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Grêmio de Renato sofre com o pior da Era Roger, mas vence no modo “copero”
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André Rocha

O Grêmio sentiu os desfalques em sua arena. Edilson finaliza melhor e é forte na bola parada, mas não chega tanto à linha de fundo quanto Léo Moura – fundamental para aproveitar o espaço deixado por Ramiro quando vem para o centro.

Já a opção de Renato Portaluppi para a vaga do lesionado Lucas Barrios foi um tanto controversa. Abriu mão do centroavante mais típico, manteve Everton, autor de três gols em Chapecó, no banco e adiantou Arthur para a meia central, Luan voltou a ser “falso nove” e Maicon entrou no meio-campo.

O resultado prático foi um Grêmio rodando a bola, mas sem opções de infiltração além das diagonais de Pedro Rocha, que teve a melhor oportunidade tentando encobrir o goleiro Jean. Mas na maior parte do tempo a posse foi estéril. A pior faceta da Era Roger.

A escolha, inclusive, corrobora a tese de que o trabalho mantém uma linha mestra de conceitos e ideias, com algumas adaptações e reparos do treinador carismático e experiente. Quando não teve Barrios e Bolaños, Renato voltou à configuração típica do seu antecessor, com Arthur fazendo a função que era de Douglas. Desta vez não deu tão certo.

Também pela maior concentração do adversário, efeito colateral do grande futebol apresentado pela equipe gaúcha. As duas linhas de quatro compactas do Bahia de Jorginho negavam espaços, dificultavam as tabelas e triangulações. Mas a equipe visitante também ameaçava pouco, isolando Edigar Junio. Com alguns momentos de aceleração e habilidade com Zé Rafael e Allione pelos flancos.

Melhorou um pouco para o mandante e favorito no segundo tempo com Everton, Fernandinho e Lincoln. Passou a rondar a área em uma zona mais perigosa e chegou a 16 finalizações, contra apenas seis do Bahia. Diminuiu um pouco a posse, de 66% para 61% definindo mais rapidamente as jogadas. Mais Renato Gaúcho.

O gol da vitória veio no melhor estilo “copero y peleador” tão prezado pelos gremistas. Quarenta minutos do segundo tempo. Cobrança de escanteio, desvio e toque de Cortez, que virou titular com a lesão de Marcelo Oliveira. Ala de outros tempos que hoje cumpre função de lateral, primeiro sendo um defensor. Mas apareceu na área para ajudar sua equipe a arrancar três pontos.

A forceps. À la Grêmio. Para alcançar a vice-liderança e já ensaiar uma polarização na disputa da ponta da tabela com o Corinthians. Quem sabe até o dia 25, quando as equipes se encontram também em Porto Alegre?

(Estatísticas: Foostats)

 

 


Vasco quis recorde, agora vive risco. 2014 pode não ter sido fundo do poço
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André Rocha

Este blogueiro estava a trabalho no Maracanã em 2014 e testemunhou a vaia estrondosa do estádio lotado que “celebrou” o retorno do Vasco à Série A após o empate em 1 a 1 com o Icasa apresentando péssimo futebol. Na saída, foi possível ouvir de um torcedor: “esse é o fundo do poço, pior não pode ficar”.

A má ou péssima notícia é que pode. Em 2014, o Vasco terminou em terceiro lugar na segunda divisão com 63 pontos. Campanha irregular, que começou com Adilson Batista e terminou sob o comando de Joel Santana, com pouquíssimos momentos de desempenho minimamente condizente com a grandeza do clube.

Desta vez a meta inicial, depois da recuperação tardia em 2015 com bom futebol, o título carioca invicto e o ótimo início na competição nacional, era bater o recorde do Corinthians em 2008: 25 vitórias, dez empates e só três derrotas. No fim do turno, já com quatro reveses, o parâmetro para o time comandado por Jorginho já era a campanha do título em 2009. Iguais com 39 pontos.

Agora, depois de uma jornada pluripatética no returno, com sete derrotas em 18 jogos e com 62 pontos na quarta colocação, um empate com o Ceará, que igualaria a pontuação há dois anos, pode não ser suficiente para continuar à frente do Náutico, quinto colocado.

O risco maior é a eletricidade do estádio lotado jogar contra o time que, mesmo experiente, pode ser atormentado pela tensão quase insuportável. E o discurso da equipe de Sergio Soares, na nona colocação, é de complicar para fazer história como o responsável pela manutenção de um grande na segunda divisão por mais um ano. Algo inédito na fórmula de pontos corridos.

O Vasco carrega um favoritismo natural e lógico. Mas é real o risco de uma tragédia que nem o torcedor da saída do Maracanã naquela noite de 2014 poderia imaginar. Será que ele estará de volta no sábado para tentar ajudar a evitar o maior vexame da história cruzmaltina?


Com nove meses de atraso, Vasco está em depressão
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André Rocha

O rebaixamento para um clube grande é sinônimo de depressão. Tem que ser. Mesmo para quem enfrenta o drama pela terceira vez em oito anos, como o Vasco.

Tristeza, lamber as feridas, avaliar os erros e encarar como uma oportunidade de se reorganizar, trazer a torcida para perto e tratar a temporada seguinte como um desafio e uma oportunidade de reinvenção.

O time cruzmaltino não viveu nada disso no final de 2015. Nem tanto pelo descenso não ser inédito. Até porque era a primeira vez do presidente Eurico Miranda, que garantiu que com ele o clube nunca cairia quando criticava o sucessor/antecessor Roberto Dinamite.

A questão é que o Vasco viveu uma situação inusitada. De lanterna no turno da Série A, terminou a competição com a oitava melhor campanha do returno. O Corinthians foi campeão em São Januário, mas com um empate sofrido. Com Jorginho, o time fazia jogos equilibrados contra qualquer um. Faltou bem pouco para se salvar. Talvez um ou dois erros de arbitragem a menos.

Eurico manteve o técnico e a base do elenco, especialmente o craque do time, Nenê. Criou-se um clima de esperança, até pela importância que a gestão do clube e boa parte da torcida dá ao estadual.

O título carioca com vitórias sobre o arquirrival Flamengo deixou equipe e torcida eufóricos. Alegria que seguiu com o ótimo início na Série B, a manutenção de Jorginho com a negativa à proposta do Cruzeiro, a série invicta de jogos e a possibilidade de fazer campanha histórica.

Mas o time com média de idade acima dos 30 anos foi sentindo o desgaste das viagens. A invencibilidade de 34 acabou contra o Atlético Goianiense e com ela a esperança de igualar marca histórica: 35 jogos sem derrota entre 1945 e 1946. A perspectiva de superar o Corinthians de 2008, com 25 vitórias e 74% de aproveitamento também foi para o espaço com o time irregular, em resultados e desempenho.

O Vasco que trocava passes, iniciava os ataques com Andrezinho e encontrava Nenê, liberado para atacar na variação do 4-3-1-2 para o 4-4-1-1 quando Jorge Henrique recua pela esquerda, perdeu a referência de velocidade na frente: Riascos, atacante colombiano limitadíssimo tecnicamente, mas cujas características se encaixavam perfeitamente com a proposta de jogo de Jorginho.

O clube foi ao mercado e trouxe Ederson. Também Junior Dutra e Rafael Marques. Aproveitou alguns jovens da base – Douglas Luiz o último. Para rodar o elenco, descansar um pouco os jogadores fundamentais.

Não conseguiu, mas ainda assim a disparidade técnica permite ao time seguir na liderança da segunda divisão. A última esperança: Copa do Brasil. O gol de Eder Luis transferiu uma sobrevida, mas o Vasco sabe que a missão contra o Santos depois dos 3 a 1 na Vila Belmiro é das mais complicadas. Quase impossível.

Porque a depressão chegou para o Vasco, com nove meses de atraso. O único objetivo palpável que restou é a obrigação do ano. Não há mais Carioca, duelos contra o Fla, marcas a alcançar. Só o duro cotidiano da Série B.

Jorginho tem responsabilidade por não encontrar alternativa quando Andrezinho e Nenê são marcados e a equipe simplesmente trava. A derrota para o Bahia em Salvador por 1 a 0 foi a segunda consecutiva depois do revés para o Vila Nova em São Januário. O quinto jogo sem vitória na Série B, seis no total incluindo a Copa do Brasil.

No primeiro tempo na Fonte Nova, uma atuação pluripatética. O Vasco trocava bolas na própria intermediária e parava no organizado sistema defensivo armado por Guto Ferreira. A primeira finalização só no segundo tempo, no belo chute de Jorge Henrique que Muriel salvou.

No mais, bolas paradas, nenhum jogo associativo, tudo dependendo das individualidades. Um time perdido, lento, sem ideias. Abatido. Mas ainda líder. Talvez seja o que desanime: não ter um rival à altura.

Só uma remontada histórica do “time da virada” contra o Santos para sair deste quarto escuro. Da letargia de quem torce para o ano acabar, ainda em setembro. Da depressão por despertar em um lugar que não é mais novidade. Mas continua incômodo.


Vasco de Jorginho, Nenê e Andrezinho: título invicto começou em 2015
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André Rocha

O Vasco do bicampeonato: sólido na execução do 4-3-1-2 que varia para duas linhas de quatro sem a bola para liberar Nenê. Equipe armada ainda em 2015 por Jorginho (Tactical Pad).

O Vasco do bicampeonato: sólido na execução do 4-3-1-2 que varia para duas linhas de quatro sem a bola para liberar Nenê. Equipe armada ainda em 2015 por Jorginho (Tactical Pad).

O título carioca invicto do Vasco, o sexto da história do clube, começou ainda em 2015. Não exatamente na chegada de Jorginho e Zinho, nem no início da série invicta de 25 jogos. Virou o fio quando eliminou o Flamengo na Copa do Brasil e resgatou a confiança que parecia sem volta.

O trabalho tático foi consolidado ao longo da campanha de recuperação que não salvou do rebaixamento, mas formou uma base. Eurico Miranda não tinha dinheiro para grandes reformulações, percebeu o lastro de evolução e resolveu apostar na manutenção. Acertou.

Com pré-temporada, Jorginho amadureceu a proposta de jogo simples e eficiente. Com a bola, um 4-3-1-2 com Nenê circulando pelos flancos, muita mobilidade e Madson como opção de velocidade à direita. Na recomposição, Jorge Henrique volta pela esquerda, Julio dos Santos abrindo à direita formando duas linhas de quatro liberando Nenê e o redivivo Riascos na frente, artilheiro com nove gols.

Time experiente, que soube cadenciar e não aceitar o jogo de intensidade do jovem Botafogo na decisão depois de conquistar a Taça Guanabara e atropelar o Flamengo de Muricy na semifinal. Controlou com posse, sofreu e se garantiu com Martín Silva.

Aproveitou as falhas de Jefferson em saídas da meta nos gols de Jorge Henrique e Rafael Vaz. Foi o melhor time da competição, embora Ricardo Gomes tenha feito o trabalho de reconstrução mais impressionante no Bota. Treze vitórias, cinco empates, incluindo o 1 a 1 que garantiu a taça. Marcou 30 gols, sofreu apenas nove.

Na Série B, é dever dosar melhor o fôlego do Nenê, decisivo com sete gols, nove assistências e líder também em finalizações. O camisa dez parece inesgotável, mas não é. Ninguém é. E as viagens desgastam mais que os jogos. Exige o cuidado, mesmo com a excelência do trabalho do centro de reabilitação (Capres). A vantagem de jogar de memória pelo entrosamento construído é um trunfo importante.

Sem contar a confiança por conta do bicampeonato. Desta vez sem a ilusão de 2015. Este Vasco fez jogo duro contra o Corinthians campeão brasileiro e tantos outros adversários de primeiro nível nacional.

Na Série B e para tentar ser ainda mais competitivo na Copa do Brasil precisa de reforços e não perder peças fundamentais. Como Andrezinho, melhor passador da equipe e o mais regular do Estadual para este que escreve.

O time cruzmaltino é o favorito natural para esta terceira experiência traumática. Com elenco mais forte que em 2009 e 2014. Porque paradoxalmente foi rebaixado em ascensão e tem time e técnico para duelar com qualquer equipe no país.

(Estatísticas: Footstats)


Marcelo Oliveira e Jorginho, campeão e rebaixado. Quem merece mais crédito?
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André Rocha

No mundo ideal, um treinador é contratado pela visão de futebol que combina com a filosofia do clube e o trabalho é avaliado por uma temporada.

No Brasil a avaliação dos grandes times é jogo a jogo, numa máquina de moer carnes com imediatismo insano. A pré-temporada de quase 30 dias foi um pequeno avanço no calendário ainda inchado, mas a seqüência de jogos inviabiliza correções e ajustes mais profundos. Porque se cobra resultado no Estadual que deveria ser seqüência da preparação.

Mas essa realidade dura não pode ser bengala ou dogma em todos os casos para isentar os treinadores de críticas e garantir empregos. É preciso contextualizar sempre.

Jorginho chegou ao Vasco com a missão inglória de evitar o rebaixamento após um turno pífio no Brasileiro. Não conseguiu, por muito pouco. Em primeira análise o trabalho não atingiu a meta principal.

Mas a evolução no desempenho do cruzmaltino foi notável. Com a liderança de Nenê em campo, o time mais organizado fez returno digno e foi superior ao Corinthians no empate em São Januário que garantiu o título à equipe de Tite.

Equipe que compactou setores, mesmo num 4-3-1-2 em desuso e pouca qualidade no ataque,. Valorizou a técnica e a posse de bola no meio-campo sem perder a competitividade. Resgatou confiança e autoestima.

Também pelas dificuldades financeiras do clube, Eurico Miranda manteve a comissão técnica para 2016. Apesar da dependência do camisa dez veterano, o Vasco segue o trabalho aproveitando a base formada no Estadual, dando chance a jovens e resgatando peças consideradas descartáveis, como Eder Luís e Thalles.

Nada espetacular, mas o suficiente para lutar pelo Carioca que Eurico valoriza tanto. Principalmente vislumbrar uma campanha sólida na Série B para cumprir a obrigação. Se for levado a sério a longo prazo, pode evitar o “bate-volta” à primeira divisão desde 2013. Utopia? Talvez. Pensar 2017 por aqui parece o próximo século.

Por outro lado, a bola jogada tem que ser parâmetro para avaliar a seqüência do trabalho. Mesmo o pouco mais de seis meses de Marcelo Oliveira no Palmeiras. O cenário: técnico bicampeão brasileiro assumindo elenco numeroso, mas montado no início do ano passado, com Oswaldo de Oliveira. Sim, precisa de tempo.

O problema é a estagnação. Mesmo com uma conquista importante. Copa do Brasil, a primeira do treinador depois de três decisões com Coritiba e Cruzeiro. Em um clássico regional saturado de rivalidade. Com sorte no gol perdido por Nilson na Vila Belmiro. Também boa atuação na grande decisão no Allianz Parque, em disputa com o Santos mais emocional que tática ou técnica.

Mas ainda sem progressos significativos. O time começou espaçado, sem controle do jogo, trocas de passes minimamente coordenadas e intensidade com inteligência para decidir no último terço do campo.

Em seis meses, com uma pré-temporada no meio e reforços pontuais para qualificar sem desmontar a base, pouco aconteceu. Ao menos uma melhora condizente com o tempo de trabalho era obrigatória.

Marcelo Oliveira não consegue entregar e nem parece encontrar um caminho. Já tirou Robinho do centro da articulação, puxou para o lado direito dando liberdade a Dudu – um dos poucos méritos nos muitos testes. Agora tenta alinhar o meia aos volantes para melhorar a saída de bola e proteger a defesa. Sai do 4-2-3-1 quase imutável para o 4-3-3 e até o losango no meio-campo, o mesmo de Jorginho no Vasco.

Mas a bola segue batendo e voltando. O time resolve rápido a jogada. Erra e cede espaços ao adversário, sofre muito quando precisa propor o jogo. Não é a derrota para a boa Ferroviária do técnico português Sérgio Vieira. Foi assim até na vitória sobre o Libertad no primeiro amistoso da temporada. Ou no empate fora de casa contra o River Plate uruguaio na Libertadores.

Eis o ponto. O Palmeiras de Marcelo Oliveira não evolui. Por isso o treinador precisa, sim, ser cobrado. Pelo que a equipe já poderia render agora. Mesmo sem um ano de trabalho e tempo para treinar. Porque não há indícios de que poderá render nos próximos seis meses.

Aqui não há defesa de demissão do profissional. Só que as dificuldades não podem garantir salvo-conduto e paciência eterna. O investimento é alto e mesmo sem grandes craques, o futebol do Alviverde podia ser melhor e o time mais organizado. Como o Vasco de Jorginho.

Sim, o técnico campeão contestado e o rebaixado com crédito. Porque a análise não pode se resumir a placares, tabelas e salas de troféus. O contexto é fundamental.


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