Júnior, novamente disperso e reclamando muito da arbitragem. Ainda uma finalização perigosa de Everton Ribeiro.

Na reta final, Barbieri preferiu administrar o empate. Trocou Arão por Jean Lucas, depois tirou Vizeu e colocou Marlos Moreno para tentar acelerar os contragolpes e, por fim, Jonas na vaga de Everton Ribeiro. Roger tentou com Lucas Lima, Artur e Papagaio, mas apenas num abafa sem grande criatividade. Time muito tenso com o peso da responsabilidade. Terminou com mais finalizações – 14 a 13, cinco no alvo. Mas a maioria muito deficiente, inclusive de Bruno Henrique livre na entrada da área rubro-negra. Saiu bem longe.

Nos acréscimos, a confusão geral que terminou nas expulsões de Jailson, Dudu e do zagueiro reserva Luan do lado do time mandante e Cuéllar, Jonas e Henrique Dourado, também no banco, pelos visitantes. Desnecessário. Mas o fraquíssimo árbitro Bráulio da Silva Machado não teve peito para dar mais minutos com Moisés na meta alviverde.

O Fla também não reclamou. O empate foi resultado satisfatório, fechando os primeiros 12 jogos com surpreendentes 27 pontos para o contexto do início do Brasileiro. Pelos desfalques, o time demonstrou solidez e consciência. Faltou contundência. Algo a melhorar na volta, sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior.

O Palmeiras segue com oito pontos de distância para o líder. Podia ser pior pelo que aconteceu na partida. A missão de Roger e de todos no clube é aproveitar a pausa pra a Copa do Mundo e tentar estabilizar o time mentalmente e minimizar a “montanha russa” emocional que torna tudo tão incerto e inconstante.

(Estatísticas: Footstats)


A inteligência por trás da liderança do Flamengo no Brasileirão
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André Rocha

Na coletiva depois da vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians no Maracanã, o treinador (ainda) interino Maurício Barbieri dividiu os méritos do triunfo e da manutenção da liderança do Brasileiro com os jogadores pela mudança de atitude, com a torcida pela comunhão com a equipe, com o CEP Fla (Centro de Excelência em Performance) pelo trabalho de recuperação dos atletas para jogos em sequência em um elenco que tem rodado pouco.

Um relato de Barbieri, porém, chamou atenção: “ontem, na véspera do jogo, nós fomos para o campo, mas só marcamos espaços. Os que o Corinthians oferecia, por onde a gente devia jogar. Onde devíamos ter atenção e quais movimentos o adversário fazia. Foi um ensaio sem bola e depois fomos para a sala de vídeo. Fico muito satisfeito e até surpreso com o grau de entendimento deles”.

O Flamengo em vários momentos demonstrou apatia e um certo conformismo nas derrotas. Mas sempre passou a impressão de ser uma equipe que não sabia bem o que fazer em campo para explorar o máximo de seu potencial. Faltava inteligência na montagem do time e, consequentemente, na execução em campo.

Não falta mais. Barbieri conseguiu encontrar o equilíbrio e a melhor combinação das características dos jogadores. Léo Duarte foi um dos destaques do triunfo sobre o atual campeão brasileiro porque é o zagueiro mais rápido do elenco e tem sido preciso na cobertura de Rodinei. O lateral que tem liberdade para descer bem aberto, aproveitando o corredor deixado por Everton Ribeiro que, agora sim, atua como um autêntico ponta armador.

Do lado oposto, a lógica inversa. Vinícius Júnior com sua habilidade fica bem aberto para manter no mínimo um defensor preocupado e espaçando a última linha da retaguarda. Renê então ataca por dentro, muitas vezes criando com Everton Ribeiro, Diego e Paquetá uma superioridade numérica pelo centro dificultando a marcação dos volantes adversários.

Para evitar os espaços às costas dos volantes que costumam ser bem explorados por Jadson e Rodriguinho, Barbieri fixou Jonas à frente da defesa num 4-1-4-1 e negou as brechas aos “falsos noves” corintianos. O sistema defensivo do Fla novamente deixou o campo sem ser vazado. No duelo com o time que tem em sua identidade vencedora nos últimos anos a concentração minimizando erros atrás, os rubro-negros conseguiram se sair melhor. Foram 29 desarmes corretos, quase o dobro em relação ao oponente.

Também pela excelente atuação de Diego. Não fosse um certo destempero exagerando nas reclamações com a arbitragem de Anderson Daronco que podia ter rendido um cartão vermelho além do amarelo que tira o meia do Fla-Flu, o desempenho mereceria até uma nota dez. Liderança, entrega, fibra, disciplina tática. Tudo que demonstrou na maioria das partidas que disputou pelo clube. Mas agora adicionando o essencial para um jogador com a sua função em campo: leitura de jogo e tomada de decisão corretas. Soltando mais rapidamente a bola o rendimento cresceu naturalmente. Foi o melhor em campo. Também o que mais finalizou, comprovando seu futebol mais objetivo.

Mais uma vez, Henrique Dourado destoou. E muito. Acabou deixando o campo no segundo tempo depois de errar um passe simples para Vinicius Júnior em um contragolpe que podia ter sido muito perigoso. Entrou Filipe Vizeu, o autor do gol único. Aproveitando o rebote estranho do goleiro Walter e o vacilo de Mantuan, que deixou o atacante adversário finalizar livre no seu setor. Quem diria…o Fla concentrado aproveitando um erro do Corinthians, o outrora campeão da atenção aos detalhes.

O equilíbrio está também nas estatísticas do campeonato. É o time que mais acerta desarmes e a terceira defesa menos vazada, com apenas seis gols – três contra a Chapecoense, na última derrota quando utilizou mais reservas. Ao mesmo tempo é o quarto em posse de bola e finalizações e o ataque mais positivo, com 16 gols. Defende e ataca.

O Flamengo está no topo da tabela, mas é difícil fazer qualquer projeção. Há muitas incógnitas, como o comportamento de jogadores e do inexperiente treinador em momentos mais complicados na temporada, ainda mais em ano de eleição no clube. Assim como as soluções dentro de um elenco que se mostra curto e não entrega a qualidade que promete, obrigando o treinador a mexer pouco nas peças. E ainda há as dúvidas quanto ao futuro de Vinicius Júnior e também de Paquetá, que já chama atenção de clubes europeus.

Só há uma certeza: se o time está mais intenso e ligado e a torcida está apoiando, toda esta transformação passa pela inteligência. De treinador, comissão e dos jogadores. Um time sem rumo cansa e desiste mais rapidamente. Quando se sabe o que fazer a motivação é natural para executar o planejado. Como Barbieri ensaiou na véspera e os atletas compreenderam. O resto foi consequência no Maracanã.

(Estatisticas: Footstats)


Ibrahimovic, Cavani e Jonas – fazedores de gols e o mata-mata da Champions
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André Rocha

Cavani_PSG_Chelsea

O futebol atual em seu mais alto nível já descarta o centroavante que, mesmo cheirando a gol, é lento, pouco participativo e torna as ações ofensivas de sua equipe previsíveis.

Este blogueiro, inclusive, prefere um time sem o típico camisa nove se não houver um nome inquestionável. Como na seleção brasileira, que pode aproveitar mais de Neymar perto da zona de decisão.

O finalizador, porém, é imprescindível. Em qualquer posição e função que não atrapalhe o time. Aquele que garante os três pontos, faz o gol do 1 a 0 ou do 2 a 1. Não por acaso costumam ser os maiores salários do mercado. A diferença no jogo duro, de máxima concentração dos defensores, de goleiros acesos. Decisivo. De mata-mata.

Não cabe aqui a velha discussão sobre a emoção dos pontos corridos. Desde sempre a liga que premia o melhor é a que viabiliza o futebol profissional, com garantia de calendário e, consequentemente, planejamento. E em qualquer tempo, em todos os países, os dois formatos caminham juntos e convivem bem.

Em qualquer decisão, porém, o fazedor de gols é fundamental. Porque o trabalho coletivo, o ataque posicional ou o jogo de transição precisa daquele que transforma em bola na rede a chance cristalina. Ou mesmo a improvável.

Como Ibrahimovic no Parc des Princes abrindo o placar para o Paris Saint-Germain sobre o Chelsea na cobrança de falta que desviou em Obi Mikel. O craque com fama de “amarelão” em jogos decisivos da Liga dos Campeões transformou em vantagem o controle da posse de bola que chegou a 72%. Oito finalizações, mas só duas no alvo no primeiro tempo.

Na oportunidade de Diego Costa, o finalizador dos Blues, o goleiro Trapp salvou no reflexo. Obi Mikel se “redimiu” empatando e o jogo ficou mais igual. No 4-3-3 do PSG, Di Maria e Lucas alternavam pelas pontas, infiltravam em diagonal no espaço deixado pela movimentação de Ibrahimovic. Faltava a contundência.

Entrou Cavani. Atacante. Finalizador. Sacrificado pela presença da estrela sueca no centro do ataque, mais longe que o habitual da meta adversária. Mas letal na primeira intervenção, cinco minutos depois de substituir Lucas. Frio à frente de um goleiro portentoso como o belga Courtois.

Fazendo valer o mando de campo do time francês, que leva vantagem nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões para Londres. Mas nem tanto. O paradoxo: o gol de Mikel, volante reserva, pode fazer a diferença mais uma vez no terceiro duelo seguido entre PSG e Chelsea. Vaga sempre definida no “gol qualificado”. Mas é melhor apostar em Diego Costa no Stamford Bridge. Assim como o rival deve manter a fé nos seus goleadores que fizeram a diferença em Paris.

Assim foi também em Lisboa. Disputa equilibrada com o Zenit, que superou a inatividade de 70 dias pela parada do campeonato russo por conta do inverno rigoroso com organização defensiva e um pouco mais de cadência no ritmo de Danny e Shatov. Mas sem abdicar do ataque com Hulk e Dzyuba.

O Benfica fez de tudo para se impor em seus domínios: 61% de posse, 15 finalizações contra cinco – cinco a dois na direção das metas de Lodygin e Julio César, respectivamente. Aos 44 do segundo tempo, a vantagem numérica com a expulsão do italiano Criscito. Parecia tarde.

Não para Jonas. Artilheiro absoluto do Campeonato Português com 23 gols em 22 partidas. Mas apenas um anotado na fase de grupos do torneio continental. Questionado e pressionado, o brasileiro apareceu já nos acréscimos para marcar de cabeça, na força e na fibra, explodir o Estádio da Luz. Construindo, em tese, vantagem mais favorável que a do PSG.

Nos dois duelos da volta na principal competição de clubes do planeta, a consistência e o bom jogo coletivo serão fundamentais. Mas o “acabamento” é o que define. Para isso as equipes contam com seus fazedores de gols. Com classe, técnica ou de forma simplória, rústica.

Na essência, descarnando todas as “camadas” que o futebol pode ter, é o que vale.


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